segunda-feira, 21 de julho de 2014

Os Espíritos Influenciam os Nossos Pensamentos e Atos?

Para admitir a influência dos Espíritos é necessário aceitar a ideia de que há Espíritos e que estes sobrevivem à morte do corpo físico. A dúvida relativa à existência dos Espíritos tem como causa principal a ignorância acerca da sua verdadeira natureza. [...] Seja qual for a ideia que se faça dos Espíritos, a crença neles necessariamente se baseia na existência de um princípio inteligente fora da matéria.[1] Na verdade, os Espíritos exercem grande influência nos acontecimentos da vida. Essa influência pode ser oculta (sutil) ou claramente percebida. Pode ser boa ou má, fugaz ou duradoura. Não é nada miraculoso ou sobrenatural. Imaginamos erroneamente que a ação dos Espíritos só se deva manifestar por fenômenos extraordinários. Gostaríamos que nos viessem ajudar por meio de milagres e sempre os representamos armados de uma varinha mágica. Mas não é assim, razão por que nos parece oculta a sua intervenção e muito natural o que se faz com o concurso deles. Assim, por exemplo, eles provocarão o encontro de duas pessoas, que julgarão encontrar-se por acaso; inspirarão a alguém a ideia de passar por tal lugar; chamarão sua atenção para determinado ponto, se isso levar ao resultado que desejam, de tal modo que o homem, acreditando seguir apenas o próprio impulso, conserva sempre o seu livre-arbítrio.[2] A influência dos Espíritos é ocorrência comum, garantida pelos os princípios da sintonia mental, pois “(…) é no mundo mental que se processa a gênese de todos os trabalhos da comunhão de espírito a espírito”[3], ensina Emmanuel. Contudo, antes de ser estabelecida a sintonia entre duas mentes, ocorre os processos de afinidade intelectual ou moral, ou ambas, pois “o homem permanece envolto em largo oceano de pensamentos, nutrindo-se de substância mental, em grande proporção. Toda criatura absorve, sem perceber, a influência alheia nos recursos imponderáveis que lhe equilibram a existência. [4] E, mais, acrescenta o Benfeitor: A mente, em qualquer plano, emite e recebe, dá e recolhe, renovando-se constantemente para o alto destino que lhe compete atingir. Estamos assimilando correntes mentais, de maneira permanente. De modo imperceptível, “ingerimos pensamentos”, a cada instante, projetando, em torno de nossa individualidade, as forças que acalentamos em nós mesmos. [...] Somos afetados pelas vibrações de paisagens, pessoas e coisas que cercam. Se nos confiamos às impressões alheias de enfermidade e amargura, apressadamente se nos altera o “tônus mental”, inclinando-nos à franca receptividade de moléstias indefiníveis. Se nos devotamos ao convívio com pessoas operosas e dinâmicas, encontramos valioso sustentáculo aos nossos propósitos de trabalho e realização. (…).[1] [1] Francisco Cândido Xavier. Roteiro. Cap. 26, pág. 112. [1] Allan Kardec. O Livro dos Médiuns. Pt. 1, cap. I, it, 1, p. 21-22. [2]Idem. O Livro dos Espíritos. Q. 525-a-comentário, p. 352-353. [3] Francisco Cândido Xavier. Roteiro. Cap. 28, pág. 119. [4] Ibid. Cap. 26, pág. 111 Referências KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2ª ed.1ª reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro: FEB, 2009. XAVIER, Francisco Cândido. Roteiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Acusações contra à revelação Espírita - Léon Denis em O Problema do Ser, do Destino e da Dor

A Revelação Espírita levantou, como sucede com todas as doutrinas novas, muitas objeções e críticas. Ponderemos algumas. Acusam-nos, antes de tudo, de termos grande empenho em filosofar; acusam-nos de termos edificado, sobre a base de fenômenos, um sistema antecipado, uma doutrina prematura, e de havermos comprometido assim o caráter positivo do Espiritualismo moderno. Um escritor de valia, fazendo-se intérprete de um certo número de psiquistas, resumia as suas críticas nestes termos: “Uma objeção séria contra a hipótese espírita é a que se refere à filosofia com que certos homens demasiadamente apressados dotaram o Espiritismo. O Espiritismo, que apenas devia ser uma ciência no seu início, é já uma filosofia imensa para a qual o universo não tem segredos.” 26 Léon Denis – O Problema do Ser, do Destino e da Dor Poderíamos lembrar a esse autor que os homens de quem ele fala representaram em tudo isso simplesmente o papel de intermediários, limitando-se a coordenar e publicar os ensinamentos que recebiam por via mediúnica. Por outro lado, devemos notar, haverá sempre indiferentes, cépticos, espíritos retardados, prontos a achar que andamos com muita pressa. Não haveria progresso possível, se tivesse de esperar pelos retardatários. É deveras engraçado ver pessoas, cujo interesse por essas questões apenas data de ontem, darem regras a homens como Allan Kardec, por exemplo, que só se atreveu a publicar os seus trabalhos ao cabo de anos de investigações laboriosas e de maduras reflexões, obedecendo nisso a ordens formais e bebendo em fontes de informação das quais os nossos excelentes críticos nem sequer parecem ter idéia. Todos aqueles que seguem com atenção o desenvolvimento dos estudos psíquicos podem verificar que os resultados adquiridos vieram confirmar em todos os pontos e fortalecer cada vez mais a obra de Kardec. Friedrich Myers, o eminente professor de Cambridge, que foi durante vinte anos, diz Charles Richet, a alma da Society for Psychical Researches, de Londres, e que o Congresso oficial internacional de Psicologia de Paris elevou, em 1900, à dignidade de presidente honorário, declara nas últimas páginas de sua obra magistral, La Personnalité Humaine, cuja publicação produziu no mundo sábio uma sensação profunda: “Para todo investigador esclarecido e consciencioso essas indagações vão dar lugar, lógica e necessariamente, a uma vasta síntese filosófica e religiosa.” Partindo desses dados, consagra o capítulo décimo a uma “generalização ou conclusão que estabelece um nexo mais claro entre as novas descobertas e os esquemas já existentes do pensamento e das crenças dos homens civilizados”.24 Termina assim a exposição de seu trabalho: “Bacon previra a vitória progressiva da observação e da experiência em todos os domínios dos estudos humanos; em todos, exceto um: o domínio das coisas divinas. Empenho-me em mostrar que essa grande exceção não é justificada. Pretendo que existe um método para chegar ao conhecimento das coisas divinas com a mesma certeza, a mesma segurança com que temos alcançado os progressos que possuímos no conhecimento das coisas terrestres. A autoridade das igrejas será substituída, assim, pela da observação e experiência. Os impulsos da fé transformar-se-ão em convicções racionais e firmes, que darão origem a um ideal superior a todos os que a humanidade houver conhecido até esse momento.”

domingo, 18 de maio de 2014

Armadilhas

Texto de Ana Jácomo ________________________________________________________ Vamos combinar que, muitas vezes, não há segredo algum, inimigo algum, interrogação alguma, nenhuma entidade obsessora, além da nossa autossabotagem. A gente sabe que esticar a corda costuma encolher o coração, mas a gente estica… A gente sabe que nos trechos de inverno é necessário se agasalhar, mas a gente se expõe à friagem… A gente sabe que não pode mudar ninguém, que só podemos promover mudanças na nossa própria vida, mas a gente age como se esquecesse completamente dessa percepção tão sincera… A gente lembra os lugares de dor mais aguda e como foi difícil sair deles mas, diante de circunstâncias de cheiro familiar, a gente teima em não aceitar o óbvio, em não se render ao fluxo, em não respeitar o próprio cansaço… Eu pensava em todas essas armadilhas enquanto caminhava na Lagoa, um dia de céu de cara amarrada, um tiquinho de sol muito lá longe, tudo bem parecido comigo naquela manhã. Eu me perguntei por que quando mais precisamos de nós mesmos, geralmente mais nos faltamos… Que estranha escolha é essa que faz a gente alimentar os abismos quando mais precisa valorizar as próprias asas. Como conseguimos gostar tanto dos outros e tão pouco de nós? Eu me perguntei quando, depois de tanto tempo na escola, eu realmente conseguirei aprender, na prática, que o amor começa em casa. Por que, tantas vezes, quando estou mais perto de mim, mais eu me afasto? Eu me perguntei se viver precisa, de fato, ser tão trabalhoso assim ou se é a gente que complica, e muito. Como conseguimos ser tão vulneráveis, ao mesmo tempo que tão fortes? Somos humanos, é claro, mas ser humano é ser divino também. Eu não tenho muitas respostas e as que tenho são impermanentes, como os invernos, os dias de céu de cara amarrada, os lugares de dor, os abismos todos, o bom uso das asas, os fios desencapados, as medidas e as desmedidas. Tudo passa, o que queremos e o que não queremos que passe, a tristeza e o alívio coabitam no espaço desta certeza. Eu não tenho muitas respostas. O que eu tenho é fé. A lembrança de que as perguntas mudam. Um modo de acreditar que os tiquinhos de sol possam sorrir o suficiente para desarmar a sisudez nublada de alguns céus. E uma vontade bonita, toda minha, de crescer…

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Dos espaços majestosos...

