terça-feira, 1 de setembro de 2015
Um caso de letargia
Em um livro de memórias que nossos dirigentes espirituais nos
aconselharam escrever, existem as seguintes páginas, que dali extraimos para
o presente volume, oferecendo-as à meditação do leitor, pois jamais devemos
desprezar fatos autênticos que atestem a verdade espírita. Escrevemo-las num
grande desabafo, pois tantos foram os fatos espíritas que desde a infância
rodearam a nossa vida, que, em verdade, nossa consciência se acusaria se os
retivéssemos somente para deleite das nossas recordações. Eis as aludidas
páginas:
— «Creio que nasci médium já desenvolvido, pois jamais me dei ao
trabalho de procurar desenvolver faculdades medianímicas. Algumas
faculdades se apresentaram ainda em minha primeira infância: a vidência, a
audição e o próprio desdobramento em corpo astral, com o curioso fenômeno
da morte aparente. Creio mesmo, e o leitor ajuizará, que o primeiro grande
fenômeno mediúnico ocorrido comigo se verificou quando eu estava apenas
vinte e nove dias de existência.
Tendo vindo ao mundo na noite de Natal, 24 de Dezembro, a 23 de
Janeiro, durante um súbito acesso de tosse, em que sobreveio sufocação,
fiquei como morta. Tudo indica que, em existência pretérita, eu morrera
afogada por suicídio, e aquela sufocação, no primeiro mês do meu nascimento,
nada mais seria que um dos muitos complexos que acompanham o Espírito do
suicida, mesmo quando reencarnado, reminiscências mentais e vibratórias que
o traumatizam por períodos longos, comumente.
Durante seis horas consecutivas permaneci com rigidez cadavérica, o
corpo arroxeado, a fisionomia abatida e macilenta do cadáver, os olhos
aprofundados, o nariz afilado, a boca cerrada e o queixo endurecido,
enregelada, sem respiração e sem pulso. O único médico da localidade —
pequena cidade do Sul do Estado do Rio de Janeiro, hoje denominada Rio das
Flores, mas então chamada Santa Teresa de Valença —, o único médico e o
farmacêutico, examinando-me, constataram a morte súbita por sufocação, à
falta de outra «causa mortis» mais lógica. A certidão de óbito foi, portanto,
legalmente passada. Minha avó e minhas tias trataram de me amortalhar para
o sepultamento, à tarde, pois o «óbito» ocorrera pela manhã, bem cedo. Eu era
recém-chegada na família e, por isso, ao que parece, «minha morte» não
abalava o sentimento de ninguém, pois, havendo ao todo vinte e oito pessoas
na residência rural de minha avó materna, onde nasci, porqüanto a família se
havia reunido para as comemorações do Natal e do Ano-Novo, ninguém
demonstrava pesar pelo acontecimento, muito ao contrário do que se passara
na residência do fariseu Jairo, há quase dois mil anos...
Vestiram-me então de branco e azul, como o «Menino Jesus», com
rendinhas prateadas na túnica de cetim, faixas e estrelinhas, e me
engrinaldaram a fronte com uma coroa de rosinhas brancas. Chovia
torrencialmente e esfriara o tempo, numa localidade própria para o veraneio,
como é a minha cidade natal. A eça mortuária, uma mesinha com toalhas
rendadas, com as velas e o crucifixo tradicional, encontrava-se à minha espera,
solenemente preparada na sala de visitas.
Nem minha mãe chorava. Mas esta não chorava porque não acreditava na
minha morte.
Opunha-se terminantemente que me expusessem na sala e
encomendassem o caixão mortuário. A fim de não excitá-la, deixaram-me no
berço mesmo, mas encomendaram o caixãozinho, todo branco, bordado de
estrelinhas e franjas douradas... Minha mãe, então, quando havia já seis horas
que eu me encontrava naquele estado insólito, conservando-se ainda católica
romana, por aquele tempo, e vendo que se aproximava a hora do enterro,
retirou-se para um aposento solitário da casa, fechou-se nele, acompanhou-se
de um quadro com estampa representando Maria, Mãe de Jesus, e, com uma
vela acesa, prostrou-se de joelhos ali, sôzinha, e fêz a invocação seguinte, concentrando-se
em preces durante uma hora:
— «Maria Santíssima, Santa Mãe de Jesus e nossa Mãe, vós, que também
fostes mãe e passastes pelas aflições de ver padecer e morrer o vosso Filho
sob os pecados dos homens, ouvi o apelo da minha angústia e atendei-o,
Senhora, pelo amor do vosso Filho: Se minha filha estiver realmente morta,
podereis levá-la de retorno a Deus, porque eu me resignarei à inevitável lei da
morte. Mas se, como creio, ela estiver viva, apenas sofrendo um distúrbio cuja
causa ignoramos, rogo a vossa intervenção junto a Deus Pai para que ela torne
a si, a fim de que não seja sepultada viva. E como prova do meu
reconhecimento por essa caridade que me fareis eu vo-la entregarei para
sempre. Renunciarei aos meus direitos sobre ela a partir deste momento! Ela é
vossa! Eu vo-la entrego! E seja qual for o destino que a esperar, uma vez
retorne à vida, estarei serena e confiante, porque será previsto pela vossa
proteção.
Muitas vezes, durante a minha infância, minha mãe narrava-me esse
episódio da nossa vida por entre sorrisos de satisfação, repetindo cem vezes a
prece que aí fica, por ela inventada no momento, acrescentando-a do PaiNosso
e da Ave-Maria, e, igualmente entre sorrisos, era que eu a ouvia dizer,
tornando-me então muito eufórica por isso mesmo:
— Eu nada mais tenho com você... Você pertence a Maria, Mãe de Jesus...
Entrementes, ao se retirar do aposento, onde se dera a comunhão com o
Alto, minha mãe abeirou-se do meu insignificante fardo carnal, que continuava
imerso em catalepsia, e tocou-o carinhosamente com as mãos, repetidas
vezes, como se transmitisse energias novas através de um passe. Então, um
grito estridente, como de susto, de angústia, acompanhado de choro
inconsolável de criança, surpreendeu as pessoas presentes. Minha mãe,
provável veículo dos favores caritativos de Maria de Nazaré, levantou-me do
berço e despiu-me a mortalha, verificando que a grinalda de rosinhas me ferira
a cabeça.
As velas que deveriam alumiar o meu cadáver foram retiradas e apagadas,
a eça foi destituída das solenes toalhas rendadas, o crucifixo retornou ao oratório
de minha avó e a casa funerária recebera de volta um caixão de
«anjinho», porque eu revivera para os testemunhos que, de direito, fôssem por
mim provados, como espírito revel que fora no passado... e revivera sob o doce
influxo maternal de Maria, Mãe de Jesus.
Recordando, agora, nestas páginas, esse patético episódio de minha
presente existência, a mim narrado tantas vezes pelos meus familiares, nele
prefiro compreender também um símbolo, a par do fenômeno psíquico:
ingressando na vida terrena para uma encarnação expiatória, eu deveria, com
efeito, morrer para mim mesma, renunciando ao mundo e às suas atrações,
para ressuscitar o meu espírito, morto no pecado, através do respeito às leis de
Deus e do cumprimento do dever, outrora vilipendiado pelo meu livre arbítrio.
Não obstante, que seria o fato acima exposto se não a faculdade que comigo
viera de outras etapas antigas, o próprio fenômeno mediúnico que ocorre ainda
hoje, quando, às vezes, espontaneamente, advêm transes idênticos ao acima
narrado, enquanto, em espírito, eu me vejo acompanhando os Instrutores
Espirituais para com eles socorrer sofredores da Terra e do Espaço, ou assistir,
sob seus influxos vibratórios mentais, aos dramas do mundo invisível, que mais
tarde são descritos em romances ou historietas?
Aos quatro anos de idade já eu me comunicava com Espíritos
desencarnados, através da visão e da audição: via-os e falava com eles. Eu os
supunha seres humanos, uma vez que os percebia com essa aparência e me
pareciam todos muito concretos, trajados como quaisquer homens e mulheres.
Ao meu entender de então, eram pessoas da família, e por isso, talvez, jamais
me surpreendi com a presença deles. Uma dessas personagens era-me
particularmente afeiçoada:
eu a reconhecia como pai e a proclamava como tal a todos os de casa, com
naturalidade, julgando-a realmente meu pai e amando-a profundamente. Mais
tarde, esse Espírito tornou-se meu assistente ostensivo, auxiliando-me
poderosamente a vitória nas provações e tornando-se orientador dos trabalhos
por mim realizados como espírita e médium. Tratava-se do Espírito Charlies, já
conhecido do leitor através de duas obras por ele ditadas à minha psicografia:
Amor e Ódio e Nas Voragens do Pecado.__________________________________________________RECORDAÇÕES DA MEDIUNIDADE
YVONNE DO AMARAL PEREIRA
DITADO PELO ESPÍRITO ADOLFO BEZERRA DE MENEZES
domingo, 21 de junho de 2015
Jesus - Evangelho Segundo o Espiritismo
Da suposição de que Jesus devia conhecer a seita dos essênios, seria errado concluir que ele bebeu nessa seita a sua doutrina, e que , se tivesse vivido em outro meio professaria outros princípios. As grandes idéias não aparecem nunca de súbito. As que têm a verdade por base contam sempre com precursores, que lhes preparam parcialmente o caminho. Depois, quando o tempo é chegado, Deus envia um homem com a missão de resumir, coordenar e completar os elementos esparsos, com eles formando um corpo de doutrina. Dessa maneira, não tendo surgido bruscamente, a doutrina encontra, ao aparecer, espíritos inteiramente preparados para a aceitar. Assim aconteceram com as idéias cristãs, que foram pressentidas muitos séculos antes de Jesus e dos essênios, e das quais foram Sócrates e Platão os principais precursores.
Sócrates, como o Cristo, nada escreveu, ou pelo menos nada deixou escrito. Como ele, morreu a morte dos criminosos, vítima do fanatismo, por haver atacado as crenças tradicionais e colocado à verdadeira virtude acima da hipocrisia e da ilusão dos formalismos, ou seja: por haver combatido os preconceitos religiosos. Assim como Jesus foi acusado pelos fariseus de corromper o povo com os seus ensinos, ele também foi acusado pelos fariseus do seu tempo— pois os que os tem havido em todas as épocas, — de corromper a juventude, ao proclamar o dogma da unicidade de Deus, da imortalidade da alma e da existência da vida futura. Da mesma maneira porque hoje não conhecemos a doutrina de Jesus senão pelos escritos dos seus discípulos, também não conhecemos a de Sócrates, senão pelos escritos do seu discípulo Platão. Consideramos útil resumir aqui os seus pontos principais, para demonstrar sua concordância com os princípios do Cristianismo.
Aos que encarassem este paralelo como uma profanação, pretendendo não ser possível haver semelhanças entre a doutrina de um pagão e a do Cristo, responderemos que a doutrina de Sócrates não era pagã, pois tinha por finalidade combater o paganismo, e que a doutrina de Jesus, mais completa e mais depurada que a de Sócrates, nada tem a perder na comparação. A grandeza da missão divina do Cristo não poderá ser diminuída. Além disso, trata-se de fatos históricos, que não podem ser escondidos. O homem atingiu um ponto em que a luz sai por si mesma debaixo do alqueire e o encontra maduro para a enfrentar. Tanto pior para os que temem abrir os olhos. E chegado o tempo de encarar as coisas do alto e com amplitude, e não mais do ponto de vista mesquinho e estreito dos interesses de seitas e de castas.
Estas citações provarão, além disso, que, se Sócrates e Platão pressentiram as idéias cristãs, encontram-se igualmente na sua doutrina os princípios fundamentais do Espiritismo.
A Lei do Amor
LÁZARO
Paris, 1862
------------- 8 – O amor resume toda a doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. No seu ponto de partida, o homem só tem instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos; e o amor é o requinte do sentimento. Não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior, que reúne e condensa em seu foco ardente todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei do amor substitui a personalidade pela fusão dos seres e extingue as misérias sociais. Feliz aquele que, sobrelevando-se à humanidade, ama com imenso amor os seus irmãos em sofrimento! Feliz aquele que ama, porque não conhece as angústias da alma, nem as do corpo! Seus pés são leves, e ele vive como transportado fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou essa palavra divina, — amor — fez estremecerem os povos, e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.
