terça-feira, 24 de março de 2015

Reminiscências de vidas passadas

“Podemos ter algumas revelações a respeito de nossas vidas anteriores?” “Nem sempre. Contudo, muitos sabem o que foram e o que faziam. Se se lhes permitisse dizê-lo abertamente, extraordinárias revelações fariam sobre o passado.” (Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos, pergunta 395.) *______________ “Quanto mais grave é o mal, tanto mais enérgico deve ser o remédio. Aquele, pois, que muito sofre deve reconhecer que muito tinha a expiar e deve regozijar-se à Ideia da sua próxima cura. Dele depende, pela resignação, tornar proveitoso o seu sofrimento e não lhe estragar o fruto com as suas Impaciências, visto que, do contrário, terá de recomeçar.” (Allan Kardec, “O Evangelho segundo o Espiritismo”, capítulo 5, ítem 10.) Muitos dos nossos amigos freqüentemente nos procuram, quer pessoalmente ou através de cartas que nos escrevem, a fim de solicitar informações sobre a reencarnação do próximo em geral e, em particular, a deles próprios. Nada poderemos, porém, acrescentar sobre o assunto às instruções dos Espíritos que organizaram os códigos do Espiritismo. Se, como ficou dito, a lei da Criação encobriu o nosso passado espiritual, será porque o seu conhecimento não traria vantagem para o nosso progresso, antes poderia prejudicá-lo, como tão hàbilmente ficou assinalado por Allan Kardec e seus colaboradores. Todavia, a observação de sábios investigadores das propriedades e forças da personalidade humana, e a prática dos fenômenos espíritas, dão-nos a conhecer substanciosos exemplos de que nem sempre o véu do esquecimento é totalmente distendido sobre a nossa memória normal, apagando as recordações de vidas anteriores, pois a verdade é que de quando em vez surgem indivíduos idôneos apresentando lembranças de suas existências passadas, muitas delas verificadas exatas por investigações criteriosas, e a maioria dos casos, senão a totalidade deles, revelando tanta lógica e firmeza nas narrativas, que impossível seria descrer-se deles sem demonstrar desprezo pela honestidade do próximo. De outro lado, o fenômeno de recordação de vidas passadas parece mais raro do que em verdade e, uma vez que podemos ter estranhas reminiscências sem saber que elas sejam o passado espiritual a se manifestar timidamente às nossas faculdades, aliás, a maioria das pessoas que as recordam, ignorando os fatos espíritas, sofrem a sua pressão sem saberem, realmente, do que se trata, e por isso não participam a outrem o que com elas se passa. O Espírito Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, a quem tanto amamos, observou, em recentes instruções a nós concedidas, que nos manicômios terrestres existem muitos casos de suposta loucura que mais não são que estados agudos de excitação da subconsciência recordando existências passadas tumultuosas, ou criminosas, ocasionando o remorso no presente, o mesmo acontecendo com a obsessão, que bem poderá ser o tumulto de “Podemos ter algumas revelações a respeito de nossas vidas anteriores?” “Nem sempre. Contudo, muitos sabem o que foram e o que faziam. Se se lhes permitisse dizê-lo abertamente, extraordinárias revelações fariam sobre o passado.” (Allan Kardec, “O Livro dos Espíritos, pergunta 395.) * “Quanto mais grave é o mal, tanto mais enérgico deve ser o remédio. Aquele, pois, que muito sofre deve reconhecer que muito tinha a expiar e deve regozijar-se à Ideia da sua próxima cura. Dele depende, pela resignação, tornar proveitoso o seu sofrimento e não lhe estragar o fruto com as suas Impaciências, visto que, do contrário, terá de recomeçar.” (Allan Kardec, “O Evangelho segundo o Espiritismo”, capítulo 5, ítem 10.) Muitos dos nossos amigos freqüentemente nos procuram, quer pessoalmente ou através de cartas que nos escrevem, a fim de solicitar informações sobre a reencarnação do próximo em geral e, em particular, a deles próprios. Nada poderemos, porém, acrescentar sobre o assunto às instruções dos Espíritos que organizaram os códigos do Espiritismo. Se, como ficou dito, a lei da Criação encobriu o nosso passado espiritual, será porque o seu conhecimento não traria vantagem para o nosso progresso, antes poderia prejudicá-lo, como tão hàbilmente ficou assinalado por Allan Kardec e seus colaboradores. Todavia, a observação de sábios investigadores das propriedades e forças da personalidade humana, e a prática dos fenômenos espíritas, dão-nos a conhecer substanciosos exemplos de que nem sempre o véu do esquecimento é totalmente distendido sobre a nossa memória normal, apagando as recordações de vidas anteriores, pois a verdade é que de quando em vez surgem indivíduos idôneos apresentando lembranças de suas existências passadas, muitas delas verificadas exatas por investigações criteriosas, e a maioria dos casos, senão a totalidade deles, revelando tanta lógica e firmeza nas narrativas, que impossível seria descrer-se deles sem demonstrar desprezo pela honestidade do próximo. De outro lado, o fenômeno de recordação de vidas passadas parece mais raro do que em verdade e, uma vez que podemos ter estranhas reminiscências sem saber que elas sejam o passado espiritual a se manifestar timidamente às nossas faculdades, aliás, a maioria das pessoas que as recordam, ignorando os fatos espíritas, sofrem a sua pressão sem saberem, realmente, do que se trata, e por isso não participam a outrem o que com elas se passa. O Espírito Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, a quem tanto amamos, observou, em recentes instruções a nós concedidas, que nos manicômios terrestres existem muitos casos de suposta loucura que mais não são que estados agudos de excitação da subconsciência recordando existências passadas tumultuosas, ou criminosas, ocasionando o remorso no presente, o mesmo acontecendo com a obsessão, que bem poderá ser o tumulto de evolução? Certamente, é muito provável que assim seja, visto que, tratando-se de uma faculdade que tende a atingir a plenitude das próprias funções, haverá o trabalho de evolução, e, além do mais, não. é o Espírito, encarnado ou não, o artífice da própria glória? Daí as lutas tremendas do roteiro a vencer... Ou tratar-se-á, porventura, de punição? De qualquer forma será o trabalho de evolução... Mas até onde chegam os nossos conhecimentos a respeito do singular fato, também por nós vivido e, portanto, por nós sentido, observado e estudado, poderemos afirmar que, na sua maioria, trata-se do efeito de causas graves e, portanto, punição através da lei natural das coisas, podendo ser também o fato auxiliado pela natural disposição de organizações físicopsíquicas muito lúcidas, aquisição de mentes trabalhadas pelo esforço da inteligência, fruto do cultivo dos dons da alma, se o acontecimento não implicar distúrbios conscienciais, pois nossa personalidade é rica de dons em elaboração lenta, mas segura. Consultando preciosos livros de instrução doutrinária espírita encontraremos copioso noticiário do fato em estudo. Homens ilustres do passado não só confessavam as próprias convicções em torno da reencarnação das almas em novos corpos como afirmavam, com boas provas, lembrar de suas vidas anteriores, sendo que esses homens não deram, jamais, provas de debilidade mental, o que nos leva a deduzir ser o fato mais comum do que se pensa, e que os casos extremos, ocasionando a citada pseudoloucura, serão, com efeito, como que uma punição natural na ordem das coisas, efeito de vidas passadas anormais, onde avultavam ações criminosas. No seu precioso livro «O Problema do Ser, do Destino e da Dor», o grande mestre da Doutrina Espírita, Léon Denis, cita casos interessantes de pessoas conhecidas na História, que recordavam as próprias existências passadas. É de notar que todas essas individualidades citadas possuíam inteligência lúcida, eram mesmo pessoas geniais, fazendo crer que suas mentes haviam sido trabalhadas pelo labor intelectual desde longas etapas anteriores, o que equivale dizer que a faculdade de recordar estava mais ou menos desenvolvida, não produzindo choques vibratórios violentos (1). Assim é que, no capítulo X1V daquela obra magistral, na segunda parte, ele diz o seguinte, permitindo o leitor, a seu próprio benefício, que transcrevamos trechos do original: — «É fato bem conhecido que Pitágoras se recordava pelo menos de três das suas existências e dos nomes que, em cada uma delas, usava. Declarava ter sido Hermótimo, Eufórbio e um dos Argonautas. Juliano,

