terça-feira, 30 de abril de 2013

O Trabalho Espiritual em um Centro Espírita

1. INTRODUÇÃO

Em um Centro Espírita, os dois planos da vida se irmanam. Veremos os serviços que os benfeitores espirituais realizam durante as atividades de um Centro Espírita. Os servidores espirituais se dividem entre médicos, enfermeiros, auxiliares, técnicos e colaboradores. Os trabalhos são divididos pelos seguintes setores: de Vigilância, de Enfermagem, de Esclarecimentos e de Comunicação. Os trabalhos são coordenados por um dirigente e contam com dezenas de servidores. Nos conta o autor espiritual -trabalhador espírita que desencarnou em 1987 - que, antes da reunião pública começar, os trabalhadores do plano espiritual se reúnem com o dirigente dos trabalhos para orientação. "Reunindo-nos no salão apropriado, o Irmão Joel convocou-nos ao serviço, dizendo: - Meus irmãos, iniciaremos os preparativos para as atividades desta noite. Cumpre-nos lembrar que todos nós somos necessitados ante a Providência Divina, pois que ainda nos reconhecemos imperfeitos. Entretanto ninguém realiza a ascensão espiritual sem esforço e trabalho. Somente servindo ao semelhante estaremos enriquecendo-nos. Todo trabalho no bem oferece-nos os valiosos recursos da experiência. Valorizemos, pois, a oportunidade que o Senhor nos oferece e tratemos de realizar o melhor,certos de que o amparo do mais alto não nos faltará. Busquemos a inspiração no amor de Jesus para com todos nós e recordemo-nos de suas sublimes palavras quando afirmou: -"Toda vez que o fizestes a um destes pequeninos, é a mim que o fizestes". Iniciemos os preparativos."




"NA SEARA DO BEM"
Livro psicografado por Luis Antonio Ferraz,

 Pelo Espírito Antônio Carlos Tonini ( 1947-1987 ).

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sobre as reuniões espíritas

Uma reunião é um ser coletivo cujas qualidades e propriedades são as dos seus membros, formando uma espécie de feixe. Ora, esse feixe será tanto mais forte quanto mais homogêneo.

Se o Espírito for de qualquer maneira atingido pelo pensamento, como nós somos pela voz, vinte pessoas unidas numa mesma intenção terão necessariamente mais força que uma só. Mas para que todos os pensamentos concorram para o mesmo fim é necessário que vibrem em uníssono, que se confundam por assim dizer em um só, o que não pode se dar sem concentração.

A concentração e a comunhão de pensamentos sendo as condições necessárias de toda reunião séria, compreende-se que o grande número de assistentes é uma das causas mais contrárias à homogeneidade. Não há, é certo, nenhum limite absoluto para esse número. Compreende-se que cem pessoas, suficientemente concentradas a atentas, estarão em melhores condições do que dez pessoas distraídas e barulhentas. Mas é também evidente que quanto maior o número, mais dificilmente se preenchem essas condições.

Toda reunião espírita deve, pois, procurar a maior homogeneidade possível.

Fonte: O Livro dos Médiuns (Cap. 29 – Reuniões e Sociedades)



terça-feira, 16 de abril de 2013

O médium nem sempre pode curar

A mediunidade de cura ocorre, basicamente, pela doação de fluido, dirigida por um espírito, com resultados mais ou menos rápidos, dependendo da capacidade do médium e do merecimento do paciente.

É preciso esclarecer, de início, que qualquer pessoa, dotada ou não de mediunidade, pode aplicar passes. São os chamados magnetizadores. O que distingue um médium curador dos demais mortais é a predisposição fluídica especial, que o torna mais eficaz na aplicação do passe.

Porém, nem sempre o médium curador é bem-sucedido. Digo isto para que fique claro que um doente sem merecimento não obtém a cura, ainda que recorra ao mais eficiente dos médiuns. Diante dos casos de provação compulsória, a terapia doutrinária, com base no Evangelho, é o melhor remédio para amenizar o sofrimento do doente e neutralizar todo sentimento de revolta contra Deus.

Às vezes, o resultado é tímido ou mesmo nulo por outros motivos. Uma das explicações é esta: assim como os profissionais médicos, o médium curador trabalha por especialidade.

Tais limitações são comuns. Podemos atuar muito bem sobre uma dor de estômago e não sobre uma dor de cabeça; podemos beneficiar o coração de um companheiro e sermos impotentes diante de um osso quebrado.

A qualidade do fluido emitido pelo médium também interfere no resultado do fenômeno. O fluido da pessoa desregrada não atua tanto quanto o de uma pessoa equilibrada. Alimentação sadia e visível progresso moral ampliam significativamente a capacidade do médium curador.

Neste ponto, alguém pode contestar a argumentação, alegando que existem médiuns muito eficazes no tratamento de doenças e que, apesar disso, cobram pelo que fazem, sem considerar a mediunidade como uma dádiva concedida pela misericórdia de Deus.

Não é bem assim. Muitas curas podem ocorrer por mérito exclusivo do paciente. Um bom espírito utiliza-se, momentaneamente, do fluido de um médium curador, seja ele quem for, considerando a urgência do atendimento a um doente que precisa de tratamento e merece a cura.

Seja como for a cura mediúnica é uma realidade. Mas não confunda médium receitista com médium curador. O primeiro age como uma variante da mediunidade psicográfica, atuando como um médico. O médium receitista recomenda, por inspiração dos espíritos, determinada substância, alopática ou homeopática. Quem cura, portanto, não é o médium, mas o remédio.

No caso do médium curador, ocorre a intervenção fluídica sobre o corpo e o perispírito do paciente. A cura se processa pela emissão do fluido do médium, combinado com a irradiação de um espírito, que o assiste, monitorando e dirigindo o fenômeno. O médium pode receitar e não ser médium de cura ou vice-versa. Pode também combinar as duas aptidões, o que é mais raro.

O médium digno deste nome busca sempre o aperfeiçoamento moral, certo de que, na maioria dos casos, a mediunidade representa o melhor instrumento para o resgate de débitos desta e de outras vidas.