O Espiritismo, por sua vez, vem pronunciar a segunda palavra do alfabeto divino. Ficai atentos, porque essa palavra levanta a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, vencendo a morte, revela ao homem deslumbrado o seu patrimônio intelectual. Mas já não é mais aos suplícios que ela conduz, e sim à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito, e o Espírito deve agora resgatar o homem da matéria.
Disse que o homem, no seu início, tem apenas instintos. Aquele, pois, em que os instintos dominam, está mais próximo do ponto de partida que do alvo. Para avançar em direção ao alvo, é necessário vencer os instintos a favor dos sentimentos, ou seja, aperfeiçoar a estes, sufocando os germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões dos sentimentos. Trazem consigo o progresso, como a bolota oculta o carvalho. Os seres menos adiantados são os que, libertando-se lentamente de sua crisálida, permanecem subjugados pelos instintos.
O Espírito deve ser cultivado como um campo. Toda a riqueza futura depende do trabalho atual. E mais que os bens terrenos, ele vos conduzirá à gloriosa elevação. Será então que, compreendendo a lei do amor, que une a todos os seres, nela buscareis os suaves prazeres da alma, que são o prelúdio das alegrias celestes
*________________________FÉNELON______________________________Bordeaux, 1861
domingo, 14 de junho de 2015
Os espíritos e os astros
Nas sessões mediúnicas da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, dirigidas pelo próprio Kardec, não se manifestavam apenas Espíritos terrenos. Entidades pertencentes a outros mundos comunicavam-se dando curiosas informações sobre a vida no Cosmos. A coleção da Revista Espírita, correspondente ao período em que Kardec a redigiu, durante quase doze anos, oferece-nos várias dessas comunicações. E mesmo antes desse período, como vemos em O Livro dos Espíritos, o Codificador foi seguramente informado por Espíritos de evidente elevação sobre os diferentes graus de evolução dos mundos, as inumeráveis moradas da Casa do Pai, segundo a conhecida expressão de Jesus registrada nos Evangelhos.
Episódio altamente significativo, menosprezado e ridicularizado pelos adversários da Doutrina, foi o da comunicação de Mozart e Bernard Pallissy, que se diziam reencarnados em Jú-piter. Vários desenhos de aspectos da vida em Júpiter foram transmitidos por esses dois Espíritos, servindo de médium desenhista o famoso teatrólogo Victorien Sardou que por sinal nunca se havia entregado a essa arte, para a qual não dispunha, em seu estado normal, de nenhuma habilidade.
Segundo disseram esses Espíritos, Marte seria o planeta mais inferior do nosso sistema solar e Júpiter o mais elevado. As descrições mediúnicas de Marte nos oferecem uma visão do que podemos chamar o Averno espírita, enquanto Júpiter se define como o Olimpo espírita. As pesquisas astronômicas posteriores e as da Astronáutica em nossos dias não desmentem essas informações, no tocante ao que foi possível constatar até agora. É verdade que também ainda não as confirmaram, mas sugerem a confirmação.
No caso de Marte, os Espíritos revelaram tratar-se de um planeta de precárias condições de vida, habitado por criaturas subumanas e com vastas regiões de completa aridez. Essas con-dições estão hoje positivadas pelas sondas espaciais, mas a existência de vida humana ainda não foi verificada. Continua, entretanto, como possibilidade, pois Marte possui atmosfera e água.
No tocante a Júpiter, os astrônomos constataram que se trata do maior planeta do sistema, apesar disso extremamente leve. Chegou-se mesmo a formular a teoria de que Júpiter seria um pequeno planeta de constituição sólida, mas envolvido por enorme camada de gás congelado. Essa hipótese corresponde à informação espiritual de que Júpiter é de constituição diferente da Terra, formado por matéria rarefeita. Daí a sua extrema leveza, apesar de seu grande volume. A população de Júpiter, segundo os Espíritos, seria constituída de corpos materiais bastante leves, equivalendo ao nosso corpo espiritual.
Kardec registrou essas informações e considerou-as lógicas, mas lembrou que a sua aceitação como reais dependeria de investigações futuras, naturalmente a cargo dos astrônomos, pois o assunto não pertence especificamente à Ciência Espírita, cujo objeto é o espírito humano e suas relações com os homens. O critério científico de Kardec na pesquisa espírita ficou mais uma vez bem patente com esse curioso episódio.
Hoje, com o desenvolvimento acelerado das pesquisas cósmicas, a Astronáutica é a Ciência incumbida desse problema. E a teoria espírita da pluralidade dos mundos habitados, que o astrônomo Camille Flammarion, também médium de Kardec, aprovou corajosamente, já se tornou opinião pacífica nos meios científicos. Pouco a pouco vão se fazendo as provas da existência de vida semelhante à da Terra em outros mundos e outras galáxias.
O Espiritismo considera o homem como um herdeiro do Cosmos. Seu destino não é apenas a Terra, durante a vida orgânica, e o mundo espiritual depois da morte. As Moradas da Casa do Pai o aguardam no Infinito. Por isso a expansão marítima do século XVI começa agora a ser ampliada com a expansão celeste. Novas Sagres se instalaram na Terra e as proas de suas naves não apontam para a imensidade oceânica, mas para a infinitude dos céus. Vamos descobrir as terras estelares, como os navegantes portugueses e espanhóis descobriram no seu tempo as terras oceânicas.
Ao lado da Astronáutica material, porém, existe a Astronáutica espiritual. Os homens não avançam no espaço cósmico tão somente em naves construídas de metal. Avançam em seus escafandros espirituais, em astronaves etéreas. São as almas viajoras de que falava Plotino, o sucessor de Platão na era helenística. Emigram de um mundo para outro no Cosmos, da mes-ma forma que emigram entre os continentes na Terra.
Por duas maneiras, portanto, o Espiritismo nos abre as sendas do Infinito. A evolução terrena equipa o homem para a conquista material dos mundos de constituição semelhante à da Terra. A evolução espiritual equipa o espírito para a conquista dos mundos de constituição fluídica ou etérea. O homem, espírito encarnado, pode ser um astronauta do Cosmos físico, num raio de ação limitado pelas possibilidades materiais. O Espírito, homem desencarnado, é naturalmente um astronauta do Além, dispondo de possibilidades infinitas em suas incursões pelo Cosmos etéreo. A alma viajora de Plotino, que errava nas hipóstases do universo terreno, elevando-se aos planos espirituais com a morte e voltando ao plano terreno com a reencarnação, adquire no Espiritismo um alcance infinito em suas migrações.
Bastaria esse aspecto da Doutrina para nos mostrar a sua plena integração na Era Cósmica. Neste livro não há comunicações sobre outros mundos. Estamos ainda muito empenhados em nossos problemas planetários que precisamos solucionar no âmbito doméstico da Terra, para cuidar de questões mais amplas. Mas nem por isso os Espíritos comunicantes deixam de ser astronautas do Além, pois descem das hipóstases do universo terreno, ou seja, dos mundos espirituais que circundam o nosso planeta, para nos traze-rem as mensagens de fraternidade de outros mundos.
Essa a razão do título escolhido para este volume. Somos todos, na verdade, Astronautas do Além. Se estamos hoje no Aquém, imantados ao solo do planeta, é porque ainda nos encontramos na Escola de Sagres do infinito, sujeitando-nos aos cursos de preparação necessários ao controle futuro das viagens espaciais. E essa preparação abrange as técnicas diferenciadas, mas não obstante conjugadas, da Astronáutica física e da Astronáutica celeste. O desenvolvimento das faculdades psíquicas do homem se acelera em nossos dias porque a Era Cósmica já se iniciou. Os fenômenos paranormais de que trata a Parapsicologia constituem o equipamento etéreo dos astronautas físicos, pois sem a telepatia, a precognição, a retrocognição e a clarividência, nossos astronautas estarão sempre ameaçados pelas surpresas do meio cósmico.
Os fenômenos paranormais nada mais são do que os fenômenos mediúnicos. Não existe um campo específico de fenômenos parapsicológicos. Os verdadeiros parapsicólogos não criam problemas com referência ao Espiritismo, pois sabem muito bem que estão trabalhando em campo espírita. Só os falsos parapsicó-logos, em geral incapazes de compreender a ciência que dizem cultivar e pretendem ensinar, estabelecem um conflito imaginário entre Parapsicologia e Espiritismo. Sofrem da cegueira mental do sectarismo ou de incompetência intelectual. São os beneficiários do preconceito cultural e religioso que impede até agora as nossas Universidades de acertarem o passo dos seus currículos estreitos com as dimensões maiores dos currículos mundiais. Vivem parasitando a ignorância acadêmica e sugando impunemente a ignorância popular, desarmada diante do assalto vampiresco à sua ingenuidade._Este livro prova, em seus vários capítulos, que refletem a vivência real da mediunidade em nossa terra, que os fatos mediúnicos são a matéria prima da pesquisa parapsicológica. Dispomos de uma tradição de mais de um século nesse terreno, mas os nossos meios universitários preferem marcar passo na retaguarda da cultura mundial, franqueando aos incompetentes e aos espertalhões os poderosos filões mediúnicos das nossas camadas populares.
O material reunido neste volume corresponde ao período que vai de 14 de janeiro de 1973 a 21 de julho de 1973 na divulgação das mensagens psicográficas recebidas pelo médium Francisco Cândido Xavier, seguidas dos comentários de Irmão Saulo, pseudônimo de que nos servimos para a publicação de crônicas espíritas na imprensa, há mais de um quarto de século. Com este são três os volumes já publicados, sendo os dois anteriores os seguintes: Chico Xavier Pede Licença e Na Era do Espírito.
Esses volumes documentam de maneira viva a atividade mediúnica de Francisco Cândido Xavier e seu relacionamento direto com a vida do nosso povo. As explicações do próprio médium sobre as condições e as motivações da recepção dessas mensagens constituem valioso material de estudo para todos os que realmente se interessam pelos problemas espirituais.
São Paulo, 3 de outubro de 1973.________________J. Herculano Pires_______________________________________________Do livro Astronautas do além _ Francisco Cândido Xavier e Herculano Pires
terça-feira, 12 de maio de 2015
Legendas do Obreiro da Verdade
• Compreender que as necessidades e as esperanças dos outros são fundamentalmente iguais às nossas.
• Auxiliar sem exigir que o beneficiado nos tome as ideias.
• Reconhecer que a Divina Providência possui estradas inúmeras para socorrer as criaturas e iluminá-las.
• Aprender a tolerar com paciência as pequenas humilhações, a fim de prestar os grandes testemunhos de sacrifício pessoal que a Causa da Verdade lhe reclamará possivelmente algum dia.
• Esquecer-se pela obra que realiza.
• Guiar-se pela misericórdia e não pela crítica.
• Abençoar sem reprovar.
• Construir ou reconstruir, sem ofender ou condenar.
• Trabalhar sempre sem o propósito de ser ou parecer o maior ou o melhor ante os demais.
• Cultivar ilimitadamente a cooperação e a caridade.
• Coibir-se de irritação e de azedume.
• Agir sem criar problemas.
• Observar que sem a disciplina individual no campo do bem, a prática do bem se faz impossível.
• Respeitar a personalidade dos companheiros.
• Encontrar ocasião para atender à bênção da prece.
• Deter-se nas qualidades nobres e olvidar as prováveis deficiências do próximo.
• Valorizar o esforço alheio.
• Nunca perder tempo.
• Apagar inimizades ou discórdias através da desculpa fraterna e do serviço constante que devemos uns aos outros.
Criar oportunidades de trabalho para si, ajudando aos outros no sentido de descobrirem as oportunidades de trabalho que lhes digam respeito à capacidade e às possibilidades de realização, conservando em tudo a certeza inalterável de que toda pessoa é importante na edificação do Reino de Deus.___________________________Emmanuel
sábado, 2 de maio de 2015
Reencarnação
A lei das reencarnações, esse retorno das almas sobre a Terra, suscita objeções às quais é necessário responder, temores que é preciso dissipar. Entre aqueles que interrogam, uns temem não mais reencontrar, no além, os seres que eles amaram aqui na Terra. Pergunta-se se, em virtude dessa lei, nós seremos separados dos membros atuais de nossas famílias e obrigados a prosseguir isoladamente, nossa lenta e penosa evolução. Outros estão apavorados pela perspectiva de retomar a tarefa terrestre, após uma vida laboriosa semeada de provas e de males. Apressemo-nos em tranqüilizá-los.
