quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Missionários da Luz



Senhor, sejam para o teu coração misericordioso, todas as nossas alegrias, esperanças e aspirações!

Ensina-nos a executar teus propósitos desconhecidos, abre-nos as portas de ouro das oportunidades do serviço e ajuda-nos a compreender a tua vontade!

Seja o nosso trabalho a oficina sagrada de bênçãos infinitas, converte-nos as dificuldades em estímulos santos, transforma os obstáculos da senda em renovadas lições...

Em teu nome, semearemos o bem onde surjam espinhos do mal, acenderemos tua luz onde a treva demore, verteremos o bálsamo do teu amor onde corra o pranto do sofrimento, proclamaremos tua bênção onde haja condenações, desfraldaremos tua bandeira de paz junto às guerras do ódio!

Senhor, que possamos servir-te com a fidelidade com que nos amas, e perdoa nossas fragilidades e vacilações na execução de tua obra.

Fortifica-nos o coração para que o passado não nos perturbe e o futuro não nos inquiete, a fim de que possamos honrar-te a confiança no dia de hoje, que nos deste para a renovação permanente até a vitória final.

Somos tutelados na Terra, confundidos na lembrança de erros milenários, mas queremos, agora, com todas as forças d'alma, nossa libertação em teu amor para sempre!

Arranca-nos do coração as raízes do mal, liberta-nos dos desejos inferiores, dissipa as sombras que nos obscurecem a visão de teu plano divino e ampara-nos para que sejamos servos leais de tua infinita sabedoria!

Dá-nos o equilíbrio de tua lei, apaga o incêndio das paixões que, por vezes, irrompe, ainda, no âmago de nossos sentimentos, ameaçando-nos a construção da espiritualidade superior.

Conserva-nos em tua inspiração redentora, no ilimitado amor que nos reservaste e que, integrados no teu trabalho de aperfeiçoamento incessante, possamos atender-te os sublimes desígnios, em todos os momentos, convertendo-nos em servidores fiéis de tua luz, para sempre!

Que assim seja.

Prece Extraída do livro "Missionários da Luz"
Autor Espiritual - Alexandre
Ditada por André Luiz
Psicografada por Francisco Cândido Xavier

sábado, 8 de dezembro de 2012

Em Nosso Lar



Quando os recém-chegados das zonas inferiores do Umbral se revelam aptos a receber cooperação fraterna, demoram no Ministério do Auxílio; quando, porém, se mostram refratários, são encaminhados ao Ministério da Regeneração.
Se revelam proveito, com o correr do tempo são admitidos aos trabalhos de Auxílio, Comunicação e Esclarecimento, a fim de se prepararem, com eficiência, para futuras tarefas planetárias.
Somente alguns conseguem atividade prolongada no Ministério da Elevação, e raríssimos, em cada dez anos, os que alcançam intimidade nos trabalhos da União Divina.
E não suponha que os testemunhos sejam vagas expressões de atividade idealista. Já não estamos na esfera do globo, onde o desencarnado é promovido compulsoriamente a fantasma. Vivemos em circulo de demonstrações ativas. As tarefas de Auxílio são laboriosas e complicadas, os deveres no Ministério da Regeneração constituem testemunhos pesadíssimos, os trabalhos na Comunicação exigem alta noção da responsabilidade individual, os campos do Esclarecimento requisitam grande capacidade de trabalho e valores intelectuais profundos, o Ministério da Elevação pede renúncia e iluminação, as atividades da União Divina requerem conhecimento justo e sincera aplicação do amor universal. A governadoria, por sua vez, é sede movimentada de todos os assuntos administrativos, numerosos serviços de controle direto, como, por exemplo, o de alimentação, distribuição de energias elétricas, trânsito, transporte e outros. Aqui, em verdade, a lei do descanso é rigorosamente observada, para que determinados servidores não fiquem mais sobrecarregados que outros; mas a lei do trabalho é também rigorosamente cumprida. No que concerne ao repouso, a única exceção é o próprio Governador, que nunca aproveita o que lhe toca, nesse terreno.

- André Luiz

Núcleos de trabalho


Cada um de nós permanece aqui, em núcleos de trabalho e renovação, na vizinhança do plano físico, sob a mesma ficha de identificação, através da qual éramos conhecidos nela. Até que nos promovamos por merecimento próprio a círculos mais altos de sublimação, quedar-nos-emos entre a Espiritualidade Superior e o Estágio Físico, operando no aperfeiçoamento pessoal, da internação no berço à liberação para a vida espiritual e regressando da liberdade na vida espiritual a nova segregação no berço.
Aqui somos então examinados pelo que fomos, nas ações praticadas, no tempo de retaguarda mais próximo de nós...
Somos como éramos, na ficha individual, até que as circunstâncias nos indiquem nova imersão no corpo carnal, como recurso inevitável aos objetivos de burilamento a que todos visamos, nas lides da vida eterna.

- André Luiz (Espírito)

Nenhum espanto

Nenhum espanto, quando ponderarmos que os edifícios no mundo dos homens nascem do pensamento que os esculpe e da matéria que obedece aos projetos elaborados.
Aqui verificamos o mesmo processo, diferindo apenas as condições da matéria, que se evidencia mais intensivamente maleável à influência da ideia dominante. Reflitamos no progresso da indústria de plásticos, na atualidade do plano físico de onde viemos e perceberemos, com mais segurança, as possibilidades imensas para as edificações delicadas e complexas em nosso domicílio de agora. Naturalmente, também aqui estamos subordinados ainda às técnicas, às vocações, às competências pessoais e às criações estilísticas, no círculo das conquistas espirituais de cada um.
O arquiteto que planeia uma casa e o obreiro que lhe cumpre as ordens, não servirão, de imediato, em lugar do diretor da manufatura de tecidos e do operário que lhe atende as determinações.
Ainda aqui, o escritor não faz a obra do músico, em ação de improviso.
Somos criaturas em evolução, sem havermos atingido ainda a posição dos gênios polimorfos, apesar de esses gênios existirem igualmente aqui.

- André Luiz (Espírito)

Tanto na Terra

Tanto na Terra quanto aqui, no plano espiritual conhecemos, na essência, muito pouco acerca do meio em que vivemos. Em suma, analisamos e reanalisamos coisas e princípios que já encontramos feitos...
Entretanto, no mundo, como entendemos o mundo, guardamos a certeza de permanecer sobre bases de matéria sólida.
Moramos na arena terrestre, detidos igualmente num certo grau da escala de impressão do nosso Espírito eterno. Qualquer aprendiz de ciência elementar, no Planeta, não desconhece que a chamada matéria densa não é senão a energia radiante condensada. Em última análise, chegaremos a saber que a matéria é luz coagulada, substância divina, que nos sugere a onipresença de Deus.

 - André Luiz (espírito)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Conflitos conjugais



Qual a posição do espiritismo com relação ao divórcio? Se optamos pela
separação, não estamos transferindo nossa missão para com nosso companheiro
para outra época (vidas), ou seja, estamos deixando de lado nosso "carma" por
utilizarmos nosso livre-arbítrio de forma equivocada, sem tentar solucionar os
problemas mais caridosamente?


