terça-feira, 29 de outubro de 2013
Fluídos do Espaço
Na erudita e encantadora obra "Depois da Morte", do eminente colaborador de Allan Kardec, Léon Denis, o qual, como sabemos, além de primoroso escritor foi um grande inspirado pelos Espíritos de escol, à página 235 da 7ª edição (FEB), Cap. XXXV, a exposição dessa tese não somente é fecunda e expressiva, como também mesclada de grande beleza, como tudo o que passou por aquele cérebro e aquela pena. Diz Léon Denis, na citada obra:
"O Espírito, pelo poder da sua vontade, opera sobre os fluidos do Espaço, combina-os e os dispõe a seu gosto, dá-lhes as cores e as formas que convêm ao seu fim. É por meio desses fluidos que se executam obras que desafiam toda comparação e toda análise. Construções aéreas, de cores brilhantes, de zimbórios resplandecentes: circos imensos onde se reúnem em conselho os delegados do Universo; templos de vastas proporções, donde se elevam acordes de uma harmonia divina; quadros variados, luminosos: reproduções de vidas humanas, vidas de fé e de sacrifício, apostolados dolorosos, dramas do Infinito (1). Como descrever magnificências que os próprios Espíritos se declaram impotentes para exprimir no vocabulário humano? É nessas moradas fluídicas que se ostentam as pompas das festas espirituais. Os Espíritos puros, ofuscantes de luz, se agrupam em famílias. Seu brilho e as cores variadas de seus invólucros permitem medir a sua elevação, determinar os seus atributos. " (Os grifos são nossos.)
E ainda outros trechos desse belo volume trazem informações a respeito do assunto, bastando que o leiamos com a devida atenção, bem assim vários capítulos de outra obra sua - "O Problema do Ser, do Destino e da Dor".
Em outro magnífico livro do grande Denis - "No Invisível" -, à página 470, no cap. XXVI, da 3ª edição (FEB), há também este pequeno trecho, profundocomplexo, sugestivo, descortinando afirmações grandiosas:
"Dante Alighieri é médium incomparável. Sua "Divina Comédia" é uma peregrinação através dos mundos invisíveis. Ozanã, o principal autor católico que já analisou essa obra genial, reconhece que o seu plano é calcado nas grandes linhas da iniciação nos mistérios antigos, cujo princípio, como é sabido, era a comunhão com o oculto." (Os grifos são nossos.)
Assim se expressa o grande inspirado Léon Denis,
(1) São essas reproduções de vidas humanas que os Instrutores Espirituais dão a ver aos médiuns, no Espaço, durante o sono letárgico, ou desdobramento, e dos quais se originam os romances mediúnicos, sempre tão atraentes...
em suas obras, e, se mais não transcrevemos aqui, será por economia de espaço, que precisaremos atender. Do exposto, no entanto, deduziremos que a "Divina Comédia" não apresenta tão somente fantasias, como imaginaram os próprios eruditos, mas ocorrências reais do Além-Túmulo, que o poeta visionário mesclou de divagações, talvez propositadamente, numa época de incompreensões e preconceitos ainda mais intransigentes que os verificados em nossos dias (2).
Os preciosos volumes escritos pelo sábio psiquista italiano Ernesto Bozzano, produto de severa análise científica, são férteis em apontar esses mesmos locais do Invisível, revelados por Espíritos desencarnados de adiantamento moral-espiritual normal, cujas comunicações, psicografadas por vários médiuns desconhecidos uns dos outros, alguns até completamente alheios ao Espiritismo, foram examinadas e cientificamente analisadas por aquele ilustre autor. Ser-nos-á impossível transcrever, aqui, muitos trechos de Bozzano a respeito, visto que em suas obras encontramos fartas observações em torno da tese em apreço.
Devassando o Invisível
de Ivonne do Amaral Pereira
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
Revelação Espírita
9. - Haverá revelações diretas de Deus aos homens? É uma questão que não ousaríamos resolver, nem afirmativamente, nem negativamente, de maneira absoluta. O fato não é radicalmente impossível, porém, nada nos dá dele prova certa. O que não padece dúvida é que os Espíritos mais próximos de Deus pela perfeição se imbuem do seu pensamento e podem transmiti-lo. Quanto aos reveladores encarnados, segundo a ordem hierárquica a que pertencem e o grau a que chegaram de saber, esses podem tirar dos seus próprios conhecimentos as instruções que ministram, ou recebê-las de Espíritos mais elevados, mesmo dos mensageiros diretos de Deus, os quais, falando em nome de Deus, têm sido às vezes tomados pelo próprio Deus.
As comunicações deste gênero nada têm de estranho para quem conhece os fenômenos espíritas e a maneira pela qual se estabelecem as relações entre os encarnados e os desencarnados. As instruções podem ser transmitidas por diversos meios: pela simples inspiração, pela audição da palavra, pela visibilidade dos Espíritos instrutores, nas visões e aparições, quer em sonho, quer em estado de vigília, do que há muitos exemplos na Bíblia, no Evangelho e nos livros sagrados de todos os povos.
É, pois, rigorosamente exato dizer-se que quase todos os reveladores são médiuns inspirados, audientes ou videntes. Daí, entretanto, não se deve concluir que todos os médiuns sejam reveladores, nem, ainda menos, intermediários diretos da divindade ou dos seus mensageiros.--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
A Gênese Espírita
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sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Sentimentos e Obsessão
Dando continuidade ao tema "Obsessão"
Façamos
agora, portanto, uma radiografia da exploração obsessiva sob o sentimento de
“menos valia” ou baixa auto-estima, valendo-nos das etapas supra enumeradas.
Etapa
um
·
O agente encontra campo vibratório para sua
intenção constritora.
·
A sensação de incapacidade é aceita pelo receptor,
através de suas próprias crenças derrotistas programadas no inconsciente.
Etapa
dois
·
O agente penetra a vida psíquica do receptor e
estimula o sentimento de indignidade já presente na “vítima”.
·
Adesão espontânea no clima da revolta em função das
frustrações da vida.
Etapa
três
·
O agente trabalha com informações sobre as mazelas
de seu alvo.
·
·
São criadas as justificativas autodefensivas para a
conduta invigilante.
Etapa
quatro
·
Sugestões hipnóticas de autodesvalorização através
de idéias imaginárias do desprezo do outrem.
·
Estado íntimo de insatisfação consigo próprio,
levanto à culpa e apatia entre os ideais superiores.
Etapa
cinco
·
Tecnologias avançadas para instalar a descrença – o
sentimento básico para consumar uma queda moral.
·
Estado íntimo de falência cujo nome é desânimo – a
doença de quem desistiu.
Etapa
seis
·
Exploração do receptor nos programas de ataque e
interferência na sociedade carnal. “Assalariado carnal”.
·
Total dependência em quadros de adoecimento
psíquico.
O
conceito de vigilância vai muito além de disciplinar os pensamentos. É no campo
do sentimento que nasce esmagadora maioria das obsessões. A capacidade de
“pensar livre” ou decidir por nós é “quase nula” no concerto universal. Vivemos
em regime de contínuo intercâmbio e interdependência.