A reencarnação é rápida, a estada do espírito no espaço é de curta duração somente no caso de crianças mortas com pouca idade. Tendo malogrado a sua tentativa para reaparecer no cenário terrestre, quase sempre por causas fisiológicas devidas à mãe, essa tentativa será renovada desde que condições favoráveis sejam apresentadas no mesmo meio. Caso contrário, o espírito se reencarnará nas proximidades desse meio, isto é, entre parentes ou amigos, de maneira a permanecer em relação com aqueles que ele tinha escolhido, em virtude de uma atração resultante de ligações anteriores, de forças afetivas que constituem uma certa afinidade fluídica.
Os espíritos formam famílias numerosas cujos membros continuam através de suas múltiplas reencarnações. Enquanto que uns prosseguem sobre o plano material sua educação e sua evolução, outros ficam no Espaço para os proteger, na medida de seus meios, sustentá-los, inspirá-los, esperá-los a fim de os receber no término da vida terrestre. Mais tarde, esses aqui renascerão para a vida humana e, por sua vez, de protetores se tornarão protegidos. A duração da estada no Espaço é muito variável e, conforme o grau de evolução, pode durar muitos séculos ou somente algumas dezenas de anos, para os espíritos ambiciosos de progresso.
Há sempre correlação entre a vida terrestre e a do Espaço. A família visível está sempre ligada à família invisível, mesmo sem seu conhecimento. Os afetos, os sentimentos provenientes dos laços estabelecidos no curso das vidas sucessivas, transmitem-se de um plano ao outro com maior intensidade quanto mais sutil for o estado vibratório dos seres que compõem essas famílias.
A união perfeita que reina em certas famílias se explica pelas numerosas vidas comuns. Seus membros foram reaproximados por uma atração espiritual, uma adaptação do pensamento idêntico, de gostos e de aspirações da mesma ordem, e isso em graus diversos.
É fácil reconhecer em uma família aquele que nela se encarna excepcionalmente e pela primeira vez, seja para ali se aperfeiçoar intelectual e moralmente, em contato com seres mais evoluídos, seja, ao contrário, para servir de exemplo, de modelo, de treinador de espíritos atrasados e, ao mesmo tempo, para ajudá-los a suportar as provas que o destino lhes reserva, o que torna uma missão uma tarefa meritória. Em certos casos o contraste é tão notável entre os caracteres, a maneira de pensar e de agir é tão surpreendente que as pessoas não iniciadas chegam a proferir este julgamento: “Aquele não é da família, poder-se-ia crer que ele foi trocado pela ama-de-leite!”
Desde a vida no espaço, entre certos espíritos são assumidos os compromissos de reencarnarem nos mesmos ambientes e aí prosseguir uma evolução comum. Outras almas evoluídas aceitam a função penosa de descer a lares materiais para neles dissipar, por suas irradiações, os elementos grosseiros que dominam tais ambientes, e este ato de abnegação será para elas um novo motivo de progresso.
Algumas pessoas nos interrogam sobre as diferenças de raças e suas relações com a evolução. Os espíritos dizem, sobre esse assunto, que cada região do globo atrai do Espaço os fluidos em harmonia com os eflúvios que se desprendem do solo. Daí resulta que os espíritos que renascem nessas regiões terão gostos e aspirações diferentes. Por exemplo, os africanos receberão os fluidos próprios para desenvolver a sua vitalidade física, porque seu espírito tem necessidade de se sentir em um envoltório sólido.
Entre os orientais, os japoneses, por exemplo, a evolução terrestre é mais completa, os corpos são pequenos, a sensibilidade desenvolvida, a percepção do além mais nítida. O misticismo está presente. O perispírito do japonês, de uma grande sutileza, vibrará mais fortemente do que o do senegalês.
Entre os ocidentais, em geral, a evolução não tem sido uniforme. Ela variou conforme os países. Os montanheses e os marítimos, sob formas mais rudes, guardaram um certo fundo de idealismo ou um espírito religioso. Aí estão dois tipos humanos cujas aspirações se relacionam mais diretamente com o mundo superior, porque eles se comungam com a Natureza.
Não é de espantar se um espírito, na sua curta evolução, experimenta, às vezes, a necessidade de mudar de meio para adquirir qualidades ou conhecimentos que ainda lhe faltam. Mas esses mesmos seres, voltando ao espaço, ali logo encontram os elementos espirituais de que se haviam afastado por certo tempo e dos quais tinham guardado lembranças. Já, no sono, o ser encarnado se aproxima de seus amigos do Espaço e revê, em alguns instantes, sua vida passada, mas, ao despertar, essa impressão se apaga, porque ela poderia perturbar e diminuir o seu livre-arbítrio.
Se ele se afasta, por um certo tempo, de sua família terrestre, não abandona nunca sua família espiritual e, quando a família humana evoluiu e atinge um plano fluídico superior, a ação inversa se produzirá, e será ela que, por sua vez, atrairá no espaço o espírito menos avançado. A lei de evolução do ser através de suas vidas renascentes é admirável, mas a inteligência humana não pode entrever senão seu pálido reflexo.
Os ensinos contidos nestas páginas não são uma obra de imaginação. Eles emanam de mensagens espirituais obtidas por todos os processos mediúnicos e recolhidos em todos os países. Até aqui, não tínhamos, sobre as condições de vida no Além, a não ser hipóteses humanas, sejam filosóficas ou religiosas. Hoje, os que vivem essa vida a descrevem para nós e falam sobre as leis da reencarnação. Com efeito, o que são certas exceções assinaladas entre os anglo-saxões, e cujo número diminui cada dia em presença da enorme quantidade de documentos, de testemunhos concordantes recolhidos desde a América do sul até as Índias e o Japão?
Não é mais, como no passado, um pensador isolado, ou mesmo um grupo de pensadores, que vem mostrar à humanidade a rota que ele julga verdadeira; é um mundo invisível, inteiro, que se abala, e se esforça para tirar o pensamento humano de suas rotinas, de seus erros, e lhe revela, como no tempo dos druidas, a lei divina da evolução. São os próprios parentes e amigos mortos que nos expõem sua situação, boa ou má, e a conseqüência de seus atos no decorrer de palestras ricas de provas de identidade.
Possuo sete grandes volumes de comunicações, recebidas no grupo que por longo tempo dirigi, que respondem a todas as questões que a inquietude humana apresenta à sabedoria dos invisíveis.
Os espíritos guias nos instruíam por meio de diversos médiuns que, geralmente, não se conheciam entre si, e sobretudo por mulheres pouco letradas, cheias de preconceitos católicos e pouco inclinadas à doutrina das encarnações. Ora, todos aqueles que consultaram esses arquivos ficaram surpreendidos pela beleza do estilo, como também pela profundeza das idéias emitidas.
Talvez essas mensagens sejam um dia publicadas. Então, ver-se-á que, nas minhas obras, não sou inspirado somente por mim, mas sobretudo por aqueles do outro lado da vida. Reconhecer-se-á, pela variedade das formas, uma grande unidade de princípios e uma perfeita analogia com os ensinos obtidos dos espíritos guias, em todos os meios, e onde Allan Kardec se inspirou para delinear as grandes regras de sua doutrina.
Após a guerra (1ª Guerra Mundial, 1914-1918), nossos instrutores continuaram a se manifestar por diferentes médiuns. Por meio de entidades diversas, a personalidade de cada um deles se afirmou por seu caráter próprio, por uma originalidade talhada, em uma palavra, de maneira a evitar toda possibilidade de simulação. Pode-se seguir, anualmente, na Revue Spirite, a quintessência dos ensinos que nos foram dados sobre assuntos sempre substanciais e elevados.
Depois, próximo ao congresso (Espírita) de 1925, foi o grande iniciador (Allan Kardec) que veio nos certificar de seu concurso e nos esclarecer com seus conselhos. Hoje ainda é ele, Allan Kardec, que nos anima a publicar este estudo sobre a reencarnação.________________________________________________Do Livro O Gênio Céltico e o Invisível de Leon Denis
domingo, 19 de abril de 2015
Aborto Espontâneo
Na questão 166 de “O Livro dos Espíritos”, que uma alma que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, se depura pela prova de nova existência. A Doutrina Espírita ensina que o corpo físico é modelado por uma estrutura semimaterial, denominada perispírito. Diversas passagens da Codificação Espírita no-lo indicam, como, por exemplo, em “O Livro dos Espíritos”, à questão 135 e no item 257 (“Ensaio teórico da sensação nos Espíritos”). O que nossa consciência carrega de ações mais ou menos felizes impacta essa estrutura semimaterial, por isso há impacto, também, no corpo físico. Danos ao perispírito, muitas vezes, demandam diversas etapas de interação com a matéria densa, para serem sanados. Pode-se comparar o processo a um enxerto de pele ou osso em uma lesão, no qual sejam necessárias diversas operações, cada uma efetuando um passo adiante na reconstituição do dano. A duração nessas internações na matéria varia com a necessidade, podendo ser de vários anos após o nascimento a poucas horas de gestação, visando a um melhoramento no modelador biológico do Espírito em tratamento. Relevante é perceber que mesmo uma curta gestação, aparentemente fracassada em um aborto espontâneo, pode trazer enormes benefícios a um Espírito em processo de reconstituição de seu perispírito.
André Luiz orienta [1], a esse respeito: “Na Espiritualidade, os servidores da Medicina penetram, com mais segurança, na história do enfermo para estudar, com o êxito possível, os mecanismos da doença que lhe são particulares. Aí, os exames nos tecidos psicossomáticos com aparelhos de precisão, correspondendo às inspeções instrumentais e laboratoriais em voga na Terra, podem ser enriquecidos com a ficha cármica do paciente, a qual determina quanto à reversibilidade ou irreversibilidade da moléstia, antes de nova reencarnação, motivo por que numerosos doentes são tratáveis, mas somente curáveis mediante longas ou curtas internações no campo físico, a fim de que as causas profundas do mal sejam extirpadas da mente pelo contato direto com as lutas em que se configuraram.”
O mesmo autor espiritual apresenta outro exemplo [2] em que um Espírito requer mais de uma reencarnação para retificar seu perispírito, nas orientações recebidas do Espírito Clarêncio acerca de paciente denominado Júlio: “Desentendendo-se com alguns laços afetivos do caminho, no século passado, confiou-se a extrema revolta, aniquilando o veículo físico que lhe fora emprestado por valiosa bênção. Rendendo-se à paixão, sorveu grande quantidade de corrosivo. Salvo, a tempo, sobreviveu à intoxicação, mas perdeu a voz, em razão das úlceras que se lhe abriram na fenda glótica. Ainda aí, não se conformando com o auxílio dos colegas que o puseram fora de perigo, alimentou a ideia de suicídio, sem recuar. Foi assim que, não obstante enfermo, burlou a vigilância dos companheiros que o guardavam e arrojou-se a funda corrente de um rio, nela encontrando o afogamento que o separou do envoltório carnal. Na vida espiritual, sofreu muito, carregando consigo as moléstias que ele mesmo infligira à própria garganta e os pesadelos da asfixia, até que reencarnou, junto das almas com as quais se mantém associado para a regeneração do pretérito. Infelizmente, porém, encontra dificuldades naturais para recuperar-se. Lutará muito, antes de incorporar-se a novo patrimônio físico. (...) Júlio renascerá num equipamento fisiológico deficitário que, de algum modo, lhe retratará a região lesada a que nos reportamos. Sofrerá intensamente do órgão vocal que, sem dúvida, se caracterizará por fraca resistência aos assaltos microbianos, e, em virtude de o nosso amigo haver menosprezado a bênção do corpo físico, será defrontado por lutas terríveis, nas quais aprenderá a valorizá-lo.”
