...Luz do Espírito...na vida...em caridade...pelo amor!
"A eternidade é pouca para estar com você."

"Que essas palavras nos traga a paz interior.
Que esse amor não nos aflija e que sejamos conscientes que só pelo amor crescemos
e que essa nossa ligação, seja motivo de nosso crescimento e amadurecimento espiritual.
Que o que for bom em um, seja assimilado pelo outro e o que for ruim, seja reconhecido pelo outro para que juntos,
possamos nos acertar...que sua luz me ilumine se eu me encontrar na sombra e vice-versa.
Que ao lembrar-se do outro, traga paz e serenidade.
Que você possa estar em mim e eu em você, em luz, em amor à caminho do Altíssimo."

E que assim seja!
Eis-me aqui, Pai!
"A tua luz acendeu meu coração e eu pude ver em meio à escuridão
tua presença, tua fidelidade, graça e amor me levantaram outra vez
me deram forças, e prosseguirei.
Irei contigo onde quer que fores, meu Senhor o teu chamado cumprirei na alegria ou na dor.
E toda vez que eu chorar ou quiser desanimar, o teu Espírito me consolará.
Se é na fraqueza do meu ser que manifestas teu poder, eis-me aqui, dependo de ti, preciso de ti."
"Anjo de Deus que habita o Reino dos Céus abra as suas asas.
Volite sobre os meus passos desde a primeira estação da minha vida.
Abra as portas para que eu possa seguir um caminho e ir de encontro ao meu destino.
Favoreça minha determinação diante da insegurança.
Sinalize sobre a soberba do ‘ser’ e a ostentação do ‘ter’,para que eu não me enlace no brilho dos fios de suas teias.
Auxilie na organização dos meus pensamentos de tal forma que eles não se desalinhem e percam a direção.
Sustente meu coração aquecido para que meus sentimentos não se enregelem.
Capacite minhas mãos para o ‘fazer’.
Mantenha meus olhos abertos e minha escuta atenta,não exclusivamente em meu próprio benefício.
Enxugue minhas lágrimas, se verdadeiras.Conserve meu sorriso para que as linhas do rosto se tornem mais suaves.
Envolva o fruto de seus cuidados em penas brancas e macias e me aguarde no tempo de chegada."
"...Mas esse olhar que me olha!
...Que tenha o dom de me ver, não em cores branco e preto, mas além, muito além de todas as cores.
Que seja um olhar que me alcance além da realidade das paixões vis;
que atravesse o meu sólido, o meu líquido, rasgue meu cativeiro(matéria física) e pouse em minha alma
seduzindo o alto grau de delicadeza do meu espírito.
Que esse olhar transcenda as emoções humanas e que desfrute de minha real força vital
e navegue no ritmo do meu coração, nele se instale e torne-se a referência de minhas meditações .
Que esse olhar não capte apenas os limites e as dimensões dos meus sentidos animais,
mas que nos reconheça como um curso ascendente onde tu seja o brilho e eu a centelha,
pois que minha essência habita o coração dos Anjos, e eles: Os Anjos...
pelo teu olhar, meditam”

"... Mostre a força atuante em seu ser, usando a sabedoria de alma que tem em seu dna espiritual, não a imposiçao material.
Treine consigo e verá quanta força até então adormecida está agora prestes a eclodir de você, em seu próprio benefício.
Se quer mudar o ambiente a sua volta, tem que começar por você (lições do Budismo).
O problema não esta nas pessoas, a energia que é vista nos outros é gerada por você,
mude e tudo mais a sua volta vai se alterando conforme a força que impõe, claro, sempre usando a luz, discernimento,
mas também não queira mudanças de um dia para outro, é gradualmente que verá os resultados,
só não pode falhar consigo, persistência, disciplina e respeito, isso automaticamente será passado para todos em sua volta
e com o tempo as coisas tomarão outro rumo, entrarão nos eixos, sem agressão ou desavenças."

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A Doutrina Espírita, fundada na argamassa do "O Livro dos Espíritos" e suas obras complementares ,
corporifica e desdobra os ensinamentos do Cristo em toda a sua inteireza e profundidade .
Conduz-nos, a doutrina, qual guia fiel,' através do tempo e do espaço cósmico,
situando-nos como filhos do Arquiteto Divino no seio da Morada Universal.

Não somos, ensina-nos a doutrina, os que estagiam nas criptas do primitivismo;
os que se degradam nos labirintos dos vícios e da paixões; os que perambulam pelos vales da sombra e da dor;
os que vagueiam pelos corredores da angústia e da desesperança, seres separados ou diferentes,
a não ser quanto ao grau evolutivo daqueles que, vestidos com a túnica da virtude, semeiam exemplos de trabalho e amor santificado.

Somos, todos, filhos e herdeiros do Pai Maior,
tendo a nos aureolar a fronte, a tiara divina, que é idêntica em lados, mas que,
em cada um de nós será mais luminosa quanto mais espiritualizados conseguimos Ser.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Reencarnação por Léon Denis

