segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Escutando sentimentos

Chamamos de atitude amorosa o tratamento benevolente com nosso íntimo através da criação de um relacionamento pacífico com as imperfeições. Desenvolver habilidades benevolentes para consigo é a base da vida saudável e o ponto de partida para o crescimento em harmonia. Amar a si mesmo é o cerne da proposta educativa do Ser na fieira das reencarnações. O aprendizado do auto-amor tem como requisito essencial a descoberta de nossa “identidade cósmica”, ou seja, a realidade do que somos na Obra Incomensurável do Pai, nossa singularidade. A singularidade é a “Marca de Deus” que define nossa história real no trajeto da evolução. É como o Pai nos “conclama” ser na Sua Criação. Importante frisar que a singularidade é o conjunto de caracteres morais e espirituais peculiares à criatura única que somos. Nela se incluem também as mazelas cujos princípios foram colocados no homem para o bem, conforme acentuam os Sábios e Orientadores da codificação. (O Evangelho Segundo o Espiritismo – capítulo X – item 10) Quando rejeitamos alguns aspectos dessa “identidade exclusiva”, nasce o conflito, que é a tormenta interior da alma convocada a transformar para melhor sua condição individual. O Doutor Carl Gustav Jung definiu esse movimento da vida mental como sendo individuação, isto é, viver em busca da individualidade, do Si Mesmo. Não se trata de viver o individualismo, o personalismo, mas aprender a ser, permitindo a expressão de suas características divinas latentes e de sua sombra sem as máscaras sociais. Individuação vem do latim indivíduos cujo sentido é “indiviso”, “inteiro”. O progresso pessoal de cada um de nós é a arte de saber integrar os “fragmentos” da vida íntima, harmonizando-os para que reflitam as leis naturais de cooperação, trabalho e liberdade. Somente vibrando na freqüência do amor, esse movimento educativo da alma plenifica-se sem a angústia e o martírio – patrocinadores de longas e dolorosas crises nesse caminhar evolutivo.

sábado, 5 de novembro de 2016

Memórias de um suicida

No ano de 1944, a médium Yvonne do Amaral Pereira, orientada pelos Espíritos Bezerra de Menezes e Charles, dirigiu-se à Federação Espírita Brasileira, levando dois livros, de sua lavra mediúnica, para exame, no intuito de posterior publicação. No topo da escadaria principal, encontrou o Sr. Manuel Quintão, na época, um dos diretores e examinadores das obras literárias que chegavam à Federação. Tão logo tentou explicar o seu objetivo, teve cortada a sua palavra por ele que lhe afirmou que ali somente entravam livros mediúnicos de Francisco Cândido Xavier. Ademais, ele estava muito ocupado, tinha duzentos livros para examinar, traduzir e não dispunha de tempo para mais… Recém-chegada ao Rio de Janeiro, a médium ficou chocada. Mesmo a tentativa favorável do Dr. Carlos Imbassahy, a seu favor, naquele momento, resultou inexitosa. O Sr. Quintão se manteve na mesma posição. Yvonne se retirou. Pensou que poderia se tratar de uma grande mistificação e, assim, chegando à sua residência, tomou de uma caixa de fósforos e dos originais dos dois livros e se dirigiu ao quintal, a fim de os queimar, pois nem mesmo tinha um local conveniente para guardá-los. Ao riscar o fósforo, viu, no entanto, o braço e a mão de um homem, transparentes e levemente azulados estendidos, como num gesto de proteção às páginas. Ao seu ouvido, uma voz assustada lhe dizia que esperasse e guardasse as obras. Ela identificou a voz como sendo a de Bezerra de Menezes. Transcorrido algum tempo, em certa manhã, enquanto orava, o Espírito Léon Denis, o grande apóstolo do Espiritismo, se lhe apresentou e lhe disse que um dos livros estava incompleto e ele ali estava para o refazer. E, naquele mesmo momento, começou a grande revisão e complementação da extraordinária obra Memórias de um suicida. Yvonne entendeu, então, que o Sr. Quintão havia sido inspirado pelos amigos espirituais para não receber o livro, quando ela fora à Federação. O Espírito Camilo, que o escrevera, não o completara devidamente, não lhe dera feição doutrinária, o que, agora, Léon Denis vinha fazer. Concluída a revisão, Yvonne retornou à Federação, que frequentava semanalmente. Paternalmente recebida pelo Presidente, Dr. Wantuil de Freitas, tendo-lhe narrado o que sucedera da primeira vez, recebeu dele os parabéns pela sua postura. Dispôs-se a analisar as obras, com espírito de atenção e fraternidade. Contudo, uma outra dificuldade agora se apresentou: era necessário fosse tudo datilografado, para maior comodidade do exame. Como Yvonne não dispunha de uma máquina de escrever, muito menos de dinheiro para adquiri-la, nem a quem recorrer para empréstimo de uma, guardou novamente os manuscritos. Decorreram sete anos até ela ser presenteada com o instrumento por um sobrinho seu, de nome César Augusto. Por isso, somente no ano de 1954, ela voltou à Federação para entregar a sua produção mediúnica. É desse mesmo ano a primeira edição. A obra descreve a condição do Espírito que busca a desencarnação através do suicídio. Focaliza as experiências tormentosas vividas por esse, para que reflitamos nas consequências de tal ato. Em sua primeira parte, relata os padecimentos do Espírito, após a desencarnação voluntária, relacionando as regiões, os seus habitantes e os sofrimentos atrozes a que são arrastados. São os réprobos do Vale dos Suicidas, onde Camilo Cândido Botelho, por seu gesto suicida, foi parar, a partir de 1º de junho de 1890. O nome é, em verdade, o pseudônimo de Camilo Castelo Branco, romancista português fecundo e talentoso, senhor de cultura muito vasta. Narra o trabalho de resgate e socorro dos irmãos infortunados, pelos Servos de Maria, descrevendo o local do recolhimento, o tratamento e as impressões vividas pelos assistidos. Descrições minuciosas desses lugares desfilam pelas mais de quinhentas páginas, detalhes que a médium via e ouvia nitidamente. Descreve ela que era levada, por Camilo e outros amigos espirituais, ao convívio do mundo invisível e tudo lhe era narrado, mostrado, exibido à sua faculdade mediúnica para que, ao despertar, maior facilidade encontrasse para tudo colocar no papel. Yvonne, na Introdução do livro explica a forma como viu, sentiu, viveu as cenas e as transcreveu. No prefácio da segunda edição, o compilador espiritual Léon Denis fala da revisão que se impunha e escreve que se, procurando esclarecer o público, por lhe facilitar o entendimento de fatos espirituais, nem sempre conservei a feitura literária dos originais que tinha sob o olhos; no entanto, não lhes alterei nem os informes preciosos nem as conclusões, que respeitei como labor sagrado de origem alheia. O livro é, com certeza, o mais extraordinário tratado a respeito do suicídio, suas terríveis consequências ao Espírito e, se traduz os sofrimentos escabrosos dos que se entregam a esse ato, acena com a esperança de que os que assim partiram, recebem auxílio espiritual para a recomposição de suas personalidades. Informação preciosa é fornecida de que é Maria de Nazaré, esse ser angélico e sublime que na Terra mereceu a missão honrosa de seguir, com solicitudes maternas a Jesus, o Cristo, quem tem sob sua guarda esses infelizes. Por isso desfilam as descrições do Hospital, a Colônia Correcional, a Torre de Vigia, os Departamentos de Reconhecimento e Matrícula, o Hospitalar, tudo sob a atenção dos Servos de Maria. Narra o trabalho mediúnico realizado em vários Centros Espíritas no Brasil, no auxílio aos suicidas. A esses discípulos de Allan Kardec, Camilo denomina Nossos amigos. Focaliza os trabalhos de instrução necessários para uma nova reencarnação, onde todos buscarão a reabilitação perante as leis da Natureza. Bibliografia: 1.PEREIRA, Yvonne A. Dados biográficos de Yvonne A. Pereira para a Federação Espírita Brasileira. In.:___. À luz do consolador. Rio de Janeiro: FEB, 1997.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Convocados à luta