Na esclarecedora obra “Memórias de um Suicida” [3], Camilo Cândido Botelho, pela mediunidade de Yvonne do Amaral Pereira, orienta, a respeito da reconstituição da energia vital de suicidas: “A Excelsa Misericórdia encaminha, geralmente, tais casos, tidos como os mais graves, a reencarnações imediatas onde o delinquente completará o tempo que lhe faltava para o término da existência que cortou. Conquanto muito dolorosas, mesmo anormais, tais reencarnações serão preferíveis às desesperações de além-túmulo, evitando, ao demais, grande perda de tempo ao paciente. (...) O perispírito não teve forças vibratórias para modelar a nova forma corpórea, a despeito do auxilio recebido dos técnicos do mundo Invisível. Assim, concluirão o tempo que lhes faltava para o compromisso da existência prematuramente cortada, corrigirão os distúrbios vibratórios e, logicamente, sentir-se-ão aliviados. Trata-se de uma terapêutica, nada mais, recursos extremos exigidos pela calamidade da situação.”
Não associemos todo evento de aborto espontâneo a um suicídio em vida pregressa. Generalizar ou buscar “tabular” causas e consequências induz a conclusões errôneas e, não raro, injustas. Este é apenas um exemplo de causa de dano ao perispírito. Lembremos que toda atitude desarmônica pode danificar nossa energia vital, e desencarnações prematuras por mau uso de nossa vitalidade ao longo dos anos são vistas como formas lentas de extinção voluntária da vida. Temos todos de reparar nossos próprios erros, como orientam os Espíritos à questão 1013 de “O Livro dos Espíritos”, sobre o que se deve entender por purgatório: “Dores físicas e morais: o tempo da expiação. Quase sempre, na Terra é que fazeis o vosso purgatório e que Deus vos obriga a expiar as vossas faltas.”
Doença congênita não é, portanto, “falta de sorte genética”, pois Deus não nos abandona à sorte; esses eventos devem ser encarados como parte de um projeto de evolução moral. Moléstias não são castigos, mas sim provas ou expiações para o reencarnante e/ou família, visando sempre à melhora de todos no campo moral. Não se espera uma “alegria” com a constatação da doença, mas sim a resignação com a certeza de superação do desafio, ainda que a cura se concretize após aquela vida física.
A desistência da prova
Havendo danos no perispírito do reencarnante, os quais venham a inviabilizar seu nascimento saudável, pode ocorrer de o Espírito que sofre este processo desistir de passar pelo mesmo, apesar de essa ocorrência ser útil à sua reconstituição. Assim orientam os Espíritos superiores, à questão 348 de “O Livro dos Espíritos”, sobre se o Espírito reencarnante pode saber, previamente, que seu futuro corpo é inviável: “Sabe-o algumas vezes; mas, se nessa circunstância reside o motivo da escolha, isso significa que está fugindo à prova.” Ser bem sucedido não corresponde apenas a nascer saudável, mas a se melhorar, evoluir. Se, para tal melhora, se fazem necessários breves estágios de contato perispiritual com a matéria densa, desistir dessas etapas é fugir ao tratamento, evadir-se à prova, atrasar sua marcha evolutiva.
Lemos, à questão 345 da obra supracitada, que, “(...) como os laços que ao corpo o prendem são ainda muito fracos, facilmente se rompem e podem romper-se por vontade do Espírito, se este recua diante da prova que escolheu. Em tal caso, porém, a criança não vinga.” Todavia, não há como outro Espírito passar a ocupar o corpo destinado ao Espírito que desistiu de reencarnar.
As orientações constantes da questão 355 do mesmo livro indicam haver, de fato, crianças que, já no ventre materno, não são viáveis biologicamente: “(...) Deus o permite como prova, quer para os pais do nascituro, quer para o Espírito designado a tomar lugar entre os vivos.” A pergunta de número 356 indica, também, haver natimortos não destinados à encarnação de Espíritos, ocorrência a qual, não obstante, também traz utilidade evolutiva: “Alguns há, efetivamente, a cujos corpos nunca nenhum Espírito esteve destinado. Nada tinha que se efetuar para eles. Tais crianças então só vêm por seus pais.” Mesmo nestas condições, este corpo não é inútil. Os Espíritos esclarecem, à questão 360: “Por que não respeitar as obras da criação, algumas vezes incompletas por vontade do Criador? Tudo ocorre segundo os seus desígnios e ninguém é chamado para ser seu juiz.”
Planejamento reencarnatório
Allan Kardec questiona, à pergunta 353 de “O Livro dos Espíritos”: “Não sendo completa a união do Espírito ao corpo, não estando definitivamente consumada, senão depois do nascimento, poder-se-á considerar o feto como dotado de alma?”, ao que os Espíritos instruem: “O Espírito que o vai animar existe, de certo modo, fora dele. O feto não tem pois, propriamente falando, uma alma, visto que a encarnação está apenas em via de operar-se. Acha-se, entretanto, ligado à alma que virá a possuir.” Verificamos, aí, a existência de um planejamento, muito anterior à fecundação propriamente dita. Um edifício começou por um projeto, o que não significa que ele não era nada, ou que nada havia sido ainda investido de tempo, energia e recursos quando esse prédio não estava no início de sua existência material e era “apenas” uma série de cálculos e desenhos.
André Luiz nos traz dois ilustrativos exemplos disso:
Em “Missionários da Luz” [4], verifica-se um planejamento reencarnatório e ligação psíquica que antecedem, em muito, a efetiva ligação do perispírito à célula-ovo fecundada materialmente: “Desde muito, e, particularmente, desde a semana passada, está em processo de ligação fluídica direta com os futuros pais.”;
Na obra “E a Vida Continua...” [5], observamos um planejamento reencarnatório com trinta anos de antecedência, visando a resgatar determinados procedimentos inadequados de alguns dos Espíritos da história narrada: “Ribas apanhou pequeno mapa, dentre os papéis que compulsava, e elucidou, indicando figurações aqui e ali: – A desencarnação de Elisa está prevista para breves dias, mas o renascimento dela, depois de reequilíbrio seguro em nossa estância, poderá ocorrer, conforme nosso esquema, dentro de cinco a seis anos. Com a permissão de nossos Maiores, será ela filha de Serpa e Vera, se vocês trabalharem no socorro a ambos, com muito amor... Renascerá depois de Mancini, que lhes será o primogênito... Como é fácil de perceber, daqui a trinta anos, mais ou menos, ocasião considerada provável para o retorno de Caio à Vida Espiritual, devolverá ele à sogra espoliada – então sua filha – tanto quanto a Vera Celina, na condição de viúva, todos os patrimônios de que hoje se apropria.”
Verifica-se, então, que uma célula-ovo, esteja ou não conectada efetivamente com um Espírito — o que nunca sabemos, por não haver ainda instrumentação para tal — pode ser parte integrante de um planejamento de décadas, e, por isso, merece todo respeito, como qualquer criação de Deus.
Concluindo...
Tudo é supervisionado por Deus através de seus filhos já evoluídos, como o é Jesus, Governador da Terra.
O que vimos como sucesso e fracasso, se pautado sob uma estreita perspectiva de uma só vida, mostra-se totalmente diferente ao entendermos haver a sabedoria de Deus em tudo, em um planejamento de longuíssimo prazo, de muitos milênios, visando à nossa evolução moral e intelectual. Demonstra-se, de forma clara, o quanto nossos Espíritos protetores trabalham por nós, com tanto tempo de antecedência, e o quanto temos a agradecer a Deus por seu concurso. Cabe a nós procurar agir da melhor maneira, buscando, pela prece, a inspiração desses bons Espíritos, de forma a não prejudicar esse planejamento.__________________________________________________________________
terça-feira, 24 de março de 2015
Reminiscências de vidas passadas
“Podemos ter algumas revelações a respeito de nossas vidas anteriores?” “Nem sempre. Contudo, muitos sabem o que foram e o que faziam. Se se lhes permitisse dizê-lo abertamente, extraordinárias revelações fariam sobre o passado.” (Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos, pergunta 395.) *______________
“Quanto mais grave é o mal, tanto mais enérgico deve ser o remédio. Aquele, pois, que muito sofre deve reconhecer que muito tinha a expiar e deve regozijar-se à Ideia da sua próxima cura. Dele depende, pela resignação, tornar proveitoso o seu sofrimento e não lhe estragar o fruto com as suas Impaciências, visto que, do contrário, terá de recomeçar.” (Allan Kardec, “O Evangelho segundo o Espiritismo”, capítulo 5, ítem 10.) Muitos dos nossos amigos freqüentemente nos procuram, quer pessoalmente ou através de cartas que nos escrevem, a fim de solicitar informações sobre a reencarnação do próximo em geral e, em particular, a deles próprios. Nada poderemos, porém, acrescentar sobre o assunto às instruções dos Espíritos que organizaram os códigos do Espiritismo. Se, como ficou dito, a lei da Criação encobriu o nosso passado espiritual, será porque o seu conhecimento não traria vantagem para o nosso progresso, antes poderia prejudicá-lo, como tão hàbilmente ficou assinalado por Allan Kardec e seus colaboradores. Todavia, a observação de sábios investigadores das propriedades e forças da personalidade humana, e a prática dos fenômenos espíritas, dão-nos a conhecer substanciosos exemplos de que nem sempre o véu do esquecimento é totalmente distendido sobre a nossa memória normal, apagando as recordações de vidas anteriores, pois a verdade é que de quando em vez surgem indivíduos idôneos apresentando lembranças de suas existências passadas, muitas delas verificadas exatas por investigações criteriosas, e a maioria dos casos, senão a totalidade deles, revelando tanta lógica e firmeza nas narrativas, que impossível seria descrer-se deles sem demonstrar desprezo pela honestidade do próximo. De outro lado, o fenômeno de recordação de vidas passadas parece mais raro do que em verdade e, uma vez que podemos ter estranhas reminiscências sem saber que elas sejam o passado espiritual a se manifestar timidamente às nossas faculdades, aliás, a maioria das pessoas que as recordam, ignorando os fatos espíritas, sofrem a sua pressão sem saberem, realmente, do que se trata, e por isso não participam a outrem o que com elas se passa. O Espírito Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, a quem tanto amamos, observou, em recentes instruções a nós concedidas, que nos manicômios terrestres existem muitos casos de suposta loucura que mais não são que estados agudos de excitação da subconsciência recordando existências passadas tumultuosas, ou criminosas, ocasionando o remorso no presente, o mesmo acontecendo com a obsessão, que bem poderá ser o tumulto de “Podemos ter algumas revelações a respeito de nossas vidas anteriores?” “Nem sempre. Contudo, muitos sabem o que foram e o que faziam. Se se lhes permitisse dizê-lo abertamente, extraordinárias revelações fariam sobre o passado.” (Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos, pergunta 395.) * “Quanto mais grave é o mal, tanto mais enérgico deve ser o remédio. Aquele, pois, que muito sofre deve reconhecer que muito tinha a expiar e deve regozijar-se à Ideia da sua próxima cura. Dele depende, pela resignação, tornar proveitoso o seu sofrimento e não lhe estragar o fruto com as suas Impaciências, visto que, do contrário, terá de recomeçar.” (Allan Kardec, “O Evangelho segundo o Espiritismo”, capítulo 5, ítem 10.) Muitos dos nossos amigos freqüentemente nos procuram, quer pessoalmente ou através de cartas que nos escrevem, a fim de solicitar informações sobre a reencarnação do próximo em geral e, em particular, a deles próprios. Nada poderemos, porém, acrescentar sobre o assunto às instruções dos Espíritos que organizaram os códigos do Espiritismo. Se, como ficou dito, a lei da Criação encobriu o nosso passado espiritual, será porque o seu conhecimento não traria vantagem para o nosso progresso, antes poderia prejudicá-lo, como tão hàbilmente ficou assinalado por Allan Kardec e seus colaboradores. Todavia, a observação de sábios investigadores das propriedades e forças da personalidade humana, e a prática dos fenômenos espíritas, dão-nos a conhecer substanciosos exemplos de que nem sempre o véu do esquecimento é totalmente distendido sobre a nossa memória normal, apagando as recordações de vidas anteriores, pois a verdade é que de quando em vez surgem indivíduos idôneos apresentando lembranças de suas existências passadas, muitas delas verificadas exatas por investigações criteriosas, e a maioria dos casos, senão a totalidade deles, revelando tanta lógica e firmeza nas narrativas, que impossível seria descrer-se deles sem demonstrar desprezo pela honestidade do próximo. De outro lado, o fenômeno de recordação de vidas passadas parece