quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Um abraço amigo


Aquela era uma noite como outra qualquer para aquele moço que voltava para casa pelo mesmo roteiro de sempre, há três anos.

Ele seguia tateando com sua bengala para identificar os acidentes do caminho, que eram seus pontos de referência, como todo deficiente visual.

Mas, naquela noite, uma mudança significativa havia acontecido no seu caminho: um pequeno arbusto, que lhe servia de ponto de referência e estava ali pela manhã, fora arrancado.

A rua estava deserta e ele não conseguia mais encontrar o rumo de casa. Andou por algum tempo, e percebeu que havia se afastado bastante da sua rota, pois verificou que estava numa ponte sobre o rio que separa a sua cidade da cidade vizinha.

Era preciso encontrar o caminho de volta. Mas como, sem o auxílio da visão?

Começou a tatear com sua bengala, quando uma voz trêmula de mulher lhe indagou:

- O senhor está encontrando alguma dificuldade?

- Acho que me perdi, respondeu o rapaz.

- Foi o que pensei, comentou a mulher.

- Quer que o acompanhe a algum lugar?

O rapaz lhe deu o endereço e ela, oferecendo-lhe o braço, o conduziu até à porta de casa.

- Não sei como lhe agradecer, falou o moço.

- Eu é que lhe devo um sincero agradecimento, respondeu ela, já com voz firme.

- Não compreendo, retrucou o rapaz.

E a jovem senhora então explicou:

- Há uma semana meu marido me abandonou. Eu estava naquela ponte para me suicidar, pois geralmente àquela hora está deserta. Aí encontrei o senhor tateando sem rumo e mudei de idéia.

A mulher disse boa noite, agradeceu mais uma vez, e desapareceu na rua deserta.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O que é a dor?


Aviso da Natureza...
Serve para que não continuemos com excessos...

Não fosse a dor e não perceberíamos
o mal agindo em nós...
A dor nos mostra o que somos e como nos corrigir...
A dor nos fere onde precisamos...
Não para até que tenhamos aprendido...

Nos dá tréguas... vê se melhoramos...
Basta que olhemos a sua ação...
Se não melhoramos... ela volta!
Deus nos ama tanto que não suspende as lições até que tenhamos superado nossos pontos fracos.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Mensagem de Francisco de Assis


O calvário do Mestre não se constituía tão-somente de
secura e aspereza....
Do monte pedregoso e triste jorravam fontes de água
viva que dessedentaram a alma dos séculos.

E as flores que desabrocharam no entendimento do ladrão e na angústia das mulheres de Jerusalém atravessaram o tempo, transformando-se em frutos abençoados de alegria no celeiro das nações.
Colhe as rosas do caminho no espinheiro dos
testemunhos....
Entesoura as moedas invisíveis do amor no templo do
coração!...
Retempera o animo varonil, em contacto com o rócio

divino da gratidão e da bondade!...
Entretanto, não te detenhas.
Caminha!

É necessário ascender.
Indispensável o roteiro da elevação, com o sacrifício

pessoal por norma de todos os instantes.
Lembra-te.
Ele era sozinho.
Sozinho anunciou e sozinho sofreu.

Mas erguido, em plena solidão, ao madeiro doloroso por devotamento à Humanidade, converteu-se em Eterna Ressurreição.
Não tomes outra diretriz, senão a de sempre.
Descer auxiliando, para subir com a exaltação do
Senhor!
Dar tudo, para receber com abundância.
Nada pedir para nosso Eu exclusivista, a fim de que
possamos encontrar o glorioso Nós da vida imortal.
Ser a concórdia para a separação.

Ser luz para as sombras, fraternidade para a destruição, ternura para o ódio, humildade para o orgulho, bênção para a maldição...
Ama sempre.

E pela graça do Amor que o Mestre persiste conosco (os mendigos dos milênios), derramando a claridade sublime do perdão celeste onde criamos o inferno do mal e do sofrimento.
Quando o silêncio se fizer mais pesado ao redor de teus
passos, aguça o ouvido e escuta!

A voz d'Ele ressoará de novo na acústica de tua alma e as grandes palavras, que os séculos não apagaram, voltarão mais nítidas ao círculo de tua esperança, para que tuas feridas se convertam em rosas e para que teu cansaço se transubstancie em triunfo.

O rebanho aflito e atormentado clama por refúgio e
segurança.

Que será da antiga Jerusalém humana sem o bordão providencial do pastor que espreita os movimentos do Céu para a defesa do aprisco?