Nesse
contexto fenomenológico da vida mental não será incoerente afirmar que todos
respiramos, em maior ou menor grau, nas faixas da obsessão. A questão é saber
se somos por ela dominados ou se a temos sob nosso controle. Sob essa ótica as
obsessões são convites educativos contidos nas Leis Naturais para nosso
aprimoramento.
Somente
a oração ungida pelos sentimentos elevados, a intenção nobre e perseverante,
seguidas da conduta reta, podem estabelecer um clima de autonomia psíquica
desejável, que nos defenda da dominação dos interesses inferiores à nossa
volta.
Essa
autonomia interrompe o processo na “etapa dois”, quando elabora no terreno dos
sentimentos o auto-amor – reconhecimento de nossa pequenez, seguido da alegria
de poder contar sempre com a manifestação da Divina Providência em favor de
nossas vastas necessidades espirituais.
Escutando Sentimentos..
Obsessão
Costuma-se
relacionar obsessão com condutas viciosas como alcoolismo, tabagismo,
sexolatria e outros vícios corporais. Entretanto, existe uma infinidade de
conúbios obsessivos ainda não investigados que se operam em decorrência dos
estados psicológicos e emocionais do ser humano.
Obsessão
é uma interação de mentes que evolui no tempo através da sustentação de
vínculos pela Lei de Sintonia, mantendo duas ou mais criaturas ligadas pelos
seus interesses. Alterando ou deixando d existir tais interesses, a vinculação
passa a ser circunstancial. Chamamo-la de pressão psíquica.
Que
processo interiores experimenta a alma para que estabeleça um circuito de
forças mentais dominadoras? Que estados psicológicos e emotivos servem de base
na constrição mente a mente?
Analisemos,
didaticamente, nesse terreno sutil, a seqüência de interação mental mais
freqüente a partir da intenção obsessiva, nutrida por um Espírito desencarnado
sobre as “brechas” oferecidas pelo encarnado.
Etapa
um
·
Existe a intenção do agente (obsessor).
·
São acionados elementos de sintonia no receptor
(obsidiado).
Etapa
dois
·
O agente invade os limites psicológicos e emocionais
do receptor.
·
Permissão do receptor.
Etapa
três
·
Produção de clichês induzidos.
·
Assimilação de idéias intrusas e surgimento do
conflito mental.
Etapa
quatro
·
Sugestões hipnóticas de manutenção.
·
Enfraquecimento da vontade.
Etapa
cinco
·
Implantação de tecnologias.
·
Adesão intencional ao plano do agente indutor
através do sentimento.
Etapa
seis
·
Evolução e sofisticação do domínio sobre o
receptor.
·
Dependência através de simbiose afetiva
compartilhada.
Adotando
a progressividade didática utilizada pelo senhor Allan Kardec no capítulo
XXVIII de O Livro dos Médiuns, assim se enquadram as etapas acima referidas:
1)
Obsessão simples – estabelecimento da sintonia –
etapas 1 a
3.
2)
Fascinação – Invasão dos limites alheios – etapas 4
e 5.
3)
Subjugação – simbiose – etapa 6.
Na
educação interior, certos comportamentos sujeitam-se à obsessão. Ao longo do
tempo, os embates interiores causam em alguns discípulos espíritas a sensação
de “fadiga na alma”. Os esforços e vitórias parecem insignificantes e infrutíferos.
Um nocivo sentimento de inutilidade toma conta da vida mental. Desponta a
dúvida e com ela multiplicam-se as perguntas sobre a validade de perseverar.
Não estará faltando algo? Melhorei de fato? Estarei sendo hipócrita?!
Nessa
“hora psicológica” nascem muitas obsessões. Discípulos sinceros que
sacrificaram longamente na conquista de si próprios estacionam em lamentação e
descrença, desprezando as vitórias e fixando-se no derrotismo e na acomodação.
Um
dos pontos educacionais da auto-aceitação consiste em valorizar os nossos
esforços de reeducação espiritual – ponto crucial na conquista de condições
psicológicas adequadas ao crescimento interior. Quando não valorizamos o que já
podemos realizar, abrimos a freqüência da vida interior para a descrença, o
desânimo e a desmotivação, convidando os famanazes da maldade para que
dilapidem os tesouros de nossa vida íntima.
livro Escutando Sentimenos - Wanderley de Oliveira
quinta-feira, 3 de outubro de 2013
O Céu Estrelado
Um livro grandioso, dissemos, está aberto aos nossos olhos, e todo observador paciente pode ler nele a palavra do enigma, o segredo da vida eterna.
Aí se vê que uma Vontade dispôs a ordem majestosa em que se agitam todos os destinos, se movem todas as existências, palpitam todos os corações.
A Alma! Aprende primeiro a suprema lição que desce dos espaços sobre as frontes apreensivas. O Sol está escondido no horizonte; seus alvores de púrpura tingem ainda o céu; luz serena indica que, além, um astro se velou aos nossos olhos. A noite estende acima de nossas cabeças seu zimbório constelado de estrelas.
Nosso pensamento se recolhe e procura o segredo das coisas. Voltemo-nos para o Oriente. A Via-Láctea expande qual imensa fita, suas miríades de estrelas, tão aconchegadas, tão longínquas, que parecem formar uma contínua massa. Por toda parte, à medida que a noite se torna mais densa, outras estrelas aparecem, outros planetas se acendem, qual se fossem lâmpadas suspensas no santuário divino. Através das profundezas insondáveis, esses mundos permutam os seus raios de prata; impressionam-nos, à distância, e nos falam uma linguagem muda.
Eles não brilham todos com o mesmo fulgor: a potente Sírius não se pode comparar à longínqua Capela. Suas vibrações gastaram séculos a chegar até o nosso olhar, e cada um de seus raios vale por um cântico, uma verdadeira melodia de luz, uma voz penetrante. Esses cânticos se resumem assim: “Nós também somos focos de vida, de sofrimento, de evolução. Almas, aos milhares, cumprem, em nós, destinos semelhantes aos vossos.”.
Entretanto, todos não têm a mesma linguagem, porque uns são moradas de paz e de felicidade, e outros, mundos de luta, de expiação, de reparação pela dor. Uns parecem dizer: Eu te conheci, Alma humana, Alma terrestre; eu te conheci e hei de te tornar a ver! Eu te abriguei em meu seio outrora, e tu voltarás a mim. Eu te espero, para, por tua vez, guiares os seres que se agitam em minha superfície!
E depois, mais longe ainda, essa estrela que parece perdida no fundo dos abismos do céu e cuja luz trêmula é apenas perceptível, essa estrela nos dirá: Eu sei que tu passarás pelas terras que formam meu cortejo, e que eu inundo com os meus raios; eu sei que tu aí sofrerás e te tornarás melhor. Apressa a tua ascensão. Eu serei e sou já para contigo uma vera amiga, porque até mim chegou o teu apelo, tua interrogação, tua prece a Deus.
Assim, todas as estrelas nos cantam seu poema de vida e amor, todas nos fazem ouvir uma evocação poderosa do passado ou do futuro. Elas são as “moradas” de nosso Pai, os estádios, os marcos soberbos das estrelas do Infinito, e nós aí passaremos, aí viveremos todos para entrar um dia na luz eterna e divina.
