quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Mediunidade sem amor e trabalho não levará a nada


Há uns trinta anos mais ou menos, Nayá Siqueira Amorim, minha mãe, já
visitava o Chico em Pedro Leopoldo. Trazia lindos casos e ensinamentos que nos alegravam muito.
Gostava muito de ouvir mamãe pela sua peculiaridade em nos transmitir, entusiasmada, os acontecimentos quando de suas viagens a Pedro Leopoldo.
Apaixonava-me por tudo aquilo, apesar de trazer em meu coração a orientação católica que buscava nas missas e catecismos.
Devido à alegria contagiante de mamãe, comecei a ler os livros de Chico e, a cada um que lia, encantava-me cada vez mais.
Nos caminhos de nossa vida, estamos presos aos débitos do passado, trazendo-nos as promissórias para serem cobradas no vencimento. O dia da cobrança chegou com o inevitável acidente que ocasionou o desencarne do meu marido e mais dois companheiros que estavam conosco.
Curiosamente, dois dias após o acidente, mamãe recebeu uma carta de Chico que em determinado trecho dizia o seguinte:- Dona Nayá, a Sras. Esmeralda esteve aqui e confiou-me o seguinte recado:- “Dia à dona Nayá que os passeios para chupar jabuticabas nunca deram certo. Dona Nayá sabe porque estou dizendo isso”.
Chico, sem entender, perguntou:- “Este recado faz sentido?”
Tanto fazia, que o acidente ocorrera exatamente quando estávamos a caminho de um sitio, como costumeiramente fazíamos, para ir chupar jabuticabas.
Apenas para esclarecimento dos amáveis leitores, a Sra. Esmeralda Bitencourt era amiga de mamãe, hoje encontra-se no plano espiritual.
Do acidente, fiquei quase um ano em cadeiras de rodas. O medico, achando que não haveria mais condições para eu andar, resolveu dar-me alta. Em vista disso, resolvi ir ao Rio de Janeiro fazer um tratamento de recuperação na BBR. Assim fui melhorando.
Estava com mais de dez fraturas no corpo todo. As mãos totalmente paralisadas. Quando percebi os primeiros movimentos em minhas mãos, senti uma grande vontade de escrever para o Chico. Completei meu desejo.
Continuei no Rio de Janeiro, em tratamento, por uns dois anos. E, em viagem a Goiânia para reconforto dos meus familiares, resolvi parar em Uberaba.
Nessa oportunidade vi o Chico pela primeira vez.
Maravilhada e muito feliz, junto com mamãe, sentamo-nos aguardando para poder falar-lhe.
Mamãe já idosa, com problemas de saúde e eu sem muitas condições de permanecer por muito temp. por isso, ela resolveu escrever um bilhete ao Chico. Assim que lhe chegou às mãos e o leu, imediatamente mandou chamar-nos. Na sua presença, notei-lhe muita alegria e carinho pela minha melhora, pois o meu estado, quando do acidente, não permitia a  habilitação.
No hospital tomava comunhão diariamente e, apesar de ser católica, também recebia o tratamento de passes que mamãe e um pequeno grupo me aplicavam.
Nesses momentos, vi varias vezes nuvens lindíssimas, nas cores rosa e branca. Preocupava-me sensivelmente, pois pensava que fosse problema de visão. Pedi ao medico para examinar-me. O especialista oftalmológico, após os exames, constatou não haver problemas de visão. Meus olhos estavam perfeitos.
Em outras vezes, comecei a ver pontos luminosos que subiam e desciam em torno do meu corpo, como se estivesse sendo ministrado algum medicamento espiritual. A partir de então, passei a encarar com mais seriedade o Espiritismo Kardecista.
Perdoem-me os leitores a interrupção na seqüência do nosso assunto, mas, continuando aqueles momentos felizes na presença do Chico, este convidou-nos para a prece no dia seguinte cedo. Era com um numero menor de pessoas e não havia receituário, a menos que houvesse necessidade.
Nessa manhã tivemos uma grande alegria, pois nos chegou a primeira mensagem de papai. Mamãe reanimou-se. Atravessava uma situação muito seria, com problemas de minha irmã que há trinta anos era freira e se via obrigada a deixar sua missão, por motivos alheios à sua vontade. Isso magoou-a muito, pois essa tarefa ia de encontro com seus sentimentos. Hoje, graças a Deus, reintegrou-se na vida normal.
Papai reanimava-a.
Para mamãe foi uma prova real de que quem estava ali escrevendo era papai. E não foi só isso. Outros assuntos nos esclarecia. Informava que meu marido melhorava dia a dia.
A satisfação era muito grande, pois precisávamos daquele conforto. 
Aqueles momentos pareciam inacabados, afastando-nos todo o sofrimento. Percebi que papai e Alvicto, meu esposo, estavam sob proteção total dos amigos espirituais. Conscientizei-me
de que deveria trabalhar muito para ajudar cada vez mais meu marido, pois sabia
perfeitamente que após sua recuperação estaria trabalhando em meu auxilio e dos meus.
Graças a Deus hoje sinto-me feliz, com o coração cheio de alegria, sei que Alvicto está conosco na cooperação do bem comum.
A nossa alegria é constante, pois, quando sentimos saudades, recorremos às mensagens e nos reanimamos com as palavras que nos dão forças para o trabalho.
Não que nos faltem outras fontes de sustentação, mas ali estão representadas as presenças de suas imagens. Nesses momentos, mamãe recorda os tempos de Pedro Leopoldo e nos conta alguns casos como o que se segue:
“Certa feita, estava no hotel em Pedro Leopoldo e como os trabalhos terminaram altas horas da noite, aproveitou um pouco mais o dia seguinte para descansar. Escutou bater à porta e não se importou, concluindo que não era com ela, pois a ninguém a conhecia na cidade, a não ser o Chico. Continuou deitada, pensando, inclusive, que fosse no quarto ao lado. Tornaram a bater e a chamaram pelo nome.
Levantou-se rapidamente, e verificou tratar-se de Chico Xavier.
-“Preciso da senhora, dona Nayá. Tem um senhor aqui no hotel passando mal. Veio do Rio de Janeiro e está com problemas muito sérios. Ajude-me a levá-lo para casa. Não quero que lhe aconteça mal maior. Veio de muito longe para visitar-me e preciso cuidar dele.
Colocaram o homem num carro e foram à sua casa. Trabalharam com preces e passes até que ele melhorasse. Voltaram ao hotel.
Tempos depois, mamãe havia esquecido do ocorrido mas, na presença do Chico, lembrou-se e perguntou-lhe “Como vai aquele senhor do Rio?”
- Voltou para casa bem melhor”.
Há pouco tempo em visita a Goiânia. Chico passou rapidamente em casa.
Mamãe perguntou-lhe novamente por aquele senhor, e feliz, soube que ele está gozando boa saúde. Pois é, meus amigos, com tudo o que nos aconteceu pudemos observar que a  mediunidade sem dedicação, sem amor e trabalho, não levará a nada.
 E Chico aí está para estimular-nos com seu exemplo de amor e disciplina no seguimento desta Doutrina que emana de Deus, onde encontramos as chances do trabalho redentor que nos levará aos caminhos certos na pureza do sentimento, envolvendo-nos de amor ao Evangelho de Jesus.

Lelia de Amorim Nogueira


Livro Amor e Luz
Francisco Cândido Xavier
Ditados por
Espíritos Diversos



sexta-feira, 12 de outubro de 2012

As almas que se amam se encontram em outra vida?



Na espiritualidade o sentimento é claro, de uma força e suavidade que mostram o que existe entre os espíritos que o sentem. Tanto mais fácil perceber este elo afetivo, quanto mais desenvolvido moral e espiritualmente é o espírito. Já durante a encarnação, há uma limitação imposta pelo esquecimento do passado, uma vantagem que Deus nos proporcionou para que o livre-arbítrio fosse pleno em nós. Quando encarnamos esquecemos do passado, e deixamos adormecidas lembranças e sentimentos. Se duas almas que se amam se encontram, talvez não venham a perceber imediatamente a importância real de uma na vida da outra, mas sentirão empatia, simpatia ímpar e profunda, o que as faz pender para a pessoa que acabaram de conhecer na nova encarnação. O reconhecimento de um amor de milênios pode ser forte e imediato, mas em geral, para nos facilitar a vida, surge doce e suave, lenta e profundamente.

