quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A Vida Moral




Todo ser humano traz os rudimentos da lei moral gravados em si. É neste mundo mesmo que ela recebe um começo de sanção. Qualquer ato bom acarreta para o seu autor uma satisfação íntima, uma espécie de ampliação da alma; as más ações, pelo contrário, trazem, muitas vezes, amargores e desgostos em sua passagem. Mas essa sanção, tão variável segundo os indivíduos, é muito vaga, muito insuficiente do ponto de vista da justiça absoluta. Eis por que as religiões transferiram para a vida futura, para as penas e recompensas que ela nos reserva, a sanção capital de nossos atos. Ora, tais dados, carecendo de base positiva, foram postos em dúvida pela maioria das massas, pois, embora tivessem eles exercido uma séria influência sobre as sociedades da Idade Média, já agora não bastam para desviar o homem dos caminhos da sensualidade.
Antes do drama do Gólgota, Jesus havia anunciado aos homens um outro consolador, o Espírito de Verdade, que devia restabelecer e completar o seu ensino. Esse Espírito de Verdade veio e falou à Terra; por toda parte fez ouvir a sua voz.
Dezoito séculos depois da morte do Cristo, havendo-se derramado pelo mundo a liberdade de palavra e de pensamento, tendo a Ciência sondado os céus, desenvolvendo-se a inteligência humana, a hora foi julgada favorável. Legiões de Espíritos vieram ensinar a seus irmãos da Terra a lei do progresso infinito e realizar a promessa de Jesus, restaurando a sua doutrina, comentando as suas parábolas.
O Espiritismo dá-nos a chave do Evangelho e explica seu sentido obscuro ou oculto. Mais ainda: traz-nos a moral superior, a moral definitiva, cuja grandeza e beleza revelam sua origem sobre-humana.
Para que a verdade se espalhe simultaneamente por todos os povos, para que ninguém a possa desnaturar, destruir, não é mais um homem, não é mais um grupo de apóstolos que se encarrega de fazê-la conhecida da Humanidade. As vozes dos Espíritos proclamam-na sobre todos os pontos do mundo civilizado e, graças a esse caráter universal, permanente, essa revelação desafia todas as hostilidades, todas as inquisições. Pode-se destruir o ensino de um homem, falsificar e aniquilar suas obras, mas quem poderá atingir e repelir os habitantes do espaço? Estes aplanarão todas as dificuldades e levarão a preciosa semente até às mais escuras regiões. Daí a potência, a rapidez de expansão do Espiritismo, sua superioridade sobre todas as doutrinas que o precederam e que lhe prepararam a vinda.

Assim, pois, a moral espírita edifica-se sobre os testemunhos de milhões de almas que, em todos os lugares, vêm, pela interferência dos médiuns, revelar a vida de além-túmulo, descrever suas próprias sensações, suas alegrias e suas dores.

Léon Denis - O Caminho Reto

terça-feira, 30 de julho de 2013

O Fenômeno Espírita



As crenças na imortalidade da alma e nas comunicações entre os vivos e os mortos eram gerais entre os povos da Antigüidade.

Mas, ao contrário do que acontece hoje, as práticas pelas quais se conseguia entrar em relação com as almas desencar­nadas, eram o apanágio exclusivo dos padres, que tinham cuidadosamente monopolizado essas cerimônias, não só para fazerem delas uma renda lucrativa e manterem o povo em absoluta ignorância quanto ao verdadeiro estado da alma depois da morte como também para revestirem, a seus olhos, um caráter sagrado, pois que só eles podiam revelar os segredos da morte.

Encontramos nos mais antigos arquivos religiosos a prova do que avançamos.

Os anais de todas as nações mostram que, desde épocas remotíssimas da História, a evocação dos Espíritos era praticada por certos homens que tinham feito disso uma especialidade.

O mais antigo código religioso que se conhece, os Vedas, aparecido milhares de anos antes de Jesus-Cristo, afirma a existência dos Espíritos. Eis como o grande legislador Manu se exprime a respeito: Os Espíritos dos antepassados, no esta­do invisível, acompanham certos brâmanes, convidados para as cerimônias em comemoração dos mortos, sob uma forma aérea; seguem-nos e tomam lugar ao seu lado quando eles se assen­tam.

Um outro autor hindu declara: Muito tempo antes de se despojarem do envoltório mortal, as almas que só praticaram o bem como as que habitam o corpo dos sannyassis e dos vayzaprastha (anacoretas e cenobitas) adquirem a faculdade de conversar com as almas que as precederam no Swarga; é sinal que, para essas almas, a série de suas transmigrações sobre a Terra terminou.

Desde tempos imemoriais, os padres iniciados nos mistérios preparam indivíduos chamados faquires para a evocação dos Espíritos e para a obtenção dos mais notáveis fenômenos do magnetismo. Louis Jacolliot, em sua obra - Le Spiritisme dans le monde - expõe amplamente a teoria dos hindus sobre os Pitris, isto é, Espíritos que vivem no Espaço depois da morte do corpo. Resulta das investigações deste autor que o segredo da evocação era reservado àqueles que pudessem ter quarenta anos de noviciado e obediência passiva.



GABRIEL DELANNE
O FENÔMENO ESPÍRITA

terça-feira, 23 de julho de 2013

“(…) A luz que, por vezes, me rodeia me amedronta.


“Noto, contudo, que Emmanuel, desde fins de 1941, se dedica, afetuosamente, aos trabalhos de André Luiz. Por essa época, disse-me ele a propósito de “algumas autoridades espirituais” que estavam desejosas de algo lançar em nosso meio, com objetivos de despertamento.

Falou-me que projetavam trazer páginas que nos dessem a conhecer aspectos da vida que nos espera no “outro lado”, e, desde então, onde me concentrasse, via sempre aquele “cavalheiro espiritual”, que depois se revelou por André Luiz, ao lado de Emmanuel. Assim decorreram quase dois anos, antes do “Nosso Lar”.

“(…) Desde então, vejo que o esforço de Emmanuel e de outros amigos nossos concentrou-se nele, acreditando, intimamente, que André Luiz está representando um círculo talvez vasto de entidades superiores. Assim digo porque quando estava psicografando o “Missionários da Luz”, houve um dia em que o trabalho se interrompeu.

Levou vários dias parado. Depois, informou-me Emmanuel, quando o trabalho teve reinício, que haviam sido realizadas algumas reuniões para o exame de certas teses que André Luiz deveria ou poderia apresentar ou não no livro. Em psicografando o capítulo Reencarnação, do mesmo trabalho, por mais de uma vez, vi Emmanuel e Bezerra de Menezes, associados ao autor, fiscalizando ou amparando o trabalho.”

“(…) A luz que, por vezes, me rodeia me amedronta. Vejo, ouço, e me movimento, no círculo destes trabalhos, mas, podes, crer, vivo sempre com a angústia de quem se sente indigno e incapaz. Cada dia que passa, mais observo que a luz é luz e que a minha sombra é sombra. Reconhecendo a minha indigência, tenho medo de tantas responsabilidades e rogo a Jesus me socorra.”

Fragmentos de carta de Chico Xavier a Wantuil de Freitas em 1946.

Do livro “Testemunhos de Chico Xavier” de Suely Caldas Schubert.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Perante a Eternidade



A oportunidade de escrevermos nossa história!!

Enquanto é tempo
Não trafegues inconseqüente pela vida, como se não existisse um amanhã, pois o amanhã te convocará à Realidade do Espírito. Urge preparar-te como convém, sem demora enquanto é tempo, pois se já convenceste da dimensão da Grande Verdade não mais se justifica estacionares nas transitórias instâncias da Ilusão física.
Simplificai tuas necessidades, pois nas Dimensões Superiores para onde a vida te conduz, já não mais poderás atendê-las, imprimindo-te inadequadas aflições se persistires na embriaguez dos vícios e no abuso de toda sorte.
Desapega-te do supérfluo, exercitando o genuíno desprendimento, a fim de adestrar-te à verdadeira Vida do Espírito, plena de indescritíveis venturas.
Procura viver com o menos possível, consumindo na vilegiatura terrena apenas o necessário à tua subsistência, evadindo-te de criares hábitos impróprios que muito te custarão a combater.
Reduza teus desejos, ansiando por bens eternos, pois vives num mundo efêmero que apenas se destina a te preparar para o Reino Glorioso, onde viverás embalando por diferenciados anseios.
Lembra-te: o corpo requer cuidados e respeito, porém como mera veste, não é tudo que deve mobilizar os teus interesses na vida. Ele deve ceder o seu vigor, sua juventude e sua beleza para que em ti amadureça a Alma Imortal.
O tempo é oportunidade bendita da Lei a teu favor. Aproveita-o com zelo, refazendo erros do passado e angariando novos valores para a tua própria felicidade. E se te é dada a hora vazia, consome-a no estudo, no desenvolvimento de teu ser e no serviço ao próximo, fazendo-a útil a ti e à vida.
A riqueza é não convite ao deleite e ao ócio, mas simples empréstimo da Lei Divina em tuas mãos. Se te abundam os recursos para o exercício da existência, apressa-te a distribuí-los a todos quantos convivem contigo, para que te faças possuído da verdadeira fortuna, aquela que levarás sempre contigo no coração e para onde fores. Porém, se a privação dos bens ora te visita a experiência terrena, recorda que o destino nos impõe lições indispensáveis, justificando-a ante a tua disposição ao egoísmo e ao esbanjamento. Corre a afastar do teu coração a revolta e a inveja dos abastados, vivendo a escassez como benfazeja oportunidade de trabalho e valorização dos recursos da vida.
A sabedoria não é verniz para a tua vaidade. Se o entendimento se te faz claro e detém-te na inteligência, apressa-te a esclarecer a ignorância que viceja ao teu lado, para que te faças verdadeiramente sábio.
O trabalho não é castigo para os teus dias, mas labor que visa instruir a tua alma na oficina da existência, habilitando-te à aquisição de funções indispensáveis para se viver no Céu. Valoriza-o, acorrendo a atendê-lo na exigência de seu tempo.
Cargos e posições de destaque do mundo não são enfeites para adornar-te o Espírito, mas oportunidades de serviço para o bem do próximo e o adestramento do teu ser. Viva-os com a humildade e a responsabilidade que a Lei te exige. Mas se os encargos da vida te situam em aparente inferioridade, não a vivencies com revolta e nem te evadas do exercício do servir. Recorda que não há seres desprezíveis na Criação e que se o germe não trabalhasse no seio da terra a vida no Orbe não se sustentaria.
A dor não é imposição de forças biológicas aleatórias, nem castigo da Divindade, mas recurso terapêutico indispensável para a correta orientação de tua consciência eterna. Ela não te abandonará enquanto não assimilares a lição que sabiamente te oferta.
A dificuldade e a vicissitude não são obstáculos casuais que a jornada da carne te impõe. São legítimos ensejos de crescimento que te versam na correção dos equívocos que incorporaste de forma inadequada à bagagem do Espírito.
Desafetos e pessoas difíceis não são convites a te evadires do convívio, mas preciosos entes a te convocarem para ao aprendizado da tolerância e da compreensão, indispensáveis à aquisição do verdadeiro amor que deve habitar a tua alma.
O mal não é produto residual da Mecânica Divina, porém óbice da inferioridade do ser que deves combater em ti, com veemência, a fim de participares do Banquete de Amor que Nosso Pai nos preparou desde o início dos tempos.
Teu impulso de crescimento não deve embasar-se na redução dos valores alheios, nem fazer decrescer o teu próximo, mas com ele expandir, pois o Senhor proibiu-te avançares sem carrear contigo os que estão ao teu lado.
Momentos de angústias não são impedimentos à tua felicidade, mas sim o chamado da vida para que aprendas que a verdadeira alegria é aquela que se esparge para o contentamento de todos quantos te acompanham os passos pelas paragens da Terra.
A raiva, que por vez te açula a alma, em lamentáveis estertores de agressividade, não são apenas impulsos que despertam de um passado remoto a te exigir controle, porém representam o retrato vivo do teu próprio ser, ainda estuante no presente, a te exigir urgente reforma íntima.
Caminha como um viageiro que está de passagem pelo mundo, soerguendo os desvalidos, disseminando alegrias e bom ânimo, compartilhando teu saber e teus bens provisórios, tolerando, servindo e amando, pois a qualquer momento a Lei de Deus convocar-te-á de retorno à Pátria do Espírito e então será inútil lamentar tuas mãos vazias, e as lágrimas do remorso não farão retroceder o tempo perdido.