__________________________________Léon Denis em
O Grande Enigma
Trabalho, Sobriedade, Continência
O trabalho é uma lei para as humanidades planetárias, assim como para as sociedades do espaço. Desde o ser mais rudimentar até os Espíritos angélicos que velam pelos destinos dos mundos, cada um executa sua obra, sua parte, no grande concerto universal.
Penoso e grosseiro para os seres inferiores, o trabalho suaviza-se à medida que o Espírito se purifica. Torna-se uma fonte de gozos para o Espírito adiantado, insensível às atrações materiais, exclusivamente ocupado com estudos elevados.
É pelo trabalho que o homem doma as forças cegas da Natureza e preserva-se da miséria; é por ele que as civilizações se formam, que o bem-estar e a Ciência se difundem.
O trabalho é a honra, é a dignidade do ser humano. O ocioso que se aproveita, sem nada produzir, do trabalho dos outros não passa de um parasita. Quando o homem está ocupado com sua tarefa, as paixões aquietam-se. A ociosidade, pelo contrário, instiga-as, abrindo-lhes um vasto campo de ação. O trabalho é também um grande consolador, é um preservativo salutar contra as nossas aflições, contra as nossas tristezas. Acalma as angústias do nosso espírito e fecunda a nossa inteligência. Não há dor moral, decepções ou reveses que não encontrem nele um alívio; não há vicissitudes que resistam à sua ação prolongada. O trabalho é sempre um refúgio seguro na prova, um verdadeiro amigo na tribulação. Não produz o desgosto da vida. Mas quão digna de piedade é a situação daquele a quem as enfermidades condenam à imobilidade, à inação! E quando esse ser experimenta a grandeza, a santidade do trabalho, quando, acima do seu interesse próprio, vê o interesse geral, o bem de todos e nisso também quer cooperar, eis então uma das mais cruéis provas que podem estar reservadas ao ser vivente.
Tal é, no espaço, a situação do Espírito que faltou aos seus deveres e desperdiçou a sua vida. Compreendendo muito tarde a nobreza do trabalho e a vileza da ociosidade, sofre por não poder então realizar o que sua alma concebe e deseja.
O trabalho é a comunhão dos seres. Por ele nos aproximamos uns dos outros, aprendemos a auxiliarmo-nos, a unirmo-nos; daí à fraternidade só há um passo. A antiguidade romana havia desonrado o trabalho, fazendo dele uma condição de escravatura. Disso resultou sua esterilidade moral, sua corrupção, suas insípidas doutrinas.
A época atual tem uma concepção da vida muito diferente. Encontra-se já satisfação no trabalho fecundo e regenerador. A filosofia dos Espíritos reforça ainda mais essa concepção, indicando-nos na lei do trabalho o germe de todos os progressos, de todos os aperfeiçoamentos, mostrando-nos que a ação dessa lei estende-se à universalidade dos seres e dos mundos. Eis por que estávamos autorizados a dizer: Despertai, vós todos que deixais dormitar as vossas faculdades e as vossas forças latentes! Levantai-vos e mãos à obra! Trabalhai, fecundai a terra, fazei ecoar nas oficinas o ruído cadenciado dos martelos e os silvos do vapor. Agitai-vos na colméia imensa. Vossa tarefa é grande e santa. Vosso trabalho é a vida, é a glória, é a paz da Humanidade. Obreiros do pensamento, perscrutai os grandes problemas, estudai a Natureza, propagai a Ciência, espalhai por toda parte tudo o que consola, anima e fortifica. Que de uma extremidade a outra do mundo, unidos na obra gigantesca, cada um de nós se esforce a fim de contribuir para enriquecer o domínio material, intelectual e moral da Humanidade!___________________________________________________________________Léon Denis em O Caminho Reto
Resignação
* É um dever lutar contra a adversidade. Abandonar-nos, deixar-nos levar pela preguiça, sofrer os males da vida sem reagir seria uma covardia. Mas, quando os nossos esforços se tornam supérfluos, quando tudo é inevitável, chega então o momento de apelarmos à resignação. Nenhum poder seria capaz de desviar de nós as conseqüências do passado. Revoltar-nos contra a lei moral seria tão insensato como o querermos resistir às leis de extensão e gravidade. Um louco pode procurar lutar contra a ordem imutável das coisas, mas o espírito sensato acha na provação os meios de retemperar, de fortificar as suas qualidades viris. A alma intrépida aceita os males do destino, mas, pelo pensamento, eleva-se acima deles e daí faz um degrau para atingir a virtude. As aflições mais cruéis, as mais profundas, quando são aceitas com essa submissão, que é o consentimento da razão e do coração, indicam, geralmente, o término dos nossos males, o pagamento da última fração do nosso débito. É o momento decisivo em que nos cumpre permanecer firmes, fazendo apelo a toda a nossa resolução, a toda a nossa energia moral, a fim de sairmos vitoriosos da prova e recolhermos os benefícios que ela nos oferece. Muitas vezes, nos momentos críticos, o pensamento da morte vem visitar-nos. Não é repreensível o solicitar a morte; ela, porém, só é realmente desejável quando se triunfa de todas as paixões. Para que desejar a morte, quando, não estando ainda curados os nossos vícios, precisamos novamente voltar para nos purificarmos em penosas encarnações? Nossas faltas são como túnica de Nesso apegada ao nosso ser, e de que somente nos poderemos desembaraçar pelo arrependimento e pela expiação. A dor reina sempre como soberana sobre o mundo; todavia, um exame atento mostra-nos com que sabedoria e previdência a vontade divina regulou os seus efeitos. Gradativamente, a Natureza encaminha-se para uma ordem de coisas menos terrível, menos violenta. Nas primeiras idades do nosso planeta, a dor era a única escola, o único aguilhão para os seres. Mas, pouco a pouco, atenua-se o sofrimento; males medonhos – a peste, a lepra, a fome – desaparecem. Já os tempos em que vivemos são menos ásperos do que os do passado. O homem domou os elementos, reduziu as distâncias, conquistou a Terra. A escravidão não mais existe. Tudo evolve, tudo progride. Lentamente, mas com segurança, o mundo e a própria Natureza aprimoram-se. Tenhamos confiança na potência diretora do Universo. Nosso espírito acanhado não poderia julgar o conjunto dos meios de que ela se serve. Só Deus tem noção exata dessa cadência rítmica, dessa alternativa necessária da vida e da morte, da noite e do dia, da alegria e da dor, de que se destacam, finalmente, a felicidade e o aperfeiçoamento das suas criaturas. Deixemos-lhe, pois, o cuidado de fixar a hora da nossa partida e esperemo-la sem desejá-la e sem temê-la. Enfim, o ciclo das provas está percorrido; o justo sente que o termo está próximo. As coisas da Terra empalidecem pouco a pouco aos seus olhos. O Sol parece-lhe suave, as flores sem cor, o caminho mais desbastado. Cheio de confiança, vê aproximar-se a morte. Não será ela a calma após a tempestade, o porto depois de travessia procelosa? Como é grande o espetáculo oferecido à alma resignada que se apresta para deixar a Terra após uma vida dolorosa! Atira um último olhar sobre seu passado; revê, numa espécie de penumbra, os desprezos suportados, as lágrimas concentradas, os gemidos abafados, os sofrimentos corajosamente sustentados. Docemente, sente-se desprender dos laços que a prendiam a este mundo. Vai abandonar seu corpo de lama, deixar para bem longe todas as podridões materiais. Que poderia temer? Não deu ela provas de abnegação, não sacrificou seus interesses à verdade, ao dever? Não esgotou, até o fim, o cálice purificador? Também vê o que a espera. As imagens fluídicas dos seus atos de sacrifício e de renúncia, seus pensamentos generosos, tudo a precedeu, assinalando, como balizas brilhantes, a estrada da sua ascensão. São esses os tesouros da vida nova. Ela distingue tudo isso e seu olhar eleva-se ainda mais alto, lá, aonde ninguém vai senão com a luz na fronte, o amor e a fé no coração. Perante esse espetáculo, uma alegria celeste penetra-a; quase lastima não ter sofrido por mais tempo. Uma derradeira prece, uma espécie de grito de alegria irrompe das profundezas do seu ser e sobe ao Pai e ao seu Mestre bem-amados. Os ecos no espaço perpetuam esse grito de liberdade, ao qual se juntam os cânticos dos Espíritos felizes que, em multidão, se apressam a recebê-la. ______________________________________________________________________________Léon Denis em O Caminho Reto
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
A família
A família consangüínea, entre os homens, pode ser apreciada como o centro essencial de nossos reflexos. Reflexos agradáveis ou desagradáveis que o pretérito nos devolve. Certo, não incluímos aqui os Espíritos pioneiros da evolução que, trazidos ao ambiente comum, superam-no, de imediato, criando o clima mental que lhes é peculiar,
atendendo à renovação de que se fazem intérpretes.