NOSSO LAR, CAP. 41 - ANDRÉ LUIZ .....Nos primeiros dias de setembro de 1939, "Nosso Lar" sofreu, igualmente, o choque por que passaram diversas colônias espirituais, ligadas à civilização americana. Era a guerra européia, tão destruidora nos círculos da carne, quão perturbadora no plano do espírito. Entidades numerosas comentavam os empreendimentos bélicos em perspectiva, sem disfarçarem o imenso terror de que se possuíam. .....Sabia-se, desde muito, que as Grandes Fraternidades do Oriente suportavam as vibrações antagônicas da nação japonesa, experimentando dificuldades de vulto. Anotavam-se, porém, agora, fatos curiosos de alto padrão educativo. Assim como os nobres círculos espirituais da velha Ásia lutavam em silêncio, preparava-se "Nosso Lar" para o mesmo gênero de serviço. Além de valiosas recomendações, no campo da fraternidade e da simpatia, determinou o Governador tivéssemos cuidado na esfera do pensamento, preservando-nos de qualquer inclinação menos digna, de ordem sentimental. .....Reconheci que os Espíritos superiores, nessas circunstâncias, passam a considerar as nações agressoras não como inimigas, mas como desordeiras e cuja atividade criminosa é imprescindível reprimir. .....- Infelizes dos povos que se embriaguem com o vinho do mal - disse-me Salústio -; ainda que consigam vitórias temporárias, elas servirão somente para lhes agravar a ruína, acentuando-lhes as derrotas fatais. Quando um país toma a iniciativa da guerra, encabeça a desordem da Casa do Pai, e pagará um preço terrível. .....Observei, então, que as zonas superiores da vida se voltam em defesa justa, contra os empreendimentos da ignorância e da sombra, congregados para a anarquia e, conseqüentemente, para a destruição. Esclareceram-me os colegas de trabalho que, nos acontecimentos dessa natureza, os países agressores convertem-se, naturalmente, em núcleos poderosos de centralização das forças do mal. Sem se precatarem dos perigos imensos, esses povos, com exceção dos espíritos nobres e sábios que lhes integram os quadros de serviço, embriagam-se ao contacto dos elementos de perversão, que invocam das camadas sombrias. Coletividades operosas convertem-se em autômatos do crime. Legiões infernais precipitam-se sobre grandes oficinas do progresso comum, transformando-as em campos de perversidade e horror. Mas, enquanto os bandos escuros se apoderam da mente dos agressores, os agrupamentos espirituais da vida nobre movimentam-se em auxílio dos agredidos. .....Se devemos lastimar a criatura em oposição à lei do bem, com mais propriedade devemos lamentar o povo que olvidou a justiça. .....Logo após os primeiros dias que assinalaram as primeiras bombas na terra polonesa, encontrava-me, ao entardecer, nas Câmaras de Retificação, junto de Tobias e Narcisa, quando inesquecível clarim se fez ouvir por mais de um quarto de hora. Profunda emoção nos invadira a todos. .....É a convocação superior aos serviços de socorro a Terra - explicou-me Narcisa, bondosamente. .....- Temos o sinal de que a guerra prosseguirá, com terríveis tormentos para o espírito humano - exclamou Tobias, inquieto -, embora a distância, toda a vida psíquica americana teve na Europa a sua origem. Teremos grande trabalho em preservar o Novo Mundo. .....A clarinada fazia-se ouvir com modulações estranhas e imponentes. Notei que profundo silêncio caiu sobre todo o Ministério da Regeneração. .....Atento à minha atitude de angustiosa expectativa, Tobias informou: .....- Quando soa o clarim de alerta, em nome do Senhor, precisamos fazer calar os ruídos de baixo, para que o apelo se grave em nossos corações. .....Quando o misterioso instrumento desferiu a última nota, fomos ao grande parque, a fim de observar o céu. Profundamente comovido, vi inúmeros pontos luminosos, parecendo pequenos focos resplandecentes e longínquos, a librarem-se no firmamento. -..... Esse clarim - disse Tobias igualmente emocionado - é utilizado por espíritos vigilantes, de elevada expressão hierárquica. .....Regressando ao interior das Câmaras, tive a atenção atraída para enormes rumores provenientes das zonas mais altas da colônia, onde se localizavam as vias públicas. .....Tobias confiou a Narcisa certas atividades de importância junto aos enfermos e convidou-me a sair, para observar o movimento popular. .....Chegados aos pavimentos superiores, de onde nos poderíamos encaminhar à Praça da Governadoria, notamos intenso movimento em todos os setores. .....Identificando-me o espanto natural, o companheiro explicou: .....