Resposta: 
Não deveríamos nos prender ao conceito de carma. Essa é uma posição
da filosofia oriental que tem aproximações com a Lei de Causa e Efeito
apresentada pelo Espiritismo, mas há distinções em relação ao entendimento
disso na prática.
Quando se usa o termo carma, há uma conotação de fatalidade, enquanto que a
Doutrina enfatiza a possibilidade de minimização ou eliminação das ocorrências
de sofrimento, mediante uma ação positiva no bem. Vamos esclarecer bem essa
questão do divórcio:
A separação e o divórcio possibilitam a resolução dos conflitos que se
estabelecem na vida das pessoas que estão ligadas por compromisso formal ou
vínculos legais, mas não mais se entendem, nem se amam. Na nossa cultura, essa
opção é acompanhada de grande sofrimento. Parte desse sofrimento decorre do
próprio processo de ruptura e parte resulta de questões culturais. Quando as
pessoas se casam, geralmente, acreditam que estão dando um passo definitivo,
pretendem viver juntas por longo tempo e realizam, por isso, grande
investimento energético na relação, construindo elos fortes. Na separação,
esses laços energéticos se rompem, o que repercute dolorosamente sobre a alma.
Esse sofrimento é inerente ao processo e, quando o casal se decide pela
separação, não dá para fugir dele, é preciso enfrentá-lo com serenidade. Mas há
ainda o outro sofrimento, que resulta do ideário cultural sobre a
indissolubilidade do matrimônio. Podemos atenuar esse último, se desenvolvermos
uma visão crítica da cultura em que vivemos.
A Doutrina Espírita nos ensina a ver o divórcio de uma maneira mais adequada.
Os Espíritos, ao falarem sobre o assunto, criticaram claramente as amarras
culturais que dificultam a vida dos casais. Destacam eles que a determinação
legal de indissolubilidade do casamento é um erro e perguntam: “Julgas,
porventura, que Deus te constranja a permanecer junto dos que te desagradam?”
(LE – q.940)
Depreende-se dos ensinos deles que Deus determina a união dos seres pelo amor,
para que se crie no lar uma psicosfera favorável ao desenvolvimento sadio dos
filhos que porventura venham a ter. “No meio espírita, costuma-se dizer que as
pessoas não devem optar pelo divórcio, porque estarão adiando o pagamento de
uma dívida e terão no futuro, por isso mesmo, maior dificuldade para efetuar
esse pagamento. Talvez isso se aplique ao indivíduo que é inconseqüente e
irresponsável no direcionamento de suas energias amorosas, mas não se pode
generalizar e achar que em todas as situações esse critério seja adequado. Na
verdade, há casos em que o mal maior seria as pessoas permanecerem vinculadas a
um compromisso que não desejam mais e, por isso, perderem a alegria de viver e
a possibilidade de realizações espirituais significativas para sua própria
evolução. Somente aquele que está vivendo o problema poderá decidir,
consultando sua própria consciência, qual o melhor caminho a seguir.
“O conselho dos Espíritos é sempre no sentido de desenvolver as qualidades da
alma para possibilitar um ajustamento harmonioso entre os componentes do grupo
familiar e, quando se instala o conflito, a recomendação é de que se procurem
todos meios de resolução do problema antes de optar pela separação. (Esse tema
está mais desenvolvido no livro “Conflitos Conjugais”- edição FEEES/2002)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Sexo e traição


Relacionamento conjugal
Alem de ser uma coisa errada uma pessoa enganar a outra, abusar de sua confiança, trair seus sentimentos, brincar com o amor que outro sente por você, existe outro aspecto que tem de ser comentado aqui, nós somos feitos de carne e osso, mas ao mesmo tempo temos energias, do mesmo modo que podemos fazer o bem também podemos fazer o mal, com nossas mãos ou com a nossa língua, ou com nosso pensamento, a força do pensamento de uma pessoa é muito grande, pode ajudar alguém a se curar e pode também ferir.

Quando um casal pratica o adultério, alem de praticar um crime contra as leis de Deus, que vai resultar em uma dívida espiritual após a morte, este casal está também fazendo uma troca de energias, a energia pode ser de amor ou de ódio, pode ser benéfica ou maléfica, se for uma troca de energias em um adultério por amor, este amor estará negativado perante a Deus.

Por exemplo, um homem está em um relacionamento com outra mulher enganando a sua própria esposa, apenas por diversão ou simplesmente para experimentar ou para viver um caso, sua esposa está em casa e não sabe, ele se sente másculo, acha que tem duas mulheres e se sente poderoso, por sua vez a mulher vem de um relacionamento que já terminou, às vezes com mágoa, com ódio do antigo marido, para se vingar sempre arruma um namorado novo, não importa se é casado, sente prazer, não o prazer do amor, mas sim o da vingança.

Este é um caso típico de adultério, os dois estão trocando energias ruins, um para o outro, estas energias estão carregadas de magoas, vinganças, vaidades, revoltas, todos este sentimentos são ruins e emitem freqüências que atraem espíritos que estão na escuridão, maus espíritos que no ato sexual, por frações de segundos se apoderam dos corpos e experimentam sensações que tinham quando ainda estavam vivos, estes espíritos ainda estão ligados a matéria e sentem necessidade de vícios e tudo que tinham aqui na terra quando estavam vivos.

Por sua vez o homem após um relacionamento deste, acaba levando para casa aquela energia negativa em seu corpo que por sua vez vai acabar transferindo para sua esposa dentro de seu lar, através do ato sexual já não mais puro, e carregado de energias negativas, que futuramente tanto no homem como na mulher e na outra que está participando do adultério, tanto um como o outro terão problemas.

Estas energias vão ter efeitos devastadores no organismo, elas se acumulam nos órgãos internos, tomam forma, atraem ainda mais energias negativas a estes órgãos, provocando doenças das mais diversas.

Há muitos casos em que sem ninguém falar nada e sem sua esposa saber que está sendo traída, surge nela aquele sexto sentido que lhe diz, “estou sendo traída”, não se trata de adivinhação, nem sexto sentido neste caso e sim de que seu espírito está recebendo uma carga negativa neste caso, para você entender mais ou menos o que o espírito sente seria como se nós fossemos a um restaurante e comêssemos uma feijoada meio velha em um dia de calor, causa uma indigestão, uma dor de cabeça, mal estar, funciona do mesmo jeito com os espíritos, eles se alimentam de energias boas e ruins, o amor entre um casal quando é puro sem traições sem mentiras à troca de energias se faz sem prejuízos, pelo contrario se torna benéfico até para o corpo.
Quando amamos um amor sincero, e temos uma união sincera, as energias que se fazem são extremamente benéficas ao nosso organismo, nos rejuvenesce, e nos dá forças para enfrentar os problemas que temos aqui neste mundo.

(A. D.)
Fonte: http://www.forumespirita.net/fe/sexualidade/sexo-e-traicao

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A erraticidade




Enquanto as almas desprendidas das influências terrenas se constituem em grupos simpáticos, cujos membros se amam, se compreendem, vivem em perfeita igualdade, em completa felicidade, os Espíritos que ainda não puderam domar as suas paixões levam uma vida errante, desordenada e que, sem lhes trazer sofrimentos, deixa-os, contudo, mergulhados na incerteza e na inquietação. É a isso que se chama erraticidade; é a condição da maioria dos Espíritos que viveram na Terra, nem bons nem maus, porém ainda fracos e muito inclinados às coisas materiais.
Encontram-se na erraticidade multidões imensas, sempre agitadas, sempre em busca de um estado melhor, que lhes foge. Numerosos Espíritos aí flutuam indecisos entre o justo e o injusto, entre a verdade e o erro, entre a sombra e a luz. Outros estão sepultados no insulamento, na obscuridade, na tristeza, sempre à procura de uma benevolência, de uma simpatia que podem encontrar.
A ignorância, o egoísmo, os vícios de toda espécie reinam ainda na erraticidade, onde a matéria exerce sempre sua influência. O bem e o mal aí se chocam. É de alguma sorte o vestíbulo dos espaços luminosos, dos mundos melhores. Todos aí passam e se demoram, mas para depois se elevarem.
O ensino dos Espíritos sobre a vida de além-túmulo faz-nos saber que no espaço não há lugar algum destinado à contemplação estéril, à beatitude ociosa. Todas as regiões do espaço estão povoadas por Espíritos laboriosos. Por toda parte, bandos, enxames de almas sobem, descem, agitam-se no meio da luz ou na região das trevas. Em certos pontos, vê-se grande número de ouvintes recebendo instruções de Espíritos adiantados; em outros, formam-se grupos para festejarem os recém-vindos. Aqui, Espíritos combinam os fluidos, infundem-lhes mil formas, mil coloridos maravilhosos, preparam-nos para os delicados fins a que foram destinados pelos Espíritos superiores; ali, ajuntamentos sombrios, perturbados, reúnem-se ao redor dos globos e os acompanham em suas revoluções, influindo, assim, inconscientemente, sobre os elementos atmosféricos. Espíritos luminosos, mais velozes que o relâmpago, rompem essas massas para levarem socorro e consolação aos desgraçados que os imploram. Cada um tem o seu papel e concorre para a grande obra, na medida de seu mérito e de seu adiantamento. O Universo inteiro evolui. Como os mundos, os Espíritos prosseguem seu curso eterno, arrastados para um estado superior, entregues a ocupações diversas. Progressos a realizar, ciência a adquirir, dor a sufocar, remorsos a acalmar, amor, expiação, devotamento, sacrifício, todas essas forças, todas essas coisas os estimulam, os aguilhoam, os precipitam na obra; e, nessa imensidade sem limites, reinam incessantemente o movimento e a vida. A imobilidade e a inação é o retrocesso, é a morte. Sob o impulso da grande lei, seres e mundos, almas e sóis, tudo gravita e move-se na órbita gigantesca traçada pela vontade divina.