Comentamos a nossa posição no campo vulgar da luta.
Cada criatura está provisoriamente ajustada ao raio de ação que é capaz de desenvolver ou, mais claramente, cada um de nós apenas, pouco a pouco, ultrapassará o horizonte a que já estenda os reflexos que lhe digam respeito.
O homem primitivo não se afasta, de improviso, da própria taba, mas aí renasce múltiplas vezes, e o homem relativamente civilizado demora-se longo tempo no plano racial em que assimila as experiências de que carece, até que a soma de suas aquisições o recomende a diferentes realizações.
É assim que na esfera do grupo consangüíneo o Espírito reencarnado segue ao encontro dos laços que entreteceu para si próprio, na linha mental em que se lhe caracterizam as tendências.
A chamada hereditariedade psicológica é, por isso, de algum modo, a natural aglutinação dos espíritos que se afinam nas mesmas atividades e inclinações.
Um grande artista ou um herói preeminente podem nascer em esfera estranha aos sentimentos nos quais se avultam. É a manifestação do gênio pacientemente elaborado no bojo dos milênios, impondo os reflexos da sua individualidade em gigantesco trabalho criativo.
Todavia, na senda habitual, o templo doméstico reúne aqueles que se retratam uns nos outros.
Uma família de músicos terá mais facilidade para recolher companheiros da arte divina em sua descendência, porque, muita vez, os Espíritos que assumem a posição de filhos na reencarnação, junto deles, são os mesmos amigos que lhes incentivavam a formação musical, desde o reino do Espírito, refletindo-se reciprocamente na continuidade de da ação em que se empenham através de séculos numerosos.
É ainda assim que escultores e poetas, políticos e médicos, comerciantes e agricultores quase sempre se dão as mãos, no culto dos melhores valores afetivos, continuando-se, mutuamente, nos genes familiares, preservando para si mesmos, mediante o trabalho em comum e segundo a lei do renascimento, o patrimônio evolutivo em que se exprimem no espaço e no tempo. Também é aí, de conformidade com o mesmo principio de sintonia, que vemos dipsõmanos e cleptomaníacos, tanto quanto delinqüentes e enfermos de ordem moral, nascendo daqueles que lhes comungam espiritualmente as deficiências e as provas, porquanto muitas inteligências transviadas se ajustam ao campo genético daqueles que lhes atraem a companhia, por força dos sentimentos menos dignos ou das ações deploráveis com que se oneram perante a Lei.
A tara familiar, por esse motivo, é a resultante da conjunção de débitos, situando-nos no plano genético enfermiço que merecemos, à face dos nossos compromissos com o mundo e com a vida. Dessa forma, somos impelidos a padecer o retorno dos nossos reflexos tóxicos através de pessoas de nossa parentela, que no-los devolvem por aflitivos processos de sofrimento.
Temos assim, no grupo doméstico, os laços de elevação e alegria que já conseguimos tecer, por intermédio do amor louvavelmente vivido, mas também as algemas de constrangimento e aversão, nas quais recolhemos, de volta, os clichês inquietantes que nós mesmos plasmamos na memória do destino e que necessitamos desfazer, à custa de trabalho e sacrifício, paciência e humildade, recursos novos com que faremos nova produção de reflexos espirituais, suscetíveis de anular os efeitos de nossa conduta anterior, conturbada e infeliz.
EMMANUEL
(Do livro "Pensamento e Vida", 12, FCXavier)
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Caridade
Tudo o que fizermos pelos nossos irmãos gravar-se-á no grande livro fluídico, cujas páginas se expandem através do espaço, páginas luminosas onde se inscrevem nossos atos, nossos sentimentos, nossos pensamentos. E esses créditos ser-nos-ão regiamente pagos nas existências futuras.
Nada fica perdido ou esquecido. Os laços que unem as almas na extensão dos tempos são tecidos com os benefícios do passado. A sabedoria eterna tudo dispôs para bem das criaturas. As boas obras realizadas neste mundo tornam-se, para aquele que as produziu, fonte de infinitos gozos no futuro.
A perfeição do homem resume-se a duas palavras: Caridade e Verdade.
A caridade é a virtude por excelência, pois sua essência é divina. Irradia sobre os mundos, reanima as almas como um olhar, como um sorriso do Eterno. Ela se avantaja a tudo, ao sábio e ao próprio gênio, porque nestes ainda há alguma coisa de orgulho, e às vezes são contestados ou mesmo desprezados. A caridade, porém, sempre doce e benevolente, reanima os corações mais endurecidos e desarma os Espíritos mais perversos, inundando-os com o amor.
domingo, 8 de setembro de 2013
Conceito de circuito mediúnico
- Aplica-se o conceito de circuito mediúnico à extensão do campo de integração magnética em que circula uma corrente mental, sempre que se mantenha a sintonia psíquica entre os seus extremos ou, mais propriamente, o emissor e o receptor.
O circuito mediúnico, dessa maneira, expressa uma “vontade-apelo” e uma “vontade-resposta”, respectivamente, no trajeto ida e volta, definindo o comando da entidade comunicante e a concordância do médium, fenômeno esse exatamente aplicável tanto à esfera dos Espíritos desencarnados, quanto à dos Espíritos encarnados, porqüanto exprime conjugação natural ou provocada nos domínios da inteligência, totalizando os serviços de associação, assimilação, transformação e transmissão da energia mental.
Para a realização dessas atividades, o emissor e o receptor guardam consigo possibilidades particulares nos recursos do cérebro, em cuja intimidade se processam circuitos elementares do campo nervoso, atendendo a trabalhos espontâneos do Espírito, como sejam, ideação, seleção, auto-crítica e expressão.