Em torno da prece

O Ministro Clarêncio comentava a sublimidade da prece e nós o ouvíamos com a melhor atenção. – Todo desejo – dizia, convincente – é manancial de poder. A planta que se eleva para o alto, convertendo a própria energia em fruto que alimenta a vida, é um ser que ansiou por multiplicar-se... – Mas todo petitório reclama quem ouça – interferiu um dos companheiros. – Quem teria respondido aos rogos, sem palavras, da planta? O venerando orientador respondeu, tranqüilo: – A Lei, como representação de nosso Pai Celestial, manifesta-se a tudo e a todos, através dos múltiplos agentes que a servem. No caso a que nos reportamos, o Sol sustentou o vegetal, conferindo-lhe recursos para alcançar os objetivos que se propunha atingir. E, imprimindo significativa entonação à voz, continuou: – Em nome de Deus, as criaturas, tanto quanto possível, atendem às criaturas. Assim como possuímos em eletricidade os transformadores de energia para o adequado aproveitamento da força, temos igualmente, em todos os domínios do Universo, os transformadores da bênção, do socorro, do esclarecimento... As correntes centrais da vida partem do Todo-Poderoso e descem a flux, transubstanciadas de maneira infinita. Da luz suprema à treva total, e vice-versa, temos o fluxo e o refluxo do sopro do Criador, através de seres incontáveis, escalonados em todos os tons do instinto, da inteligência, da razão, da humanidade e da angelitude, que modificam a energia divina, de acordo com a graduação do trabalho evolutivo, no meio em que se encontram. Cada degrau da vida está superlotado por milhões de criaturas... O caminho da ascensão espiritual é bem aquela escada milagrosa da visão de Jacob, que passava pela Terra e se perdia nos céus... A prece, qualquer que ela seja, é ação provocando a reação que lhe corresponde. Conforme a sua natureza, paira na região em que foi emitida ou eleva-se mais, ou menos, recebendo a resposta imediata ou remota, segundo as finalidades a que se destina. Desejos banais encontram realização próxima na própria esfera em que surgem. Impulsos de expressão algo mais nobre são amparados pelas almas que se enobreceram. Ideais e petições de significação profunda na imortalidade remontam às alturas... O mentor generoso fez pequeno intervalo, como a dar-nos tempo para refletir e acentuou: – Cada prece, tanto quanto cada emissão de força, se caracteriza por determinado potencial de freqüência e todos estamos cercados por Inteligências capazes de sintonizar com o nosso apelo, à maneira de estações receptoras. Sabemos que a Humanidade Universal, nos infinitos mundos da grandeza cósmica, está constituída pelas criaturas de Deus, em diversas idades e posi- ções... No Reino Espiritual, compete-nos considerar igualmente os princípios da herança. Cada consciência, à medida que se aperfeiçoa e se santifica, aprimora em si qualidades do Pai Celestial, harmonizando-se, gradativamente, com a Lei. Quanto mais elevada a percentagem dessas qualidades num espírito, mais amplo é o seu poder de cooperar na execução do Plano Divino, respondendo às solicitações da vida, em nome de Deus, que nos criou a todos para o Infinito Amor e para a Infinita Sabedoria... Quebrando o silêncio que se fizera natural para a nossa reflexão, o irmão Hilário perguntou: Contudo, como interpretar o ensinamento, quando estivermos à frente de propósitos malignos? Um homem que deseja cometer um crime estará também no serviço da prece? – Abstenhamo-nos de empregar a palavra “prece”, quando se trate do desequilíbrio – aduziu Clarêncio, bondoso –, digamos “invocação”. E acrescentou: – Quando alguém nutre o desejo de perpetrar uma falta está invocando forças inferiores e mobilizando recursos pelos quais se responsabilizará. Através dos impulsos infelizes de nossa alma, muitas vezes descemos às desvairadas vibrações da cólera ou do vício e, de semelhante posição, é fácil cairmos no enredado poço do crime, em cujas furnas nos ligamos, de imediato, a certas mentes estagnadas na ignorância, que se fazem instrumentos de nossas baixas idealizações ou das quais nos tornamos deploráveis joguetes na sombra. Todas as nossas aspirações movimentam energias para o bem ou para o mal. Por isso mesmo, a direção delas permanece afeta à nossa responsabilidade. Analisemos com cuidado a nossa escolha, em qualquer problema ou situação do caminho que nos é dado percorrer, porquanto o nosso pensamento voará, diante de nós, atraindo e formando a realização que nos propomos atingir e, em qualquer setor da existência, a vida responde, segundo a nossa solicitação. Seremos devedores dela pelo que houvermos recebido. O Ministro sorriu, benevolente, e lembrou: – Estejamos convictos, porém, de que o mal é sempre um círculo fechado sobre si mesmo, guardando temporariamente aqueles que o criaram, qual se fora um quisto de curta ou longa duração, a dissolver-se, por fim, no bem infinito, à medida que se reeducam as Inteligências que a ele se aglutinam e afeiçoam. O Senhor tolera a desarmonia, a fim de que por intermédio dela mesma se efetue o reajustamento moral dos espíritos que a sustentam, de vez que o mal reage sobre aqueles que o praticam, auxiliando-os a compreender a excelência e a imortalidade do bem, que é o inamovível fundamento da Lei. Todos somos senhores de nossas criações e, ao mesmo tempo, delas escravos infortunados ou felizes tutelados. Pedimos e obtemos, mas pagaremos por todas as aquisições. A responsabilidade é principio divino a que ninguém poderá fugir. ________________________________________________________Francisco Cândido Xavier - Entre a Terra e o Céu - pelo Espírito André Luiz

sábado, 14 de março de 2015

Os Espíritos Superiores atuam nas mutações genéticas

Os Espíritos Superiores atuam nas mutações genéticas? Se sim, como?______________________________________________________
R: Acreditamos que, embora competentes para normalmente fazê-lo, assim procederão só em casos específicos, raros. Por exemplo: um Espírito de uma esfera espiritual acima das terrenas e que tenha se compromissado a cumprir nobre missão na Terra, numa determinada área da atividade humana (a música, por exemplo), talvez tenha dificuldade para reencarnar filho(a) de pais que geneticamente lhe propiciem os fantásticos genes que possibilitarão destreza e memorização. O reencarnante, nesse caso, poderá passar por uma necessária adequação e “aditivação” genética, já a partir do seu perispírito, que como sabemos nós, os espíritas, é o molde para o corpo físico. Essa complementação só poderá ser realizada por Espíritos protetores, competentes (com domínio absoluto daquela que podemos denominar de “genética espiritual”). Pode ocorrer o inverso: Espírito altamente devedor, com o perispírito danificado, tendo que reencarnar em condições físicas dificílimas, poderá nascer filho(a) de pais saudá- veis, mas que além de aceitarem tal sublime tarefa, dispondo ou não dos meios materiais apropriados a administrar as multiplicadas dificuldades decorrentes. Aqui também terá que haver interferência genética daqueles técnicos espirituais, equalizando tal reencarnação à expiação redentora, e nesse caso, isso não encontrará explicação na genética terrena....---------------------------------------------------- NOTA COMPLEMENTAR: No cap. 12 de “Missionários da Luz”, o Autor espiritual, André Luiz, registra sobre aqueles que têm merecimento: (...) A lei da hereditariedade fisiológica “funciona com inalienável domínio sobre todos os seres em evolução, mas sofre, naturalmente, a influência de todos aqueles que alcançam qualidades superiores ao ambiente geral. Além do mais, quando o interessado em experiências novas no plano da Crosta é merecedor de serviços ‘intercessórios’, as forças mais elevadas podem imprimir certas modificações à matéria, desde as atividades embriológicas, determinando alterações favorá- veis ao trabalho de redenção”. Mais adiante, no cap. 14, agora se referindo a tarefas, missões ou “provas” , volta a elucidar: (...) Referindo-nos a problema de ciência física, sem alusão aos problemas espirituais das tarefas, missões ou provas necessárias (...) de certos Espíritos na reencarnação, as autoridades de nossa esfera de luta dispõem de suficiente poder para intervir na lei biogenética, dentro de certos limites, ajustando-lhe as disposições, a caminho de objetivos especiais. (Colocamos esses complementos aqui, pois eles, evidenciando a existência da genética espiritual, terão aplicações ao longo deste questionário).____________________________________

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Logo que cheguei ao meio espiritual, tive a sensação de estar em minha casa

Tomo-o à revista Light (1927, pág. 230). O diretor dessa revista, Sr. David Gow, precedeu a narrativa deste caso de uma breve nota, donde extraio os períodos seguintes:____________________________________________ Os trechos, que se vão ler, de mensagens mediúnicas, foram tirados de um longo relatório que nos enviou um ministro anglicano da Nova Escócia. O Espírito comunicante foi, ao que parece, conhecida personagem americana, que ocupou, quando na Terra, alto cargo municipal. O médium, de cujo nome se nos deu conhecimento, é uma senhora distinta, muito conhecida, igualmente, pela elevação de seu caráter e pela excelência de suas faculdades mediúnicas. O Espírito começou assim:________________________________________________________ Desejo principiar a minha narrativa, do dia em que deixei o corpo material no meu quarto de Blankville. Via quão grande era a dor que despedaçava a alma de meus filhos e muito me afligia o achar-me impossibilitado de lhes dirigir a palavra. De súbito, verifiquei que em mim uma mudança se operava, que eu não compreendia bem. Fui presa de estranha sensação que, conquanto inteiramente nova para mim, era um tanto análogo à que uma pessoa experimenta quando desperta repentinamente de profundo sono. No primeiro momento, nada compreendi, dada a situação em que me encontrava. Pouco a pouco, porém, fui percebendo o meio que me cercava, como sucede ai quando a gente desperta do sono. Vi-me estendido, calmo e imóvel, no meu leito, circunstância que me encheu de espanto, longe que estava de supor que morrera. Após algum tempo, cada vez mais desperto, percebi que minha defunta mulher se achava ao meu 72 – lado, a me sorrir, com uma expressão radiante de ventura. Esse nosso encontro se dava depois de longa separação. Foi ela quem me comunicou a terrificante noticia de que eu estava morto e me encontrava também no meio espiritual. Disse-me que, desde muitos dias, velava à cabeceira do meu leito, aguardando o momento de acolher o meu Espírito e de conduzi-lo à morada celeste. Sentia-me de mais em mais revigorado por uma vitalidade nova, como se todas as minhas faculdades entrassem num período de atividade grande, após o prolongado torpor em que me achara... Era a sensação de uma beatitude difícil de descrever-se... Afigurava-se-me que me tornara parte integrante do meio que me rodeava. Minha mulher me tomou então pelas mãos e, assim unidos, nos elevamos através do teto do quarto, subindo para o alto, sempre mais alto, pelo espaço em fora. Entretanto, se bem que me houvesse afastado muito do melo terrestre, continuava a ter conhecimento do que ocorria em minha casa. Via minha filha acabrunhada de dor. Esse estado da alma parecia deslizar como uma nuvem escura, entre ela e mim; insinuava-se no meu ser, produzindo nele um sentimento penoso de torpor. Desejo saiba as crises excessivas de dor, junto dos leitos mortuários, constituem imensa barreira interposta entre os vivos, que delas se deixam tomar, e o Espírito do defunto por quem eles choram. Trata-se de uma barreira real e intransponível, que nos não permite entrar em comunicação com os que se desesperam pela nossa morte. Mais ainda: as exageradas crises de dor retêm presos ao meio terrestre os Espíritos desencarnados, retardando-lhes a entrada no mundo espiritual. De fato, se é certo que, com a morte, cessam necessariamente todas as relações entre os Espíritos desencarnados e o organismo físico dos vivos, em compensação os Espíritos dos defuntos se tornam extremamente sensíveis às vibrações dos pensamentos das pessoas que lhes são caras. Concito, pois, os vivos que percam alguns de seus parentes — qualquer que possa ser a importância da perda e da dor correspondente — a que, a todo custo, se mostrem fortes, abafando toda manifestação de mágoa e apresentando-se de aspecto calmo nos funerais. Comportando-se assim, determinarão considerável melhoria na atmosfera que os cerca, porquanto a aparência de serenidade nos corações e nos semblantes das pessoas que nos são caras emite vibrações luminosas que nos atraem, como, à noite, a luz atrai a borboleta. Por outro lado, a mágoa dá lugar a vibrações sombrias e prejudiciais a nós outros, vibrações que tomam o aspecto de tenebrosa nuvem a envolver aqueles a quem amamos. Não duvideis de que somos muito sensíveis às 73 – impressões vibratórias que nos chegam, por efeito da dor dos que nos são caros. Nossos corpos etéreos estão, efetivamente, sintonizados por uma escala vibratória muito alta, que nada tem de comum com a escala vibratória dos corpos carnais... Aqui não se usa da palavra para conversar. Percebemos os pensamentos nos olhos daquele que conversa conosco. O nosso interlocutor, a seu turno, percebe em nossos olhos os pensamentos que nos acodem. Deste modo, percebemos integral e perfeitamente a significação dos discursos dos outros, o que se não pode realizar na Terra... Logo que cheguei ao meio espiritual, tive a sensação de estar em minha casa. Parentes, amigos, conhecidos vieram todos me receber; todos se congratulavam comigo, por haver, afinal, chegado ao porto. Era, pois, natural que fizessem nascer em mim à impressão de estar em minha casa. Para me adaptar ao novo meio, menos tempo me foi preciso, do que me seria na Terra, para me adaptar a uma mudança de residência... Aqui, todos podemos obter facilmente os objetos que desejamos: não temos mais do que pensar neles, para que os criemos. Nessas condições, compreende-se que ninguém pode desobedecer ao mandamento de Deus: Não desejareis o que pertença ao vosso próximo. Nada aqui se compra com dinheiro; coisa alguma pode haver que tenha valor, senão para aquele que a criou, destinada a seu uso pessoal, por necessitar dela. Cada um se acha em condições de conseguir para si, se o quiser, tudo o que seu vizinho possua. Bem entendido, falo apenas de objetos materiais de toda espécie. Digo materiais, para me fazer compreendido, pois que semelhante qualificativo não se adapta às criações etéreas...__________________________________--extraído do livro A CRISE DA MORTE de Ernesto Bozzano (décimo caso)

Que impressão tiveste da tua primeira entrada no mundo espiritual?