Antes de tudo, o médium deve entender que reencarnou com o dom da cura porque tem dívidas a saldar, coletivas ou individuais. No passado, o médium pode ter sido um mau rei que prejudicou milhares de súditos; ou um latifundiário que manipulou o mercado, provocando a falta de alimentos; ou ainda um agitador que abusou das multidões para saciar a sede de poder. Pela mediunidade de cura, o médium resgata os débitos pelo trabalho em favor do próximo.

Quando passarem para o plano espiritual, após o desencarne, os maus políticos e os maus empresários compreenderão, como já o fizemos, a imensidade do prejuízo que causaram na Terra. Para eles haverá, certamente, a opção de repararem os erros com a prática da mediunidade, em benefício de muitos.

A misericórdia de Deus é infinita. Apesar da extensão do nosso estrago, direto ou indireto, causado no passado, Deus nos concedeu a bênção da mediunidade curativa por 30, 40 ou 50 anos.

É importante entender que o poder de irradiação e de penetração fluídica do médium curador cresce na medida em que pratique a moral cristã. Com o domínio de forças mais sutis, atinge áreas mais complexas, no corpo e no perispírito do paciente. Se for guiado por um bom espírito, que também seja médico, produz curas consideradas impossíveis.


Altivo Carissimi Pamphiro
(Artigo retirado da Revista Estudos Espíritas - Janeiro de 1999 - Edições Léon Denis)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Sinais precursores da mediunidade: mediunidade como prova

A mediunidade manifesta-se por toda a parte, nos mais diferentes lugares

1. A mediunidade, na maioria das vezes, é um dom que o Espírito pede diante da sua necessidade de, uma vez encarnado, se conscientizar de forma indelével de sua condição de Espírito eterno. Ele é também instrumento de agilização do seu progresso espiritual.

2. É por causa disso que, independentemente das próprias convicções, muitas vezes contrárias à realidade espiritual, surge a faculdade mediúnica ampliando a sensibilidade do homem para a percepção do ambiente espiritual que o circunda, e, atendendo a esse objetivo, se manifesta em crianças e em velhos, em homens e em mulheres, quaisquer que sejam o temperamento, o estado de saúde, o grau de desenvolvimento intelectual e o nível moral das pessoas.

3. Ignorando, muitas vezes, os recursos mediúnicos de que é dotado, o indivíduo começa então a sentir-se envolto em problemas, muitas vezes sem causas definidas, tais como um mal-estar generalizado, o desequilíbrio emocional fácil, as enfermidades que aparecem e desaparecem sem explicações médicas claras, determinados desentendimentos no lar, problemas profissionais diversos e muitas outras formas de desarmonia pessoal, familiar, social e profissional.

4. É em tais situações que, pressionada pelas circunstâncias e sem encontrar solução na religião que professa, a pessoa bate à porta do Centro Espírita, onde deverá sempre ser recebida com os mais nobres sentimentos de solidariedade, compreensão, esclarecimento e ajuda.
Os sintomas precursores da mediunidade variam ao infinito

5. Algo bastante comum é o principiante espírita querer saber que tipo de faculdade mediúnica possui, e um dos recursos mais utilizados é procurar informar-se com os Espíritos por meio de outros médiuns, o que nem sempre é uma boa medida e não oferece segurança àquele que indaga, como explica Kardec em “O Livro dos Médiuns”, item 205.

6. Os sintomas que anunciam a mediunidade variam ao infinito. Martins Peralva os enumera: reações emocionais insólitas, calafrios e mal-estar, sensação de enfermidade, irritações estranhas... Algumas vezes, porém, pode a faculdade mediúnica eclodir sem nenhum sintoma, espontânea, exuberante. É por isso que a paciência, a perseverança, a boa vontade, a humildade, o estudo e o trabalho constituem fatores de extrema valia na educação e no desenvolvimento da faculdade mediúnica.

7. Registre-se, no entanto, que o mais comum é vermos a mediunidade vinculada à dor, sobretudo no seu início, o que não é difícil de compreender, uma vez que vivemos em um mundo de expiações e provas, habitado por seres encarnados e desencarnados com os quais nos afinizamos e em quem predomina a imperfeição moral, expressa na forma de inveja, ciúme, ódio, despeito, vingança e tantos outros filhos do orgulho e da ignorância. São as vibrações decorrentes dessas imperfeições que o médium iniciante, com a sensibilidade ampliada, passa a sentir, sem ter ainda condições de lhes oferecer resistência, o que lhe virá posteriormente com o trabalho nobre, a perseverança no bem, o estudo sério, a oração e a vigilância.

8. Conquanto existam no mundo médiuns que vieram ao orbe com tarefas importantes definidas, os médiuns não são, em sua generalidade, missionários na acepção comum do termo. São almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram sobremaneira o curso das leis divinas e que resgatam seu passado obscuro e delituoso, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades. Essas palavras, grafadas por Emmanuel, fazem parte do livro “Emmanuel”, pp. 66 e 67, que Chico Xavier psicografou.
A faculdade mediúnica constitui um instrumento de progresso valioso

9. Arrependidos, esses Espíritos procuram arrebanhar todas as felicidades que perderam, reorganizando, com sacrifícios, tudo quanto esfacelaram nos seus instantes de criminosas arbitrariedades e de condenável insânia. Não é, pois, de admirar que as existências dos médiuns em geral têm-se constituído em romances dolorosos, em vidas de amargurosas dificuldades, em histórias repletas de provações, continências e desventuras.

10. Em tais casos, a mediunidade não é uma conquista do Espírito para a eternidade, mas uma concessão temporária, que constitui um instrumento extremamente valioso, embora difícil e complexo, o qual, se bem aproveitado, ensejará ao indivíduo uma ascensão espiritual mais rápida e o libertará dos débitos acumulados no passado.

11. A mediunidade é, bem se vê, uma prova muitas vezes dolorosa, mas sempre necessária ao enriquecimento espiritual da pessoa. A exemplo dos “talentos” de que nos fala o Evangelho, dependendo do que fizer com ela, o médium granjeará “talentos” maiores e mais nobres, observando-se sempre, nesse particular, a regra evangélica de que a cada um será dado sempre de acordo com o seu merecimento.