E necessário que o lume da cruz se reacenda, que o clarão da verdade fulgure novamente, que os rumos da libertação decisiva sejam traçados.
A inteligência sem amor é o gênio infernal que arrasta os
povos de agora às correntes escuras e terrificantes do abisma.
O cérebro sublimado não encontra socorro no coração
embrutecido.

A cultura transviada da época em que jornadeamos, relegados à aflição, ameaça todos os serviços da Boa Nova, em seus mais íntimos fundamentos.

Pavorosas ruínas fumegarão, por certo, sobre os palácios faustosos da humana grandeza, carente de humildade, e o vento frio da desilusão soprará de rijo sobre os castelos mortos da dominação que, desvairada, se exibe, sem cogitar dos interesses imperecíveis e supremos do espírito.
E imprescindível à ascensão.

A luz verdadeira procede do mais alto e só aquele que se instala no plano superior, ainda mesmo que coberto de chagas e roído de vermes, pode, com razão, aclarar a senda redentora que as gerações enganadas esqueceram.
Refaze as energias exauridas e volta ao lar de nossa

comunhão e de nossos pensamentos.
O trabalhador fiel persevera na luta santificante até o fim.
O farol no oceano irado é sempre uma estrela em solidão.
Ilumina a estrada, buscando a lâmpada do Mestre que
jamais nos faltou .

Avança...
Avancemos...

Cristo em nós, conosco e por nós e em nosso favor, é o Cristianismo que precisamos reviver a frente das tempestades, de cujas trevas nascerá o esplendor do Terceiro Milênio.
Certamente, o apostolado é tudo. A tarefa transcende o

quadro de nossa compreensão.
Não exijamos esclarecimentos.
Procuremos servir.
Cabe-nos apenas obedecer até que a glória d'Ele se
entronize para sempre na alma flagelada do mundo.
Segue, pois, o amargurado caminho da paixão pelo bem

divino, confiando-te ao suor incessante pela vitória final.
O Evangelho é o nosso Código Eterno.
Jesus é nosso Mestre Imperecível.
Subamos em companhia d'Ele no trilho duro e áspero
Agora é ainda a noite que se rasga em trovões e sombras,
amedrontando, vergastando, torturando, destruindo...
Todavia, Cristo reina e amanhã contemplaremos o
celeste despertar.

(*) A presente Mensagem de Francisco de Assis foi recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, em Pedro Leopoldo, Minas Gerais, a 17 de agosto de 1951, na residência do Dr. Rômulo Joviano, por ocasião da visita do médium espiritualista Pietro Alleori Ubaldi à terra natal do médium de Emmanuel.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Palestras espíritas



As palestras espíritas são geralmente a primeira actividade em que os recém-chegados participam. Os palestrantes costumam esclarecer que, apesar de se falar de flosofia e moral cristãs, não se está numa igreja, pois o Espiritismo não é uma religião, pois não tem rituais, sacramentos, sacerdotes nem dogmas inquestionáveis.

As palestras espíritas baseiam-se sempre nas obras básicas da doutrina espírita, as de Allan Kardec, escritas com base nos ensinamentos do Mundo Espiritual. As boas palestras espíritas dirigem-se sempre, em primeiro lugar, aos que nada sabem sobre o assunto. Seria falta de cortesia partir do princípio de que quem vem às palestras públicas já sabe o que é o Espiritismo, e falar-se numa linguagem e conceitos que se tornassem incompreensíveis para quem desconhece o assunto. Para os que já sabem alguma coisa de Espiritismo existem cursos, estudos avançados - e as palestras públicas não deixam de ter interesse.
Nas palestras espíritas há sempre pelo menos duas pessoas na mesa ou na tribuna. É um princípio espírita haver sempre mais que uma pessoa na condução de qualquer trabalho, para que se possam corrigir mutuamente, se for caso disso.
Nos centros espíritas não é costume aplaudir-se os palestrantes. O palestrante não é mais "importante" que qualquer pessoa presente na sala. A tarefa do palestrante é fazer a sua palestra. Não é mais importante que a tarefa de qualquer outra pessoa ali presente, a quem cabe contribuir para um bom ambiente, ouvir com sentido crítico, questionar se for caso disso, e, se possível, fazer bom uso dos conhecimentos veiculados.

Em palestras realizadas fora das associações espíritas é costume aplaudir-se, porque a quantidade de não-espíritas presentes costuma ser grande e prevalece o velho princípio: "em Roma, sê romano".