"Cada encarnação encontra, na alma que recomeça vida nova, uma cultura particular, aptidões e aquisições mentais que explicam sua facilidade para o trabalho e seu poder de assimilação; por isso dizia Platão: “Aprender é recordar-se!” 
Nossa ternura espontânea por certos seres deste mundo explica-se facilmente. Já os havíamos conhecido, em outros tempos, já os encontráramos. Quantos esposos, quantos amantes não têm sido unidos por inúmeras existências, percorridas dois a dois! Seu amor é indestrutível, porque o amor é a força das forças, o vínculo supremo que nada pode destruir.
As condições da reencarnação não permitem que nossas situações recíprocas se invertam; quase sempre se conservam os graus respectivos de parentesco. Algumas vezes, em caso de impossibilidade, um filho poderá vir a ser o irmão mais novo do seu pai de outros tempos, a mãe poderá renascer irmã mais velha do filho. Em casos excepcionais, e somente a pedido dos interessados, podem inverter-se as situações. Os sentimentos de delicadeza, de dignidade, de mútuo respeito que sentimos na Terra não podem ser desconhecidos no mundo espiritual. Para supô-lo, é preciso ignorar a natureza das leis que regem a evolução das almas!
O Espírito adiantado, cuja liberdade aumenta na razão direta da sua elevação, escolhe o meio onde quer renascer, ao passo que o Espírito inferior é impelido por uma força misteriosa a que obedece instintivamente; mas todos são protegidos, aconselhados, amparados na passagem da vida do espaço para a existência terrestre, mais penosa, mais temível que a morte.
A união da alma com o corpo efetua-se por meio do invólucro fluídico, o perispírito, de que muitas vezes temos falado. Sutil por sua natureza, vai ele servir de laço entre o Espírito e a matéria. A alma está presa ao gérmen por esse “mediador plástico”, que vai retrair-se, condensar-se cada vez mais, através das fases progressivas da gestação, e formar o corpo físico. Desde a concepção até o nascimento, a fusão opera-se lentamente, fibra por fibra, molécula por molécula. Pelo afluxo crescente dos elementos materiais e da força vital fornecidos pelos genitores, os movimentos vibratórios do perispírito da criança vão diminuir e restringirem-se, ao mesmo tempo em que as faculdades da alma, a memória, a consciência esvaem-se e aniquilam-se. É a essa redução das vibrações fluídicas do perispírito, à sua oclusão na carne que se deve atribuir a perda da memória das vidas passadas. Um véu cada vez mais espesso envolve a alma e apaga-lhe as radiações interiores. Todas as impressões da sua vida celeste e do seu longo passado volvem às profundezas do inconsciente e a emersão só se realiza nas horas de exteriorização ou por ocasião da morte, quando o Espírito, recuperando a plenitude dos seus movimentos vibratórios, evoca o mundo adormecido das suas recordações.
O papel do duplo fluídico é considerável; explica, desde o nascimento até a morte, todos os fenômenos vitais. Possuindo em si os vestígios indeléveis de todos os estados do ser, desde a sua origem, comunica-lhe a impressão, as linhas essenciais ao gérmen material. Eis aí a chave dos fenômenos embriogênicos.
O perispírito, durante o período de gestação, impregna-se de fluido vital e materializa-se o bastante para tornar-se o regulador da energia e o suporte dos elementos fornecidos pelos genitores; constitui, assim, uma espécie de esboço, de rede fluídica permanente, através da qual passará a corrente de matéria que destrói e reconstitui sem cessar, durante a vida, o organismo terrestre; será a armação invisível que sustenta interiormente a
estátua humana. Graças a ele, a individualidade e a memória conservar-se-ão no plano físico, apesar das vicissitudes da parte mutável e móvel do ser, e assegurarão, do mesmo modo, a lembrança dos fatos da existência presente, recordações cujo encadeamento, do berço à cova, fornece-nos a certeza íntima da nossa identidade.
A incorporação da alma não é, pois, subitânea, como o afirmam certas doutrinas; é gradual e só se completa e se torna definitiva à saída da vida uterina. Nesse momento, a matéria encerra completamente o Espírito, que deverá vivificá-la pela ação das faculdades adquiridas. Longo será o período de desenvolvimento durante o qual a alma se ocupará em pôr à sua feição o novo invólucro, em acomodá-lo às suas necessidades, em fazer dele um instrumento capaz de manifestar-lhe as potências íntimas; mas, nessa obra, será coadjuvada por um Espírito preposto à sua guarda, que cuida dela, a inspira e guia em todo o percurso da sua peregrinação terrestre. Todas as noites, durante o sono, muitas vezes até de dia, o Espírito, no período infantil, desprende-se da forma carnal, volve ao espaço, a haurir forças e alentos para, em seguida, tornar a descer ao invólucro e prosseguir o penoso curso da existência.
Antes de novamente entrar em contacto com a matéria e começar nova carreira, o Espírito tem, dissemos, de escolher o meio onde vai renascer para a vida terrestre; mas essa escolha é limitada, circunscrita, determinada por causas múltiplas. Os antecedentes do ser, suas dívidas morais, suas afeições, seus méritos e deméritos, o papel que está apto para desempenhar, todos esses elementos intervêm na orientação da vida em preparo; daí a preferência por uma raça, tal nação, tal família. As almas terrestres que havemos amado atraem-nos; os laços do passado reatam-se em filiações, alianças, amizades novas. Os próprios lugares exercem sobre nós a sua misteriosa sedução e é raro que o destino não nos reconduza muitas vezes às regiões onde já vivemos, amamos, sofremos. Os ódios são forças também que nos aproximam dos nossos inimigos de outrora para apagarmos, com melhores relações, inimizades antigas. Assim, tornamos a encontrar em nosso caminho a maior parte daqueles que constituíram nossa alegria ou fizeram nossos tormentos. Sucede o mesmo com a adoção de uma classe social, com as condições de ambiente e educação, com os privilégios da fortuna ou da saúde, com as misérias da pobreza. Todas essas causas tão variadas, tão complexas, vão combinar-se para assegurar ao novo encarnado as satisfações, as vantagens ou as provações que convêm ao seu grau de evolução, aos seus méritos ou às suas faltas e às dívidas contraídas por ele.
Dito isso, compreender-se-á quão difícil é a escolha. Por isso, na maioria das vezes ela nos é inspirada pelas Inteligências diretoras, ou, então, em proveito nosso, hão de elas próprias fazê-lo, se não possuirmos o discernimento necessário para adotar com toda a sabedoria e previdência os meios mais eficazes para ativarem a nossa evolução e expurgarem o nosso passado.
Todavia, o interessado tem sempre a liberdade de aceitar ou procrastinar a hora das reparações inelutáveis. No momento de se ligar a um gérmen humano, quando a alma possui ainda toda a sua lucidez, o seu Guia desenrola diante dela o panorama da existência que a espera; mostra-lhe os obstáculos e os males de que será eriçada, faz-lhe compreender a utilidade desses obstáculos e desses males para desenvolver-lhe as virtudes ou libertá-la dos seus vícios. Se a prova lhe parecer demasiado rude, se não se sentir suficientemente armado para afrontá-la, é lícito ao Espírito diferir-lhe a data e procurar uma vida transitória que lhe aumente as forças morais e a vontade.
Na hora das resoluções supremas, antes de tornar a descer à carne, o Espírito percebe, atinge o sentido geral da vida que vai começar, ela lhe aparece nas suas linhas principais, nos seus fatos culminantes, modificáveis sempre, entretanto, por sua ação pessoal e pelo uso do seu livre-arbítrio; porque a alma é senhora dos seus atos; mas, desde que ela se decidiu, desde que o laço se dá e a incorporação se debuxa, tudo se apaga, esvai-se tudo. A existência vai desenrolar-se com todas as suas conseqüências previstas, aceitas, desejadas, sem que nenhuma intuição do futuro subsista na consciência normal do ser encarnado. O
Temíveis são certas atrações para as almas que procuram as condições de um renascimento, por exemplo, as famílias de alcoólicos, de devassos, de dementes. Como conciliar a noção de justiça com a encarnação dos seres em tais meios? Não há aí, em jogo, razões psíquicas profundas e latentes e não são as causa físicas apenas uma aparência? Vimos que a lei de afinidade aproxima os seres similares. Um passado de culpas arrasta a alma atrasada para grupos que apresentam analogias com o seu próprio estado fluídico e mental, estado que ela criou com os seus pensamentos e ações.