Léon Denis  -  Depois da Morte


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Miragens


Eram encargos normais, saudáveis: cuidar dos filhos, dirigir o lar, instruir a doméstica, efetuar compras.  Mas Zilda aborrecia-se.  Sentia-se frustrada.  Ninguém parecia reconhecer seu esforço.  Além do mais, sonhava trabalhar fora, ter seu próprio dinheiro, freqüentar uma Faculdade, alargar horizontes...
Irritava-se com frases pomposas, tipo "rainha do lar" ou "doadora da Vida”, que lhe pareciam engodos masculinos para estimular a submissão das mulheres.
Resolveu consultar um psicólogo, desses modernos, idéias arejadas, "prá-frente'... Expôs-lhe suas angústias.
- Minha cara Zilda - orientou o profissional, enfático. - Seu problema fundamental é aprender a gostar um pouco de si mesma!  Solte-se!  Conquiste seu espaço!
- O senhor tem razão!  Anseio por vôos mais altos, além da rotina... No entanto, estou amarrada.  Os encargos domésticos são numerosos.  A família precisa de mim.  Alguém deve ficar na retaguarda...
- Esqueça!  No momento é preciso cuidar de seu bem-estar.  Ninguém deve ser mais importante do que você mesma!  Liberte-se!  Seja autêntica!  Exercite suas próprias asas!
Sob orientação do psicólogo Zilda começou a mudar.  Encontrou tempo para o massagista, o tratamento de beleza, a ginástica.  Importante afinar a silhueta, rejuvenescer.. Em breve matriculou-se em curso de nível superior, conseguiu emprego de meio expediente, entrosou-se com novas amigas, igualmente "avançadas” ...
Sem tempo para o lar, este começou a apresentar problemas.  O desleixo tomou conta, os filhos foram descuidados.  O esposo, perplexo, indagou-lhe o porquê de tantas mudanças...
- É preciso cuidar de mim mesma.  Tenho sido uma escrava.  Chegou o tempo de minha libertação.  Vocês se virem !...                     
Empolgada pela própria audácia, Zilda distanciou-se progressivamente da família até que, concluindo que precisava de mais espaço, partiu para cidade distante, integrada em serviço promissor.  Aparecia apenas nos fins de semana, visita em sua própria casa.  Era preciso cuidar de si mesma!
Todavia, não chegou a parte alguma, alienada das realidades mais simples, perdida em caminhos tortuosos.  Embora livre para movimentar-se, jamais se libertou da angústia e da insatisfação, nem da impertinente sensação de que talvez fosse mais feliz 'como humilde "rainha do lar?

No dicionário da Vida, felicidade é sinônimo de doação.  Por mais sofisticadas e brilhantes sejam as idéias não resolveremos o problema de nossa estabilidade Intima, nem nos realizaremos como filhos de Deus, enquanto pensarmos muito em nós mesmos. Quem se fecha em si, sufoca-se em estreitos limites, ainda que se julgue na amplidão.
Os movimentos feministas são respeitáveis quando reivindicam os direitos da mulher como ser humano, com aspirações inerentes à sua condição.  Cometem, entretanto, grave engano quando, pretextando sua libertação, a induzem a aborrecer-se com os encargos domésticos, negligenciando as sagradas tarefas da maternidade, em que a mais nobre, a mais sublime de todas as missões lhe é confiada: preparar os filhos para a Vida, tarefa que lhe confere o supremo encargo de colaboradora de Deus.


Se fomos reunidos aqui e agora aos seres com os quais convivemos, é este, portanto, o melhor tempo de
solucionarmos comportamentos inconvenientes, posturas de vida intransigentes e promover
transformação interior, fatores imprecindíveis para o crescimento de nossa alma.

Hammed




quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Mediunidade sem amor e trabalho não levará a nada


Há uns trinta anos mais ou menos, Nayá Siqueira Amorim, minha mãe, já
visitava o Chico em Pedro Leopoldo. Trazia lindos casos e ensinamentos que nos alegravam muito.
Gostava muito de ouvir mamãe pela sua peculiaridade em nos transmitir, entusiasmada, os acontecimentos quando de suas viagens a Pedro Leopoldo.
Apaixonava-me por tudo aquilo, apesar de trazer em meu coração a orientação católica que buscava nas missas e catecismos.
Devido à alegria contagiante de mamãe, comecei a ler os livros de Chico e, a cada um que lia, encantava-me cada vez mais.
Nos caminhos de nossa vida, estamos presos aos débitos do passado, trazendo-nos as promissórias para serem cobradas no vencimento. O dia da cobrança chegou com o inevitável acidente que ocasionou o desencarne do meu marido e mais dois companheiros que estavam conosco.
Curiosamente, dois dias após o acidente, mamãe recebeu uma carta de Chico que em determinado trecho dizia o seguinte:- Dona Nayá, a Sras. Esmeralda esteve aqui e confiou-me o seguinte recado:- “Dia à dona Nayá que os passeios para chupar jabuticabas nunca deram certo. Dona Nayá sabe porque estou dizendo isso”.
Chico, sem entender, perguntou:- “Este recado faz sentido?”
Tanto fazia, que o acidente ocorrera exatamente quando estávamos a caminho de um sitio, como costumeiramente fazíamos, para ir chupar jabuticabas.
Apenas para esclarecimento dos amáveis leitores, a Sra. Esmeralda Bitencourt era amiga de mamãe, hoje encontra-se no plano espiritual.
Do acidente, fiquei quase um ano em cadeiras de rodas. O medico, achando que não haveria mais condições para eu andar, resolveu dar-me alta. Em vista disso, resolvi ir ao Rio de Janeiro fazer um tratamento de recuperação na BBR. Assim fui melhorando.
Estava com mais de dez fraturas no corpo todo. As mãos totalmente paralisadas. Quando percebi os primeiros movimentos em minhas mãos, senti uma grande vontade de escrever para o Chico. Completei meu desejo.
Continuei no Rio de Janeiro, em tratamento, por uns dois anos. E, em viagem a Goiânia para reconforto dos meus familiares, resolvi parar em Uberaba.
Nessa oportunidade vi o Chico pela primeira vez.
Maravilhada e muito feliz, junto com mamãe, sentamo-nos aguardando para poder falar-lhe.
Mamãe já idosa, com problemas de saúde e eu sem muitas condições de permanecer por muito temp. por isso, ela resolveu escrever um bilhete ao Chico. Assim que lhe chegou às mãos e o leu, imediatamente mandou chamar-nos. Na sua presença, notei-lhe muita alegria e carinho pela minha melhora, pois o meu estado, quando do acidente, não permitia a  habilitação.
No hospital tomava comunhão diariamente e, apesar de ser católica, também recebia o tratamento de passes que mamãe e um pequeno grupo me aplicavam.
Nesses momentos, vi varias vezes nuvens lindíssimas, nas cores rosa e branca. Preocupava-me sensivelmente, pois pensava que fosse problema de visão. Pedi ao medico para examinar-me. O especialista oftalmológico, após os exames, constatou não haver problemas de visão. Meus olhos estavam perfeitos.
Em outras vezes, comecei a ver pontos luminosos que subiam e desciam em torno do meu corpo, como se estivesse sendo ministrado algum medicamento espiritual. A partir de então, passei a encarar com mais seriedade o Espiritismo Kardecista.
Perdoem-me os leitores a interrupção na seqüência do nosso assunto, mas, continuando aqueles momentos felizes na presença do Chico, este convidou-nos para a prece no dia seguinte cedo. Era com um numero menor de pessoas e não havia receituário, a menos que houvesse necessidade.
Nessa manhã tivemos uma grande alegria, pois nos chegou a primeira mensagem de papai. Mamãe reanimou-se. Atravessava uma situação muito seria, com problemas de minha irmã que há trinta anos era freira e se via obrigada a deixar sua missão, por motivos alheios à sua vontade. Isso magoou-a muito, pois essa tarefa ia de encontro com seus sentimentos. Hoje, graças a Deus, reintegrou-se na vida normal.
Papai reanimava-a.
Para mamãe foi uma prova real de que quem estava ali escrevendo era papai. E não foi só isso. Outros assuntos nos esclarecia. Informava que meu marido melhorava dia a dia.
A satisfação era muito grande, pois precisávamos daquele conforto. 
Aqueles momentos pareciam inacabados, afastando-nos todo o sofrimento. Percebi que papai e Alvicto, meu esposo, estavam sob proteção total dos amigos espirituais. Conscientizei-me
de que deveria trabalhar muito para ajudar cada vez mais meu marido, pois sabia
perfeitamente que após sua recuperação estaria trabalhando em meu auxilio e dos meus.
Graças a Deus hoje sinto-me feliz, com o coração cheio de alegria, sei que Alvicto está conosco na cooperação do bem comum.
A nossa alegria é constante, pois, quando sentimos saudades, recorremos às mensagens e nos reanimamos com as palavras que nos dão forças para o trabalho.
Não que nos faltem outras fontes de sustentação, mas ali estão representadas as presenças de suas imagens. Nesses momentos, mamãe recorda os tempos de Pedro Leopoldo e nos conta alguns casos como o que se segue:
“Certa feita, estava no hotel em Pedro Leopoldo e como os trabalhos terminaram altas horas da noite, aproveitou um pouco mais o dia seguinte para descansar. Escutou bater à porta e não se importou, concluindo que não era com ela, pois a ninguém a conhecia na cidade, a não ser o Chico. Continuou deitada, pensando, inclusive, que fosse no quarto ao lado. Tornaram a bater e a chamaram pelo nome.
Levantou-se rapidamente, e verificou tratar-se de Chico Xavier.
-“Preciso da senhora, dona Nayá. Tem um senhor aqui no hotel passando mal. Veio do Rio de Janeiro e está com problemas muito sérios. Ajude-me a levá-lo para casa. Não quero que lhe aconteça mal maior. Veio de muito longe para visitar-me e preciso cuidar dele.
Colocaram o homem num carro e foram à sua casa. Trabalharam com preces e passes até que ele melhorasse. Voltaram ao hotel.
Tempos depois, mamãe havia esquecido do ocorrido mas, na presença do Chico, lembrou-se e perguntou-lhe “Como vai aquele senhor do Rio?”
- Voltou para casa bem melhor”.
Há pouco tempo em visita a Goiânia. Chico passou rapidamente em casa.
Mamãe perguntou-lhe novamente por aquele senhor, e feliz, soube que ele está gozando boa saúde. Pois é, meus amigos, com tudo o que nos aconteceu pudemos observar que a  mediunidade sem dedicação, sem amor e trabalho, não levará a nada.
 E Chico aí está para estimular-nos com seu exemplo de amor e disciplina no seguimento desta Doutrina que emana de Deus, onde encontramos as chances do trabalho redentor que nos levará aos caminhos certos na pureza do sentimento, envolvendo-nos de amor ao Evangelho de Jesus.