12. Todos somos médiuns, asseverou o Codificador do Espiritismo, mas nem sempre possuímos uma faculdade operante capaz de ser transformada ou caracterizada como mediunidade-tarefa. Nesse caso, todos os esforços por desenvolvê-la serão infrutíferos. Não devemos, no entanto, deixar-nos envolver pelo desânimo e, sim, abraçar com alegria outras tarefas na seara espírita, até mesmo nas reuniões mediúnicas, onde há espaço para a atuação dos médiuns passistas e dos médiuns esclarecedores, convictos de que, independentemente de possuirmos ou não uma mediunidade produtiva, o objetivo fundamental da nossa presença no mundo é servir sempre e fazer a parte que nos cabe na obra do Criador.

quinta-feira, 21 de março de 2013

O amor



O amor, profundo como o mar, infinito como o céu, abraça todas as criaturas.
Deus é o seu foco. Assim como o Sol se projeta, sem exclusões, sobre todas as coisas e reaquece a natureza inteira, assim também o amor divino vivifica todas as almas; seus raios, penetrando através das trevas do nosso egoísmo, vão iluminar com trêmulos clarões os recônditos de cada coração humano.

Todos os seres foram criados para amar. As partículas da sua moral, os germes do bem que em si repousam, fecundados pelo foco supremo, expandir-se-ão algum dia, florescerão até que todos sejam reunidos numa única comunhão do amor, numa só fraternidade universal.

Quem quer que sejais, vós que ledes estas páginas, sabei que nos encontraremos algum dia, quer neste mundo, nas existências vindouras, quer em esfera mais elevada ou na imensidade dos espaços; sabei que somos destinados a nos influenciarmos no sentido do bem, a nos ajudarmos na ascensão comum. Filhos de Deus, membros da grande família dos Espíritos, marcados na fronte com o sinal da imortalidade, todos somos irmãos e estamos destinados a conhecermo-nos, a unirmo-nos na santa harmonia das leis e das coisas, longe das paixões e das grandezas ilusórias da Terra.

Enquanto esperamos esse dia, que meu pensamento se estenda sobre vós como testemunho de terna simpatia; que ele vos ampare nas dúvidas, vos console nas dores, vos conforte nos desfalecimentos, e que se junte ao vosso próprio pensamento para pedir ao Pai comum que nos auxilie a conquistar um futuro melhor.

Léon Denis

Ação do pensamento e dos sentimentos sobre os fluídos absorvidos do Cosmo



Nós absorvemos do cosmos fluidos vitais, espirituais e físicos no seu estado mais puro, esses fluidos ao
ingressar dentro do nosso organismo perispiritual, entram em reação com:
- as ondas da energia que se produzem através do que pensamos;
- as ondas da energia que se produzem através do que sentimos.
Nesse processo metabólico os fluidos no estado puro que foram absorvidos adquirem as características
apropriadas do que pensamos e do que sentimos.
Se pensamos e sentimos coisas boas esses fluidos se tornarão leves, sutis e nos sentiremos bem.
Se pensamos e sentimos coisas ruins esses fluidos se tornarão pesados, densos e nos sentiremos mal.
Esses fluidos irão irradiar-se em torno de nós formando a nossa aura fluídica.

Energia absorvida da irradiação de encarnados:
Nós também absorvemos os fluidos que já foram metabolizados e que se irradiam das outras pessoas,
esses fluidos também ao ingressar dentro do nosso organismo perispiritual, entram em reação com:
- as ondas que se produzem através do que pensamos;
- as ondas que se produzem através do que sentimos.
Portanto, nesse processo metabólico os fluidos que adquirimos passam a ter as nossas características
somadas com as características daqueles fluidos que vieram das outras pessoas.

a) Se os fluidos que vieram das outras pessoas são leves e sutis e nós também, pensamos e sentimos
coisas boas esses fluidos se manterão leves, sutis e nos sentiremos bem.
b) Se os fluidos que vieram das outras pessoas são leves e sutis e nós pensamos e sentimos coisas ruins
esses fluidos se tornarão pesados, densos e nos sentiremos mal.
c) Se os fluidos que vieram das outras pessoas são pesados e densos, mas nós pensamos e sentimos
coisas boas esses fluidos se tornarão leves, sutis e nos sentiremos bem.
d) Se os fluidos que vieram das outras pessoas são pesados e densos e nós pensamos e sentimos coisas
ruins esses fluidos se tornarão muito mais pesados, densos e nos sentiremos muito mal.

Os fluidos absorvidos das outras pessoas irão somar-se com os fluidos no estado puro absorvidos do
cosmos e irão irradiar-se em torno de nós formando a nossa aura fluídica.

Fonte: http://bvespirita.com/Curso%20Mediunidade%20Sem%20Preconceitos%20(Edvaldo%20Kulcheski).pdf

segunda-feira, 11 de março de 2013

O Progresso na Imortalidade



Capítulo VII

(Complemento filosófico publicado pelo jornal Le Devoir)

Embora a humanidade avance pouco a pouco na estrada do progresso, pode-se dizer que a imensa maioria de seus membros marcha através da vida como em meio de uma noite obscura, ignorando de onde vem, não sabendo para onde vai, não tendo jamais sonhado com o objetivo real da existência. Espessas trevas dominam a razão humana; os raios destes poderosos focos, que são a justiça e a verdade, só chegam a ela pálidos, enfraquecidos e insuficientes para aclarar os caminhos sinuosos por onde as inúmeras legiões seguem em marcha, para fazer brilhar a seus olhos o objetivo ideal e distante. Ignorante de seus destinos, indeciso entre o preconceito e o erro, o homem maldiz, por vezes, a vida. Desfalecendo ao peso do seu fardo, lança sobre seus semelhantes a causa das provas que ele engendra e sofre, muitas vezes por sua imprevidência. Revoltado contra Deus, que ele acusa de injusto, em sua loucura e seu desespero chega mesmo, algumas vezes, a desertar do combate salutar, da luta que só pode fortificar sua alma, aclarar seu julgamento, prepará-lo para trabalhos de ordem mais elevada.