Dos espaços majestosos, baixemos nossos olhares para a Terra. Apesar de suas proporções modestas, ela tem, sabemo-lo, seus encantos, sua beleza. Cada sítio tem sua poesia, cada paisagem sua expressão, cada vale seu sentido particular. A variedade é tão grande nos prados do nosso mundo quanto nos campos estrelados. O verão é o sorriso de Deus! Nada mais suave, mais inebriante do que a apoteose de um belo dia em que tudo é carícia, doçura, luz. A florinha escondida na relva, o peixe que se esgueira entre as águas, fazendo espelhar ao sol suas escamas de prata, o pássaro que modula suas notas do alto das ramadas, o murmúrio das fontes, a canção misteriosa dos álamos e dos olmeiros, o perfume selvagem dos musgos, tudo isso acalenta o pensamento, regozija o coração. Longe das cidades, encontra-se a calma profunda que penetra a Alma, separando-a das lutas e das decepções da vida. Só e então se compreende a verdade destas grandes palavras: “O ruído é dos homens, o silêncio é de Deus!”. A contemplação e a meditação provocam o despertar das faculdades psíquicas e, por elas, todo um mundo invisível se abre à nossa percepção. Ensaiei, no correr desta obra, exprimir as sensações experimentadas do alto dos cimos ou à borda dos mares, descrever o encanto dos crepúsculos e das auroras; a serenidade dos campos, sob o real esplendor do Sol, o prodigioso poema das noites estreladas, a sublimidade dos luares, o enigma das águas e dos bosques. Há momentos de êxtase em que a Alma se transporta fora do seu invólucro e abraça o Infinito; horas de intuição e entusiasmo, em que o influxo divino nos invade qual uma onda irresistível, em que o pensamento supremo vibra e palpita em nosso íntimo, onde brilha, por um instante, a centelha do gênio. Essas horas inolvidáveis eu vivi algumas vezes e, em cada uma delas, acreditei na visita, na penetração do Espírito. Devo-lhes a inspiração de minhas mais belas páginas e de meus melhores discursos. Aquele que se recolhe no silêncio e na solidão, diante dos espetáculos do mar ou das montanhas, sente nascer, subir, crescer em si mesmo imagens, pensamentos, harmonias que o arrebatam, encantam e consolam das terrestres misérias, e lhe abrem as perspectivas da vida superior. Compreende então que o pensamento de Deus nos envolve e nos penetra quando, longe das torpezas sociais, sabemos abrir-lhe nossas almas e nossos corações._________________________________________Léon Denis em O Grande Enigma

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sobre reuniões espíritas

Uma reunião é um ser coletivo cujas qualidades e propriedades são as dos seus membros, formando uma espécie de feixe. Ora, esse feixe será tanto mais forte quanto mais homogêneo. Se o Espírito for de qualquer maneira atingido pelo pensamento, como nós somos pela voz, vinte pessoas unidas numa mesma intenção terão necessariamente mais força que uma só. Mas para que todos os pensamentos concorram para o mesmo fim é necessário que vibrem em uníssono, que se confundam por assim dizer em um só, o que não pode se dar sem concentração. A concentração e a comunhão de pensamentos sendo as condições necessárias de toda reunião séria, compreende-se que o grande número de assistentes é uma das causas mais contrárias à homogeneidade. Não há, é certo, nenhum limite absoluto para esse número. Compreende-se que cem pessoas, suficientemente concentradas a atentas, estarão em melhores condições do que dez pessoas distraídas e barulhentas. Mas é também evidente que quanto maior o número, mais dificilmente se preenchem essas condições. Toda reunião espírita deve, pois, procurar a maior homogeneidade possível. Fonte: O Livro dos Médiuns (Cap. 29 – Reuniões e Sociedades)

domingo, 30 de março de 2014

O terceiro caso

O Terceiro caso envolve esplendia lição de vigilância e oração. Eu morava em Belo Horizonte e fui convidada por determinada casa espírita para presidir sessões de desenvolvimento de médiuns. Confesso não ser favorável a sessões de desenvolvimento de médiuns, senão as de caráter teórico, envolvendo tão somente a estudos. Mas, embora o conselho do Dr. Bezerra de Menezes tenha sido o que eu lá não fosse, considerei o convite muito gentil e, em respeito à amizade que voltava ao presidente da instituição, insisti em comparecer. Lembro-me bem de que Ra o dia de São Jorge, 23 de abril de 1957, numa terça feira, O horário da reunião era 19 horas. Ora estranhamente, durante o dia, não peguei no Evangelho, não fiz uma prece, absolutamente nada... Senti raiva o dia inteiro, sem saber de quê, o sem perceber o porquê; ao invés de estudar obras doutrinarias, fui costurar... Costurar roupa preta, diga-se mais... Durante o dia inteiro, vi um vulto preto ao meu lado.. e não desconfiei de nada. Por volta das cinco horas da tarde, fui preparar-me para ir, mais para noite, à instituição, e fui escolher logo um vestido preto para vestir ... Coloquei-o sobre o leito, com o intuito de chamar minha sobrinha , que era a dona da casa, porque a residência não poderia ficar aberta e sem ninguém em seu interior. A casa era de fundo, com um longo corredor de pedra e lajes pelo qual deveria eu passar. Quando comecei a penetrá-lo vi, perto de mim, um vulto que me pegou pelo pescoço, mais pela parte da nuca, arrastou-me e atirou-me, com uma força medonha, de encontro a um portão que abria para a rua. Levei um tombo verdadeiramente desastrado, e quando caí, ainda puder ver o espírito saltar por cima de mim (era uma mulher, com roupa de operaria, cheia de fiapos de algodão), e num gesto debochado e de pouco caso, com o indicador e o médio das duas mãos, lançar para traz as mechas de cabelos, seguir para a rua e sumir. Desnecessário dizer que fraturei o braço e tiver ocasião de ver-lhe contraparte fluídica. Comecei estonteadamente, a querer firmar-me para levantar, o que é óbvio, não consegui. Tive forças para chamar pelo marido de minha sobrinha e desfaleci. Contaram-me que fui levado para o pronto socorro. Isso tudo dia 23 de abril. No dia 27 do mesmo mês, estava eu orando, sentada numa cadeira de balanço, com o braço engessado, quando ouvi a voz do Dr. Bezerra , dizendo: - Minha filha, eu avisei a você que não fosse. Você sofreu o mínimo para não sofrer o máximo.Depois, concluí que a sessão a que iria presidir era pesadíssima > havia cento e vinte médiuns desenvolvendo faculdades. Eu não teria condições de enfrentar um trabalho desses. Em seguida, vi Charles, que veio buscar-me, e mostrou-me todas as cenas de “Nas voragens do pecado” (quando se trata de romances, costumo ver, por antecipação, todas as cenas). Consolei-me, conformei-me e compreendi que o acontecera comigo fora pura falta de oração e de vigilância. Sofri efetivamente o mínimo para não sofrer o máximo: esse máximo talvez fosse uma obsessão. __________________________________________________________________________________ Fonte: Pelos caminhos da Mediunidade Serena/ Yvone do Amaral Pereira – 1ª Ed., 1ª reimp. – São Paulo, SP: Lachâtre, 2007, pag.37-41.

Segundo caso

O segundo caso, material extraído do livro Pelos caminhos da mediunidade Serena não relatado nos dois livros já editados, passou-me em Juiz de Fora. Morava em um sobrado, dormindo num quarto que tinha duas sacadas que davam para a rua, e, uma noite, como fizesse intenso calor, dormi com as janelas abertas. Calculo que, pelas duas horas da madrugada, encontrei-me em semi-transe , vendo perfeitamente Charles no meio do quarto( o semi-transe propicia muito a lembranças do que se passa conosco durante o sono, porque, nele, vivemos duas vidas, tanto a do corpo como a do espírito) . Nessa ocasião conversei com Charles como o espírito mais belo que havia visto (foi quando reparei que ele traz no dedo anular um anel de médico). Pulei da cama, com extraordinária rapidez, para poder abraçá-lo; ele, porém recuou, não permitindo que eu concluísse meu intento. Colocou-se próximo à janela. Eu, então, avancei a direção à janela, com o que ele recuou ainda mais, ficando suspenso no ar. Eu, muito aflita, muito emocionada, debrucei-me sobre o peitoril... E acordei, sobre a sacada, inteiramente debruçadas... Fiquei muito desgostosa de não poder abraçá-lo, mas retornei ao leito, sem poder dormir de novo. Passados uns dez ou quinze minutos, ele volta – só lhe ouço a voz – e diz-me: -Minha filha levante e feche as janelas. E nunca mais durma com as janelas abertas, porque isso é muito perigoso para você.