Mecanismos da Mediunidade _ livro
Mecanismos da Mediunidade (livro)
A convite do Espírito André Luiz, os médiuns Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira receberam os textos deste livro em noites de quintas e terças-feiras, na cidade de Uberaba, Estado de Minas Gerais.
O prefácio de Emmanuel e os capítulos pares foram recebidos pelo médium Francisco Cândido Xavier, e o prefácio de André Luiz e os capítulos ímpares foram recebidos pelo médium Waldo Vieira.
— (Nota dos médiuns.)
Mediunidade
Acena-nos a antigüidade terrestre com brilhantes manifestações mediúnicas, a repontarem da História.
Discípulos de Sócrates referem-se, com admiração e respeito, ao amigo invisível que o acompanhava constantemente. Reporta-se Plutarco ao encontro de Bruto, certa noite, com um dos seus perseguidores desencarnados, a visitá-lo, em pleno campo.
Em Roma, no templo de Minerva, Pausânias, ali condenado a morrer de fome, passou a viver, em Espírito, monoideizado na revolta em que se alucinava, aparecendo e desaparecendo aos olhos de circunstantes
assombrados, durante largo tempo.
Sabe-se que Nero, nos últimos dias de seu reinado, viu-se fora do corpo carnal, junto de Agripina e de Otávia, sua genitora e sua esposa, ambas assassinadas por sua ordem, a lhe pressagiarem a queda no abismo.
Os Espíritos vingativos em torno de Calígula eram tantos que, depois de lhe enterrarem os restos nos jardins de Lâmia, eram ali ‘vistos, frequentemente, até que se lhe exumaram os despojos para a incineração.
Todavia, onde a mediunidade atinge culminâncias é justamente no Cristianismo nascituro.
Toda a passagem do Mestre inesquecível, entre os homens, é um cântico de luz e amor, externando-lhe a condição de Medianeiro da Sabedoria Divina.
E, continuando-lhe o ministério, os apóstolos que se lhe mantiveram leais converteram-se em médiuns notáveis, no dia de Pentecostes quando, associadas as suas forças, por se acharem “todos reunidos”, os
emissários espirituais do Senhor, através deles, produziram fenômenos físicos em grande cópia, como sinais luminosos e vozes diretas, inclusive fatos de psicofonia e xenoglossia, em que os ensinamentos do Evangelho foram ditados em várias línguas, simultaneamente, para os israelitas de procedências diversas.
Desde então, os eventos mediúnicos para eles se tornaram habituais.
Em Roma, no templo de Minerva, Pausânias, ali condenado a morrer de fome, passou a viver, em Espírito, monoideizado na revolta em que se alucinava, aparecendo e desaparecendo aos olhos de circunstantes
assombrados, durante largo tempo.
Sabe-se que Nero, nos últimos dias de seu reinado, viu-se fora do corpo carnal, junto de Agripina e de Otávia, sua genitora e sua esposa, ambas assassinadas por sua ordem, a lhe pressagiarem a queda no abismo.
Os Espíritos vingativos em torno de Calígula eram tantos que, depois de lhe enterrarem os restos nos jardins de Lâmia, eram ali ‘vistos, frequentemente, até que se lhe exumaram os despojos para a incineração.
Todavia, onde a mediunidade atinge culminâncias é justamente no Cristianismo nascituro.
Toda a passagem do Mestre inesquecível, entre os homens, é um cântico de luz e amor, externando-lhe a condição de Medianeiro da Sabedoria Divina.
E, continuando-lhe o ministério, os apóstolos que se lhe mantiveram leais converteram-se em médiuns notáveis, no dia de Pentecostes quando, associadas as suas forças, por se acharem “todos reunidos”, os
emissários espirituais do Senhor, através deles, produziram fenômenos físicos em grande cópia, como sinais luminosos e vozes diretas, inclusive fatos de psicofonia e xenoglossia, em que os ensinamentos do Evangelho foram ditados em várias línguas, simultaneamente, para os israelitas de procedências diversas.
Desde então, os eventos mediúnicos para eles se tornaram habituais.
MECANISMOS DA MEDIUNIDADE
FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER E WALDO VIEIRA
DITADO PELO ESPÍRITO ANDRÉ LUIZ
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Teoria das almas gêmeas
Grande polêmica se faz acerca da teoria das almas gêmeas por conta do texto de Emmanuel sobre o assunto contido no livro “O Consolador”, em que o Benfeitor considera quando indagado sobre tal teorização:
No sagrado mistério da vida, cada coração possui no Infinito a alma gêmea da sua, companheira divina para a viagem à gloriosa imortalidade. Criadas umas para as outras, as almas gêmeas se buscam, sempre que separadas. A união perene é-lhes a aspiração suprema e indefinível. Milhares de seres, se transviados no crime ou na inconsciência, experimentaram a separação das almas que os sustentam, como a provação mais ríspida e dolorosa, e, no drama das existências mais obscuras, vemos sempre a atração eterna das almas que se amam mais intimamente, envolvendo umas para as outras num turbilhão de ansiedades angustiosas; atração que é superior a todas as expressões convencionais da vida terrestre. Quando se encontram no acervo real para os seus corações – a da ventura de sua união pela qual não trocariam todos os impérios do mundo, e a única amargura que lhes empana a alegria é a perspectiva de uma nova separação pela morte, perspectiva essa que a luz da Nova Revelação veio dissipar, descerrando para todos os espíritos, amantes do bem e da verdade, os horizontes eternos da vida”
Note-se que Emmanuel não contradiz Kardec como alguns forçosamente querem crer. Antes, traça um belo panorama do que o amor, em se tratando de almas afins, que pelejam longos séculos, milênios talvez, juntas, em compromissos ora dolorosos ora sublimes, pode fazer, transformando os seres, que passam a se amparar e galgar juntos seu caminho de ascensão. Não trata, em nenhum momento, das almas gêmeas como metades eternas, mas sim como criaturas cuja perfeita sintonia de pendores as faz credoras de um amor recíproco que atravessa as maiores barreiras, passando a impressão de serem feitas mesmo uma para a outra, tamanha identidade de pensamentos. Não vemos portanto qualquer incongruência entre os textos, já que todos contamos para nossa felicidade com espíritos simpáticos e amorosos devotados a nós em todos os níveis de nossa existência.
Diante disso, munidos no melhor sentimento fraterno, postamos abaixo o belo poema escrito por Emmanuel quando de sua reencarnação em Roma a sua esposa Lívia. A bela imagem das almas gêmeas, entendidas no âmbito das simpatias e dos laços que se perdem nas noites do tempo, continua sendo fonte inspiradora a todos que amam e a todos que querem reaprender a amar....
Alma gêmea da minhalma, Flor de luz da minha vida,
Sublime estrela caída Das belezas da amplidão!...
Quando eu errava no mundo, Triste e só, no meu caminho,
Chegaste, devagarinho, E encheste-me o coração.
Vinhas na bênção dos deuses, Na divina claridade,
Tecer-me a felicidade Em sorrisos de esplendor!...
És meu tesouro infinito, Juro-te eterna aliança,
Porque sou tua esperança, Como és todo o meu amor!
Alma gêmea da minhalma, Se eu te perder, algum dia,
Serei a escura agonia Da saudade nos seus véus...