- Estes grupos enormes dirigem-se ao Ministério da Comunicação, à procura de noticias. O clarim que acaba de soar, só vem até nós em circunstâncias muito graves. Todos sabemos que se trata da guerra, mas é possível que a Comunicação nos forneça algum detalhe essencial. Observe os transeuntes. .....Ao nosso lado, vinham dois senhores e quatro senhoras, em conversação animada. .....- Imagine - dizia uma - o que será de nós no Auxílio. Há muitos meses consecutivos, o movimento de súplicas tem sido extraordinário. Experimentamos justa dificuldade para atender a todos os deveres. .....- E nós, com a Regeneração? - objetava o cavalheiro mais idoso - os serviços prosseguem consideravelmente aumentados. No meu setor, a vigilância contra as vibrações umbralinas reclama esforços incessantes. Estou avaliando o que virá sobre nós... .....Tobias segurou-me o braço, de leve, e exclamou: .....- Adiantemo-nos um pouco. Ouçamos o que dizem outros grupos. .....Aproximando-nos de dois homens, ouvi um deles perguntando: .....- Será crivei que a calamidade nos atinja a todos? .....O interpelado, que parecia portador de grande equilíbrio espiritual, replicou, sereno: .....- De qualquer modo, não vejo motivo para precipitações. A única novidade é o acréscimo de serviço que, no fundo, constituirá uma bênção. Quanto ao mais, tudo é natural, a meu ver. A doença é mestra da saúde, desastre dá ponderação. A China está sob a metralha, há muito tempo, e não mostrou você, ainda, qualquer demonstração de assombro. .....- Mas agora - objetou o companheiro, desapontado - parece que serei compelido a modificar meu programa de trabalho. .....O outro sorriu e ponderou: .....- Helvécio, Helvécio, esqueçamos o "meu programa" para pensar em "nossos programas". .....Atendendo a novo gesto de Tobias, que me reclamava atenção, observei três senhoras que iam na mesma direção à nossa esquerda, verificando que o pitoresco não faltava, igualmente ali, naquele crepúsculo de inquietação. .....- A questão impressiona-me sobremaneira - dizia a mais moça -, porque Everardo não deve regressar do mundo agora. .....- Mas a guerra - disse uma das companheiras -, ao que parece, não alcançará a Península. Portugal está muito longe do teatro dos acontecimentos. .....- Entretanto - indagou a outra componente do trio -, por que semelhante preocupação? Se Everardo viesse, que aconteceria? .....- Receio - esclareceu a mais jovem - que ele me procure na qualidade de esposa. Não o poderia suportar. É muito ignorante e, de modo algum, me submeteria a novas crueldades. .....- Tola que és! - comentou a companheira - olvidaste que Everardo será barrado pelo Umbral, ou coisa pior? .....Tobias, sorrindo, informou: .....- Ela teme a libertação de um marido imprudente e perverso. .....Decorridos longos minutos, em que observávamos a multidão espiritual, atingimos o Ministério da Comunicação, detendo-nos ante os enormes edifícios consagrados ao trabalho informativo. .....Milhares de entidades acotovelavam-se, aflitamente. Todos queriam informações e esclarecimentos. Impossível, porém, um acordo geral. .....Extremamente surpreendido com o vozerio enorme, vi que alguém subira a uma sacada de grande altura, reclamando a atenção popular. Era um velho de aspecto imponente, anunciando que, dentro de dez minutos, far-se-ia ouvir um apelo do Governador. .....- É o Ministro Esperidião informou Tobias, atendendo-me a curiosidade. Serenado o barulho, daí a momentos ouviu-se a voz do próprio Governador, através de numerosos alto-falantes: .....- "Irmãos de "Nosso Lar", não vos entregueis a distúrbios do pensamento ou da palavra. A aflição não constrói, a ansiedade não edifica. Saibamos ser dignos do clarim do Senhor, atendendo-Lhe a Vontade Divina no trabalho silencioso, em nossos postos." .....Aquela voz clara e veemente, de quem falava com autoridade e amor, operou singular efeito na multidão. No curto espaço de uma hora, toda a colônia regressava à serenidade habitual.