Pelos caminhos da mediunidade Serena

Material extraído do livro
Em agosto de 1975, o extinto periódico carioca Obreiro do Bem, publicou mais uma entrevista de Yvone Pereira.. Obreiros do Bem: Poderia narrar-nos um ou alguns acontecimentos de sua mediunidade que não estejam contidos em Recordações da mediunidade e Devassando o invisível? Yvone Pereira: – De fato, há alguns acontecimentos bastante interessantes, um deles em especial, porque, até hoje, eu mesma não compreendo exatamente o que se passou. O Primeiro Caso: Eu havia lido no jornal a respeito do suicídio de uma moça de dezessete anos, ocorrido na estação Deodoro. A moça chamava-se Jurema, nome que ainda mantenho em meu caderno de preces, aos mais ou menos vinte anos. Essa moça, arrimo de família, por dificuldade da vida, atirou-se na frente de um comboio, na referida estação. Condoí-me profundamente, tomei-lhe o nome e principiei a orar. Uns dois meses depois eu fui convidada pelo Dr. Bezerra de Menezes (os guias espirituais não nos impõem em nada..) e, em corpo astral, vi-me na estação de Deodoro, como se esperasse o trem passar. Sobre a linha puder ver um vulto branco, uma espécie de forma humana, que estava como se fora uma massa sem ossos, algo muito esquisito, que não posso bem precisar. A moça, que reconheci ser Jurema, esta mais afastada, já desesperada... Quando o trem parasse, fui instruída a atirar-me na frente dele para retirar aquela massa, aquele volume e atirá-la sobre a moça. Foi o que fiz: quando o trem chegou lancei-me à sua frente, tomei daquele vulto e atirei-o sobre ela. Recordo=me ainda não se tratar de composição elétrica, porque senti perfeitamente a quentura da maquina em meu corpo, e acordei banhada de suor. Antes, porém , quando lancei sobre Jurema aquela massa, ela emitiu um grito, desesperada e desmaiou. Nada mais eu pude ver, senão que os espíritos, orientados pelo Dr. Bezerra, recolheram-na nos braços e afastaram-se. O que foi que peguei, não o sabe; até hoje não posso explicar esse fenômeno. Sei apenas que aconteceu um caso desses com Chico Xavier, que teve de mergulhar em uma lagoa, tirar esse tal volume, que estava ao lado de uma ossada, trazê-lo à superfície e lançá-lo sobre o espírito que estava em ânsias. Calculo que isso seja energia vital, è só o que posso dizer.

sábado, 1 de março de 2014

Palavras de um espírito

"Imaginai-vos viver no Espaço, num ambiente de azul celeste e de luz, envolvidos por um círculo de radiações que transmite o vosso pensamento tão distante quanto desejais. De repente, um apelo vos surge, uma atração se estabelece e vos aproximais do ponto de emissão. Por um momento, desejamos recair na vida social e reviver as aventuras de nossa última existência. Os pensamentos dos seres humanos nos atraem e, conforme a sua intensidade, sua elevação, aproximamo-nos mais facilmente do foco de onde eles emanam. Só precisamos retornar à corrente, o raio que nos atingiu, e nosso pensamento chega, fatalmente, até vós. Mas, esse raio, que deve se propagar no vácuo, não tem sempre uma regularidade suficiente, porque outras correntes, mais materiais, se entrecruzam e constituem outros entraves. Também, é preciso que os apelos que se elevam de cada lado tenham a força suficiente para manter, de um ponto ao outro, uma faixa fluídica que tem uma persistência, uma continuidade uniforme. É assim que a vossa evocação nos atinge: o vosso pensamento nos chega mais facilmente do que o nosso chega a vós, porque o vosso pedido nos toca diretamente, e faz vibrar todo o nosso ser desligado da matéria, enquanto que vós estais presos num espesso envoltório, que serve de refúgio a toda uma vida microscópica cujos fluidos são muito densos. Nosso pensamento, antes de penetrar no vosso cérebro, deve, com freqüência, contornar todo o vosso ser e, somente quando ele encontra um ponto vulnerável, é que aí chega e faz-lhe vibrar as células." _______________________________________________________________________________ Palavras de um espírito livro O Espiritismo e As Forças Radiantes Léon Denis

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O dever

O dever é o conjunto das prescrições da lei moral, a regra pela qual o homem deve conduzir-se nas relações com seus semelhantes e com o Universo inteiro. Figura nobre e santa, o dever paira acima da Humanidade, inspira os grandes sacrifícios, os puros devotamentos, os grandes entusiasmos. Risonho para uns, temível para outros, inflexível sempre, ergue-se perante nós, apontando a escadaria do progresso, cujos degraus se perdem em alturas incomensuráveis. O dever não é idêntico para todos; varia segundo nossa condição e saber. Quanto mais nos elevamos tanto mais a nossos olhos ele adquire grandeza, majestade, extensão. Seu culto é sempre agradável ao virtuoso e a submissão às suas leis é fértil em alegrias íntimas, inigualáveis. Por mais obscura que seja a condição do homem, por mais humilde que pareça a sua sorte, o dever domina-lhe e enobrece a vida, esclarece a razão, fortifica a alma. Ele nos traz essa calma interior, essa serenidade de espírito, mais preciosa que todos os bens da Terra e que podemos experimentar no próprio seio das provações e dos reveses. Não depende de nós desviar os acontecimentos, porque o nosso destino deve seguir os seus trâmites rigorosos; mas sempre podemos, mesmo através de tempestades, firmar essa paz de consciência, esse contentamento íntimo que o cumprimento do dever acarreta. Todos os Espíritos superiores têm profundamente enraizado em si o sentimento do dever; é sem esforços que seguem a própria rota. É por uma tendência natural, resultante dos progressos adquiridos, que se afastam das coisas vis e orientam os impulsos do ser para o bem. O dever torna-se, então, uma obrigação de todos os momentos, a condição imprescindível da existência, um poder ao qual nos sentimos indissoluvelmente ligados para a vida e para a morte. O dever oferece múltiplas formas: há o dever para conosco, que consiste em nos respeitarmos, em nos governarmos com sabedoria, em não querermos e não realizarmos senão o que for útil, digno e belo; há o dever profissional, que exige o cumprimento consciencioso das obrigações de nossos encargos; há o dever social, que nos convida a amar os homens, a trabalhar por eles, a servir fielmente ao nosso país e à Humanidade; há o dever para com Deus... O dever não tem limites. Sempre podemos melhorar. É, aliás, na imolação de si própria que a criatura encontra o mais seguro meio de se engrandecer e de se depurar. ________Léon Denis em O Caminho Reto

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Classes de espíritos maus

Há muitas classes de Espíritos maus? - Há os Espíritos simplesmente inferiores, tais como os Espíritos levianos, imperfeitos, zombeteiros, que nossos pais chamavam de duendes, os brincalhões, e que gostam de travessuras de toda espécie; depois há os Espíritos perversos, que induzem os homens ao mal, pelo prazer de fazer o mal, e os que, como os Espíritos batedores, habitam as casas mal-assombradas. Como vivem os Espíritos inferiores? - Numa vida inquieta e atormentada; eles percorrem, sem destino certo, as regiões crepusculares da erraticidade, sem poderem compreender seu estado, nem achar seu caminho: é o que se chama de almas penadas. Os Espíritos inferiores são nocivos? - Alguns o são; e sua má influência sobre os homens deu lugar à crença nos demônios. Os demônios, então, não existem? - Não; há maus Espíritos, porém os que são chamados de demônios, ou espíritos eternamente maus, não existem; nem o mal, nem os maus podem ser eternos. Como os homens podem entrar em relação com os maus Espíritos? - Por meio dos fluidos e em virtude da lei de afinidade espiritual: “Quem se assemelha, se ajunta.” Os maus Espíritos podem, então, exercer influência sobre os homens? - Sim. Sobre os homens maus, que os invocam, ou sobre os homens fracos, que se entregam a eles; daí os frequentes fenômenos da possessão e da obsessão. Que pensar do papel do demônio nas manifestações espíritas? - O demônio não existe e não pode existir, porque, se ele existisse, Deus não existiria; um exclui necessariamente o outro. Como assim? - Se o demônio é eterno como Deus, há dois seres eternos. Ora a coexistência de duas eternidades é impossível; ela seria uma contradição na ordem metafísica. Esses dois deuses, um do bem, outro do mal, lembram a teoria oriental dos dois princípios: é uma reminiscência do dualismo dos maniqueus. Se, ao contrário, o demônio é uma criatura de Deus, Deus se torna responsável diante da humanidade de todo o mal que o demônio tem feito e fará ainda, eternamente. É a mais clamorosa injúria que se possa fazer a Deus, pois que é negar sua justiça e sua bondade. Há maus Espíritos, já o dissemos acima, que impelem ao mal o homem que a ele é propenso; mas o demônio, considerado como a personificação individual do mal, não existe. Entretanto, a Igreja não ensina e afirma o caráter satânico de certas manifestações espíritas? - A Igreja tem uma única palavra para explicar o que não compreende: Satã. No decorrer dos séculos, a Igreja sempre atribui a Satã todas as invenções do gênio, desde a do vapor às da estrada de ferro e da eletricidade. Está em sua lógica habitual e em sua característica dizer que os fenômenos do magnetismo e as revelações espíritas são obra de Satã. Todavia, apesar dos anátemas da Igreja, a ciência progride, o gênio do homem evolui e o Espiritismo se tornará à fé universal do futuro. Retirado do livro 'Síntese Doutrinária' – Léon Denis