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Sintonia


O fascínio que Jesus exercia sobre todos que O defrontavam, derivava da sua superioridade espiritual.


Seus silêncios penetravam na alma dos seguidores, que se comoviam, submissos.

As Suas palavras ressoavam demoradamente na acústica dos seres que se deixavam na permear pelo verbo revelador.

Seus atos mudavam o habitual e apresentavam a sua natureza transcendente.

Quantos eram convocados, quase sem raciocinar, tudo abandonavam pelo prazer de O seguir.

Os que debandaram, no momento do testemunho, volveram, de imediato, autodoando-se, mais tarde, em holocausto de amor ou renasceram assinalados pela Sua convocação, seguindo-O com valor e renúncia total.

Ao Seu lado vivia-se o clima da esperança, em perfeita comunhão espiritual com a Vida Maior.

A morte, a ninguém se afigurava como o fim da vida, mas representava uma porta de acesso à Vida...

Faze uma avaliação dos teus atos e considera se estás em condições de partir.

O conhecimento espírita que te reconduz a Cristo, dá dimensão da responsabilidade que te cumpre desenvolver.

De bom alvitre, portanto, que reconsideres atitudes negativas, situações conflitantes e estados de perturbação que te assinalam as horas.

Colocando a vida espiritual em primeiro plano nas tuas atividades e conduta, a vida passará a ter sentido superior.

Sairás da torpe situação em que te debates a lutarás com mais decisão pela conquista de ti mesmo, em conseqüência, da tua paz.

Sintonizando com Jesus, sentir-te-ás fortemente atraído por Ele, e, mediante uma firme resolução, conquistarás, como os Seus primitivos seguidores, a felicidade que ainda não fruíste.

Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Receitas de Paz. Ditado pelo Espírito Joanna de Angelis.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A reencarnação na Bíblia e nos evangelhos


A ideia das vidas anteriores era geralmente admitida entre os hebreus.

A Bíblia e os Evangelhos apresentam inúmeras citações que indicam a doutrina das vidas sucessivas.

Isaías, cap. XXVI, v.19: "Aqueles do vosso povo a quem a morte foi dada viverão de novo; aqueles que estavam mortos em meio a mim ressuscitarão".

Job, cap. XIV, v.10 a 14: "Quando o homem está morto, vive sempre; acabando os dias da minha existência terrestre, esperarei, porquanto a ela voltarei de novo".

S. Mateus, cap. XVI, v.13 a 17 - S. Marcos, cap. VIII, v. 27 a 30: "... porque uns diziam que João Baptista ressuscitara dentre os mortos; outros que aparecera Elias; e outros que um dos antigos profetas ressuscitara...".

S. Mateus, cap. XVII, v.10 a 13; S. Marcos, cap. IX, v.11 a 13: "... É verdade que Elias há-de vir e restabelecer todas as coisas, mas eu vos declaro que Elias já veio e eles não o conheceram e o trataram como lhes aprouve... Então seus discípulos compreenderam que fora de João Baptista que ele falara".

S. João, cap. III, v.1 a 12: "... Jesus lhe respondeu: "Em verdade, em verdade, digo-te, ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo".

Disse-lhe Nicodemos: "Como pode nascer um homem já velho? Pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, para nascer segunda vez?". Retorquiu-lhe Jesus: ... "Não te admires de que eu te haja dito ser preciso que nasças de novo"...

Respondeu-lhe Nicodemos: "Como pode isso fazer-se?". Jesus lhe observou: "Pois quê! És mestre em Israel e ignoras estas coisas?"...

Esta última observação de Jesus demonstra que a reencarnação era ensinada aos intelectuais da época.

Existiam ensinos secretos, reservados aos iniciados, que foram compilados nas diferentes obras dos hebreus e que constituem a Cabala.

Sob o nome de ressurreição, era a reencarnação ponto de uma das crenças fundamentais dos judeus.

Sem o princípio da preexistência da alma e da pluralidade das existências são ininteligíveis, na sua maioria, as máximas do Evangelho. Somente o princípio da reencarnação dará a essas máximas o sentido verdadeiro.

Revisão histórica sobre a teoria das vidas sucessivas


A doutrina das vidas sucessivas, ou reencarnação, é também chamada palingenesia, de duas palavras gregas - palin, de novo, e genesis, nascimento.

Foi formulada nos albores da civilização, na Índia. Os povos da Ásia e da Grécia acreditaram na imortalidade da alma e procuravam saber se fora criada no momento do nascimento ou se existia antes.