Por isso, irmão, faze isso enquanto é tempo!

Gilson Freire

quinta-feira, 11 de julho de 2013

A vontade



A vontade é a maior de todas as potências; é, em sua ação, comparável ao ímã. À vontade de
viver, de desenvolver em nós a vida, atrai-nos novos recursos vitais; tal é o segredo da lei de evolução.

A vontade pode atuar com intensidade sobre o corpo fluídico, ativar-lhe as vibrações e, por esta forma, apropriá-lo a um modo cada vez mais elevado de sensações, prepará-lo para mais alto grau de existência.

O princípio de evolução não está na matéria, está na vontade, cuja ação tanto se estende à ordem invisível das coisas como à ordem visível e material. Esta é simplesmente a conseqüência daquela. O princípio superior, o motor da existência, é à vontade. A Vontade Divina é o supremo motor da Vida Universal.

O que importa, acima de tudo, é compreender que podemos realizar tudo no domínio psíquico; nenhuma força fica estéril, quando se exerce de maneira constante, em vista de alcançar um desígnio conforme ao Direito e à Justiça.

É o que se dá com a vontade; ela pode agir tanto no sono como na vigília, porque as almas valorosas, que para si mesma estabeleceu um objetivo, procuram com tenacidade em ambas às fases de sua vida e determina assim uma corrente poderosa, que mina devagar e silenciosamente todos os obstáculos.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O sentimento da solidariedade



Nas Almas evolvidas, o sentimento da solidariedade torna-se bastante intenso para se transformar em comunhão perpétua com todos os seres e com Deus.

A Alma pura comunga com a Natureza inteira; inebria-se nos esplendores da Criação infinita. Tudo – os astros do céu, as flores do prado, a canção do regato, a variedade das paisagens terrestres, os horizontes fugitivos do mar, a serenidade dos espaços – tudo lhe fala uma linguagem harmoniosa. Em todas essas coisas visíveis, a Alma atenta descobre a manifestação do pensamento invisível que cobre o Cosmos. Este reveste para ela um aspecto encantador. Torna-se o teatro da vida e da comunhão universais, comunhão dos seres uns com os outros e de todos os seres com Deus, seu pai.

Não há distância entre as Almas que se amam, porque se comunicam através da extensão.

O Universo é animado de vida potente: vibra qual uma harpa sob a ação divina. As irradiações do pensamento o percorrem em todos os sentidos e transmitem mensagens de Espírito a Espírito, através do Espaço. Esse Universo que Deus povoou de Inteligências, a fim de que o conheçam e o amem e cumpram a sua Lei, Ele o enche de sua presença, ilumina-o com a sua luz, aquece-o com o seu amor.

A prece é a expressão mais alta dessa comunhão das Almas. Considerada sob este aspecto, ela perde toda a analogia com as fórmulas banais, os recitativos monótonos em uso, para se tornar um transporte do coração, um ato da vontade, pelo qual o Espírito se desliga das servidões da Matéria, das vulgaridades terrestres, para perscrutar as leis, os mistérios do poder infinito e a ele submeter-se em todas as coisas: “Pedi e recebereis!” Tomada neste sentido, a prece é o ato mais importante da vida; é a aspiração ardente do ser humano que sente sua pequenez e sua miséria e procura, pelo menos um instante, pôr as vibrações do seu pensamento em harmonia com a sinfonia eterna. É a obra da meditação que, no recolhimento e no silêncio, eleva a Alma até essas alturas celestes, onde aumenta as suas forças, onde a impregna das irradiações da luz e do amor divinos.

Léon Denis em O Grande Enígma

Unidade substancial do Universo



O Universo é uno, posto que triplo na aparência. Espírito, Força e Matéria não parecem ser mais que os modos, os três estados de uma substância imutável em seu princípio, variável ao infinito em suas manifestações.

O Universo vive e respira, animado por duas correntes poderosas: a absorção e a difusão.

Por essa expansão, por esse sopro imenso, Deus, o Ser dos seres, a Alma do Universo, cria. Por seu amor, atrai a si. As vibrações do seu pensamento e da sua vontade, fontes primeiras de todas as forças cósmicas, movem o Universo e geram a Vida.

A Matéria, dissemos, é um modo, uma forma transitória da substância universal. Ela escapa à análise e desaparece sob a objetiva dos microscópios, para se transmudar em radiações sutis. Não tem existência própria; as filosofias que a tomam por base repousam sobre uma aparência, uma espécie de ilusão.

A unidade do Universo, por muito tempo negada ou incompreendida, começa a ser entrevista pela Ciência. Há quatro lustros, W. Crookes, no curso de estudos sobre a materialização dos Espíritos, descobria o quarto estado da Matéria, o estado radiante, e essa descoberta, por suas conseqüências, ia destruir todas as velhas teorias clássicas sobre o assunto.

Estas estabeleciam distinção entre a Matéria e a Força. Sabemos agora que ambas se confundem. Sob a ação do calor, a matéria mais grosseira se transforma em fluidos; os fluidos, por sua vez, se reduzem a um elemento mais sutil, que escapa aos nossos sentidos. Toda matéria pode ser transformada em força e toda força se condensa em matéria, percorrendo assim um círculo incessante.

Leon Denis em O Grande Enigma

domingo, 7 de julho de 2013

Resignação na Adversidade




O sofrimento é lei em nosso mundo. Em todas as condições, em todas as idades, sob todos os climas, o homem tem padecido, a Humanidade tem derramado lágrimas. Apesar dos progressos sociais, milhões de seres gravitam ainda sob o jugo da dor. As classes elevadas também não têm sido isentas desses males. Entre os Espíritos cultivados as impressões são mais dolorosas, porque a sensibilidade está mais esmerada, mais apurada. O rico, assim como o pobre, sofre material e moralmente. De todos os pontos do globo o clamor humano sobe ao espaço.Mesmo no seio da abundância, um sentimento de desânimo, uma vaga tristeza apodera-se por vezes das almas delicadas. Sentem que neste mundo é irrealizável a felicidade e que, aqui, apenas se pode perceber dela um pálido reflexo. O Espírito aspira a vidas e mundos melhores; uma espécie de intuição diz-lhe que na Terra não existe tudo. Para o homem que segue a filosofia dos Espíritos, essa vaga intuição transforma-se em absoluta certeza. Sabe aonde vai, conhece o porquê dos seus males, qual a causa do sofrimento. Além das sombras e das angústias da Terra, entrevê a aurora de uma nova vida.
Para apreciar os bens e os males da existência, para saber em que consiste a verdadeira desgraça, em que consiste a felicidade, é necessário nos elevarmos acima do círculo acanhado da vida terrena. O conhecimento do futuro e da sorte que nos aguarda permite medir as conseqüências dos nossos atos e sua influência sobre os tempos vindouros. Observada sob este ponto de vista, a desgraça, para o ser humano, já não é mais o sofrimento, a perda dos entes que lhe são caros, as privações, a miséria; a desgraça será então tudo o que manchar, tudo o que aniquilar o adiantamento, tudo o que lhe for um obstáculo. A desgraça, para aquele que só observar os tempos presentes, pode ser a pobreza, as enfermidades, a moléstia. Para o Espírito que paira no alto, ela será o amor do prazer, o orgulho, a vida inútil e culposa. Não se pode julgar uma coisa sem se ver tudo o que dela decorre, e eis por que ninguém pode compreender a vida sem conhecer o seu alvo e as leis morais.

sábado, 15 de junho de 2013

Prece




De pé sobre a Terra, meu sustentáculo, minha nutriz e minha mãe, elevo os meus olhares para o Infinito, sinto-me envolvido na imensa comunhão da vida; os eflúvios da Alma universal me penetram e fazem vibrar meu pensamento e meu coração; forças poderosas me sustentam, aviventam em mim a existência. Por toda parte onde a minha vista se estende, por toda parte a que a minha inteligência se transporta, vejo, discirno, contemplo a grande harmonia que rege os seres e, por vias diversas, os faz rumar para um fim único e sublime. Por toda parte vejo irradiar a Bondade, o Amor, a Justiça!