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Ante as portas livres

Ante as portas livres de acesso ao trabalho cristão e ao conhecimento salutar que André Luiz vai desvelando, recordamos prazerosamente a antiga lenda egípcia do peixinho vermelho. No centro de formoso jardim, havia grande lago, adornado de ladrilhos azul-turquesa. Alimentado por diminuto canal de pedra, escoava suas águas, do outro lado, através de grade muito estreita. Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de peixes, a se refestelarem, nédios e satis¬feitos, em complicadas locas, frescas e sombrias. Elegeram um dos concidadãos de barbatanas para os encargos de rei, e ali viviam, plenamente despreocupados, entre a gula e a preguiça. Junto deles, porém, havia um peixinho verme¬lho, menosprezado de todos. Não conseguia pescar a mais leve larva, nem refugiar-se nos nichos barrentos. Os outros, vorazes e gordalhudos, arrebatavam para si todas as formas larvárias e ocupavam, displicentes, todos os lugares consagrados ao descanso. O peixinho vermelho que nadasse e sofresse. Por isso mesmo era visto, em correria constante, perseguido pela canícula ou atormentado de fome. Não encontrando pouso no vastíssimo domicilio, o pobrezinho não dispunha de tempo para muito lazer e começou a estudar com bastante interesse. Fêz o inventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as bordas do poço, arrolou todos os buracos nele existentes e sabia, com precisão, onde se reuniria maior massa de lama por ocasião de aguaceiros. Depois de muito tempo, à custa de longas perquirições, encontrou a grade do escoadouro. A frente da imprevista oportunidade de aventura benéfica, refletiu consigo: — “Não será melhor pesquisar a vida e conhecer outros rumos?” Optou pela mudança. Apesar de macérrimo pela abstenção completa de qualquer conforto, perdeu várias escamas, com grande sofrimento, a fim de atravessar a passagem estreitíssima. Pronunciando votos renovadores, avançou, oti¬mista, pelo rego d’água, encantado com as novas paisagens, ricas de flores e sol que o defrontavam, e seguiu, embriagado de esperança ... Em breve, alcançou grande rio e fêz inúmeros conhecimentos. Encontrou peixes de muitas famílias diferentes, que com ele simpatizaram, Instruindo-o quanto aos percalços da marcha e descortinando-lhe mais fácil roteiro. Embevecido, contemplou nas margens homens e animais, embarcações e pontes, palácios e veículos, cabanas e arvoredo. Habituado com o pouco, vivia com extrema simplicidade, jamais perdendo a leveza e a agilidade naturais. Conseguiu, desse modo, atingir o oceano, ébrio de novidade e sedento de estudo. De Inicio, porém, fascinado pela paixão de observar, aproximou-se de uma baleia para quem toda a água do lago em que vivera não seria mais que diminuta ração; impressionado com o espetáculo, abeirou-se dela mais que devia e foi tragado com os elementos que lhe constituíam a primeira refeição diária. Em apuros, o peixinho aflito orou ao Deus dos Peixes, rogando proteção no bojo do monstro e, não obstante as trevas em que pedia salvamento, sua prece foi ouvida, porque o valente cetáceo começou a soluçar e vomitou, restituindo-o às correntes ma¬rinhas. O pequeno viajante, agradecido e feliz, pro¬curou companhias sim páticas e aprendeu a evitar os perigos e tentações. Plenamente transformado em suas concepções do mundo, passou a reparar as infinitas riquezas da vida. Encontrou plantas luminosas, animais estranhos, estrelas móveis e flores diferentes no seio das águas. Sobretudo, descobriu a existência de muitos peixinhos, estudiosos e delgados tanto quanto ele, junto dos quais se sentia maravilhosamente feliz. Vivia, agora, sorridente e calmo, no Palácio de Coral que elegera, com centenas de amigos, para residência ditosa, quando, ao se referir ao seu co-meço laborioso, veio a saber que somente no mar as criaturas aquáticas dispunham de mais sólida garantia, de vez que, quando o estio se fizesse mais arrasador, as águas de outra altitude continuariam a correr para o oceano. O peixinho pensou, pensou... e sentindo imensa compaixão daqueles com quem convivera na infância, deliberou consagrar-se à obra do progresso e salvação deles. Não seria justo regressar e anunciar-lhes a verdade? não seria nobre ampará-los, prestando-lhes a tempo valiosas informações? Não hesitou. Fortalecido pela generosidade de irmãos benfeitores que com ele viviam no Palácio de Coral, empreendeu comprida viagem de volta. Tornou ao rio, do rio dirigiu-se aos regatos e dos regatos se encaminhou para os canaizinhos que o conduziram ao primitivo lar. Esbelto e satisfeito como sempre, pela vida de estudo e serviço a que se devotava, varou a grade e procurou, ansiosamente, os velhos companheiros. Estimulado pela proeza de amor que efetuava, supôs que o seu regresso causasse surpresa e entusiasmo gerais. Certo, a coletividade inteira lhe celebraria o feito, mas depressa verificou que ninguém se mexia. Todos os peixes continuavam pesados e ociosos, repimpados nos mesmos ninhos lodacentos, protegidos por flores de lótus, de onde saiam apenas para disputar larvas, moscas ou minhocas desprezíveis. Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhe prestasse atenção, porquanto ninguém, ali, ha¬via dado pela ausência dele. Ridicularizado, procurou, então, o rei de guelras enormes e comunicou-lhe a reveladora aventura. O soberano, algo entorpecido pela mania de grandeza, reuniu o povo e permitiu que o mensageiro se explicasse. O benfeitor desprezado, valendo-se do ensejo, esclareceu, com ênfase, que havia outro mundo liquido, glorioso e sem fim. Aquele poço era uma Insignificância que podia desaparecer, de momento para outro. Além do escoadouro próximo desdobravam-se outra vida e outra experiência. Lá fora, corriam regatos ornados de flores, rios caudalosos repletos de seres diferentes e, por fim, o mar, onde a vida aparece cada vez mais rica e mais surpreendente. Descreveu o serviço de tainhas e salmões, de trutas e esqüalos. Deu notícias do peixe-lua, do peixe-coelho e do galo-do-mar. Contou que vira o céu repleto de astros sublimes e que descobrira árvores gigantescas, barcos imensos, cidades praieiras, monstros temíveis, jardins submersos, estrelas do oceano e ofereceu-se para conduzi-los ao Palácio de Coral, onde viveriam todos, prósperos e tranquilos. Finalmente os informou de que semelhante felicidade, porém, tinha igualmente seu preço. De¬veriam todos emagrecer, convenientemente, abstendo-se de devorar tanta larva e tanto verme nas locas escuras e aprendendo a trabalhar e estudar tanto quanto era necessário à venturosa jornada. Assim que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a preleção. Ninguém acreditou nele. Alguns oradores tomaram a palavra e afirmaram, solenes, que o peixinho vermelho delirava, que outra vida além do poço era francamente impossível, que aquela história de riachos, rios e oceanos era mera fantasia de cérebro demente e alguns chegaram a declarar que falavam em nome do Deus dos Peixes, que trazia os olhos voltados para eles unicamente. O soberano da comunidade, para melhor iro¬izar o peixinho, dirigiu-se em companhia dele até à grade de escoamento e, tentando, de longe, a travessia, exclamou, borbulhante: — “Não vês que não cabe aqui nem uma só de minhas barbatanas? Grande tolo! vai-te daqui! não nos perturbes o bem-estar... Nosso lago é o centro do Universo... Ninguém possui vida igual à nossa! .. Expulso a golpes de sarcasmo, o peixinho rea¬lizou a viagem de retorno e instalou-se, em definitivo, no Palácio de Coral, aguardando o tempo. Depois de alguns anos, apareceu pavorosa e devas tadora seca. As águas desceram de nível. E o poço onde vi¬viam os peixes pachorrentos e vaidosos esvaziou-se, compelindo a comunidade inteira a perecer, atolada na lama... O esforço de André Luis, buscando acender luz nas trevas, é semelhante à missão do peixinho vermelho. Encantado com as descobertas do caminho in¬finito, realizadas depois de muitos conflitos no sofrimento, volve aos recôncavos da Crosta Terrestre, anunciando aos antigos companheiros que, além dos cubículos em que se movimentam, resplandece outra vida, mais intensa e mais bela, exigindo, porém, acurado aprimoramento individual para a traves¬sia da estreita passagem de acesso às claridades da sublimação. Fala, informa, prepara, esclarece ... Há, contudo, muitos peixes humanos que sor¬riem e passam, entre a mordacidade e a Indiferença, procurando locas passageiras ou pleiteando larvas temporárias. Esperam um paraíso gratuito com milagrosos deslumbramentos depois da morte do corpo. Mas, sem André Luiz e sem nós, humildes ser¬vidores de boa vontade, para todos os caminheiros da vida humana pronunciou o Pastor Divino as in-deléveis palavras: — “A cada um será dado de acordo com as suas obras.” EMMANUEL Pedro Leopoldo, 22 de fevereiro de 1949.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O nascimento