Lelia de Amorim Nogueira


Livro Amor e Luz
Francisco Cândido Xavier
Ditados por
Espíritos Diversos



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

As almas que se amam se encontram em outra vida?



Na espiritualidade o sentimento é claro, de uma força e suavidade que mostram o que existe entre os espíritos que o sentem. Tanto mais fácil perceber este elo afetivo, quanto mais desenvolvido moral e espiritualmente é o espírito. Já durante a encarnação, há uma limitação imposta pelo esquecimento do passado, uma vantagem que Deus nos proporcionou para que o livre-arbítrio fosse pleno em nós. Quando encarnamos esquecemos do passado, e deixamos adormecidas lembranças e sentimentos. Se duas almas que se amam se encontram, talvez não venham a perceber imediatamente a importância real de uma na vida da outra, mas sentirão empatia, simpatia ímpar e profunda, o que as faz pender para a pessoa que acabaram de conhecer na nova encarnação. O reconhecimento de um amor de milênios pode ser forte e imediato, mas em geral, para nos facilitar a vida, surge doce e suave, lenta e profundamente.

O fato de duas almas terem aprendido a amar-se e que se procuram para continuar juntas sua jornada – encontrarem-se na encarnação, não significa necessariamente que devam ficar juntas, enquanto a experiência terrena estiver em andamento. Há reencontros que acontecem para que formem família, exemplifiquem o sentimento, evoluindo e dando, uma à outra, força nas provas, expiações e missões que vieram cumprir. É bem comum também que afetos verdadeiros não se encontrem, que estejam, cada um, vivendo experiências com outras almas, de modo a ampliar os laços do amor fraternal. Neste caso, costumam aliviar a saudade através de visitas em espírito (sonhos).

Há ainda outra possibilidade, em geral prova bem difícil por exigir o mais amplo sentimento de resignação, coragem e amor ao próximo: duas almas encontrarem-se, reconhecerem-se, amarem-se e não poderem ficar juntas porque já estão comprometidas com outras pessoas e famílias.

E porque Deus faria isso?
 Deus não fez. As próprias almas pediram esta prova como exercício expiatório e prova de resistência de suas más tendências, em geral, o egoísmo.
Imaginemos…

Duas almas aprendem a se amar; almas gêmeas que se tornam, escolhem experiências que irão fazê-las evoluir. Espíritos ainda em progresso, possuem defeitos morais que estão trabalhando nas existências. Nascem juntas, separadas, na mesma família, em outras, entre amigos ou inimigos. Entre tantas vidas, numa optam por temporariamente (o que são os anos de uma encarnação perante a imortalidade?) por encarnarem separadas. Casam-se com outras pessoas, formam famílias. Mas um dia encontram-se. Reconhecem-se. O amor ressurge. Seus compromissos espirituais são logo esquecidos, desejam-se. Eles deveriam resistir à tentação de trair, de abandonar os companheiros, os filhos, os compromissos, construindo falsa felicidade sobre lágrimas alheias. No entanto cedem. Traem, abandonam, fogem… não importa. Querem ser felizes e isso lhes basta. É o egoísmo e a falta de fé no futuro, que lhes dirige a ação.

Mas não há real felicidade senão a conquistada no direito e na justiça. Se vencerem a tentação de fazer o que citamos, terão no futuro o mérito de estar uma com a outra. Se se deixam arrastar pelas paixões, estarão fadadas a novos afastamentos, lições dolorosas.
Escolhem esta experiência porque a visão que têm na espiritualidade é diferente da limitada visão da encarnação. Melhor abrir temporariamente mão da presença amada, já que o afeto não se esvai na ausência, do que abrir mão de estarem juntos em várias vidas e seus intervalos. Sendo o egoísmo o único motivador (e não o amor) da escolha de ficarem juntos a qualquer preço, constrói-se sólido castelo sobre a areia das ilusões. Fatalmente ele desmoronará, e será preciso reconstruí-lo.

Vania Loir@ Vasconcelos


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Um episódio de luz, na vida de um Santo





Domério de Oliveira

de São Paulo, SP

Para nós, adeptos do Espiritismo, Santo é todo Espírito de grande evolução, que já atingiu o estágio de Espírito Puro, sem qualquer mácula, e, quando encarnado, revela-se como uma criatura sumamente bondosa, sumamente caridosa, sumamente virtuosa. Sim, uma Luz que se materializa.

Para mim, Santo é aquele "Ser" que demonstra uma suprema Grandeza de Alma que devemos eleger como Paradigma.
Na Hagiografia, encontramos a vida de Francisco de Assis, uma linha reta, toda tarjada de pontos luminosos que O qualificam como um Verdadeiro Santo.