Reproduzo um último caso de data antiga, que extraio do livro do Doutor Wolfe: Starling Facts in Modern Spiritualism (pág. 388). Jim Nolan, o Espírito-guia do célebre médium Senhor Hollis, que disse e demonstrou ter sido soldado no curso da Guerra de Secessão da América e haver morrido de tifo num hospital militar, responde da maneira seguinte às perguntas de um experimentador:_______________________________________________________ P. — Que impressão tiveste da tua primeira entrada no mundo espiritual? R. — Parecia-me que despertava de um sono, com um pouco de atordoamento a mais. Já não me sentia enfermo e isso me espantava grandemente. Tinha uma vaga suspeita de que alguma coisa estranha se passara, todavia, não sabia definir o de que se tratava. Meu corpo se achava estendido no leito de campanha e eu o via. Dizia de mim para mim: Que estranho fenômeno! Olhei ao mau derredor, e vi três de meus camaradas mortos nas trincheiras diante de Vicksburg e que eu enterrara. Entretanto, ali estavam na minha presença! Olhavam a sorrir. Então, um dos três me saudou, dizendo: — Bom-dia, Jim; também és dos nossos? — Sou dos vossos? Que queres dizer? — Mas... que te achas aqui, conosco, no mundo dos Espíritos. Não te apercebeste disto? É um meio onde se está bem. Estas palavras eram muito fortes para mim. Fui presa de violenta emoção e exclamei: — Meu Deus! Que dizes! Estou morto? — Não; estás mais vivo do que nunca, Jim; porém te achas no mundo dos Espíritos. Para te convenceres, não tens mais do que atentar no teu corpo. Com efeito, meu corpo jazia, inanimado, diante de mim, sobre a 19 – A CRISE DA MORTE tarimba. Como, pois, contestar o fato? Pouco depois, chegaram dois homens que colocaram meu cadáver numa prancha e o transportaram para perto de um carro; neste o meteram, subiram à boleia e partiram. Acompanhei então o carro, que parou à borda de um fosso, onde o meu cadáver foi arriado e enterrado. Fora eu o único assistente do meu enterro... P. — Quais as sensações que experimentaste na crise da morte? R. — A que se experimenta quando o sono se apodera da gente, mas deixando que ainda se possa lembrar de alguma ideia que tenha tido antes do sono. A gente, porém, não se lembra do momento exato em que foi tomado pelo sono. É o que se dá por ocasião da morte. Mas, um pouco antes da crise fatal, minha mentalidade se tornara muito ativa; lembrei- me subitamente de todos os acontecimentos da minha vida; vi e ouvi tudo que fizera, dissera, pensara, todas as coisas a que estivera associado. Lembrei-me até dos jogos e brincadeiras do campo militar; gozei-os, como quando deles participei. P. — Conta-nos as tuas primeiras impressões no mundo espiritual. R. — Ia dizer-vos que os meus bons amigos soldados não mais me abandonaram, desde que desencarnei até o momento em que fiz a minha entrada no mundo espiritual; lá, tinha eu avós, irmãos e irmãs, que, entretanto, não me vieram receber quando desencarnei. Ao entrar no mundo espiritual, parecia-me caminhar sobre um terreno sólido e vi que ao meu encontro vinha uma velha, que me dirigiu a palavra assim: — Jim, então vieste para onde estávamos? Olhei-a atentamente e exclamei: — Ó, avozinha, és tu? — Sou eu mesma, meu caro Jim. Vem comigo. E me levou para longe dali, para sua morada. Uma vez lá, disse-me ser necessário que eu repousasse e dormisse. Deitei-me e dormi longamente... P. — A morada de que falas tinha o aspecto de uma casa? R. — Certamente. No mundo dos Espíritos, há a força do pensamento, por meio do qual se podem criar todas as comodidades desejáveis..._________________________________Livro A CRISE DA MORTE de Ernesto Bozzano ______(terceiro caso)

domingo, 11 de janeiro de 2015

Honestidade

A honestidade é a essência do homem moral; é desgraçado aquele que daí se afastar. O homem honesto faz o bem pelo bem, sem procurar aprovação nem recompensa. Desconhecendo o ódio e a vingança, esquece as ofensas e perdoa aos seus inimigos. É benévolo para com todos, protetor para com os humildes. Em cada ser humano vê um irmão, seja qual for seu país, seja qual for sua fé. Tolerante, ele sabe respeitar as crenças sinceras, desculpa as faltas dos outros, sabe realçar-lhes as qualidades; jamais é maledicente. Usa com moderação dos bens que a vida lhe concede, consagra-os ao melhoramento social e, quando na pobreza, de ninguém tem inveja ou ciúme._____________Léon Denis em O Caminho Reto