O fato de duas almas terem aprendido a amar-se e que se procuram para continuar juntas sua jornada – encontrarem-se na encarnação, não significa necessariamente que devam ficar juntas, enquanto a experiência terrena estiver em andamento. Há reencontros que acontecem para que formem família, exemplifiquem o sentimento, evoluindo e dando, uma à outra, força nas provas, expiações e missões que vieram cumprir. É bem comum também que afetos verdadeiros não se encontrem, que estejam, cada um, vivendo experiências com outras almas, de modo a ampliar os laços do amor fraternal. Neste caso, costumam aliviar a saudade através de visitas em espírito (sonhos).

Há ainda outra possibilidade, em geral prova bem difícil por exigir o mais amplo sentimento de resignação, coragem e amor ao próximo: duas almas encontrarem-se, reconhecerem-se, amarem-se e não poderem ficar juntas porque já estão comprometidas com outras pessoas e famílias.

E porque Deus faria isso?
 Deus não fez. As próprias almas pediram esta prova como exercício expiatório e prova de resistência de suas más tendências, em geral, o egoísmo.
Imaginemos…

Duas almas aprendem a se amar; almas gêmeas que se tornam, escolhem experiências que irão fazê-las evoluir. Espíritos ainda em progresso, possuem defeitos morais que estão trabalhando nas existências. Nascem juntas, separadas, na mesma família, em outras, entre amigos ou inimigos. Entre tantas vidas, numa optam por temporariamente (o que são os anos de uma encarnação perante a imortalidade?) por encarnarem separadas. Casam-se com outras pessoas, formam famílias. Mas um dia encontram-se. Reconhecem-se. O amor ressurge. Seus compromissos espirituais são logo esquecidos, desejam-se. Eles deveriam resistir à tentação de trair, de abandonar os companheiros, os filhos, os compromissos, construindo falsa felicidade sobre lágrimas alheias. No entanto cedem. Traem, abandonam, fogem… não importa. Querem ser felizes e isso lhes basta. É o egoísmo e a falta de fé no futuro, que lhes dirige a ação.

Mas não há real felicidade senão a conquistada no direito e na justiça. Se vencerem a tentação de fazer o que citamos, terão no futuro o mérito de estar uma com a outra. Se se deixam arrastar pelas paixões, estarão fadadas a novos afastamentos, lições dolorosas.
Escolhem esta experiência porque a visão que têm na espiritualidade é diferente da limitada visão da encarnação. Melhor abrir temporariamente mão da presença amada, já que o afeto não se esvai na ausência, do que abrir mão de estarem juntos em várias vidas e seus intervalos. Sendo o egoísmo o único motivador (e não o amor) da escolha de ficarem juntos a qualquer preço, constrói-se sólido castelo sobre a areia das ilusões. Fatalmente ele desmoronará, e será preciso reconstruí-lo.

Vania Loir@ Vasconcelos


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Um episódio de luz, na vida de um Santo





Domério de Oliveira

de São Paulo, SP

Para nós, adeptos do Espiritismo, Santo é todo Espírito de grande evolução, que já atingiu o estágio de Espírito Puro, sem qualquer mácula, e, quando encarnado, revela-se como uma criatura sumamente bondosa, sumamente caridosa, sumamente virtuosa. Sim, uma Luz que se materializa.

Para mim, Santo é aquele "Ser" que demonstra uma suprema Grandeza de Alma que devemos eleger como Paradigma.
Na Hagiografia, encontramos a vida de Francisco de Assis, uma linha reta, toda tarjada de pontos luminosos que O qualificam como um Verdadeiro Santo.

São Francisco, assim conhecido por todas as correntes religiosas e por todas muito respeitado, por certo, mostrou-nos o quanto vale o Amor e fez renascer nos corações aquele Cristo de há dois mil anos, fundindo todas as virtudes, na expressão que a sua vida nos oferta. Sim, São Francisco venceu a morte, porque venceu todas as imperfeições, lutou contra os instintos, consolidou os Dons Espirituais no coração e irradiou o Bem em todas as direções.
Meus amigos, vejamos um episódio de luz em sua vida, quando passou por este nosso plano: O Iluminado de Assis, certo dia, saiu de Roma e desceu para Óstia, onde O aguardavam alguns dos seus Discípulos. Sabemos que Óstia fica à margem do mar Tirreno, do lado oposto ao Adriático e, por força da natureza, localiza-se no joelho da bota de que a Itália tem a forma.
Todos os Frades, companheiros de Francisco, ficaram eufóricos com os acontecimentos em Roma que favoreciam os legítimos ideais cristãos sustentados pelo Poverello. Assim, todos reunidos, Mestre e Discípulos, percorreram um longo trecho do caminho, até que avistaram um casebre, onde residia uma família que vivia de pesca. Francisco bateu à porta, pedindo água, pois, todos estavam com bastante sede, e, atendeu-Lhe um senhor robusto e triste que andava às apalpadelas, deslizando as mãos nas paredes, por lhe faltar a vista. Francisco e companheiros saudaram o dono da casa, serviram-se da água fresca de um grande pote de barro queimado, preso a uma forquilha de madeira. Saciada a sede, acomodaram-se por convite do pescador que chamou sua mulher e seus filhos. Estes, ainda crianças. assentaram-se nos colos dos Frades; o menorzinho, de pouco mais de um ano, estendeu os bracinhos para Francisco que o acolheu sorridente. O casal, admirado com a fraternidade daqueles homens, sentiu-se à vontade. O dono da casa, um velho pescador, narrou-lhes o acontecimento que provocou a cegueira. Todos ouviram, com atenção, o drama que ocasionou a cegueira no velho pescador. Este acabou confessando que, mesmo cego, tinha a faculdade de ver coisas maravilhosas e que, naquele instante, conseguia ver os visitantes, todos revestidos de luz. Mesmo cego, sinto com isso satisfação que me consola e me dá esperança. A mulher do pescador, também confessou: — Depois da situação do meu marido, o sofrimento para nós é sem conta; vivíamos da venda de peixes, mas, agora, estamos vivendo de esmolas que nem sempre ganhamos. Penso em ir eu mesma pescar, mas temo as águas perigosas do mar...
O silêncio dominou o ambiente e alguns dos Frades oraram com fervor. Francisco tomou a palavra, como Verdadeiro Mestre da Paz e disse com tranqüilidade:
— Meus filhos, devo dizer a todos que o nosso irmão não ficou cego; ao contrário, agora ele vê mais do que antes poderia observar, porque está enxergando as coisas da Alma e do Verdadeiro Mundo para onde deveremos ir ao findar as nossas vidas terrenas. O corajoso pescador sentiu nas palavras de Francisco um consolo e uma força que lhe fortaleceu a paciência e a esperança no futuro.
Francisco levantou-se e disse ao bom pescador:
__Querido irmão das águas!...
Vamos pedir a Deus que fez também os mares, que deu vida aos peixes, que salgou as águas, que fez os ventos, que fez a Terra, a Luz e as Estrelas, que fez tudo e muito mais que não podemos observar, que fez as maravilhas que tens visto, que te permita a ver como antes. Vamos pedir a Nosso Senhor Jesus Cristo, o Canal de Deus para a Terra, que nos ajude em sua imensa misericórdia e com o seu Amor sem limites e a Maria Santíssima, mãe de Jesus e nossa, que nos abençoem, neste instante e que a Graça do Senhor venha em favor dos que sofrem e choram. Podemos recordar quantos cegos foram curados pelo nosso Divino Amigo. E suplicou, em voz alta:
— Mais um, Senhor! Se for da tua vontade que este homem veja novamente!"
(apud - livro - "Francisco de Assis" - pelo Espírito Miramez - Psicografia de João Nunes Maia).
Francisco, tocado de emoção, levou as mãos aos olhos do pescador cego e observou que um facho de luz esverdeada, de difícil explicação, vinha do alto e penetrava na base do crânio do pescador. E, então, disse, com autoridade:
— Abre os olhos e vê!
O pescador, livre da cegueira, gritou e pulou dentro da sua casa, dando graças a Deus pelo milagre da sua visão.
Eis aí, meus amigos, em linhas genéricas, um dos episódios de luz, na vida deste Santo. Até hoje, em nossos dias, quando a Ele suplicamos, com fé e Amor, sempre derrama sobre nós, seus irmãos mais débeis, cornucópias de Bênçãos.
Até hoje, ainda reboam em nossos ouvidos os dois últimos versos de sua famosa e universal, oração:
"É perdoando que somos perdoados e é morrendo que compreendemos a vida eterna".