São Francisco, assim conhecido por todas as correntes religiosas e por todas muito respeitado, por certo, mostrou-nos o quanto vale o Amor e fez renascer nos corações aquele Cristo de há dois mil anos, fundindo todas as virtudes, na expressão que a sua vida nos oferta. Sim, São Francisco venceu a morte, porque venceu todas as imperfeições, lutou contra os instintos, consolidou os Dons Espirituais no coração e irradiou o Bem em todas as direções.
Meus amigos, vejamos um episódio de luz em sua vida, quando passou por este nosso plano: O Iluminado de Assis, certo dia, saiu de Roma e desceu para Óstia, onde O aguardavam alguns dos seus Discípulos. Sabemos que Óstia fica à margem do mar Tirreno, do lado oposto ao Adriático e, por força da natureza, localiza-se no joelho da bota de que a Itália tem a forma.
Todos os Frades, companheiros de Francisco, ficaram eufóricos com os acontecimentos em Roma que favoreciam os legítimos ideais cristãos sustentados pelo Poverello. Assim, todos reunidos, Mestre e Discípulos, percorreram um longo trecho do caminho, até que avistaram um casebre, onde residia uma família que vivia de pesca. Francisco bateu à porta, pedindo água, pois, todos estavam com bastante sede, e, atendeu-Lhe um senhor robusto e triste que andava às apalpadelas, deslizando as mãos nas paredes, por lhe faltar a vista. Francisco e companheiros saudaram o dono da casa, serviram-se da água fresca de um grande pote de barro queimado, preso a uma forquilha de madeira. Saciada a sede, acomodaram-se por convite do pescador que chamou sua mulher e seus filhos. Estes, ainda crianças. assentaram-se nos colos dos Frades; o menorzinho, de pouco mais de um ano, estendeu os bracinhos para Francisco que o acolheu sorridente. O casal, admirado com a fraternidade daqueles homens, sentiu-se à vontade. O dono da casa, um velho pescador, narrou-lhes o acontecimento que provocou a cegueira. Todos ouviram, com atenção, o drama que ocasionou a cegueira no velho pescador. Este acabou confessando que, mesmo cego, tinha a faculdade de ver coisas maravilhosas e que, naquele instante, conseguia ver os visitantes, todos revestidos de luz. Mesmo cego, sinto com isso satisfação que me consola e me dá esperança. A mulher do pescador, também confessou: — Depois da situação do meu marido, o sofrimento para nós é sem conta; vivíamos da venda de peixes, mas, agora, estamos vivendo de esmolas que nem sempre ganhamos. Penso em ir eu mesma pescar, mas temo as águas perigosas do mar...
O silêncio dominou o ambiente e alguns dos Frades oraram com fervor. Francisco tomou a palavra, como Verdadeiro Mestre da Paz e disse com tranqüilidade:
— Meus filhos, devo dizer a todos que o nosso irmão não ficou cego; ao contrário, agora ele vê mais do que antes poderia observar, porque está enxergando as coisas da Alma e do Verdadeiro Mundo para onde deveremos ir ao findar as nossas vidas terrenas. O corajoso pescador sentiu nas palavras de Francisco um consolo e uma força que lhe fortaleceu a paciência e a esperança no futuro.
Francisco levantou-se e disse ao bom pescador:
__Querido irmão das águas!...
Vamos pedir a Deus que fez também os mares, que deu vida aos peixes, que salgou as águas, que fez os ventos, que fez a Terra, a Luz e as Estrelas, que fez tudo e muito mais que não podemos observar, que fez as maravilhas que tens visto, que te permita a ver como antes. Vamos pedir a Nosso Senhor Jesus Cristo, o Canal de Deus para a Terra, que nos ajude em sua imensa misericórdia e com o seu Amor sem limites e a Maria Santíssima, mãe de Jesus e nossa, que nos abençoem, neste instante e que a Graça do Senhor venha em favor dos que sofrem e choram. Podemos recordar quantos cegos foram curados pelo nosso Divino Amigo. E suplicou, em voz alta:
— Mais um, Senhor! Se for da tua vontade que este homem veja novamente!"
(apud - livro - "Francisco de Assis" - pelo Espírito Miramez - Psicografia de João Nunes Maia).
Francisco, tocado de emoção, levou as mãos aos olhos do pescador cego e observou que um facho de luz esverdeada, de difícil explicação, vinha do alto e penetrava na base do crânio do pescador. E, então, disse, com autoridade:
— Abre os olhos e vê!
O pescador, livre da cegueira, gritou e pulou dentro da sua casa, dando graças a Deus pelo milagre da sua visão.
Eis aí, meus amigos, em linhas genéricas, um dos episódios de luz, na vida deste Santo. Até hoje, em nossos dias, quando a Ele suplicamos, com fé e Amor, sempre derrama sobre nós, seus irmãos mais débeis, cornucópias de Bênçãos.
Até hoje, ainda reboam em nossos ouvidos os dois últimos versos de sua famosa e universal, oração:
"É perdoando que somos perdoados e é morrendo que compreendemos a vida eterna".

(Jornal Verdade e Luz Nº 180 de Janeiro de 2001)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Mediunidade e Vida




Eminentes fisiologistas e pesquisadores de laboratório procuraram fixar mediunidades e médiuns a nomenclaturas e conceitos da ciência metapsíquica, entretanto, o problema, como todos os problemas humanos, émais profundo, porque a mediunidade jaz adstrita à própria vida, não existindo, por isso mesmo, dois médiuns iguais, não obstante a semelhança no campo das impressões.
Por outro lado, espiritualistas distintos julgam-Se mentais intuitivas, contendo in­terpretações particulares das Inteligências desencarnadas que os assistem.
A mediunidade, no entanto, é faculdade inerente à própria vida e no direi­to de hostilizar-lhe os serviços e impedir-lhe a eclosão, encare­cendo-lhe os supostos perigos, como se eles próprios, mentalizando os argumentos que avocam, não estivessem assimilando, por via mediúnica, as correntes
, com todas as suas deficiências e grandezas, acertos e de­sacertos, é qual o dom da visão comum, peculiar a todas as cria­turas, responsável por tantas glórias e tantos infortúnios na Ter­ra.
Ninguém se lembrará, contudo, de suprimir os olhos, por­que milhões de pessoas, à face de circunstâncias imponderáveis da evolução, deles se tenham valido para perseguir e matar nas guerras de terror e destruição.
Urge iluminá-los, orientá-los e esclarecê-los.
Também a mediunidade não requisitará desenvolvimento indiscriminado, mas sim, antes de tudo, aprimoramento da per­sonalidade mediúnica e nobreza de fins, para que o corpo espiri­tual, modelando o corpo físico e sustentando-o, possa igualmen­te erigir-se em filtro leal das Esferas Superiores, facilitando a ascensão da Humanidade aos domínios da luz.



Evolução em Dois Mundos
Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

Ditado pelo espírito André Luiz

Função da Doutrina Espírita




Forçoso reco­nhecer, todavia, que a mediunidade, na essência, quanto a ener­gia elétrica em si mesma, nada tem a ver com os princípios mo­rais que regem os problemas do destino e do ser.
         Dela podem dispor, pela espontaneidade com que se evi­dencia, sábios e ignorantes, justos e injustos, expressando-Se-lhe, desse modo, a necessidade de condução reta, quanto a força elé­trica exige disciplina a fim de auxiliar.
         Esse o motivo por que os Orientadores do Progresso sus­tentam a Doutrina Espírita na atualidade do mundo, por Chama Divina, cristianizando fenômenos e objetivos, caracteres e faculdades, para que o Evangelho de Jesus Seja de fato incorpora­do às relações humanas.
Como nas intervenções cirúrgicas em que tecidos são transplantados com êxito para melhoria das condições orgâni­cas, é indispensável nos atenhamos ao impositivo das operações mediúnicas pelas quais se efetuem proveitosas enxertias psíqui­cas, com vistas à difusão do conhecimento superior.