Por que é assim? Por que o homem desce frágil e desarmado na grande arena onde se trava, sem tréguas e sem descanso, a eterna e gigantesca batalha? É que esse globo terrestre é simplesmente um dos degraus inferiores da escala dos mundos e nele moram apenas espíritos novos, isto é, almas nascidas recentemente com a razão. A matéria reina soberana em nosso mundo e curva sob seu jugo até os melhores dentre nós; limita nossas faculdades, paralisa nossos anseios para o bem e nossas aspirações para o ideal. Assim, para discernir o porquê da vida, para conhecer sua razão de ser, para entrever a lei suprema que rege as almas e os mundos é preciso saber libertar-se dessas pesadas influências, liberar-se das preocupações de ordem material, de todas essas coisas passageiras e volúveis que acobertam nosso espírito, dificultando nossos julgamentos. Somente nos elevando algumas vezes pelo pensamento, acima dos próprios horizontes da vida, fazendo abstração do tempo e do espaço e planando, de certa forma, acima dos pormenores da existência, é que perceberemos a verdade.

Leon Denis - O Progresso

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A Grécia



Entre os povos de iniciativa, nenhum há cuja missão se manifeste com maior brilho do que o da Hélade. A Grécia iniciou a Europa em todos os esplendores do belo. De sua mão aberta saiu a civilização ocidental e o seu gênio de vinte séculos atrás ainda hoje se irradia sobre as nações. Por isso é que, apesar de seus desmembramentos, de suas lutas intestinas, de sua queda final, ela tem sido admirada em todas as épocas.

A Grécia soube traduzir, em linguagem clara, as belezas obscuras da sabedoria oriental. Exprimiu-as a princípio com o adjutório dessas duas harmonias celestes que tornou humanas: a música e a poesia. Orfeu e Homero foram os primeiros que fizeram ouvir seus acordes à terra embevecida. Mais tarde, esse ritmo, essa harmonia que o gênio nascente da Grécia havia introduzido na palavra e no canto, Pitágoras, o iniciado dos templos egípcios, observou-os por toda parte do Universo, na marcha dos astros que se movem, futuras moradas da Humanidade, no seio dos espaços, na concordância dos três mundos, natural, humano e divino, que se sustentam, se equilibram, se completam, para produzirem a vida em sua corrente ascensional e em sua espiral infinita. Dessa visão estupenda decorria para ele a idéia de uma tríplice iniciação, pela qual o homem, conhecedor dos princípios eternos, aprendia, depurando-se, a libertar-se dos males terrestres e a elevar-se para a perfeição. Daí, um sistema de educação e de reforma a que Pitágoras deixou o seu nome, e que tantos sábios e heróis produziu.

Enfim, Sócrates e Platão, popularizando os mesmos princípios, derramando-os em círculo mais lato, inauguraram o reinado da ciência franca, que veio substituir o ensino secreto.

Tal foi o papel representado pela Grécia na história da evolução do pensamento. Em todos os tempos, a iniciação exerceu uma influência capital sobre os destinos desse país. Não é nas flutuações políticas, agitadas nessa raça inconstante e impressionável, que se devem procurar as mais altas manifestações do gênio helênico. A iniciação não tinha seu foco na sombria e brutal Esparta, nem na brilhante e frívola Atenas, mas, sim, em Delfos, em Olímpia, em Elêusis, refúgios sagrados da pura doutrina. Era ali que, pela celebração dos mistérios, ela se revelava em toda a sua pujança. Ali, pensadores, poetas e artistas iam colher o ensino oculto, que depois traduziam à multidão em imagens vivas e em versos inflamados. Acima das cidades turbulentas, sempre prontos a se dilacerarem, acima das oscilações políticas, passando alternativamente da aristocracia à democracia e ao reinado dos tiranos, um poder supremo dominava a Grécia: o tribunal dos Anfitriões, que tinha Delfos por sede, e que se compunha de iniciados de grau superior. Por si só, ele salvara a Hélade nas horas de perigo, impondo silêncio às rivalidades de Esparta e de Atenas.

Já no tempo de Orfeu os templos possuíam a ciência secreta.

“Escuta – dizia o mestre ao neófito  –, escuta as verdades que convém ocultar à multidão, e que fazem a força dos santuários. Deus é um, e sempre semelhante a si mesmo; porém, os deuses são inumeráveis e diversos, porque a divindade é eterna e infinita. Os maiores são as aluías dos astros, etc.

“Entraste com o coração puro no seio dos Mistérios. Chegou a hora suprema em que te vou fazer penetrar até às fontes da vida e da luz. Os que não levantam o véu espesso que esconde aos olhos dos homens as maravilhas invisíveis não se tornarão filhos dos Deuses.”

Aos místicos e aos iniciados:

“Vinde gozar, vós que tendes sofrido; vinde repousar, vós que tendes lutado. Pelos sofrimentos passados, pelo esforço que vos conduz, vencereis, e se acreditais nas palavras divinas já vencestes, porque, depois do longo circuito das existências tenebrosas, saireis, enfim, do círculo doloroso das gerações e, como uma só alma, vos encontrareis na luz de Dionisos.

“Amai, porque tudo ama; amai, porém, a luz e não as trevas. Durante a vossa viagem tende sempre em mira esse alvo. Quando as almas voltam ao espaço, trazem, como hediondas manchas, todas as faltas da sua vida estampadas no corpo etéreo... E, para apagá-las, cumpre que expiem e voltem à Terra. Entretanto, os puros, os fortes, vão para o sol de Dionisos.”


Léon Denis - Depois da Morte

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O Grande Enigma de Léon Denis


É a ti, ó Potência Suprema! Qualquer que seja o nome que te dêem e por mais imperfeitamente que sejas compreendida; é a ti, fonte eterna da vida, da beleza, da harmonia, que se elevam nossas aspirações, nossa confiança, nosso amor.

Onde estão em que céus profundos, misteriosos, tu te escondes? Quantas Almas acreditaram que bastaria, para te encontrar, o deixar a Terra! Mas tu te conservas invisível no mundo espiritual, quanto no mundo terrestre, invisível para aqueles que não adquiriram ainda a pureza suficiente para refletir teus divinos raios.

Tudo revela e manifesta, no entanto, tua presença. Tudo quanto na Natureza e na Humanidade canta e celebra o amor, a beleza, a perfeição, tudo que vive e respira é mensagem de Deus. As forças grandiosas que animam o Universo proclamam a realidade da Inteligência divina; ao lado delas, a majestade de Deus se manifesta na História, pela ação das grandes Almas que, semelhantes a vagas imensas, trazem às plagas terrestres todas as potências da obra de sabedoria e de amor.

