sábado, 14 de maio de 2016
Os Mensageiros
- Segundo livro da série, retrata a renovação de André Luiz, o tédio com o passado e o desejo sincero de trabalhar em benefício do próximo. Narra o próprio André:
"Desligando-me dos laços inferiores que me prendiam às atividades terrestres, elevado entendimento felicitou-me o espírito.
Semelhante libertação, contudo, não se fizera espontânea.
Sabia, no fundo, quanto me custara abandonar a paisagem doméstica, suportar a incompreensão da esposa e a divergência dos filhos amados.
Guardava a certeza de que amigos espirituais, abnegados e poderosos, me haviam a auxiliado a alma pobre e imperfeita, na grande transição.
Antes, a inquietude relativa à companheira torturava-me incessantemente o coração; mas agora, vendo-a profundamente identificada com o segundo marido, não via recurso outro que procurar diferentes motivos de interesse.
Foi assim que, eminentemente surpreendido, observei minha própria transformação, no curso dos acontecimentos."
Pensando desta forma, feliz e renovada, é levado por Tobias, seu companheiro de trabalho nas Câmeras de Retificação, até Aniceto, nobre Instrutor no Ministério da Comunicação.
Aprovado para ingressar no quadro de aprendizes, André Luiz tem a oportunidade de conhecer o fascinante serviço de formação de médiuns para fins de tarefas específicas na Crosta.
Em companhia de Tobias, já no Ministério, André espanta-se:
- "Mas esta organização imensa restringe-se ao movimento de transmissão de mensagens?" - perguntei curioso.
O companheiro sorriu significativamente e esclareceu:
- "Não suponha se encontre aqui localizado o serviço de correio, simplesmente. O Centro prepara entidades a fim de que se transformem em cartas vivas de socorro e auxílio aos que sofrem no Umbral, na Crosta e nas Trevas. Acreditaria, porventura, que tanto trabalho se destinasse apenas a mera movimentação de noticiário? Amplie suas vistas. Este serviço é a cópia de quantos se vêm fazendo nas mais diversas cidades espirituais dos planos superiores. Preparam-se aqui numerosos companheiros para a difusão de esperanças e consolos, instruções e avisos, nos diversos setores da evolução planetária. Não me refiro tão só a emissários invisíveis. Organizamos turmas compactas de aprendizes para a reencarnação. Médiuns e doutrinadores saem daqui às centenas, anualmente. Tarefeiros do conforto espiritual encaminham-se para os círculos carnais, em quantidade considerável, habilitados pelo nosso Centro de Mensageiros."
Mais tarde, em companhia de Aniceto e Vicente, outro médico, André Luiz tem a oportunidade de realizar aprendizado na Terra, junto aos encarnados, fornecendo bastas e enriquecedoras notícias do desdobramento das tarefas que, segundo Emmanuel, no prefácio do livro, constituíram o relatório incompleto de uma semana de trabalho espiritual dos mensageiros do Bem, junto aos homens.
De que estrela me vem
"- Amigos, por quem sois, explicai-me em que novo mundo me encontro... De que estrela me vem, agora, esta luz confortadora e brilhante?
Um deles afagou-me a fronte, como se fora conhecido pessoal de longo tempo e acentuou:
- Estamos nas esferas espirituais vizinhas da Terra, e o Sol que nos ilumina, neste momento, é o mesmo que nos vivificava o corpo físico. Aqui, entretanto, nossa percepção visual é muito mais rica. A estrela que o Senhor acendeu para os nossos trabalhos terrestres é mais preciosa e bela do que a supomos quando no círculo carnal. Nosso Sol é a divina matriz da vida, e a claridade que irradia provém do Autor da Criação.
Meu ego, como que absorvido em onda de infinito respeito, fixou a luz branda que invadia o quarto, através das janelas, e perdi-me no curso de profundas cogitações. Recordei, então, que nunca fixara o Sol, nos dias terrestres, meditando na imensurável bondade dAquele que no-lo concede para o caminho eterno da vida. Semelhava-me assim ao cego venturoso, que abre os olhos para a Natureza sublime, depois de longos séculos de escuridão." -_______________________________________________________________ André Luiz - Clarêncio, cap.2 - Nosso Lar
sexta-feira, 25 de março de 2016
Assim o fizemos
Os familiares desagradáveis são hoje o que deles fizemos
ontem. Nada acontece por acaso, sem razão, em nossas vidas.
Por isso diz Emmanuel: “Talvez o contato deles agora nos
desagrade pela tisna de sombra que já deixamos de ter ou de
ser”. Nesta própria existência terrena isso acontece com
frequência. Ao nos tornarmos adultos não suportamos as
peraltices das crianças, sem nos lembrarmos das que também já
fizemos quando crianças. Ao nos enriquecermos não toleramos
os peditórios ou a incapacidade dos parentes pobres, esquecidos
do que fazíamos quando necessitados. Ao nos ilustrarmos não
suportamos nos outros a ignorância em que ontem vivíamos.
Educamos mal os nossos filhos e muitas vezes os
deseducamos a gritos e pancadas. Mas quando eles crescem não
suportamos o seu comportamento desrespeitoso, pelo qual somos
responsáveis. Não os corrigimos em criança nem os ajudamos na
adolescência, mas os fizemos desorientados e depois não os
toleramos. Nas vidas sucessivas, através das reencarnações,
procedemos também dessa maneira. E quando eles voltam ao
nosso convívio não queremos aceitar e muito menos corrigir os
seus defeitos.
Na verdade, se não os aceitarmos hoje como são, teremos de
aceitá-los amanhã, pois as leis da vida exigem, segundo ensinou
Jesus, que nos entendamos com os companheiros “enquanto
estivermos a caminho com eles”. A fuga aos deveres atuais será
paga mais tarde com os juros devidos. Usando o livre arbítrio
podemos rejeitá-los hoje, mas a contabilidade divina anotará o
nosso débito para depois, com os acréscimos legais.
____________________José Herculano Pires
Familiares problemas
Desposaste alguém que não mais te parece a criatura ideal
que conheceste. A convivência te arrancou aos olhos as cores
diferentes com que o noivado te resguardava o futuro que hoje se
fez presente.
Em torno, provações, encargos renascentes, familiares que te
pedem apoio, obstáculos por vencer. E sofres.
Entretanto, recorda que antes da união falavas de amor e te
mostravas na firme disposição em que assumiste os deveres que
te assinalam agora os dias, e não recues da frente de trabalho a
que o mundo te conduziu.
Se a criatura que te compartilha transitoriamente o destino
não é aquela que imaginaste e sim alguém que te impõe difícil
tarefa a realizar, observa que a união de ambos não se efetuaria
sem fins justos e dá de ti quanto possível para que essa mesma
criatura venha a ser como desejas.
* * *
Diante de filhos ou parentes outros que se valem de títulos
domésticos para menosprezar-te ou ferir-te, nem por isso deixes
de amá-los. São eles, presentemente na Terra, quais os fizemos
em outras épocas, e os defeitos que mostrem não passam de
resultados das lesões espirituais causadas por nós mesmos, em
tempos outros, quando lhes orientávamos a existência nas trilhas
da evolução.
É provável tenhamos dado um passo à frente. Talvez o
contato deles agora nos desagrade pela tisna de sombra que já
deixamos de ter ou de ser. Isso, porém, é motivação para auxílio,
não para fuga.
* * *
Atentos ao princípio de livre arbítrio que nos rege a vida
espiritual, é claro que ninguém te impede de cortar laços, sustar
realizações, agravar dívidas ou delongar compromissos.
O divórcio é medida perfeitamente compreensível e humana,
toda vez que os cônjuges se confessam à beira da delinquência,
conquanto se erija em moratória de débito para resgate em novo
nível. E o afastamento de certas ligações é recurso necessário em
determinadas circunstâncias, a fim de que possamos voltar a
elas, algum dia, com o proveito preciso.
Reflete, porém, que a existência na Terra é um estágio
educativo ou reeducativo e tão só pelo amor com que amamos,
mas não pelo amor com que esperamos ser amados, ser-nos-á
possível trabalhar para redimir e, por vezes, saber perder para
realmente vencer._______________________________________________Emmanuel/Chico Xavier
sábado, 27 de fevereiro de 2016
Bom ânimo
– Irmãos, continuemos hoje em nosso comentário acerca do
bom ânimo. Não me creiam separado de vocês por virtudes que
não possuo. A palavra fácil e bem posta é, muita vez, dever espinhoso
em nossa boca, constrangendo-nos à reflexão e à disciplina.