O meu Deus! O meu Pai! Fonte de toda a sabedoria, de todo o amor, Espírito Supremo cujo nome é Luz, eu te ofereço meus louvores e minhas aspirações! Que elas subam a ti, qual um perfume de flores, qual sobem para o céu os odores inebriantes dos bosques. Ajuda-me a avançar na senda sagrada do conhecimento, para uma compreensão mais alta de tuas leis, a fim de que se desenvolva em mim mais simpatia, mais amor pela grande família humana; pois sei que, pelo meu aperfeiçoamento moral, pela realização, pela aplicação ativa em torno de mim e em proveito de todos, da caridade e da bondade, aproximar-me-ei de ti, e merecerei conhecer-te melhor, comungar mais intimamente contigo na grande harmonia dos seres e das coisas. Ajuda-me a desprender-me da vida material, a compreender, a sentir o que é a vida superior, a vida infinita. Dissipa a obscuridade que me envolve; depõe em minha alma uma centelha desse fogo divino que aquece e abrasa os Espíritos das esferas celestes. Que tua doce luz e, com ela, os sentimentos de concórdia e de paz se derramem sobre todos os seres!

Léon Denis - O Grande Enigma

domingo, 9 de junho de 2013

Almas muito culpadas


... às vezes, almas muito culpadas poderão ingressar em níveis sociais elevados, desde que reencarnadas entre devedores de idênticos desatinos, ou entre corações generosos que se prontificam a auxiliá-las, pelo amor de Deus, renascendo então, como seria de esperar, enfermiças, nervosas, retardadas, auto-obsidiadas, etc., pois, psiquicamente enfermas, suas mentes estenderão até ao novo envoltório carnal os prejuízos ocasionados pelo pretérito de erros e de remorsos, verdadeiros pesadelos seculares para o delinquente em trabalho de recuperação.

Que assim se arrastarão até que suas condições gerais lhes granjeiem valores pessoais bastantes para as responsabilidades das realizações, quando, então, entrarão a construir no sentido do bem, refazendo o que destruíram e aviltaram, conluiados com o mal.

Que tais dramas, comumente, terão por palco a própria Terra, visto que, se em seus âmbitos sobreviverá `as quedas para o mal, igualmente aí se efetivará a ascensão para o melhor, por mais fácil a tarefa para o culpado e menos penosa a assistência a ele devida pelos seus tutelares, pois que as leis divinas aplicam, quanto possível, a sua misericórdia nesses lamentáveis casos.

E, por tudo isso, para que um serviço de saneamento moral, equilibrado e eficiente, se imponha  nas sociedades terrenas, trazendo termo às desordens e anomalias nelas reinantes, a fim de que o Planeta se eleve à categoria de mundo regenerador - conforme definiu a Revelação Espírita -, é que os servos do Senhor, da Espiritualidade, se multiplicam em dedicações para a propagação, na Terra como no Espaço, da moral evangélica e da Ciência do mundo invisível, únicas vias capazes de levarem o sentimento e a razão da alma humana a uma remodelação geral de si mesma, cumprindo, portanto, aos adeptos encarnados da Terceira Revelação incentivarem os próprios labores no sentido de uma estreita cooperação com aqueles, sob a forma que a cada um for possível, nem que seja somente com o trabalho amoroso da prece, pois que será, esta, poderoso auxílio para o progresso das almas necessitadas de forças para a reabilitação .

Devassando o invisível de Ivonne do Amaral Pereira


Faculdade mediúnica



Camilo Castelo Branco, o eminente escritor lusitano, amplamente conhecido, um dos nossos mais antigos amigos espirituais, que desde os nossos doze anos de idade nos aparecia em visões nítidas, queixava-se amargamente, como Espírito, de se ver, com frequência, corrido de junto dos médiuns, com quem gostaria de se comunicar, enxotado dos Centros Espíritas, sob acusação de mistificador, apenas porque o seu maior prazer seria testemunhar ao mundo a própria imortalidade e o noticiário copioso do Além, o que o levava, necessariamente, a se apresentar com a sua verdadeira identidade. No entanto, aceitavam-no, sem objeções, quando ele, no desejo de falar com os mortais, passava a mentir e enganar, afirmando chamar-se Camilo da Silva aqui, José Camilo Botelho ali, e mais além Camilo da Fonseca, pobre professor português que tivera a desdita de se suicidar por motivo de dificuldades financeiras.

Mas, porque não aceitavam Camilo, o escritor? Porque o grande Camilo não se poderia comunicar com qualquer médium, em qualquer Centro Espírita, para falar aos seus irmãos de humanidade, como tanto desejava, se, como Espírito desencarnado, não passava de entidade sofredora, carente de consolo e estímulo para a reabilitação, embora na Terra houvesse sido mestre da língua portuguesa, romancista emérito? Pois sabemos que o talento, o saber, os títulos honoríficos conferidos pela Terra, a um cidadão desprovido dos dotes morais e qualidades honrosas do caráter e do coração, nada representam na Pátria Espiritual, e até que, na maioria das vezes, somente servem para confundi-lo e sobrecarregá-lo de responsabilidades, porquanto justamente os cérebros mais burilados de cultura são os que deveriam conhecer melhor as leis do Bem e da Justiça, únicas moedas valorizadas no Além-Túmulo. Por isso mesmo, o amigo Camilo Castelo Branco, Espírito necessitado de aprendizado rigoroso, ansioso por servir à causa da Verdade entre os homens, buscando lenitivo para suas muitas dores nas narrativas e lições que, extraídas da própria experiência, sempre desejou oferecer aos encarnados, a fim de aplanar caminhos para os seus resgates futuros, não conseguiu nem médiuns nem Centros Espíritas que lhe aceitassem a palavra, porque os homens o endeusaram tanto, graças a sua copiosa literatura, que até mesmo os espíritas esqueceram que ele, espiritualmente, não passava de entidade vulgar, pela situação moral que seus desacertos terrenos lhe acarretaram no mundo invisível.

Devassando o Invisível - Ivonne A. Pereira

sábado, 8 de junho de 2013

A Intervenção dos Espíritos


O Homem é um pequeno mundo que tem como diretor o Espírito e como dirigido o corpo.

O homem é formado por matéria e espírito.

O Espírito é o ser principal, a razão, a inteligência; o corpo é envoltório de matéria que reveste, temporariamente, o espírito para o cumprimento de sua missão na Terra e a execução do trabalho necessário à sua evolução, ao seu adiantamento.

O corpo, usado, se destrói, o espírito sobrevive à sua destruição. O corpo sem o espírito não é senão matéria. O espírito sem corpo reentra no mundo espiritual de onde saiu para o reencarne.

Ensina o Espiritismo que os homens que viveram na Terra, ao deixarem o corpo físico através da morte, continuam a viver em um outro plano, chamado mundo espiritual. Quando passam para este plano da vida, levam consigo o que tiverem acumulado de virtudes e defeitos, todos, adquiridos durante a existência material, ou seja, a encarnação. Os homens bons trazem consigo a caridade que praticavam, a paz de espírito e a benevolência. Vivem em lugar feliz e trabalham constantemente pelo progresso do Planeta.

Já os homens que, quando encarnados viveram nas sendas do mal, levam para o plano espiritual as más tendências. Continuam suas atividades perniciosas, inspirando-nos todos os vícios e defeitos a que ainda estão apegados. Estes são os que podemos chamar de espíritos maus, nocivos, pois que são absolutamente perniciosos. Não podemos atribuir a Deus estas ações, pois que não se admitiria esta consciência da divindade. Uma concepção de divindade punitiva, carrasco, cruel, tende hoje a desaparecer por que todos, pelo menos os que já temos uma noção dos ensinamentos dos espíritos, sabemos que Deus é bom e justo. Assim, jamais ele estaria envolvido com ações más, perversas ou de qualquer meio ilícito e nocivo.

A maioria dos espíritos que povoam a terra, tanto no estado errante, desencarnados, quanto os encarnados, compõe-se de espíritos imperfeitos, que fazem mais o mal que o bem. Daí a predominância do mal na Terra.

Temos, portanto, o mundo corporal, composto de espíritos encarnados, e o mundo espiritual, composto de espíritos desencarnados.

O homem, por ser composto de matéria, está ligado a Terra; e o Espírito, por sua natureza fluídica, está em toda parte, percorre distâncias enormes com a rapidez do pensamento.

A morte do corpo é a ruptura dos laços que unem corpo a espírito.

Os Espíritos são criados simples e ignorantes, mas com aptidões para tudo conhecer e progredir, dependendo de seu livre arbítrio, de seu próprio trabalho, razão porque tantos somos diferentes uns dos outros. Em nossas reencarnações sucessivas, através do livre arbítrio, da própria vontade. Uns realizam mais rapidamente suas necessidades de progresso, cumprindo as leis naturais, as leis morais da vida, adquirindo uma maior gama de conhecimentos e aprendizado.Outros, também em razão de seu livre arbítrio, vivem “adiando” suas necessidades de trabalho e vivência de melhoramento espiritual-moral, deixando tudo para depois, o que lhes é permitido, entretanto não é recomendável. Desta forma, uns evoluem mais rapidamente e outros permanecem na ignorância por mais tempo.