(Jornal Verdade e Luz Nº 180 de Janeiro de 2001)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Mediunidade e Vida




Eminentes fisiologistas e pesquisadores de laboratório procuraram fixar mediunidades e médiuns a nomenclaturas e conceitos da ciência metapsíquica, entretanto, o problema, como todos os problemas humanos, émais profundo, porque a mediunidade jaz adstrita à própria vida, não existindo, por isso mesmo, dois médiuns iguais, não obstante a semelhança no campo das impressões.
Por outro lado, espiritualistas distintos julgam-Se mentais intuitivas, contendo in­terpretações particulares das Inteligências desencarnadas que os assistem.
A mediunidade, no entanto, é faculdade inerente à própria vida e no direi­to de hostilizar-lhe os serviços e impedir-lhe a eclosão, encare­cendo-lhe os supostos perigos, como se eles próprios, mentalizando os argumentos que avocam, não estivessem assimilando, por via mediúnica, as correntes
, com todas as suas deficiências e grandezas, acertos e de­sacertos, é qual o dom da visão comum, peculiar a todas as cria­turas, responsável por tantas glórias e tantos infortúnios na Ter­ra.
Ninguém se lembrará, contudo, de suprimir os olhos, por­que milhões de pessoas, à face de circunstâncias imponderáveis da evolução, deles se tenham valido para perseguir e matar nas guerras de terror e destruição.
Urge iluminá-los, orientá-los e esclarecê-los.
Também a mediunidade não requisitará desenvolvimento indiscriminado, mas sim, antes de tudo, aprimoramento da per­sonalidade mediúnica e nobreza de fins, para que o corpo espiri­tual, modelando o corpo físico e sustentando-o, possa igualmen­te erigir-se em filtro leal das Esferas Superiores, facilitando a ascensão da Humanidade aos domínios da luz.



Evolução em Dois Mundos
Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

Ditado pelo espírito André Luiz

Função da Doutrina Espírita




Forçoso reco­nhecer, todavia, que a mediunidade, na essência, quanto a ener­gia elétrica em si mesma, nada tem a ver com os princípios mo­rais que regem os problemas do destino e do ser.
         Dela podem dispor, pela espontaneidade com que se evi­dencia, sábios e ignorantes, justos e injustos, expressando-Se-lhe, desse modo, a necessidade de condução reta, quanto a força elé­trica exige disciplina a fim de auxiliar.
         Esse o motivo por que os Orientadores do Progresso sus­tentam a Doutrina Espírita na atualidade do mundo, por Chama Divina, cristianizando fenômenos e objetivos, caracteres e faculdades, para que o Evangelho de Jesus Seja de fato incorpora­do às relações humanas.
Como nas intervenções cirúrgicas em que tecidos são transplantados com êxito para melhoria das condições orgâni­cas, é indispensável nos atenhamos ao impositivo das operações mediúnicas pelas quais se efetuem proveitosas enxertias psíqui­cas, com vistas à difusão do conhecimento superior.


Evolução em Dois Mundos
Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

Ditado pelo espírito André Luiz

Mediunidade espontânea


Nessa fase primária de novo desenvolvimento, encontra-se, como é natural, ao pé dos objetos que lhe tomam o interesse.
E assim que o lavrador, no repouso físico, retoma, em corpo espiritual, ao campo em que semeia, entrando em contato com as entidades que amparam a Natureza; o caçador volta para a floresta; o escultor regressa, freqüentemente, no sono, ao blo­co de mármore de que aspira a desentranhar a obra-prima, o seareiro do bem volve à leira de serviço em que se lhe desdobra a virtude, e o culpado torna ao local do crime, cada qual rece­bendo de Espíritos afins os estímulos elevados ou degradantes de que se fazem merecedores.
Consolidadas semelhantes relações com o Plano Espiri­tual, por intermédio da hipnose comum, começaram na Terra os movimentos da mediunidade espontânea, porqüanto os encarna­dos que demonstrassem capacidades mediúnicas mais eviden­tes, pela comunhão menos estreita entre as células do corpo físi­co e do corpo espiritual, em certas regiões do campo somático, passaram das observações durante o sono às observações da vi­gília, a princípio fragmentárias, mas acentuáveis com o tempo, conforme os graus de cultura a que fossem expostos.
Quanto menos densos os elos de ligação entre os imple­mentos físicos e espirituais, nos órgãos da visão, mais amplas as possibilidades na clarividência, prevalecendo as mesmas normas para a clariaudiência e para modalidades outras, no inter­câmbio entre as duas esferas, inclusive as peculiaridades da ma­terialização, pelas quais os recursos periféricos do citoplasma, a se condensarem no ectoplasma da definição científica vulgar, se exteriorizam do corpo carnal do médium, na conjugação com as forças circulantes do ambiente, para a efêmera constituição de formas diversas.
Desde então, iniciou-se o correio entre o plano físico e o plano extrafísico, mas, porque a ignorância embotasse ainda a mente humana, os médiuns primitivos nada mais puderam reali­zar que a fascinação recíproca, ou magia elementar, em que os desencarnados igualmente inferiores eram aproveitados, por via hipnótica, na execução de atividades materiais, mas, sem qual­quer alicerce na sublimação pessoal.
           — Apareceu então a goecia ou magia negra, à qual as Inteligências Superiores opu­seram a religião por magia divina, encetando-se a formação da mitologia em todos os setores da vida tribal.
         Numes familiares, interessados em favorecer as tarefas edificantes para levantar a vida humana a nível mais nobre, fo­ram categorizadas à conta de deuses, em diversas faixas da Natureza, e, realmente, através dos instrumentos humanos mobili­záveis, esses gênios tutelares incentivaram, por todas as formas possíveis, o progresso da agricultura e do pastoreio, das indús­trias e das artes.
         A luta entre os Espíritos retardados na sombra e os aspi­rantes da luz encontrou seguro apoio nas almas encarnadas que lhes eram irmãs.
         Desde essas eras recuadas, empenharam-Se O bem e o mal em tremendo conflito que ainda está muito longe de terminar, com bases na mediunidade consciente ou inconsciente, técnica ou empírica.