Também sou aqui um companheiro à espera da volta. A prisão
redentora da carne acena-nos ao regresso. É que o propósito da
vida trabalha em nós e conosco, através de todos os meios, para
guiar-nos à perfeição. Cerceando-lhe os impulsos, agimos em
sentido contrário à Lei, criando aflição e sofrimento em nós mesmos.
No plano físico, muitos de nós supúnhamos que a morte
seria ponto final aos nossos problemas, enquanto outros muitos se
acreditavam privilegiados da Infinita Bondade, por haverem
abraçado atitudes de superfície, nos templos religiosos. A viagem
do sepulcro, no entanto, ensinou-nos uma lição grande e nova – a
de que nos achamos indissoluvelmente ligados às nossas próprias
obras. Nossos atos tecem asas de libertação ou algemas de cativeiro,
para a nossa vitória ou nossa perda. A ninguém devemos o
destino senão a nós próprios. Entretanto, se é verdade que nos
vemos hoje sob as ruínas de nossas realizações deploráveis, não
estamos sem esperança. Se a sabedoria de nosso Pai Celeste não
prescinde da justiça para evidenciar-se, essa mesma justiça não se
revela sem amor. Se somos vítimas de nós mesmos, somos igualmente
beneficiários da Tolerância Divina, que nos descerra os
santuários da vida para que saibamos expiar e solver, restaurar e
ressarcir. Na retaguarda, aniquilávamos o tempo, instilando nos
outros sentimentos e pensamentos que não desejávamos para nós,
quando não estabelecíamos pela crueldade e pelo orgulho vasta
sementeira de ódio e perseguição. Com semelhantes atitudes,
porém, levantamos em nosso prejuízo a desarmonia e o sofrimento,
que nos sitiam a existência, quais inexoráveis fantasmas. O
pretérito fala em nós com gritos de credor exigente, amontoando
sobre as nossas cabeças os frutos amargos da plantação que fizemos...
Daí, os desajustes e enfermidades que nos assaltam a mente,
desarticulando-nos os veículos de manifestação. Admitíamos
que a transição do sepulcro fosse lavagem miraculosa, liberando-nos
o Espírito, mas ressuscitamos no corpo sutil de agora com os
males que alimentamos em nosso ser. Nossas ligações com a
retaguarda, por essa razão, continuam vivas. Laços de afetividade
mal dirigida e cadeias de aversão aprisionam-nos, ainda, a companheiros
encarnados e desencarnados, muitos deles em desequilíbrios
mais graves e constringentes que os nossos. Nutrindo
propósitos de regeneração e melhoria, somos hoje criaturas despertando
entre o Inferno e a Terra, que se afinam tão entranhadamente
um com o outro, como nós e nossos feitos. Achamo-nos
imbuídos do sonho de renovação e paz, aspirando à imersão na
Vida Superior, entretanto, quem poderia adquirir respeitabilidade
sem quitar-se com a Lei? Ninguém avança para a frente sem pagar
as dívidas que contraiu. ________________________________________________Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz
domingo, 24 de janeiro de 2016
Anjo em formação
Nossa mente fragmentária dificilmente compreende o ensino espírita segundo o qual “tudo se encadeia no Universo”. O eu nos separa dos outros, das coisas e dos seres. Sentimo-nos, apesar de todas as raízes que nos prendem à terra e de todos os liames que nos amarram aos outros, como seres independentes. Isolamo-nos na trincheira ilusória do nosso eu para enfrentar o mundo e os homens. Não raro nos dispomos a enfrentar Deus e os anjos, duvidando de tudo, como se a medida precária, a fita métrica da nossa razão constituísse o fio de prumo da realidade universal.
Preferimos a afirmação de Protágoras de que o homem é a medida de todas as coisas (e o homem nesse caso somos nós e não os outros) à lição platônica de que é Deus a medida única do todo. Essa atitude de isolamento arrogante, que gera o orgulho e a vaidade, fecha-nos no pequenino universo do nosso eu particular. Daí a conhecida afirmação de Sartre, característica do nosso tempo: “os outros são o inferno”. E como vivemos com os outros, deles dependendo, a eles amarrados pela estrutura social e pela dinâmica espiritual, sentimo-nos no inferno.
A mensagem de André Luiz, renovando a lição essencial do Cristo, vem lembrar-nos que não somos apenas homens, mas anjos em formação. Como homens sofremos porque nos situamos na zona intermediária da evolução, entre os animais e os anjos. Nossas angústias, nosso tédio, nosso desespero decorrem do conflito corpo-espírito. Mas nossas esperanças se alimentam das claridades celestes que se acendem progressivamente em nossa alma. Nosso corpo nos isola no mundo, mas nosso Espírito nos liga a todas as coisas e a todos os seres. Esse corpo se fecha nas sensações materiais, reduzidas à percepção sensorial. Mas nosso Espírito se abre nas emoções espirituais que nos dão a percepção extra-sensorial.
A solução dos nossos problemas está assim em nós mesmos. A fase de transição que hoje vivemos na Terra exige de nós a compreensão global da vida. E o caminho para essa compreensão é o serviço ao próximo – que nos liga aos outros –, o desenvolvimento das nossas experiências através do trabalho, a busca de uma visão nova da vida como processo evolutivo – em que os fins imediatos são apenas meios para atingirmos a finalidade real da existência._________________J. Herculano Pires
O auto-castigo
Deus não castiga o suicida, pois é o próprio suicida quem se castiga. A noção do castigo divino é profundamente modificada pelo ensino espírita. Considerando-se que o Universo é uma estrutura de leis, uma dinâmica de ações e reações em cadeia, não podemos pensar em punições de tipo mitológico após a morte. Mergulhado nessa rede de causas e efeitos, mas dotado do livre arbítrio que a razão lhe confere, o homem é semelhante ao nadador que enfrenta o fatalismo das correntes de água, dispondo de meios para dominá-las.
Ninguém é levado na corrente da vida pela força exclusiva das circunstâncias. A consciência humana é soberana e dispõe da razão e da vontade para controlar-se e dirigir-se. Além disso, o homem está sempre amparado pelas forças espirituais que governam o fluxo das coisas. Daí a recomendação de Jesus: “Orai e vigiai”. A oração é o pensamento elevado aos planos superiores – a ligação do escafandrista da carne com os seus companheiros da superfície – e a vigilância é o controle das circunstâncias que ele deve exercer no mergulho material da existência.
O suicida é o nadador apavorado que se atira contra o rochedo ou se abandona à voragem das águas, renunciando ao seu dever de vencê-las pela força dos seus braços e o poder da sua coragem, sob a proteção espiritual de que todos dispomos. A vida material é um exercício para o desenvolvimento dos poderes do Espírito. Quem abandona o exercício por vontade própria está renunciando ao seu desenvolvimento e sofre as consequências naturais dessa opção negativa. Nova oportunidade lhe será concedida, mas já então ao peso do fracasso anterior.
Cornélio Pires, o poeta caipira de Tietê, responde à pergunta do amigo através de exemplos concretos que falam mais do que os argumentos. Cada uma de nossas ações provoca uma reação da vida. A arte de viver consiste no controle das nossas ações (mentais, emocionais ou físicas) de maneira que nós mesmos nos castigamos ou nos premiamos. Mas mesmo no auto-castigo não somos abandonados por Deus, que vela por nós em nossa consciência._________________________J. Herculano Pires
Legendas do Obreiro da Verdade
Compreender que as necessidades e as esperanças dos outros são fundamentalmente iguais às nossas.
Auxiliar sem exigir que o beneficiado nos tome as ideias.
Reconhecer que a Divina Providência possui estradas inúmeras para socorrer as criaturas e iluminá-las.
Aprender a tolerar com paciência as pequenas humilhações, a fim de prestar os grandes testemunhos de sacrifício pessoal
que a Causa da Verdade lhe reclamará possivelmente algum dia.
Esquecer-se pela obra que realiza.
Guiar-se pela misericórdia e não pela crítica.
Abençoar sem reprovar.• Construir ou reconstruir, sem ofender ou condenar.
Trabalhar sempre sem o propósito de ser ou parecer o maior ou o melhor ante os demais.
Cultivar ilimitadamente a cooperação e a caridade.