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

A passagem

Jean Bazerque _______ Traduzido por Paulo A. Ferreira ________ O simples bom senso deveria ser suficiente para se compreender que, no organismo humano, o mau funcionamento de uma pequena engrenagem pode comprometer muitos sonhos. Mas escondemos a morte. Nós a temos sempre na mente porque ela se impõe independente de nós mesmos; mas nunca falamos dela. Outrora, fazia-se o sinal da cruz; hoje em dia, bate-se na madeira. Portanto, a despeito de se fazer isso ou não, quer o queiramos ou não, ela estará lá na sua hora. O homo-sapiens, diferentemente do animal, pensa, mas é tomado de cegueira quando se trata de ver o que é essencial; como se o essencial fosse justamente não pensar nisso! A que seria devida esta obstinação no desinteresse?____ É calúnia pretender que com sua pompa fúnebre, suas missas, seu cerimonial, a religião católica tenha contribuído em grande parte para a tristeza da perspectiva da última viagem. Diz-se que no tempo do cristianismo primitivo os enterros se efetuavam com acompanhamentos de cantos alegres, em cortejos de jovens vestidos de branco agitando palmas. Seria essa angústia do mistério da vida de além-túmulo, que não tem podido comover as religiões, o que aperta os corações das testemunhas na partida para a viagem aparentemente sem retorno?______ Não é essencial que o Espiritismo tenha trazido ao homem o conhecimento, pela intermediação dos médiuns, de uma parte das leis que regem a vida, a descrição do estado dos seres (entrantes e retirantes) após a grande partida? O essencial é que o Espiritismo, procurando sob o véu, traz ao ser sofredor um clarão de esperança que dá a certeza da sobrevivência do ser querido. NÃO! O ESSENCIAL NÃO ESTÁ NAQUILO QUE TU ÉS. (conforme J.G.). __________________________________________ A confiança na vida futura não exclui as apreensões provocadas pelo desconhecimento da passagem de uma vida à outra. A ciência e a religião são mudas nesse assunto porque lhes falta, a uma e outra, o conhecimento das leis que regem as relações do espírito e da matéria; uma se detém no limiar da vida material e a outra em fazer artigo de fé. O Espiritismo dá alguns passos a mais; pelas manifestações mediúnicas daqueles que deixaram a vida terrestre, permite uma visão mais completa da questão. __ A passagem para o lado de lá é diferente para cada indivíduo, em função de certas leis decorrentes das vidas anteriores e das leis da reencarnação, às quais os seres humanos estão submetidos. A grosso-modo as diversas situações tornaram-se conhecidas após a aurora do Espiritismo; é fácil tomar conhecimento do assunto nas obras de Allan Kardec, particularmente em "O Céu e o Inferno ou A Justiça Divina" onde se encontram as descrições para toda sorte de situações. __ Para facilitar a compreensão da passagem do estado de encarnado (a vida terrestre) ao estado de desencarnado (a vida no lado de lá), nós decompusemos aqui o movimento esquematicamente em quatro fases sucessivas (os quatro pontos cardinais do espaço) que têm apenas um valor didático, porque de fato essas fases são variáveis segundo o grau de evolução espiritual de cada um. __ A primeira fase é a separação da alma do corpo físico. A segunda fase é o estado de perturbação, de inconsciência, no qual a alma se encontra com muita freqüência, para não dizer sempre, após seu desligamento. A terceira fase é o momento em que o espírito reconhece sua nova situação. A quarta é o período mais penoso; freqüentemente o espírito tem uma visão exata do que se tinha imposto fazer ao longo de sua vida terrestre e do que fez em realidade. De uma maneira geral, este exame não lhe dá nenhuma satisfação, causando-lhe remorso e desejo de reparação. Essas situações são perfeitamente conhecidas graças ao Espiritismo e aos livros de divulgação de Allan Kardec; pode-se dizer que a questão está ali perfeitamente tratada, assim não nos retardaremos a descrevê-las sobre o plano teórico, contentando-nos em publicar algumas manifestações espirituais relevantes no curso de nosso trabalho. __ A primeira fase da desencarnação, isto é a separação do espírito do corpo físico, malgrado o aspecto dramático que freqüentemente possui, é a fase menos penosa. Assim quando uma pessoa morre subitamente, em seguida a uma embolia, por exemplo, ouvimos esta reflexão: «Ela teve uma boa morte» porque não sofreu. Atendo-nos aos fatos, lembramos que a mãe de um dos irmãos do Grupo morreu subitamente em seguida a uma embolia e ele foi procurar a Irmã Maria Munoz, nossa fundadora, que ao ver o corpo lhe disse: "Ela não está mais aí", a separação da alma e do corpo foi efetivamente constatada pela médium vidente. __ Exemplos de visões da partida do espírito dos moribundos tem sido objeto de numerosas narrativas nos conhecidos livros espíritas de Ernesto Bozzano ou de Flammarion. Não acrescentaremos nada mais a isso. __ Eis o ponto de vista de Allan Kardec em seu livro "O Céu e o Inferno ou a Justiça Divina" para o que é a primeira fase: "A extinção da vida orgânica leva à separação da alma e do corpo pela ruptura dos laços fluídicos que os une; mas esta separação não é nunca brusca; o fluido perispiritual se desliga pouco a pouco de todos os órgãos de modo que a separação não está completa e absoluta senão quando não reste mais um só átomo do perispírito unido a uma molécula do corpo. A situação dolorosa que a alma experimenta nesse momento é em razão da soma dos pontos de contato que existem entre o corpo e o perispírito e da maior ou menor dificuldade e lentidão que apresenta a separação. Não é preciso então se dizer que, segundo as circunstâncias, a morte pode ser mais ou menos penosa”. __ Colocamos inicialmente, como princípio, as quatro circunstâncias seguintes, que podem ser observados como situações extremas, entre as quais há uma infinidade de nuances: Se no momento da extinção da vida orgânica, o desligamento do perispírito estivesse completamente operado, a alma não sentiria absolutamente nada. Se nesse momento a coesão dos dois elementos está em toda sua força. Se a coesão for fraca, a separação é fácil e se opera sem abalo. Se, após a cessação completa da vida orgânica, existisse ainda numerosos pontos de contato entre o corpo e o perispírito, a alma poderia sentir, até que os laços estivessem totalmente rompidos, os efeitos da decomposição do corpo e com mais forte razão as chamas em caso de incineração do corpo. Do acima, resulta que o sofrimento que acompanha a morte está subordinado à força de aderência que une o corpo e o perispírito; que, para ajudar a diminuição dessa força e a rapidez do desligamento, tudo o que pode ser feito for operado sem nenhuma dificuldade, a alma não experimentará nenhuma sensação desagradável. Na passagem da vida corporal à vida espiritual, produz-se ainda um outro fenômeno de importância capital; é o da perturbação. Este ensinamento de Allan Kardec resulta de sua experiência mediúnica, das mensagens dos guias instrutores espirituais, de manifestações de espíritos no momento de seu desencarne e não, como o pretendiam certos detratores, de sua inteligência fértil. Temos a sublinhar que essas mensagens, como ele as teve, os grupos sérios continuam recebendo atualmente. A fonte não está seca.__ Não poderia deixar de ser dito que, quanto mais o espírito é evoluído espiritualmente ou elevado no plano moral, menos ele tem laços com seu corpo carnal e a separação se faz mais facilmente, sem choques e sem sofrimento. O caso mais rápido que conhecemos é aquele da partida de nossa fundadora, a irmã Maria Munoz; ela estava sentada sobre sua poltrona onde, impotente, passava seus dias, e deixou seu corpo escrevendo: « Viva a liberdade ». Evidentemente, ela se referia à liberdade espiritual. No retorno do enterro do corpo, os irmãos do grupo estavam reunidos na sua pequena barraca, ela tomou o médium falante e deu uma mensagem censurando inicialmente os irmãos lacrimosos por não haverem compreendido nada dos ensinamentos, pois que se lamentavam enquanto ela estava toda alegre de ser liberada desta prisão carnal que era seu corpo fatigado, e de se encontrar entre os irmãos espirituais que a acolheram no espaço. Ela tinha seguido o cortejo fúnebre andando ao lado de seus companheiros humanos e estava sabendo de tudo.__ Caso nos seja dado assistir à partida de irmãos no instante crucial, podemos ajudá-los dando passes fluídicos no corpo para facilitar o desligamento da alma. Uma prece, em tal momento, ajuda também a separação. As preces podem ser encontradas no livro de Allan Kardec "O Evangelho segundo o Espiritismo" (cap. 28): ‘prevendo sua morte próxima’ (40), ‘por um agonizante’ (57), ‘por alguém que acaba de morrer’ (59 a 61). Nós as assinalamos não por convicção religiosa, mas por experiência. Conhecemos a força e a eficácia do pensamento. O defunto, mesmo estando invisível ainda que presente na câmara mortuária (os médiuns videntes o vêem inconscientes ou semiconscientes), na sua perturbação, capta os pensamentos das pessoas da assistência. Espíritos têm se comunicado dizendo ouvir os cantos da cerimônia religiosa ou as preces da missa, ainda que ignorem que são para eles.__________ Um filósofo disse que o sono é uma pequena morte. __ É certo que durante o sono, abandonando o corpo em repouso, nosso espírito percorre o espaço para efetuar um certo trabalho durante um tempo mais ou menos longo. Geralmente não temos consciência disso. Algumas vezes, na hora de acordar, o sonhador pode guardar a lembrança de sua atividade espiritual; esse fenômeno é provocado por seu guia visando sua informação. Vários membros do Grupo têm vivenciado esta experiência. O fato de ver seu próprio corpo esticado, inerte, sobre a cama, produz um pequeno choque quando não se está habituado, porque pensamos que se trata da grande partida. __ Eis aqui um exemplo: Uma jovem médium estudante em meio católico se perguntava com certa angústia o que se pode sentir no momento da morte quando se tem medo desse evento. Seu guia espiritual provocou a seguinte experiência educativa, durante seu sono, que ela conta assim: "Estou estirada e experimento uma ânsia de vomitar em todas as partes de meu corpo: os cabelos, as unhas, os dedos, etc... e por três vezes alguma coisa me aspirou por toda parte. Na terceira aspiração alguma coisa se desligou e me encontrei de pé, meu corpo estando inerte diante de mim, aos meus pés. Penso: ”É isso a morte? A morte, não é ausência total de tudo“. Experimento a ânsia de partir e me volto para me afastar. Não vejo nada nem ninguém em torno de mim. Uma vontade superior à minha me ordena: "É preciso se reintegrar ao seu corpo". Recuso, mas esta vontade dominante se impõe. Sem saber como, encontro-me instantaneamente incorporada, com uma impressão muito forte de repugnância ao contato de meu corpo, desta carne. Recupero-me logo após." Esta má impressão de repugnância continuou a ser sentida durante várias semanas após esta experiência. De um outro ponto de vista, eis a descrição que fez uma testemunha espiritual da primeira fase de uma desencarnação à qual ele assistiu como espírito. A voz desconhecida que lhe deu explicações é a de seu guia espiritual. Esta narração é feita pela intermediação do médium falante em transe, irmão M.B.: "Assisti um dia à partida de uma alma no momento em que ela deixava seu corpo. Ela formava um vapor claro que se desligava lentamente e que eu distinguia perfeitamente. Percebi em seguida algo como um gás, mais sombrio, menos nítido, quase invisível, que era atraído pelo vapor, mas que, entretanto, permanecia ligado ao corpo. À medida que o vapor se afastava do corpo, esse gás se esticava, se alongava, mantendo sempre contato com o corpo. O vapor, retido por esta espécie de laço elástico voltava então, depois tentava de novo se desligar. Cada vez que se afastava, o sujeito parecia sofrer. Percebia-se isso por suas crises e suas lágrimas. O vapor voltava então para o corpo endurecido, mas não podia retomar contato, separado dele pelo gás. Observei esse fato com atenção perguntando-me o que isso significava até que o quadro mudou. O vapor, percebendo a presença de uma pessoa que ali se encontrava, se dilata, se desliga e por um fenômeno de condensação, toma a forma de um fantasma. Qual não foi minha surpresa ao reconhecer nela a mesma imagem daquela do corpo inanimado que permanecia estendido. O gás também estava se desunindo do corpo e envolvia agora o vapor saído do corpo inanimado que permanecia estendido com uma espécie de corda enlaçada. Observei isso perplexo até que escutei uma voz desconhecida me dando a seguinte explicação: "O vapor irá logo embora. O gás permanecerá enganchado durante algum tempo e depois desaparecerá por sua vez". Efetivamente, pouco depois, o fantasma se afasta e desaparece, levando com ele o gás sombrio, e não resta mais que o corpo imóvel e sem vida. Tinha guardado na minha memória a impressão da forma deste vapor. Ora, algum tempo após, veio a mim este mesmo vapor, sob o mesmo aspecto daquele sob o qual o havia visto. Reconheci-o imediatamente, e no mesmo instante percebo a matéria etérea que formava o gás se separar do vapor. Este se transforma aos nossos olhos, tomando logo a aparência de um homem que me dirige a palavra pela primeira vez nesses termos: « Sinto-me atraído para você, não sei porque. Pode me indicar a razão? » Eu mesmo ignorava esse fenômeno e sua causa, assim me era bem difícil dar-lhe a mínima explicação. Não sabendo o que responder, contei-lhe textualmente o que tinha visto quando ele deixou seu corpo material, omitindo todavia a repetição das palavras pronunciadas por não sei quem, que eu havia nitidamente percebido. Tive então a surpresa de ouví-lo me dar esta resposta: « Enfim, sinto-me aliviado. Se bem que não tivesse visto ninguém, o som de sua voz me fez bem. Há longo tempo que vivo em isolamento completo. Queria, entretanto, que me dissesse porque sua voz me atraiu, e como posso ouvi-lo sem o ver. » Estava desolado de não poder lhe dar a explicação desse fato que eu mesmo não compreendia. Queria lhe dar uma satisfação, a fim de apaziguar a tristeza que adivinhava nele, mas não sabia como me expressar. Escutei então a voz desconhecida me dizer: « Faça um apelo à sua memória; lembre-se da cena que você assistiu enquanto deixava a existência. Faça uma comparação com o que você mesmo passou e poderá lhe dar a explicação que ele pede. Não se deu conta da rapidez com a qual você se desloca? Como é que você pode fazer, quase que instantaneamente, tão longa viagem através o espaço? Jamais se fez esta pergunta? E acredita você que o som poderia atravessar o vazio, para além da atmosfera onde, entretanto, você consegue ir facilmente? Não! Além do mais o som não poderia te alcançar em seus deslocamentos vertiginosos. É então impossível à voz chegar até você, e se ouves pronunciar estas palavras, é uma falsa impressão. Em realidade, é o seu pensamento que percebe diretamente as radiações que um outro pensamento emite e você tem a impressão de ouvir. O pensamento é este vapor que você viu, é a alma mesmo, imaterial, imponderável, infinita, sem forma, que continua a viver e a trabalhar no espaço. Quando ela deseja se manifestar a outros espíritos, ela se envolve de seu invólucro semimaterial e toma a forma que tinha no momento de sua desencarnação. A alma pode então, por intermédio de seu envelope perispiritual, emitir vibrações que traduzem seu pensamento e que outros espíritos poderão captar e compreender. É o porque de você ter visto por duas vezes o espírito que acabou de lhe falar tomando a forma humana; o fato havia lhe intrigado então, você agora conhece a razão. Se a alma desejar se manifestar diretamente a um ser encarnado, ela se aproxima dele e atrai o pensamento desse ser; este, exteriorizando-se parcial ou totalmente, pode então captar as radiações do pensamento; ela tem então a sensação de ouvir uma voz, ainda que em realidade não haja nenhuma emissão de som. Durante esta exteriorização o corpo permanece animado por esse gás sombrio que você tem visto e que não o deixa. » Foi assim que pude ter uma luz sobre os fatos que me haviam intrigado fortemente porque sempre tenho procurado raciocinar e compreender os fenômenos aos quais me é dado assistir. Que a paz e o amor estejam sobre vocês meus irmãos!» Os estados da alma no momento da passagem são muito diversos. São as manifestações mediúnicas provocadas pelos guias que nos fazem conhecê-los. Os críticos religiosos gostam de nos lembrar a Lei: "Deixai os mortos enterrarem os mortos"; A11an Kardec já respondeu a esta objeção; mas quando sabemos a eficácia da ajuda que levamos àqueles que nos deixam, quanto esta objeção nos parece pueril e a Lei mal compreendida e mal interpretada. Compreender a diferença que há entre «evocar » e «invocar » é então uma necessidade. ________________________ Edição eletrônica original: Centre spirite Lyonnais Allan Kardec 23 rue Jeanne Collay 69500 BRON 04-78-41-19-03