Não há, nesses problemas, nenhum lugar para a arbitrariedade ou para o acaso. É o mau uso prolongado de seu livre-arbítrio, a procura constante de resultados egoístas ou maléficos que atrai a alma para genitores semelhantes a si. Eles fornecer-lhe-ão materiais em harmonia com o seu organismo fluídico, impregnados das mesmas tendências grosseiras, próprios para a manifestação dos mesmos apetites, dos mesmos desejos. Abrir- se-á nova existência, novo degrau de queda para o vício e para a criminalidade. E a descida para o abismo.
Senhora do seu destino, a alma tem de sujeitar-se ao estado de coisas que preparou, que escolheu. Todavia, depois de haver feito de sua consciência um antro tenebroso, um covil do mal, terá de transformá-lo em templo de luz. As faltas acumuladas farão nascer sofrimentos mais vivos; suceder-se-ão mais penosas, mais dolorosas as encarnações; o círculo de ferro apertar-se-á até que a alma, triturada pela engrenagem das causas e dos efeitos que houver criado, compreenderá a necessidade de reagir contra suas tendências, de vencer suas ruins paixões e de mudar de caminho. Desde esse momento, por pouco que o arrependimento a sensibilize, sentirá nascer em si forças, impulsões novas que a levarão para meios mais adequados à sua obra de reparação, de renovação, e passo a passo irá fazendo progressos. Raios e eflúvios penetrarão na alma arrependida e enternecida, aspirações desconhecidas, necessidades de ação útil e de dedicação hão de despertar nela. A lei de atração, que a impelia pa ra as últimas camadas sociais, reverterá em seu benefício e tornar-se-á o instrumento da sua regeneração.
Entretanto, não será sem custo que ela se levantará; a ascensão não prosseguirá sem dificuldades. As faltas e os erros cometidos repercutem como causas de obstrução nas vias futuras e o esforço terá de ser tanto mais enérgico e prolongado quanto mais pesadas forem as responsabilidades, quanto mais extenso tiver sido o período de resistência e obstinação no mal. Na escabrosa e íngreme subida, o passado dominará por muito
tempo o presente e o seu peso fará vergar mais de uma vez os ombros do caminhante; mas, do Alto, mãos piedosas estender-se- ão para ele e ajudá-lo-ão a transpor as passagens mais escarpadas. “Há mais alegria no Céu por um pecador que se arrepende do que por cem justos que perseveram.” O nosso futuro está em nossas mãos e as nossas facilidades para o bem aumentam na razão direta dos nossos esforços para o praticarmos".


Livro: O Problema do Ser, do Destino e da Dor 


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Acústica da alma

Na acústica da alma existem mensagens sobre o Plano do Criador para nosso destino. Aprender a ouvi-las e exercitar, diariamente, a plena atenção aos ditames libertadores dos sentimentos. Interferências internas e externas subtraem-nos, constantemente, a apreensão desses “recados do coração”.
Escutar os sentimentos não significa adotá-los prontamente. Mas aceitá-los em nossa intimidade e criar uma relação amigável com todos eles. Aceitá-los sem reprimir ou se envergonhar. Essa atitude é o primeiro passo para um diálogo educativo com nosso mundo íntimo. Somente assim teremos uma conexão com nossa real identidade psicológica, possibilitando a rica aventura do autodescobrimento no rumo da singularidade – a identidade cósmica do Espírito.
Escutar os sentimentos é cuidar de si, amar a si mesmo. É uma mudança de atitude consigo. O ato de existir ocorre nos sentimentos. Quem pensa corretamente sobrevive; quem sente nobremente existe. O pensamento é a janela para a realidade; o sentimento é o ponto de encontro com a Verdade. É pela nossa forma de sentir a vida que nos tornamos singulares, únicos e celebramos a individualidade. Quando entramos em sintonia com nossa exclusividade e manifestamos o que somos, a felicidade acontece em nossas vidas.
O sentimento é a maior conquista evolutiva do Espírito. Aprendendo a escutá-lo, estaremos entendendo melhor a nossa alma. Não existe um só sentimento que não tenha importância no processo do crescimento pessoal. Quando digo a mim mesmo “não posso sentir isto”, simplesmente estou desprezando a oportunidade de auto-investigação, de saber qual é ou quais são as mensagens profundas da vida mental.
O exercício do auto-amor está em aprender a ouvir a “voz do coração”, pois nele residem os ditames para nossa paz e harmonia.
Os sentimentos são guias infalíveis da alma na sua busca de ascensão e liberdade. O auto-amor consiste na arte de aprender a escutá-los, estudar a linguagem do coração.
Pela linguagem dos sentimentos, entendemos o “apoio” do universo a nosso favor. Mas como seguir nossos sentimentos com tantas ilusões? Eis a ingente tarefa de nossos grêmios de amor espírita-cristão: educar para ouvir os nossos sentimentos. Radiografar nosso coração. Desenvolver estudos sistematizados de si mesmo.
Temos nos esforçados tanto quanto possível para aplicar as orientações da doutrina com nosso próximo. Mas... E nós? Como cuidar de nós próprios? A proposta libertadora de Jesus estabelece: “amai ao próximo”, e acrescenta:”como a ti mesmo”. 

Escutando Sentimentos
WANDERLEY S. DE OLIVEIRA
Pelo Espírito ERMANCE DUFAUX


Trajes dos espíritos


Durante as numerosas ocasiões em que, como vidente, temos observado entidades desencarnadas, quer em nosso estado normal, quer quando nos há sido possível penetrar o mundo invisível, levada em corpo espiritual (perispírito) pelos Guias e Instrutores que nos deferem essa honra, grande número de Espíritos temos visto, e até com eles convivido, se deste modo nos podemos expressar, de variada gradação moral e intelectual, e apenas uma vez nos recordamos de ter percebido um inteiramente desnudo. Contrariamente, o que temos presenciado nos confere o direito de categoricamente afirmar que - sim! - os Espíritos se trajam e modificam a aparência das vestes que usam conforme lhes apraz, exclusão feita de alguns muito inferiores e criminosos, geralmente obsessores da mais ínfima espécie, cuja mente não possui vibrações à altura de efetuar a admirável

"operação plástica" requerida. Por isso mesmo, a aparência destes últimos costuma ser chocante para o vidente, pela fealdade, ou simplesmente pela miséria, pois se apresentam cobertos de andrajos e farrapos, como que empapados de lama, ou embuçados em longos sudários negros, com mantos ou capas que lhes envolvem os ombros e a cabeça e, não raro, mascarados por um saco negro enfiado na cabeça, com duas aberturas à altura dos olhos, tais os antigos verdugos da Inquisição, uniformizados para operações nas salas de suplícios, de que nos dão conhecimento as gravuras antigas. Longos chapéus costumam trazer também, assim como botas de canos altos, conquanto muito difícil seja ao médium ver os pés. Tais Espíritos procuram, frequentemente, esconder o rosto e insultam rudemente o médium, se este os surpreende com a visão. Certamente que o instrumento mediúnico, diante de uma aparição dessa categoria, precisará estar de posse de toda a tranquilidade fornecida pela fé e pela confiança adquiridas através do exercício mediúnico, a fim de se não deixar envolver pelas faixas daninhas expelidas pela entidade, cuja presença, se se tornar constante, poderá produzir, a um médium pouco experimentado, desequilíbrios graves e até mesmo a obsessão. A prece será sempre a melhor defesa contra essa espécie de habitantes do mundo invisível. Se a prece for feita com a necessária confiança, levando o médium a se harmonizar com as vibrações superiores do Além, geralmente tais entidades se afastam com rapidez, apavoradas e contrafeitas.