Evolução em Dois Mundos
Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

Ditado pelo espírito André Luiz


Sono e aspectos do desprendimento




Releva, contudo, assi­nalar que, em se iniciando a criatura na produção do pensamen­to contínuo, o sono adquiriu para ela uma importância que a consciência em processo evolutivo, até aí, não conhecera.
Usado instintivamente pelo elemento espiritual, como re­curso reparador, no refazimento das células em serviço, seme­lhante estado fisiológico carreou novas possibilidades de realização para quantos se consagrassem ao trabalho mais amplo de desejar e mentalizar.
Ansiando livrar-se da fadiga física, após determinada quota de tempo no esforço da vigília diária e, por isso mesmo, entregue ao relaxamento muscular, o homem operante e indaga­dor adormecia com a idéia fixada a serviços de sua predileção.
Amadurecido para pensar e lançando de si a substância de seus propósitos mais íntimos, ensaiou, pouco a pouco, tal como aprendera, vagarosamente, o desprendimento definitivo nas operações da morte, o desprendimento parcial do corpo sutil, durante o sono, desenfaixando-o do veículo de matéria mais densa, embora sustentando-o, ligado a ele, por laços fluídico-mag­néticos, a se dilatarem levemente dos plexos e, com mais segu­rança, da fossa rombóide.
Encetado o processo de sonolência, com as reações moto­ras empobrecidas e impondo mecanicamente a si mesma o descanso temporário, no auxílio às células fatigadas de tensão, isto desde as eras remotas em que o pensamento se lhe articulou com fluência e continuidade, permanece a mente, através do corpo espiritual, na maioria das vezes, justaposta ao veículo fí­sico, à guisa de um cavaleiro que repousa ao pé do animal de que necessita para a travessia de grande região, em complicada viagem, dando-lhe ensejo à recuperação e pastagem, enquanto ele se recolhe ao próprio íntimo, ensimesmando-se para refletir ou imaginar, de conformidade com seus problemas e inquieta­ções, necessidades e desejos.
 — Dessa forma, aliviando o controle sobre as células que a servem no corpo car­nal, a mente se volta, no sono, para o refúgio de si mesma, plasmando na onda constante de suas próprias idéias as imagens com que se compraz nos sonhos agradáveis em que saca da me­mória a essência de seus próprios desejos, retemperando-se na antecipada contemplação dos painéis ou situações que almeja concretizar.
Para isso, mobiliza os recursos do núcleo da visão supe­rior, no diencéfalo, de vez que, aí, as qualidades essencialmente ópticas do centro coronário lhe acalentam no silêncio do desner­vamento transitório todos os pensamentos que lhe emergem do seio.
Noutras ocasiões, no mesmo estado de insulamento, reco­lhe, no curso do sono, os resultados de seus próprios excessos, padecendo a inquietação das vísceras ou dos nervos injuriados pela sua rendição à licenciosidade, quando não seja o asfixiante pesar do remorso por faltas cometidas, cujos reflexos absorvem do arquivo em que se lhe amontoam as próprias lembranças.
Numa e noutra condição, todavia, é a mente suscetível àinfluenciação dos desencarnados que, evoluídos ou não, lhe vi­sitam o ser, atraidos pelos quadros que se lhe filtram da aura, ofertando-lhe auxílio eficiente quando se mostre inclinada à as­censão de ordem moral, ou sugando-lhe as energias e assopran­do-lhe sugestões infelizes quando, pela própria ociosidade ou intenção maligna, adere ao consórcio psíquico de espécie avil­tante, que lhe favorece a estagnação na preguiça ou a envolve nas obsessões viciosas pelas quais se entrega a temíveis contra­tos com as forças sombrias.
         Mas dessa posição de espectador à função de agente exis­te apenas um passo.
O pensamento contínuo, em fluxo insopitável, desloca-lhe a organização celular perispiritual, à maneira do córrego que em sua passagem desarticula da gleba em que desliza todo um rosá­rio de seixos. E assim como os seixos soltos seguem a direção da corrente, lapidando-se no curso dos dias, o corpo espiritual acompanha, de início, o impulso da corrente mental que por ele extravasa, conscienciando-se muito vagarosamente no sono, que lhe propicia meia-libertação.


Evolução em Dois Mundos
Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

Ditado pelo espírito André Luiz


Mediunidade inicial





A aura é, portanto, a nossa plataforma onipresente em toda comunicação com as rotas alheias, antecâmara do Espírito, em todas as nossas atividades de intercâmbio com a vida que nos rodeia, através da qual so­mos vistos e examinados pelas Inteligências Superiores, senti­dos e reconhecidos pelos nossos afins, e temidos e hostilizados ou amados e auxiliados pelos irmãos que caminham em posição inferior à nossa.
Isso porque exteriorizamos, de maneira invariável, o re­flexo de nós mesmos, nos contatos de pensamento a pensamen­to, sem necessidade das palavras para as simpatias ou repulsões fundamentais.
É por essa couraça vibratória, espécie de carapaça fluídi­ca, em que cada consciência constrói o seu ninho ideal, que co­meçaram todos os serviços da mediunidade na Terra, conside­rando-se a mediunidade como atributo do homem encarnado para corresponder-se com os homens liberados do corpo físico.
Essa obra de permuta, no entanto, foi iniciada no mundo sem qualquer direção consciente, porque, pela natural apresen­tação da própria aura, os homens melhores atraíram para si os Espíritos humanos melhorados, cujo coração generoso se volta­va, compadecido, para a esfera terrena, auxiliando os compa­nheiros da retaguarda, e os homens rebeldes à Lei Divina alicia­ram a companhia de entidades da mesma classe, transformando-se em pontos de contato entre o bem e o mal ou entre a Luz e a Sombra que se digladiam na própria Terra.
Pelas ondas de pensamento a se enovelarem umas sobre as outras, segundo a combinação de freqüência e trajeto, nature­za e objetivo, encontraram-se as mentes semelhantes entre si, formando núcleos de progresso em que homens nobres assimi­laram as correntes mentais dos Espíritos Superiores, para gerar trabalho edificante e educativo, ou originando processos vários de simbiose em que almas estacionárias se enquistaram mutuamente, desafiando debalde os imperativos da evolução e estabe­lecendo obsessões lamentáveis, a se elastecerem sempre novas, nas teias do crime ou na etiologia complexa das enfermidades mentais.
A intuição foi, por esse motivo, o sistema inicial de inter­câmbio, facilitando a comunhão das criaturas, mesmo a distân­cia, para transfundi-las no trabalho sutil da telementação, nesse ou naquele domínio do sentimento e da idéia, por intermédio de remoinhos mensuráveis de força mental, assim como na atualidade o remoinho eletrônico infunde em aparelhos especiais a voz ou a figura de pessoas ausentes, em comunicação recíproca na radiotelefonia e na televisão.



Evolução em Dois Mundos
Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira

Ditado pelo espírito André Luiz

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Fixação mental

Em nossas tarefas da noite de 5 de maio de 1955, o iluminado Espírito do Doutor Dias da Cruz voltou a visitar-nos, estudando, para a nossa edificação, o problema da fixação mental, depois da morte. Em sua alocução interessante e oportuna, o Instrutor oferece-nos grave advertência quanto ao aproveitamento de nossa reencarnação terrestre.
Analisando, superficialmente embora, o problema da fixação mental, depois da morte, convém não esquecer que a alma, quando encarnada, permanece munida do equipamento fisiológico que lhe faculta o atrito constante com a natureza exterior.

As reações contínuas, hauridas pelos nervos da organização sensorial, determinando a compulsória movimentação do cérebro, associadas aos múltiplos serviços da alimentação, da higiene e da preservação orgânica, estabelecem todo um conjunto vibratório de emoções e sensações sobre as cordas sensíveis da memória, valendo por impactos diretos da luta evolutiva no espírito em desenvolvimento, obrigando-o a exteriorizar-se para a conquista de experiência.

Esse exercício incessante, enquanto a alma se demora no mundo físico, trabalha o cosmo mental, inclinando-o a buscar no bem o clima da atividade que o investirá na posse dos recursos de elevação. Como sabemos, todo bem é expansão, crescimento e harmonia e todo mal é condensação, atraso e desequilíbrio.

O bem é a onda permanente da vida a irradiar-se como o Sol e o mal pode ser considerado como sendo essa mesma onda, a enovelar-se sobre si mesma, gerando a treva enquistada. Ambos personalizam o amor que é libertação e o egoísmo, que é cárcere.

E se a alma não conseguiu desvencilhar-se, enquanto na Terra, das variadas cadeias de egoísmo, como sejam o ódio e a revolta, a perversidade e a delinqüência, o fanatismo e a vingança, a paixão e o vício, em se afastando do corpo de carne, pela imposição da morte, assemelha-se a um balão electromagnético, pejado de sombra e cativo aos processos da vida inferior, a retirar-se dos plexos que lhe garantiam a retenção, através da dupla cadeia de gânglios do grande simpático, projetando-se na esfera espiritual, não com a leveza específica, suscetível de alçá-la a níveis superiores, em circuito aberto, mas sim com a densidade característica da fixação mental a que se afeiçoa, sofrendo em si os choques e entrechoques das suas próprias forças desvairadas, em circuito fechado sobre si mesma, revelando lamentável desequilíbrio que pode perdurar até mesmo por séculos, conforme a concentração do pensamento na desarmonia em que se compraz.

Nesse sentido, podemos simbolizar a vontade como sendo a âncora que retém a embarcação do espírito em seu clima ideal.

É necessário, assim, consagrar nossa vida ao bem completo, a fim de que estejamos de acordo com a Lei Divina, escalando, ao seu influxo, os acumes da Vida Superior.