Em uma batalha há Espíritos que assistem e sustentam cada partido?

O LIVRO DOS ESPÍRITOS, ALLAN KARDEC, LIVRO II, CAP. IX Per. 541 - Em uma batalha há Espíritos que assistem e sustentam cada partido? - Sim, e que estimulam a sua coragem. Os Antigos, outrora, representavam os deuses tomando partido por tal ou tal povo. Esses deuses não eram outros senão Espíritos representados sob figuras alegóricas. Per. 542 -Em uma guerra, a justiça entá sempre de um lado; como os Espíritos tomam partido pela injustiça? - Sabeis bem que há Espíritos que não procuram senão a discórdia e a destruição. Para eles a guerra é a guerra: a justiça da causa pouco os impressiona. Per. 543 - Certos Espíritos podem influenciar o general na concepção de seus planos de campanha? - Sem nenhuma dúvida, os Espíritos podem influenciar por esse motivo, como por todas as concepções. Per. 544 - Os maus Espíritos poderiam suscitar-lhe maus planos, tendo em vista perdê-lo? - Sim, mas não tem ele seu livre arbítrio? Se seu julgamento não lhe permite distinguir uma idéia justa de uma idéia falsa, suporta as conseqüências, e faria melhor obedecer do que comandar. Per. 545 - O general pode, algumas vezes, ser guiado por uma espécie de segunda vista, uma vista intuitiva, que lhe mostre antecipadamente o resultado de seus planos? - Frequentemente é assim no homem de gênio, é o que se chama inspiração, e faz com que ele aja com uma espécie de certeza. Essa inspiração lhe vem dos Espíritos que o dirigem e sabem aproveitar as faculdades de que é dotado. Per. 546 - No tumulto do combate, o que ocorre com os Espíritos que sucumbem? Ainda se interessam pela luta, depois da morte? - Alguns se interessam, outros se afastam. Nos combates acontece aquilo que ocorre em todos os casos de morte violenta: no primeiro momento o Espírito está surpreso e como perturbado, e não crê estar morto, parecendo-lhe, ainda, tomar parte na ação. Não é senão pouco a pouco que a realidade lhe aparece. Per. 547 - Os Espíritos que se combatiam, estando vivos, uma vez mortos se reconhecem por inimigos e são ainda obstinados uns contra os outros? - O Espíritos, nesses momentos, não está jamais de sangue-frio. No primeiro momento, ele pode ainda querer seu inimigo e mesmo persegui-lo, mas quando as idéias lhe retornam, vê que sua animosidade não tem mais objetivo. Entretanto, pode ainda conservar-lhe as impressões, mais ou menos segundo o seu caráter. - Percebe ainda o ruído das armas? - Sim, perfeitamente. Per. 548 - O Espírito que assiste de sangue-frio a um combate como espectador, testemunha a separação da alma e do corpo, e como esse fenômeno se apresenta a ele? - Há poucas mortes instantâneas. Na maioria das vezes, o Espírito cujo corpo vem a ser mortalmente ferido, não tem consciência sobre o momento. Quando ele começa a se reconhecer, é então que se pode distinguir o Espírito que se move ao lado do cadáver. Isso parece tão natural que a visão do corpo morto não produz nele nenhum efeito desagradável. Toda a vida estando transportada no Espírito, só ele atrai atenção e é com ele que se conversa ou a ele que se dirige. (Mais sobre o tema em O Livro dos Espíritos, cap. VI - V: LEI DE DESTRUIÇÃO)

Qual é a causa que leva o homem à guerra?