E Deus está, assim, em cada um de nós, no templo vivo da consciência. É aquele o lugar sagrado, o santuário em que se encontra a divina centelha.

Homens! Aprendei a imergir em vós mesmos, a esquadrinhar os mais íntimos recônditos do vosso ser; interrogai-vos no silêncio e no retiro. E aprendereis a reconhecer-vos, a conhecer o poder escondido em vós. É ele que leva e faz resplandecer no fundo de vossas consciências as santas imagens do bem, da verdade, da justiça, e é honrando essas imagens divinas, rendendo-lhes um culto diário, que essa consciência, ainda obscura, se purifica e se ilumina.

Pouco a pouco, a luz se engrandece em nós outros. De igual modo que gradualmente, de maneira insensível, as sombras dão lugar à luz do dia, assim a Alma se ilumina das irradiações desse foco que reside nela e faz desabrochar, em nosso pensamento e em nosso coração, formas sempre novas, sempre inesgotáveis de verdade e de beleza. E essa luz é também harmonia penetrante, voz que canta na alma do poeta, do escritor, do profeta, e os inspira e lhes dita as grandes e fortes obras, nas quais eles trabalham para elevação da Humanidade. Mas, sentem essas coisas apenas aqueles que, tendo dominado a matéria, se tornaram dignos dessa comunhão sublime, por esforços seculares, aqueles cujo senso íntimo se abriu às impressões profundas e conhece o sopro potente que atiça os clarões do gênio, sopro que passa pelas frontes pensativas e faz estremecer os envoltórios humanos.





domingo, 13 de janeiro de 2013

Escutando sentimentos



Na acústica da alma existem mensagens sobre o Plano do Criador para nosso destino. Aprender a ouvi-las e exercitar, diariamente, a plena atenção aos ditames libertadores dos sentimentos. Interferências internas e externas subtraem-nos, constantemente, a apreensão desses “recados do coração”.

Escutar os sentimentos não significa adotá-los prontamente. Mas aceitá-los em nossa intimidade e criar uma relação amigável com todos eles. Aceitá-los sem reprimir ou se envergonhar. Essa atitude é o primeiro passo para um diálogo educativo com nosso mundo íntimo. Somente assim teremos uma conexão com nossa real identidade psicológica, possibilitando a rica aventura do autodescobrimento no rumo da singularidade – a identidade cósmica do Espírito.

Escutar os sentimentos é cuidar de si, amar a si mesmo. É uma mudança de atitude consigo. O ato de existir ocorre nos sentimentos. Quem pensa corretamente sobrevive; quem sente nobremente existe. O pensamento é a janela para a realidade; o sentimento é o ponto de encontro com a Verdade. É pela nossa forma de sentir a vida que nos tornamos singulares, únicos e celebramos a individualidade. Quando entramos em sintonia com nossa exclusividade e manifestamos o que somos, a felicidade acontece em nossas vidas.

O sentimento é a maior conquista evolutiva do Espírito. Aprendendo a escutá-lo, estaremos entendendo melhor a nossa alma. Não existe um só sentimento que não tenha importância no processo do crescimento pessoal. Quando digo a mim mesmo “não posso sentir isto”, simplesmente estou desprezando a oportunidade de auto-investigação, de saber qual é ou quais são as mensagens profundas da vida mental.

O exercício do auto-amor está em aprender a ouvir a “voz do coração”, pois nele residem os ditames para nossa paz e harmonia.

Os sentimentos são guias infalíveis da alma na sua busca de ascensão e liberdade. O auto-amor consiste na arte de aprender a escutá-los, estudar a linguagem do coração.

Pela linguagem dos sentimentos, entendemos o “apoio” do universo a nosso favor. Mas como seguir nossos sentimentos com tantas ilusões? Eis a ingente tarefa de nossos grêmios de amor espírita-cristão: educar para ouvir os nossos sentimentos. Radiografar nosso coração. Desenvolver estudos sistematizados de si mesmo.

Temos nos esforçados tanto quanto possível para aplicar as orientações da doutrina com nosso próximo. Mas... E nós? Como cuidar de nós próprios? A proposta libertadora de Jesus estabelece: “amai ao próximo”, e acrescenta:”como a ti mesmo”





WANDERLEY S. DE OLIVEIRA
Pelo Espírito ERMANCE DUFAUX

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Missionários da Luz



Senhor, sejam para o teu coração misericordioso, todas as nossas alegrias, esperanças e aspirações!

Ensina-nos a executar teus propósitos desconhecidos, abre-nos as portas de ouro das oportunidades do serviço e ajuda-nos a compreender a tua vontade!

Seja o nosso trabalho a oficina sagrada de bênçãos infinitas, converte-nos as dificuldades em estímulos santos, transforma os obstáculos da senda em renovadas lições...

Em teu nome, semearemos o bem onde surjam espinhos do mal, acenderemos tua luz onde a treva demore, verteremos o bálsamo do teu amor onde corra o pranto do sofrimento, proclamaremos tua bênção onde haja condenações, desfraldaremos tua bandeira de paz junto às guerras do ódio!

Senhor, que possamos servir-te com a fidelidade com que nos amas, e perdoa nossas fragilidades e vacilações na execução de tua obra.

Fortifica-nos o coração para que o passado não nos perturbe e o futuro não nos inquiete, a fim de que possamos honrar-te a confiança no dia de hoje, que nos deste para a renovação permanente até a vitória final.

Somos tutelados na Terra, confundidos na lembrança de erros milenários, mas queremos, agora, com todas as forças d'alma, nossa libertação em teu amor para sempre!

Arranca-nos do coração as raízes do mal, liberta-nos dos desejos inferiores, dissipa as sombras que nos obscurecem a visão de teu plano divino e ampara-nos para que sejamos servos leais de tua infinita sabedoria!

Dá-nos o equilíbrio de tua lei, apaga o incêndio das paixões que, por vezes, irrompe, ainda, no âmago de nossos sentimentos, ameaçando-nos a construção da espiritualidade superior.

Conserva-nos em tua inspiração redentora, no ilimitado amor que nos reservaste e que, integrados no teu trabalho de aperfeiçoamento incessante, possamos atender-te os sublimes desígnios, em todos os momentos, convertendo-nos em servidores fiéis de tua luz, para sempre!

Que assim seja.