Tais aparições, no entanto, não são frequentes, parecendo-nos mesmo que as que temos surpreendido sômente nos foram permitidas sob a direção dos nossos Instrutores Espirituais, para a necessária observação e estudo. Raramente aceitam elas uma conversação doutrinária. Cremos que sômente a reencarnação, num trabalho de educação pela dor dos aprendizados pungentes, terá eficiência no seu soerguimento moral.

Ainda que tal revelação - a do vestuário dos Espíritos - desagrade a alguns estudiosos, que não admitem tal possibilidade, e que têm os Espíritos como seres diferentes dos homens, abstratos, vagos, não poderemos afirmar senão que, pelo menos os que se conservam chegados à Terra, pelas lembranças de terem sido homens muitas vezes, são eles tão simples e naturais que nos dão a impressão de homens apenas algo mais frágeis na sua estrutura, mais belos alguns, porque lucilantes e delicadíssimos na sua feição perispiritual, mas hediondos e repulsivos outros, porque de aparência inferior ao comum dos mortais terrenos, mais desagradáveis à vista.

Devassando o Invisível
de Yvonne A. Pereira
 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Reencarnação

19. Por que o Espírito que está no espaço encarna em um corpo?

r. Porque é a lei de sua natureza, a condição necessária de seus progressos e de seu destino. A vida material, com suas dificuldades, precisa do esforço e o esforço desenvolve nossos poderes latentes e nossas faculdades em germe.

20. O Espírito só encarna uma vez?

r. Não. Ele reencarna tantas vezes quantas sejam necessárias para atingir a plenitude de seu ser e de sua felicidade.

21. Mas, para atingir esse fim, a pluralidade das existências é então necessária?

r. Sim, porque a vida do Espírito é uma educação progressiva, que pressupõe uma longa série de trabalhos a realizar e de etapas a percorrer.

22. Uma só existência humana, quando é muito boa e muito longa, não poderia bastar ao destino de um Espírito?

r. Não. O Espírito só pode progredir, reparar, renovando várias vezes suas existências em condições diferentes, em épocas variadas, em meios diversos. Cada uma de suas reencarnações lhe permite apurar sua sensibilidade, aperfeiçoar suas faculdades intelectuais e morais.

23. Dissestes que o Espírito reencarna para reparar; então, ele praticou o mal em suas vidas precedentes?

r. Sim. O Espírito praticou o mal, já que não fez todo o bem que devia ter feito. Existe aí uma lacuna que é necessário preencher.

24. Que é o mal?

r. É a ausência do bem, como o falso é a negação do verdadeiro e a noite a ausência da luz. O mal não tem existência positiva; ele é negativo por natureza. A prática do bem engrandece o nosso Ser; a sua omissão o diminui.

25. Como as reencarnações nos permitem reparar as existências falhas?

r. Da mesma forma como o operário recomeça a tarefa que fez mal, assim o Espírito refaz a vida em que falhou.

26. Temos provas da reencarnação dos Espíritos?

r. Sim, primeiramente as que os próprios Espíritos nos trazem em suas revelações; em seguida, as aptidões inatas de cada indivíduo, que determinam sua vocação e lhe traçam neste mundo as grandes linhas de sua vida. Daí, as diferenças materiais, intelectuais e morais que distinguem entre si os homens na Terra e explicam as desigualdades sociais.

27. A doutrina da reencarnação é uma descoberta recente do espírito humano?

r. De forma alguma: a humanidade sempre acreditou nela; toda a Antigüidade a professou; os grandes iniciados a ensinaram ao mundo e Jesus mesmo a ela se referiu em seu Evangelho.

28. Já que vivemos várias vezes, como se explica que não guardamos nenhuma lembrança de nossas vidas passadas?

r. Deus não o permite, porque nossa liberdade ficaria diminuída pela influência da lembrança do nosso passado. “O que põe a mão na charrua, se quer fazer bem seu trabalho, não deve olhar para trás.”

29. Por qual fenômeno o esquecimento de nossas vidas anteriores se produz assim entre nós?

r. No momento em que o Espírito reencarna, isto é, toma um corpo, à medida que nele penetra, suas faculdades adormecem, uma após outra; a memória se apaga e a consciência adormece. No momento da morte se produz o fenômeno contrário: à medida que o Espírito desencarna, as faculdades se desprendem, uma após outra, a memória se liberta, a consciência desperta. Todas as vidas anteriores vêm, pouco a pouco, ligar-se à vida que o Espírito acaba de deixar.

30. Não existe algum meio de provocar momentaneamente a lembrança das vidas passadas?

r. Sim. Pela hipnose ou sono artificial em diversos graus. Sábios contemporâneos fizeram e ainda fazem em nossos dias experiências concludentes, que comprovam a realidade das existências anteriores.

31. Como se fazem essas experiências?

r. Quando um experimentador consciencioso e competente encontra um indivíduo apto a suportar sua influência magnética, ele o adormece. Graças a esse sono, a vida presente é momentaneamente suspensa: então, a lembrança das vidas anteriores, adormecida nas profundezas da consciência, desperta e o indivíduo hipnotizado revê e narra todo o seu passado. Foram escritos livros inteiros sobre essas revelações preciosas, que nos fazem conhecer as leis do destino.

32. É necessário que a vida atual seja suspensa, adormecida, para que as vidas anteriores se revelem?

r. Sim, como é necessário que o sol se deite para que as estrelas, ocultas nas profundezas da noite, apareçam a nossos olhos.



Léon Denis
Síntese Doutrinária
Prática do Espiritismo
Traduzido do Francês
Synthèse doctrinale et pratique du Spiritualisme
1921

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Redenção

Depois dessa edificação extraordinária, os grandes iniciados do Egito voltam ao plano espiritual, no curso incessante dos séculos. Com o seu regresso aos mundos ditosos da Capela, vão desaparecendo os conhecimentos sagrados dos templos tebanos, que, por sua vez, os receberam dos grandes sacerdotes de Mênfis. Aos mistérios de Ísis e de Osíris, sucedem-se os de Elêusis, naturalmente transformados nas iniciações da Grécia antiga. Em algumas centenas de anos, reuniram-se de novo, nos planos
espirituais, os antigos degredados, com a sagrada bênção do Cristo, seu patrono e salvador. A maioria regressa, então, ao sistema da Capela, onde os corações se reconfortam nos sagrados reencontros das suas afeições mais santas e mais puras, mas grande número desses Espíritos, estudiosos e abnegados, conservaram-se nas hostes de Jesus, obedecendo a sagrados imperativos do sentimento e, ao seu influxo
divino, muitas vezes têm reencarnado na Terra, para desempenho de generosas e abençoadas missões.