Nos Vedas e no Bhagavad Gita encontram-se citações sobre a pluralidade das vidas. A religião da Pérsia, o mazdeísmo, apresentava uma concepção muito elevada, a da redenção final, após várias provas expiatórias.

Platão apresenta, no Fedon, a teoria das vidas sucessivas, na afirmação "aprender é recordar".

A escola neo-platónica de Alexandria, com Plotino, Porfírio e Jâmblico, ensinava a reencarnação.

Os romanos, através de Virgílio e Ovídio, falam das vidas sucessivas.

Os gauleses praticavam a religião dos druidas e acreditavam na unidade de Deus e nas vidas sucessivas.

Descartes, Leibnitz e Kant tiveram certa intuição dessa doutrina.

O bramanismo, o budismo, o druidismo, o islamismo baseiam-se na crença das vidas sucessivas.

O cristianismo primitivo não abriu excepção à regra. Orígenes, Clemente de Alexandria e a maior parte dos cristãos dos primeiros séculos admitiam a doutrina da palingenesia.

terça-feira, 20 de julho de 2010

O amigo - Gibran Khalil Gibran


Vosso amigo é a satisfação de vossas necessidades.
Ele é o campo que semeais com carinho e ceifais com agradecimento.
É vossa mesa e vossa lareira.
Pois ides a ele com vossa fome e procurais em busca de paz.
Quando vosso amigo expressa seu pensamento, não temais o "não" de vossa própria opinião, nem prendais o "sim".
E quando ele se cala, que vosso coração continue a ouvir seu coração,
Porque na amizade, todos os desejos, ideais, esperanças, nascem e são partilhados sem palavras, numa alegria silenciosa.
Quando vos separais de vosso amigo, não vos aflijais.
Pois o que amais nele pode tornar-se mais claro na sua ausência, como para o alpinista a montanha aparece mais clara, vista da planície.
E que não haja outra finalidade na amizade a não ser o amadurecimento de espírito.
Pois o amor que procura outra coisa a não ser a revelação de seu próprio mistério não é amor, mas uma rede armada, e somente o inaproveitável é nela apanhado.
E que o melhor de vos próprios seja para vosso amigo.
Se ele deve conhecer o fluxo de vossa maré, que conheça também o seu refluxo.
Pois, que achais seja vosso amigo para que o procureis somente a fim de matar o tempo?
Procurai-o sempre com horas para viver:
O papel do amigo é encher vossa necessidade, não vosso vazio.
E na doçura da amizade, que haja risos e o partilhar dos prazeres.
Pois no orvalho de pequenas coisas, o coração encontra sua manhã e sente-se refrescado.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O Sublime Alguem


Ninguém poderá carregar o fardo de suas dores.
Eduque-se com o sofrimento.
Ninguém entenderá os problemas complexos de sua existência.

Exercite o silêncio.

Ninguém seguirá com você indefinidamente.

Acostume-se com a solidão.

Ninguém acreditará que suas aflições sejam maiores do que as do vizinho.

Liberte-se delas com o trabalho de auto-iluminação.

Ninguém lhe atenderá todas as necessidades.

Subordine-se apenas ao que você tem.

Ninguém responderá por seus erros.

Tenha cuidado no proceder.

Ninguém suportará suas exigências.

Faça-se brando e simples.

Ninguém o libertará do arrependimento após o crime.

Medite na paciência e domine os impulsos.

Ninguém compreenderá seus sacrifícios e renúncias para a manutenção de uma vida modesta e honrada.

Persevere no dever bem cumprido.

Sábio é todo aquele que reconhece a infinita pequenez ante a infinita grandeza da vida. Embora ninguém possa servi-lo sempre, você encontrará um sublime Alguém, que tem para cada anseio de sua alma uma alternativa de amor.

Por você, Ele carregou o fardo do mundo...

Compreendeu os conflitos da vida...

Caminhou com todos...

Socorreu todos que O buscaram...

Matou a fome, saciou a sede e ouviu as multidões inquietas...

Atendeu à viúva de Naim, ao apelo materno em Caná...

Carregou a cruz da injustiça sem nenhuma reclamação...

Perdoou a traição de Judas, desculpou as negativas de Pedro e a ambos libertou do remorso com a concessão do trabalho em novos avatares...

Compreendeu as lutas da mulher atormentada, sedenta de paz; esclareceu o enfático doutor do Sinédrio, sedento de saber; arrancou das trevas o cego Bartimeu, sedento de claridade...