mais raro do que em verdade e, uma vez que podemos ter estranhas reminiscências sem saber que elas sejam o passado espiritual a se manifestar timidamente às nossas faculdades, aliás, a maioria das pessoas que as recordam, ignorando os fatos espíritas, sofrem a sua pressão sem saberem, realmente, do que se trata, e por isso não participam a outrem o que com elas se passa. O Espírito Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, a quem tanto amamos, observou, em recentes instruções a nós concedidas, que nos manicômios terrestres existem muitos casos de suposta loucura que mais não são que estados agudos de excitação da subconsciência recordando existências passadas tumultuosas, ou criminosas, ocasionando o remorso no presente, o mesmo acontecendo com a obsessão, que bem poderá ser o tumulto de evolução? Certamente, é muito provável que assim seja, visto que, tratando-se de uma faculdade que tende a atingir a plenitude das próprias funções, haverá o trabalho de evolução, e, além do mais, não. é o Espírito, encarnado ou não, o artífice da própria glória? Daí as lutas tremendas do roteiro a vencer... Ou tratar-se-á, porventura, de punição? De qualquer forma será o trabalho de evolução... Mas até onde chegam os nossos conhecimentos a respeito do singular fato, também por nós vivido e, portanto, por nós sentido, observado e estudado, poderemos afirmar que, na sua maioria, trata-se do efeito de causas graves e, portanto, punição através da lei natural das coisas, podendo ser também o fato auxiliado pela natural disposição de organizações físicopsíquicas muito lúcidas, aquisição de mentes trabalhadas pelo esforço da inteligência, fruto do cultivo dos dons da alma, se o acontecimento não implicar distúrbios conscienciais, pois nossa personalidade é rica de dons em elaboração lenta, mas segura. Consultando preciosos livros de instrução doutrinária espírita encontraremos copioso noticiário do fato em estudo. Homens ilustres do passado não só confessavam as próprias convicções em torno da reencarnação das almas em novos corpos como afirmavam, com boas provas, lembrar de suas vidas anteriores, sendo que esses homens não deram, jamais, provas de debilidade mental, o que nos leva a deduzir ser o fato mais comum do que se pensa, e que os casos extremos, ocasionando a citada pseudoloucura, serão, com efeito, como que uma punição natural na ordem das coisas, efeito de vidas passadas anormais, onde avultavam ações criminosas. No seu precioso livro «O Problema do Ser, do Destino e da Dor», o grande mestre da Doutrina Espírita, Léon Denis, cita casos interessantes de pessoas conhecidas na História, que recordavam as próprias existências passadas. É de notar que todas essas individualidades citadas possuíam inteligência lúcida, eram mesmo pessoas geniais, fazendo crer que suas mentes haviam sido trabalhadas pelo labor intelectual desde longas etapas anteriores, o que equivale dizer que a faculdade de recordar estava mais ou menos desenvolvida, não produzindo choques vibratórios violentos (1). Assim é que, no capítulo X1V daquela obra magistral, na segunda parte, ele diz o seguinte, permitindo o leitor, a seu próprio benefício, que transcrevamos trechos do original: — «É fato bem conhecido que Pitágoras se recordava pelo menos de três das suas existências e dos nomes que, em cada uma delas, usava. Declarava ter sido Hermótimo, Eufórbio e um dos Argonautas. Juliano,
Em torno da prece
O Ministro Clarêncio comentava a sublimidade da prece e nós o ouvíamos com a melhor atenção. – Todo desejo – dizia, convincente – é manancial de poder. A planta que se eleva para o alto, convertendo a própria energia em fruto que alimenta a vida, é um ser que ansiou por multiplicar-se... – Mas todo petitório reclama quem ouça – interferiu um dos companheiros. – Quem teria respondido aos rogos, sem palavras, da planta? O venerando orientador respondeu, tranqüilo: – A Lei, como representação de nosso Pai Celestial, manifesta-se a tudo e a todos, através dos múltiplos agentes que a servem. No caso a que nos reportamos, o Sol sustentou o vegetal, conferindo-lhe recursos para alcançar os objetivos que se propunha atingir. E, imprimindo significativa entonação à voz, continuou: – Em nome de Deus, as criaturas, tanto quanto possível, atendem às criaturas. Assim como possuímos em eletricidade os transformadores de energia para o adequado aproveitamento da força, temos igualmente, em todos os domínios do Universo, os transformadores da bênção, do socorro, do esclarecimento... As correntes centrais da vida partem do Todo-Poderoso e descem a flux, transubstanciadas de maneira infinita. Da luz suprema à treva total, e vice-versa, temos o fluxo e o refluxo do sopro do Criador, através de seres incontáveis, escalonados em todos os tons do instinto, da inteligência, da razão, da humanidade e da angelitude, que modificam a energia divina, de acordo com a graduação do trabalho evolutivo, no meio em que se encontram. Cada degrau da vida está superlotado por milhões de criaturas... O caminho da ascensão espiritual é bem aquela escada milagrosa da visão de Jacob, que passava pela Terra e se perdia nos céus... A prece, qualquer que ela seja, é ação provocando a reação que lhe corresponde. Conforme a sua natureza, paira na região em que foi emitida ou eleva-se mais, ou menos, recebendo a resposta imediata ou remota, segundo as finalidades a que se destina. Desejos banais encontram realização próxima na própria esfera em que surgem. Impulsos de expressão algo mais nobre são amparados pelas almas que se enobreceram. Ideais e petições de significação profunda na imortalidade remontam às alturas... O mentor generoso fez pequeno intervalo, como a dar-nos tempo para refletir e acentuou: – Cada prece, tanto quanto cada emissão de força, se caracteriza por determinado potencial de freqüência e todos estamos cercados por Inteligências capazes de sintonizar com o nosso apelo, à maneira de estações receptoras. Sabemos que a Humanidade Universal, nos infinitos mundos da grandeza cósmica, está constituída pelas criaturas de Deus, em diversas idades e posi- ções... No Reino Espiritual, compete-nos considerar igualmente os princípios da herança. Cada consciência, à medida que se aperfeiçoa e se santifica, aprimora em si qualidades do Pai Celestial, harmonizando-se, gradativamente, com a Lei. Quanto mais elevada a percentagem dessas qualidades num espírito, mais amplo é o seu poder de cooperar na execução do Plano Divino, respondendo às solicitações da vida, em nome de Deus, que nos criou a todos para o Infinito Amor e para a Infinita Sabedoria... Quebrando o silêncio que se fizera natural para a nossa reflexão, o irmão Hilário perguntou: Contudo, como interpretar o ensinamento, quando estivermos à frente de propósitos malignos? Um homem que deseja cometer um crime estará também no serviço da prece? – Abstenhamo-nos de empregar a palavra “prece”, quando se trate do desequilíbrio – aduziu Clarêncio, bondoso –, digamos “invocação”. E acrescentou: – Quando alguém nutre o desejo de perpetrar uma falta está invocando forças inferiores e mobilizando recursos pelos quais se responsabilizará. Através dos impulsos infelizes de nossa alma, muitas vezes descemos às desvairadas vibrações da cólera ou do vício e, de semelhante posição, é fácil cairmos no enredado poço do crime, em cujas furnas nos ligamos, de imediato, a certas mentes estagnadas na ignorância, que se fazem instrumentos de nossas baixas idealizações ou das quais nos tornamos deploráveis joguetes na sombra. Todas as nossas aspirações movimentam energias para o bem ou para o mal. Por isso mesmo, a direção delas permanece afeta à nossa responsabilidade. Analisemos com cuidado a nossa escolha, em qualquer problema ou situação do caminho que nos é dado percorrer, porquanto o nosso pensamento voará, diante de nós, atraindo e formando a realização que nos propomos atingir e, em qualquer setor da existência, a vida responde, segundo a nossa solicitação. Seremos devedores dela pelo que houvermos recebido. O Ministro sorriu, benevolente, e lembrou: – Estejamos convictos, porém, de que o mal é sempre um círculo fechado sobre si mesmo, guardando temporariamente aqueles que o criaram, qual se fora um quisto de curta ou longa duração, a dissolver-se, por fim, no bem infinito, à medida que se reeducam as Inteligências que a ele se aglutinam e afeiçoam. O Senhor tolera a desarmonia, a fim de que por intermédio dela mesma se efetue o reajustamento moral dos espíritos que a sustentam, de vez que o mal reage sobre aqueles que o praticam, auxiliando-os a compreender a excelência e a imortalidade do bem, que é o inamovível fundamento da Lei. Todos somos senhores de nossas criações e, ao mesmo tempo, delas escravos infortunados ou felizes tutelados. Pedimos e obtemos, mas pagaremos por todas as aquisições. A responsabilidade é principio divino a que ninguém poderá fugir. ________________________________________________________Francisco Cândido Xavier - Entre a Terra e o Céu - pelo Espírito André Luiz
sábado, 14 de março de 2015
Os Espíritos Superiores atuam nas mutações genéticas
Os Espíritos Superiores atuam nas mutações genéticas? Se sim, como?______________________________________________________
R: Acreditamos que, embora competentes para normalmente fazê-lo, assim procederão
só em casos específicos, raros. Por exemplo: um Espírito de uma esfera espiritual acima
das terrenas e que tenha se compromissado a cumprir nobre missão na Terra, numa determinada
área da atividade humana (a música, por exemplo), talvez tenha dificuldade
para reencarnar filho(a) de pais que geneticamente lhe propiciem os fantásticos genes
que possibilitarão destreza e memorização. O reencarnante, nesse caso, poderá passar
por uma necessária adequação e “aditivação” genética, já a partir do seu perispírito, que
como sabemos nós, os espíritas, é o molde para o corpo físico. Essa complementação
só poderá ser realizada por Espíritos protetores, competentes (com domínio absoluto
daquela que podemos denominar de “genética espiritual”).
Pode ocorrer o inverso: Espírito altamente devedor, com o perispírito danificado, tendo
que reencarnar em condições físicas dificílimas, poderá nascer filho(a) de pais saudá-
veis, mas que além de aceitarem tal sublime tarefa, dispondo ou não dos meios materiais
apropriados a administrar as multiplicadas dificuldades decorrentes. Aqui também terá
que haver interferência genética daqueles técnicos espirituais, equalizando tal reencarnação
à expiação redentora, e nesse caso, isso não encontrará explicação na genética
terrena....----------------------------------------------------
NOTA COMPLEMENTAR: No cap. 12 de “Missionários da Luz”, o Autor espiritual, André
Luiz, registra sobre aqueles que têm merecimento:
(...) A lei da hereditariedade fisiológica “funciona com inalienável domínio sobre todos os
seres em evolução, mas sofre, naturalmente, a influência de todos aqueles que alcançam qualidades
superiores ao ambiente geral. Além do mais, quando o interessado em experiências novas no
plano da Crosta é merecedor de serviços ‘intercessórios’, as forças mais elevadas podem imprimir
certas modificações à matéria, desde as atividades embriológicas, determinando alterações favorá-
veis ao trabalho de redenção”.
Mais adiante, no cap. 14, agora se referindo a tarefas, missões ou “provas” , volta a
elucidar:
(...) Referindo-nos a problema de ciência física, sem alusão aos problemas espirituais das
tarefas, missões ou provas necessárias (...) de certos Espíritos na reencarnação, as autoridades de
nossa esfera de luta dispõem de suficiente poder para intervir na lei biogenética, dentro de certos
limites, ajustando-lhe as disposições, a caminho de objetivos especiais.
(Colocamos esses complementos aqui, pois eles, evidenciando a existência da
genética espiritual, terão aplicações ao longo deste questionário).____________________________________
sábado, 7 de fevereiro de 2015
Logo que cheguei ao meio espiritual, tive a sensação de estar em minha casa
Tomo-o à revista Light (1927, pág. 230). O diretor dessa revista,
Sr. David Gow, precedeu a narrativa deste caso de uma breve nota,
donde extraio os períodos seguintes:____________________________________________
Os trechos, que se vão ler, de mensagens mediúnicas, foram
tirados de um longo relatório que nos enviou um ministro anglicano da
Nova Escócia. O Espírito comunicante foi, ao que parece, conhecida
personagem americana, que ocupou, quando na Terra, alto cargo
municipal. O médium, de cujo nome se nos deu conhecimento, é uma
senhora distinta, muito conhecida, igualmente, pela elevação de seu
caráter e pela excelência de suas faculdades mediúnicas.