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Todos nós mormuramos

Lá em cima, outros problemas me atraem. Para onde vão esses mundos inumeráveis? Em virtude de que forças se movem, se procuram no seio do insondável abismo? Sempre, no fundo de tudo, surge o pensamento de Deus, energia eterna, eterno amor! A mão que dirige os astros na extensão, escreveu ali um nome, em letras de fogo! Todos esses mundos conhecem seu trilho, sua missão sagrada; prosseguem infalivelmente. Sabem que representam um papel no plano divino, e a este se associam estreitamente. Todo o segredo da Natureza está nisso. Os mares, as florestas e as montanhas não dizem outra coisa. A Via-Láctea, que desenrola através do Espaço sua poeira de mundos; os cedros gigantescos, que estendem seus longos ramos acima dos precipícios; a flor, que se expande aos beijos do Sol; tudo nos murmura: É a Ele que devemos o ser; é por Ele que vivemos e morremos!

domingo, 23 de novembro de 2014

Esquecimento e reencarnação

"Aos poucos o Espírito reencarnado retoma a herança de si mesmo, reencontrando as pessoas e as circunstâncias, as simpatias e as aversões, as vantagens e dificuldades com as quais se ache afinizado ou comprometido..." Examinando o esquecimento temporário do pretérito, no campo físico, importa considerar cada existência por estágio de serviço em que a alma readquire, no mundo, o aprendizado que lhe compete. Surgindo semelhante período, entre o berço que lhe configura o início e o túmulo que lhe demarca a cessação, é justo aceitar-lhe o caráter acidental, não obstante se lhe reconheça a vinculação à vida eterna. É forçoso, então, ponderar o impositivo de recurso e aproveitamento, tanto quanto, nas aplicações da força elétrica, é preciso atender ao problema de caráter e condução. Encetando uma nova existência corpórea, para determinado efeito, a criatura recebe, desse modo, implementos cerebrais completamente novos, no domínio das energias físicas,e, para que se lhe adormeça a memória, funciona a hipnose natural como recurso básico, de vez que, em muitas ocasiões, dorme em pesada letargia, muito tempo antes de acolher-se ao abrigo materno. Na melhor das hipóteses, quando desfruta grande atividade mental nas esferas superiores, só é compelido ao sono, relativamente profundo, enquanto perdure a vida fetal. Em ambos os casos, há prostração psíquica nos primeiros sete anos de tenra instrumentação fisiológica dos encarnados, tempo em que se lhes reaviva a experiência terrestre. Temos, ainda, mais ou menos três mil dias de sono induzido ou hipnose terapêutica, a estabelecerem enormes alterações nos veículos de exteriorização do Espírito, as quais, acrescidas às conseqüências dos fenômenos naturais de restringimento do corpo espiritual, no refúgio uterino, motivam o entorpecimento das recordações do passado, par que se avalie a mente na direção de novas conquistas. E, como todo esse tempo é ocupado em prover-se a criança de novos conceitos e pensamentos acerca de si própria, é compreensível que a criatura desperte na adolescência como alguém que fosse longamente hipnotizado para fins edificantes, acordando, gradativamente, na situação transformada em que a vida lhe propõe a continuidade do serviço devido à regeneração ou à evolução clara e simples. E isso, na essência, é o que verdadeiramente acontece, porque, pouco a pouco, o Espírito reencarnado retoma a herança de si mesmo, na estrutura psicológica do destino, reavendo o patrimônio das realizações e das dívidas que acumulou, a se lhe regravarem no ser, em forma de tendências inatas, e reencontrando as pessoas e as circunstâncias, as simpatias e as aversões, as vantagens e dificuldades, com as quais se ache afinizado ou comprometido. Transfigurou-se, então, a ribalta, mas a peça contínua. A moldura social ou doméstica, muitas vezes, é diferente, mas, no quadro de trabalho e da luta, a consciência é a mesma, com a obrigação de aprimorar-se ante a bênção de Deus, para a luz da imortalidade. (Do livro "Religião dos Espíritos", 45, pelo Espírito Emmanuel, Francisco C. Xavier)________________________________________________________

Dívida de amor

Emmanuel Francisco Cândido Xavier "Portanto, dai a cada um o que deveis; a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra." - Paulo. (Romanos, 13:7.) Todos nós guardamos a dívida geral de amor uns para com os outros, mas esse amor e esse débito se subdividem, através de inúmeras manifestações. A cada ser, a cada coisa, paisagem, circunstância e situação, devemos algo de amor em expressão diferente. A criatura que desconhece semelhante impositivo não encontrou ainda a verdadeira noção de equilíbrio espiritual. Valiosas oportunidades iluminativas são relegadas, pelas almas invigilantes, à obscuridade e à perturbação. Que prodigioso Éden seria a Terra se cada homem concedesse ao próximo o que lhe deve por justiça! O homem comum, todavia, gravitando em torno do próprio "eu", em clima de egoísmo feroz, cerra os olhos às necessidades dos outros. Esquece-se de que respira no oxigênio do mundo, que se alimenta do mundo e dele recebe o material imprescindível ao aperfeiçoamento e à redenção. A qualquer exigência do campo externo, agasta-se e irritar-se, acreditando-se o credor de todos. Muitos sabem receber, raros sabem dar. Por que esquivar-se alguém aos petitórios do fragmento de terra que nos acolhe o espírito? por que negar respeito ao que comanda, ou atenção ao que necessita? Resgata os títulos de amor que te prendem a todos os seres e coisas do caminho. Quanto maior a compreensão de um homem, mais alto é o débito dele para com a Humanidade; quanto mais sábio, mais rico para satisfazer aos impositivos de cooperação no progresso universal. Não te iludas. Deves sempre alguma coisa ao companheiro de luta, tanto quanto à estrada que pisas despreocupadamente. E quando resgatares as tuas obrigações, caminharás na Terra recebendo o amor e a recompensa de todos. (Do livro “Vinha de Luz”, Emmanuel, Francisco Cândido Xavier)_________________________________________________________________________________

sábado, 18 de outubro de 2014

O Universo inteiro está submetido à lei da solidariedade

Todos os seres estão ligados uns aos outros e se influenciam reciprocamente: O Universo inteiro está submetido à lei da solidariedade. Os mundos nas profundezas do éter, os astros que, a milhares de léguas de distância, entrecruzam seus raios de prata, conhecem-se, chamam-se e respondem-se. Uma força, que denominamos atração, os reúne através dos abismos do Espaço. De igual maneira, na escala da vida, todas as Almas estão unidas por múltiplas relações. A solidariedade que as liga funda-se em identidade de sua natureza, na igualdade de seus sofrimentos através dos tempos, na similitude de seus destinos e de seus fins. A exemplo dos astros dos céus, todas essas Almas se atraem. A Matéria exerce sobre o Espírito seus poderes misteriosos. Qual Prometeu sobre sua rocha, ela o encadeia aos mundos obscuros. A Alma humana sente todas as atrações da vida inferior; ao mesmo tempo percebe os chamados do Alto. Nessa penosa e laboriosa evolução que arrasta os seres, há um fato consolador sobre o qual é bom insistir: em todos os graus de sua ascensão, a Alma é atraída, auxiliada, socorrida pelas entidades superiores. Todos os Espíritos em marcha são auxiliados por seus irmãos mais adiantados e devem auxiliar, por sua vez, todos os que lhes estão abaixo. Cada individualidade forma um anel da grande cadeia dos seres. A solidariedade que os liga pode muito bem restringir um tanto a liberdade de cada um; mas, se esta liberdade é limitada em extensão, não o é na intensidade. Por mais limitada que seja a ação do anel, um só de seus impulsos pode limitar toda a cadeia. É maravilhosa essa fecundação constante do mundo inferior pelo mundo superior. Daí vêm todas as intuições geniais, as inspirações profundas, as revelações grandiosas. Em todos os tempos, o pensamento elevado irradiou no cérebro humano. Deus, em sua eqüidade, nunca recusou seu socorro nem sua luz a raça alguma, a povo algum. A todos tem enviado guias, missionários, profetas. A verdade é uma e eterna; ela penetra na Humanidade por irradiações sucessivas, à medida que nosso entendimento se torna mais apto para assimilá-la. Cada revelação nova é continuação da antiga. É este o caráter do Espiritualismo moderno, que traz um ensino, um conhecimento mais completo do papel do ser humano, uma revelação dos poderes recônditos que ele possui e também de suas relações íntimas com o pensamento superior e divino. O homem, Espírito encarnado, tinha esquecido seu verdadeiro papel. Sepultado na matéria, perdia de vista os grandes horizontes de seu destino; desprezava os meios de desenvolver seus recursos latentes, de se tornar mais feliz, tornando-se melhor. A revelação nova lhe vem lembrar todas essas coisas. Vem despertar as Almas adormecidas, estimular sua marcha, provocar sua elevação. Ela ilumina os recônditos obscuros do nosso ser, diz nossas origens e nossos fins, explica o passado pelo presente e abre um porvir que temos a liberdade de tornar grande ou miserável, segundo nossos atos.________________________________________Leon Denis em O Grande Enigma.