Coibir-se de irritação e de azedume.
Agir sem criar problemas.
Observar que sem a disciplina individual no campo do bem, a prática do bem se faz impossível.
Respeitar a personalidade dos companheiros. Encontrar ocasião para atender à bênção da prece.
Deter-se nas qualidades nobres e olvidar as prováveis deficiências do próximo.
Valorizar o esforço alheio.
Nunca perder tempo.
Apagar inimizades ou discórdias através da desculpa fraterna e do serviço constante que devemos uns aos outros.
Criar oportunidades de trabalho para si, ajudando aos outros no sentido de descobrirem as oportunidades de trabalho que lhes digam respeito à capacidade e às possibilidades de realização, conservando em tudo a certeza inalterável de que toda pessoa é importante na edificação do Reino de Deus.
__________________________________Emmanuel
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
O martírio dos suicidas
Entrevista de Yvonne Pereira
Há 80 anos, 1926, um livro começava a ser escrito. Sem precedentes na literatura mediúnica, ele trazia as descrições de um homem e suas vidas, existências que culminaram com uma das piores tragédias que um espírito pode se imputar: o suicídio. Era a trajetória, o martírio, a esperança de recuperação, e a certeza de que para evoluir bastava tentar... O autor era um mundialmente famoso escritor português, Camilo Castelo Branco, que havia se suicidado em 1890, aos 65 anos, por não suportar a cegueira que o acometia e que impedia de dedicar-se às letras, atividade que tanto amava. Como Espírito, escolheu a médium Yvonne Pereira para ditar seu infortúnio e essa opção não foi aleatória, Yvonne era única não só pelas impressionantes faculdades mediúnicas que possuía, mas também por ter sido contemporânea de Camilo em sua existência anterior, em Portugal, e por ter também se suicidado naquela vida. Essa condição foi fundamental para que Yvonne conseguisse repassar aos leitores exatamente o que Camilo desejava. O livro ganhou o nome de Memórias de um Suicida e é considerado o mais importante sobre o assunto, tanto pelas informações que contém quanto pela contribuição em ter livrado muitas pessoas desse ato desesperado. Memórias também foi responsável por trazer ao Brasil o trabalho executado pelo Centro de Valorização da Vida – CVV. Foi a partir da leitura do livro que, em 1962, criaram a instituição que tem finalidade única de prevenir o suicídio.
Comemorando então a importância de Memórias de um Suicida, a Maiêutica deste mês é uma compilação de duas entrevistas inéditas que Yvonne concedeu em 1979 a Mauro e Elisabeth Operti e a Altivo Carismi Pamphiro e que serão publicadas na íntegra no livro Pelos Caminhos da Mediunidade Serena, lançamento das Publicações Lachartre. O livro, organizado pelo biógrafo de Yvonne, Pedro Camilo, vai trazer uma coletânea de entrevistas nas quais a médium discorre sobre suas impressionantes faculdades, seus livros, os Espíritos com os quais conviveu, entre outras curiosidades. Pude lê-lo em primeira mão; uma preciosidade! E garante que as perguntas escolhidas para compor esta matéria são parcelas minúsculas das entrevistas inéditas; de certa forma isso muito me entristece, pois conferi a maravilha do todo. Consola-me, porém, o fato de que muitos irão procurar os livros de Yvonne justamente por vislumbrar seus conhecimentos nestas páginas...
Como conheceu o Espírito Camilo Castelo Branco, autor do livro?
Quando tinha 12 anos vi o Espírito Camilo numa festa de aniversário de uma coleguinha, na cidade de Brasópolis, sul de Minas. Convidada para aquela festinha, fui e vi o Camilo muito triste, encostado numa mesa, com a mão no rosto; mas eu não sabia quem ele era. Mais tarde, observando um romance que uma tia lia, vi o retrato do Camilo e o reconheci. Havia afinidade entre nós. Camilo viveu em Portugal na época de meu suicídio em Lisboa (numa vida anterior a esta). Daí eu supor que o meu pai daquela vida e o Camilo foram contemporâneos, e naturalmente eu também. E como meu pai da vida passada era um intelectual calculo que eles se conheciam. Além disso, ainda havia com o Camilo a afinidade pelo suicídio.
Como se deu o início da produção de Memórias de um Suicida?
Em 1926 assisti a uma sessão na fazenda do presidente do Centro Espírita de Lavras e vi o Camilo, que me deu sua primeira mensagem convidando-me para fazer um livro com ele – os bons Espíritos não impõem, eles convidam o médium. O Camilo começou, então, a me dar as primeiras mensagens no Centro Espírita de lavras. Mais tarde, reconheci que Memórias de um Suicida ficou muito incompleto; eram só as narrativas do Camilo. Tanto que a crítica hoje diz que, nesse livro, há 30% de Camilo e 70% de Leon Denis. De fato é isso mesmo. O livro estava incompleto; não havia explicações doutrinárias, conclusões filosóficas... O Camilo não conhecia a Doutrina Espírita para dizer tudo isso. Ele narrou o que se passou com ele. Esse livro ficou guardado por muito tempo... Comigo, como manuscrito, foram 25 anos, e só o entreguei no fim de 1954.
Por quê?
Bem, eu não o aceitei. Achava que era mistificação – eu não conhecia bem a Doutrina quando comecei a recebê-lo. Nem mesmo O Livro dos Médiuns eu havia estudado – e ele é a base dessa instrução toda sobre a vida no além-túmulo, inclusive da existência de casas, de hospitais etc. Acontece que esse noticiário todo não é novo, porque aquele grande médico sueco, Swedenborg, foi o primeiro que andou falando essas coisas, e com muito detalhe e beleza. Depois disso, as mensagens examinadas pelo Ernesto Bozzano falam também de relatos da vida de além-túmulo que foram recebidos antes da Codificação. Então, só depois que conheci tudo isso é que fiquei descansada. Acredito, porém, que muita coisa na obra é analogia, porque nós não temos palavras para descrever o que há no além-túmulo. Seria preciso que criássemos muitos termos, apreendêssemos mais alguma coisa para poder repetir, traduzir, tudo, tudo quanto os Espíritos querem falar.
Então como fez para escrever o que não pretendia?
O que me valeu, não só nesse livro como nos outros, é que vejo tudo quanto os Espíritos dizem. Vejo coisas que não conheço, muitos aparelhos que eu não acreditava que existissem! Via muitos aparelhos, inclusive para regressão de memória – parece uma cinta de ferro na cabeça! Eu não ficava muito em mim, porque do alto eu via meu corpo lá em baixo, escrevendo o livro. Quando acordava, estava com a cabeça toda dolorida, mas, com uma prece, aquilo tudo desaparecia e eu me sentia bem.
Seria como se você visse antes de escrever, para poder escrever melhor?
Por exemplo: quando escrevi sobre aquele poço, onde ficavam muitos suicidas, eu mesma não sabia o que era aquilo, se era criação mental dos Espíritos-guias ou daquelas mentes alucinadas. No mundo não há expressão para traduzir o sofrimento de um suicida. Olha que eu sofro isso desde pequena... Eu passava as noites inteiras com aquela aflição remanescente do suicídio. Era uma angústia indescritível! Eu senti essa angústia durante grande parte da minha vida e ela só começou a desaparecer depois da publicação do livro. Mas eu sofria muito quando eles me mostravam aquelas cenas todas. Posso descrever até o cheiro do enxofre e daquelas matérias do vulcão. Eu via aquilo escorrer... Via as paredes duras e delas descendo aqueles metais fétidos... Conversando com Chico, ele me disse que aquilo era um vulcão extinto.
Você via isso no momento em que estava escrevendo?
Não, eu vi antes. Desde pequena eu via essas cenas. Também fui suicida e sofri muitíssimo no além.
Então foi uma espécie de recordação?
Sim. Creio que aquela cinta que puseram na minha cabeça era para regressão de memória. Meu espírito foi salvo pelo Charles, mas ele não podia ir lá me retirar daquele antro. Ele serviu-se da linha da umbanda. É por isso que eu respeito a umbanda. Eu vi. Puseram uma corda por onde desciam os Espíritos de umbanda. Quando escrevi o romance, eles me puseram a tal cinta que creio, foi para provocar a regressão de memória. Aquilo doía muito. Então, havia uma cratera da qual fui retirada pelos Espíritos de umbanda através de uma corda. Eu respeito a umbanda por causa disso. Há muita coisa que não está certa na umbanda, não resta a menor dúvida; há muitas mistificações... Mas os Espíritos adiantados se servem desses Espíritos para fazer o bem. Quantas vezes eu fui com o Dr. Bezerra fazer esses trabalhos, na Terra mesmo, ou no astral inferior...