A união da Alma e do corpo começa com a concepção e só fica completa na ocasião do nascimento. É o invólucro fluídico que liga o Espírito ao gérmen; essa união se vai apertando cada vez mais, até tornar-se completa, e isto se dá quando a criança vê a luz do dia terrestre. No intervalo da concepção ao nascimento, as faculdades da Alma vão, pouco a pouco, sendo aniquiladas pelo poder sempre crescente da força vital recebida dos geradores, que diminui o movimento vibratório do perispírito, até o momento em que o Espírito na criança fica inteiramente inconsciente. Essa diminuição vibratória do movimento fluídico produz a perda da lembrança das vidas anteriores, de que breve trataremos. O Espírito na criança dormita em seu invólucro material e, à medida que se aproxima o nascimento, suas idéias se apagam e, assim, o conhecimento do passado, de que não tem mais consciência quando abre os olhos à luz do dia. Essa consciência só voltará quando, pela desmaterialização final ou pelas influências profundas da exteriorização, na hipnose, a Alma retomar seu movimento vibratório e encontrar seu passado e o mundo adormecido de suas recordações. Eis a verdadeira gênese da vida humana. As aquisições do passado são latentes em cada Alma: as faculdades não se destroem; têm raízes no inconsciente e sua aparência depende do progresso anteriormente capitalizado, dos conhecimentos, das impressões, das imagens, do saber e da experiência. É o que constitui o “caráter” de cada indivíduo vivo e lhe dá as aptidões originais e proporcionais a seu grau de evolução. A criança adquire de seus pais apenas a força vital, à qual é preciso ajuntar certos elementos hereditários. Por ocasião da encarnação, o perispírito se une, molécula por molécula, à matéria do gérmen. Nesse gérmen, que deve mais tarde constituir o indivíduo, reside uma força inicial, que resulta da soma dos elementos de vida do pai e da mãe, no momento da geração. Esse gérmen contém uma energia potencial maior ou menor, que, transformando-se em energia ativa, durante o período total da vida, determina o grau de longevidade do ser. É, pois, sob a influência dessa força vital, emanada dos geradores, que, por sua vez, a recebem dos antepassados, que o perispírito desenvolve suas propriedades funcionais. Assim, o duplo fluídico reproduz, sob a forma de movimentos, o traço indelével de todos os estados da Alma, desde seu primeiro nascimento; por outra parte, o gérmen material recebe a impressão de todos os estados sucessivos do perispírito: há aí um paralelismo vital absolutamente lógico e harmonioso. Torna-se assim o perispírito o regulador e o apoio da energia vital modificada pela hereditariedade. É por aí que se forma o tipo individual de cada um. Ele é o “mediador plástico” do filósofo escocês Wordsworth, a tessitura fluídica permanente, através da qual passa a torrente da matéria fluente que destrói e reconstrói incessantemente o organismo vivo. É a armadura invisível que sustém interiormente a estátua humana. O perispírito é o princípio de identidade física e moral que mantém indefectível, no meio das vicissitudes do ser móvel e mutável, o princípio do eu consciente. A memória, que nos dá a certeza íntima de nossa identidade pessoal, é a irradiação reflexa desse perispírito. Tal é a origem de nossa vida. ______________________________________________________________________________________________

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Egito antigo

A civilização egípcia, por Emmanuel Dentre os Espíritos degredados na Terra, os que constituíram a civilização egípcia foram os que mais se destacavam na prática do Bem e no culto da Verdade. Aliás, importa considerar que eram eles os que menos débitos possuíam perante o tribunal da Justiça Divina. Em razão dos seus elevados patrimônios morais, guardaram no íntimo uma lembrança mais viva das experiências de sua pátria distante. Um único desejo os animava, que era trabalhar devotadamente para regressar, um dia, aos seus penates resplandecentes. Uma saudade torturante do céu foi a base de todas as suas organizações religiosas. Em nenhuma civilização da Terra o culto da morte foi tão altamente desenvolvido. Em todos os corações morava a ansiedade de voltar ao orbe distante, ao qual se sentiam presos pelos mais santos afetos. Foi por esse motivo que, representando uma das mais belas e adiantadas civilizações de todos os tempos, as expressões do antigo Egito desapareceram para sempre do plano tangível do planeta. Depois de perpetuarem nas Pirâmides os seus avançados conhecimentos, todos os Espíritos daquela região africana regressaram à pátria sideral. -fonte: blog/Observador Espírita- CHICO XAVIER NO EGITO ANTIGO No livro “Chico, Diálogos e Recordações”, o autor Carlos Alberto Braga realiza um trabalho sério e dedicado por quatro anos com Arnaldo Rocha, que teve quase 50 anos de convivência com Chico Xavier. Arnaldo revelou uma série de reencarnações de si mesmo e de “Nossa Alma Querida”, como se refere a Chico. Arnaldo Rocha foi o doutrinador de um grupo de desobsessão que Chico Xavier participava. O nome era “Grupo Coração Aberto”, onde muitas revelações sobre vidas passadas na história planetária foram reveladas. O resultado do trabalho pode ser parcialmente visto nos livros “Instruções Psicofônicas” e “Vozes do Grande Além”. Dentre várias encarnações de Francisco Cândido Xavier, algumas já foram elucidadas: Hatshepsut (Egito) (aproximadamente de 1490 AC a 1450 AC) Era uma farani – feminino de faraó – que herdou o trono egípcio em função da morte do irmão. A regência dela foi muito importante para o Egito, já que suspendeu os processos bélicos e de expansão territorial. Trouxe ao povo um pensamento intrínseco e mais religioso. Viveu numa época em que surgiram as escritas nos papiros, o livro dos mortos. Hatshepsut foi muito respeitada e admirada pelo povo egípcio. Obesa e diabética, com câncer nos ossos, desencarnou em torno dos 40 anos, por causa de uma infecção generalizada. Hatshepsut foi a primeira faraó (mulher) da história. Governou o Egito sozinha por 22 anos, na época o Estado era um dos mais ricos. Chams (Egito) (por volta de 800 AC) Rainha do Egito durante o império babilônico de Cemirames. Vários amigos de Chico Xavier também estavam encarnados na época, como Camilo Chaves, o próprio Arnaldo Rocha e Emmanuel, que era sacerdote e professor de Chams. -fonte: Jornal Correio Espírita-