O Espírito começou assim:________________________________________________________
Desejo principiar a minha narrativa, do dia em que deixei o
corpo material no meu quarto de Blankville. Via quão grande era a dor
que despedaçava a alma de meus filhos e muito me afligia o achar-me
impossibilitado de lhes dirigir a palavra.
De súbito, verifiquei que em mim uma mudança se operava, que
eu não compreendia bem. Fui presa de estranha sensação que, conquanto
inteiramente nova para mim, era um tanto análogo à que uma pessoa
experimenta quando desperta repentinamente de profundo sono. No
primeiro momento, nada compreendi, dada a situação em que me
encontrava. Pouco a pouco, porém, fui percebendo o meio que me
cercava, como sucede ai quando a gente desperta do sono. Vi-me
estendido, calmo e imóvel, no meu leito, circunstância que me encheu de
espanto, longe que estava de supor que morrera. Após algum tempo, cada
vez mais desperto, percebi que minha defunta mulher se achava ao meu 72 –
lado, a me sorrir, com uma expressão radiante de ventura. Esse nosso
encontro se dava depois de longa separação. Foi ela quem me comunicou
a terrificante noticia de que eu estava morto e me encontrava também
no meio espiritual. Disse-me que, desde muitos dias, velava à cabeceira
do meu leito, aguardando o momento de acolher o meu Espírito e de
conduzi-lo à morada celeste.
Sentia-me de mais em mais revigorado por uma vitalidade nova,
como se todas as minhas faculdades entrassem num período de atividade
grande, após o prolongado torpor em que me achara... Era a sensação de
uma beatitude difícil de descrever-se... Afigurava-se-me que me tornara
parte integrante do meio que me rodeava. Minha mulher me tomou
então pelas mãos e, assim unidos, nos elevamos através do teto do
quarto, subindo para o alto, sempre mais alto, pelo espaço em fora.
Entretanto, se bem que me houvesse afastado muito do melo terrestre,
continuava a ter conhecimento do que ocorria em minha casa. Via minha
filha acabrunhada de dor. Esse estado da alma parecia deslizar como
uma nuvem escura, entre ela e mim; insinuava-se no meu ser, produzindo
nele um sentimento penoso de torpor. Desejo saiba as crises excessivas de
dor, junto dos leitos mortuários, constituem imensa barreira interposta
entre os vivos, que delas se deixam tomar, e o Espírito do defunto por
quem eles choram. Trata-se de uma barreira real e intransponível, que
nos não permite entrar em comunicação com os que se desesperam pela
nossa morte. Mais ainda: as exageradas crises de dor retêm presos ao
meio terrestre os Espíritos desencarnados, retardando-lhes a entrada no
mundo espiritual.
De fato, se é certo que, com a morte, cessam necessariamente
todas as relações entre os Espíritos desencarnados e o organismo físico
dos vivos, em compensação os Espíritos dos defuntos se tornam
extremamente sensíveis às vibrações dos pensamentos das pessoas que
lhes são caras. Concito, pois, os vivos que percam alguns de seus parentes
— qualquer que possa ser a importância da perda e da dor
correspondente — a que, a todo custo, se mostrem fortes, abafando toda
manifestação de mágoa e apresentando-se de aspecto calmo nos
funerais. Comportando-se assim, determinarão considerável melhoria na
atmosfera que os cerca, porquanto a aparência de serenidade nos
corações e nos semblantes das pessoas que nos são caras emite vibrações
luminosas que nos atraem, como, à noite, a luz atrai a borboleta. Por
outro lado, a mágoa dá lugar a vibrações sombrias e prejudiciais a nós
outros, vibrações que tomam o aspecto de tenebrosa nuvem a envolver
aqueles a quem amamos. Não duvideis de que somos muito sensíveis às 73 –
impressões vibratórias que nos chegam, por efeito da dor dos que nos são
caros. Nossos corpos etéreos estão, efetivamente, sintonizados por uma
escala vibratória muito alta, que nada tem de comum com a escala
vibratória dos corpos carnais...
Aqui não se usa da palavra para conversar. Percebemos os
pensamentos nos olhos daquele que conversa conosco. O nosso
interlocutor, a seu turno, percebe em nossos olhos os pensamentos que
nos acodem. Deste modo, percebemos integral e perfeitamente a
significação dos discursos dos outros, o que se não pode realizar na
Terra...
Logo que cheguei ao meio espiritual, tive a sensação de estar em
minha casa. Parentes, amigos, conhecidos vieram todos me receber; todos
se congratulavam comigo, por haver, afinal, chegado ao porto. Era, pois,
natural que fizessem nascer em mim à impressão de estar em minha
casa. Para me adaptar ao novo meio, menos tempo me foi preciso, do que
me seria na Terra, para me adaptar a uma mudança de residência...
Aqui, todos podemos obter facilmente os objetos que desejamos:
não temos mais do que pensar neles, para que os criemos. Nessas
condições, compreende-se que ninguém pode desobedecer ao
mandamento de Deus: Não desejareis o que pertença ao vosso próximo.
Nada aqui se compra com dinheiro; coisa alguma pode haver que tenha
valor, senão para aquele que a criou, destinada a seu uso pessoal, por
necessitar dela. Cada um se acha em condições de conseguir para si, se o
quiser, tudo o que seu vizinho possua.
Bem entendido, falo apenas de objetos materiais de toda espécie.
Digo materiais, para me fazer compreendido, pois que semelhante
qualificativo não se adapta às criações etéreas...__________________________________--extraído do livro A CRISE DA MORTE de Ernesto Bozzano (décimo caso)
Que impressão tiveste da tua primeira entrada no mundo espiritual?
Reproduzo um último caso de data antiga, que extraio do livro
do Doutor Wolfe: Starling Facts in Modern Spiritualism (pág. 388). Jim
Nolan, o Espírito-guia do célebre médium Senhor Hollis, que disse e
demonstrou ter sido soldado no curso da Guerra de Secessão da
América e haver morrido de tifo num hospital militar, responde da
maneira seguinte às perguntas de um experimentador:_______________________________________________________
P. — Que impressão tiveste da tua primeira entrada no mundo
espiritual?
R. — Parecia-me que despertava de um sono, com um pouco de
atordoamento a mais. Já não me sentia enfermo e isso me espantava
grandemente. Tinha uma vaga suspeita de que alguma coisa estranha se
passara, todavia, não sabia definir o de que se tratava. Meu corpo se
achava estendido no leito de campanha e eu o via. Dizia de mim para
mim: Que estranho fenômeno! Olhei ao mau derredor, e vi três de meus
camaradas mortos nas trincheiras diante de Vicksburg e que eu
enterrara. Entretanto, ali estavam na minha presença! Olhavam a sorrir.
Então, um dos três me saudou, dizendo:
— Bom-dia, Jim; também és dos nossos?
— Sou dos vossos? Que queres dizer?
— Mas... que te achas aqui, conosco, no mundo dos Espíritos. Não
te apercebeste disto? É um meio onde se está bem.
Estas palavras eram muito fortes para mim. Fui presa de
violenta emoção e exclamei: — Meu Deus! Que dizes! Estou morto?
— Não; estás mais vivo do que nunca, Jim; porém te achas no
mundo dos Espíritos. Para te convenceres, não tens mais do que atentar
no teu corpo.
Com efeito, meu corpo jazia, inanimado, diante de mim, sobre a 19 – A CRISE DA MORTE
tarimba. Como, pois, contestar o fato? Pouco depois, chegaram dois
homens que colocaram meu cadáver numa prancha e o transportaram
para perto de um carro; neste o meteram, subiram à boleia e partiram.
Acompanhei então o carro, que parou à borda de um fosso, onde o meu
cadáver foi arriado e enterrado. Fora eu o único assistente do meu
enterro...
P. — Quais as sensações que experimentaste na crise da morte?
R. — A que se experimenta quando o sono se apodera da gente, mas
deixando que ainda se possa lembrar de alguma ideia que tenha tido
antes do sono. A gente, porém, não se lembra do momento exato em que
foi tomado pelo sono. É o que se dá por ocasião da morte. Mas, um pouco
antes da crise fatal, minha mentalidade se tornara muito ativa; lembrei-
me
subitamente de todos os acontecimentos da minha vida; vi e ouvi tudo
que fizera, dissera, pensara, todas as coisas a que estivera associado.
Lembrei-me até dos jogos e brincadeiras do campo militar; gozei-os,
como quando deles participei.
P. — Conta-nos as tuas primeiras impressões no mundo espiritual.
R. — Ia dizer-vos que os meus bons amigos soldados não mais me
abandonaram, desde que desencarnei até o momento em que fiz a minha
entrada no mundo espiritual; lá, tinha eu avós, irmãos e irmãs, que,
entretanto, não me vieram receber quando desencarnei. Ao entrar no
mundo espiritual, parecia-me caminhar sobre um terreno sólido e vi que
ao meu encontro vinha uma velha, que me dirigiu a palavra assim: —
Jim, então vieste para onde estávamos?
Olhei-a atentamente e exclamei: — Ó, avozinha, és tu? — Sou eu
mesma, meu caro Jim. Vem comigo.
E me levou para longe dali, para sua morada. Uma vez lá, disse-me
ser necessário que eu repousasse e dormisse. Deitei-me e dormi
longamente...
P. — A morada de que falas tinha o aspecto de uma casa?
R. — Certamente. No mundo dos Espíritos, há a força do pensamento, por
meio do qual se podem criar todas as comodidades desejáveis..._________________________________Livro A CRISE DA MORTE de Ernesto Bozzano ______(terceiro caso)
domingo, 11 de janeiro de 2015
Honestidade
A honestidade é a essência do homem moral; é desgraçado aquele que daí se afastar. O homem honesto faz o bem pelo bem, sem procurar aprovação nem recompensa. Desconhecendo o ódio e a vingança, esquece as ofensas e perdoa aos seus inimigos. É benévolo para com todos, protetor para com os humildes. Em cada ser humano vê um irmão, seja qual for seu país, seja qual for sua fé. Tolerante, ele sabe respeitar as crenças sinceras, desculpa as faltas dos outros, sabe realçar-lhes as qualidades; jamais é maledicente. Usa com moderação dos bens que a vida lhe concede, consagra-os ao melhoramento social e, quando na pobreza, de ninguém tem inveja ou ciúme._____________Léon Denis em O Caminho Reto
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
A passagem
Jean Bazerque _______
Traduzido por Paulo A. Ferreira ________
O simples bom senso deveria ser suficiente para se compreender que, no organismo humano, o mau funcionamento de uma pequena engrenagem pode comprometer muitos sonhos. Mas escondemos a morte. Nós a temos sempre na mente porque ela se impõe independente de nós mesmos; mas nunca falamos dela. Outrora, fazia-se o sinal da cruz; hoje em dia, bate-se na madeira. Portanto, a despeito de se fazer isso ou não, quer o queiramos ou não, ela estará lá na sua hora. O homo-sapiens, diferentemente do animal, pensa, mas é tomado de cegueira quando se trata de ver o que é essencial; como se o essencial fosse justamente não pensar nisso! A que seria devida esta obstinação no desinteresse?____
É calúnia pretender que com sua pompa fúnebre, suas missas, seu cerimonial, a religião católica tenha contribuído em grande parte para a tristeza da perspectiva da última viagem. Diz-se que no tempo do cristianismo primitivo os enterros se efetuavam com acompanhamentos de cantos alegres, em cortejos de jovens vestidos de branco agitando palmas. Seria essa angústia do mistério da vida de além-túmulo, que não tem podido comover as religiões, o que aperta os corações das testemunhas na partida para a viagem aparentemente sem retorno?______
Não é essencial que o Espiritismo tenha trazido ao homem o conhecimento, pela intermediação dos médiuns, de uma parte das leis que regem a vida, a descrição do estado dos seres (entrantes e retirantes) após a grande partida?