Se um dia me abandonares, Luz terna dos meus amores,
Hei de esperar-te, entre as flores Da claridade dos céus...
Sublime estrela caída Das belezas da amplidão!...
Quando eu errava no mundo, Triste e só, no meu caminho,
Chegaste, devagarinho, E encheste-me o coração.
Vinhas na bênção dos deuses, Na divina claridade,
Tecer-me a felicidade Em sorrisos de esplendor!...
És meu tesouro infinito, Juro-te eterna aliança,
Porque sou tua esperança, Como és todo o meu amor!
Alma gêmea da minhalma, Se eu te perder, algum dia,
Serei a escura agonia Da saudade nos seus véus...
Se um dia me abandonares, Luz terna dos meus amores,
Hei de esperar-te, entre as flores Da claridade dos céus...
Poema extraído do livro “Há dois mil anos”, dedicado por Públio Lentulus (reencarnação anterior de Emmanuel em Roma) a sua esposa Lívia
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Forças Radiantes
Apesar desse obstáculo e com a finalidade de estabelecer uma comparação entre os estudos humanos e os dos habitantes do Espaço sobre um mesmo assunto, reproduzimos abaixo os termos de uma mensagem de nosso guia, obtida sob a forma de uma conversa, por meio da incorporação. Veremos, aí, como esse espírito conseguiu conhecer e assimilar as forças radiantes do Além:
“Por muito tempo as ondas vibratórias do espaço fluíram sobre meu perispírito sem penetrá-lo, pois minha natureza um pouco ardente não as percebia.
Agora que esse temperamento adquiriu mais flexibilidade, sinto correntes que são comparáveis aos raios de luz maravilhosa e que nos transmitem intuições que ajudam a nossa evolução.
Quando um ser desencarnado atinge um plano elevado, é fácil para ele enviar esse pensamento para aqueles cuja sensibilidade é igual à sua. Mas, nos planos superiores, o brilho de certos espíritos chega a um ponto que não poderia ser suportado por espíritos inferiores.
As correntes que provêm de planos elevados fluem através das diversas camadas que formam os planos estelares e nem sempre chegam até nós. Entretanto, vossa Terra é atravessada, diariamente, por feixes de ondas que transportam as mensagens e os pensamentos de seres muito evoluídos a outros seres, também evoluídos.
Algumas radiações atravessam, periodicamente, vossa massa terrestre sem contorná-la, para atingir um mundo oposto, no zênite. Já bem sabeis que certas ondas produzidas pelos instrumentos terrestres, atravessam todos os obstáculos. Deus permitiu que tivésseis uma orientação, mas o que sabeis nesse sentido é pouco. Eu mesmo aprendi a me adaptar a esses rastros de ondas; eu os sentia como um sopro, mas não podia compreendê-los; foi preciso, para isso, um trabalho ininterrupto.
É por isso que me dediquei, em primeiro lugar, a estudar o roteiro dos pensamentos que partem dos seres encarnados, a fim de me exercitar em ler os pensamentos dos seres desencarnados. Se segui vossas lutas políticas é porque tinha necessidade de analisar a marcha dos fluidos que se desprendem de cada ser, conforme a natureza de seus pensamentos. Atualmente, posso receber e ler as instruções de espíritos que habitam um determinado plano, em certos mundos e constatei que, além das entidades que flutuam no Espaço e que vos enviam inspirações mais ou menos boas, segundo seu grau de adiantamento, projeções de pensamentos, constituindo feixes de ondas, vindos de mundos muito superiores ao vosso, vos envolvem com uma luz freqüentemente muito bela, mas que vós não percebeis.
Há muito poucos homens que são impressionados por elas.
O Espiritismo e as Forças Radiantes
“Por muito tempo as ondas vibratórias do espaço fluíram sobre meu perispírito sem penetrá-lo, pois minha natureza um pouco ardente não as percebia.
Agora que esse temperamento adquiriu mais flexibilidade, sinto correntes que são comparáveis aos raios de luz maravilhosa e que nos transmitem intuições que ajudam a nossa evolução.
Quando um ser desencarnado atinge um plano elevado, é fácil para ele enviar esse pensamento para aqueles cuja sensibilidade é igual à sua. Mas, nos planos superiores, o brilho de certos espíritos chega a um ponto que não poderia ser suportado por espíritos inferiores.
As correntes que provêm de planos elevados fluem através das diversas camadas que formam os planos estelares e nem sempre chegam até nós. Entretanto, vossa Terra é atravessada, diariamente, por feixes de ondas que transportam as mensagens e os pensamentos de seres muito evoluídos a outros seres, também evoluídos.
Algumas radiações atravessam, periodicamente, vossa massa terrestre sem contorná-la, para atingir um mundo oposto, no zênite. Já bem sabeis que certas ondas produzidas pelos instrumentos terrestres, atravessam todos os obstáculos. Deus permitiu que tivésseis uma orientação, mas o que sabeis nesse sentido é pouco. Eu mesmo aprendi a me adaptar a esses rastros de ondas; eu os sentia como um sopro, mas não podia compreendê-los; foi preciso, para isso, um trabalho ininterrupto.
É por isso que me dediquei, em primeiro lugar, a estudar o roteiro dos pensamentos que partem dos seres encarnados, a fim de me exercitar em ler os pensamentos dos seres desencarnados. Se segui vossas lutas políticas é porque tinha necessidade de analisar a marcha dos fluidos que se desprendem de cada ser, conforme a natureza de seus pensamentos. Atualmente, posso receber e ler as instruções de espíritos que habitam um determinado plano, em certos mundos e constatei que, além das entidades que flutuam no Espaço e que vos enviam inspirações mais ou menos boas, segundo seu grau de adiantamento, projeções de pensamentos, constituindo feixes de ondas, vindos de mundos muito superiores ao vosso, vos envolvem com uma luz freqüentemente muito bela, mas que vós não percebeis.
Há muito poucos homens que são impressionados por elas.
O Espiritismo e as Forças Radiantes
Léon Denis
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Esquecimento de existências anteriores
O esquecimento das existências anteriores é, em princípio, dissemos, uma das conseqüências da reencarnação; entretanto, não é absoluto esse esquecimento. Em muitas pessoas o passado renova-se em forma de impressões, senão de lembranças definidas. Essas impressões às vezes influenciam os nossos atos; são as que não vêm da educação, nem do meio, nem da hereditariedade. Nesse número podem classificar-se as simpatias e as antipatias repentinas, as intuições rápidas, as idéias inatas. Basta descermos a nós mesmos, estudarmo-nos com atenção, para tornarmos a encontrar em nossos gostos, em nossas tendências, em traços do nosso caráter, numerosos vestígios desse passado. Infelizmente, mui poucos de nós se entregam a esse exame com método e atenção.
Pode-se citar, ainda, em todas as épocas da História, um certo número de homens que, graças a disposições excepcionais do seu organismo psíquico, conservam recordações das suas vidas passadas. Para eles não era uma teoria a pluralidade das existências; era um fato de percepção direta. O testemunho desses homens assume importância considerável por terem ocupado na sociedade do seu tempo altas posições; quase todos, espíritos elevados, exerceram, na sua época, grande influência. A faculdade, muito rara, de que gozavam, era, sem dúvida, o fruto de uma evolução imensa. Estando o valor de um testemunho na razão direta da inteligência e inteireza da testemunha, não se podem passar em claro as afirmações desses homens, alguns dos quais trouxeram na cabeça a coroa do gênio.