Você sentia tudo?
Minha mediunidade toda é desse tipo positivo, que sofre tudo. Se era afogado ou enforcado, eu chegava a ficar com o pescoço roxo, a carótida crescia, a língua vinha para fora, os olhos arregalavam... Era uma coisa horrorosa! Eu não via como ficava; os companheiros de trabalho me contavam depois. A conseqüência do suicídio por queda de altura é, também, horrorosa, porque ele nunca chega embaixo. Já escrevi isso num livro meu. Ele fica se despenhando toda vida, sentindo que vai morrer e a queda não termina nunca, Léon Denis, que é um dos mais importantes continuadores da obra de Kardec, fala que essa tortura costuma vir com a reencarnação, pois o perispírito traz essas impressões, podendo dar origem a doenças nervosas que a medicina não cura. A única coisa que suaviza, que começa a curar é o Evangelho. Tenho uma sobrinha que todo mundo pensava que estava com indícios de mediunidade, mas ela tinha era obsessão e até convulsões, porque há casos de suicidas reencarnados, que trazem esses desequilíbrios nervosos que parecem epilepsia, mas não são. Para essa minha sobrinha, o Dr. Bezerra de Menezes escreveu uma das melhores mensagens que recebi na vida. Ela foi suicida! Agora se sabe que não há que se desenvolver a mediunidade. Ela não tem a menor condição para isso, pois tem o sistema nervoso completamente enfermo. O cérebro, também, não pode estar bom. Eu, por exemplo, depois que me dediquei muito à Doutrina, tenho que dar graças a Deus, porque me reequilibrei, mas a única coisa que reequilibra é, justamente, o trabalho do Evangelho, o trabalho doutrinário.
Como é o sofrimento de um suicida?
É o sofrimento superlativo e quem não foi suicida não pode saber, não pode fazer uma idéia do que é. Imagine uma aglomeração desses suicidas, que ficam numa confusão horrorosa e não compreendem o que está se passando, porque há vários tipos de suicidas juntos, no mesmo local, cada um com as suas reminiscências e as suas vibrações. Eles ficam desesperados porque se sentem “mortos-vivos”, e são verdadeiros “mortos-vivos” porque se sabe que o fluido vital ainda está neles, demora para se dissipar – podemos ler isso em Gabriel Delanne. Uns ainda se sentem afogando – a gente vê o trecho do mar em que estão se afogando! - ; outros se vêem horrorizados com um trem de ferro; alguns se vêem desesperados com os venenos e outros com tiros no ouvido – e tudo isso na mesma região e ao mesmo tempo. Essas vibrações se chocam; é um verdadeiro inferno, não tenho outra expressão! São impressões que um ser humano que não foi suicida não pode avaliar. Eu compreendi muito bem porque também fui suicida, também estive lá. Como médium de incorporação, recebi tudo quanto foi Espírito suicida, e eu sentia as impressões e o sofrimento deles. Afogamento é a coisa mais horrorosa que se pode sentir. Agora, a morte por trem de ferro é a pior de todas; a pessoa fica numa confusão horrorosa, porque se vê vivo e catando os pedaços do corpo; e cada pedaço que cata ele sente que é seu, que está com ela e ao mesmo tempos não está. É algo que ninguém pode avaliar nem quase compreender.
Como são os hospitais que amparam os suicidas?
São uma beleza mesmo! E note-se que essa esfera onde está o hospital é inferior, não é muito boa não. É outra dimensão, mas por aqui mesmo. Ali há muito sofrimento, mas é tudo muito bonito. Somente não há coloração. É quase tudo branco. Eles têm tudo lá: escadarias, móveis, aventais, flores... Tudo muito bonito. Até hoje eu vou lá. Entro por um corredor, subo uma escada à direita, torno a virar à esquerda. Uma vez eu fui durante o dia e me perguntaram: “Você aqui a esta hora?” Tenho certeza de que, quando eu desencarnar, vou para lá, porque esta minha existência é terapêutica de lá. Ainda sou paciente, estou internada lá. Então não tenho que ir para outra parte; até hoje eu vejo aqueles médicos, toda aquela gente e os reconheço. Reconheço até alguns daqueles personagens já reencarnados.
Você também fala sobre veículos usados para transportar os Espíritos suicidas. Poderia adicionar algum comentário sobre isso, inclusive falar também sobre os animais que você viu lá?
Antes de tudo, é preciso lembrar que quem escreveu o livro não fui eu, foram os Espíritos. Com relação aos meios de transporte, eu os vi de duas espécies. O primeiro era para retirar os Espíritos daquele vale, que é quase a Terra – estou desconfiada de que aquele Vale dos Suicidas não é no espaço coisa nenhuma, é aqui no perímetro da Terra... Quem retirava aqueles Espíritos eram os servidores da colônia, que utilizavam um veículo redondo, cheio de janelinhas ao redor. Era todo acolchoado no interior, muito bonito e cômodo. Os Espíritos sentavam-se e ficavam muito bem acomodados – acredito que esse conforto era, antes de tudo, um primeiro ato de caridade para aqueles Espíritos se consolarem; em cada detalhe percebíamos a ação da misericórdia divina.
Não sei de que material aquilo era feito. Pelos conhecimentos que tenho sobre o mundo espiritual, sei que era alguma matéria, porque coisa imaterial não pode existir, senão seria o nada – a eletricidade, por exemplo, é um formidável elemento, mas não a vemos, vemos só os seus efeitos. Aqueles veículos subiam no ar e rodavam, como dizem que fazem os discos voadores. Quando eles chegavam na entrada da colônia, os passageiros desciam e entravam por um portão. Todos preenchiam uma espécie de ficha, onde se anotava tudo: nome, local em que viveram, gênero do suicídio que tiveram, grau de instrução, orientação religiosa, etc. Dali é que eles seguiam finalmente, para a colônia propriamente dita. Ali era só entrada. Nesse momento é que mudava o meio de transporte, surgiam, então, as carruagens, muito bonitas, muito artísticas. Havia até trenó com cachorros e carruagens puxadas por cavalos muito lindos, todos brancos. Na colônia tudo era branco, até os cavalos. As crinas iam revoltas, agitadas pelo vento.
Eram perispíritos de animais?
Acredito que sim pelos conhecimentos que tenho sobre esse assunto nas obras clássicas da Doutrina. Não nas de Kardec, mas de Gabriel Delanne. Podemos concluir que poderia ser, porque se até as plantas têm perispírito, como muito bem nos indica André Luiz, que dirá um animal, um mamífero. Acredito que fossem os perispíritos dos cavalos. Mas poderia ser, também, uma construção mental dos Espíritos, porque no além-túmulo podemos construir tudo, justamente com esse elemento do mundo espiritual que vem a ser fluido cósmico universal, cujas modificações são quase infinitas, como dizem as obras clássicas. Vi também aves enfeitando os jardins do hospital. Seriam os perispíritos de aves? Isto eu não posso garantir. Não sei. Poderia ser também criação dos Espíritos para enfeitar o ambiente, porque aqueles fundadores da colônia eram verdadeiros artistas; enfeitavam o mais possível. Eu me lembro de ter visto lá, numa enfermaria onde ficou o Camilo Castelo Branco e aqueles seus companheiros, um quadro da Virgem, de Murilo, muito bonito, verdadeira arte. Aquele quadro não era estático, ele se movimentava. E isso o que é? Não tenho como explicar tudo... Pode ser uma analogia. Nós não temos palavras para explicar essas coisas do mundo espiritual. Ainda estamos muito bisonhos nesse sentido.
O livro tem produzido frutos, tanto no sentido de salvar criaturas do suicídio como na criação de obras do movimento espírita...