O essencial é que o Espiritismo, procurando sob o véu, traz ao ser sofredor um clarão de esperança que dá a certeza da sobrevivência do ser querido.
NÃO! O ESSENCIAL NÃO ESTÁ NAQUILO QUE TU ÉS.
(conforme J.G.).
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A confiança na vida futura não exclui as apreensões provocadas pelo desconhecimento da passagem de uma vida à outra. A ciência e a religião são mudas nesse assunto porque lhes falta, a uma e outra, o conhecimento das leis que regem as relações do espírito e da matéria; uma se detém no limiar da vida material e a outra em fazer artigo de fé. O Espiritismo dá alguns passos a mais; pelas manifestações mediúnicas daqueles que deixaram a vida terrestre, permite uma visão mais completa da questão.
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A passagem para o lado de lá é diferente para cada indivíduo, em função de certas leis decorrentes das vidas anteriores e das leis da reencarnação, às quais os seres humanos estão submetidos. A grosso-modo as diversas situações tornaram-se conhecidas após a aurora do Espiritismo; é fácil tomar conhecimento do assunto nas obras de Allan Kardec, particularmente em "O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina" onde se encontram as descrições para toda sorte de situações.
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Para facilitar a compreensão da passagem do estado de encarnado (a vida terrestre) ao estado de desencarnado (a vida no lado de lá), nós decompusemos aqui o movimento esquematicamente em quatro fases sucessivas (os quatro pontos cardinais do espaço) que têm apenas um valor didático, porque de fato essas fases são variáveis segundo o grau de evolução espiritual de cada um.
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A primeira fase é a separação da alma do corpo físico.
A segunda fase é o estado de perturbação, de inconsciência, no qual a alma se encontra com muita freqüência, para não dizer sempre, após seu desligamento.
A terceira fase é o momento em que o espírito reconhece sua nova situação.
A quarta é o período mais penoso; freqüentemente o espírito tem uma visão exata do que se tinha imposto fazer ao longo de sua vida terrestre e do que fez em realidade. De uma maneira geral, este exame não lhe dá nenhuma satisfação, causando-lhe remorso e desejo de reparação.
Essas situações são perfeitamente conhecidas graças ao Espiritismo e aos livros de divulgação de Allan Kardec; pode-se dizer que a questão está ali perfeitamente tratada, assim não nos retardaremos a descrevê-las sobre o plano teórico, contentando-nos em publicar algumas manifestações espirituais relevantes no curso de nosso trabalho.
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A primeira fase da desencarnação, isto é a separação do espírito do corpo físico, malgrado o aspecto dramático que freqüentemente possui, é a fase menos penosa. Assim quando uma pessoa morre subitamente, em seguida a uma embolia, por exemplo, ouvimos esta reflexão: «Ela teve uma boa morte» porque não sofreu. Atendo-nos aos fatos, lembramos que a mãe de um dos irmãos do Grupo morreu subitamente em seguida a uma embolia e ele foi procurar a Irmã Maria Munoz, nossa fundadora, que ao ver o corpo lhe disse: "Ela não está mais aí", a separação da alma e do corpo foi efetivamente constatada pela médium vidente.
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Exemplos de visões da partida do espírito dos moribundos tem sido objeto de numerosas narrativas nos conhecidos livros espíritas de Ernesto Bozzano ou de Flammarion. Não acrescentaremos nada mais a isso.
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Eis o ponto de vista de Allan Kardec em seu livro "O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina" para o que é a primeira fase:
"A extinção da vida orgânica leva à separação da alma e do corpo pela ruptura dos laços fluídicos que os une; mas esta separação não é nunca brusca; o fluido perispiritual se desliga pouco a pouco de todos os órgãos de modo que a separação não está completa e absoluta senão quando não reste mais um só átomo do perispírito unido a uma molécula do corpo. A situação dolorosa que a alma experimenta nesse momento é em razão da soma dos pontos de contato que existem entre o corpo e o perispírito e da maior ou menor dificuldade e lentidão que apresenta a separação. Não é preciso então se dizer que, segundo as circunstâncias, a morte pode ser mais ou menos penosa”.
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Colocamos inicialmente, como princípio, as quatro circunstâncias seguintes, que podem ser observados como situações extremas, entre as quais há uma infinidade de nuances:
Se no momento da extinção da vida orgânica, o desligamento do perispírito estivesse completamente operado, a alma não sentiria absolutamente nada.
Se nesse momento a coesão dos dois elementos está em toda sua força.
Se a coesão for fraca, a separação é fácil e se opera sem abalo.
Se, após a cessação completa da vida orgânica, existisse ainda numerosos pontos de contato entre o corpo e o perispírito, a alma poderia sentir, até que os laços estivessem totalmente rompidos, os efeitos da decomposição do corpo e com mais forte razão as chamas em caso de incineração do corpo.
Do acima, resulta que o sofrimento que acompanha a morte está subordinado à força de aderência que une o corpo e o perispírito; que, para ajudar a diminuição dessa força e a rapidez do desligamento, tudo o que pode ser feito for operado sem nenhuma dificuldade, a alma não experimentará nenhuma sensação desagradável.
Na passagem da vida corporal à vida espiritual, produz-se ainda um outro fenômeno de importância capital; é o da perturbação.
Este ensinamento de Allan Kardec resulta de sua experiência mediúnica, das mensagens dos guias instrutores espirituais, de manifestações de espíritos no momento de seu desencarne e não, como o pretendiam certos detratores, de sua inteligência fértil. Temos a sublinhar que essas mensagens, como ele as teve, os grupos sérios continuam recebendo atualmente. A fonte não está seca.__
Não poderia deixar de ser dito que, quanto mais o espírito é evoluído espiritualmente ou elevado no plano moral, menos ele tem laços com seu corpo carnal e a separação se faz mais facilmente, sem choques e sem sofrimento. O caso mais rápido que conhecemos é aquele da partida de nossa fundadora, a irmã Maria Munoz; ela estava sentada sobre sua poltrona onde, impotente, passava seus dias, e deixou seu corpo escrevendo: « Viva a liberdade ». Evidentemente, ela se referia à liberdade espiritual. No retorno do enterro do corpo, os irmãos do grupo estavam reunidos na sua pequena barraca, ela tomou o médium falante e deu uma mensagem censurando inicialmente os irmãos lacrimosos por não haverem compreendido nada dos ensinamentos, pois que se lamentavam enquanto ela estava toda alegre de ser liberada desta prisão carnal que era seu corpo fatigado, e de se encontrar entre os irmãos espirituais que a acolheram no espaço. Ela tinha seguido o cortejo fúnebre andando ao lado de seus companheiros humanos e estava sabendo de tudo.__
Caso nos seja dado assistir à partida de irmãos no instante crucial, podemos ajudá-los dando passes fluídicos no corpo para facilitar o desligamento da alma. Uma prece, em tal momento, ajuda também a separação.
As preces podem ser encontradas no livro de Allan Kardec "O Evangelho segundo o Espiritismo" (cap. 28): ‘prevendo sua morte próxima’ (40), ‘por um agonizante’ (57), ‘por alguém que acaba de morrer’ (59 a 61). Nós as assinalamos não por convicção religiosa, mas por experiência. Conhecemos a força e a eficácia do pensamento. O defunto, mesmo estando invisível ainda que presente na câmara mortuária (os médiuns videntes o vêem inconscientes ou semiconscientes), na sua perturbação, capta os pensamentos das pessoas da assistência. Espíritos têm se comunicado dizendo ouvir os cantos da cerimônia religiosa ou as preces da missa, ainda que ignorem que são para eles.__________
Um filósofo disse que o sono é uma pequena morte.
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É certo que durante o sono, abandonando o corpo em repouso, nosso espírito percorre o espaço para efetuar um certo trabalho durante um tempo mais ou menos longo. Geralmente não temos consciência disso. Algumas vezes, na hora de acordar, o sonhador pode guardar a lembrança de sua atividade espiritual; esse fenômeno é provocado por seu guia visando sua informação. Vários membros do Grupo têm vivenciado esta experiência. O fato de ver seu próprio corpo esticado, inerte, sobre a cama, produz um pequeno choque quando não se está habituado, porque pensamos que se trata da grande partida.
__
Eis aqui um exemplo:
Uma jovem médium estudante em meio católico se perguntava com certa angústia o que se pode sentir no momento da morte quando se tem medo desse evento. Seu guia espiritual provocou a seguinte experiência educativa, durante seu sono, que ela conta assim: "Estou estirada e experimento uma ânsia de vomitar em todas as partes de meu corpo: os cabelos, as unhas, os dedos, etc... e por três vezes alguma coisa me aspirou por toda parte. Na terceira aspiração alguma coisa se desligou e me encontrei de pé, meu corpo estando inerte diante de mim, aos meus pés. Penso: ”É isso a morte? A morte, não é ausência total de tudo“. Experimento a ânsia de partir e me volto para me afastar. Não vejo nada nem ninguém em torno de mim. Uma vontade superior à minha me ordena: "É preciso se reintegrar ao seu corpo". Recuso, mas esta vontade dominante se impõe. Sem saber como, encontro-me instantaneamente incorporada, com uma impressão muito forte de repugnância ao contato de meu corpo, desta carne. Recupero-me logo após."
Esta má impressão de repugnância continuou a ser sentida durante várias semanas após esta experiência.
De um outro ponto de vista, eis a descrição que fez uma testemunha espiritual da primeira fase de uma desencarnação à qual ele assistiu como espírito. A voz desconhecida que lhe deu explicações é a de seu guia espiritual. Esta narração é feita pela intermediação do médium falante em transe, irmão M.B.:
"Assisti um dia à partida de uma alma no momento em que ela deixava seu corpo. Ela formava um vapor claro que se desligava lentamente e que eu distinguia perfeitamente. Percebi em seguida algo como um gás, mais sombrio, menos nítido, quase invisível, que era atraído pelo vapor, mas que, entretanto, permanecia ligado ao corpo. À medida que o vapor se afastava do corpo, esse gás se esticava, se alongava, mantendo sempre contato com o corpo. O vapor, retido por esta espécie de laço elástico voltava então, depois tentava de novo se desligar. Cada vez que se afastava, o sujeito parecia sofrer. Percebia-se isso por suas crises e suas lágrimas. O vapor voltava então para o corpo endurecido, mas não podia retomar contato, separado dele pelo gás.
Observei esse fato com atenção perguntando-me o que isso significava até que o quadro mudou. O vapor, percebendo a presença de uma pessoa que ali se encontrava, se dilata, se desliga e por um fenômeno de condensação, toma a forma de um fantasma. Qual não foi minha surpresa ao reconhecer nela a mesma imagem daquela do corpo inanimado que permanecia estendido. O gás também estava se desunindo do corpo e envolvia agora o vapor saído do corpo inanimado que permanecia estendido com uma espécie de corda enlaçada.
Observei isso perplexo até que escutei uma voz desconhecida me dando a seguinte explicação:
"O vapor irá logo embora. O gás permanecerá enganchado durante algum tempo e depois desaparecerá por sua vez".
Efetivamente, pouco depois, o fantasma se afasta e desaparece, levando com ele o gás sombrio, e não resta mais que o corpo imóvel e sem vida.
Tinha guardado na minha memória a impressão da forma deste vapor. Ora, algum tempo após, veio a mim este mesmo vapor, sob o mesmo aspecto daquele sob o qual o havia visto. Reconheci-o imediatamente, e no mesmo instante percebo a matéria etérea que formava o gás se separar do vapor. Este se transforma aos nossos olhos, tomando logo a aparência de um homem que me dirige a palavra pela primeira vez nesses termos:
« Sinto-me atraído para você, não sei porque. Pode me indicar a razão? »
Eu mesmo ignorava esse fenômeno e sua causa, assim me era bem difícil dar-lhe a mínima explicação. Não sabendo o que responder, contei-lhe textualmente o que tinha visto quando ele deixou seu corpo material, omitindo todavia a repetição das palavras pronunciadas por não sei quem, que eu havia nitidamente percebido. Tive então a surpresa de ouví-lo me dar esta resposta:
« Enfim, sinto-me aliviado. Se bem que não tivesse visto ninguém, o som de sua voz me fez bem. Há longo tempo que vivo em isolamento completo. Queria, entretanto, que me dissesse porque sua voz me atraiu, e como posso ouvi-lo sem o ver. »
Estava desolado de não poder lhe dar a explicação desse fato que eu mesmo não compreendia. Queria lhe dar uma satisfação, a fim de apaziguar a tristeza que adivinhava nele, mas não sabia como me expressar. Escutei então a voz desconhecida me dizer:
« Faça um apelo à sua memória; lembre-se da cena que você assistiu enquanto deixava a existência. Faça uma comparação com o que você mesmo passou e poderá lhe dar a explicação que ele pede.