Do livro A caminho da Luz
de Francisco Xavier por Emmanuel

sábado, 4 de fevereiro de 2012

As Pirâmides




A assistência carinhosa do Cristo não desamparou a marcha desse povo cheio de nobreza moral. Enviou-lhe auxiliares e mensageiros, inspirando-o nas suas realizações, que atravessaram todos os tempos provocando a admiração e o respeito da posteridade de todos os séculos. Aquelas almas exiladas, que as mais interessantes características espirituais singularizam, conheceram, em tempo, que o seu degredo na Terra atingia o fim. Impulsionados pelas forças do Alto, os círculos iniciáticos sugerem a construção das grandes pirâmides, que ficariam como a sua mensagem eterna para as futuras civilizações do orbe. Esses grandiosos monumentos teriam duas finalidades simultâneas: representariam os mais sagrados templos de estudo e iniciação, ao mesmo tempo que constituiriam, para os pósteros, um livro do passado, com as mais singulares profecias em face das obscuridades do porvir. Levantaram-se, dessarte, as grandes construções que assombram a engenharia de todos os tempos. Todavia, não é o colosso de seus milhões de toneladas de pedra nem o esforço hercúleo do trabalho de sua justaposição o que mais empolga e impressiona a quantos contemplam esses monumentos. As pirâmides revelam os mais extraordinários conhecimentos daquele conjunto de Espíritos estudiosos das verdades da vida. A par desses conhecimentos, encontram-se ali os roteiros futuros da Humanidade terrestre. Cada medida tem a sua expressão simbólica, relativamente ao sistema cosmogônico do planeta e à sua posição no sistema solar. Ali está o meridiano ideal, que atravessa mais continentes e menos oceanos, e através do qual se pode calcular a extensão das terras habitáveis pelo homem, a distância aproximada entre o Sol e a Terra, a longitude percorrida pelo globo terrestre sobre a sua órbita no espaço de um dia, a precessão dos equinócios, bem como muitas outras conquistas científicas que somente agora vêm sendo consolidadas pela moderna astronomia.


LIVRO "A CAMINHO DA LUZ"
CHICO XAVIER
POR EMMANUEL

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Politeísmo simbólico

Nos círculos esotéricos, onde pontificava a palavra esclarecida dos grandes mestres de então, sabia-se da existência do Deus Único e Absoluto, Pai de todas as criaturas e Providência de todos os seres, mas os sacerdotes conheciam, igualmente, a função dos Espíritos prepostos de Jesus, na execução de todas as leis físicas e sociais da existência planetária, em virtude das suas experiências pregressas. Desse ambiente reservado de ensinamentos ocultos, partiu, então, a idéia politeísta dos numerosos deuses, que seriam os senhores da Terra e do Céu, do Homem e da Natureza. As massas requeriam esse politeísmo simbólico, nas grandes festividades exteriores da religião. Já os sacerdotes da época conheciam essa fraqueza das almas jovens, de todos os tempos, satisfazendo-as com as expressões esotéricas de suas lições sublimadas. Dessa idéia de homenagear as forças invisíveis que controlam os fenômenos naturais, classificando-as para o espírito das massas, na categoria dos deuses, é que nasceu a mitologia da Grécia, ao perfume das árvores e ao som das flautas dos pastores, em contacto permanente com a Natureza.

Livro A caminho da luz
Chico Xavier
por Emmanuel



segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Mistificadores - Obsessores

-O invólucro semimaterial do Espírito tem formas determinadas e pode ser perceptível?
- Tem a forma que o Espírito queira.
 E' assim que este vos aparece algumas vezes, quer em sonho, quer no estado de vigília, e que pode tomar forma visível, mesmo palpável.

Tão variada é a classe das entidades mistificadoras desencarnadas, que chega a haver confusão com a das entidades obsessoras, tornando-se difícil, em determinados casos, separar uma da outra. Procuraremos tratar aqui de uma modalidade de mistificadores que poderá também ser considerada especialidade de obsessores, visto que participa de uns e de outros.
Mistificar é, na palavra dos dicionários, o ato de - enganar, iludir, lograr, abusar da credulidade de alguém, engodar -, valendo-se de ardis e subterfúgios, malícia e mesmo maldade. Existem os mistificadores inofensivos, brincalhões apenas, que levam o tempo alegremente, se bem que também levianamente, cujas ocioidades e futilidades só a si mesmos prejudicam, e que todos consideram irresponsáveis quais crianças travessas, e a quem ninguém levará a sério. Na Terra como no Espaço, eles proliferam, sem realmente prejudicar senão a si próprios. Existem os hipócritas, perigosos, portanto, que sabem enganar porque se rodeiam de falsa seriedade, a qual mantêm, apoiados em certa firmeza de lógica, e a quem sômente observadores muito prudentes saberão descobrir. Na Terra como no Espaço, proliferam também esses, quer encarnados, como homens, quer como Espíritos já desencarnados, causando no seio das duas sociedades sérios desequilíbrios e danos vultosos, não raro desorganizando a vida e os feitos dos incautos que se deixam embair pelas suas atitudes dúbias. 


 Devassando o invisível de Ivonne Pereira

domingo, 29 de janeiro de 2012

Fluídos Espirituais

Os fluidos espirituais, que constituem um dos estados do fluido cósmico universal, são, a bem dizer, a atmosfera dos seres espirituais; o elemento donde eles tiram os materiais sobre que operam; o meio onde ocorrem os fenômenos especiais, perceptíveis à visão e à audição do Espírito, mas que escapam aos sentidos carnais, impressionáveis somente à matéria tangível; o meio onde se forma a luz peculiar ao mundo espiritual, diferente, pela causa e pelos efeitos, da luz ordinária; finalmente, o veículo do pensamento, como o ar o é do som.