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Visão espírita do tabagismo

Cigarro, morte lado a lado. Os efeitos nocivos do fumo ultrapassam os níveis puramente físicos, atingindo o perispírito (2,3,4,5). Por causa do fumo, o perispírito fica impregnado e saturado de partículas semi-materiais nocivas, principalmente na região do aparelho respiratório, que absorvem a vitalidade, prejudicando a normalidade do fluxo das energias espirituais sustentadoras, as quais, através dele, o perispírito ou corpo espiritual, se condensam para abastecer o corpo físico. Essas impurezas no perispírito podem ser vistas por médiuns videntes como manchas, formadas de pigmentos escuros, que envolvem os órgãos mais atingidos pelo fumo, principalmente os pulmões (5). O fumo também amortece as vibrações mais delicadas, bloqueando-as, tornando o homem, até certo ponto, insensível aos envolvimentos de entidades espirituais amigas e protetoras (5). Por isso, André Luiz (3) e Luiz Sérgio (4), recomendam que, no dias das reuniões mediúnicas, os trabalhadores ainda necessitados do fumo, devem abster-se ou reduzi-lo, para não prejudicar o intercâmbio. O desejo de fumar, que se situa no corpo astral, permanece após o desencarne e, como perispírito é muito mais sensível do que o corpo físico, isto se torna desastroso, pois a necessidade de fumar é enormemente ampliada, levando-o ao desespero e ao desequilíbrio, provocando uma espécie de paralisia e insensibilidade aos trabalhos dos socorristas por algum tempo, como se permanecesse em estado de inconsciência e incomunicabilidade, ficando o desencarnado em prejuízo no recebimento de auxílio espiritual e preso à crosta terrestre (5). O desejo de fumar, no espírito, faz com que ele sintonize com pessoas com predisposição de fumar ou fumantes para, como vampiros, usufruírem as mesmas inalações inebriantes. Como entidades espirituais agem hipnoticamente no campo da imaginação, transmitindo as ondas magnéticas envolventes das sensações e desejos de que, juntos, se alimentam. Através de processos de simbiose em níveis vibratórios, o fumante pode colher em seu prejuízo as impregnações daqueles que podem deixa-lo infeliz, triste, grosseiro, preso à vontade de entidades inferiores, sem domínio e a consciência dos seus verdadeiros desejos (2,3,6). André Luiz, no livro Nos Domínios da Mediunidade nos fala: “(…) Junto de fumantes e bebedores inveterados, criaturas desencarnadas de triste feição se demoravam expectantes. Algumas sorviam as baforadas de fumo arremessadas ao ar, ainda aquecidas pelo calor dos pulmões que as exalavam, nisso encontrando alegria e alimento.(…) Muitos de nossos irmãos, que já se desvencilharam do vaso carnal, se apegam com tamanho desvario às sensações da experiência física, que se cosem àqueles nossos amigos terrestres temporariamente desequilibrados nos desagradáveis costumes por que se deixam influenciar.(…) , o que a vida começou, a morte continua… Esses nossos companheiros situaram a mente nos apetites mais baixos do mundo, alimentando-se com um tipo de emoções que os localiza na vizinhança da animalidade. Não obstante haverem frequentado santuários religiosos, não se preocuparam em atender aos princípios da fé que abraçaram, acreditando que a existência devia ser para eles o culto de satisfações menos dignas, com a exaltação dos mais astuciosos e dos mais fortes. O chamamento da morte encontrou-os na esfera de impressões delituosas e escuras, como é da Lei que cada alma receba da vida de conformidade com aquilo que dá, não encontraram interesse senão nos lugares onde podem nutrir as ilusões que lhes são peculiares, porquanto, na posição e que se veem, temem a verdade e abominam-na, procedendo como a coruja que foge à luz”. O problema da dependência continua até que a impregnação dos agentes tóxicos nos tecidos sutis do corpo espiritual dê lugar à normalidade do envoltório espiritual, o que, na maioria das vezes, tem a duração em que o tabagismo perdurou na existência física do fumante (5). Segundo Emmanuel, quando o espírito não tem força de vontade suficiente para abandonar o vício, pode necessitar, no Mundo Espiritual, de um tratamento com cotas diárias de substituto dos cigarros comuns, com ingredientes semelhantes aos do cigarro terrestre, sendo sua administração diminuída gradativamente, até que consiga ficar livre da dependência (5). O fumante transfere de uma vida para a outra certos reflexos ou impregnações magnéticas que o perispírito contém devido às imantações recebidas do seu corpo físico e do campo mental que lhe são específicas. As predisposições e as tendências são transportadas para a nova vida, que é uma oportunidade de libertação do vício do passado, mas nem sempre vitoriosa. O Espiritismo aceita um componente reencarnatório na predisposição aos vícios, o que, hoje, a Ciência já começa a comprovar, com estudos que mostram que alguns genes podem estar relacionados com predisposição para o fumo (1,2,5). O tabagismo é responsável por doenças cármicas, tais como asma, enfisema congênito, infecções recorrentes, na infância, das vias aéreas e câncer em reencarnações futuras, ocasionadas pela lesão do corpo espiritual (2). É através da fé que podemos nos libertar do vício que nos angustia e que nos deprime cada vez mais, em vez de levar ao prazer, como erradamente pensamos em nossa vida material. É indispensável criar esta ligação, para que cheguemos à conclusão de que só nos viciamos quando já temos os nossos vícios da alma. Vícios da falta de compreensão, falta de tolerância, o nosso orgulho, a nossa vaidade e todas as outras dores da alma que levam aos nossos sofrimentos do dia a dia. ____________________________________________________________________________________________ Autora: Drª. Maria Cristina Alochio de Paiva Médica Pneumologista. Bibliografia: 1. Disponível em http://www.saúde.gov.br/paredefumar. Acessado em 25/08/2001. 2. Kühl, E. Tóxicos – Duas Viagens. 4. ed. Belo Horizonte, MG: editora Cristã Espírita Fonte Viva, 1998. 3. Luiz, André (psicografia de Francisco C. Xavier e Waldo Vieira). Desobsessão. 18. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1999. 4. Sérgio, Luiz (psicografia de Irene P. Machado) Dois Mundos Tão Meus. 6. ed. Brasília: Livraria e Editora Recanto, 1999. 5. Rigonatti, E. Manual prático do Espírita. 6. Luiz, André (psicografia de Francisco C. Xavier). Nos Domínios da Mediunidade. 26. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1999. Fonte: Associação Médico-Espírita do Estado do Espírito Santo (AMEEES), 2001.

Reforma íntima

Os que me acompanham há mais tempo sabem que eu escrevo à frente dum espelho. É pra lembrar que escrevo, em primeiro lugar, pra mim mesmo. Acho que o maior adversário da reforma íntima que precisamos fazer é a preguiça. Não sei o quanto você conhece, o quanto você sabe. As coisas da espiritualidade são uma fonte de aprendizado inesgotável. O Espiritismo, particularmente, é um campo de pesquisa e estudo vasto e rico. Por isso disse que não sei o quanto de conhecimento e experiência você tem. Não importa. Você acredita em reencarnação, você aceita os fatos da mediunidade mesmo sem ser médium ativo, você crê na bondade e misericórdia de Deus. Que bom! No entanto, não basta crer. É preciso agir. Por menos que você saiba é bem provável que você saiba mais das coisas do Espírito do que a maioria das pessoas com quem você convive no dia-a-dia. Por menos elevado que você seja, e é bom que se reconheça isso, tudo indica que você esteja mais preparado moral e espiritualmente do que a maior parte das pessoas do seu círculo de convívio. Isso aumenta a sua responsabilidade. Quanto mais conhecimento, maior é a obrigação de colocar em prática o que se sabe. Quanto mais se aprimora espiritualmente, maior é a responsabilidade perante os outros. Se você se dedica às coisas do Espírito, é natural que você acabe contando com a simpatia e o amparo dos espíritos trabalhadores. Quanto mais você se dedica ao conhecimento e à reforma íntima, mais aumentam os seus contatos e a sua intimidade com espíritos superiores a nós. Se você faz dessa busca de aperfeiçoamento algo que tenha um espaço significativo em seu cotidiano, você começa a beneficiar as pessoas que estão à sua volta. Se você está um pouco mais elevado que aqueles que o cercam, você passa a agir como fator de equilíbrio nos ambientes que frequenta. Observe o grau de influência que o seu estado de espírito exerce no seu ambiente de trabalho ou estudo. Note como o seu humor atinge as demais pessoas, veja a responsabilidade que os seus pensamentos têm na harmonia geral. Sua influência aumenta se você desenvolver a disciplina com a espiritualidade. O ideal é que o contato com as coisas do Espírito aconteçam todos os dias; ou, pelo menos, nos dias úteis, nos dias de trabalho. A oração, a meditação, a leitura edificante, o seu contato deliberado com a espiritualidade superior deve ser diário. Isso pode parecer difícil, mas não é. Serão alguns minutos do seu dia. Você define o tempo. Você pode dedicar cinco minutos pela manhã, cinco minutos ao meio-dia e cinco minutos à noite. Já é um ótimo começo. Se você não puder cumprir esses horários, estabeleça outro que possa cumprir. O importante é fazer disso um hábito, uma disciplina que faça parte da sua vida. Acredito que algumas pessoas não têm tempo, ou não têm um horário fixo que possa ser dedicado a isso. Entendo que muitos não estão preparados pra isso, não conseguem ver nessa prática algo que tenha algum valor real. Mas sei que há muitas pessoas que consideram essa disciplina importante e não conseguem convencer a si mesmas, não conseguem se impor um compromisso, não conseguem vencer a preguiça. Se for o seu caso, saiba que a preguiça é um mal terrível, que deve ser combatido imediatamente. A preguiça é pior do que muitos maus hábitos. Pessoas decididas conseguem transformar um mau hábito num bom hábito. Vencer a preguiça geralmente dá mais trabalho, pois a pessoa “se perdoa” por ser preguiçosa. Você tem responsabilidade sobre os que convivem com você. Você tem conhecimentos que eles não têm. Seja disciplinado, mantenha bons hábitos e aja como um instrumento de Deus. Morel Felipe