Sim. E uma dessas obras é o Centro de Valorização da Vida, CVV. Esse movimento é mundial, mas ainda não havia no Brasil. Jacques Conchon, espírita de São Paulo, criou essa instituição influenciado pelo Memórias de um Suicida, por causa do apelo que o livro faz para que os homens criem algo para evitar o suicídio... Eles fazem plantão noite e dia... São verdadeiros abnegados... Jacques Conchon disse que a situação mais difícil de recuperar um candidato a suicídio é o caso de amor, porque aí eles não podem fazer nada. Se o problema é doença, eles tratam, põem em hospital; se é financeiro, alugam casa, compram mobília, arranjam emprego. Tudo isso é causa de suicídio. Já os casos de amor são mais difíceis. Em 15 anos eles perderam dez casos. Eu creio que a proporção é grande. Eram todos casos de amor... Isso talvez se dê porque não se pode controlar o coração de uma pessoa. Se alguém é abandonado pelo outro a quem ama, o que fazer? O remédio para uma pessoa apaixonada que é desprezada é a conformidade com a situação, é voltar-se para Deus ou, então, seguir o conselho do Léon Tolstoi: arranjar um outro amor. Léon Tolstoi dá esse conselho. No livro Sublimação ele fala: “Não vale a pena se matar nem se desesperar; arranja outro amor. Porque o nosso coração não pode viver sem amar e ser amado”.
É da natureza humana...
Não, meu filho, é da natureza divina! Porque Deus é amor e somos descendentes de Deus. É o melhor conselho, o de Tolstoi.
Como enxerga o seu trabalho como médium?
É engano pensar que eu esteja em missão. Não recebi uma missão. Todo meu trabalho foi de reparação dos meus erros. A misericórdia de Deus dá, para grandes criminosos do passado, a mediunidade, para que ele, numa única existência, possa resgatar muita coisa, pois a mediunidade beneficia muita gente! O médium normalmente nem sabe o quanto beneficia. Aliás, o meu dever inadiável, inapelável, era só receber Memórias de um Suicida. Se eu o escrevesse estaria bem, não precisava escrever outro. Mas a misericórdia divina me deu mais, pois até agora tenho mais de dez publicados. Mas o que eu devia fazer era esse, só. Pude fazer mais alguns e, quem sabe, ainda posso publicar outros? Minha atividade mediúnica é um resgate. À proporção que iam saindo os meus livros, a angústia ia amenizando. Hoje eu sou uma criatura completamente equilibrada, não tenho mais essa angústia. Haja o que houver na minha vida, essa angústia não existe mais em mim.
Fonte: Extraído da Revista Universo Espírita – ano de 2006
domingo, 15 de novembro de 2015
Mensagem psicografada por Maria Modesto Cravo sobre os atentados em Paris
Os atentados terroristas em Paris são como uma febre no organismo social. Dói, incomoda e leva a procurar um remédio. E a febre é apenas o sintoma de um drama de natureza moral e espiritual que nunca esteve tão elevado em toda a história da humanidade terrena.
O terrorismo nada mais é que a velha necessidade do homem de anular a diferença para preponderar. No caso, usando a lamentável atitude de violência. O nome desse sentimento é poder.
Poder é a coroa de ouro das organizações mais sombrias de todos os tempos. É a mais antiga doença do ser espiritual que faz seu aprendizado nessa escola de provas e expiações onde o egoísmo ainda é soberano.
Uma espessa camada miasmática se forma na chamada psicosfera, a parte astral do planeta mais próxima da matéria física. Esse cinturão de sombras é o resultado dos dejetos mentais da mente encarnada e desencarnada. Culpa, medo, ódio e poder se aglutinam junto a outras matérias mentais formando essa nuvem cinzenta e com vida própria.
A Terra não colhe o fruto indigesto proveniente apenas das cabeças terroristas orientadas pela ganância extremista de grupos de poder. Cada vez que alguém tenta anular a diferença, é uma bomba lançada no fortalecimento desse cinturão de trevas em torno do planeta.
Anular a diferença significa todo ato no qual não se consegue respeitar e reconhecer que o que pertence ao outro é de responsabilidade dele. Existe uma compulsiva e desastrosa necessidade no coração humano de convencer, controlar, mudar, transformar e moldar o outro aos seus modelos de viver. Isso é poder. Isso é terrorismo nos relacionamentos por meio de micro-violências.
O terrorismo que explode no Bataclan é o efeito dessa onda miasmática milenar que assola nossa casa planetária. Quando você respeita o outro, quando você reconhece o direito do outro de viver a experiência que lhe convém, quando você percebe que só tem poder real é sobre você mesmo, as relações vão mudar, o mundo começará também a mudar.
Tenham esperança. A febre social em Paris leva todos os continentes a procurarem ajuda na erradicação de suas doenças. Em meio às dolorosas convulsões nasce uma nova ordem que não tardará.
Quer colaborar com esse novo tempo? Comece a desarmar-se. Retire esses explosivos de pretensões e endurecimento na conduta. Liberte-se dessa ânsia de preponderar seja onde for. Melhor que dominar é ser feliz.
Contribua com a diminuição do terrorismo no nosso planeta abençoado. Deixe de querer ter razão sempre.___________________________________________
Eu, Maria Modesto Cravo, amante do Cristo e servidora do bem, lhes abençoo com paz. 14/11/15 _______________________fonte https://www.facebook.com/wanderleyoliveiraperfil?pnref=story
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
A severidade pertencerá ao que instrui, mas o amor é o companheiro daquele que serve
— Os superiores que se disponham a trabalhar em benefício dos inferiores, em ação persistente e substancial, não lhes podem utilizar as armas, sob pena de se precipitarem no baixo nível deles. A severidade pertencerá ao que instrui, mas o amor é o companheiro daquele que serve.
Sabemos que a educação, na maioria das vezes, parte da periferia para o centro; contudo, a renovação, traduzindo aperfeiçoamento real, movimenta-se em sentido inverso. Ambos os impulsos, todavia, são alimentados e controlados pelos poderes quase desconhecidos da mente.
O espírito humano lida com a força mental, tanto quanto maneja a eletricidade, com a diferença, porém, de que se já aprende a gastar a segunda, no transformismo incessante da Terra, mal conhece a existência da primeira, que nos preside a todos os atos da vida.
A rigor, portanto, não temos círculos infernais, de acordo com os figurinos da antiga teologia, onde se mostram indefinidamente gênios satânicos de todas as épocas e, sim, esferas obscuras em que se agregam consciências embotadas na ignorância, cristalizadas no ócio reprovável ou confundidas no eclipse temporário da razão. Desesperadas e in¬submissas, criam zonas de tormentos reparadores.
Semelhantes criaturas, no entanto, não se regeneram à força de palavras.
Necessitam de amparo eficiente que lhes modifique o tom vibratório, ele-vando-lhes o modo de sentir e pensar.
Eminentes pensadores do mundo traçam diretrizes à salvação das almas; mas somos de parecer que possuímos suficiente número de roteiros nesse sentido, em todos os setores do conhecimento terrestre. Reclamamos, na atualidade, quem ajude o pensamento do homem na direção do Alto. Em-preender o tentame, incentivando-se tão somente os valores culturais, seria consagrar a tecnocracia, que procura a simples mecanização da vida, destruindo-lhe as sementes gloriosas de improvisação, de infinito e de eternidade.
Grandes políticos e veneráveis condutores nunca se ausentaram do mundo.
Passam pela multidão, sacudindo-a ou arregimentando-a. É forçoso reconhecer, porém, que a organização humana, por si só, não atende às exi-gências do ser imperecível.
Péricles, o estadista que legou seu nome a um século, realiza edificante trabalho educativo, junto dos gregos; entretanto, não lhes atenua a belicosidade e os pruridos de hegemonia, sucumbindo ao assédio de aflitivo desgosto.
Alexandre, o conquistador, organiza vastíssimo império, estabelecendo uma civilização respeitável; no entanto, não impede que os seus generais prossigam em conflitos sanguinolentos, difundindo o saque e a morte.
Augusto, o Divino, unifica o Império Romano em sólidos alicerces, concretizando avançado pro¬grama político em benefício de todos os povos, mas não consegue banir de Roma o desvario pela dominação a qualquer preço.
Constantino, o Grande, advogado dos cristãos indefesos, oferece novo padrão de vida ao Planeta; contudo, não modifica as disposições detestáveis de quantos guerreavam em nome de Deus.
Napoleão, o ditador, impõe novos métodos de progresso material, em toda a Terra; mas não se furta, ele próprio, às garras da tirania, pela simples ganância da posse.
Pasteur, o cientista, defende a saúde do corpo humano, devotando-se, abnegado, ao combate silencioso contra a selva microbiana; todavia, não pode evitar que seus contemporâneos se destruam reciprocamente em disputas incompreensíveis e cruéis.