Os Espíritos atuam sobre os fluidos espirituais, não manipulando-os como os homens manipulam os gases, mas empregando o pensamento e a vontade. Para os Espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases ou de outros corpos combinando-os segundo certas leis. É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual. "

No estado de eterização, o fluido cósmico não é uniforme: sem deixar de ser etéreo, sofre modificações tão variadas em gênero e mais numerosas talvez do que no estado de matéria tangível. Essas modificações constituem fluidos distintos que, embora procedentes do mesmo princípio, são dotados de propriedades especiais e 
dão lugar aos fenômenos peculiares ao mundo invisível. Dentro da relatividade de tudo, esses fluidos têm para os Espíritos, que também são fluídicos, uma aparência tão material, quanto a dos objetos tangíveis para os encarnados, e são, para eles, o que são para nós as substâncias do mundo terrestre. Eles os elaboram e combinam para produzirem determinados efeitos, como fazem os homens com os seus materiais, ainda que por processos diferentes.

Os próprios Espíritos ditos sofredores, até mesmo os criminosos, que se costumam apresentar em bem dirigidas sessões práticas, narram acontecimentos reais, positivos, que no Invisível se sucedem, um modo de viver e de agir, no Espaço, muito distanciado daquele estado vago, indefinível, inexpressivo, que muitos entendem seja o único verdadeiro, quando a Revelação propala, desde o início, um mundo de vida intensa, mundo real e de realidades, onde o trabalho se desdobra ao infinito e as realizações não conhecem ocasos. Nas entrelinhas de grandes e conceituadas obras doutrinárias, existem claras alusões a sociedades, ou "colônias", organizadas no Além-Túmulo, onde avultam cidades, casas, palácios, jardins, etc., etc.  



Devassando o invisível - Ivonne Pereira





(imagem do filme Nosso Lar)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A missão do século XX





Quando se lança um olhar rápido sobre o conjunto da História, esse verdadeiro livro do destino dos povos, parece que cada século tem um papel especial a preencher, uma particular missão a exercer na marcha da Humanidade.
O século XX parece ter uma vocação superior a todos os outros.
Em sua primeira metade, assiste ao desmoronamento de tudo quanto constituiu o passado.
Em sua segunda metade, assentará as bases do mundo futuro, feito de beleza, de luz, de justiça, que nossos contemporâneos saudaram por miragem ainda longínqua desse novo mundo do pensamento e de ciência, mundo que pressentimos tal qual Cristóvão Colombo pressentiu a aproximação de um continente desconhecido.
A transição não se faz sem abalo, sem choques violentos. O espetáculo das decomposições que se produzem seria lamentável, se não soubéssemos que, às grandes ruínas, sucedem as grandes ressurreições.
A História, com efeito, apaga para poder escrever; o pensamento só destrói para reconstruir; é a lei da evolução, a marcha lógica da Humanidade.
* * *

Assistimos ao aluir das religiões, ou melhor, dos ritos e formas culturais, porque a religião, em seu princípio, em sua essência, isto é, o vôo da Alma para o Infinito, a aspiração das Inteligências para o ideal divino, a religião é indestrutível, quanto o é a Verdade, inesgotável quanto o amor, inalterável quanto a beleza.
O que deve perecer e tende, dia a dia, a extinguir-se, são as velhas fórmula dogmáticas, o farisaísmo antigo, as disciplinas envelhecidas. É todo o aparelhamento sacerdotal e o culto dos ídolos.
A Religião Católica, em particular, abate-se ao peso de suas faltas seculares.
A Igreja Romana, desde há muito, não passa de potência política. Seus pontífices desconheceram a própria missão; seus padres perderam o senso da iniciação profunda e sagrada dos primeiros cristãos.
Assim se acentuou, pela abolição da Concordata e pela atitude do papa, durante a última guerra, a ruptura entre a Igreja e a sociedade moderna, a cisão entre o espírito de Roma e o do século.
* * *

Assistimos igualmente ao desabamento da Ciência, não da verdadeira Ciência, como o pretendia Brunetière, porque esta não pode perecer – (a trabalhadora que jamais depõe a sua balança) –, mas da ciência materialista, a que dominou o mundo durante mais de cem anos.
Há meio século, Ernest Renan publicava um livro sobre o Futuro da Ciência, livro habilmente concebido, que teve certa voga, e no qual profetizava a desaparição, em breve termo, do mistério que, sob formas diversas, surge em desafio ao pensamento humano.
O mistério subsistiu... Multiplicou-se, mesmo, graças à recente descoberta da radioatividade dos corpos e do desenvolvimento dos fenômenos psíquicos.
Outros exemplos farão ver até que ponto a ciência oficial, proclamando vitórias sobre a Matéria, mostrou-se impotente para resolver as grandes questões que têm tratado da Alma humana e de suas faculdades.
Nos seus Enigmas do Universo, escreveu Haeckel: “Enquanto o enigma da substância, que recapitula todos os outros enigmas, não for resolvido, nada se terá feito para a satisfação do espírito humano.”
Um dos mestres da ciência moderna, Henri Poincaré, a quem a morte surpreendeu em meio de seus trabalhos, demonstrava, em uma de suas últimas obras, que a Ciência é, ainda, uma hipótese, e confessava que as leis da Física estão para rever-se.
D'Arsonval teve quase a mesma linguagem, em seu curso no Colégio de França.
Vejamos agora o que dizia sobre o mesmo assunto William James, reitor da Universidade de Harvard, nas últimas páginas de seu belo livro: A Experiência Religiosa. Ele declara não poder, “sem ouvir uma demonstração interior”, colocar-se na atitude do homem de ciência que não vê nada fora da sensação e das leis da Matéria.”.
E algumas linhas mais adiante: “Toda experiência humana, em sua viva realidade, impele-me irresistivelmente a sair dos estreitos limites em que a Ciência pretende confinar-se. O mundo real é diferentemente constituído, muito mais rico e mais complexo que o da Ciência.”.
É precisamente esse mundo real, o mundo psíquico, que a maior parte dos nossos sábios não quer conhecer; em vez de estudar, como deveriam, a vida, em suas altas manifestações, perdem-se na análise infinitesimal; não vêem, por assim dizer, senão o pó das coisas e das idéias.
Faltaram sempre à ciência oficial a independência e a liberdade; apartou-se do caminho, submetendo-se servilmente à autoridade da Igreja; em seguida, enfeudou-se às doutrinas materialistas do século XVIII e, em seguida, ao panteísmo germânico. Enfim, depois de quase um século, tornou-se o satélite do Positivismo, essa doutrina incompleta, que se desinteressa sistematicamente do maior problema que o espírito humano quer e deve resolver o da sua origem e de seu destino. Ela se limita a arrastar pelo mundo fórmulas secas e banais, semelhantes à “Vitória-aptera”, que, desprovida de asas, se achava condenada a rastejar, sem poder elevar-se do solo.
A Ciência céptica havia posto a lei do número na base de tudo. Desde então, a vida tornou-se uma espécie de álgebra, cujas equações nos levaram a uma ou a muitas incógnitas. Era andar em sentido contrário ao da Natureza; porque o homem existe para criar e não para decompor; para agir, e não unicamente para analisar. Esse sistema negativo havia tornado estéreis os trabalhos dos sábios, e foi assim que vimos, desde muito, ir, pouco a pouco, apagando-se, sob nossos olhos, os caracteres e as consciências, a arte, o ideal e a beleza.
Com efeito, a Ciência desconheceu a lei da estética, consagrando o naturalismo que disseca a vida, em lugar de desenvolvê-la. Em moral, preconizou o determinismo, que erige em princípio a impotência do esforço e a renúncia à ação. Na ordem social, a pulverização, ao infinito, dos poderes e das responsabilidades, dando em resultado, por momentos, a um estado de coisas que confina com a desordem e a confusão.
A Ciência, que tinha por missão construir uma sociedade sobre bases novas, destruiu sem nada edificar. Perdendo de vista as grandes altitudes, os grandes focos do pensamento, a Ciência céptica resfriou o coração humano; destruiu o grau elevado que poetiza a vida, que a torna suportável. Eis por que as gerações que surgem se mostram desenganadas e reclamam outra coisa.
* * *