É um fato bem conhecido que Pitágoras se recordava pelo menos de três das suas existências e dos nomes que em cada uma delas usava. Declarava ter sido Hermótimo, Eufórbio e um dos Argonautas. Juliano, cognominado o Apóstata, tão caluniado pelos cristãos, mas que foi, na realidade, uma das grandes figuras da História Romana, recordava-se de ter sido Alexandre da Macedônia. Empédocles afirmava que, pelo que lhe dizia respeito, “recordava-se de ter sido rapaz e rapariga”.
Na opinião de Herder (Dialogues sur la Métempsycose), devem ajuntar-se a esses nomes os de Yarcas e de Apolônio de Tiana.
Na Idade Média tornamos a encontrar a mesma faculdade em Gerolamo Cardano.
Entre os modernos, Lamartine declara, no seu livro Voyage en Orient, ter tido reminiscências muito claras de um passado longínquo. Transcrevamos o seu testemunho
“Na Judéia eu não tinha Bíblia nem livro de viagem; ninguém que me desse o nome dos lugares e o nome antigo dos vales e dos montes. Não obstante, reconheci, sem demora,o vale de Terebinto e o campo de batalha de Saul. Quando estivemos no convento, os padres confirmaram-me a exatidão das minhas descobertas. Os meus companheiros recusavam acreditá-lo. Do mesmo modo, em Séfora, apontara com o dedo e designara pelo nome uma colina que tinha no alto um castelo arruinado, como o lugar provável do nascimento da Virgem. No dia seguinte, no sopé de um monte árido, reconheci o túmulo dos Macabeus e falava verdade sem o saber. Excetuando os vales do Líbano, quase não encontrei na Judéia um lugar ou uma coisa que não fosse para mim como uma recordação. Temos então vivido duas ou mil vezes? É pois, a nossa memória uma simples imagem embaciada que o sopro de Deus aviva?”
Léon Denis em
O Problema do Ser, do Destino e da Dor
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Advertências profundas
— Irmãos nossos — prosseguiu Telésforo, sob o calor de sagrada inspiração —, fazendo-se ouvir na Terra gritos comovedores de sofrimento. Necessitamos de servidores que desejem integrar-se na escola evangélica da renúncia.
Desde as primeiras tarefas do Espiritismo renovador, “Nosso Lar” tem enviado diversas turmas ao trabalho de disseminação de valores educativos. Centenas de companheiros partem daqui anualmente, aliando necessidades de resgate ao serviço redentor; mas ainda não conseguimos os resultados desejáveis. Alguns alcançaram resultados parciais nas tarefas a desenvolver, mas a maioria tem fracassado ruidosamente. Nossos institutos de socorro debalde movimentam medidas de assistência indispensável. Raríssimos conquistam algum êxito nos delicados misteres da mediunidade e da doutrinação.
Outras colônias de nossa esfera providenciam tarefas da mesma natureza, mas pouquíssimos são os que se lembram das realidades eternas, no “outro lado do véu”... A ignorância domina a maioria das consciências encarnadas. E a ignorância é mãe das misérias, das fraquezas, dos crimes. Grandes instrutores, nos fluidos da carne, amedrontam-se por sua vez, diante dos atritos humanos, e se recolhem, indevidamente, na concepção que lhes é própria. Esquecem-se de que Jesus não esperou que os homens lhe atingissem as glórias magnificentes e que, ao invés, desceu até ao plano dos homens para amar, ensinar e servir. Não exigiu que as criaturas se fizessem imediatamente iguais a Ele, mas fêz-se como os homens, para ajudá-los na subida áspera.
Livro Os Mensageiros -Francisco Xavier
ditado pelo espírito André Luiz
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Fé, Esperança, Consolações
A fé é a confiança da criatura em seus destinos, é o
sentimento que a eleva à infinita Potestade, é a certeza de estar no caminho
que vai ter à verdade. A fé cega é como farol cujo vermelho clarão não pode
traspassar o nevoeiro; a fé esclarecida é foco elétrico que ilumina com
brilhante luz a estrada a percorrer.
Ninguém adquire essa fé sem ter passado pelas
tribulações da dúvida, sem ter padecido as angústias que embaraçam o caminho
dos investigadores. Muitos param em esmorecida indecisão e flutuam longo tempo
entre opostas correntezas. Feliz quem crê, sabe, vê e caminha firme. A fé então
é profunda, inabalável, e habilita-o a superar os maiores obstáculos. Foi neste
sentido que se disse que a fé transporta montanhas, pois, como tais, podem ser
consideradas as dificuldades que os inovadores encontram no seu caminho, ou
seja, as paixões, a ignorância, os preconceitos e o interesse material.
Geralmente se considera a fé como mera crença em certos
dogmas religiosos, aceitos sem exame. Mas a verdadeira fé está na convicção que
nos anima e nos arrebata para os ideais elevados. Há a fé em si próprio, em uma
obra material qualquer, a fé política, a fé na pátria. Para o artista, para o pensador,
a fé é o sentimento do ideal, é a visão do sublime farol aceso pela mão divina
nos alcantis eternos, a fim de guiar a Humanidade ao Bem e à Verdade.
É cega a fé religiosa que anula a razão e se submete ao
juízo dos outros, que aceita um corpo de doutrina verdadeiro ou falso e dele se
torna totalmente cativa. Na sua impaciência e nos seus excessos, a fé cega
recorre facilmente à perfídia, à subjugação, conduzindo ao fanatismo. Ainda sob
esse aspecto, é a fé um poderoso incentivo, pois tem ensinado os homens a se
humilharem e a sofrerem. Pervertida pelo espírito de domínio, tem sido a causa
de muitos crimes, mas, em suas conseqüências funestas, também deixa
transparecer suas grandes vantagens. Ora, se a fé cega pôde produzir tais efeitos, que não
realizará a fé esclarecida pela razão, a fé que julga, discerne e compreende?
Certos teólogos exortam-nos a desprezar a razão, a renegá-la, a rebatê-la.
Deveremos por isso repudiá-la, mesmo quando ela nos mostra o bem e o belo?
Esses teólogos alegam os erros em que a razão caiu e parecem, lamentavelmente,
esquecer que foi a razão que descobriu esses erros e ajudou-nos a corrigi-los.
Léon Denis
Dominando as paixões brutais
O Espírito encontra-se em todos os lugares tal como ele
mesmo se fez. Se violenta a lei moral, obscurece sua consciência e suas
faculdades, materializa-se, agrilhoa-se com suas próprias mãos. Mas, atendendo
à lei do bem, dominando as paixões brutais, fica aliviado e vai-se aproximando
dos mundos felizes.
Sob tais aspectos, a lei moral impõe-se como obrigação
a todos os que não descuram dos seus próprios destinos. Daí a necessidade de
uma higiene d'alma que se aplique a todos os nossos atos e conserve nossas
forças espirituais em estado de equilíbrio e harmonia. Se convém submetermos o
corpo, este invólucro mortal, este instrumento perecível, às prescrições da lei
física que o mantém em função, urge desde já vigiarmos o estado dessa alma que
somos nós, como eu indestrutível
e de cuja condição depende a nossa sorte futura. O Espiritismo fornece-nos os
elementos para essa higiene da alma.