O LIVRO DOS ESPÍRITOS, ALLAN KARDEC, LIVRO III, CAP. VI GUERRAS Per. 742 - Qual é a causa que leva o homem à guerra? - Predominância da natureza animal sobre a natureza espiritual e satisfação das paixões. No estado de barbárie, não conhecem senão o direito do mais forte; por isso, a guerra é para eles um estado normal. À medida que o homem progride, ela se torna menos frequente, porque lhe evita as causas e, quando é necessária, sabe aliá-la à humanidade. Per. 743 - A guerra desaparecerá um dia da face da Terra? - Sim, quando os homens compreenderem a justiça e praticarem a lei de Deus; então todos os povos serão irmãos. Per. 744 - Qual foi o objetivo da Providência, tornando a guerra necessária? - A liberdade e o progresso. - Se a guerra deve ter por resultado alcançar a liberdade, como ocorre que ela, freqüentemente, tenha por objetivo e por resultado a subjugação? - Subjugação momentânea para abater os povos, a fim de os fazer chegar mais depressa. Per. 745 - Que pensar daquele que suscita a guerra em seu proveito? - Este é o verdadeiro culpado e precisará de muitas existências para expiar todos os homicídios dos quais foi a causa, porque responderá pelo homem, cada um deles, ao qual causou a morte para satisfazer sua ambição.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Liberta-te dos males

Leitor, se queres libertar-te dos males terrestres, escapar às reencarnações dolorosas, grava em ti essa lei moral e pratica-a. Faze que a grande voz do dever abafe os murmúrios das tuas paixões. Dá o que for indispensável ao homem material, ser efêmero que se esvairá na morte. Cultiva com cuidado o ser espiritual, que viverá para sempre. Desprende-te das coisas perecíveis; honras, riquezas, prazeres mundanos, tudo isso é fumo; o bem, o belo, o verdadeiro somente é que são eternos! Conserva tua alma sem máculas, tua consciência sem remorsos. Todo pensamento, todo ato mau atrai as impurezas mundanas; todo impulso, todo esforço para o bem centuplica as tuas forças e far-te-á comunicar com as potências superiores. Desenvolve em ti a vida espiritual, que te fará entrar em relação com o mundo invisível e com a natureza inteira. Consiste nisso a fonte do verdadeiro poder e, ao mesmo tempo, a dos gozos e das sensações delicadas, que irão aumentando à medida que as sensações da vida exterior se enfraquecerem com a idade e com o desprendimento das coisas terrestres. Nas horas de recolhimento, escuta a harmonia que se eleva das profundezas do teu ser, como eco dos mundos sonhados, entrevistos, e que fala de grandes lutas morais e de nobres ações. Nessas sensações íntimas, nessas inspirações, desconhecidas dos sensuais e dos maus, reconhece o prelúdio da vida livre dos espaços e um prelibar das felicidades reservadas ao Espírito justo, bom e valoroso.___________Léon Denis - O Caminho Reto

sábado, 2 de julho de 2016

A superioridade da inteligência

Ensina "O Evangelho Segundo o Espiritismo", no capítulo citado: "A superioridade da inteligência de um grande número de habitantes indica que ela não é um mundo primitivo, destinado à encarnação de Espíritos ainda saídos das mãos do Criador. As qualidades inatas que eles revelam são a prova de que já viveram, e de que realizaram algum progresso. Mas também os numerosos vícios a que se inclinam são o índice de uma grande imperfeição moral. Eis porque Deus os colocou numa terra ingrata, para aí expiarem as suas faltas, através de um trabalho penoso e das misérias da vida, até que mereçam passar para um mundo mais feliz." Ao mesmo tempo, Espíritos ainda na infância evolutiva, e Espíritos de um grau intermediário, mesclam-se às coletividades em expiação. Representamos uma mistura de exilados e população aborígine. Os antigos habitantes do mundo primitivo convivem com os imigrantes civilizadores. Mas estes mesmos civilizadores ainda são bastante imperfeitos, e realizam sua missão expiando as faltas cometidas em outros mundos. A explicação prossegue: "A Terra nos oferece, portanto, um dos tipos de mundos expiatórios, de que as variações são infinitas mas que têm por caráter comum o de servirem de lugar de exílio para os Espíritos rebeldes à lei de Deus. Nesses mundos, os Espíritos têm de lutar ao mesmo tempo com a perversidade dos homens e contra a inclemência da natureza, duplo e penoso trabalho, que desenvolve simultaneamente as qualidades do coração e as da inteligência. E assim que Deus, na sua bondade, transforma o próprio castigo em proveito do progresso do Espírito."

sexta-feira, 24 de junho de 2016

A prece é útil no desprendimento da alma

O desprendimento da alma, uma vez morto o corpo físico, começa pelas extremidades e vai-se completando na medida em que são desligados os laços fluídicos que a prendem ao veículo carnal. No livro "Obreiros da Vida Eterna", cap. XIII, o instrutor Jerônimo informa que há três regiões orgânicas fundamentais que demandam extremo cuidado nos serviços de liberação da alma: o centro vegetativo, ligado ao ventre, como sede das manifestações fisiológicas; o centro emocional, zona dos sentimentos e desejos, sediado no tórax, e o centro mental, situado no cérebro. Essa foi a ordem em que ele atuou para facilitar o desprendimento de Dimas, descrito no referido livro. A prece auxilia bastante o desprendimento do Espírito. Allan Kardec relata no livro "O Céu e o Inferno" o caso Augusto Michel, ocorrido em 1863, o qual pediu a um médium fosse até o cemitério orar no seu túmulo. O Espírito de Augusto Michel suplicou tanto, que o médium atendeu e no próprio cemitério ouviu o agradecimento de Michel, que se disse aliviado da constrição que antes o fazia preso ao corpo. Ao comentar o caso, Kardec indaga se o costume quase geral de orarmos ao pé dos defuntos não proviria da intuição inconsciente que se tem desse efeito.