Ensinou que diante do amor todos os enigmas do Universo se aclaram, por ser o Pai Celeste a Suprema Fonte do Amor.

Não se imponha, pois, a ninguém.

Embora você dependa de todos, nada aguarde dos outros.

Receba e agradeça o que lhe chegue e como chegue, ajude e passe...

Aprenda que a luta é a lição de cada hora no abençoado livro da existência planetária, e siga adiante com Ele, que "jamais se escusava".

Marco Prisco e Divaldo P. Franco


Tudo passa


Não te esqueças, sempre, de meditar na transitoriedade de tudo.
Problema algum vem para ficar.
Nenhuma alegria é eterna.
Aborrecimentos surgem e vão.
Dias felizes são momentos fugazes.
não te fixes, demasiadamente, em teus estados de espírito.
Trabalha para perpetuar o bem, com o propósito de fazer durar a serenidade.
Assim como se alternam as estações, alternam-se as fases da alma no corpo.
A dor que te parece eterna é prova passageira. A alegria perene está na perfeita integração com Deus.
A paz que se foi há de voltar!
o sofrimento que vem há de ir embora!
Conserva, no entanto, contigo a certeza de que o bem que praticas cotidianamente
é uma bênção que se faz constante.


Irmão José e Carlos Baccelli

sábado, 19 de junho de 2010

No momento da morte



No momento da morte, tudo é inicialmente confuso; a alma necessita de algum tempo para se reconhecer. Ela fica atordoada, semelhante à situação de uma pessoa que desperta de um profundo sono e procura se dar conta da situação. A lucidez das idéias e a memória do passado voltam à medida que se apaga a influência da matéria da qual acaba de se libertar e à medida que se vai dissipando uma espécie de névoa que obscurece seus pensamentos. O tempo da perturbação que se segue à morte do corpo é bastante variável. Pode ser de algumas horas, de muitos meses ou até mesmo de muitos anos. É menos longa para aqueles que se identificaram já na vida terrena com seu estado futuro, porque compreendem imediatamente sua posição. Essa perturbação apresenta circunstâncias particulares de acordo com o caráter dos indivíduos e, principalmente, com o gênero de morte. Nas mortes violentas, por suicídio, suplício, acidente, apoplexia3, ferimentos, etc., o Espírito fica surpreso, espantado e não acredita estar morto. Sustenta essa idéia com insistência e teimosia. Entretanto, vê seu corpo, sabe que é o seu e não compreende que esteja separado dele. Procura aproximar-se de pessoas que estima, fala com elas e não compreende por que não o escutam. Essa ilusão dura até o completo desprendimento do perispírito. Só então o Espírito reconhece o estado em que se encontra e compreende que não faz mais parte do mundo dos vivos. Esse fenômeno se explica facilmente. Surpreendido pela morte, o Espírito fica atordoado com a brusca mudança que se operou nele. A morte é, para ele, sinônimo de destruição, de aniquilamento. Mas, como ainda pensa, vê, escuta, não se considera morto. O que aumenta ainda mais sua ilusão é o fato de se ver num corpo semelhante ao anterior, cuja natureza etérea não teve ainda tempo de estudar. Acredita que seja sólido e compacto como o primeiro; e quando percebe esse detalhe, se espanta por não poder apalpá-lo. Esse fenômeno é semelhante ao que acontece com os sonâmbulos inexperientes que não acreditam dormir, porque, para eles, o sono é sinônimo de suspensão das atividades, e, como podem pensar livremente e ver, julgam não estar dormindo. Alguns Espíritos apresentam essa particularidade, embora a morte não tenha acontecido inesperadamente. Porém, é sempre mais generalizada naqueles que, apesar de estar doentes, não pensavam em morrer. Vê-se, então, o singular espetáculo de um Espírito assistir ao seu enterro como sendo o de um estranho e falando sobre o assunto como se não lhe dissesse respeito, até o momento em que compreende a verdade. A perturbação que se segue à morte nada tem de pesaroso para o homem de bem! É calma e muito semelhante à de um despertar tranqüilo. Para aquele cuja consciência não é pura, a perturbação é cheia de ansiedade e angústias que aumentam à medida que reconhece a situação em que se encontra. Nos casos de morte coletiva, tem-se observado que os que perecem ao mesmo tempo nem sempre se revêem imediatamente. Na perturbação que se segue à morte, cada um vai para seu lado, ou apenas se preocupa com aqueles que lhe interessam.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Feliz dia das mães


Que cada mãe represente um pouco do que a minha é em minha vida!
Mãezinha, desejo-lhe um caminhão de beijos e muitas felicidades...
Agradeço todos os dias por existir e me ensinar os atalhos desta vida!
Eu a amo muito!