O problema político não oferece menor gravidade. Sob a pressão dos acontecimentos, a maior parte das instituições monárquicas desmoronou-se e a democracia triunfante estendeu-se sobre suas ruínas; em seu seio, porém, surgiu uma crise intensa. Crescem e espalham-se os elementos de anarquia. Os destinos da ciência materialista e os do Socialismo atual estão em correlação; inspiram-se pelos mesmos métodos e pelas mesmas fórmulas.
É preciso convir, a democracia socialista de nossos dias está em desacordo com o próprio princípio da Revolução. Esta era essencialmente individualista; queria dar a cada um a livre iniciativa de seus atos pessoais.
O regime atual age diferentemente; tende a nivelar as individualidades fortes, e a passar logicamente da igualdade de direito à igualdade de fato. Vai ao coletivismo, isto é, à negação da pessoa humana e à sua absorção no todo social. O “Estadismo” não nos desembaraçaria das mediocridades; bem ao contrário, seria, por natureza, o seu protetor. Não é também a regulamentação do trabalho, pela coletividade, que dará ao proletariado a felicidade que os utopistas do dia fazem luzir a seus olhos.
Os homens são iguais, dir-se-á. Em seu sentido histórico restrito, a fórmula pode parecer exata; mas não se poderia tratar aqui de igualdade real, absoluta. Se os homens são iguais em direito, serão sempre desiguais em inteligência, em faculdades, em moralidade. Afirmar o contrário seria negar a lei da evolução, que, naturalmente, não age com a mesma eficácia sobre todos os indivíduos.
O homem livre na terra livre! Tal será o ideal social do futuro. Mas, é preciso ter em conta a necessidade preliminar de outro fator: a Fraternidade, que só pela harmonia pode estar em equilíbrio com a liberdade.
Têm fugido os séculos, desde a idade heróica dos primeiros cristãos, quando estes vendiam quanto possuíam, para que os Apóstolos distribuíssem, entre todo o preço dessa venda, segundo as necessidades de cada um.
Esse princípio de verdadeira fraternidade, lembrado por Mabli aos homens da Revolução, onde se encontrará? Não é decerto nos costumes atuais, que o egoísmo caracteriza; é nas aspirações da Alma humana, nesse movimento que agita os povos de um extremo a outro da Terra; é no longínquo das idades futuras!...
* * *