A desencarnação não é igual para todas as pessoas

A certeza da vida futura não exclui as apreensões do homem quanto à desencarnação. Há muitos que temem não propriamente a vida futura, mas o momento da morte. Será ele doloroso? Tentando elucidar essas questões, Kardec inquiriu os Espíritos e deles recebeu a informação de que o corpo quase sempre sofre mais durante a vida do que no momento da morte e que os sofrimentos que algumas vezes se experimentam no instante da morte são um gozo para o Espírito. É preciso, no entanto, que consideremos que a desencarnação não é igual para todos e que, ao contrário, há uma variação muito grande, tão grande quanto as diferentes formas de viver adotadas pelos encarnados. Vendo-se a calma de alguns moribundos e as convulsões terríveis de outros, pode-se previ-amente julgar que as sensações experimentadas nem sempre são as mesmas. A separação da alma é feita de forma gradual, pois o Espírito se desprende pouco a pouco dos laços que o prendem, de forma que as condições de encarnado ou desencarnado, no momento do desenlace, se confundem e se tocam, sem que haja uma linha divisória entre as duas. Alguns fatores podem influir para que o desprendimento ocorra com maior ou menor facilidade, fa-tores que estão relacionados com o estado moral do homem quando encarnado. A afinidade entre o corpo e o perispírito é proporcional ao apego do indivíduo à matéria, que atinge o seu ponto máximo no homem cujas preocupações dizem respeito exclusivamente à vida de gozos materiais. Ao contrário disso, nas almas puras – que antecipadamente se identificam com a vida espiritual – o apego é quase nulo.

Princípios orientadores do ensino, por Allan Kardec

① Cultiva o espírito natural da observação das crianças, dirigindo-lhes a atenção para os objetos que as cercam. ② Cultivar a inteligência, observando um comportamento que habilite o aluno a descobrir por si mesmo as regras. ③ Proceder sempre do conhecido para o desconhecido, do simples para o composto. ④ Evitar toda atitude mecânica (mécanisme), levando o aluno a conhecer o fim e a razão de tudo o que faz. ⑤ Conduzi-lo a apalpar com os dedos e com os olhos todas as verdades. Este princípio forma, de algum modo, a base material deste curso de aritmética. ⑥ Só confiar à memória aquilo que já tenha sido aprendido pela inteligência.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Não há morte, não há fim; há passagem de um estado de inferioridade para um estado de superioridade, gradativa, sem hiatos, sem abismos, sem saltos bruscos, porque, na Natureza, seres e coisas obedecem a uma mesma lei de Relatividade, lei justa e eqüitativa promulgada nos Conselhos de Deus! Toda a criação goza dessa graça, todos os seres dela vivem e se alimentam, nela crescem, progridem, tornam-se adultos no entendimento, e, emergindo do instinto, flutuam no oceano luminoso da Inteligência, onde cantam a sua gloriosa epifania. Permita o Supremo Senhor que esta despretensiosa obra leve aos lares em que entrar, a Paz, a Esperança e a Fé; que seja ela, para os que a compulsarem um fardo leve, um jugo suave, onde possam encontrar arrimo, orientação para uma vida nova, um consolo a mitigar dores ocultas uma porta aberta para a Verdade, para o Amor, para a Felicidade! Jesus Cristo nos auxilie para que alcancemos com facilidade a graça prometida!

Parábolas dos Evangelhos

Na acepção geral do termo, parábola é uma narrativa que tem por fim transmitir verdades indispensáveis de serem compreendidas. As Parábolas dos Evangelhos são alegorias que contêm preceitos de moral. O emprego contínuo, que durante o seu ministério Jesus fez das parábolas, tinha por fim esclarecer melhor seus ensinos, mediante comparações do que pretendia dizer com o que ocorre na vida comum e com os interesses terrenos. Sugeria, assim, o Mestre, figuras e quadros das ocorrências cotidianas, para facilitar mais aos seus discípulos, por esse método comparativo, a compreensão das coisas espirituais. Aos que o ouviam ansiosamente, procurando compreender seus discursos, a parábola tornava-se-lhes excelente meio elucidativo dos temas e das dissertações do Grande Pregador. Mas os que não buscavam na parábola a figura que compara, a alegoria que representa a idéia espiritual, e se prendiam à forma, desprezando o fundo, para estes a Doutrina nem sequer aparecia, mas conservava-se oculta, como a noz dentro da casca. Daí a resposta de Jesus aos discípulos que lhe inquiriram a razão de Ele falar por parábolas: “Porque a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não lhes é isso dado. Pois ao que tem, dar-se-lhe-á e terá em abundância; mas ao que não tem; até aquilo que tem ser-lhe-á tirado.” “Por isso lhes falo por parábolas, porque vendo não vêem; e ouvindo não ouvem, nem entendem. E neles se está cumprindo a profecia de Isaías, que diz: Certamente ouvireis, e de nenhum modo entendereis. Porque o coração deste povo se fez pesado, e os seus ouvidos se fizeram tardos, e eles fecharam os olhos; para não suceder que vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos, entendam no coração e se convertam e eu os cure.” Pelo trecho se observa claramente que os fariseus e a maioria dos judeus, em ouvindo a exposição da parábola, só viam a figura alegórica que lhes era mostrada, assim como, quem não quebra a noz, só lhe vê a casca. Ao passo que com seus discípulos não acontecia à mesma coisa; eles viam e ouviam o ensino, o sentido espiritual que permanece para sempre; não se prendiam à figura ou a palavra sonora, que se extingue desvanece. _____________________Cairbar Schutel - do Livro Parábolas e ensinamentos