E é por isso que, encarecendo o valor da reencarnação, como preciosa oportunidade de progresso, lembraremos aqui as palavras do Senhor, no versículo 35, do capítulo 12, no Evangelho do Apóstolo João: «Avançai enquanto tendes luz para que as trevas não vos alcancem, porque todo aquele que caminha nas trevas, marchará fatalmente sob o nevoeiro, perdendo o próprio rumo. »

Francisco de Menezes Dias da Cruz


Fonte:Do livro INSTRUÇÕES PSICOFÔNICAS, psicografado pelo médium Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier), pelo espírito Francisco de Menezes Dias da Cruz, edição FEB.

domingo, 2 de setembro de 2012

Doenças Psicossomáticas e a Espiritualidade


Doenças Psicossomáticas
Por.: Divaldo Pereira Franco


O espírito Joanna de Ângelis nos fala sobre as doenças psicossomáticas e o importantíssimo papel da mente na saúde: O ser humano é um conjunto harmônico de energias, constituído de Espírito e matéria, mente e perispírito, emoção e corpo físico, que interagem em fluxo contínuo uns sobre os outros. Qualquer ocorrência em um deles reflete no seu correspondente, gerando, quando for uma ação perturbadora, distúrbios, que se transformam em doenças, e que, para serem retificadas, exigem renovação e reequilíbrio do fulcro onde se originaram. Desse modo, são muitos os efeitos perniciosos no corpo causados pelos pensamentos em desalinho, pelas emoções desgovernadas, pela mente pessimista e inquieta na aparelhagem celular.
Determinadas emoções fortes – medo, cólera, agressividade, ciúme – provocam uma alta descarga de adrenalina na corrente sanguínea, graças às grândulas supra-renais. Por sua vez, essa ação emocional reagindo no físico, nele produz aumento da taxa de açúcar, mais forte contração muscular, face à volumosa irrigação do sangue e sua capacidade de coagulação mais rápida.
A repetição do fenômeno provoca várias doenças como a diabetes, a artrite, a hipertensão, etc., assim, cada enfermidade física traz um componente psíquico, emocional ou espiritual correspondente. Em razão da desarmonia entre o Espírito e a matéria, a mente e o perispírito, a emoção (os sentimentos) e o corpo, desajustam-se os núcleos de energia, facultando os processos orgânicos degenerativos provocados por vírus e bactérias, que neles se instalam.
Conscientizar-se desta realidade é despertar para valores ocultos que, não interpretados, continuam produzindo desequilíbrios e somatizando doenças, como mecanismos degenerativos na organização somática.
Por outro lado, os impulsos primitivos do corpo, não disciplinados, provocam estados ansiosos ou depressivos, sensação de inutilidade, receios ou inquietações que se expressam ciclicamente, e que a longo prazo se transformam em neuroses, psicoses, perturbações mentais. A harmonia entre Espírito e a matéria deve viger a favor do equilíbrio do ser, que desperta para as atribuições e finalidades elevadas da vida, dando rumo correto e edificante à sua reencarnação.
As enfermidades, sobre outro aspecto, podem ser consideradas como processos de purificação, especialmente aquelas de grande porte, as que se alongam quase que indefinidamente, tornando-se mecanismos de sublimação das energias grosseiras que constituem o ser nas suas fases iniciais da evolução.
É imprescindível um constante renascer do indivíduo, pelo renovar da sua consciência, aprofundando-se no autodescobrimento, a fim de mais seguramente identificar-se com a realidade e absorvê-la. Esse autodescobrimento faculta uma tranqüila avaliação do que ele é, e de como está, oferecendo os meios para torná-lo melhor, alcançando assim o destino que o aguarda.
De imediato, apresenta-se a necessidade de levar em conta a escala de valores existenciais, a fim de discernir quais aqueles que merecem primazia e os que são secundários, de modo a aplicar o tempo com sabedoria e conseguir resultados favoráveis na construção do futuro.
Essa seleção de objetivos dilui a ilusão – miragem perturbadora elaborada pelo ego – e estimula o emergir do Si, que rompe as camadas do inconsciente (ignorância da sua existência) para assumir o comando das suas aspirações.
Podemos dizer que o ser, a partir desse momento, passa a criar-se a si mesmo de forma lúcida, desde que, por automatismo, ele o faz através de mecanismos atávicos da Lei de evolução.
A ação do pensamento sobre o corpo é poderosa, ademais considerando-se que este último é o resultado daquele, através das tecelagens intrincadas e delicadas do perispírito (seu modelador biológico), que o elabora mediante a ação do ser espiritual, na reencarnação. Assim sendo, as forças vivas da mente estão sempre construindo, recompondo, perturbando ou bombardeando os campos organo-genéticos responsáveis pela geratriz dos caracteres físicos e psicológicos, bem como sobre os núcleos celulares de onde procedem os órgãos e a preservação das formas.
Quanto mais consciente o ser, mais saudáveis os seus equipamentos para o desempenho das relevantes tarefas que lhe estão reservadas. Há exceções, no entanto, que decorrem de livre opção pessoal, com finalidades específicas nas paisagens da sua evolução.
O pensamento salutar e edificante flui pela corrente sanguínea como tônus revigorante das células, passando por todas elas e mantendo-se em harmonia no ritmo das finalidades que lhes dizem respeito. O oposto também ocorre, realizando o mesmo percurso, perturbando o equilíbrio e a sua destinação.
Quando a mente elabora conflitos, ressentimentos, ódios que se prolongam, os dardos reagentes, disparados desatrelam as células dos seus automatismos, degeneram, dando origem a tumores de vários tipos, especialmente cancerígenos, em razão da carga mortífera de energia que as agride.
Outras vezes, os anseios insatisfeitos dos sentimentos convergem como força destruidoras para chamar a atenção nas pessoas que preferem inspirar compaixão, esfacelando a organização celular e a respectiva mitose, facultando o surgimento de focos infecciosos resistentes a toda terapêutica, por permanecer o centro desencadeador do processo vibrando negativamente contra a saúde.
Vinganças disfarçadas voltam-se contra o organismo físico e mental daquele que as acalenta, produzindo úlceras cruéis e distonias emocionais perniciosas, que empurram o ser para estados desoladores, nos quais se refugia inconscientemente satisfeito, embora os protestos externos de perseguir sem êxito o bem-estar, o equilíbrio.
O intercâmbio de correntes vibratórias (mente-corpo, perispírito-emoções, pensamentos-matéria) é ininterrupto, atendendo aos imperativos da vontade, que os direciona conforme seus conflitos ou aspirações.
Idéias não digeridas ressurgem em processos enfermiços como mecanismos auto-purificadores; angústias cultivadas ressumam como distonias nervosas, enxaquecas, desfalecimentos, camuflando a necessidade de valorização e fuga do interesse do perdão; dispepsias, indigestões, hepatites originam-se no aconchego do ódio, da inveja, da competição malsã – geradora da ansiedade – do medo, por efeito dos mórbidos conteúdos que agridem o sistema digestivo, alterando-lhe o funcionamento.
O desamor pessoal, os complexos de inferioridade, as mágoas sustentadas pela autopiedade, as contrariedades que resultam dos temperamentos fortes de constantes atritos com o organismo, resultando em cânceres de mamas(feminino), da próstata, taquicardia, disfunções coronarianas, cardíacas, enfartos brutais, etc.
Impetuosidade, violência, queixas sistemáticas, desejos insaciáveis respondem por derrames cerebrais, estados neuróticos, psicoses de perseguição, etc..

O homem é o que acalenta no íntimo. Sua vida mental expressa-se na organização emocional e física, dando surgimento aos estados de equilíbrio como de desarmonia pelos quais se movimenta.

A conscientização da responsabilidade imprime-lhe destino feliz, pelo fato de poder compreender a transitoriedade do percurso carnal, com os olhos fitos na imortabilidade de onde procede, em que se encontra e para a qual ruma. Ninguém jamais sai da vida.
Adequando-se à saúde e à harmonia, o pensamento, a mente, o corpo, o perispírito, a matéria e as emoções receberão as cargas vibratórias benfazejas, favorecendo-se com a disposição para os empreendimentos idealistas, libertários e grandiosos, que podem ser conseguidos na Terra graças às dádivas da reencarnação.

Assim, portanto, cada um é o que lhe apraz e pelo que se esforça, não sendo facultado a ninguém o direito de queixas, face ao princípio de que todos os indivíduos dispõem dos mesmos recursos, das mesmas oportunidades, que empregam, segundo seu livre-arbítrio, naquilo que realmente lhes interessa e de onde retiram os proventos para sua própria sustentação.
Jesus referiu-se ao fato, sintetizando, magistralmente, a Sua receita de felicidade, no seguinte pensamento: – A cada um será dado segundo as suas obras.
Assim, portanto, como se semeia, da mesma forma se colherá.