Evolução em Dois Mundos
Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

Ditado pelo espírito André Luiz

Mediunidade espontânea


Nessa fase primária de novo desenvolvimento, encontra-se, como é natural, ao pé dos objetos que lhe tomam o interesse.
E assim que o lavrador, no repouso físico, retoma, em corpo espiritual, ao campo em que semeia, entrando em contato com as entidades que amparam a Natureza; o caçador volta para a floresta; o escultor regressa, freqüentemente, no sono, ao blo­co de mármore de que aspira a desentranhar a obra-prima, o seareiro do bem volve à leira de serviço em que se lhe desdobra a virtude, e o culpado torna ao local do crime, cada qual rece­bendo de Espíritos afins os estímulos elevados ou degradantes de que se fazem merecedores.
Consolidadas semelhantes relações com o Plano Espiri­tual, por intermédio da hipnose comum, começaram na Terra os movimentos da mediunidade espontânea, porqüanto os encarna­dos que demonstrassem capacidades mediúnicas mais eviden­tes, pela comunhão menos estreita entre as células do corpo físi­co e do corpo espiritual, em certas regiões do campo somático, passaram das observações durante o sono às observações da vi­gília, a princípio fragmentárias, mas acentuáveis com o tempo, conforme os graus de cultura a que fossem expostos.
Quanto menos densos os elos de ligação entre os imple­mentos físicos e espirituais, nos órgãos da visão, mais amplas as possibilidades na clarividência, prevalecendo as mesmas normas para a clariaudiência e para modalidades outras, no inter­câmbio entre as duas esferas, inclusive as peculiaridades da ma­terialização, pelas quais os recursos periféricos do citoplasma, a se condensarem no ectoplasma da definição científica vulgar, se exteriorizam do corpo carnal do médium, na conjugação com as forças circulantes do ambiente, para a efêmera constituição de formas diversas.
Desde então, iniciou-se o correio entre o plano físico e o plano extrafísico, mas, porque a ignorância embotasse ainda a mente humana, os médiuns primitivos nada mais puderam reali­zar que a fascinação recíproca, ou magia elementar, em que os desencarnados igualmente inferiores eram aproveitados, por via hipnótica, na execução de atividades materiais, mas, sem qual­quer alicerce na sublimação pessoal.
           — Apareceu então a goecia ou magia negra, à qual as Inteligências Superiores opu­seram a religião por magia divina, encetando-se a formação da mitologia em todos os setores da vida tribal.
         Numes familiares, interessados em favorecer as tarefas edificantes para levantar a vida humana a nível mais nobre, fo­ram categorizadas à conta de deuses, em diversas faixas da Natureza, e, realmente, através dos instrumentos humanos mobili­záveis, esses gênios tutelares incentivaram, por todas as formas possíveis, o progresso da agricultura e do pastoreio, das indús­trias e das artes.
         A luta entre os Espíritos retardados na sombra e os aspi­rantes da luz encontrou seguro apoio nas almas encarnadas que lhes eram irmãs.
         Desde essas eras recuadas, empenharam-Se O bem e o mal em tremendo conflito que ainda está muito longe de terminar, com bases na mediunidade consciente ou inconsciente, técnica ou empírica.



Evolução em Dois Mundos
Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

Ditado pelo espírito André Luiz


Sono e aspectos do desprendimento




Releva, contudo, assi­nalar que, em se iniciando a criatura na produção do pensamen­to contínuo, o sono adquiriu para ela uma importância que a consciência em processo evolutivo, até aí, não conhecera.
Usado instintivamente pelo elemento espiritual, como re­curso reparador, no refazimento das células em serviço, seme­lhante estado fisiológico carreou novas possibilidades de realização para quantos se consagrassem ao trabalho mais amplo de desejar e mentalizar.
Ansiando livrar-se da fadiga física, após determinada quota de tempo no esforço da vigília diária e, por isso mesmo, entregue ao relaxamento muscular, o homem operante e indaga­dor adormecia com a idéia fixada a serviços de sua predileção.
Amadurecido para pensar e lançando de si a substância de seus propósitos mais íntimos, ensaiou, pouco a pouco, tal como aprendera, vagarosamente, o desprendimento definitivo nas operações da morte, o desprendimento parcial do corpo sutil, durante o sono, desenfaixando-o do veículo de matéria mais densa, embora sustentando-o, ligado a ele, por laços fluídico-mag­néticos, a se dilatarem levemente dos plexos e, com mais segu­rança, da fossa rombóide.
Encetado o processo de sonolência, com as reações moto­ras empobrecidas e impondo mecanicamente a si mesma o descanso temporário, no auxílio às células fatigadas de tensão, isto desde as eras remotas em que o pensamento se lhe articulou com fluência e continuidade, permanece a mente, através do corpo espiritual, na maioria das vezes, justaposta ao veículo fí­sico, à guisa de um cavaleiro que repousa ao pé do animal de que necessita para a travessia de grande região, em complicada viagem, dando-lhe ensejo à recuperação e pastagem, enquanto ele se recolhe ao próprio íntimo, ensimesmando-se para refletir ou imaginar, de conformidade com seus problemas e inquieta­ções, necessidades e desejos.
 — Dessa forma, aliviando o controle sobre as células que a servem no corpo car­nal, a mente se volta, no sono, para o refúgio de si mesma, plasmando na onda constante de suas próprias idéias as imagens com que se compraz nos sonhos agradáveis em que saca da me­mória a essência de seus próprios desejos, retemperando-se na antecipada contemplação dos painéis ou situações que almeja concretizar.
Para isso, mobiliza os recursos do núcleo da visão supe­rior, no diencéfalo, de vez que, aí, as qualidades essencialmente ópticas do centro coronário lhe acalentam no silêncio do desner­vamento transitório todos os pensamentos que lhe emergem do seio.
Noutras ocasiões, no mesmo estado de insulamento, reco­lhe, no curso do sono, os resultados de seus próprios excessos, padecendo a inquietação das vísceras ou dos nervos injuriados pela sua rendição à licenciosidade, quando não seja o asfixiante pesar do remorso por faltas cometidas, cujos reflexos absorvem do arquivo em que se lhe amontoam as próprias lembranças.
Numa e noutra condição, todavia, é a mente suscetível àinfluenciação dos desencarnados que, evoluídos ou não, lhe vi­sitam o ser, atraidos pelos quadros que se lhe filtram da aura, ofertando-lhe auxílio eficiente quando se mostre inclinada à as­censão de ordem moral, ou sugando-lhe as energias e assopran­do-lhe sugestões infelizes quando, pela própria ociosidade ou intenção maligna, adere ao consórcio psíquico de espécie avil­tante, que lhe favorece a estagnação na preguiça ou a envolve nas obsessões viciosas pelas quais se entrega a temíveis contra­tos com as forças sombrias.
         Mas dessa posição de espectador à função de agente exis­te apenas um passo.
O pensamento contínuo, em fluxo insopitável, desloca-lhe a organização celular perispiritual, à maneira do córrego que em sua passagem desarticula da gleba em que desliza todo um rosá­rio de seixos. E assim como os seixos soltos seguem a direção da corrente, lapidando-se no curso dos dias, o corpo espiritual acompanha, de início, o impulso da corrente mental que por ele extravasa, conscienciando-se muito vagarosamente no sono, que lhe propicia meia-libertação.


Evolução em Dois Mundos
Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

Ditado pelo espírito André Luiz


Mediunidade inicial





A aura é, portanto, a nossa plataforma onipresente em toda comunicação com as rotas alheias, antecâmara do Espírito, em todas as nossas atividades de intercâmbio com a vida que nos rodeia, através da qual so­mos vistos e examinados pelas Inteligências Superiores, senti­dos e reconhecidos pelos nossos afins, e temidos e hostilizados ou amados e auxiliados pelos irmãos que caminham em posição inferior à nossa.
Isso porque exteriorizamos, de maneira invariável, o re­flexo de nós mesmos, nos contatos de pensamento a pensamen­to, sem necessidade das palavras para as simpatias ou repulsões fundamentais.
É por essa couraça vibratória, espécie de carapaça fluídi­ca, em que cada consciência constrói o seu ninho ideal, que co­meçaram todos os serviços da mediunidade na Terra, conside­rando-se a mediunidade como atributo do homem encarnado para corresponder-se com os homens liberados do corpo físico.
Essa obra de permuta, no entanto, foi iniciada no mundo sem qualquer direção consciente, porque, pela natural apresen­tação da própria aura, os homens melhores atraíram para si os Espíritos humanos melhorados, cujo coração generoso se volta­va, compadecido, para a esfera terrena, auxiliando os compa­nheiros da retaguarda, e os homens rebeldes à Lei Divina alicia­ram a companhia de entidades da mesma classe, transformando-se em pontos de contato entre o bem e o mal ou entre a Luz e a Sombra que se digladiam na própria Terra.
Pelas ondas de pensamento a se enovelarem umas sobre as outras, segundo a combinação de freqüência e trajeto, nature­za e objetivo, encontraram-se as mentes semelhantes entre si, formando núcleos de progresso em que homens nobres assimi­laram as correntes mentais dos Espíritos Superiores, para gerar trabalho edificante e educativo, ou originando processos vários de simbiose em que almas estacionárias se enquistaram mutuamente, desafiando debalde os imperativos da evolução e estabe­lecendo obsessões lamentáveis, a se elastecerem sempre novas, nas teias do crime ou na etiologia complexa das enfermidades mentais.
A intuição foi, por esse motivo, o sistema inicial de inter­câmbio, facilitando a comunhão das criaturas, mesmo a distân­cia, para transfundi-las no trabalho sutil da telementação, nesse ou naquele domínio do sentimento e da idéia, por intermédio de remoinhos mensuráveis de força mental, assim como na atualidade o remoinho eletrônico infunde em aparelhos especiais a voz ou a figura de pessoas ausentes, em comunicação recíproca na radiotelefonia e na televisão.