A falta de vigilância, certamente, é um dos fatores mais sérios e que mais nos atrasam a caminhada, pois que na maior parte das vezes, esta invigilância é que nos faz permitir as influenciações negativas daqueles espíritos errantes que estão procurando apenas uma brecha, uma passagem, uma ação ou pensamento, para se utilizarem de nós e assim satisfazer suas necessidades maléficas.

A felicidade está na razão do progresso alcançado. Os que deixam para depois, adiando a prática do bem, da caridade, do trabalho, do amor ao próximo e as demais leis divinas ou naturais, estes, certamente são mais infelizes e se mantêm na ignorância por mais tempo.

Aí já podemos entender, perfeitamente, o porquê de embora criados simples e ignorantes, uns já se adiantaram no progresso e outros estão ainda muito atrasados.

A compreensão da influência que os Espíritos Desencarnados exercem sobre os Espíritos Encarnados, passa, inicialmente pelo entendimento de que há espíritos mais e menos evoluídos.

Sabemos que estamos constantemente rodeados por Espíritos que nos vêem, ouvem e conhecem nossos pensamentos e até nossos desejos mais íntimos. Quando nos acreditamos sós sempre estamos acompanhados por Espíritos e, com freqüência, somos influenciados por eles através de nosso pensamento.

A interação que existe entre encarnados e desencarnados, muito especialmente daqueles que praticam o mal, é nítida e não nos deixa dúvidas de sua existência.


Vera Meira Bestene

A visão espírita do mal



Para a doutrina dos espíritos o mal é criação do próprio homem e não tem existência senão temporária, transitória, pois no arranjo maior da Vida não tem sentido a permanência do mal. O mal, desta forma, faz parte do aprendizado, porém na condição de resíduo; por isso, ele deve ser descartado em algum momento.

Conforme Kardec aponta em Obras Póstumas “Deus não criou o mal; foi o homem que o produziu pelo abuso que fez dos dons de Deus, em virtude de seu livre arbítrio.” Este pequeno trecho compõe um dos mais belos ensaios que Kardec deixaria, não intencionalmente, para publicação posterior. Trata-se de O egoísmo e o orgulho: suas causas, seus efeitos e os meios de destruí-los.

O mestre lionês, ao desenvolver o tema, parte do pressuposto de que o instinto de conservação, natural e necessário para a sobrevivência do homem está na origem do egoísmo e do orgulho. Este e outros instintos têm a sua razão de ser. No entanto, o homem abusa destes instintos, por conta do apego às sensações que as impressões da matéria lhes causam.

Vive então, (e aqui começa nossa análise), a sua longa epopéia rumo à maturidade, devendo liberar-se de tudo que signifique retenção a esta fase infantil, de imaturidade, de apego ao ego, em que tudo deve girar ao nosso redor.

Na mensagem “A lei de amor”, de Lázaro, presente em O Evangelho Segundo o Espiritismo, o autor afirma que

Em sua origem, o homem só tem instintos; quando mais avançado e corrompido, só tem sensações; quando instruído e depurado, tem sentimentos. E o ponto delicado do sentimento é o amor...

Os instintos, as sensações e os sentimentos estarão presentes na existência humana em determinadas combinações, durante todo o processo evolutivo, com a preponderância de alguns sobre os outros.

Na fase inicial de sua jornada – na condição de simples e ignorante – é possível que o instinto lhe seja o melhor guia; à medida que desenvolve as potências da alma – a inteligência, a vontade – ele tende a apegar-se àssensações, pois não desenvolveu ainda, na mesma proporção os sentimentos, que permanecem como presença latente e promessa futura; como a inteligência desenvolve-se mais rapidamente, na ausência de sentimentos como a fé, a esperança, a caridade, o homem tende a prender-se à sensações materiais; por fim, aliando a inteligência (instruído) e as experiências de vida (depurado), o sentimentos começam a ocupar maiores espaços de manifestações anímicas no homem.

Podemos, assim, afirmar que os instintos e as sensações ainda convivem conosco hoje, pois como espíritos encarnados, imersos em um corpo físico, estamos sujeitos às leis e às atrações da matéria, porém ossentimentos tendem a dominar-nos a alma, aliado à inteligência, que já temos desenvolvido sob as suas diversas modalidades.

Retomando o ensaio de Kardec, este vai insistir no debate em torno do egoísmo e do orgulho, situando-os como causa de todos os males.

Um outro conceito precisamos analisar, porém, neste momento, antes de prosseguirmos e aprofundarmos esta questão. Trata-se do conceito de paixão.

Abel Sidney de Souza

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Não há efeito sem causa

A existência da Potência Suprema é afirmada por todos os Espíritos elevados. Aqueles, dentre nós, que têm estudado o Espiritismo filosófico sabem que todos os grandes Espíritos, todos aqueles cujos ensinamentos têm reconfortado as nossas almas, mitigado nossas misérias, sustentado nossos desfalecimentos, são unânimes em afirmar, em repetir, em reconhecer a alta Inteligência que governa os seres e os mundos. Eles dizem que essa Inteligência se revela mais brilhante e mais sublime à medida que se escalam os degraus da vida espiritual.

O mesmo se dá com os escritores e filósofos espíritas, desde Allan Kardec até nossos dias. Todos afirmam a existência de uma causa eterna no Universo.

“Não há efeito sem causa – disse Allan Kardec – e todo efeito inteligente tem forçosamente uma causa Inteligente.” Eis o princípio sobre o qual repousa o Espiritismo. Esse princípio, quando o aplicamos às manifestações de Além-Túmulo, demonstra a existência dos Espíritos. Aplicado ao estudo do mundo e das leis universais, demonstra a existência de uma causa inteligente no Universo. Eis por que a existência de Deus constitui um dos pontos essenciais do ensino espírita. Acrescento que é inseparável do resto desse ensino, porque, neste último, tudo se liga, tudo se coordena e se encadeia. Que não nos falem de dogmas! O Espiritismo não os comporta. Ele nada impõe; ensina. Todo ensino tem seus princípios. A idéia de Deus é um dos princípios fundamentais do Espiritismo

Consolar


Certa vez, o Espírito de um jovem, que aparentava 18 ou 20 anos de idade, apresentou-se à nossa visão, todo envolvido em ataduras de gaze, da cabeça aos joelhos, braços, mãos, rosto. Chorava; e um cheiro forte de iodofórmio anunciou sua presença antes mesmo da materialização. Compreendemos que seu trespasse se efetivara por uma explosão e que falecera no hospital; pois o panorama dos acontecimentos relacionados com a desencarnação da entidade comunicante, ou mesmo passagens de seu drama íntimo, são revelados ao médium através das suas próprias irradiações (ou de sua aura), o que produz intuições quase instantâneas, espécie de conversação telepática, ou vibratória, que desvenda as cenas e enseja esclarecimentos para o que se há-de tentar, a fim de minorar a sua aflição. Como sempre, em presença desse Espírito, procuramos fazer leitura amena e esclarecedora, convidando-o a ouvi-la, o que fez com grande respeito e atenção. Oramos juntos e conversamos depois, embora ligeiramente. E tivemos a satisfação de vê-lo sorrir e agradecer, ao se afastar.

Nenhuma conquista humana, nenhum prazer ou alegria deste mundo se poderá comparar à felicidade de um médium que já se viu envolvido em tarefa desse gênero. O consolo que ele próprio recebe, se sofre, a doçura inefável de que se sente invadir, ao verificar que conseguiu auxiliar um desses pequeninos a quem Jesus ama e recomenda, ultrapassa todas as venturas e triunfos terrenos. E' como se ele próprio, o instrumento mediúnico, houvesse mergulhado em vibrações celestes, através das lágrimas do sofredor do Invisível, as quais procurou enxugar.


Devassando o Invisível
de Ivonne A. Pereira

domingo, 26 de maio de 2013

Fatalidade



Logo, não há fatalidade. É o homem, por sua própria vontade, quem forja as próprias cadeias, é ele quem tece, fio por fio, dia a dia, do nascimento à morte, a rede de seu destino. A lei de justiça não é, em essência, senão a lei de harmonia; determina as conseqüências dos atos que livremente praticamos. Não pune nem recompensa, mas preside simplesmente à ordem, ao equilíbrio tanto do mundo moral quanto do mundo físico. Todo dano causado à ordem universal acarreta causas de sofrimento e uma reparação necessária, até que, mediante os cuidados do culpado, a harmonia violada seja restabelecida.

O bem e o mal praticado constituem a única regra do destino. Sobre todas as coisas exerce influência uma lei grande e poderosa, em virtude da qual cada ser vivo do universo só pode gozar da situação correspondente a seus méritos. A nossa felicidade, apesar das aparências enganadoras, está sempre em relação direta com a nossa capacidade para o bem; e essa lei acha completa aplicação nas reencarnações da alma. É ela que fixa as condições de cada renascimento e traça as linhas principais dos nossos destinos. Por isso há maus que parecem felizes, ao passo que justos sofrem excessivamente. A hora da reparação soou para estes e em breve soará para aqueles.

Associarmos os nossos atos ao plano divino, agirmos de acordo com a Natureza, no sentido da harmonia e para o bem de todos, é preparar nossa elevação, nossa felicidade; agir no sentido contrário, fomentar a discórdia, incitar os apetites malsãos, trabalhar para si mesmo em menoscabo dos outros, é semear para o futuro fermentos de dor; é nos colocarmos sob o domínio de influências que retardam o nosso adiantamento e por muito tempo nos acorrentam aos mundos inferiores.

É isso o que é necessário dizer, repetir e fazer penetrar no pensamento, na consciência de todos, a fim de que o homem tenha um único alvo em mira: conquistar as forças morais, sem as quais ficará sempre na impotência de melhorar a sua condição e a da humanidade! Fazendo conhecer os efeitos da lei de responsabilidade, demonstrando que as conseqüências de nossos atos recaem sobre nós através dos tempos, como a pedra atirada ao ar torna a cair ao solo, pouco a pouco serão levados os homens a conformar o seu proceder com essa lei, a realizar a ordem, a justiça, a solidariedade no meio social.