Acabamos de passar em revista as ruínas a que o século XX já assistiu. Falemos agora das renovações que prepara e que executará.
É sempre na ordem intelectual que as grandes renovações começam. As idéias precedem e preparam os fatos. É a lógica da História e a lei do progresso humano.O abuso dos métodos e dos processos de análise tem estado a ponto de nos perder. Conseqüentemente, é mister preparar as grandes sínteses, as concepções de conjunto. Eis que se estabelece um novo ponto de vista para todas as coisas. Para aplicar métodos novos são precisos homens novos. Para a ciência livre de amanhã, são necessários espíritos livres.
Enquanto os homens destas gerações, submetidos à disciplina da Igreja ou da Universidade, não tiverem desaparecido, apenas se poderá esboçar a obra de redenção do espírito humano. A Igreja com suas confissões e a Universidade com seus exames quebrantaram a elasticidade da Alma e oprimiram os surtos do pensamento.
As vocações e as inteligências retraíram-se; ninguém teve o tempo e o espaço necessário para sentir e viver plenamente.
Prepara-se, entretanto, o trabalho de renovação. O século XIX e o começo do XX viram aparecer os precursores. Os gênios não tardarão em vir.
Em cada época da História, conta-se certo número de Espíritos que pertencem mais ao século seguinte do que àquele em que vivem.
Shakespeare escreveu: “Os grandes acontecimentos projetam diante de si sua sombra, antes que sua presença abale o Universo.”
Ora, os precursores viram essa sombra grandiosa desenhar-se-lhes no caminho, em formas móveis e poderosas; pressentiram os fatos e adivinharam as leis. Era o sinal de sua eleição intelectual e de sua vocação; mas, havia ali também a razão do seu isolamento, de seu abandono, de seus sofrimentos em meio à multidão, que os não podíamos compreender.
Acontecimentos surgiram com grandeza trágica. Durante mais de um quatriênio os povos se chocaram com abalos formidáveis. A guerra prosseguiu em sua obra de ruína e de morte, ao mesmo tempo em que varria muitos erros, ilusões e quimeras. Ao sopro da tempestade, rasgaram-se as nuvens e apareceu um canto de céu azul.
O décimo nono século foi o século da Matéria; o vigésimo será o do Espírito.
O décimo nono, perscrutando a Natureza, fez surgir desconhecidas energias; o vigésimo revelar-nos-á forças espirituais superiores a tudo quanto o homem sonhou, e o estudo dessas forças nos conduzirá à solução do problema da vida e da morte. Os precursores são grandes diante da História! São eles que esclarecem a marcha da Humanidade na imensa estrada de seus destinos.
Assemelham-se aos concorrentes do stadium antigo, de que fala Lucrecio, e que passaram de mão em mão o facho da inspiração. Sem eles, as renovações intelectuais do mundo não encontrariam os caminhos abertos, nem os espíritos preparados. Entre eles podemos citar, de nossos dias: Allan Kardec, Jean Reynaud, Flammarion, Victor Hugo, Crookes, Myers, Lodge, etc.
O livro de Myers, sobre A Personalidade Humana, termina por uma bela síntese experimentalista. O autor demonstra que é preciso, primeiramente, explicar o homem ao próprio homem.
O aprender a conhecer o homem leva ao conhecimento de Deus e do Universo. É o que havia recomendado o poeta inglês Pope, em seu Ensaio sobre o homem.
Mas as gerações passam, e é sempre esquecido esse estado essencial do homem interior. O século XIX consagrou incalculáveis recursos, imensos laboratórios ao estudo do universo material; estendeu prodigiosamente o campo de suas observações e de suas experiências; mas, o mundo ignorava ainda a constituição íntima do ser humano e as leis de seu destino.
Encontraram-se, pois, nossos legisladores na impossibilidade de governar. Como, com efeito, dirigir homens, administrar povos, quando se ignora ou se finge ignorar o grande princípio da vida? Daí surgiu o mal-estar de que sofre hoje nosso país.
O formidável problema do trabalho, com suas múltiplas dificuldades, tem por origem esse erro capital. Não quis ver na pessoa humana mais que um corpo a nutrir e explorar, e, partindo daí, só houve a preocupação das necessidades materiais. A luta pela vida tornou-se tão brutal quanto o era no tempo dos bárbaros.
O mal é grande, e não será sanado com sistemas empíricos. Nem no Socialismo, sob a fórmula atual, nem no Catolicismo serão encontrados os remédios.
Faz-se mister, em primeiro lugar, descobrir as causas para nos atermos a elas. Ora, estas são, por assim dizer, constitucionais ao homem. Seus erros, eis o que é preciso corrigir; suas paixões, eis o que é preciso combater, agindo menos sobre as massas do que sobre o indivíduo.
É ao todo, com efeito, que se deve esclarecer e corrigir; é preciso cultivar e desenvolver o homem interior em cada personalidade viva, se quisermos passar do reino da Natureza ao do Espírito.
Para a ciência nova, são necessários homens que conheçam a fundo as leis superiores do Universo, o princípio da vida imortal e a grande lei da evolução, que é uma lei de amor, e não uma lei de bronze, conforme o disse Haeckel.
Existe uma doutrina, ao mesmo tempo – velha quanto o mundo, e jovem quanto o futuro, porque é eterna, sendo a Verdade; uma doutrina que resume todas as noções fundamentais da vida e do destino; é o Espiritismo, e o livro de Myers, acima citado, é o seu comentário científico.
O Espiritismo faz erupção no mundo; espalha-se por toda parte.
Qual é a sociedade sábia, a revista hebdomadária, o jornal cotidiano, que não se ocupa de seus fenômenos, de suas manifestações, ainda que para negá-los, criticar, mascarar ou combater?
O Espiritismo é a questão do momento presente, o problema universal. Não é mais possível quedar indiferente em face dele.
E é precisamente porque essa invasão espiritual enche os dois mundos e preocupa o pensamento humano, que acreditamos dever insistir sobre os deveres que nos incumbem para com essa nova fé, essa ciência, jovem e forte, que oferece provas irrefutáveis da vida depois da morte, e contém, em gérmen, todas as ressurreições do futuro!...
Relembramos, ao terminar, o caráter sensível do Espiritismo moderno. Não é um sistema novo que se vem juntar a outro, nem um conjunto de teorias vãs. É um ato solene do drama da evolução que começa uma revelação que ilumina, ao mesmo tempo, as profundezas do passado e do futuro, que faz surgir do pó dos séculos as crenças adormecidas, as anima com uma nova chama e, completando-as, as faz reviver.
É um sopro poderoso que desce dos Espaços e corre sobre o mundo; sob sua ação, todas as grandes verdades se revelam. Majestosas, emergem do crepúsculo das idades, para desempenhar o papel que o pensamento divino lhes assinala. As grandes coisas se fortificam no recolhimento e no silêncio.
No olvido aparente dos séculos, colhem energias novas. Retraem-se e preparam-se para os empreendimentos futuros.
Acima das ruínas dos templos, das civilizações extintas e dos impérios desmoronados, acima do fluxo e do refluxo das marés humanas, uma voz poderosa se eleva; e esta voz clama:
Os tempos são vindos, os tempos são chegados!
Das profundezas estreladas descem à Terra os Espíritos em legião, para o combate da luz contra as trevas.
Não são mais os homens, os sábios e os filósofos que trazem uma doutrina nova. São os Gênios do Espaço que vêm e sopram em nossos pensamentos os ensinos chamados a regenerar o mundo.
São os Espíritos de Deus! Todos quantos possuem o dom da clarividência os percebem pairando acima dos seres da Terra, tomando parte em nossos trabalhos, lutando ao nosso lado para o resgate e a ascensão da Alma humana.
Grandes feitos se preparam. Que se ergam os trabalhadores do pensamento, se querem participar da missão oferecida por Deus a todos os que amam a Verdade e a ela servem.

Léon Denis
O Grande Enigma

sábado, 31 de dezembro de 2011

Oração de Ano Novo


"Senhor Deus, dono do tempo e da eternidade, teu é o hoje e o amanhã, o passado e o futuro. Ao iniciar mais um ano, quero te dizer obrigado por tudo aquilo que recebi de Ti.no ano que passou... Obrigado pela vida e pelo amor, pelas flores, pelo ar e pelo sol, pela alegria e pela dor, pelo que foi possível e pelo que não foi. Ofereço-te tudo o que fiz no ano que passou, o trabalho que pude realizar, as coisas que passaram pelas minhas mãos e o que com elas pude construir. Apresento-te as pessoas que amei, as amizades novas e os antigos amores, os que estiveram perto de mim e os que estão mais longe, os que me deram sua mão e aqueles que pude ajudar, os com quem compartilhei a vida, o trabalho, a dor e a alegria. Mas também, Senhor, hoje quero Te pedir perdão. Perdão pelo tempo perdido, pelo dinheiro mal gasto, pela palavra inútil e o amor desperdiçado. Perdão pelas obras vazias e pelo trabalho mal feito, perdão por não ter dado muitas vezes o melhor de mim.Também pela oração que aos poucos fui adiando e que agora venho apresentar-te.Pelos meus descuidos e silêncio, novamente te peço perdão. Começamos um novo ano. Paro a minha vida diante do novo calendário que se inicia e Te apresento estes novos dias,os quais somente Tu sabes se chegarei a vivê-los. Hoje, Te peço para meus parentes , para meus amigos e para mim , saúde , alegria, fortaleza e prudência, lucidez e sabedoria para entender teus desígnios. Quero viver cada dia com otimismo e bondade, levando a toda parte um coração cheio de compreensão e paz. Fecha meus ouvidos a toda falsidade e meus lábios a palavras mentirosas, egoístas ou que magoem. Abre, sim, meu ser a tudo o que é bom. Que meu espírito seja repleto somente de bênçãos para que eu as derrame por onde passar. Senhor, a meus amigos que lêem esta mensagem, abençoe-os , e que eles se sintam abençoados pelo seu imenso amor.Que a amizade sincera dure para sempre em nossos corações. Enche-me, também, de bondade e alegria, para que todas as pessoas que eu encontre no meu caminho possam descobrir em mim um pouquinho de Ti. Dá a todos nós um ano feliz, e ensina-nos a repartir essa felicidade. Amém."