Não se deu conta da rapidez com a qual você se desloca? Como é que você pode fazer, quase que instantaneamente, tão longa viagem através o espaço? Jamais se fez esta pergunta? E acredita você que o som poderia atravessar o vazio, para além da atmosfera onde, entretanto, você consegue ir facilmente? Não! Além do mais o som não poderia te alcançar em seus deslocamentos vertiginosos. É então impossível à voz chegar até você, e se ouves pronunciar estas palavras, é uma falsa impressão. Em realidade, é o seu pensamento que percebe diretamente as radiações que um outro pensamento emite e você tem a impressão de ouvir. O pensamento é este vapor que você viu, é a alma mesmo, imaterial, imponderável, infinita, sem forma, que continua a viver e a trabalhar no espaço.
Quando ela deseja se manifestar a outros espíritos, ela se envolve de seu invólucro semimaterial e toma a forma que tinha no momento de sua desencarnação. A alma pode então, por intermédio de seu envelope perispiritual, emitir vibrações que traduzem seu pensamento e que outros espíritos poderão captar e compreender. É o porque de você ter visto por duas vezes o espírito que acabou de lhe falar tomando a forma humana; o fato havia lhe intrigado então, você agora conhece a razão.
Se a alma desejar se manifestar diretamente a um ser encarnado, ela se aproxima dele e atrai o pensamento desse ser; este, exteriorizando-se parcial ou totalmente, pode então captar as radiações do pensamento; ela tem então a sensação de ouvir uma voz, ainda que em realidade não haja nenhuma emissão de som. Durante esta exteriorização o corpo permanece animado por esse gás sombrio que você tem visto e que não o deixa. »
Foi assim que pude ter uma luz sobre os fatos que me haviam intrigado fortemente porque sempre tenho procurado raciocinar e compreender os fenômenos aos quais me é dado assistir.
Que a paz e o amor estejam sobre vocês meus irmãos!»
Os estados da alma no momento da passagem são muito diversos. São as manifestações mediúnicas provocadas pelos guias que nos fazem conhecê-los. Os críticos religiosos gostam de nos lembrar a Lei: "Deixai os mortos enterrarem os mortos"; A11an Kardec já respondeu a esta objeção; mas quando sabemos a eficácia da ajuda que levamos àqueles que nos deixam, quanto esta objeção nos parece pueril e a Lei mal compreendida e mal interpretada. Compreender a diferença que há entre «evocar » e «invocar » é então uma necessidade.
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Edição eletrônica original:
Centre spirite Lyonnais Allan Kardec
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69500 BRON
04-78-41-19-03
sexta-feira, 19 de dezembro de 2014
Todos nós mormuramos
Lá em cima, outros problemas me atraem.
Para onde vão esses mundos inumeráveis? Em virtude de que forças se movem, se procuram no seio do insondável abismo? Sempre, no fundo de tudo, surge o pensamento de Deus, energia eterna, eterno amor! A mão que dirige os astros na extensão, escreveu ali um nome, em letras de fogo! Todos esses mundos conhecem seu trilho, sua missão sagrada; prosseguem infalivelmente. Sabem que representam um papel no plano divino, e a este se associam estreitamente.
Todo o segredo da Natureza está nisso. Os mares, as florestas e as montanhas não dizem outra coisa.
A Via-Láctea, que desenrola através do Espaço sua poeira de mundos; os cedros gigantescos, que estendem seus longos ramos acima dos precipícios; a flor, que se expande aos beijos do Sol; tudo nos murmura: É a Ele que devemos o ser; é por Ele que vivemos e morremos!
domingo, 23 de novembro de 2014
Esquecimento e reencarnação
"Aos poucos o Espírito reencarnado retoma a herança de si mesmo, reencontrando as pessoas e as circunstâncias, as simpatias e as aversões, as vantagens e dificuldades com as quais se ache afinizado ou comprometido..."
Examinando o esquecimento temporário do pretérito, no campo físico, importa considerar cada existência por estágio de serviço em que a alma readquire, no mundo, o aprendizado que lhe compete.
Surgindo semelhante período, entre o berço que lhe configura o início e o túmulo que lhe demarca a cessação, é justo aceitar-lhe o caráter acidental, não obstante se lhe reconheça a vinculação à vida eterna.
É forçoso, então, ponderar o impositivo de recurso e aproveitamento, tanto quanto, nas aplicações da força elétrica, é preciso atender ao problema de caráter e condução.
Encetando uma nova existência corpórea, para determinado efeito, a criatura recebe, desse modo, implementos cerebrais completamente novos, no domínio das energias físicas,e, para que se lhe adormeça a memória, funciona a hipnose natural como recurso básico, de vez que, em muitas ocasiões, dorme em pesada letargia, muito tempo antes de acolher-se ao abrigo materno. Na melhor das hipóteses, quando desfruta grande atividade mental nas esferas superiores, só é compelido ao sono, relativamente profundo, enquanto perdure a vida fetal. Em ambos os casos, há prostração psíquica nos primeiros sete anos de tenra instrumentação fisiológica dos encarnados, tempo em que se lhes reaviva a experiência terrestre.
Temos, ainda, mais ou menos três mil dias de sono induzido ou hipnose terapêutica, a estabelecerem enormes alterações nos veículos de exteriorização do Espírito, as quais, acrescidas às conseqüências dos fenômenos naturais de restringimento do corpo espiritual, no refúgio uterino, motivam o entorpecimento das recordações do passado, par que se avalie a mente na direção de novas conquistas. E, como todo esse tempo é ocupado em prover-se a criança de novos conceitos e pensamentos acerca de si própria, é compreensível que a criatura desperte na adolescência como alguém que fosse longamente hipnotizado para fins edificantes, acordando, gradativamente, na situação transformada em que a vida lhe propõe a continuidade do serviço devido à regeneração ou à evolução clara e simples.
E isso, na essência, é o que verdadeiramente acontece, porque, pouco a pouco, o Espírito reencarnado retoma a herança de si mesmo, na estrutura psicológica do destino, reavendo o patrimônio das realizações e das dívidas que acumulou, a se lhe regravarem no ser, em forma de tendências inatas, e reencontrando as pessoas e as circunstâncias, as simpatias e as aversões, as vantagens e dificuldades, com as quais se ache afinizado ou comprometido.
Transfigurou-se, então, a ribalta, mas a peça contínua.
A moldura social ou doméstica, muitas vezes, é diferente, mas, no quadro de trabalho e da luta, a consciência é a mesma, com a obrigação de aprimorar-se ante a bênção de Deus, para a luz da imortalidade.
(Do livro "Religião dos Espíritos", 45, pelo Espírito Emmanuel, Francisco C. Xavier)________________________________________________________
Dívida de amor
Emmanuel
Francisco Cândido Xavier
"Portanto, dai a cada um o que deveis; a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra." - Paulo. (Romanos, 13:7.)
Todos nós guardamos a dívida geral de amor uns para com os outros, mas esse amor e esse débito se subdividem, através de inúmeras manifestações.
A cada ser, a cada coisa, paisagem, circunstância e situação, devemos algo de amor em expressão diferente.
A criatura que desconhece semelhante impositivo não encontrou ainda a verdadeira noção de equilíbrio espiritual.
Valiosas oportunidades iluminativas são relegadas, pelas almas invigilantes, à obscuridade e à perturbação.
Que prodigioso Éden seria a Terra se cada homem concedesse ao próximo o que lhe deve por justiça! O homem comum, todavia, gravitando em torno do próprio "eu", em clima de egoísmo feroz, cerra os olhos às necessidades dos outros.
Esquece-se de que respira no oxigênio do mundo, que se alimenta do mundo e dele recebe o material imprescindível ao aperfeiçoamento e à redenção.
A qualquer exigência do campo externo, agasta-se e irritar-se, acreditando-se o credor de todos.
Muitos sabem receber, raros sabem dar.
Por que esquivar-se alguém aos petitórios do fragmento de terra que nos acolhe o espírito? por que negar respeito ao que comanda, ou atenção ao que necessita? Resgata os títulos de amor que te prendem a todos os seres e coisas do caminho.
Quanto maior a compreensão de um homem, mais alto é o débito dele para com a Humanidade; quanto mais sábio, mais rico para satisfazer aos impositivos de cooperação no progresso universal.
Não te iludas.
Deves sempre alguma coisa ao companheiro de luta, tanto quanto à estrada que pisas despreocupadamente.
E quando resgatares as tuas obrigações, caminharás na Terra recebendo o amor e a recompensa de todos.
(Do livro “Vinha de Luz”, Emmanuel, Francisco Cândido Xavier)_________________________________________________________________________________
sábado, 18 de outubro de 2014
O Universo inteiro está submetido à lei da solidariedade
Todos os seres estão ligados uns aos outros e se influenciam reciprocamente: O Universo inteiro está submetido à lei da solidariedade. Os mundos nas profundezas do éter, os astros que, a milhares de léguas de distância, entrecruzam seus raios de prata, conhecem-se, chamam-se e respondem-se. Uma força, que denominamos atração, os reúne através dos abismos do Espaço.
De igual maneira, na escala da vida, todas as Almas estão unidas por múltiplas relações. A solidariedade que as liga funda-se em identidade de sua natureza, na igualdade de seus sofrimentos através dos tempos, na similitude de seus destinos e de seus fins.
A exemplo dos astros dos céus, todas essas Almas se atraem. A Matéria exerce sobre o Espírito seus poderes misteriosos. Qual Prometeu sobre sua rocha, ela o encadeia aos mundos obscuros. A Alma humana sente todas as atrações da vida inferior; ao mesmo tempo percebe os chamados do Alto.
Nessa penosa e laboriosa evolução que arrasta os seres, há um fato consolador sobre o qual é bom insistir: em todos os graus de sua ascensão, a Alma é atraída, auxiliada, socorrida pelas entidades superiores. Todos os Espíritos em marcha são auxiliados por seus irmãos mais adiantados e devem auxiliar, por sua vez, todos os que lhes estão abaixo.
Cada individualidade forma um anel da grande cadeia dos seres. A solidariedade que os liga pode muito bem restringir um tanto a liberdade de cada um; mas, se esta liberdade é limitada em extensão, não o é na intensidade.
Por mais limitada que seja a ação do anel, um só de seus impulsos pode limitar toda a cadeia.
É maravilhosa essa fecundação constante do mundo inferior pelo mundo superior. Daí vêm todas as intuições geniais, as inspirações profundas, as revelações grandiosas. Em todos os tempos, o pensamento elevado irradiou no cérebro humano. Deus, em sua eqüidade, nunca recusou seu socorro nem sua luz a raça alguma, a povo algum. A todos tem enviado guias, missionários, profetas. A verdade é uma e eterna; ela penetra na Humanidade por irradiações sucessivas, à medida que nosso entendimento se torna mais apto para assimilá-la.
Cada revelação nova é continuação da antiga. É este o caráter do Espiritualismo moderno, que traz um ensino, um conhecimento mais completo do papel do ser humano, uma revelação dos poderes recônditos que ele possui e também de suas relações íntimas com o pensamento superior e divino.
O homem, Espírito encarnado, tinha esquecido seu verdadeiro papel. Sepultado na matéria, perdia de vista os grandes horizontes de seu destino; desprezava os meios de desenvolver seus recursos latentes, de se tornar mais feliz, tornando-se melhor. A revelação nova lhe vem lembrar todas essas coisas. Vem despertar as Almas adormecidas, estimular sua marcha, provocar sua elevação. Ela ilumina os recônditos obscuros do nosso ser, diz nossas origens e nossos fins, explica o passado pelo presente e abre um porvir que temos a liberdade de tornar grande ou miserável, segundo nossos atos.________________________________________Leon Denis em O Grande Enigma.
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