Prece Extraída do livro "Missionários da Luz"
Autor Espiritual - Alexandre
Ditada por André Luiz
Psicografada por Francisco Cândido Xavier

sábado, 8 de dezembro de 2012

Em Nosso Lar



Quando os recém-chegados das zonas inferiores do Umbral se revelam aptos a receber cooperação fraterna, demoram no Ministério do Auxílio; quando, porém, se mostram refratários, são encaminhados ao Ministério da Regeneração.
Se revelam proveito, com o correr do tempo são admitidos aos trabalhos de Auxílio, Comunicação e Esclarecimento, a fim de se prepararem, com eficiência, para futuras tarefas planetárias.
Somente alguns conseguem atividade prolongada no Ministério da Elevação, e raríssimos, em cada dez anos, os que alcançam intimidade nos trabalhos da União Divina.
E não suponha que os testemunhos sejam vagas expressões de atividade idealista. Já não estamos na esfera do globo, onde o desencarnado é promovido compulsoriamente a fantasma. Vivemos em circulo de demonstrações ativas. As tarefas de Auxílio são laboriosas e complicadas, os deveres no Ministério da Regeneração constituem testemunhos pesadíssimos, os trabalhos na Comunicação exigem alta noção da responsabilidade individual, os campos do Esclarecimento requisitam grande capacidade de trabalho e valores intelectuais profundos, o Ministério da Elevação pede renúncia e iluminação, as atividades da União Divina requerem conhecimento justo e sincera aplicação do amor universal. A governadoria, por sua vez, é sede movimentada de todos os assuntos administrativos, numerosos serviços de controle direto, como, por exemplo, o de alimentação, distribuição de energias elétricas, trânsito, transporte e outros. Aqui, em verdade, a lei do descanso é rigorosamente observada, para que determinados servidores não fiquem mais sobrecarregados que outros; mas a lei do trabalho é também rigorosamente cumprida. No que concerne ao repouso, a única exceção é o próprio Governador, que nunca aproveita o que lhe toca, nesse terreno.

- André Luiz

Núcleos de trabalho


Cada um de nós permanece aqui, em núcleos de trabalho e renovação, na vizinhança do plano físico, sob a mesma ficha de identificação, através da qual éramos conhecidos nela. Até que nos promovamos por merecimento próprio a círculos mais altos de sublimação, quedar-nos-emos entre a Espiritualidade Superior e o Estágio Físico, operando no aperfeiçoamento pessoal, da internação no berço à liberação para a vida espiritual e regressando da liberdade na vida espiritual a nova segregação no berço.
Aqui somos então examinados pelo que fomos, nas ações praticadas, no tempo de retaguarda mais próximo de nós...
Somos como éramos, na ficha individual, até que as circunstâncias nos indiquem nova imersão no corpo carnal, como recurso inevitável aos objetivos de burilamento a que todos visamos, nas lides da vida eterna.

- André Luiz (Espírito)

Nenhum espanto

Nenhum espanto, quando ponderarmos que os edifícios no mundo dos homens nascem do pensamento que os esculpe e da matéria que obedece aos projetos elaborados.
Aqui verificamos o mesmo processo, diferindo apenas as condições da matéria, que se evidencia mais intensivamente maleável à influência da ideia dominante. Reflitamos no progresso da indústria de plásticos, na atualidade do plano físico de onde viemos e perceberemos, com mais segurança, as possibilidades imensas para as edificações delicadas e complexas em nosso domicílio de agora. Naturalmente, também aqui estamos subordinados ainda às técnicas, às vocações, às competências pessoais e às criações estilísticas, no círculo das conquistas espirituais de cada um.
O arquiteto que planeia uma casa e o obreiro que lhe cumpre as ordens, não servirão, de imediato, em lugar do diretor da manufatura de tecidos e do operário que lhe atende as determinações.
Ainda aqui, o escritor não faz a obra do músico, em ação de improviso.
Somos criaturas em evolução, sem havermos atingido ainda a posição dos gênios polimorfos, apesar de esses gênios existirem igualmente aqui.

- André Luiz (Espírito)

Tanto na Terra

Tanto na Terra quanto aqui, no plano espiritual conhecemos, na essência, muito pouco acerca do meio em que vivemos. Em suma, analisamos e reanalisamos coisas e princípios que já encontramos feitos...
Entretanto, no mundo, como entendemos o mundo, guardamos a certeza de permanecer sobre bases de matéria sólida.
Moramos na arena terrestre, detidos igualmente num certo grau da escala de impressão do nosso Espírito eterno. Qualquer aprendiz de ciência elementar, no Planeta, não desconhece que a chamada matéria densa não é senão a energia radiante condensada. Em última análise, chegaremos a saber que a matéria é luz coagulada, substância divina, que nos sugere a onipresença de Deus.

 - André Luiz (espírito)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Conflitos conjugais



Qual a posição do espiritismo com relação ao divórcio? Se optamos pela
separação, não estamos transferindo nossa missão para com nosso companheiro
para outra época (vidas), ou seja, estamos deixando de lado nosso "carma" por
utilizarmos nosso livre-arbítrio de forma equivocada, sem tentar solucionar os
problemas mais caridosamente?