Permanecemos diante de um mundo civilizado na superfície, que reclama não só a presença daqueles que ensinam o bem, mas principalmente da-queles que o praticam.
Sobre os mananciais da cultura, nos vales da Terra, é imprescindível que desçam as torrentes da compaixão do Céu, através dos montes do amor e da renúncia.
Cristo não brilha apenas pelo ensino sublimado. Resplandece na demonstração. Em companhia d’Ele, é indispensável mantenhamos a coragem de amparar e salvar, descendo aos recessos do abismo.
Não longe de nossa paz relativa, em círculos escuros de desencanto e desesperação, misturam-se milhões de seres, conclamando comiseração... Por¬que não acender piedosa luz, dentro da noite em que se mergulham, desorientados? porque não se¬mear esperança entre corações que abdicaram da fé em si mesmos?
A frente, pois, de imensas coletividades em dolorosa petição de reajustamento, faz-se inadiável o auxílio restaurador.
Somos entidades ainda infinitamente humildes e imperfeitas para nos candidatarmos, de pronto, à condição dos anjos.
Comparada à grandeza, inabordável para nós, de milhões de sóis que obedecem a leis soberanas e divinas, em pleno Universo, a nossa Terra, com todas as esferas de substância ultra-física que a circundam, pode ser considerada qual laranja minúscula, perante o Himalaia, e nós outros, confrontados com a excelsitude dos Espíritos Superiores, que dominam na sabedoria e na santidade, não passamos, por enquanto, de bactérias, controladas pelo impulso da fome e pelo magnetismo do amor. Entretanto, guindados a singelas culminâncias da inteligência, somos micróbios que sonham com o crescimento próprio para a eternidade.
Enquanto o homem, nosso irmão, desintegra assombrado as formações atômicas, nós outros, distanciados do corpo denso, estudamos essa mesma energia através de aspectos que a ciência terrestre, por agora, mal conseguiria imaginar. Caminheiros, porém, que somos do progresso infinito, principiamos apenas, ele e nós, a sondar a força mental, que nos condiciona as manifestações nos mais variados planos da natureza.
Encarcerados ainda na lei de retorno, temos efetuado multisseculares recapitulações, por milênios consecutivos.
Expressando-nos coletivamente, sabemos hoje que o espírito humano lida com a razão há, precisamente, quarenta mil anos... Todavia, com o mesmo furioso ímpeto com que o homem de Neandertal aniquilava o companheiro, a golpes de sílex, o homem da atualidade, classificada de gloriosa era das grandes potências, extermina o próprio irmão a tiros de fuzil.
Os investigadores do raciocínio, ligeiramente tisnados de princípios religiosos, identificam tão somente, nessa anomalia sinistra, a renitência da imperfeição e da fragilidade da carne, como se a carne fosse permanente individuação diabólica, esquecidos de que a matéria mais densa não é senão o conjunto das vidas inferiores incontáveis, em processo de aprimoramento, crescimento e libertação.
Nos campos da Crosta Planetária, queda-se a inteligência, qual se fora anestesiada por perigo-soa narcóticos da ilusão; no entanto, auxiliá-la-emos a sentir e reconhecer que o espírito permanece vi¬brando em todos os ângulos da existência.
Cada espécie de seres, do cristal até o homem, e do homem até o anjo, abrange inumeráveis famílias de criaturas, operando em determinada fre-quência do Universo. E o amor divino alcança-nos a todos, à maneira do Sol que abraça os sábios e os vermes.
Todavia, quem avança demora-se em ligação com quem se localiza na esfera próxima.
O domínio vegetal vale-se do império mineral para sustentar-se e evoluir. Os animais aproveitam os vegetais na obra de aprimoramento. Os homens se socorrem de uns e outros para crescerem mentalmente e prosseguir adiante...
Atritam os reinos da vida, conhecidos na Terra, entre si.
Torturam-se e entredevoram-Se, através de rudes experiências, a fim de que os valores espirituais se desenvolvam e resplandeçam, refletindo a divina luz...
Nesse ponto, o esclarecido Ministro fêz longa pausa, fitou-nos, bondoso, e continuou:
— Mas... além do principado humano, para lá das fronteiras sensoriais que guardam ciosamente a alma encarnada, amparando-a com limitada visão e benéfico esquecimento, começa vasto império espiritual, vizinho dos homens. Ai se agitam milhões de Espíritos imperfeitos que partilham, com as criaturas terrenas, as condições de habitabilidade da Crosta do Mundo. Seres humanos, situados noutra faixa vibratória, apoiam-se na mente encarnada, através de falanges incontáveis, tão semiconscientes na responsabilidade e tão incompletas na virtude, quanto os próprios homens.
A matéria, congregando milhões de vidas embrionárias, é também a condensação da energia, atendendo aos imperativos do “eu” que lhe preside à destinação.
Do hidrogênio às mais complexas unidades atômicas, é o poder do espírito eterno a alavanca diretora de prótons, nêutrons e eléctrons, na es¬trada infinita da vida. Demora-se a inteligência corporificada no círculo humano em transitória região, adaptada às suas exigências de progresso e aperfeiçoamento, dentro da qual o protoplasma lhe faculta instrumentos de trabalho, crescimento e expansão. Entretanto, nesse mesmo espaço, alon¬ga-se a matéria noutros estados, e, nesses outros estados, a mente desencarnada, em viagem para o conhecimento e para a virtude, radica-se na esfera física, buscando dominá-la e absorvê-la, estabele¬cendo gigantesca luta de pensamento que ao homem comum não é dado calcular.
Frustrados em suas aspirações de vaidoso do¬mínio no domicílio celestial, homens e mulheres de todos os climas e de todas as civilizações, depois da morte, esbarram nessa região em que se prolongam as atividades terrenas e elegem o instinto de soberania sobre a Terra por única felicidade digna do impulso de conquistar. Rebelados filhos da Providência, tentam desacreditar a grandeza divina, estimulando o poder autocrático da inteligência in¬submissa e orgulhosa e buscam preservar os círculos terrestres para a dilatação indefinida do ódio e da revolta, da vaidade e da criminalidade, como se o Planeta, em sua expressão inferior, lhes fôsse paraíso único, ainda não integralmente submetido a seus caprichos, em vista da permanente discórdia reinante entre eles mesmos. É que, confinados ao berço escabroso da ignorância em que o medo e a maldade, com inquietudes e perseguições recíprocas, lhes consomem as forças e lhes inutilizam o tempo, não se apercebem da situação dolorosa em que se acham.
Fora do amor verdadeiro, toda união é temporária e a guerra será sempre o estado natural daqueles que perseveram na posição de indisciplina.
Um reino espiritual, dividido e atormentado, cerca a experiência humana, em todas as direções, intentando dilatar o domínio permanente da tirania e da força.
Sabemos que o Sol opera por meio de radia¬ções, nutrindo, maternalmente, a vida a milhões de quilômetros. Sem nos referirmos às condições da matéria em que nos movimentamos, lembremo-nos de que, em nosso sistema, as existências mais rudimentares, desde os cumes iluminados aos recôncavos das trevas, estão sujeitas à sua influenciação.
Como acontece aos corpos gigantescos do Cosmos, também nós outros, espiritualmente, caminhamos para o zênite evolutivo, experimentando as radiações uns dos outros. Nesse processo multiforme de intercâmbio, atração, imantação e repulsão, aperfeiçoam-se mundos e almas, na comunidade universal.
Dentro de semelhante realidade, toda a nossa atividade terrestre se desdobra num campo de influências que nem mesmo nós, os aprendizes huma¬nos em círculos mais altos, poderíamos, por en¬quanto, determinar.
Incapacitados de prosseguir além do túmulo, a caminho do Céu que não souberam conquistar, os filhos do desespero organizam-se em vastas colônias de ódio e miséria moral, disputando, entre si, a do¬minação da Terra. Conservam, igualmente, quanto ocorre a nós mesmos, largos e valiosos patrimônios intelectuais e, anjos decaídos da Ciência, buscam, acima de tudo, a perversão dos processos divinos que orientam a evolução planetária.