Léon Denis -
O Problema do Ser do Destino e da Dor

Variedade infinita das aptidões

A variedade infinita das aptidões, das faculdades, dos caracteres, explica-se facilmente, dizíamos. Nem todas as almas têm a mesma idade, nem todas subiram com o mesmo passo seus estádios evolutivos. Umas percorreram uma carreira imensa e aproximaram-se já do apogeu dos progressos terrestres; outras mal começam o seu ciclo de evolução no seio das humanidades. Estas são as almas jovens, emanadas a menos tempo do Foco Eterno, foco inextinguível que despede sem cessar feixes de Inteligências que descem aos mundos da matéria para animarem as formas rudimentares da vida. Chegadas à humanidade, tomarão lugar entre os povos selvagens ou entre as raças bárbaras que povoam os continentes atrasados, as regiões deserdadas do Globo. E, quando, afinal, penetram em nossas civilizações, ainda facilmente se deixam reconhecer pela falta de desembaraço, de jeito, pela sua incapacidade para todas as coisas e, principalmente, pelas suas paixões violentas, pelos seus gostos sanguinários, às vezes até pela sua ferocidade; mas, essas almas ainda não desenvolvidas subirão por sua vez a escala das graduações infinitas por meio de reencarnações inúmeras.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Uma leitura para o coração



“Sou o grande médico das almas e venho trazer-vos o remédio que vos há de curar. Os fracos, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos”. O Espírito de Verdade. (Bordéus, 1861.)

O Evangelho Segundo o Espiritismo – capítulo VI – item 7. 


Afastemos um pouco das reflexões mais densas e façamos uma pausa para meditação.

Dilata tua sensibilidade e lê com o sentimento as anotações a seguir. Depois escuta os recados do teu coração.

***

A Doutrina Espírita é a medicação recuperativa das nossas vidas. Sua “substância ativa” é o Evangelho. Sua “bula” é estritamente individual. Para cada um haverá uma dosagem e forma de aplicação.

O movimento espírita é a nossa enfermaria abençoada onde encontramo-nos internados na busca de nossa alta médica.

Tarefa e estudo, provas e oportunidades são terapêuticas necessárias na solução de nossas enfermidades.

Perante esse quadro de experiências da nossa trajetória de aprendizado, listemos algumas prescrições indispensáveis para a cura:

· Onde se reúnem doentes, torna-se dispensável realçar imperfeições e deslizes. Todos sabemos de nossa condição. Falemos de saúde e aproveitamento.

· Esqueçamos as vivências dolorosas e examinemos as conquistas. Indaguemos: em que melhorei? O que aprendi?

· Somos doentes graves, mas temos o melhor médico, Jesus.

· Perdoemos incondicionalmente o companheiro de enfermaria. Ele também é alguém em busca de si mesmo.

· Trazemos na intimidade todos os antídotos para nossas imperfeições. Resta-nos descobri-los.

· De fato, alguns doentes esquecem suas necessidades. O melhor a fazer para auxiliá-los é a oração.

· Alguns enfermos carecem de tratamentos específicos. Por não entendermos tais medidas, evitemos julgá-los.

· Uma única certeza: todos nós teremos alta médica e alcançaremos a saúde.

· As raras criaturas sadias foram chamadas a Postos Maiores. Cuidam de nós.

· Uma pergunta diária: que farei pela minha recuperação?

· Uma atitude diária: doses elevadas de preces e trabalho.

· O caminho seguro para fortalecimento e alegria: a amizade sincera, leal e fraterna.

· O que nunca devemos esquecer: antes repudiávamos a idéia de internação. Hoje desejamos tratar.

· Esqueçamos a noção de tempo e sejamos gratos pela oportunidade de uma vaga nessa benfazeja enfermaria.

· Nos momentos de crise, evitemos projetar decepções e revolta nos outros ou reclamar do ambiente que nos acolheu para refazimento e orientação. Crises são indícios oportunos para exames e diagnósticos mais apurados sobre nossas dores.

· Saber que estamos enfermos não basta. É preciso sentir. Nossa cura virá do coração.

Recordemos a frase confortadora do Espírito Verdade: Os fracos, os sofredores e os enfermos são os meus filhos prediletos.

Agora vá e escuta os recados do teu coração e Deus te abençoe com paz íntima.


Livro - Escutando Sentimentos de 
Wanderley de Oliveira

terça-feira, 30 de abril de 2013

O Trabalho Espiritual em um Centro Espírita - parte 3

3. SETOR DE ENFERMAGEM 

Sob a orientação de um Espírito superior treinado em medicina espiritual, trabalham enfermeiros, técnicos e auxiliares, trajando uma túnica alva, com delicado e luminescente emblema em ton azul celeste, na altura do tórax, no lado esquerdo, indicadores de atividades ligadas à medicina. Muitos dos servidores atuaram na área da Medicina quando encarnados, porém o autor destaca que, no Plano espiritual, não basta o conhecimento técnico: torna-se imprescindível a aquisição de virtudes. Nas tarefas que devem desempenhar não utilizam só a razão, usam sobretudo o coração. O Setor atua nas atividades de manipulação de fluídos e substâncias medicamentosas; auscultação de pacientes; acompanhamento do serviço dos médiuns passistas, com aplicações ou transfusões de energias e execução de cirurgias. O autor espiritual questionou seu orientador, Marcos, sobre a realização de cirurgias. Marcos o esclareceu dizendo que os encarnados que realmente se esforçam no aprendizado das verdades eternas e buscam realizar a reforma íntima, conseguem a intercessão direta dos servidores do Setor de Enfermagem, 
através da análise criteriosa da situação à luz da Lei de Causa e Efeito, considerando os atenuantes e méritos adquiridos. Na narrativa, Marcos ressaltou o importante papel desempenhado pelo perispirito no processo reencarnatório. Os servidores do Setor de Enfermagem atuam diretamente no corpo fluídico, semimaterial, alterando-lhe algumas disposições com interferência cirúrgica. Como conseqüência natural, erradicam diversas enfermidades físicas que são causadas pelo desequilíbrio do ser e transmitidas do perispírito ao corpo físico. As cirurgias espirituais, em certos casos, são realizadas durante o processo natural do sono. A fluidoterapia evita males orgânicos e psíquicos. O Setor utiliza ânforas transparentes para guardar substâncias vitais , usadas no tratamento de enfermos. As substâncias são retiradas dos vegetais e manipuladas pelos técnicos do Setor, alcançando resultados significativos. Os servidores da enfermagem também atuam na fluidificação das águas. O autor assim descreve tal processo:

" Neste instante, alguns companheiros do Setor de Enfermagem aproximaram-se da mesa onde se encontravam os recipientes com água. Por alguns minutos buscaram um estado de concentração e em perfeita sintonia, estenderam as mãos sobre os vasilhames, enquanto o dirigente da equipe, através de comovente oração, buscava as dádivas celestes. Dos servidores do bem, luminosa energia desprendia-se, enquanto que dos céus, como resposta à súplica proferida, jorravam pétalas radiantes sobre as águas. Invisível aos olhos humanos, essas substâncias fluídicas desfaziam-se em contato com as águas, que as absorviam instantaneamente."

O dirigente da equipe relata que todos os copinhos recebem eflúvios balsâmicos e revigorantes que atuarão como tônico reconstituinte, e complementa dizendo: " - O homem na Terra está longe de compreender a infinita bondade de Nosso Pai. A água fluidificada é recurso valioso, embora, vezes sem conta, ele não lhe valorize os abençoados terapêuticos."

Cabe destacar que a água é um excelente condutor de energias e que não importa se os recipientes estão fechados ou abertos, eles recebem os eflúvios balsâmicos e revigorantes do mesmo modo.
"NA SEARA DO BEM"
Livro psicografado por Luis Antonio Ferraz,
Pelo Espírito Antônio Carlos Tonini ( 1947-1987 ).

O Trabalho Espiritual em um Centro Espírita - continuação

2- O setor de vigilância

Este setor atua para que a disciplina e a ordem sejam mantidas, em benefício de todos, pois muitos espíritos ainda pouco esclarecidos e renitentes no mal, tentam investir contra as atividades de libertação espiritual que ocorrem na Casa Espírita.Há também os espíritos enfermos, sob as conseqüências dolorosas dos seus equívocos ou premidos pelo remorso, que são trazidos para a recuperação através da auto-educação. Cabe aos servidores deste setor a assistência fraterna a esses espíritos, inspirando-lhes bom ânimo e esperança e estimulando-os a construírem uma nova realidade para si mesmos, sem se deixarem levar pelo desespero. O autor espiritual descreve que a movimentação dos trabalhadores era intensa, mas que tudo era feito com dedicação, alegria e gentileza, em clima de verdadeira fraternidade.Um ambiente "interexistente" amplia-se para além das paredes de alvenaria do auditório de reuniões, destinado a receber os Espíritos desencarnados que serão assistidos.

O Setor possui equipamentos a serem utilizados para defesa, no trato com Espíritos ainda cegos para a luz da verdade. São equipamentos elétricos, que tem como base descargas de energia. Podem ter a forma de projéteis, de lança-raios ou de canhões (para a defesa de colônias).Esses instrumentos servem para dispersar os irmãos ainda totalmente ligados à matéria e não preparados para a necessária auto-transformação, que tentam investir contra o trabalho do Pai. É importante manter a disciplina e harmonia no ambiente ("orai e vigiai"), para que o necessário trabalho no bem seja realizado.André Luiz, no livro "Os Mensageiros", capítulo 20, visita um Posto de Socorro e conversa com Alfredo, trabalhador do mesmo, a cerca da necessidade de se ter um sistema de defesa contra o mal. Alfredo lhe esclarece, relatando a lenda hindu da serpente e do santo. Enfim, os recursos de defesa não devem ser interpretados como armamento ou violência. São ainda os recursos indispensáveis no trato com os ignorantes da Lei do Amor. O autor observa que pensamento é vida e as atitudes mentais das criaturas exteriorizam-se, plasmando o ambiente espiritual. O clima de paz, as emanações saudáveis, o trabalho edificante, as orações, o pensamento reto e a mensagem consoladora criam vibrações que se cristalizam, formando um halo de luz protetor, que envolve o núcleo de serviço do Centro. Isto torna o ambiente propício ao trabalho dos benfeitores espirituais. "O bem faz bem primeiramente a quem o executa. Quando os homens descobrirem a importância do serviço em favor do semelhante, estarão a caminho da solução definitiva dos seus problemas". O serviço com Jesus é, antes de tudo, a nossa conscientização de partícipes na obra da criação, cabendo-nos realizar o melhor ao nosso alcance, honrando a oportunidade de realização que o criador nos concede."