Resposta: 
Não deveríamos nos prender ao conceito de carma. Essa é uma posição
da filosofia oriental que tem aproximações com a Lei de Causa e Efeito
apresentada pelo Espiritismo, mas há distinções em relação ao entendimento
disso na prática.
Quando se usa o termo carma, há uma conotação de fatalidade, enquanto que a
Doutrina enfatiza a possibilidade de minimização ou eliminação das ocorrências
de sofrimento, mediante uma ação positiva no bem. Vamos esclarecer bem essa
questão do divórcio:
A separação e o divórcio possibilitam a resolução dos conflitos que se
estabelecem na vida das pessoas que estão ligadas por compromisso formal ou
vínculos legais, mas não mais se entendem, nem se amam. Na nossa cultura, essa
opção é acompanhada de grande sofrimento. Parte desse sofrimento decorre do
próprio processo de ruptura e parte resulta de questões culturais. Quando as
pessoas se casam, geralmente, acreditam que estão dando um passo definitivo,
pretendem viver juntas por longo tempo e realizam, por isso, grande
investimento energético na relação, construindo elos fortes. Na separação,
esses laços energéticos se rompem, o que repercute dolorosamente sobre a alma.
Esse sofrimento é inerente ao processo e, quando o casal se decide pela
separação, não dá para fugir dele, é preciso enfrentá-lo com serenidade. Mas há
ainda o outro sofrimento, que resulta do ideário cultural sobre a
indissolubilidade do matrimônio. Podemos atenuar esse último, se desenvolvermos
uma visão crítica da cultura em que vivemos.
A Doutrina Espírita nos ensina a ver o divórcio de uma maneira mais adequada.
Os Espíritos, ao falarem sobre o assunto, criticaram claramente as amarras
culturais que dificultam a vida dos casais. Destacam eles que a determinação
legal de indissolubilidade do casamento é um erro e perguntam: “Julgas,
porventura, que Deus te constranja a permanecer junto dos que te desagradam?”
(LE – q.940)
Depreende-se dos ensinos deles que Deus determina a união dos seres pelo amor,
para que se crie no lar uma psicosfera favorável ao desenvolvimento sadio dos
filhos que porventura venham a ter. “No meio espírita, costuma-se dizer que as
pessoas não devem optar pelo divórcio, porque estarão adiando o pagamento de
uma dívida e terão no futuro, por isso mesmo, maior dificuldade para efetuar
esse pagamento. Talvez isso se aplique ao indivíduo que é inconseqüente e
irresponsável no direcionamento de suas energias amorosas, mas não se pode
generalizar e achar que em todas as situações esse critério seja adequado. Na
verdade, há casos em que o mal maior seria as pessoas permanecerem vinculadas a
um compromisso que não desejam mais e, por isso, perderem a alegria de viver e
a possibilidade de realizações espirituais significativas para sua própria
evolução. Somente aquele que está vivendo o problema poderá decidir,
consultando sua própria consciência, qual o melhor caminho a seguir.
“O conselho dos Espíritos é sempre no sentido de desenvolver as qualidades da
alma para possibilitar um ajustamento harmonioso entre os componentes do grupo
familiar e, quando se instala o conflito, a recomendação é de que se procurem
todos meios de resolução do problema antes de optar pela separação. (Esse tema
está mais desenvolvido no livro “Conflitos Conjugais”- edição FEEES/2002)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Sexo e traição


Relacionamento conjugal
Alem de ser uma coisa errada uma pessoa enganar a outra, abusar de sua confiança, trair seus sentimentos, brincar com o amor que outro sente por você, existe outro aspecto que tem de ser comentado aqui, nós somos feitos de carne e osso, mas ao mesmo tempo temos energias, do mesmo modo que podemos fazer o bem também podemos fazer o mal, com nossas mãos ou com a nossa língua, ou com nosso pensamento, a força do pensamento de uma pessoa é muito grande, pode ajudar alguém a se curar e pode também ferir.

Quando um casal pratica o adultério, alem de praticar um crime contra as leis de Deus, que vai resultar em uma dívida espiritual após a morte, este casal está também fazendo uma troca de energias, a energia pode ser de amor ou de ódio, pode ser benéfica ou maléfica, se for uma troca de energias em um adultério por amor, este amor estará negativado perante a Deus.

Por exemplo, um homem está em um relacionamento com outra mulher enganando a sua própria esposa, apenas por diversão ou simplesmente para experimentar ou para viver um caso, sua esposa está em casa e não sabe, ele se sente másculo, acha que tem duas mulheres e se sente poderoso, por sua vez a mulher vem de um relacionamento que já terminou, às vezes com mágoa, com ódio do antigo marido, para se vingar sempre arruma um namorado novo, não importa se é casado, sente prazer, não o prazer do amor, mas sim o da vingança.

Este é um caso típico de adultério, os dois estão trocando energias ruins, um para o outro, estas energias estão carregadas de magoas, vinganças, vaidades, revoltas, todos este sentimentos são ruins e emitem freqüências que atraem espíritos que estão na escuridão, maus espíritos que no ato sexual, por frações de segundos se apoderam dos corpos e experimentam sensações que tinham quando ainda estavam vivos, estes espíritos ainda estão ligados a matéria e sentem necessidade de vícios e tudo que tinham aqui na terra quando estavam vivos.

Por sua vez o homem após um relacionamento deste, acaba levando para casa aquela energia negativa em seu corpo que por sua vez vai acabar transferindo para sua esposa dentro de seu lar, através do ato sexual já não mais puro, e carregado de energias negativas, que futuramente tanto no homem como na mulher e na outra que está participando do adultério, tanto um como o outro terão problemas.

Estas energias vão ter efeitos devastadores no organismo, elas se acumulam nos órgãos internos, tomam forma, atraem ainda mais energias negativas a estes órgãos, provocando doenças das mais diversas.

Há muitos casos em que sem ninguém falar nada e sem sua esposa saber que está sendo traída, surge nela aquele sexto sentido que lhe diz, “estou sendo traída”, não se trata de adivinhação, nem sexto sentido neste caso e sim de que seu espírito está recebendo uma carga negativa neste caso, para você entender mais ou menos o que o espírito sente seria como se nós fossemos a um restaurante e comêssemos uma feijoada meio velha em um dia de calor, causa uma indigestão, uma dor de cabeça, mal estar, funciona do mesmo jeito com os espíritos, eles se alimentam de energias boas e ruins, o amor entre um casal quando é puro sem traições sem mentiras à troca de energias se faz sem prejuízos, pelo contrario se torna benéfico até para o corpo.
Quando amamos um amor sincero, e temos uma união sincera, as energias que se fazem são extremamente benéficas ao nosso organismo, nos rejuvenesce, e nos dá forças para enfrentar os problemas que temos aqui neste mundo.