Evolução em Dois Mundos
Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

Ditado pelo espírito André Luiz

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Fixação mental

Em nossas tarefas da noite de 5 de maio de 1955, o iluminado Espírito do Doutor Dias da Cruz voltou a visitar-nos, estudando, para a nossa edificação, o problema da fixação mental, depois da morte. Em sua alocução interessante e oportuna, o Instrutor oferece-nos grave advertência quanto ao aproveitamento de nossa reencarnação terrestre.
Analisando, superficialmente embora, o problema da fixação mental, depois da morte, convém não esquecer que a alma, quando encarnada, permanece munida do equipamento fisiológico que lhe faculta o atrito constante com a natureza exterior.

As reações contínuas, hauridas pelos nervos da organização sensorial, determinando a compulsória movimentação do cérebro, associadas aos múltiplos serviços da alimentação, da higiene e da preservação orgânica, estabelecem todo um conjunto vibratório de emoções e sensações sobre as cordas sensíveis da memória, valendo por impactos diretos da luta evolutiva no espírito em desenvolvimento, obrigando-o a exteriorizar-se para a conquista de experiência.

Esse exercício incessante, enquanto a alma se demora no mundo físico, trabalha o cosmo mental, inclinando-o a buscar no bem o clima da atividade que o investirá na posse dos recursos de elevação. Como sabemos, todo bem é expansão, crescimento e harmonia e todo mal é condensação, atraso e desequilíbrio.

O bem é a onda permanente da vida a irradiar-se como o Sol e o mal pode ser considerado como sendo essa mesma onda, a enovelar-se sobre si mesma, gerando a treva enquistada. Ambos personalizam o amor que é libertação e o egoísmo, que é cárcere.

E se a alma não conseguiu desvencilhar-se, enquanto na Terra, das variadas cadeias de egoísmo, como sejam o ódio e a revolta, a perversidade e a delinqüência, o fanatismo e a vingança, a paixão e o vício, em se afastando do corpo de carne, pela imposição da morte, assemelha-se a um balão electromagnético, pejado de sombra e cativo aos processos da vida inferior, a retirar-se dos plexos que lhe garantiam a retenção, através da dupla cadeia de gânglios do grande simpático, projetando-se na esfera espiritual, não com a leveza específica, suscetível de alçá-la a níveis superiores, em circuito aberto, mas sim com a densidade característica da fixação mental a que se afeiçoa, sofrendo em si os choques e entrechoques das suas próprias forças desvairadas, em circuito fechado sobre si mesma, revelando lamentável desequilíbrio que pode perdurar até mesmo por séculos, conforme a concentração do pensamento na desarmonia em que se compraz.

Nesse sentido, podemos simbolizar a vontade como sendo a âncora que retém a embarcação do espírito em seu clima ideal.

É necessário, assim, consagrar nossa vida ao bem completo, a fim de que estejamos de acordo com a Lei Divina, escalando, ao seu influxo, os acumes da Vida Superior.

E é por isso que, encarecendo o valor da reencarnação, como preciosa oportunidade de progresso, lembraremos aqui as palavras do Senhor, no versículo 35, do capítulo 12, no Evangelho do Apóstolo João: «Avançai enquanto tendes luz para que as trevas não vos alcancem, porque todo aquele que caminha nas trevas, marchará fatalmente sob o nevoeiro, perdendo o próprio rumo. »

Francisco de Menezes Dias da Cruz


Fonte:Do livro INSTRUÇÕES PSICOFÔNICAS, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier), pelo espírito Francisco de Menezes Dias da Cruz, edição FEB.