Artigo.: Doenças Psicossomáticas
Por.: Divaldo Pereira Franco
Pelo espírito de Joanna de Ângelis
Do.: Livro “Autodescobrimento” (Ed. Leal)

Evangelho no lar



Nas palavras do espírito Meimei, "o lar é porto com que o Senhor nos conduz no extenso e furioso mar da vida terrestre". O que a autora espiritual quer nos transmitir, é que o lar deve ser recanto abençoado de paz e reconforto, para que nele, descansemos o corpo e o espírito das tribulações que no mundo afora somos forçados a enfrentar. Também para que possamos haurir no ninho doméstico energias renovadoras. E essa condição não pode ser satisfeita, senão atraindo para o lar a presença dos Espíritos Bons, que nos ajudam com sua influência benéfica, em vários sentidos.


Mas nem sempre, esse porto é tranquilo e sereno. Não é raro encontrar lares tão envenenados quanto o ambiente no mundo externo. Brigas contantes, disputas de espaço, ódio, ciúmes, indiferença, iniquidades de toda espécie, entre os próprios familiares, são sintomas evidentes de um lar desprotegido e desequilibrado. Quando cessam as possibilidades dos Espíritos Bons, ou dos Espíritos amigos, simpáticos e familiares, em manter a tranquilidade do ambiente doméstico, estes se afastam, e o lar fica à mercê dos Espíritos ignorantes, inescrupulosos ou perversos.
E daí, as consequências podem se desdobrar para as mais tristes e desastrosas imagináveis.

Neste estudo, vamos procurar abordar os aspectos desse assunto, desenvolvendo-o passo a passo, dentro de nossas possibilidades, as seguintes questões:

1. A importância e a necessidade da prática constante e disciplinada do evangelho no lar.
2. As possíveis restrições e dificuldades dessa prática. Como proceder com familiares obtusos, indiferentes, incrédulos, ou adeptos de outras doutrinas religiosas?
3. Como realizar a sessão, e quais percalços evitar?
4. Como incentivar e motivar a participação de crianças e adolescentes?
5. Como proceder em situações que dificultam ou impossibilitam a prática constante e regrada?
6. Quais leituras podem ou devem ser realizadas? Que modalidade de preces e vibrações devemos praticar?
7. Pré-sessão e pós-sessão. Como preparar o ambiente adequeadamente, e como manter e fazer bom uso dos benefícios recebidos?
8. Qual a extensão dos benefícios que podemos receber com a prática do evangelho do lar? É útil ou válido o esforço de tentar proteger o lar com a prece, quando outros residentes o mancham com iniquidades ou ações de baixa virtude?
9. Mediunidade. O que devemos saber sobre as sessões no lar onde os médiuns manifestam passividade?
10. Quem pode participar? Somente os espíritas? Como proceder no caso de um ou mais participantes, com opinião filosófica conflitantes com a doutrina, resolverem participar da sessão?

Estas e outras questões que serão lembradas ou sugeridas pelos colegas de estudo, poderão ser desenvolvidas, com o empenho de todos.

Quanto às referências bibliográficas, sintam-se todos à vontade para trazer material relevante, sem nos furtarmos, no entanto, às informações das obras básicas de Allan Kardec.

Será muito relevante também, comentários sobre experiências pessoais, sobre as melhoras percebidas no ambiente doméstico, ou qualquer outro enfoque que nos sirva de instrução.

Que Deus e seus benfeitores nos inspirem nessa tarefa. Que esse estudo renove nossas ideias, e nos instrua para o bem.


sábado, 18 de agosto de 2012

O amor

O amor, qualquer que seja o mundo em que se esteja, é a força, o eixo das esferas que gravitam em suas órbitas. Na natureza, nos infinitamente pequenos, é o amor, antes de tudo, que guia o instinto. No homem, na sociedade inteira, é o amor que forma as simpatias, que torna possíveis as relações dos humanos entre si. Seja qual for a expressão sob a qual o queiram deformar, seja qual for o nome com que o ridiculizem, se analisardes um pouco, encontrareis sempre o amor, o amor mais ou menos purificado, que existe em todo ser. Ele é o centro, a causa. Reina no lar. É sobre suas fiadas que se constrói a família, a família que perpetua, no tempo e no espaço, a longa série dos séculos, marcando o progresso das humanidades. E é também o amor que rege as amizades sólidas.


Constituís uma força poderosa, quando as mesmas idéias, o mesmo ardente desejo do bem vos animam. A força fluídica que vos cerca é considerável, e se, de sua resistência, o granito vos pode dar idéias, o cristal, em cujas facetas se vem irisar a luz, poderá fazer-vos perceber-lhe a incomparável pureza.

Desde o menor até o maior, amai; e, em vossos corações, em vossas almas, correrá a fonte de vida. Sim, é necessário amar ainda, amar sempre, ensinando, continuando a propagar, em toda a sua grandeza, a filosofia que encerra o porquê dos destinos humanos. Trabalhai a terra; deixai que nela entre a relha do poderoso arado do amor e, um dia, as messes louras germinarão ao sol radiante do futuro. Propagai sem descanso. Propagai amando.

Eduardo Petit 

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

A tarefa do missionário



A tarefa de Allan Kardec era difícil e complexa. Competia-lhe reorganizar o edifício desmoronado da crença, reconduzindo a civilização às suas profundas bases religiosas. Atento à missão de concórdia e fraternidade da América, o plano invisível localizou aí as primeiras manifestações tangíveis do mundo espiritual, no famoso lugarejo de Hydesville, provocando os mais largos movimentos de opinião. A fagulha partira das plagas americanas, como partira igualmente delas a consolidação das conquistas democráticas. A Europa busca ambientar as idéias novas e generosas, que encontram o discípulo no seu posto de oração e vigilância, pronto a atender aos chamamentos do Senhor. Numerosos cooperadores diretos da sua tarefa auxiliam-lhe o esforço sagrado, desdobrando-lhe as sínteses em gloriosos complementos. O orbe, com as suas instituições sociais e políticas, havia atingido um período de grandiosas transformações, que requeriam mais de um século de lutas dolorosas e remissoras, e o Espiritismo seria a essência dessas conquistas novas, reconduzindo os corações ao Evangelho suave do Cristianismo.

A Caminho da Luz
Chico Xavier
por Emmanuel

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Romance na vida



No campo, em que o luar engrinalda a escumilha,
O par freme de amor, a noite dorme e brilha.
Ele, o poeta aldeão, era humilde pastor;
Ela, a fidalga, expunha a mocidade em flor.
Ao longe da mansão, quantos beijos ao vento!…

Quantas juras de afeto à luz do firmamento!

Em certa noite, a eleita envia antigo pajem

Que entrega ao moço ansioso imprevista mensagem.
“Perdoe – a carta diz – se não lhe fui sincera
Desposarei agora o homem que me espera.
Nunca deslustrarei o nome de meus pais.
Nosso amor foi um sonho… Um sonho. Nada mais.”

Chora o moço infeliz, sem ninguém que o conforte,
Surdo à razão, anseia arrojar-se na morte.
Corre à choça de taipa. A gesto subitâneo,
Arma-se em desespero e arrasa o próprio crânio.


Foi-se o tempo… E, no Além, o menestrel suicida
Era um louco implorando um novo corpo à vida.

Um dia, a castelã, no refúgio dourado,
Morre amargando, aflita, as lições do passado.

Pendem alvos jasmins do féretro suspenso,
Filhos clamam adeus em volutas de incenso.

Largando-se, por fim, dos enfeites de prata,
Sente-se agora a dama envilecida e ingrata.

Lembra o campo de outrora e o pobre moço aldeão,
Pede para revê-lo e rogar-lhe perdão.

Encontra-o, finalmente, em vasta enfermaria,
Demente, cego e mudo em angústia sombria.
Ela suporta em pranto a culpa que a reprova,
Quer voltar para a Terra e dar-lhe vida nova.

A eterna Lei de Amor no amor se lhe revela,
Retorna ao corpo denso em aldeia singela.