domingo, 28 de setembro de 2014

Os Espíritos e Médiuns por Léon Denis

Depois de haver mostrado o grande papel da mediunidade, convém assinalar as dificuldades que existem em sua aplicação. Em primeiro lugar são escassos os bons médiuns, não porque lhes faltam faculdades notáveis, mas por ficarem logo sem utilidade prática por falta de estudos sérios e profundos. Muitos médiuns se escondem nos círculos íntimos, nas reuniões familiares, ao abrigo das exigências exageradas e dos contatos desagradáveis. Quantas jovens de organismo delicado, quantas senhoras que conhecemos, retraídas pelo temor à crítica e às más línguas, afogam e perdem bonitas faculdades medianímicas por não empregá-las bem, com uma boa direção! Os adversários do Espiritismo sempre se dedicaram a denegrir médiuns, acusando-os de fraude, procurando fazê-los passar por neuróticos e tratando, por todos os meios, de desviá-los de sua missão; sabendo que o médium é condição essencial dos fenômenos, esperam, desse modo, destruir o Espiritismo em seu alicerce. É importante que façamos fracassar essa tática e, para isso, temos de dar ânimo e ajuda aos médiuns, rodeando o exercício de suas faculdades de todas as precauções necessárias. A guerra ceifou milhões de vidas em plena juventude e virilidade. As epidemias, os açoites de todas as classes, deixaram enormes vazios no seio das famílias. Todos esses espíritos tratam de se manifestar àqueles a quem amaram na Terra, para provar-lhes seu afeto, sua ternura, para secar suas lágrimas, para acalmar suas dores. Por outra parte, as mães, as viúvas, as noivas, os órfãos, todos estendem suas mãos e seus pensamentos para o céu, na angustiosa espera de notícias de seus mortos, ávidos de recolher provas de sua presença, testemunhos de sua sobrevivência. Quase todos possuem faculdades latentes e ignoradas que poderiam permitir-lhes estabelecer relações com seus mortos. Por todas as partes existem possibilidades de se estabelecer um elo entre essas duas multidões de seres que se buscam, se atraem e desejam fundir seus sentimentos e seus corações em uma comum harmonia. O Espiritismo e a mediunidade são os únicos que podem realizar essa doce e santa comunhão e trazer, a todos, a paz, a serenidade da alma que dá fortaleza e convicção. É sobretudo entre essas vítimas da guerra cruel, no seio do povo, entre os humildes, os pequenos, os modestos, que se há de buscar os recursos psíquicos que permitam aos nossos amigos do espaço proporcionar-nos provas da persistência de sua vitalidade e da nossa reunião futura. Quantas faculdades dormem silenciosamente no fundo desses seres, esperando a hora de florescer, de produzir frutos de verdade e de beleza moral! Neste aspecto, grande é a tarefa que cabe aos espíritos esclarecidos, aos abnegados crentes, aos apóstolos da grande doutrina. Seu dever é sacudir a indiferença de uns, a apatia de outros, ir ao encontro de todos esses agentes obscuros da obra de renovação, instruí-los, pôr em ação os recursos escondidos, as riquezas insuspeitadas que possuem e conduzi-los ao fim assinalado. Para cumprir essa tarefa, há que se possuir ciência e fé. Graças a esta última, e por análogos procedimentos, os apóstolos dos primeiros tempos do Cristianismo suscitaram ao seu redor “os milagres” e, com eles, o entusiasmo religioso que devia transformar a face do globo. Em nossos dias, é necessário não somente a fé ardente, mas também o conhecimento das leis precisas que regem os mundos visível e invisível com o fim de facilitar sua harmonia, sua recíproca interpretação, separando da experimentação os elementos de erros, de perturbação e de confusão. Com um adestramento gradual, veremos ampliar-se o círculo das percepções e das sensações psíquicas, e ficará evidenciada a mais imponente certeza da perenidade do princípio vital que nos anima. A alma humana aprenderá a conhecer as sombras e os esplendores do Mais-Além e, neste conhecimento, achará uma trégua para suas dores e um manancial de força na desgraça em frente à morte.

Natureza da Mediunidade

Chama-se mediunidade, o conjunto de faculdades que permitem ao ser humano comunicar-se com o Mundo Invisível. O médium desfruta, por antecipação, dos meios de percepção e de sensação que pertencem mais à vida do espírito que à do homem, por isso tem o privilégio de servir de traço de união entre eles. Temos que ver nesse estado o resultado da lei de evolução e não um efeito regressivo, uma tara, como crêem certos fisiologistas, que comparam os médiuns a histéricos e enfermos. Esse equívoco provém do fato de a grande sensibilidade e a impressionabilidade de certos médiuns provocar em seu organismo físico perturbações sensoriais e nervosas; mas esses casos são exceções, que seria errado generalizar, porque a maioria dos médiuns possui boa saúde e um perfeito equilíbrio mental. Toda extensão das percepções da alma é uma preparação para uma vida mais ampla e mais elevada, uma saída aberta a um horizonte mais vasto. Sob este ponto de vista, as mediunidades, em conjunto, representam uma fase transitória entre a vida terrestre e a vida livre do espaço. O primeiro fenômeno desse gênero, que chamou a atenção dos homens, foi o da visão. Por ela se revelaram, desde a origem dos tempos, a existência do mundo do Além e a intervenção, entre nós, das almas dos mortos. Estas manifestações, ao se repetirem, deram nascimento ao culto dos espíritos, ponto de partida e base de todas as religiões. Depois, as relações entre os habitantes da Terra e do Espaço se estabeleceram das mais diversas e variadas formas, que se foram desenvolvendo através dos tempos, sob diferentes nomes, mas todas partem de um único princípio. Por meio da mediunidade sempre existiu um laço entre ambos os mundos, uma via traçada pela qual a alma humana recebia revelações, gradualmente mais elevadas, acerca do bem e do dever, luzes cada vez mais vivas sobre seus destinos imortais. Os grandes espíritos, por motivo de sua evolução, adquirem conhecimentos progressivamente mais amplos e se convertem em instrutores, em guias dos humanos cativos na matéria. A autoridade e o prestígio de seus ensinamentos ficam realçados ainda mais pelas profecias, pelas previsões que os precedem ou os acompanham. Em outra parte estudamos, detalhadamente, os diferentes gêneros de mediunidade e os fenômenos que produzem. Então pode-se ver como se estabeleceu a comunicação dos vivos e dos mortos; como se constitui essa fronteira ideal onde as duas humanidades, uma visível e a outra invisível, entram em contato; como, graças a essa penetração, se estende e se esclarece nosso conhecimento da vida futura, a noção que possuímos das leis morais que a regem, com todas as suas conseqüências e suas sanções. Por todos os procedimentos medianímicos, os espíritos superiores se esforçam em trazer a alma humana das profundidades da matéria para as altas e sublimes verdades que regem o Universo, para que se revistam dos altos fins da vida e encarem a morte sem terror, para que aprendam a desprender-se dos bens passageiros da Terra e prefiram os bens imperecíveis do espírito. A alma não pode achar harmonia senão no conhecimento e na prática do bem, e somente dessa harmonia é que flui, para ela, a felicidade. Aos espíritos superiores se unem as almas amigas dos parentes mortos, cuja solicitude continua estendendo-se sobre nós, assistindo-nos em nossas dolorosas lutas contra a adversidade e contra o mal. Assim, a mediunidade bem exercida se converte em um manancial de luzes e consolos. Por seu intermédio, as vozes do Alto nos dizem: “Escutai nossas chamadas; vós que buscais e chorais não estais abandonados... Temos sofrido para lograr estabelecer um meio de comunicação entre o vosso mundo esquecido e o nosso mundo de recordações. A mediunidade já não se verá enxovalhada, menosprezada, maldita, porque os homens já não poderão desconhecê-la. Ela é o único laço possível entre os vivos e nós, a quem nos chamam mortos. Esperai, não deixaremos fechar-se a porta que temos entreaberta para que, em meio às vossas dúvidas e vossas inquietudes, possais entrever as claridades celestes.”__________________________________________________________Léon Denis em Os Espíritos e Médiuns

domingo, 21 de setembro de 2014

O pensamento da morte

Muitas vezes, nos momentos críticos, o pensamento da morte vem visitar-nos. Não é repreensível o solicitar a morte; ela, porém, só é realmente desejável quando se triunfa de todas as paixões. Para que desejar a morte, quando, não estando ainda curados os nossos vícios, precisamos novamente voltar para nos purificarmos em penosas encarnações? Nossas faltas são como túnica de Nesso apegada ao nosso ser, e de que somente nos poderemos desembaraçar pelo arrependimento e pela expiação. A dor reina sempre como soberana sobre o mundo; todavia, um exame atento mostra-nos com que sabedoria e previdência a vontade divina regulou os seus efeitos. Gradativamente, a Natureza encaminha-se para uma ordem de coisas menos terrível, menos violenta. Nas primeiras idades do nosso planeta, a dor era a única escola, o único aguilhão para os seres. Mas, pouco a pouco, atenua-se o sofrimento; males medonhos – a peste, a lepra, a fome – desaparecem. Já os tempos em que vivemos são menos ásperos do que os do passado. O homem domou os elementos, reduziu as distâncias, conquistou a Terra. A escravidão não mais existe. Tudo evolve, tudo progride. Lentamente, mas com segurança, o mundo e a própria Natureza aprimoram-se. Tenhamos confiança na potência diretora do Universo. Nosso espírito acanhado não poderia julgar o conjunto dos meios de que ela se serve. Só Deus tem noção exata dessa cadência rítmica, dessa alternativa necessária da vida e da morte, da noite e do dia, da alegria e da dor, de que se destacam, finalmente, a felicidade e o aperfeiçoamento das suas criaturas. Deixemos-lhe, pois, o cuidado de fixar a hora da nossa partida e esperemo-la sem desejá-la e sem temê-la. ____________________________________Léon Denis em O Caminho Reto________________________________________

domingo, 31 de agosto de 2014

Evangelização Espírita e a “Febre das Almas Gêmeas”