domingo, 2 de setembro de 2012

Doenças Psicossomáticas e a Espiritualidade


Doenças Psicossomáticas
Por.: Divaldo Pereira Franco


O espírito Joanna de Ângelis nos fala sobre as doenças psicossomáticas e o importantíssimo papel da mente na saúde: O ser humano é um conjunto harmônico de energias, constituído de Espírito e matéria, mente e perispírito, emoção e corpo físico, que interagem em fluxo contínuo uns sobre os outros. Qualquer ocorrência em um deles reflete no seu correspondente, gerando, quando for uma ação perturbadora, distúrbios, que se transformam em doenças, e que, para serem retificadas, exigem renovação e reequilíbrio do fulcro onde se originaram. Desse modo, são muitos os efeitos perniciosos no corpo causados pelos pensamentos em desalinho, pelas emoções desgovernadas, pela mente pessimista e inquieta na aparelhagem celular.
Determinadas emoções fortes – medo, cólera, agressividade, ciúme – provocam uma alta descarga de adrenalina na corrente sanguínea, graças às grândulas supra-renais. Por sua vez, essa ação emocional reagindo no físico, nele produz aumento da taxa de açúcar, mais forte contração muscular, face à volumosa irrigação do sangue e sua capacidade de coagulação mais rápida.
A repetição do fenômeno provoca várias doenças como a diabetes, a artrite, a hipertensão, etc., assim, cada enfermidade física traz um componente psíquico, emocional ou espiritual correspondente. Em razão da desarmonia entre o Espírito e a matéria, a mente e o perispírito, a emoção (os sentimentos) e o corpo, desajustam-se os núcleos de energia, facultando os processos orgânicos degenerativos provocados por vírus e bactérias, que neles se instalam.
Conscientizar-se desta realidade é despertar para valores ocultos que, não interpretados, continuam produzindo desequilíbrios e somatizando doenças, como mecanismos degenerativos na organização somática.
Por outro lado, os impulsos primitivos do corpo, não disciplinados, provocam estados ansiosos ou depressivos, sensação de inutilidade, receios ou inquietações que se expressam ciclicamente, e que a longo prazo se transformam em neuroses, psicoses, perturbações mentais. A harmonia entre Espírito e a matéria deve viger a favor do equilíbrio do ser, que desperta para as atribuições e finalidades elevadas da vida, dando rumo correto e edificante à sua reencarnação.
As enfermidades, sobre outro aspecto, podem ser consideradas como processos de purificação, especialmente aquelas de grande porte, as que se alongam quase que indefinidamente, tornando-se mecanismos de sublimação das energias grosseiras que constituem o ser nas suas fases iniciais da evolução.
É imprescindível um constante renascer do indivíduo, pelo renovar da sua consciência, aprofundando-se no autodescobrimento, a fim de mais seguramente identificar-se com a realidade e absorvê-la. Esse autodescobrimento faculta uma tranqüila avaliação do que ele é, e de como está, oferecendo os meios para torná-lo melhor, alcançando assim o destino que o aguarda.
De imediato, apresenta-se a necessidade de levar em conta a escala de valores existenciais, a fim de discernir quais aqueles que merecem primazia e os que são secundários, de modo a aplicar o tempo com sabedoria e conseguir resultados favoráveis na construção do futuro.
Essa seleção de objetivos dilui a ilusão – miragem perturbadora elaborada pelo ego – e estimula o emergir do Si, que rompe as camadas do inconsciente (ignorância da sua existência) para assumir o comando das suas aspirações.
Podemos dizer que o ser, a partir desse momento, passa a criar-se a si mesmo de forma lúcida, desde que, por automatismo, ele o faz através de mecanismos atávicos da Lei de evolução.
A ação do pensamento sobre o corpo é poderosa, ademais considerando-se que este último é o resultado daquele, através das tecelagens intrincadas e delicadas do perispírito (seu modelador biológico), que o elabora mediante a ação do ser espiritual, na reencarnação. Assim sendo, as forças vivas da mente estão sempre construindo, recompondo, perturbando ou bombardeando os campos organo-genéticos responsáveis pela geratriz dos caracteres físicos e psicológicos, bem como sobre os núcleos celulares de onde procedem os órgãos e a preservação das formas.
Quanto mais consciente o ser, mais saudáveis os seus equipamentos para o desempenho das relevantes tarefas que lhe estão reservadas. Há exceções, no entanto, que decorrem de livre opção pessoal, com finalidades específicas nas paisagens da sua evolução.
O pensamento salutar e edificante flui pela corrente sanguínea como tônus revigorante das células, passando por todas elas e mantendo-se em harmonia no ritmo das finalidades que lhes dizem respeito. O oposto também ocorre, realizando o mesmo percurso, perturbando o equilíbrio e a sua destinação.
Quando a mente elabora conflitos, ressentimentos, ódios que se prolongam, os dardos reagentes, disparados desatrelam as células dos seus automatismos, degeneram, dando origem a tumores de vários tipos, especialmente cancerígenos, em razão da carga mortífera de energia que as agride.
Outras vezes, os anseios insatisfeitos dos sentimentos convergem como força destruidoras para chamar a atenção nas pessoas que preferem inspirar compaixão, esfacelando a organização celular e a respectiva mitose, facultando o surgimento de focos infecciosos resistentes a toda terapêutica, por permanecer o centro desencadeador do processo vibrando negativamente contra a saúde.
Vinganças disfarçadas voltam-se contra o organismo físico e mental daquele que as acalenta, produzindo úlceras cruéis e distonias emocionais perniciosas, que empurram o ser para estados desoladores, nos quais se refugia inconscientemente satisfeito, embora os protestos externos de perseguir sem êxito o bem-estar, o equilíbrio.
O intercâmbio de correntes vibratórias (mente-corpo, perispírito-emoções, pensamentos-matéria) é ininterrupto, atendendo aos imperativos da vontade, que os direciona conforme seus conflitos ou aspirações.
Idéias não digeridas ressurgem em processos enfermiços como mecanismos auto-purificadores; angústias cultivadas ressumam como distonias nervosas, enxaquecas, desfalecimentos, camuflando a necessidade de valorização e fuga do interesse do perdão; dispepsias, indigestões, hepatites originam-se no aconchego do ódio, da inveja, da competição malsã – geradora da ansiedade – do medo, por efeito dos mórbidos conteúdos que agridem o sistema digestivo, alterando-lhe o funcionamento.
O desamor pessoal, os complexos de inferioridade, as mágoas sustentadas pela autopiedade, as contrariedades que resultam dos temperamentos fortes de constantes atritos com o organismo, resultando em cânceres de mamas(feminino), da próstata, taquicardia, disfunções coronarianas, cardíacas, enfartos brutais, etc.
Impetuosidade, violência, queixas sistemáticas, desejos insaciáveis respondem por derrames cerebrais, estados neuróticos, psicoses de perseguição, etc..

O homem é o que acalenta no íntimo. Sua vida mental expressa-se na organização emocional e física, dando surgimento aos estados de equilíbrio como de desarmonia pelos quais se movimenta.

A conscientização da responsabilidade imprime-lhe destino feliz, pelo fato de poder compreender a transitoriedade do percurso carnal, com os olhos fitos na imortabilidade de onde procede, em que se encontra e para a qual ruma. Ninguém jamais sai da vida.
Adequando-se à saúde e à harmonia, o pensamento, a mente, o corpo, o perispírito, a matéria e as emoções receberão as cargas vibratórias benfazejas, favorecendo-se com a disposição para os empreendimentos idealistas, libertários e grandiosos, que podem ser conseguidos na Terra graças às dádivas da reencarnação.

Assim, portanto, cada um é o que lhe apraz e pelo que se esforça, não sendo facultado a ninguém o direito de queixas, face ao princípio de que todos os indivíduos dispõem dos mesmos recursos, das mesmas oportunidades, que empregam, segundo seu livre-arbítrio, naquilo que realmente lhes interessa e de onde retiram os proventos para sua própria sustentação.
Jesus referiu-se ao fato, sintetizando, magistralmente, a Sua receita de felicidade, no seguinte pensamento: – A cada um será dado segundo as suas obras.
Assim, portanto, como se semeia, da mesma forma se colherá.


Artigo.: Doenças Psicossomáticas
Por.: Divaldo Pereira Franco
Pelo espírito de Joanna de Ângelis
Do.: Livro “Autodescobrimento” (Ed. Leal)

Evangelho no lar



Nas palavras do espírito Meimei, "o lar é porto com que o Senhor nos conduz no extenso e furioso mar da vida terrestre". O que a autora espiritual quer nos transmitir, é que o lar deve ser recanto abençoado de paz e reconforto, para que nele, descansemos o corpo e o espírito das tribulações que no mundo afora somos forçados a enfrentar. Também para que possamos haurir no ninho doméstico energias renovadoras. E essa condição não pode ser satisfeita, senão atraindo para o lar a presença dos Espíritos Bons, que nos ajudam com sua influência benéfica, em vários sentidos.


Mas nem sempre, esse porto é tranquilo e sereno. Não é raro encontrar lares tão envenenados quanto o ambiente no mundo externo. Brigas contantes, disputas de espaço, ódio, ciúmes, indiferença, iniquidades de toda espécie, entre os próprios familiares, são sintomas evidentes de um lar desprotegido e desequilibrado. Quando cessam as possibilidades dos Espíritos Bons, ou dos Espíritos amigos, simpáticos e familiares, em manter a tranquilidade do ambiente doméstico, estes se afastam, e o lar fica à mercê dos Espíritos ignorantes, inescrupulosos ou perversos.
E daí, as consequências podem se desdobrar para as mais tristes e desastrosas imagináveis.

Neste estudo, vamos procurar abordar os aspectos desse assunto, desenvolvendo-o passo a passo, dentro de nossas possibilidades, as seguintes questões:

1. A importância e a necessidade da prática constante e disciplinada do evangelho no lar.
2. As possíveis restrições e dificuldades dessa prática. Como proceder com familiares obtusos, indiferentes, incrédulos, ou adeptos de outras doutrinas religiosas?
3. Como realizar a sessão, e quais percalços evitar?
4. Como incentivar e motivar a participação de crianças e adolescentes?
5. Como proceder em situações que dificultam ou impossibilitam a prática constante e regrada?
6. Quais leituras podem ou devem ser realizadas? Que modalidade de preces e vibrações devemos praticar?
7. Pré-sessão e pós-sessão. Como preparar o ambiente adequeadamente, e como manter e fazer bom uso dos benefícios recebidos?
8. Qual a extensão dos benefícios que podemos receber com a prática do evangelho do lar? É útil ou válido o esforço de tentar proteger o lar com a prece, quando outros residentes o mancham com iniquidades ou ações de baixa virtude?
9. Mediunidade. O que devemos saber sobre as sessões no lar onde os médiuns manifestam passividade?
10. Quem pode participar? Somente os espíritas? Como proceder no caso de um ou mais participantes, com opinião filosófica conflitantes com a doutrina, resolverem participar da sessão?

Estas e outras questões que serão lembradas ou sugeridas pelos colegas de estudo, poderão ser desenvolvidas, com o empenho de todos.

Quanto às referências bibliográficas, sintam-se todos à vontade para trazer material relevante, sem nos furtarmos, no entanto, às informações das obras básicas de Allan Kardec.

Será muito relevante também, comentários sobre experiências pessoais, sobre as melhoras percebidas no ambiente doméstico, ou qualquer outro enfoque que nos sirva de instrução.

Que Deus e seus benfeitores nos inspirem nessa tarefa. Que esse estudo renove nossas ideias, e nos instrua para o bem.