quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Mediunidade espontânea


Nessa fase primária de novo desenvolvimento, encontra-se, como é natural, ao pé dos objetos que lhe tomam o interesse.
E assim que o lavrador, no repouso físico, retoma, em corpo espiritual, ao campo em que semeia, entrando em contato com as entidades que amparam a Natureza; o caçador volta para a floresta; o escultor regressa, freqüentemente, no sono, ao blo­co de mármore de que aspira a desentranhar a obra-prima, o seareiro do bem volve à leira de serviço em que se lhe desdobra a virtude, e o culpado torna ao local do crime, cada qual rece­bendo de Espíritos afins os estímulos elevados ou degradantes de que se fazem merecedores.
Consolidadas semelhantes relações com o Plano Espiri­tual, por intermédio da hipnose comum, começaram na Terra os movimentos da mediunidade espontânea, porqüanto os encarna­dos que demonstrassem capacidades mediúnicas mais eviden­tes, pela comunhão menos estreita entre as células do corpo físi­co e do corpo espiritual, em certas regiões do campo somático, passaram das observações durante o sono às observações da vi­gília, a princípio fragmentárias, mas acentuáveis com o tempo, conforme os graus de cultura a que fossem expostos.
Quanto menos densos os elos de ligação entre os imple­mentos físicos e espirituais, nos órgãos da visão, mais amplas as possibilidades na clarividência, prevalecendo as mesmas normas para a clariaudiência e para modalidades outras, no inter­câmbio entre as duas esferas, inclusive as peculiaridades da ma­terialização, pelas quais os recursos periféricos do citoplasma, a se condensarem no ectoplasma da definição científica vulgar, se exteriorizam do corpo carnal do médium, na conjugação com as forças circulantes do ambiente, para a efêmera constituição de formas diversas.
Desde então, iniciou-se o correio entre o plano físico e o plano extrafísico, mas, porque a ignorância embotasse ainda a mente humana, os médiuns primitivos nada mais puderam reali­zar que a fascinação recíproca, ou magia elementar, em que os desencarnados igualmente inferiores eram aproveitados, por via hipnótica, na execução de atividades materiais, mas, sem qual­quer alicerce na sublimação pessoal.
           — Apareceu então a goecia ou magia negra, à qual as Inteligências Superiores opu­seram a religião por magia divina, encetando-se a formação da mitologia em todos os setores da vida tribal.
         Numes familiares, interessados em favorecer as tarefas edificantes para levantar a vida humana a nível mais nobre, fo­ram categorizadas à conta de deuses, em diversas faixas da Natureza, e, realmente, através dos instrumentos humanos mobili­záveis, esses gênios tutelares incentivaram, por todas as formas possíveis, o progresso da agricultura e do pastoreio, das indús­trias e das artes.
         A luta entre os Espíritos retardados na sombra e os aspi­rantes da luz encontrou seguro apoio nas almas encarnadas que lhes eram irmãs.
         Desde essas eras recuadas, empenharam-Se O bem e o mal em tremendo conflito que ainda está muito longe de terminar, com bases na mediunidade consciente ou inconsciente, técnica ou empírica.



Evolução em Dois Mundos
Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

Ditado pelo espírito André Luiz


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