Em 1981, procuramos correlacionar vacinação infantil com evangelização. Recebemos críticas. Alguns não concordavam com o termo “evangelização”. Pensando na criança, raciocinei que isso não lhe afetaria o estímulo imunogênico em se tratando de resposta de sistema específico. Não perdemos tempo discutindo a questão. Naquela oportunidade afirmamos, sem medo de críticas, que “A criança evangelizada seria o homem vacinado do futuro e mesmo diante de um mundo imediatista e atribulado responderia favoravelmente à atmosfera estressante das grandes metrópoles.” ( 1 ) Comentamos ainda que “a criança vacinada, mesmo que possa sofrer o processo de agressão microbiana e ficar doente, dispõe de resistência que acarreta quadro clínico mais brando e cura em tempo menor.” Vinte anos depois (2001), já aposentado, diante de um caso clínico no Hospital Universitário, pude observar que uma pessoa vacinada pode realmente adoecer, mas resistir e se curar (2). A paciente iniciou o episódio imediatamente após participação em uma reunião com profissionais europeus durante cinco dias consecutivos, no Rio de Janeiro. Ela declarou ter sido submetida ao esquema completo de imunização na infância e a doses de reforço dois anos antes da doença. Na era da vacinação, indivíduos adultos podem ainda apresentar-se potencialmente susceptíveis a doença. Vou abusar da analogia lembrando um caso dito de “almas gêmeas”. Testemunhei “quadro clínico” onde o paciente reencontra amor de vida passada. Toda aquela paixão vivenciada anteriormente se lhe aflora. Um verdadeiro vazamento do passado no presente. O paciente, dirigente de Casa Espírita, havia sido apresentado aos ensinamentos de Jesus (“evangelizado” – defesa de dentro para fora). Diante da paixão revivida o sistema de defesa “espiritual” é acionado e se estabelece a “guerra psico-imunológica”. Em alguns casos é necessário reforço de fora para dentro, como antibióticos e soroterapia (desobsessão). Na era da evangelização, indivíduos espíritas adultos podem ainda apresentar-se potencialmente susceptíveis a epidemia de “febre das almas gêmeas”. Com a escala de valores modificada na infância, pelo processo de evangelização, o paciente resiste e, aos poucos, a idéia de abandonar a mulher e os filhos e se jogar na nova (velha) empreitada foi sendo debelada, até que finalmente, caindo em si, a febre desaparece. No artigo de 1981, terminamos comentando que “estabelecer um serviço de imunização infantil eficaz e permanente é, para qualquer país, dar um passo adiante no sentido do desenvolvimento social e econômico; estabelecer-se uma campanha nacional permanente de evangelização infanto-juvenil é anunciar a era nova. É lançar as bases para que o país venha a assumir o seu destino de coração do mundo, verdadeiro celeiro de amor. “ Quando escrevi este artigo (1) meus filhos, quatro, passavam pelo processo de evangelização na Casa Espírita. Hoje estão casados e com filhos. Creio que a amostragem é pequena, o exemplo não é adequado, mas a observação foi feita “in loco” . Seus comportamentos apontam na direção do “homem de bem” e estão conseguindo vencer suas “febres”. Não sei se assim seria se não fosse a ação evangelizadora que vivenciaram. Ela é responsabilidade dos pais. O Centro Espírita é adjuvante. “Quando a gente ama é claro que a gente cuida”. Orai e vigiai, afinal, quem não tem a sua “alma gêmea”!-------------------------------------------------------- Fonte – http://orebate-jorgehessen.blogspot.com/2011/03/evangelizacao-espirita-e-febre-das.html

Renovação

Desligando-me dos laços Inferiores que me prendiam às atividades terrestres, elevado entendi¬mento felicitou-me o espírito. Semelhante libertação, contudo, não se fizera espontânea. Sabia, no fundo, quanto me custara abandonar a paisagem doméstica, suportar a incompreensão da esposa e a divergência dos filhos amados. Guardava a certeza de que amigos espirituais, abnegados e poderosos, me haviam auxiliado a alma pobre e imperfeita, na grande transição. Antes, a inquietude relativa à companheira torturava-me incessantemente o coração; mas, agora, vendo-a profundamente identificada com o segundo marido, não via recurso outro que procurar diferentes motivos de interesse. Foi assim que, eminentemente surpreendido, observei minha própria transformação, no curso dos acontecimentos. Experimentava o júbilo da descoberta de mim mesmo. Dantes, vivia à feição do caramujo, segregado na concha, impermeável aos grandiosos espetáculos da Natureza, rastejando no lodo. Agora, entretanto, convencia-me de que a dor agira em minha construção mental, à maneira do alvião pesado, cujos golpes eu não entendera de pronto. O alvião quebrara a concha de antigas viciações do sentimento. Libertara-me. Expusera-me o organismo espiritual ao sol da Bondade Infinita. E comecei a ver mais alto, alcançando longa distância. Pela primeira vez, cataloguei adversários na categoria de benfeitores. Comecei a frequentar, de novo, o ninho da família terrestre, não mais como senhor do círculo doméstico, mas como operário que ama o trabalho da oficina que a vida lhe de¬signou. Não mais procurei, na esposa do mundo, a companheira que não pudera compreender-me e abu a irmã a quem deveria auxiliar, quanto estivesse em minhas forças. Abstive-me de encarar o segundo marido como intruso que modificara meus propósitos, para ver apenas o irmão que necessitava o concurso de minhas experiências. Não voltei a considerar os filhos propriedade minha e sim companheiros muito caros, aos quais me competia estender os benefícios do conhecimento novo, am¬parando-os espiritualmente na medida de minhas possibilidades. Compelido a destruir meus castelos de exclusivismo injusto, senti que outro amor se instalava em minhalma. Órfão de afetos terrenos e conformado com os desígnios superiores que me haviam traçado diverso rumo ao destino, comecei a ouvir o apelo pro¬fundo e divino, da Consciência Universal. Somente agora, percebia quão distanciado vi¬vera das leis sublimes que regem a evolução das criaturas. A Natureza recebia-me com transportes de amor. Suas vozes, agora, eram muito mais altas que as dos meus interesses isolados. Conquistava, pouco a pouco, o júbilo de escutar-lhe os ensinamentos misteriosos no grande silêncio das coisas. Os elementos mais simples adquiriam, a meus olhos, extraordinária significação. A colônia espiritual, que me abrigara generosamente, revelava novas expressões de indefinível beleza. O rumor das asas de um pássaro, o sussurro do vento e a luz do Sol pareciam dirigir-se à minhalma, enchendo-me o pensamento de prodigiosa harmonia. A vida espiritual, inexprimível e bela, abrira-me os pórticos resplandecentes. Até então, vivera em “Nosso Lar” como hóspede enfermo de um palácio brilhante, tão extremamente preocupado comigo mesmo, que me tornara incapaz de anotar deslumbramentos e maravilhas. A conversação espiritualizante tornara-se-me indispensável. Aprazia-me, antigamente, torturar a própria alma com as reminiscências da Terra. Estimava as narrativas dramáticas de certos companheiros de luta, lembrando o meu caso pessoal e embriagando-me nas perspectivas de me agarrar, novamente, à parentela do mundo, valendo-me de laços inferiores. Mas agora... perdera totalmente a paixão pelos assuntos de ordem menos digna. As próprias descrições dos enfermos, nas Câmaras de Retificação, figuravam-se-me desprovidas de maior interesse. Não mais desejava informar-me da procedência dos infelizes, não indagava de suas aventuras nas zonas mais baixas. Buscava irmãos necessita¬dos. Desejava saber em que lhes poderia ser útil. ---------------------------------------------------------------------------Os Mensageiros _ Francisco Cândido Xavier, ditado pelo espírito André Luiz

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Vem nos Trazer à luz...

Bendito seja oh ventre ... Que me acolhe em vida... Em chance Fraterna... Mãe doce mão amiga... Embalar meus passos... Que frutifiquem em luz... Numa família os passos... Qual nos ensinou Jesus... O gestar em esperança... Um sonho compartilhado... Nos passos de criança... Um caminho planejado... Num braço apoio seguro... De um Pai exemplo forte... Oh libertar assim procuro... Em lições que confortem... Caminho Fraterno em idade... Vividos em longos dias.. Nos faz nascer em caridade... Irmãos Pais Mães nossa família... _______________________________________________________________ Frei João Davi.______________ . por Fernando Magalhães

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Homossexualismo e espiritismo