A luta entre o espírito e a matéria

A luta entre o espírito e a matéria, parece vir de tempos imemoriais. Basta passar um relance de vistas na História para que nos convençamos das transformações sucessivas por que vem passando o nosso mundo, acionado sempre pelas Potestades Superiores, às quais está afeta a direção do nosso planeta. E é justamente quando o jugo se torna mais pesado, quando o caráter se deprime, quando a materialidade invade e domina a família e a sociedade, que os seres invisíveis acentuam a sua ação, para ganharmos, na senda do progresso, o tempo perdido em vãos holocaustos, que só serviram para assinalar nosso atraso espiritual! Foi numa época semelhante à nossa, em que a Humanidade havia descambado para o terreno acidentado do fanatismo, da superstição e do materialismo, que o Céu se fez ouvir pelo seu maior Expoente, pelo seu mais lídimo Representante. Foi nessa época que se encarnou entre nós o grande Espírito que conhecemos por Jesus Cristo. Enviado com determinada missão, Divino Messias, desde o seu nascimento, manifestou poderes superiores, que o exaltaram, — nos momentos de dúvidas e vacilações quanto à sua real grandeza, — aos olhos dos que o cercavam. Todos esses fatos, tidos como miraculosos pela ignorância, popular e pelo autoritarismo clerical, não eram mais do que provas objetivas dos atributos do Espírito, magnificamente sintetizadas no Filho do Homem. As vozes dos augúrios, os cânticos, as revelações, as manifestações em sonhos, as materializações, as maravilhas diversas, os fatos de ordem psíquica e extra-sensorial narrados nos Evangelhos, constituem o caráter positivo da Religião de Jesus Cristo. _____________________________Cairbar Schutel - do Livro Parábolas e ensinamentos

domingo, 29 de maio de 2016

Libertando-se do medo da morte

4. Para libertar-se do temor da morte é mister poder encará-la sob o seu verdadeiro ponto de vista, isto é, ter penetrado pelo pensamento no mundo espiritual, fazendo dele uma idéia tão exata quanto possível, o que denota da parte do Espírito encarnado um tal ou qual desenvolvimento e aptidão para desprender-se da matéria. No Espírito atrasado a vida material prevalece sobre a espiritual. Apegando-se às aparências, o homem não distingue a vida além do corpo, esteja embora na alma a vida real; aniquilado aquele, tudo se lhe afigura perdido, desesperador. Se, ao contrário, concentrarmos o pensamento, não no corpo, mas na alma, fonte da vida, ser real a tudo sobrevivente, lastimaremos menos a perda do corpo, antes fonte de misérias e dores. Para isso, porém, necessita o Espírito de uma força só adquirível na madureza. O temor da morte decorre, portanto, da noção insuficiente da vida futura, embora denote também a necessidade de viver e o receio da destruição total; igualmente o estimula secreto anseio pela sobrevivência da alma, velado ainda pela incerteza. Esse temor decresce, à proporção que a certeza aumenta, e desaparece quando esta é completa. Eis aí o lado providencial da questão. Ao homem não suficientemente esclarecido, cuja razão mal pudesse suportar a perspectiva muito positiva e sedutora de um futuro melhor, prudente seria não o deslumbrar com tal idéia, desde que por ela pudesse negligenciar o presente, necessário ao seu adiantamento material e intelectual.________________Livro O Céu e o Inferno

Medo da morte

1. O homem, seja qual for a escala de sua posição social, desde selvagem tem o sentimento inato do futuro; diz-lhe a intuição que a morte não é a última fase da existência e que aqueles cuja perda lamentamos não estão irremissivelmente perdidos. A crença da imortalidade é intuitiva e muito mais generalizada do que a do nada. Entretanto, a maior parte dos que nela crêem apresentam-se-nos possuídos de grande amor às coisas terrenas e temerosos da morte! Por quê? 2. Este temor é um efeito da sabedoria da Providência e uma conseqüência do instinto de conservação comum a todos os viventes. Ele é necessário enquanto não se está suficientemente esclarecido sobre as condições da vida futura, como contrapeso à tendência que, sem esse freio, nos levaria a deixar prematuramente a vida e a negligenciar o trabalho terreno que deve servir ao nosso próprio adiantamento. Assim é que, nos povos primitivos, o futuro é uma vaga intuição, mais tarde tornada simples esperança e, finalmente, uma certeza apenas atenuada por secreto apego à vida corporal. 3. À proporção que o homem compreende melhor a vida futura, o temor da morte diminui; uma vez esclarecida a sua missão terrena, aguarda-lhe o fim calma, resignada e serenamente. A certeza da vida futura dá-lhe outro curso às idéias, outro fito ao trabalho; antes dela nada que se não prenda ao presente; depois dela tudo pelo futuro sem desprezo do presente, porque sabe que aquele depende da boa ou da má direção deste. A certeza de reencontrar seus amigos depois da morte, de reatar as relações que tivera na Terra, de não perder um só fruto do seu trabalho, de engrandecer-se incessantemente em inteligência, perfeição, dá-lhe paciência para esperar e coragem para suportar as fadigas transitórias da vida terrestre. A solidariedade entre vivos e mortos faz-lhe compreender a que deve existir na Terra, onde a fraternidade e a caridade têm desde então um fim e uma razão de ser, no presente como no futuro.____________________Livro O Céu E o Inferno