Mentes cristalizadas na rebeldia, tentam sola-par, em vão, a Sabedoria Eterna, criando quistos de vida inferior, na organização terrestre, entrincheiradas nas paixões escuras que lhes vergastam as consciências. Conhecem inumeráveis recursos de perturbar e ferir, obscurecer e aniquilar. Escravizam o serviço benéfico da reencarnação em grandes setores expiatórios e dispõem de agentes da discórdia contra todas as manifestações dos sublimes propósitos que o Senhor nos traçou às ações.
Os homens terrenos que, semi-libertos do cor¬po, lhes conseguiram identificar, de algum modo, a existência, recuaram, tímidos e espavoridos, espalhando entre os contemporâneos as noções de um inferno punitivo e infindável, encravado em tenebrosas regiões além da morte.
A mente infantil da Terra, embalada pela ternura paternal da providência, através da teologia comum, nunca pôde apreender, mais intensivamente, a realidade espiritual que nos governa os destinos.
Raros compreendem na morte simples modificação de envoltório, e escasso número de pessoas, ainda mesmo em se tratando dos religiosos mais avançados, guardaram a prudência de viver, no vaso físico, de conformidade com os princípios superiores que esposaram. Somos defrontados, agora, pela necessidade da proclamação de verdades velhas para os velhos ouvidos e novas para os ouvidos novos da inteligência juvenil situada no mundo.______________________________________________Extraído do livro Libertação
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
A surpresa sublime
Aprender será sempre valioso trabalho para o coração.
Logo após minha vinda, observando que o combate pela extensão do bem se
desdobra em todas as direções, acreditei na possibilidade de prosseguir no mesmo
diapasão de atividade intensiva a que me consagra na Terra.
A luz interior revelada por vários amigos, sem que a mínima réstea de claridade
me assinalasse a presença, constituía a primeira evidência a sugerir a modificação de
minha atitude mental.
De que me valeria o demasiado movimento, sem probabilidades de realização
benéfica?
Ali, o serviço pautava-se em linhas diferentes.
Dentro do novo plano, a garantia do êxito permanece exclusivamente no indivíduo.
Tal como o veículo precisa de combustível para se locomover, necessitava eu do
fator qualidade para a nova luta em que ingressara.
Semelhante impressão jazia mal esboçada em mim, quando o encontro com o
infeliz perseguidor ma impôs violentamente. Dele ouvira referências amargas que me
dilaceraram o ser; entretanto, reconheci tamanho proveito nas reprimendas recebidas,
que julguei precioso serviço continuar registrando as impressões das almas perturbadas,
a meu respeito. Não seria esse o recurso de realizações vindouras?
Depois da morte, o julgamento, por mais desagradável, é uma bênção. Pouco a
pouco entendi que era necessário ouvir com humildade, a fim de agir com proveito.
O contacto direto com um obsessor vulgar aclarara-me a consciência. Salientara
ele as sombras que ainda me envolviam e que os abnegados amigos da primeira hora
velavam, movidos de piedade evangélica.
É imprescindível evitar a precipitação, e meditar antes de atacar novas obras.____________
_______________-Irmão Jacob (espírito) Da Obra “Voltei“ – Médium: FRANCISCO CÂNDIDO
XAVIER
terça-feira, 1 de setembro de 2015
Um caso de letargia
Em um livro de memórias que nossos dirigentes espirituais nos
aconselharam escrever, existem as seguintes páginas, que dali extraimos para
o presente volume, oferecendo-as à meditação do leitor, pois jamais devemos
desprezar fatos autênticos que atestem a verdade espírita. Escrevemo-las num
grande desabafo, pois tantos foram os fatos espíritas que desde a infância
rodearam a nossa vida, que, em verdade, nossa consciência se acusaria se os
retivéssemos somente para deleite das nossas recordações. Eis as aludidas
páginas:
— «Creio que nasci médium já desenvolvido, pois jamais me dei ao
trabalho de procurar desenvolver faculdades medianímicas. Algumas
faculdades se apresentaram ainda em minha primeira infância: a vidência, a
audição e o próprio desdobramento em corpo astral, com o curioso fenômeno
da morte aparente. Creio mesmo, e o leitor ajuizará, que o primeiro grande
fenômeno mediúnico ocorrido comigo se verificou quando eu estava apenas
vinte e nove dias de existência.
Tendo vindo ao mundo na noite de Natal, 24 de Dezembro, a 23 de
Janeiro, durante um súbito acesso de tosse, em que sobreveio sufocação,
fiquei como morta. Tudo indica que, em existência pretérita, eu morrera
afogada por suicídio, e aquela sufocação, no primeiro mês do meu nascimento,
nada mais seria que um dos muitos complexos que acompanham o Espírito do
suicida, mesmo quando reencarnado, reminiscências mentais e vibratórias que
o traumatizam por períodos longos, comumente.
Durante seis horas consecutivas permaneci com rigidez cadavérica, o
corpo arroxeado, a fisionomia abatida e macilenta do cadáver, os olhos
aprofundados, o nariz afilado, a boca cerrada e o queixo endurecido,
enregelada, sem respiração e sem pulso. O único médico da localidade —
pequena cidade do Sul do Estado do Rio de Janeiro, hoje denominada Rio das
Flores, mas então chamada Santa Teresa de Valença —, o único médico e o
farmacêutico, examinando-me, constataram a morte súbita por sufocação, à
falta de outra «causa mortis» mais lógica. A certidão de óbito foi, portanto,
legalmente passada. Minha avó e minhas tias trataram de me amortalhar para
o sepultamento, à tarde, pois o «óbito» ocorrera pela manhã, bem cedo. Eu era
recém-chegada na família e, por isso, ao que parece, «minha morte» não
abalava o sentimento de ninguém, pois, havendo ao todo vinte e oito pessoas
na residência rural de minha avó materna, onde nasci, porqüanto a família se
havia reunido para as comemorações do Natal e do Ano-Novo, ninguém
demonstrava pesar pelo acontecimento, muito ao contrário do que se passara
na residência do fariseu Jairo, há quase dois mil anos...
Vestiram-me então de branco e azul, como o «Menino Jesus», com
rendinhas prateadas na túnica de cetim, faixas e estrelinhas, e me
engrinaldaram a fronte com uma coroa de rosinhas brancas. Chovia
torrencialmente e esfriara o tempo, numa localidade própria para o veraneio,
como é a minha cidade natal. A eça mortuária, uma mesinha com toalhas
rendadas, com as velas e o crucifixo tradicional, encontrava-se à minha espera,
solenemente preparada na sala de visitas.
Nem minha mãe chorava. Mas esta não chorava porque não acreditava na
minha morte.
Opunha-se terminantemente que me expusessem na sala e
encomendassem o caixão mortuário. A fim de não excitá-la, deixaram-me no
berço mesmo, mas encomendaram o caixãozinho, todo branco, bordado de
estrelinhas e franjas douradas... Minha mãe, então, quando havia já seis horas
que eu me encontrava naquele estado insólito, conservando-se ainda católica
romana, por aquele tempo, e vendo que se aproximava a hora do enterro,
retirou-se para um aposento solitário da casa, fechou-se nele, acompanhou-se
de um quadro com estampa representando Maria, Mãe de Jesus, e, com uma
vela acesa, prostrou-se de joelhos ali, sôzinha, e fêz a invocação seguinte, concentrando-se
em preces durante uma hora:
— «Maria Santíssima, Santa Mãe de Jesus e nossa Mãe, vós, que também
fostes mãe e passastes pelas aflições de ver padecer e morrer o vosso Filho
sob os pecados dos homens, ouvi o apelo da minha angústia e atendei-o,
Senhora, pelo amor do vosso Filho: Se minha filha estiver realmente morta,
podereis levá-la de retorno a Deus, porque eu me resignarei à inevitável lei da
morte. Mas se, como creio, ela estiver viva, apenas sofrendo um distúrbio cuja
causa ignoramos, rogo a vossa intervenção junto a Deus Pai para que ela torne
a si, a fim de que não seja sepultada viva. E como prova do meu
reconhecimento por essa caridade que me fareis eu vo-la entregarei para
sempre. Renunciarei aos meus direitos sobre ela a partir deste momento! Ela é
vossa! Eu vo-la entrego! E seja qual for o destino que a esperar, uma vez
retorne à vida, estarei serena e confiante, porque será previsto pela vossa
proteção.