"NA SEARA DO BEM"
Livro psicografado por Luis Antonio Ferraz,
 Pelo Espírito Antônio Carlos Tonini ( 1947-1987 ).

O Trabalho Espiritual em um Centro Espírita

1. INTRODUÇÃO

Em um Centro Espírita, os dois planos da vida se irmanam. Veremos os serviços que os benfeitores espirituais realizam durante as atividades de um Centro Espírita. Os servidores espirituais se dividem entre médicos, enfermeiros, auxiliares, técnicos e colaboradores. Os trabalhos são divididos pelos seguintes setores: de Vigilância, de Enfermagem, de Esclarecimentos e de Comunicação. Os trabalhos são coordenados por um dirigente e contam com dezenas de servidores. Nos conta o autor espiritual -trabalhador espírita que desencarnou em 1987 - que, antes da reunião pública começar, os trabalhadores do plano espiritual se reúnem com o dirigente dos trabalhos para orientação. "Reunindo-nos no salão apropriado, o Irmão Joel convocou-nos ao serviço, dizendo: - Meus irmãos, iniciaremos os preparativos para as atividades desta noite. Cumpre-nos lembrar que todos nós somos necessitados ante a Providência Divina, pois que ainda nos reconhecemos imperfeitos. Entretanto ninguém realiza a ascensão espiritual sem esforço e trabalho. Somente servindo ao semelhante estaremos enriquecendo-nos. Todo trabalho no bem oferece-nos os valiosos recursos da experiência. Valorizemos, pois, a oportunidade que o Senhor nos oferece e tratemos de realizar o melhor,certos de que o amparo do mais alto não nos faltará. Busquemos a inspiração no amor de Jesus para com todos nós e recordemo-nos de suas sublimes palavras quando afirmou: -"Toda vez que o fizestes a um destes pequeninos, é a mim que o fizestes". Iniciemos os preparativos."




"NA SEARA DO BEM"
Livro psicografado por Luis Antonio Ferraz,

 Pelo Espírito Antônio Carlos Tonini ( 1947-1987 ).

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sobre as reuniões espíritas

Uma reunião é um ser coletivo cujas qualidades e propriedades são as dos seus membros, formando uma espécie de feixe. Ora, esse feixe será tanto mais forte quanto mais homogêneo.

Se o Espírito for de qualquer maneira atingido pelo pensamento, como nós somos pela voz, vinte pessoas unidas numa mesma intenção terão necessariamente mais força que uma só. Mas para que todos os pensamentos concorram para o mesmo fim é necessário que vibrem em uníssono, que se confundam por assim dizer em um só, o que não pode se dar sem concentração.

A concentração e a comunhão de pensamentos sendo as condições necessárias de toda reunião séria, compreende-se que o grande número de assistentes é uma das causas mais contrárias à homogeneidade. Não há, é certo, nenhum limite absoluto para esse número. Compreende-se que cem pessoas, suficientemente concentradas a atentas, estarão em melhores condições do que dez pessoas distraídas e barulhentas. Mas é também evidente que quanto maior o número, mais dificilmente se preenchem essas condições.

Toda reunião espírita deve, pois, procurar a maior homogeneidade possível.

Fonte: O Livro dos Médiuns (Cap. 29 – Reuniões e Sociedades)



terça-feira, 16 de abril de 2013

O médium nem sempre pode curar

A mediunidade de cura ocorre, basicamente, pela doação de fluido, dirigida por um espírito, com resultados mais ou menos rápidos, dependendo da capacidade do médium e do merecimento do paciente.

É preciso esclarecer, de início, que qualquer pessoa, dotada ou não de mediunidade, pode aplicar passes. São os chamados magnetizadores. O que distingue um médium curador dos demais mortais é a predisposição fluídica especial, que o torna mais eficaz na aplicação do passe.

Porém, nem sempre o médium curador é bem-sucedido. Digo isto para que fique claro que um doente sem merecimento não obtém a cura, ainda que recorra ao mais eficiente dos médiuns. Diante dos casos de provação compulsória, a terapia doutrinária, com base no Evangelho, é o melhor remédio para amenizar o sofrimento do doente e neutralizar todo sentimento de revolta contra Deus.

Às vezes, o resultado é tímido ou mesmo nulo por outros motivos. Uma das explicações é esta: assim como os profissionais médicos, o médium curador trabalha por especialidade.

Tais limitações são comuns. Podemos atuar muito bem sobre uma dor de estômago e não sobre uma dor de cabeça; podemos beneficiar o coração de um companheiro e sermos impotentes diante de um osso quebrado.

A qualidade do fluido emitido pelo médium também interfere no resultado do fenômeno. O fluido da pessoa desregrada não atua tanto quanto o de uma pessoa equilibrada. Alimentação sadia e visível progresso moral ampliam significativamente a capacidade do médium curador.

Neste ponto, alguém pode contestar a argumentação, alegando que existem médiuns muito eficazes no tratamento de doenças e que, apesar disso, cobram pelo que fazem, sem considerar a mediunidade como uma dádiva concedida pela misericórdia de Deus.

Não é bem assim. Muitas curas podem ocorrer por mérito exclusivo do paciente. Um bom espírito utiliza-se, momentaneamente, do fluido de um médium curador, seja ele quem for, considerando a urgência do atendimento a um doente que precisa de tratamento e merece a cura.

Seja como for a cura mediúnica é uma realidade. Mas não confunda médium receitista com médium curador. O primeiro age como uma variante da mediunidade psicográfica, atuando como um médico. O médium receitista recomenda, por inspiração dos espíritos, determinada substância, alopática ou homeopática. Quem cura, portanto, não é o médium, mas o remédio.

No caso do médium curador, ocorre a intervenção fluídica sobre o corpo e o perispírito do paciente. A cura se processa pela emissão do fluido do médium, combinado com a irradiação de um espírito, que o assiste, monitorando e dirigindo o fenômeno. O médium pode receitar e não ser médium de cura ou vice-versa. Pode também combinar as duas aptidões, o que é mais raro.

O médium digno deste nome busca sempre o aperfeiçoamento moral, certo de que, na maioria dos casos, a mediunidade representa o melhor instrumento para o resgate de débitos desta e de outras vidas.

Antes de tudo, o médium deve entender que reencarnou com o dom da cura porque tem dívidas a saldar, coletivas ou individuais. No passado, o médium pode ter sido um mau rei que prejudicou milhares de súditos; ou um latifundiário que manipulou o mercado, provocando a falta de alimentos; ou ainda um agitador que abusou das multidões para saciar a sede de poder. Pela mediunidade de cura, o médium resgata os débitos pelo trabalho em favor do próximo.

Quando passarem para o plano espiritual, após o desencarne, os maus políticos e os maus empresários compreenderão, como já o fizemos, a imensidade do prejuízo que causaram na Terra. Para eles haverá, certamente, a opção de repararem os erros com a prática da mediunidade, em benefício de muitos.

A misericórdia de Deus é infinita. Apesar da extensão do nosso estrago, direto ou indireto, causado no passado, Deus nos concedeu a bênção da mediunidade curativa por 30, 40 ou 50 anos.

É importante entender que o poder de irradiação e de penetração fluídica do médium curador cresce na medida em que pratique a moral cristã. Com o domínio de forças mais sutis, atinge áreas mais complexas, no corpo e no perispírito do paciente. Se for guiado por um bom espírito, que também seja médico, produz curas consideradas impossíveis.


Altivo Carissimi Pamphiro
(Artigo retirado da Revista Estudos Espíritas - Janeiro de 1999 - Edições Léon Denis)

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Sinais precursores da mediunidade: mediunidade como prova

A mediunidade manifesta-se por toda a parte, nos mais diferentes lugares

1. A mediunidade, na maioria das vezes, é um dom que o Espírito pede diante da sua necessidade de, uma vez encarnado, se conscientizar de forma indelével de sua condição de Espírito eterno. Ele é também instrumento de agilização do seu progresso espiritual.

2. É por causa disso que, independentemente das próprias convicções, muitas vezes contrárias à realidade espiritual, surge a faculdade mediúnica ampliando a sensibilidade do homem para a percepção do ambiente espiritual que o circunda, e, atendendo a esse objetivo, se manifesta em crianças e em velhos, em homens e em mulheres, quaisquer que sejam o temperamento, o estado de saúde, o grau de desenvolvimento intelectual e o nível moral das pessoas.

3. Ignorando, muitas vezes, os recursos mediúnicos de que é dotado, o indivíduo começa então a sentir-se envolto em problemas, muitas vezes sem causas definidas, tais como um mal-estar generalizado, o desequilíbrio emocional fácil, as enfermidades que aparecem e desaparecem sem explicações médicas claras, determinados desentendimentos no lar, problemas profissionais diversos e muitas outras formas de desarmonia pessoal, familiar, social e profissional.

4. É em tais situações que, pressionada pelas circunstâncias e sem encontrar solução na religião que professa, a pessoa bate à porta do Centro Espírita, onde deverá sempre ser recebida com os mais nobres sentimentos de solidariedade, compreensão, esclarecimento e ajuda.
Os sintomas precursores da mediunidade variam ao infinito

5. Algo bastante comum é o principiante espírita querer saber que tipo de faculdade mediúnica possui, e um dos recursos mais utilizados é procurar informar-se com os Espíritos por meio de outros médiuns, o que nem sempre é uma boa medida e não oferece segurança àquele que indaga, como explica Kardec em “O Livro dos Médiuns”, item 205.