(A. D.)
Fonte: http://www.forumespirita.net/fe/sexualidade/sexo-e-traicao

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A erraticidade




Enquanto as almas desprendidas das influências terrenas se constituem em grupos simpáticos, cujos membros se amam, se compreendem, vivem em perfeita igualdade, em completa felicidade, os Espíritos que ainda não puderam domar as suas paixões levam uma vida errante, desordenada e que, sem lhes trazer sofrimentos, deixa-os, contudo, mergulhados na incerteza e na inquietação. É a isso que se chama erraticidade; é a condição da maioria dos Espíritos que viveram na Terra, nem bons nem maus, porém ainda fracos e muito inclinados às coisas materiais.
Encontram-se na erraticidade multidões imensas, sempre agitadas, sempre em busca de um estado melhor, que lhes foge. Numerosos Espíritos aí flutuam indecisos entre o justo e o injusto, entre a verdade e o erro, entre a sombra e a luz. Outros estão sepultados no insulamento, na obscuridade, na tristeza, sempre à procura de uma benevolência, de uma simpatia que podem encontrar.
A ignorância, o egoísmo, os vícios de toda espécie reinam ainda na erraticidade, onde a matéria exerce sempre sua influência. O bem e o mal aí se chocam. É de alguma sorte o vestíbulo dos espaços luminosos, dos mundos melhores. Todos aí passam e se demoram, mas para depois se elevarem.
O ensino dos Espíritos sobre a vida de além-túmulo faz-nos saber que no espaço não há lugar algum destinado à contemplação estéril, à beatitude ociosa. Todas as regiões do espaço estão povoadas por Espíritos laboriosos. Por toda parte, bandos, enxames de almas sobem, descem, agitam-se no meio da luz ou na região das trevas. Em certos pontos, vê-se grande número de ouvintes recebendo instruções de Espíritos adiantados; em outros, formam-se grupos para festejarem os recém-vindos. Aqui, Espíritos combinam os fluidos, infundem-lhes mil formas, mil coloridos maravilhosos, preparam-nos para os delicados fins a que foram destinados pelos Espíritos superiores; ali, ajuntamentos sombrios, perturbados, reúnem-se ao redor dos globos e os acompanham em suas revoluções, influindo, assim, inconscientemente, sobre os elementos atmosféricos. Espíritos luminosos, mais velozes que o relâmpago, rompem essas massas para levarem socorro e consolação aos desgraçados que os imploram. Cada um tem o seu papel e concorre para a grande obra, na medida de seu mérito e de seu adiantamento. O Universo inteiro evolui. Como os mundos, os Espíritos prosseguem seu curso eterno, arrastados para um estado superior, entregues a ocupações diversas. Progressos a realizar, ciência a adquirir, dor a sufocar, remorsos a acalmar, amor, expiação, devotamento, sacrifício, todas essas forças, todas essas coisas os estimulam, os aguilhoam, os precipitam na obra; e, nessa imensidade sem limites, reinam incessantemente o movimento e a vida. A imobilidade e a inação é o retrocesso, é a morte. Sob o impulso da grande lei, seres e mundos, almas e sóis, tudo gravita e move-se na órbita gigantesca traçada pela vontade divina.

Léon Denis  -  Depois da Morte


terça-feira, 13 de novembro de 2012

Miragens


Eram encargos normais, saudáveis: cuidar dos filhos, dirigir o lar, instruir a doméstica, efetuar compras.  Mas Zilda aborrecia-se.  Sentia-se frustrada.  Ninguém parecia reconhecer seu esforço.  Além do mais, sonhava trabalhar fora, ter seu próprio dinheiro, freqüentar uma Faculdade, alargar horizontes...
Irritava-se com frases pomposas, tipo "rainha do lar" ou "doadora da Vida”, que lhe pareciam engodos masculinos para estimular a submissão das mulheres.
Resolveu consultar um psicólogo, desses modernos, idéias arejadas, "prá-frente'... Expôs-lhe suas angústias.
- Minha cara Zilda - orientou o profissional, enfático. - Seu problema fundamental é aprender a gostar um pouco de si mesma!  Solte-se!  Conquiste seu espaço!
- O senhor tem razão!  Anseio por vôos mais altos, além da rotina... No entanto, estou amarrada.  Os encargos domésticos são numerosos.  A família precisa de mim.  Alguém deve ficar na retaguarda...
- Esqueça!  No momento é preciso cuidar de seu bem-estar.  Ninguém deve ser mais importante do que você mesma!  Liberte-se!  Seja autêntica!  Exercite suas próprias asas!
Sob orientação do psicólogo Zilda começou a mudar.  Encontrou tempo para o massagista, o tratamento de beleza, a ginástica.  Importante afinar a silhueta, rejuvenescer.. Em breve matriculou-se em curso de nível superior, conseguiu emprego de meio expediente, entrosou-se com novas amigas, igualmente "avançadas” ...
Sem tempo para o lar, este começou a apresentar problemas.  O desleixo tomou conta, os filhos foram descuidados.  O esposo, perplexo, indagou-lhe o porquê de tantas mudanças...
- É preciso cuidar de mim mesma.  Tenho sido uma escrava.  Chegou o tempo de minha libertação.  Vocês se virem !...                     
Empolgada pela própria audácia, Zilda distanciou-se progressivamente da família até que, concluindo que precisava de mais espaço, partiu para cidade distante, integrada em serviço promissor.  Aparecia apenas nos fins de semana, visita em sua própria casa.  Era preciso cuidar de si mesma!
Todavia, não chegou a parte alguma, alienada das realidades mais simples, perdida em caminhos tortuosos.  Embora livre para movimentar-se, jamais se libertou da angústia e da insatisfação, nem da impertinente sensação de que talvez fosse mais feliz 'como humilde "rainha do lar?

No dicionário da Vida, felicidade é sinônimo de doação.  Por mais sofisticadas e brilhantes sejam as idéias não resolveremos o problema de nossa estabilidade Intima, nem nos realizaremos como filhos de Deus, enquanto pensarmos muito em nós mesmos. Quem se fecha em si, sufoca-se em estreitos limites, ainda que se julgue na amplidão.
Os movimentos feministas são respeitáveis quando reivindicam os direitos da mulher como ser humano, com aspirações inerentes à sua condição.  Cometem, entretanto, grave engano quando, pretextando sua libertação, a induzem a aborrecer-se com os encargos domésticos, negligenciando as sagradas tarefas da maternidade, em que a mais nobre, a mais sublime de todas as missões lhe é confiada: preparar os filhos para a Vida, tarefa que lhe confere o supremo encargo de colaboradora de Deus.


Se fomos reunidos aqui e agora aos seres com os quais convivemos, é este, portanto, o melhor tempo de
solucionarmos comportamentos inconvenientes, posturas de vida intransigentes e promover
transformação interior, fatores imprecindíveis para o crescimento de nossa alma.

Hammed