Saudade

O espiritismo é uma doutrina consoladora, por nos demonstrar a continuidade da vida após a separação terrena. Mas devemos reconhecer que o fato de sabermos que a vida continua não ameniza a saudade, pois é difícil superar o silêncio. Esse silêncio que dói e que não é preenchido por nada. Talvez se tivéssemos em mente, se nos lembrássemos com frequência, que todos aqueles que amamos um dia vão partir da matéria, muitos deles antes de nós, talvez então os valorizássemos mais, talvez então notássemos mais as suas virtudes e menos os seus defeitos. Mas isso também vale para quem, por algum motivo, esteja afastado dos seus. É claro que então a saudade ainda dói, mas ao mesmo tempo alenta, porque o reencontro não depende de que todas as pessoas estejam novamente no mesmo plano… Sem contar que hoje temos o auxílio inestimável da tecnologia. Não é a mesma coisa? Claro que não, mas pouco tempo atrás não existia, não havia esse consolo. Algum tempo atrás, quem imaginaria ver suas pessoas queridas pelo webcam, estando em praticamente qualquer lugar do mundo? Uma coisa a ser evitada nos momentos de saudade é justamente pensar nela. Antes de deprimir-se, é melhor se manter ocupado com coisas úteis. Não há um monte de coisas que deixamos pra fazer quando tivermos tempo? Pois que se aproveite o espaço vazio deixado pela saudade para ocupar-se com essas coisas. A palavra saudade só existe na língua portuguesa, e sua etimologia é a mesma da palavra solidão. E são realmente sentimentos que se confundem. Pois a solidão também pode ser aproveitada para coisas que em outras ocasiões e circunstâncias não seriam possíveis. É na solidão que entramos em contato com nós mesmos, com nosso universo interior. Na solidão podemos encontrar respostas seguras para as incertezas que alimentamos, e esse contato com nosso íntimo é que nos dá coragem para enfrentar as dificuldades da passagem pela Terra. Quando estiver de braços com a saudade, não permita que ela se transforme numa prisão emocional, impedindo que você saiba aproveitar os dias que de repente ficaram mais compridos, impedindo que você domine o seu pensamento, que você domine as lágrimas, que você domine o desânimo que bate à porta ameaçadoramente. Não! Todos os períodos da vida são importantes, nenhum se repete, com toda a certeza um dia a oportunidade de aprendizado e vivência desse momento da sua vida lhe será cobrado, e é bom que você tenha aproveitado. Seja útil, seja útil aos outros, aos que ficaram, seja útil a você! E quando puder estar novamente ao lado das pessoas que ama, aproveite ao máximo, viva cada detalhe, cada momento; sabe-se lá quando terá outro abraço como esse? É triste? Talvez. Seria pior se não houvesse o reencontro nesta vida; pior ainda se não houvesse amanhã. Mas a vida é um dia depois do outro, cada um deve ser aproveitado ao máximo, com saudade ou sem saudade. Quanta oportunidade um dia nos oferece! Que o vazio da ausência seja preenchido com bons pensamentos e atividades construtivas. E que se aproveite essa oportunidade de aprendizado para, no decorrer dessa vida e pela eternidade, darmos o devido valor às coisas simples, que não exigem nada de extravagante para serem feitas, basta a presença daqueles que amamos.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Trabalho, Sobriedade, Continência

O trabalho é uma lei para as humanidades planetárias, assim como para as sociedades do espaço. Desde o ser mais rudimentar até os Espíritos angélicos que velam pelos destinos dos mundos, cada um executa sua obra, sua parte, no grande concerto universal. Penoso e grosseiro para os seres inferiores, o trabalho suaviza-se à medida que o Espírito se purifica. Torna-se uma fonte de gozos para o Espírito adiantado, insensível às atrações materiais, exclusivamente ocupado com estudos elevados. É pelo trabalho que o homem doma as forças cegas da Natureza e preserva-se da miséria; é por ele que as civilizações se formam, que o bem-estar e a Ciência se difundem. O trabalho é a honra, é a dignidade do ser humano. O ocioso que se aproveita, sem nada produzir, do trabalho dos outros não passa de um parasita. Quando o homem está ocupado com sua tarefa, as paixões aquietam-se. A ociosidade, pelo contrário, instiga-as, abrindo-lhes um vasto campo de ação. O trabalho é também um grande consolador, é um preservativo salutar contra as nossas aflições, contra as nossas tristezas. Acalma as angústias do nosso espírito e fecunda a nossa inteligência. Não há dor moral, decepções ou reveses que não encontrem nele um alívio; não há vicissitudes que resistam à sua ação prolongada. O trabalho é sempre um refúgio seguro na prova, um verdadeiro amigo na tribulação. Não produz o desgosto da vida. Mas quão digna de piedade é a situação daquele a quem as enfermidades condenam à imobilidade, à inação! E quando esse ser experimenta a grandeza, a santidade do trabalho, quando, acima do seu interesse próprio, vê o interesse geral, o bem de todos e nisso também quer cooperar, eis então uma das mais cruéis provas que podem estar reservadas ao ser vivente. Tal é, no espaço, a situação do Espírito que faltou aos seus deveres e desperdiçou a sua vida. Compreendendo muito tarde a nobreza do trabalho e a vileza da ociosidade, sofre por não poder então realizar o que sua alma concebe e deseja. O trabalho é a comunhão dos seres. Por ele nos aproximamos uns dos outros, aprendemos a auxiliarmo-nos, a unirmo-nos; daí à fraternidade só há um passo. Léon Denis - O Caminho Reto

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Fluídos do Espaço

Na erudita e encantadora obra "Depois da Morte", do eminente colaborador de Allan Kardec, Léon Denis, o qual, como sabemos, além de primoroso escritor foi um grande inspirado pelos Espíritos de escol, à página 235 da 7ª edição (FEB), Cap. XXXV, a exposição dessa tese não somente é fecunda e expressiva, como também mesclada de grande beleza, como tudo o que passou por aquele cérebro e aquela pena. Diz Léon Denis, na citada obra: "O Espírito, pelo poder da sua vontade, opera sobre os fluidos do Espaço, combina-os e os dispõe a seu gosto, dá-lhes as cores e as formas que convêm ao seu fim. É por meio desses fluidos que se executam obras que desafiam toda comparação e toda análise. Construções aéreas, de cores brilhantes, de zimbórios resplandecentes: circos imensos onde se reúnem em conselho os delegados do Universo; templos de vastas proporções, donde se elevam acordes de uma harmonia divina; quadros variados, luminosos: reproduções de vidas humanas, vidas de fé e de sacrifício, apostolados dolorosos, dramas do Infinito (1). Como descrever magnificências que os próprios Espíritos se declaram impotentes para exprimir no vocabulário humano? É nessas moradas fluídicas que se ostentam as pompas das festas espirituais. Os Espíritos puros, ofuscantes de luz, se agrupam em famílias. Seu brilho e as cores variadas de seus invólucros permitem medir a sua elevação, determinar os seus atributos. " (Os grifos são nossos.) E ainda outros trechos desse belo volume trazem informações a respeito do assunto, bastando que o leiamos com a devida atenção, bem assim vários capítulos de outra obra sua - "O Problema do Ser, do Destino e da Dor". Em outro magnífico livro do grande Denis - "No Invisível" -, à página 470, no cap. XXVI, da 3ª edição (FEB), há também este pequeno trecho, profundocomplexo, sugestivo, descortinando afirmações grandiosas: "Dante Alighieri é médium incomparável. Sua "Divina Comédia" é uma peregrinação através dos mundos invisíveis. Ozanã, o principal autor católico que já analisou essa obra genial, reconhece que o seu plano é calcado nas grandes linhas da iniciação nos mistérios antigos, cujo princípio, como é sabido, era a comunhão com o oculto." (Os grifos são nossos.) Assim se expressa o grande inspirado Léon Denis, (1) São essas reproduções de vidas humanas que os Instrutores Espirituais dão a ver aos médiuns, no Espaço, durante o sono letárgico, ou desdobramento, e dos quais se originam os romances mediúnicos, sempre tão atraentes... em suas obras, e, se mais não transcrevemos aqui, será por economia de espaço, que precisaremos atender. Do exposto, no entanto, deduziremos que a "Divina Comédia" não apresenta tão somente fantasias, como imaginaram os próprios eruditos, mas ocorrências reais do Além-Túmulo, que o poeta visionário mesclou de divagações, talvez propositadamente, numa época de incompreensões e preconceitos ainda mais intransigentes que os verificados em nossos dias (2). Os preciosos volumes escritos pelo sábio psiquista italiano Ernesto Bozzano, produto de severa análise científica, são férteis em apontar esses mesmos locais do Invisível, revelados por Espíritos desencarnados de adiantamento moral-espiritual normal, cujas comunicações, psicografadas por vários médiuns desconhecidos uns dos outros, alguns até completamente alheios ao Espiritismo, foram examinadas e cientificamente analisadas por aquele ilustre autor. Ser-nos-á impossível transcrever, aqui, muitos trechos de Bozzano a respeito, visto que em suas obras encontramos fartas observações em torno da tese em apreço. Devassando o Invisível de Ivonne do Amaral Pereira