6. Os sintomas que anunciam a mediunidade variam ao infinito. Martins Peralva os enumera: reações emocionais insólitas, calafrios e mal-estar, sensação de enfermidade, irritações estranhas... Algumas vezes, porém, pode a faculdade mediúnica eclodir sem nenhum sintoma, espontânea, exuberante. É por isso que a paciência, a perseverança, a boa vontade, a humildade, o estudo e o trabalho constituem fatores de extrema valia na educação e no desenvolvimento da faculdade mediúnica.

7. Registre-se, no entanto, que o mais comum é vermos a mediunidade vinculada à dor, sobretudo no seu início, o que não é difícil de compreender, uma vez que vivemos em um mundo de expiações e provas, habitado por seres encarnados e desencarnados com os quais nos afinizamos e em quem predomina a imperfeição moral, expressa na forma de inveja, ciúme, ódio, despeito, vingança e tantos outros filhos do orgulho e da ignorância. São as vibrações decorrentes dessas imperfeições que o médium iniciante, com a sensibilidade ampliada, passa a sentir, sem ter ainda condições de lhes oferecer resistência, o que lhe virá posteriormente com o trabalho nobre, a perseverança no bem, o estudo sério, a oração e a vigilância.

8. Conquanto existam no mundo médiuns que vieram ao orbe com tarefas importantes definidas, os médiuns não são, em sua generalidade, missionários na acepção comum do termo. São almas que fracassaram desastradamente, que contrariaram sobremaneira o curso das leis divinas e que resgatam seu passado obscuro e delituoso, sob o peso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades. Essas palavras, grafadas por Emmanuel, fazem parte do livro “Emmanuel”, pp. 66 e 67, que Chico Xavier psicografou.
A faculdade mediúnica constitui um instrumento de progresso valioso

9. Arrependidos, esses Espíritos procuram arrebanhar todas as felicidades que perderam, reorganizando, com sacrifícios, tudo quanto esfacelaram nos seus instantes de criminosas arbitrariedades e de condenável insânia. Não é, pois, de admirar que as existências dos médiuns em geral têm-se constituído em romances dolorosos, em vidas de amargurosas dificuldades, em histórias repletas de provações, continências e desventuras.

10. Em tais casos, a mediunidade não é uma conquista do Espírito para a eternidade, mas uma concessão temporária, que constitui um instrumento extremamente valioso, embora difícil e complexo, o qual, se bem aproveitado, ensejará ao indivíduo uma ascensão espiritual mais rápida e o libertará dos débitos acumulados no passado.

11. A mediunidade é, bem se vê, uma prova muitas vezes dolorosa, mas sempre necessária ao enriquecimento espiritual da pessoa. A exemplo dos “talentos” de que nos fala o Evangelho, dependendo do que fizer com ela, o médium granjeará “talentos” maiores e mais nobres, observando-se sempre, nesse particular, a regra evangélica de que a cada um será dado sempre de acordo com o seu merecimento.

12. Todos somos médiuns, asseverou o Codificador do Espiritismo, mas nem sempre possuímos uma faculdade operante capaz de ser transformada ou caracterizada como mediunidade-tarefa. Nesse caso, todos os esforços por desenvolvê-la serão infrutíferos. Não devemos, no entanto, deixar-nos envolver pelo desânimo e, sim, abraçar com alegria outras tarefas na seara espírita, até mesmo nas reuniões mediúnicas, onde há espaço para a atuação dos médiuns passistas e dos médiuns esclarecedores, convictos de que, independentemente de possuirmos ou não uma mediunidade produtiva, o objetivo fundamental da nossa presença no mundo é servir sempre e fazer a parte que nos cabe na obra do Criador.

quinta-feira, 21 de março de 2013

O amor



O amor, profundo como o mar, infinito como o céu, abraça todas as criaturas.
Deus é o seu foco. Assim como o Sol se projeta, sem exclusões, sobre todas as coisas e reaquece a natureza inteira, assim também o amor divino vivifica todas as almas; seus raios, penetrando através das trevas do nosso egoísmo, vão iluminar com trêmulos clarões os recônditos de cada coração humano.

Todos os seres foram criados para amar. As partículas da sua moral, os germes do bem que em si repousam, fecundados pelo foco supremo, expandir-se-ão algum dia, florescerão até que todos sejam reunidos numa única comunhão do amor, numa só fraternidade universal.

Quem quer que sejais, vós que ledes estas páginas, sabei que nos encontraremos algum dia, quer neste mundo, nas existências vindouras, quer em esfera mais elevada ou na imensidade dos espaços; sabei que somos destinados a nos influenciarmos no sentido do bem, a nos ajudarmos na ascensão comum. Filhos de Deus, membros da grande família dos Espíritos, marcados na fronte com o sinal da imortalidade, todos somos irmãos e estamos destinados a conhecermo-nos, a unirmo-nos na santa harmonia das leis e das coisas, longe das paixões e das grandezas ilusórias da Terra.

Enquanto esperamos esse dia, que meu pensamento se estenda sobre vós como testemunho de terna simpatia; que ele vos ampare nas dúvidas, vos console nas dores, vos conforte nos desfalecimentos, e que se junte ao vosso próprio pensamento para pedir ao Pai comum que nos auxilie a conquistar um futuro melhor.

Léon Denis

Ação do pensamento e dos sentimentos sobre os fluídos absorvidos do Cosmo



Nós absorvemos do cosmos fluidos vitais, espirituais e físicos no seu estado mais puro, esses fluidos ao
ingressar dentro do nosso organismo perispiritual, entram em reação com:
- as ondas da energia que se produzem através do que pensamos;
- as ondas da energia que se produzem através do que sentimos.
Nesse processo metabólico os fluidos no estado puro que foram absorvidos adquirem as características
apropriadas do que pensamos e do que sentimos.
Se pensamos e sentimos coisas boas esses fluidos se tornarão leves, sutis e nos sentiremos bem.
Se pensamos e sentimos coisas ruins esses fluidos se tornarão pesados, densos e nos sentiremos mal.
Esses fluidos irão irradiar-se em torno de nós formando a nossa aura fluídica.

Energia absorvida da irradiação de encarnados:
Nós também absorvemos os fluidos que já foram metabolizados e que se irradiam das outras pessoas,
esses fluidos também ao ingressar dentro do nosso organismo perispiritual, entram em reação com:
- as ondas que se produzem através do que pensamos;
- as ondas que se produzem através do que sentimos.
Portanto, nesse processo metabólico os fluidos que adquirimos passam a ter as nossas características
somadas com as características daqueles fluidos que vieram das outras pessoas.

a) Se os fluidos que vieram das outras pessoas são leves e sutis e nós também, pensamos e sentimos
coisas boas esses fluidos se manterão leves, sutis e nos sentiremos bem.
b) Se os fluidos que vieram das outras pessoas são leves e sutis e nós pensamos e sentimos coisas ruins
esses fluidos se tornarão pesados, densos e nos sentiremos mal.
c) Se os fluidos que vieram das outras pessoas são pesados e densos, mas nós pensamos e sentimos
coisas boas esses fluidos se tornarão leves, sutis e nos sentiremos bem.
d) Se os fluidos que vieram das outras pessoas são pesados e densos e nós pensamos e sentimos coisas
ruins esses fluidos se tornarão muito mais pesados, densos e nos sentiremos muito mal.

Os fluidos absorvidos das outras pessoas irão somar-se com os fluidos no estado puro absorvidos do
cosmos e irão irradiar-se em torno de nós formando a nossa aura fluídica.

Fonte: http://bvespirita.com/Curso%20Mediunidade%20Sem%20Preconceitos%20(Edvaldo%20Kulcheski).pdf

segunda-feira, 11 de março de 2013

O Progresso na Imortalidade



Capítulo VII

(Complemento filosófico publicado pelo jornal Le Devoir)

Embora a humanidade avance pouco a pouco na estrada do progresso, pode-se dizer que a imensa maioria de seus membros marcha através da vida como em meio de uma noite obscura, ignorando de onde vem, não sabendo para onde vai, não tendo jamais sonhado com o objetivo real da existência. Espessas trevas dominam a razão humana; os raios destes poderosos focos, que são a justiça e a verdade, só chegam a ela pálidos, enfraquecidos e insuficientes para aclarar os caminhos sinuosos por onde as inúmeras legiões seguem em marcha, para fazer brilhar a seus olhos o objetivo ideal e distante. Ignorante de seus destinos, indeciso entre o preconceito e o erro, o homem maldiz, por vezes, a vida. Desfalecendo ao peso do seu fardo, lança sobre seus semelhantes a causa das provas que ele engendra e sofre, muitas vezes por sua imprevidência. Revoltado contra Deus, que ele acusa de injusto, em sua loucura e seu desespero chega mesmo, algumas vezes, a desertar do combate salutar, da luta que só pode fortificar sua alma, aclarar seu julgamento, prepará-lo para trabalhos de ordem mais elevada.


Por que é assim? Por que o homem desce frágil e desarmado na grande arena onde se trava, sem tréguas e sem descanso, a eterna e gigantesca batalha? É que esse globo terrestre é simplesmente um dos degraus inferiores da escala dos mundos e nele moram apenas espíritos novos, isto é, almas nascidas recentemente com a razão. A matéria reina soberana em nosso mundo e curva sob seu jugo até os melhores dentre nós; limita nossas faculdades, paralisa nossos anseios para o bem e nossas aspirações para o ideal. Assim, para discernir o porquê da vida, para conhecer sua razão de ser, para entrever a lei suprema que rege as almas e os mundos é preciso saber libertar-se dessas pesadas influências, liberar-se das preocupações de ordem material, de todas essas coisas passageiras e volúveis que acobertam nosso espírito, dificultando nossos julgamentos. Somente nos elevando algumas vezes pelo pensamento, acima dos próprios horizontes da vida, fazendo abstração do tempo e do espaço e planando, de certa forma, acima dos pormenores da existência, é que perceberemos a verdade.