Hoje, mãe a sofrer, fina-se, pouco a pouco,
Carregando no colo um filho mudo e louco…
E enquanto o enfermo espraia o olhar triste e sem brilho,
Ela vive a rogar:

 “Não me deixes, meu filho!…”

O romance prossegue e os momentos se vão…
Bendita seja a dor que talha a perfeição.



Quatro anos antes, no livro Na Era do Espírito (Editora GEEM, 1973), composto em parceria com J. Herculano Pires, Chico Xavier consignou o poema intitulado “Romance na vida”, de autoria de Alphonsus de Guimaraens, que retrata a história pretérita de um menino excepcional cuja mãe se encontrava presente na sessão em que o poema foi psicografado.

Autismo



O que iremos narrar, tão fielmente quanto possível, ouvimos num sábado à noite “Grupo Espírita da Prece”, logo após o contato fraterno com os irmãos que residem nas imediações da Mata do Carrinho, o novo local onde as nossas reuniões vespertinas estão sendo realizadas.
Um casal aproximou-se ao Chico, o pai sustentando uma criança de ano e meio nos braços, acompanhando por distinto medico espírita de Uberaba.

A mãe permaneceu a meia distância, em mutismo total, embora com alguma aflição no semblante.
O médico, adiantando-se, explicou o caso ao Chico: a criança, desde que nasceu, sofre sucessivas convulsões, tendo que ficar sob o controle de medicamento, permanecendo dormindo a maior parte do tempo, em consequência, mal consegue engatinhar e não fala.
Após dialogarem durante alguns minutos. O Chico perguntou ao nosso confrade a que diagnostico havia chegado.

- Para mim, trata-se de um caso de autismo – respondeu ele.
O Chico disse que o diagnostico lhe parecia bastante acertado, mas que convinha diminuir o anticonvulsivos mesmo que tal medida, a principio, intensificasse os ataques. Explicou, detalhadamente, as contra indicações do medicamento no organismo infantil. Recomendou passes.
- Vamos orar- concluiu.

O casal saiu visivelmente mais confortado, mas, segurando o braço do médico nosso confrade. Chico Explicou a todos que estavamos ali mais próximos:
- “o autismo”, é um caso muito sério, podendo ser considerado uma verdadeira calamidade. Tanto envolve crianças quanto adultos... Os médiuns também , por vezes, principalmente os solteiros sofrem desse mal, pois que vivem sintonizados com o mundo espiritual, desinteressando-se da Terra.
“É preciso que alguma coisa nos prenda no mundo, porque, senão, perdemos a vontade de permanecer no corpo...”.E Chico exemplificou com ele mesmo:
-Vejam bem: o que é que me interessa na Terra? A não ser a tarefa mediúnica, nada mais. Dinheiro, eu só quero o necessário para sobreviver casa, eu não tenho o que fazer com mais de uma... Então, eu procuro me interessar pelos meus gatos e meus cachorros. Quando um adoece ou morre, eu choro muito, porque se eu não me ligar em alguma coisa eu deixo vocês...
Ele ainda considerou que, muitos casos de suicídios têm as suas raízes no “autismo”, porque a pessoa vai perdendo o interesse pela vida. Inconscientemente deseja retornar à Pátria Espiritual, e para se libertar do corpo, que considera uma verdadeira prisão, força as portas de saída...
E o Chico falou ao médico:

- È preciso que os pais dessa criança conversem muito com ela, principalmente a mãe. È necessário chamar o espírito para o corpo. Se não agirmos assim, muitos espíritos não permaneceram na carne, porque a reencarnação para eles é muito dolorosa.
Evidentemente que não conseguimos registrar tudo, mas a essência do assunto é o que está exposto aqui.
E ficamos a meditar na complexidade dos problemas humanos e na sabedoria de Chico Xavier.
Quando ele falava de si, ilustrando a questão do “autismo”, sentimo-lo como um pássaro de luz encarcerado numa gaiola de ferro, renunciando à paz da grande floresta para entoar canções de imortalidade aos que caíram, invigilantes, no visgo do orgulho ou no alçapão da perturbação.
Nesta noite, sem dúvida, compreendemos melhor Chico Xavier e o admiramos ainda mais.
De fato, pensando bem, o que é que pode interessar na Terra, a não ser o trabalho missionário em nome do Senhor, ao Espírito que já não pertence mais à sua faixa evolutiva?
O espírito daquela criança sacudia o corpo que convulsionava, na ânsia de libertar-se...
Sem dúvida, era preciso convencer o Espírito a ficar. Tentar dizer-lhe que a Terra não é cruel assim... Que precisamos trabalhar pela melhoria do homem.


Fonte:
Chico Xavier, à sombra do abacateiro/ Carlos Antonio Baccelli- São Paulo: Instituto Divulgação Editora André Luiz, 1986, pag. 8.
Imagem Google.

Criança excepcional



"- A criança excepcional sempre me impressionou, pelo sofrimento de que ela é portadora, não somente em se tratando dela mesma, mas também dos pais, e isso tem sido tema de várias conversações minhas com Emmanuel, que é Guia Espiritual de nossas tarefas. Ele então disse que em regra geral, a criança excepcional é o suicida reencarnado. Reencarnado depois de suicídio recente , porque a pessoa quando pensa que se liquida, está apenas estragando ou perdendo a roupa de que a Providência Divina permite que se sirva durante a existência, que é o corpo físico, a verdade é que ela em si é um corpo espiritual; então, os remanescentes do suicídio acompanham a criatura que praticou autodestruição para a vida do mais além. Lá, ela se demora algum tempo, amparada por amigos, que toda criatura tem afeições por toda parte; mas, volta à terra com os remanescentes que levou daqui mesmo, após o suicídio. Se uma pessoa espatifou o crânio e o projétil atingiu o centro da fala, ela volta com a mudez; se atingiu o centro da visão, volta cega, mas se atingiu determinadas regiões mais complexas do cérebro, vem em plena idiotia e aí os centros fisiológicos não funcionam. A endocrinologia teria de fazer um capítulo especial para estudar uma criança surda, muda, cega, paralítica, porque aí a criatura seria uma vida no santuário da vida, que é a parte mais delicada do cérebro. Se ela suicidou-se, mergulhando em águas profundas, vem com a disposição para o efizema infantil ou da mocidade nos primeiros dias de vida; se ela se enforcou, vem com a paraplegia, depois de uma simples queda, que toda criança cai (do colo da ama, do colo da mãezinha); então, quando o processo é de enforcamento, a vértebra que foi deslocada vem mais fraca e, numa simples queda, a criança é acometida pela paraplegia. E nós vemos por aí outras crianças que vem completamente perturbadas: a esquizofrenia, por exemplo, diz-se do suicídio depois do homicídio. O complexo de culpa adquire dimensões tamanhas que o quimismo do cérebro se modifica e vem a esquizofrenia como uma doença verificável, porque através dos líquidos expelidos pelo corpo é possível detectar os princípios de esquizofrenia; mas o esquizofrênico é o homicida que se fez suicida, porque o complexo de culpa é tão grande, o remorso é tão terrível que aquilo reflete na próxima vida física da criatura durante algum tempo ou muito tempo."


terça-feira, 31 de julho de 2012

O Espírito e a sua forma



O nosso estado psíquico é obra nossa. O grau de percepção, de compreensão, que possuímos, é o fruto de nossos esforços prolongados. Fomos nós que o fizemos ao percorrer o ciclo imenso de sucessivas existências. O nosso invólucro fluídico, sutil ou grosseiro, radiante ou obscuro, representa o nosso valor exato e a soma de nossas aquisições. Os nossos atos e pensamentos pertinazes, a tensão de nossa vontade em determinado sentido, todas as volições do nosso ser mental, repercutem no perispírito e, conforme a sua natureza, inferior ou elevada, generosa ou vil, assim dilatam, purificam ou tornam grosseira a sua substância. Daí resulta que, pela constante orientação de nossas idéias e aspirações, de nossos apetites e procedimentos em um sentido ou noutro, pouco a pouco fabricamos um envoltório sutil, recamado de belas e nobres imagens, acessível às mais delicadas sensações, ou um sombrio domicílio, uma lôbrega prisão, em que, depois da morte, a alma restringida em suas percepções se encontra sepultada como num túmulo. Assim cria o homem para si mesmo o bem ou o mal, a alegria ou o sofrimento. Dia a dia, lentamente, edifica ele seu destino. Em si mesmo está gravada sua obra, visível para todos no Além. É por esse admirável mecanismo das coisas, simples e grandioso ao mesmo tempo, que se executa, nos seres e no mundo, a lei de causalidade ou de conseqüência dos atos, que outra coisa não é senão o cumprimento da justiça.