sábado, 28 de maio de 2016

No Reino em Construção

Entretanto, nem todos os Espíritos que encarnam na Terra vão para ai em expia- ção- Escutaste o pessimismo que se esmera em procurar as deficiências da Humanidade, como quem se demora deliberadamente nas arestas agressivas do mármore de obra-prima Inacabada e costumas dizer que a Terra está perdida. Observa, porém, as multidões que se esforçam silenciosamente pela santificação do porvir. Compulsaste as folhas da imprensa, lendo a história do autor de homicídio lamentá- vel e sob a extrema revolta, trouxeste ao labirinto das opiniões contraditórias a tua própria versão do acontecimento, asseverando que estamos todos no teatro do crime. Recorda, contudo, os milhões de pais e mães, tocados de abnegação e heroísmo, que abraçam todos os sacrifícios no lar para que a delinqüência desapareça. Conheceis jovens que se transviaram. na leviandade, desvairando-se em golpes de selvageria e loucura e, examinando acremente determinados sucessos que devem estar catalogados na patologia da mente, admites que a juventude moderna se encontra em adiantado processo de desagregação do caráter. Relaciona, todavia, os milhões de rapazes e meninas, debruçados sobre livros e máquinas, através do labor e do estudo, em muitas circunstâncias imolando o pró- prio corpo à fadiga precoce, para integrarem dignamente a legião do progresso. Sabes que há companheiros habituados aos prazeres noturnos e, ao vê-los comprando o próprio desgaste a prego de ouro, acreditas que toda a comunidade humana jaz entregue à demência e ao desperdício. Reflete, entretanto, nos milhões de cérebros e braços que atravessam a noite, no recinto das fábricas e junto dos linotipos, em hospitais e escritórios, nas atividades da limpeza e da vigilância, de modo a que a produção e a cultura, a saúde e a tranqüilidade do povo sejam asseguradas. Marcaste o homem afortunado que enrijeceu mãos e bolsos, na sovinice, e esposas a convicção de que todas as pessoas abastadas são modelos completos; de avareza e crueldade. Considera, no entanto, os milhões de tarefeiros do serviço e da beneficência, que diariamente colocam o dinheiro em circulação, a fim de que os homens conheçam a honra de trabalhar e a alegria de viver. Não condenes a Terra pelo desequilíbrio de a1guns. Medita, em todos os que se encontram suando e sofrendo, lutando e amando, no levantamento do futuro melhor, e reconhecerás que o Divino Construtor do Reino de Deus no mundo está esperando também por ti._____________________________________________Livro da Esperança de Euripedes Barsanulfo

Perante o Mundo

“A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas São os Mundos que circulam no espaço infinito e oferecem aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos.” Clamas que não encontraste a felicidade no mundo, quando o mundo, - bendita universidade do espírito,dilapidada, por inúmeras gerações,te inclui entre aqueles de quem espera cooperação para construir a própria felicidade. Quando atingiste o diminuto porto do berço, com a fadiga da ave que tomba inerme, depois de haver planado longo tempo, sobre mares enormes, conquanto chorasses, argamassavas com teus vagidos, a alegria. e a esperança dos pais que te acolhiam, entusiasmados e jubilosos, para seres em casa o esteio da segurança. Alcançaste o verde refúgio da meninice embora mostrasses a inconsciência afável da. infância, foste para os mestres que te afagaram na escola a promessa viva de luz e realização que lhes emblemava o porvir.Chegaste ao róseo distrito da juventude e apesar da inexperiência em que se te esfloravam todos os sonhos, os dirigentes de serviço, na pro fissão que abraçaste, contavam contigo para dignificar o trabalho e clarear os caminhos. Constituíste o lar próprio e, não obstante tateasses os domínios da responsabilidade, em meio de flores e aspirações, espíritos, afeiçoados e amigos te aguardavam generoso concurso para se corporificarem, na condição de teus filhos, através da reencarna- ção. Penetraste os círculos da fé renovadora que te honra os anseios de perfeição espiritual e se bem que externasses imediata necessidade de esclarecimento e socorro, companheiros de ideal saudaram-te a presença, na certeza de teu apoio ao levantamento das iniciativas mais nobres. Casa que habitas, campo que lavras, plano que arquitetas e obras que edificas solicitam-te paz e trabalho. Amigos que te ouvem rogam-te bom amimo. Doentes que te buscam suspiram por melhoras. Criaturas que te rodeiam pedem-te amparo e compreensão para que lhes acrescentes a coragem. Cousas que te cercam requisitam-te proteção e entendimento para que se lhes aprimore o dom de servir. Tudo é ansiosa expectativa, ao redor de teus passos. Não maldigais a Terra que te abençoa. Afirmas que esperas, em vão, pelo auxílio do mundo... Entretanto é o mundo que espera confiantemente por ti._______________________________________Livro da Esperança - Eurípedes Barsanulfo