Leon Denis - O Progresso

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A Grécia



Entre os povos de iniciativa, nenhum há cuja missão se manifeste com maior brilho do que o da Hélade. A Grécia iniciou a Europa em todos os esplendores do belo. De sua mão aberta saiu a civilização ocidental e o seu gênio de vinte séculos atrás ainda hoje se irradia sobre as nações. Por isso é que, apesar de seus desmembramentos, de suas lutas intestinas, de sua queda final, ela tem sido admirada em todas as épocas.

A Grécia soube traduzir, em linguagem clara, as belezas obscuras da sabedoria oriental. Exprimiu-as a princípio com o adjutório dessas duas harmonias celestes que tornou humanas: a música e a poesia. Orfeu e Homero foram os primeiros que fizeram ouvir seus acordes à terra embevecida. Mais tarde, esse ritmo, essa harmonia que o gênio nascente da Grécia havia introduzido na palavra e no canto, Pitágoras, o iniciado dos templos egípcios, observou-os por toda parte do Universo, na marcha dos astros que se movem, futuras moradas da Humanidade, no seio dos espaços, na concordância dos três mundos, natural, humano e divino, que se sustentam, se equilibram, se completam, para produzirem a vida em sua corrente ascensional e em sua espiral infinita. Dessa visão estupenda decorria para ele a idéia de uma tríplice iniciação, pela qual o homem, conhecedor dos princípios eternos, aprendia, depurando-se, a libertar-se dos males terrestres e a elevar-se para a perfeição. Daí, um sistema de educação e de reforma a que Pitágoras deixou o seu nome, e que tantos sábios e heróis produziu.

Enfim, Sócrates e Platão, popularizando os mesmos princípios, derramando-os em círculo mais lato, inauguraram o reinado da ciência franca, que veio substituir o ensino secreto.

Tal foi o papel representado pela Grécia na história da evolução do pensamento. Em todos os tempos, a iniciação exerceu uma influência capital sobre os destinos desse país. Não é nas flutuações políticas, agitadas nessa raça inconstante e impressionável, que se devem procurar as mais altas manifestações do gênio helênico. A iniciação não tinha seu foco na sombria e brutal Esparta, nem na brilhante e frívola Atenas, mas, sim, em Delfos, em Olímpia, em Elêusis, refúgios sagrados da pura doutrina. Era ali que, pela celebração dos mistérios, ela se revelava em toda a sua pujança. Ali, pensadores, poetas e artistas iam colher o ensino oculto, que depois traduziam à multidão em imagens vivas e em versos inflamados. Acima das cidades turbulentas, sempre prontos a se dilacerarem, acima das oscilações políticas, passando alternativamente da aristocracia à democracia e ao reinado dos tiranos, um poder supremo dominava a Grécia: o tribunal dos Anfitriões, que tinha Delfos por sede, e que se compunha de iniciados de grau superior. Por si só, ele salvara a Hélade nas horas de perigo, impondo silêncio às rivalidades de Esparta e de Atenas.

Já no tempo de Orfeu os templos possuíam a ciência secreta.

“Escuta – dizia o mestre ao neófito  –, escuta as verdades que convém ocultar à multidão, e que fazem a força dos santuários. Deus é um, e sempre semelhante a si mesmo; porém, os deuses são inumeráveis e diversos, porque a divindade é eterna e infinita. Os maiores são as aluías dos astros, etc.

“Entraste com o coração puro no seio dos Mistérios. Chegou a hora suprema em que te vou fazer penetrar até às fontes da vida e da luz. Os que não levantam o véu espesso que esconde aos olhos dos homens as maravilhas invisíveis não se tornarão filhos dos Deuses.”

Aos místicos e aos iniciados:

“Vinde gozar, vós que tendes sofrido; vinde repousar, vós que tendes lutado. Pelos sofrimentos passados, pelo esforço que vos conduz, vencereis, e se acreditais nas palavras divinas já vencestes, porque, depois do longo circuito das existências tenebrosas, saireis, enfim, do círculo doloroso das gerações e, como uma só alma, vos encontrareis na luz de Dionisos.

“Amai, porque tudo ama; amai, porém, a luz e não as trevas. Durante a vossa viagem tende sempre em mira esse alvo. Quando as almas voltam ao espaço, trazem, como hediondas manchas, todas as faltas da sua vida estampadas no corpo etéreo... E, para apagá-las, cumpre que expiem e voltem à Terra. Entretanto, os puros, os fortes, vão para o sol de Dionisos.”


Léon Denis - Depois da Morte

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O Grande Enigma de Léon Denis


É a ti, ó Potência Suprema! Qualquer que seja o nome que te dêem e por mais imperfeitamente que sejas compreendida; é a ti, fonte eterna da vida, da beleza, da harmonia, que se elevam nossas aspirações, nossa confiança, nosso amor.

Onde estão em que céus profundos, misteriosos, tu te escondes? Quantas Almas acreditaram que bastaria, para te encontrar, o deixar a Terra! Mas tu te conservas invisível no mundo espiritual, quanto no mundo terrestre, invisível para aqueles que não adquiriram ainda a pureza suficiente para refletir teus divinos raios.

Tudo revela e manifesta, no entanto, tua presença. Tudo quanto na Natureza e na Humanidade canta e celebra o amor, a beleza, a perfeição, tudo que vive e respira é mensagem de Deus. As forças grandiosas que animam o Universo proclamam a realidade da Inteligência divina; ao lado delas, a majestade de Deus se manifesta na História, pela ação das grandes Almas que, semelhantes a vagas imensas, trazem às plagas terrestres todas as potências da obra de sabedoria e de amor.

E Deus está, assim, em cada um de nós, no templo vivo da consciência. É aquele o lugar sagrado, o santuário em que se encontra a divina centelha.

Homens! Aprendei a imergir em vós mesmos, a esquadrinhar os mais íntimos recônditos do vosso ser; interrogai-vos no silêncio e no retiro. E aprendereis a reconhecer-vos, a conhecer o poder escondido em vós. É ele que leva e faz resplandecer no fundo de vossas consciências as santas imagens do bem, da verdade, da justiça, e é honrando essas imagens divinas, rendendo-lhes um culto diário, que essa consciência, ainda obscura, se purifica e se ilumina.

Pouco a pouco, a luz se engrandece em nós outros. De igual modo que gradualmente, de maneira insensível, as sombras dão lugar à luz do dia, assim a Alma se ilumina das irradiações desse foco que reside nela e faz desabrochar, em nosso pensamento e em nosso coração, formas sempre novas, sempre inesgotáveis de verdade e de beleza. E essa luz é também harmonia penetrante, voz que canta na alma do poeta, do escritor, do profeta, e os inspira e lhes dita as grandes e fortes obras, nas quais eles trabalham para elevação da Humanidade. Mas, sentem essas coisas apenas aqueles que, tendo dominado a matéria, se tornaram dignos dessa comunhão sublime, por esforços seculares, aqueles cujo senso íntimo se abriu às impressões profundas e conhece o sopro potente que atiça os clarões do gênio, sopro que passa pelas frontes pensativas e faz estremecer os envoltórios humanos.





domingo, 13 de janeiro de 2013

Escutando sentimentos



Na acústica da alma existem mensagens sobre o Plano do Criador para nosso destino. Aprender a ouvi-las e exercitar, diariamente, a plena atenção aos ditames libertadores dos sentimentos. Interferências internas e externas subtraem-nos, constantemente, a apreensão desses “recados do coração”.

Escutar os sentimentos não significa adotá-los prontamente. Mas aceitá-los em nossa intimidade e criar uma relação amigável com todos eles. Aceitá-los sem reprimir ou se envergonhar. Essa atitude é o primeiro passo para um diálogo educativo com nosso mundo íntimo. Somente assim teremos uma conexão com nossa real identidade psicológica, possibilitando a rica aventura do autodescobrimento no rumo da singularidade – a identidade cósmica do Espírito.

Escutar os sentimentos é cuidar de si, amar a si mesmo. É uma mudança de atitude consigo. O ato de existir ocorre nos sentimentos. Quem pensa corretamente sobrevive; quem sente nobremente existe. O pensamento é a janela para a realidade; o sentimento é o ponto de encontro com a Verdade. É pela nossa forma de sentir a vida que nos tornamos singulares, únicos e celebramos a individualidade. Quando entramos em sintonia com nossa exclusividade e manifestamos o que somos, a felicidade acontece em nossas vidas.

O sentimento é a maior conquista evolutiva do Espírito. Aprendendo a escutá-lo, estaremos entendendo melhor a nossa alma. Não existe um só sentimento que não tenha importância no processo do crescimento pessoal. Quando digo a mim mesmo “não posso sentir isto”, simplesmente estou desprezando a oportunidade de auto-investigação, de saber qual é ou quais são as mensagens profundas da vida mental.

O exercício do auto-amor está em aprender a ouvir a “voz do coração”, pois nele residem os ditames para nossa paz e harmonia.

Os sentimentos são guias infalíveis da alma na sua busca de ascensão e liberdade. O auto-amor consiste na arte de aprender a escutá-los, estudar a linguagem do coração.

Pela linguagem dos sentimentos, entendemos o “apoio” do universo a nosso favor. Mas como seguir nossos sentimentos com tantas ilusões? Eis a ingente tarefa de nossos grêmios de amor espírita-cristão: educar para ouvir os nossos sentimentos. Radiografar nosso coração. Desenvolver estudos sistematizados de si mesmo.

Temos nos esforçados tanto quanto possível para aplicar as orientações da doutrina com nosso próximo. Mas... E nós? Como cuidar de nós próprios? A proposta libertadora de Jesus estabelece: “amai ao próximo”, e acrescenta:”como a ti mesmo”





WANDERLEY S. DE OLIVEIRA
Pelo Espírito ERMANCE DUFAUX