Leon Denis
No Invisível

A marcha ascensional





A intuição profunda nos revela a presença dos amigos invisíveis e, num certo limite, nos permitia em nosso foro interno corresponder-nos com eles. A experimentação vai mais longe: proporciona meios de comunicação positivos e evidentes; estabelece entre os dois mundos, o visível e o oculto, uma comunhão que se vai ampliando à proporção que as faculdades mediúnicas se multiplicam e aperfeiçoam. Fortalece os laços de solidariedade que vinculam as duas Humanidades e lhes permite, por meio de constantes relações, por contínua permuta de idéias, combinar suas forças, suas aspirações comuns, orientá-las no sentido de um mesmo grandioso objetivo e trabalhar conjuntamente por adquirir mais luz, mais elevação moral e, conseguintemente, mais felicidade para a grande família das almas, de que homens e Espíritos são membros.
Força é, todavia, reconhecer que a prática experimental do Espiritismo é inçada de dificuldades. Exige qualidades de que não são dotados muitos homens: espírito de método, perseverança, perspicácia, elevação de pensamentos e de sentimentos. Alguns só chegam a adquirir a cobiçada certeza, depois de repetidos insucessos; outros a alcançam de um jato, pelo coração, pelo amor. Estes apreendem a verdade sem esforço, e dela nada mais os consegue desviar.
Sim, a Ciência é magnífica; nela encontram infinitas satisfações os investigadores perseverantes, a quem cedo ou tarde fornecerá ela a base em que as convicções sólidas se fundam. Entretanto, a essa ciência puramente intelectual, que estuda unicamente os corpos, é necessário, para assegurar-lhe o equilíbrio, acrescentar uma outra que se ocupa da alma e de suas faculdades afetivas. É o que fez o Espiritismo, que não é somente uma ciência de observação, mas também de sentimento e de amor, pois que se dirige ao mesmo tempo à inteligência e ao coração.
É por isso que os sábios oficiais, habituados às experiências positivas, operando com instrumentos de precisão e baseando-se em cálculos matemáticos, obtêm resultados menos facilmente e fatigam-se depressa em presença do caráter fugidio dos fenômenos. As causas múltiplas em ação nesse domínio, a impossibilidade de reproduzir os fatos à vontade, as incertezas, as decepções os desconcertam e fazem esmorecer.

Leon Denis
No Invisível

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Mediunidade



Todas as manifestações da Natureza e da vida se resumem em vibrações, mais ou menos rápidas e extensas, conforme as causas que as produzem. Tudo vibra no Universo: a luz, o som, o calor, a eletricidade, os raios químicos, os raios catódicos, as ondas hertzianas, etc., não são mais que diferentes modalidades de ondulação, graus sucessivos, que em seu conjunto constituem a escala ascensional das manifestações da energia.

Esses graus são muito afastados entre si. O som percorre 340 metros por segundo; a luz, no mesmo tempo, faz o percurso de 300.000 quilômetros; a eletricidade se propaga com uma rapidez que se nos afigura incalculável. Os nossos sentidos físicos, porém, não nos permitem perceber todos os modos de vibração. Sua impotência para dar uma impressão completa das forças da Natureza é um fato suficientemente conhecido para que tenhamos necessidade de insistir sobre esse ponto.

Só no domínio da óptica, sabemos que as ondas luminosas não nos impressionam a retina senão nos limites das sete cores. Certas radiações solares escapam à nossa vista; chamam-se, por isso, raios obscuros.

Entre o limite dos sons, cujas vibrações alcançam de 20 a 20.000 por segundo, e a sensação de calor, que se mede por trilhões de vibrações, nada percebemos. O mesmo acontece entre a sensação de calor e de luz, que corresponde, na média, a 500 trilhões de vibrações por segundo.[i]

Nessa prodigiosa ascensão, os nossos sentidos representam paradas muitíssimo espaçadas, estações dispostas a consideráveis distâncias uma das outras, uma rota sem-fim. Entre essas diversas paradas, por exemplo, entre os sons agudos e os fenômenos de calor e de luz, destes, em seguida, até às zonas vibratórias afetadas pelos raios catódicos, há para nós como que abismos. Para seres, porém, dotados de sentidos mais sutis ou mais numerosos que os nossos, esses abismos, desertos e obscuros na aparência, não estariam preenchidos? Entre as vibrações percebidas pelo ouvido e as que nos impressionam a vista não há mais que o nada no domínio das forças e da vida universal?

Seria bem pouco sensato acreditá-lo, porque tudo em a Natureza se sucede, se encadeia e se desdobra, de elo em elo, por gradativas transições. Em parte alguma há salto brusco, hiato, vácuo. O que resulta destas considerações é simplesmente a insuficiência do nosso organismo, demasiado pobre para perceber todas as modalidades de energia.

O que dizemos das forças em ação no Universo aplica-se igualmente ao conjunto dos seres e das coisas em suas diversas formas, em seus diferentes graus de condensação ou de rarefação.

O nosso conhecimento do Universo se restringe ou amplia conforme o número e a delicadeza de nossos sentidos. O nosso organismo atual não nos permite abranger mais que limitadíssimo círculo do império das coisas. A maior parte das formas da vida nos escapa. Venha, porém, um novo sentido se nos acrescentar aos atuais, e imediatamente se há de o invisível revelar, será preenchido o vácuo, animado o que era soturna insensibilidade.

Poderíamos mesmo possuir sentidos diferentes que, por sua estrutura anatômica, modificariam totalmente a natureza de nossas sensações atuais, de modo a nos fazer ouvir as cores e saborear os sons. Bastaria para isso que no lugar e posição da retina um feixe de nervos pudesse ligar o fundo do olho ao ouvido.

Nesse caso ouviríamos o que vemos. Em lugar de contemplar o céu estrelado, perceberíamos a harmonia das esferas e não seriam por isso menos exatos os nossos conhecimentos astronômicos. Se os nossos sentidos, em lugar de separados, estivessem reunidos, não possuiríamos mais que um único sentido generalizado, que perceberia ao mesmo tempo os diversos gêneros de fenômenos.

Estas considerações, deduzidas das mais rigorosas observações científicas, nos demonstram a insuficiência das teorias materialistas. Pretendem estas fundar o edifício das leis naturais sobre a experiência adquirida mediante o nosso atual organismo, ao passo que, com uma organização mais perfeita, esta experiência seria bem diversa.

Pela simples modificação dos nossos órgãos, com efeito, o mundo, tal como o conhecemos, se poderia transformar e mudar de aspecto, sem que de leve a realidade total das coisas se alterasse. Seres constituídos de modo diferente poderiam viver no mesmo meio sem se verem, sem se conhecerem.

E se, em conseqüência do desenvolvimento orgânico de alguns desses seres, em seus diversos apropriados habitats, seus meios de percepção lhes permitissem entrar em relações com aqueles cuja organização é diferente, nada haveria nisso de sobrenatural nem de miraculoso, mas simplesmente um conjunto de fenômenos naturais, regidos por leis ainda ignoradas desses seres, entre os outros, menos favorecidos no que se refere ao conhecimento.

Ora, é o que precisamente se produz em nossas relações, com os Espíritos dos homens falecidos, em todos os casos em que é possível a um médium servir de intermediário entre as duas humanidades, visível e invisível. Nos fenômenos espíritas, dois mundos, cujas organizações e leis conhecidas são diferentes, entram em contacto, e assomando a essa linha divisória, a essa fronteira que os separava, mas que desaparece, o pensador ansioso vê desdobrarem-se perspectivas infinitas. Vê bosquejarem-se os elementos de uma ciência do Universo muito vasta e mais completa que a do passado, conquanto seja o seu prolongamento lógico; e essa ciência não vem destruir a noção das leis atualmente conhecidas, mas ampliá-la em vastas proporções, pois que traça ao espírito humano a rota segura que o conduzirá à aquisição dos conhecimentos e dos poderes necessários a firmar em sólidas bases sua tarefa presente e seu destino futuro.


Leon Denis
No Invisível