O escritor espírita Hermínio Corrêa Miranda nos diz que "às vezes ficamos a desejar que os espíritos tivessem sido mais explícitos, ampliando suas exposições, especialmente em assuntos mais complexos e obscuros ao nosso entendimento". Homossexualismo é um desses assuntos. No afã de avançar considerações a respeito do tema, não raras vezes lemos autores bem intencionados interpretando os ensinamentos dos Espíritos Superiores de acordo com a conveniência. Tanto isso ocorre para a crítica negativa quanto para fazer luz em relação ao homossexualismo. Segundo esclarecem os Espíritos Superiores, o espírito não possui sexo. Pelo menos não como entendemos (é o que respondem no item 200 de O Livro dos Espíritos). E afirma Kardec em outro ponto: "(...) os sexos só existem no organismo. São necessários à reprodução dos seres materiais. Mas os Espíritos, sendo criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, razão por que os sexos seriam inúteis no mundo espiritual." (Revista Espírita, junho de 1862) Para que a evolução e o desenvolvimento do Espírito ocorram em plenitude, necessário se faz que o espírito tenha experiências reencarnando ora no sexo feminino, ora no sexo masculino. As experiências vividas durante longo tempo em um corpo masculino ou feminino podem explicar (mas não se limitam apenas a esse entendimento) o que alguns pesquisadores têm encontrado: homens com lado feminino e mulheres com lado masculino mais aflorado. Quando citamos "lados aflorados" dizemos no sentido da sensibilidade. O Espírito no corpo feminino é preparado para a missão mais sublime que é a maternidade. A conformação do corpo físico é o reflexo da necessidade do espírito para conseguir sentir e perceber a grandeza desta missão (ser mãe). O mesmo espírito que um dia foi um pai de família retorna em outra existência com a missão de ser mãe. As experiências ficam registradas no psiquismo. Quer dizer então que o homossexual é aquele que durante muitas encarnações optou por um gênero e ao reencarnar em outro ele ainda traz as tendências das experiências vividas no outro sexo? Não é só essa a definição. Aliás, a definição está "em construção". Nenhum estudo é conclusivo quanto ao homossexualismo. Conclui-se, na literatura examinada, que existe muito preconceito, inclusive na literatura espírita. No caso das reencarnações, estas explicariam em parte aquilo que seriam os conflitos vivenciados por alguns diante do contexto da homossexualidade, no entanto nem todos têm conflito. O Espiritismo não trata quem quer que seja com preconceito. Pelo contrário: existe ainda preconceito com relação ao Espiritismo e cabe aos profitentes esclarecer à medida do possível e com bom senso. Pesquisas realizadas pelo Dr. Jorge Andrea (autor do livro Forças sexuais da alma, editado pela FEB) apontam que todo humano traz energias sexuais masculinas e femininas em sua intimidade. Nesse sentido ainda encontramos Emmanuel discorrendo sobre a bissexualidade em Vida e sexo: "A vida espiritual pura e simples se rege por afinidades eletivas essenciais; no entanto, através de milênios e milênios, o Espírito passa por fileira imensa de reencarnações, ora em posição de feminilidade, ora em condições de masculinidade, o que sedimenta o fenômeno da bissexualidade, mais ou menos pronunciado, em quase todas as criaturas. O homem e a mulher serão, desse modo, de maneira respectiva, acentuadamente masculino ou acentuadamente feminina, sem especificações psicológicas absolutas." Andrei Moreira, em seu recente livro Homossexualidade sob a ótica do espírito imortal, encontrou na literatura espírita cinco possíveis motivadores para explicar essa experiência evolutiva (homossexualidade): 1) consequência natural do reflexo mental e emocional na vivência no mesmo sexo por muitas encarnações; 2) condição facilitadora da execução da missão espiritual; 3) situação provacional e expiacional decorrente do abuso das faculdades genésicas e do sentimento alheio; 4) reflexo mental condicionado decorrente de situações obsessivas; 5) condição reativa decorrente de processo educacional atual e/ou de traumas infantoadolescentes. O preconceito em torno do tema ainda é o mais delicado. O que fazemos com as forças sexuais da alma pode nos libertar ou aprisionar. Para nos libertar é necessário educação e disciplina ao entender os impulsos, tendências e desejos. O aprisionamento é fruto do uso desregrado dessas forças acarretando compromissos afetivos que podem durar muitas reencarnações. Istso ocorre independentemente da opção afetivo-sexual. Em capítulo dedicado à "Lei de Reprodução" em O Livro dos Espíritos, os Espíritos Superiores respondem a Allan Kardec sobre diversos temas. Falam sobre a população do globo, sucessão e aperfeiçoamento das raças, obstáculos à reprodução, casamento e celibato, poligamia. No entanto, nas obras de Kardec não há capítulo específico falando sobre o tema homossexualidade. Ainda assim, o que encontramos na literatura espírita é suficiente para inferirmos que o assunto ainda apresentará novos conceitos e contornos que gravitarão sobre a mesma problemática: esclarecer para se respeitar. Nesse esforço de tentar esclarecer novas polêmicas serão formadas e a chance de novas definições também. Ressaltamos que as discussões de "ideias" são sempre válidas. Vivemos em sociedade com o objetivo de evoluir. Allan Kardec comenta no item 768 de O Livro dos Espíritos: "Homem nenhum possui faculdades completas. Mediante a união social é que elas umas às outras se completam, para lhe assegurarem o bem-estar e o progresso. Por isso é que, precisando uns dos outros, os homens foram feitos para viver em sociedade e não insulados." Em outras palavras: não somos donos da verdade. Temos a oportunidade pelo estudo e o conhecimento doutrinário de obtermos respostas a muitos questionamentos. Precisamos fazer as perguntas certas... Tratemos todo assunto com o respeito que merece. Nem mais, nem menos. Aos espíritas cabe ainda outra reflexão: lidemos com as diferenças de opinião com serenidade, sabedoria e o coração voltado para o Mais Alto. Preparemo-nos ainda mais para compreendermos, aprimorando o dom de ouvir, e permitamos que haja espontaneidade da parte daqueles que nos procuram, seja no atendimento fraterno ou nos corredores das casas espíritas. Que a fraternidade nos embale! Caminhemos sem fechar questão, abertos ao aprendizado, mas com a certeza comum de que, em se tratando de sexo, o entendimento, o domínio das emoções e o esclarecimento formam forças poderosas em favor de todos._______________________________________________________________________________________________________
Fonte:http://www.feig.org.br/index.php/ddivulgacao/estudos-e-artigos/196-homossexualismo-e-espiritismo-reflexao

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Biografia de Timóteo

Junto ao espírito Erasto, ele disserta no item 225 de O livro dos médiuns, acerca do papel do médium nas comunicações. Dá-nos "Atos dos Apóstolos" a informação de que ele era filho de uma mulher judia e de pai gentio. Na obra psicografada por Francisco Cândido Xavier, "Paulo e Estevão", contudo, o espírito Emmanuel é pródigo em detalhes a respeito desse a quem Paulo de Tarso chamava de "amado filho na fé". 2 Quando Paulo chegou a Listra foi à casa de Lóide, recomendado pelo irmão daquela, que residia em Icônio. Viúva de um grego abastado, ela vivia em companhia de sua filha Eunice, também viúva e o neto adolescente de 13 anos. Recebidos Paulo e Barnabé, com inexcedível carinho, em casa de Lóide, naquela mesma noite o apóstolo tarsense pôde observar a ternura com que o rapazola fazia a leitura dos pergaminhos da Lei de Moisés e dos Livros Sagrados dos Profetas. Ao ouvir falar a respeito de Jesus, Timóteo, inteligente e de generosos sentimentos, demonstrou grande interesse, o que levou Paulo a acariciar-lhe a fronte pensativa, várias vezes. No dia seguinte, o rapaz passou a fazer inúmeras interrogações e, enquanto ele cuidava das cabras, Paulo aproveitou para conversar longamente a respeito da Boa Nova de que era portador. Alguns dias depois, Paulo fundou na cidade o primeiro núcleo do Cristianismo, em humilde casa. O pequeno Timóteo era quem auxiliava em todos os misteres, na recepção dos enfermos e demais necessitados, na ordem, na disciplina. Em uma das pregações públicas, Timóteo assistiu aterrado o amigo querido ser apedrejado pela população, incitada pelos administradores da pequenina cidade. Desejou intervir, salvando-o, mas prudentemente foi detido por companheiro ponderado que lhe fez ver a inconveniência de se expor, sem nada verdadeiramente poder fazer ante a multidão enfurecida e muito bem conduzida por mentes ardilosas. No entanto, é ele mesmo que, após acompanhar por vielas extensas, a turba exaltada depositar o corpo do Apóstolo no monturo, distante dos muros de Listra, se aproxima, na sombra da noite para socorrê-lo. Dispensa-lhe os primeiros socorros, buscando água fresca em poço próximo. Depois, banhado em lágrimas, fica ao seu lado, aguardando que desperte do profundo desmaio. Timóteo, oportunamente, passaria a acompanhar Paulo de Tarso em suas viagens, desejoso de se consagrar ao serviço de Jesus, iluminando o seu coração e a sua inteligência. A caminho da Macedônia, separaram-se ele e Lucas de Paulo, a pedido daquele, tornando a se encontrarem mais tarde. Para as viagens apostólicas, a fim de evitar as tricas judaicas e eventualmente provocar atritos nas suas tarefas iniciais, Timóteo submeteu-se, a conselho do próprio Paulo, à circuncisão, demonstrando a capacidade de ajustar-se ao que fosse necessário para servir a Jesus. Timóteo é convidado pelo apóstolo de Tarso a estar com ele, quando da redação das suas famosas epístolas, "cuja essência espiritual provinha da esfera do Cristo"1, e que não serviram somente para a comunidade para a qual foram escritas, mas à cristandade universal. Esteve com Paulo em Roma, quando este foi prisioneiro dos romanos. Seguiu-o até a Espanha, junto com Lucas e Demas. Demorou-se mais na região de Tortosa, visitou parte das Gálias, auxiliando na conquista de novos corações para o Cristo e multiplicando os serviços do Evangelho. Afeiçoado a Paulo, Timóteo foi por ele encarregado em mais de uma oportunidade, a levar mensagens para as comunidades cristãs nascentes. Assim, da Espanha partiu para a Ásia, carregado de cartas e recomendações amigas. Quando Paulo de Tarso retornou a Roma, a pedido de Simão Pedro, escreveria tomado de singulares emoções as últimas disposições ao filho do coração, Timóteo: "Apressa-te a vir ter comigo. (...) Só Lucas está comigo. (...) Quando vieres, traze contigo a capa que deixei em Trôade em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos. (...) Apressa-te a vir antes do inverno. (...)"2 Roga ainda os seus bons ofícios para que João Marcos venha a Roma, a fim de o auxiliar no serviço apostólico. Lucas é o encarregado de expedir a Epístola e percebe os lúgubres pressentimentos que tomam de assalto o velho Apóstolo. Em verdade, Timóteo não chegou a rever Paulo na vida física, mas guardou n'alma as suas últimas exortações: "Foge das paixões da juventude, segue a justiça, a fé, a esperança , a caridade e a paz com aqueles que invocam o Senhor com um coração puro.(...)" "Tu, pois, meu filho, fortifica-te na graça que está em Jesus-Cristo; e o que ouviste de mim, diante de muitas testemunhas, confia-o a homens fiéis, que sejam capazes de instruir também a outros.(...)" "Esforça-te por te apresentares a Deus digno de aprovação, como um operário que não tem de que se envergonhar, que distribui retamente a palavra da verdade. (...)" extraído do blog http://espnetjovem.blogspot.com.br/

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O auto-castigo (J. Herculano Pires)

Deus não castiga o suicida, pois é o próprio suicida quem se castiga. A noção do castigo divino é profundamente modificada pelo ensino espírita. Considerando-se que o Universo é uma estrutura de leis, uma dinâmica de ações e reações em cadeia, não podemos pensar em punições de tipo mitológico após a morte. Mergulhado nessa rede de causas e efeitos, mas dotado do livre arbítrio que a razão lhe confere, o homem é semelhante ao nadador que enfrenta o fatalismo das correntes de água, dispondo de meios para dominá-las. Ninguém é levado na corrente da vida pela força exclusiva das circunstâncias. A consciência humana é soberana e dispõe da razão e da vontade para controlar-se e dirigir-se. Além disso, o homem está sempre amparado pelas forças espirituais que governam o fluxo das coisas. Daí a recomendação de Jesus: “Orai e vigiai”. A oração é o pensamento elevado aos planos superiores – a ligação do escafandrista da carne com os seus companheiros da superfície – e a vigilância é o controle das circunstâncias que ele deve exercer no mergulho material da existência. O suicida é o nadador apavorado que se atira contra o rochedo ou se abandona à voragem das águas, renunciando ao seu dever de vencê-las pela força dos seus braços e o poder da sua coragem, sob a proteção espiritual de que todos dispomos. A vida material é um exercício para o desenvolvimento dos poderes do Espírito. Quem abandona o exercício por vontade própria está renunciando ao seu desenvolvimento e sofre as consequências naturais dessa opção negativa. Nova oportunidade lhe será concedida, mas já então ao peso do fracasso anterior. Cornélio Pires, o poeta caipira de Tietê, responde à pergunta do amigo através de exemplos concretos que falam mais do que os argumentos. Cada uma de nossas ações provoca uma reação da vida. A arte de viver consiste no controle das nossas ações (mentais, emocionais ou físicas) de maneira que nós mesmos nos castigamos ou nos premiamos. Mas mesmo no auto-castigo não somos abandonados por Deus, que vela por nós em nossa consciência.