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Revelação Espírita

9. - Haverá revelações diretas de Deus aos homens? É uma questão que não ousaríamos resolver, nem afirmativamente, nem negativamente, de maneira absoluta. O fato não é radicalmente impossível, porém, nada nos dá dele prova certa. O que não padece dúvida é que os Espíritos mais próximos de Deus pela perfeição se imbuem do seu pensamento e podem transmiti-lo. Quanto aos reveladores encarnados, segundo a ordem hierárquica a que pertencem e o grau a que chegaram de saber, esses podem tirar dos seus próprios conhecimentos as instruções que ministram, ou recebê-las de Espíritos mais elevados, mesmo dos mensageiros diretos de Deus, os quais, falando em nome de Deus, têm sido às vezes tomados pelo próprio Deus. As comunicações deste gênero nada têm de estranho para quem conhece os fenômenos espíritas e a maneira pela qual se estabelecem as relações entre os encarnados e os desencarnados. As instruções podem ser transmitidas por diversos meios: pela simples inspiração, pela audição da palavra, pela visibilidade dos Espíritos instrutores, nas visões e aparições, quer em sonho, quer em estado de vigília, do que há muitos exemplos na Bíblia, no Evangelho e nos livros sagrados de todos os povos. É, pois, rigorosamente exato dizer-se que quase todos os reveladores são médiuns inspirados, audientes ou videntes. Daí, entretanto, não se deve concluir que todos os médiuns sejam reveladores, nem, ainda menos, intermediários diretos da divindade ou dos seus mensageiros.-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- A Gênese Espírita _______________________________________________________________________________________________________________________________-

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Sentimentos e Obsessão

Dando continuidade ao tema  "Obsessão"

Façamos agora, portanto, uma radiografia da exploração obsessiva sob o sentimento de “menos valia” ou baixa auto-estima, valendo-nos das etapas supra enumeradas.  

Etapa um

·              O agente encontra campo vibratório para sua intenção constritora.

·              A sensação de incapacidade é aceita pelo receptor, através de suas próprias crenças derrotistas programadas no inconsciente.

Etapa dois

·              O agente penetra a vida psíquica do receptor e estimula o sentimento de indignidade já presente na “vítima”.

·              Adesão espontânea no clima da revolta em função das frustrações da vida.

Etapa três

·              O agente trabalha com informações sobre as mazelas de seu alvo.
·               
·              São criadas as justificativas autodefensivas para a conduta invigilante.

Etapa quatro

·              Sugestões hipnóticas de autodesvalorização através de idéias imaginárias do desprezo do outrem.

·              Estado íntimo de insatisfação consigo próprio, levanto à culpa e apatia entre os ideais superiores.

Etapa cinco

·              Tecnologias avançadas para instalar a descrença – o sentimento básico para consumar uma queda moral.

·              Estado íntimo de falência cujo nome é desânimo – a doença de quem desistiu.

Etapa seis

·              Exploração do receptor nos programas de ataque e interferência na sociedade carnal. “Assalariado carnal”.

·              Total dependência em quadros de adoecimento psíquico.

O conceito de vigilância vai muito além de disciplinar os pensamentos. É no campo do sentimento que nasce esmagadora maioria das obsessões. A capacidade de “pensar livre” ou decidir por nós é “quase nula” no concerto universal. Vivemos em regime de contínuo intercâmbio e interdependência.
Nesse contexto fenomenológico da vida mental não será incoerente afirmar que todos respiramos, em maior ou menor grau, nas faixas da obsessão. A questão é saber se somos por ela dominados ou se a temos sob nosso controle. Sob essa ótica as obsessões são convites educativos contidos nas Leis Naturais para nosso aprimoramento.
Somente a oração ungida pelos sentimentos elevados, a intenção nobre e perseverante, seguidas da conduta reta, podem estabelecer um clima de autonomia psíquica desejável, que nos defenda da dominação dos interesses inferiores à nossa volta.

Essa autonomia interrompe o processo na “etapa dois”, quando elabora no terreno dos sentimentos o auto-amor – reconhecimento de nossa pequenez, seguido da alegria de poder contar sempre com a manifestação da Divina Providência em favor de nossas vastas necessidades espirituais.

Escutando Sentimentos.. 

Obsessão

Costuma-se relacionar obsessão com condutas viciosas como alcoolismo, tabagismo, sexolatria e outros vícios corporais. Entretanto, existe uma infinidade de conúbios obsessivos ainda não investigados que se operam em decorrência dos estados psicológicos e emocionais do ser humano.
Obsessão é uma interação de mentes que evolui no tempo através da sustentação de vínculos pela Lei de Sintonia, mantendo duas ou mais criaturas ligadas pelos seus interesses. Alterando ou deixando d existir tais interesses, a vinculação passa a ser circunstancial. Chamamo-la de pressão psíquica.
Que processo interiores experimenta a alma para que estabeleça um circuito de forças mentais dominadoras? Que estados psicológicos e emotivos servem de base na constrição mente a mente?
Analisemos, didaticamente, nesse terreno sutil, a seqüência de interação mental mais freqüente a partir da intenção obsessiva, nutrida por um Espírito desencarnado sobre as “brechas” oferecidas pelo encarnado.

Etapa um

·              Existe a intenção do agente (obsessor).

·              São acionados elementos de sintonia no receptor (obsidiado).

Etapa dois

·              O agente invade os limites psicológicos e emocionais do receptor.

·              Permissão do receptor.

Etapa três

·              Produção de clichês induzidos.

·              Assimilação de idéias intrusas e surgimento do conflito mental.

Etapa quatro

·              Sugestões hipnóticas de manutenção.

·              Enfraquecimento da vontade.

Etapa cinco

·              Implantação de tecnologias.

·              Adesão intencional ao plano do agente indutor através do sentimento.

Etapa seis

·              Evolução e sofisticação do domínio sobre o receptor.

·              Dependência através de simbiose afetiva compartilhada.

Adotando a progressividade didática utilizada pelo senhor Allan Kardec no capítulo XXVIII de O Livro dos Médiuns, assim se enquadram as etapas acima referidas:

1)             Obsessão simples – estabelecimento da sintonia – etapas 1 a 3.

2)           Fascinação – Invasão dos limites alheios – etapas 4 e 5.

3)            Subjugação – simbiose – etapa 6.

Na educação interior, certos comportamentos sujeitam-se à obsessão. Ao longo do tempo, os embates interiores causam em alguns discípulos espíritas a sensação de “fadiga na alma”. Os esforços e vitórias parecem insignificantes e infrutíferos. Um nocivo sentimento de inutilidade toma conta da vida mental. Desponta a dúvida e com ela multiplicam-se as perguntas sobre a validade de perseverar. Não estará faltando algo? Melhorei de fato? Estarei sendo hipócrita?!
Nessa “hora psicológica” nascem muitas obsessões. Discípulos sinceros que sacrificaram longamente na conquista de si próprios estacionam em lamentação e descrença, desprezando as vitórias e fixando-se no derrotismo e na acomodação.

Um dos pontos educacionais da auto-aceitação consiste em valorizar os nossos esforços de reeducação espiritual – ponto crucial na conquista de condições psicológicas adequadas ao crescimento interior. Quando não valorizamos o que já podemos realizar, abrimos a freqüência da vida interior para a descrença, o desânimo e a desmotivação, convidando os famanazes da maldade para que dilapidem os tesouros de nossa vida íntima. 

livro Escutando Sentimenos - Wanderley de Oliveira