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Potência Suprema


É a ti, ó Potência Suprema! Qualquer que seja o nome que te dêem e por mais imperfeitamente que sejas compreendida; é a ti, fonte eterna da vida, da beleza, da harmonia, que se elevam nossas aspirações, nossa confiança, nosso amor.
Onde estás, em que céus profundos, misteriosos, tu te escondes? Quantas Almas acreditaram que bastaria, para te encontrar, o deixar a Terra! Mas tu te conservas invisível no mundo espiritual, quanto no mundo terrestre, invisível para aqueles que não adquiriram ainda a pureza suficiente para refletir teus divinos raios.
Tudo revela e manifesta, no entanto, tua presença. Tudo quanto na Natureza e na Humanidade canta e celebra o amor, a beleza, a perfeição, tudo que vive e respira é mensagem de Deus. As forças grandiosas que animam o Universo proclamam a realidade da Inteligência divina; ao lado delas, a majestade de Deus se manifesta na História, pela ação das grandes Almas que, semelhantes a vagas imensas, trazem às plagas terrestres todas as potências da obra de sabedoria e de amor.
A sábia Natureza limitou nossas percepções e nossas sensações. É degrau a degrau que ela nos conduz no caminho do saber. É lentamente, trecho por trecho, vidas depois de vidas, que ela nos leva ao conhecimento do Universo, seja visível, seja oculto. O ser sobe, um a um, os degraus da escadaria gigantesca que conduz a Deus. E cada um desses degraus representa para o ser uma longa série de séculos.
Se a Terra evolucionasse com estrondo, se o mecanismo do mundo se regulasse com fracasso, os homens, aterrorizados, curvar-se-iam e creriam. Mas, não! A obra formidável se executa sem esforço. Globos e sóis flutuam no Infinito, tão livres quanto plumas sob a brisa. Avante, sempre avante! O rondar das esferas se efetua guiado por uma potência invisível.
A vontade que dirige o Universo se disfarça a todos os olhares. As coisas estão dispostas de maneira que ninguém é obrigado a lhes dar crédito. Se a ordem e a harmonia do Cosmos não bastam para convencer o homem, este é livre no conjeturar. Nada constrange o céptico para ir a Deus.
O mesmo acontece às coisas morais. Nossas existências se desenrolam e os acontecimentos se sucedem sem ligação aparente; mas, a imanente justiça domina ao alto e regula nossos destinos segundo um princípio imutável, pelo qual tudo se encadeia em uma série de causas e de efeitos. Seu conjunto constitui uma harmonia que o espírito emancipado de preconceitos, iluminado por um raio da Sabedoria, descobre e admira.
* * *
Não procures Deus nos templos de pedra e de mármore, ó homem que o queres conhecer, e sim no templo eterno da Natureza, no espetáculo dos mundos a percorrer o Infinito, nos esplendores da vida que se expande em sua superfície, na vista dos horizontes variados: planícies, vales, montanhas e mares que a tua morada terrestre te oferece. Por toda parte, à luz brilhante do dia ou sob o manto constelado das noites, à margem dos oceanos tumultuosos, e assim na solidão das florestas, se te sabes recolher, ouvirás as vozes da Natureza e os sutis ensinamentos que murmuram ao ouvido daqueles que freqüentam suas solidões e estudam seus mistérios.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Feliz Páscoa



Páscoa é dizer sim ao amor e à vida
é investir na fraternidade,
é lutar por um mundo melhor,
é vivenciar a solidariedade.

segunda-feira, 22 de março de 2010

A alma


* * *
A Alma humana só pode realmente progredir na vida coletiva, trabalhando em benefício de todos.
Uma das conseqüências dessa solidariedade que nos liga é que a vista dos sofrimentos de alguns perturba e altera a serenidade de outros.
Assim, é preocupação constante dos Espíritos elevados levar às regiões obscuras, às Almas retardadas nos caminhos da paixão e do erro, as irradiações do seu pensamento e os transportes do seu amor. Nenhuma Alma pode perder-se; se todas tiverem sofrido, todas serão salvas. No meio de suas provas dolorosas, a piedade e o afeto de suas irmãs as enlaçam e as arrastam para Deus.