O conhecimento do porquê da existência é de
conseqüências incalculáveis para o melhoramento e a elevação do homem. Quem
sabe aonde vai pisa firme e imprime a seus atos um impulso vigoroso.
Léon Denis - O Caminho Reto
A Vida Moral
Todo ser humano traz os rudimentos da lei moral
gravados em si. É neste mundo mesmo que ela recebe um começo de sanção. Qualquer
ato bom acarreta para o seu autor uma satisfação íntima, uma espécie de
ampliação da alma; as más ações, pelo contrário, trazem, muitas vezes,
amargores e desgostos em sua passagem. Mas essa sanção, tão variável segundo os
indivíduos, é muito vaga, muito insuficiente do ponto de vista da justiça
absoluta. Eis por que as religiões transferiram para a vida futura, para as
penas e recompensas que ela nos reserva, a sanção capital de nossos atos. Ora,
tais dados, carecendo de base positiva, foram postos em dúvida pela maioria das
massas, pois, embora tivessem eles exercido uma séria influência sobre as
sociedades da Idade Média, já agora não bastam para desviar o homem dos
caminhos da sensualidade.
Antes do drama do Gólgota, Jesus havia anunciado aos homens
um outro consolador, o Espírito de Verdade, que devia restabelecer e completar
o seu ensino. Esse Espírito de Verdade veio e falou à Terra; por toda parte fez
ouvir a sua voz.
Dezoito séculos depois da morte do Cristo, havendo-se
derramado pelo mundo a liberdade de palavra e de pensamento, tendo a Ciência
sondado os céus, desenvolvendo-se a inteligência humana, a hora foi julgada
favorável. Legiões de Espíritos vieram ensinar a seus irmãos da Terra a lei do
progresso infinito e realizar a promessa de Jesus, restaurando a sua doutrina,
comentando as suas parábolas.
O Espiritismo dá-nos a chave do Evangelho e explica seu
sentido obscuro ou oculto. Mais ainda: traz-nos a moral superior, a moral
definitiva, cuja grandeza e beleza revelam sua origem sobre-humana.
Para que a verdade se espalhe simultaneamente por todos
os povos, para que ninguém a possa desnaturar, destruir, não é mais um homem,
não é mais um grupo de apóstolos que se encarrega de fazê-la conhecida da
Humanidade. As vozes dos Espíritos proclamam-na sobre todos os pontos do mundo
civilizado e, graças a esse caráter universal, permanente, essa revelação desafia
todas as hostilidades, todas as inquisições. Pode-se destruir o ensino de um
homem, falsificar e aniquilar suas obras, mas quem poderá atingir e repelir os
habitantes do espaço? Estes aplanarão todas as dificuldades e levarão a
preciosa semente até às mais escuras regiões. Daí a potência, a rapidez de
expansão do Espiritismo, sua superioridade sobre todas as doutrinas que o
precederam e que lhe prepararam a vinda.
Assim, pois, a moral espírita edifica-se sobre os
testemunhos de milhões de almas que, em todos os lugares, vêm, pela interferência
dos médiuns, revelar a vida de além-túmulo, descrever suas próprias sensações,
suas alegrias e suas dores.
Léon Denis - O Caminho Reto
terça-feira, 30 de julho de 2013
O Fenômeno Espírita
As crenças na imortalidade da alma e nas comunicações entre os vivos e os mortos eram gerais entre os povos da Antigüidade.
Mas, ao contrário do que acontece hoje, as práticas pelas quais se conseguia entrar em relação com as almas desencarnadas, eram o apanágio exclusivo dos padres, que tinham cuidadosamente monopolizado essas cerimônias, não só para fazerem delas uma renda lucrativa e manterem o povo em absoluta ignorância quanto ao verdadeiro estado da alma depois da morte como também para revestirem, a seus olhos, um caráter sagrado, pois que só eles podiam revelar os segredos da morte.
Encontramos nos mais antigos arquivos religiosos a prova do que avançamos.
Os anais de todas as nações mostram que, desde épocas remotíssimas da História, a evocação dos Espíritos era praticada por certos homens que tinham feito disso uma especialidade.
O mais antigo código religioso que se conhece, os Vedas, aparecido milhares de anos antes de Jesus-Cristo, afirma a existência dos Espíritos. Eis como o grande legislador Manu se exprime a respeito: Os Espíritos dos antepassados, no estado invisível, acompanham certos brâmanes, convidados para as cerimônias em comemoração dos mortos, sob uma forma aérea; seguem-nos e tomam lugar ao seu lado quando eles se assentam.
Um outro autor hindu declara: Muito tempo antes de se despojarem do envoltório mortal, as almas que só praticaram o bem como as que habitam o corpo dos sannyassis e dos vayzaprastha (anacoretas e cenobitas) adquirem a faculdade de conversar com as almas que as precederam no Swarga; é sinal que, para essas almas, a série de suas transmigrações sobre a Terra terminou.
Desde tempos imemoriais, os padres iniciados nos mistérios preparam indivíduos chamados faquires para a evocação dos Espíritos e para a obtenção dos mais notáveis fenômenos do magnetismo. Louis Jacolliot, em sua obra - Le Spiritisme dans le monde - expõe amplamente a teoria dos hindus sobre os Pitris, isto é, Espíritos que vivem no Espaço depois da morte do corpo. Resulta das investigações deste autor que o segredo da evocação era reservado àqueles que pudessem ter quarenta anos de noviciado e obediência passiva.
GABRIEL DELANNE
O FENÔMENO ESPÍRITA
Os anais de todas as nações mostram que, desde épocas remotíssimas da História, a evocação dos Espíritos era praticada por certos homens que tinham feito disso uma especialidade.
O mais antigo código religioso que se conhece, os Vedas, aparecido milhares de anos antes de Jesus-Cristo, afirma a existência dos Espíritos. Eis como o grande legislador Manu se exprime a respeito: Os Espíritos dos antepassados, no estado invisível, acompanham certos brâmanes, convidados para as cerimônias em comemoração dos mortos, sob uma forma aérea; seguem-nos e tomam lugar ao seu lado quando eles se assentam.
Um outro autor hindu declara: Muito tempo antes de se despojarem do envoltório mortal, as almas que só praticaram o bem como as que habitam o corpo dos sannyassis e dos vayzaprastha (anacoretas e cenobitas) adquirem a faculdade de conversar com as almas que as precederam no Swarga; é sinal que, para essas almas, a série de suas transmigrações sobre a Terra terminou.
Desde tempos imemoriais, os padres iniciados nos mistérios preparam indivíduos chamados faquires para a evocação dos Espíritos e para a obtenção dos mais notáveis fenômenos do magnetismo. Louis Jacolliot, em sua obra - Le Spiritisme dans le monde - expõe amplamente a teoria dos hindus sobre os Pitris, isto é, Espíritos que vivem no Espaço depois da morte do corpo. Resulta das investigações deste autor que o segredo da evocação era reservado àqueles que pudessem ter quarenta anos de noviciado e obediência passiva.
GABRIEL DELANNE
O FENÔMENO ESPÍRITA
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