Muitas vezes, durante a minha infância, minha mãe narrava-me esse
episódio da nossa vida por entre sorrisos de satisfação, repetindo cem vezes a
prece que aí fica, por ela inventada no momento, acrescentando-a do PaiNosso
e da Ave-Maria, e, igualmente entre sorrisos, era que eu a ouvia dizer,
tornando-me então muito eufórica por isso mesmo:
— Eu nada mais tenho com você... Você pertence a Maria, Mãe de Jesus...
Entrementes, ao se retirar do aposento, onde se dera a comunhão com o
Alto, minha mãe abeirou-se do meu insignificante fardo carnal, que continuava
imerso em catalepsia, e tocou-o carinhosamente com as mãos, repetidas
vezes, como se transmitisse energias novas através de um passe. Então, um
grito estridente, como de susto, de angústia, acompanhado de choro
inconsolável de criança, surpreendeu as pessoas presentes. Minha mãe,
provável veículo dos favores caritativos de Maria de Nazaré, levantou-me do
berço e despiu-me a mortalha, verificando que a grinalda de rosinhas me ferira
a cabeça.
As velas que deveriam alumiar o meu cadáver foram retiradas e apagadas,
a eça foi destituída das solenes toalhas rendadas, o crucifixo retornou ao oratório
de minha avó e a casa funerária recebera de volta um caixão de
«anjinho», porque eu revivera para os testemunhos que, de direito, fôssem por
mim provados, como espírito revel que fora no passado... e revivera sob o doce
influxo maternal de Maria, Mãe de Jesus.
Recordando, agora, nestas páginas, esse patético episódio de minha
presente existência, a mim narrado tantas vezes pelos meus familiares, nele
prefiro compreender também um símbolo, a par do fenômeno psíquico:
ingressando na vida terrena para uma encarnação expiatória, eu deveria, com
efeito, morrer para mim mesma, renunciando ao mundo e às suas atrações,
para ressuscitar o meu espírito, morto no pecado, através do respeito às leis de
Deus e do cumprimento do dever, outrora vilipendiado pelo meu livre arbítrio.
Não obstante, que seria o fato acima exposto se não a faculdade que comigo
viera de outras etapas antigas, o próprio fenômeno mediúnico que ocorre ainda
hoje, quando, às vezes, espontaneamente, advêm transes idênticos ao acima
narrado, enquanto, em espírito, eu me vejo acompanhando os Instrutores
Espirituais para com eles socorrer sofredores da Terra e do Espaço, ou assistir,
sob seus influxos vibratórios mentais, aos dramas do mundo invisível, que mais
tarde são descritos em romances ou historietas?
Aos quatro anos de idade já eu me comunicava com Espíritos
desencarnados, através da visão e da audição: via-os e falava com eles. Eu os
supunha seres humanos, uma vez que os percebia com essa aparência e me
pareciam todos muito concretos, trajados como quaisquer homens e mulheres.
Ao meu entender de então, eram pessoas da família, e por isso, talvez, jamais
me surpreendi com a presença deles. Uma dessas personagens era-me
particularmente afeiçoada:
eu a reconhecia como pai e a proclamava como tal a todos os de casa, com
naturalidade, julgando-a realmente meu pai e amando-a profundamente. Mais
tarde, esse Espírito tornou-se meu assistente ostensivo, auxiliando-me
poderosamente a vitória nas provações e tornando-se orientador dos trabalhos
por mim realizados como espírita e médium. Tratava-se do Espírito Charlies, já
conhecido do leitor através de duas obras por ele ditadas à minha psicografia:
Amor e Ódio e Nas Voragens do Pecado.__________________________________________________RECORDAÇÕES DA MEDIUNIDADE
YVONNE DO AMARAL PEREIRA
DITADO PELO ESPÍRITO ADOLFO BEZERRA DE MENEZES
domingo, 21 de junho de 2015
Jesus - Evangelho Segundo o Espiritismo
Da suposição de que Jesus devia conhecer a seita dos essênios, seria errado concluir que ele bebeu nessa seita a sua doutrina, e que , se tivesse vivido em outro meio professaria outros princípios. As grandes idéias não aparecem nunca de súbito. As que têm a verdade por base contam sempre com precursores, que lhes preparam parcialmente o caminho. Depois, quando o tempo é chegado, Deus envia um homem com a missão de resumir, coordenar e completar os elementos esparsos, com eles formando um corpo de doutrina. Dessa maneira, não tendo surgido bruscamente, a doutrina encontra, ao aparecer, espíritos inteiramente preparados para a aceitar. Assim aconteceram com as idéias cristãs, que foram pressentidas muitos séculos antes de Jesus e dos essênios, e das quais foram Sócrates e Platão os principais precursores.
Sócrates, como o Cristo, nada escreveu, ou pelo menos nada deixou escrito. Como ele, morreu a morte dos criminosos, vítima do fanatismo, por haver atacado as crenças tradicionais e colocado à verdadeira virtude acima da hipocrisia e da ilusão dos formalismos, ou seja: por haver combatido os preconceitos religiosos. Assim como Jesus foi acusado pelos fariseus de corromper o povo com os seus ensinos, ele também foi acusado pelos fariseus do seu tempo— pois os que os tem havido em todas as épocas, — de corromper a juventude, ao proclamar o dogma da unicidade de Deus, da imortalidade da alma e da existência da vida futura. Da mesma maneira porque hoje não conhecemos a doutrina de Jesus senão pelos escritos dos seus discípulos, também não conhecemos a de Sócrates, senão pelos escritos do seu discípulo Platão. Consideramos útil resumir aqui os seus pontos principais, para demonstrar sua concordância com os princípios do Cristianismo.
Aos que encarassem este paralelo como uma profanação, pretendendo não ser possível haver semelhanças entre a doutrina de um pagão e a do Cristo, responderemos que a doutrina de Sócrates não era pagã, pois tinha por finalidade combater o paganismo, e que a doutrina de Jesus, mais completa e mais depurada que a de Sócrates, nada tem a perder na comparação. A grandeza da missão divina do Cristo não poderá ser diminuída. Além disso, trata-se de fatos históricos, que não podem ser escondidos. O homem atingiu um ponto em que a luz sai por si mesma debaixo do alqueire e o encontra maduro para a enfrentar. Tanto pior para os que temem abrir os olhos. E chegado o tempo de encarar as coisas do alto e com amplitude, e não mais do ponto de vista mesquinho e estreito dos interesses de seitas e de castas.
Estas citações provarão, além disso, que, se Sócrates e Platão pressentiram as idéias cristãs, encontram-se igualmente na sua doutrina os princípios fundamentais do Espiritismo.
A Lei do Amor
LÁZARO
Paris, 1862
------------- 8 – O amor resume toda a doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. No seu ponto de partida, o homem só tem instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos; e o amor é o requinte do sentimento. Não o amor no sentido vulgar do termo, mas esse sol interior, que reúne e condensa em seu foco ardente todas as aspirações e todas as revelações sobre-humanas. A lei do amor substitui a personalidade pela fusão dos seres e extingue as misérias sociais. Feliz aquele que, sobrelevando-se à humanidade, ama com imenso amor os seus irmãos em sofrimento! Feliz aquele que ama, porque não conhece as angústias da alma, nem as do corpo! Seus pés são leves, e ele vive como transportado fora de si mesmo. Quando Jesus pronunciou essa palavra divina, — amor — fez estremecerem os povos, e os mártires, ébrios de esperança, desceram ao circo.
O Espiritismo, por sua vez, vem pronunciar a segunda palavra do alfabeto divino. Ficai atentos, porque essa palavra levanta a lápide dos túmulos vazios, e a reencarnação, vencendo a morte, revela ao homem deslumbrado o seu patrimônio intelectual. Mas já não é mais aos suplícios que ela conduz, e sim à conquista do seu ser, elevado e transfigurado. O sangue resgatou o Espírito, e o Espírito deve agora resgatar o homem da matéria.
Disse que o homem, no seu início, tem apenas instintos. Aquele, pois, em que os instintos dominam, está mais próximo do ponto de partida que do alvo. Para avançar em direção ao alvo, é necessário vencer os instintos a favor dos sentimentos, ou seja, aperfeiçoar a estes, sufocando os germes latentes da matéria. Os instintos são a germinação e os embriões dos sentimentos. Trazem consigo o progresso, como a bolota oculta o carvalho. Os seres menos adiantados são os que, libertando-se lentamente de sua crisálida, permanecem subjugados pelos instintos.
O Espírito deve ser cultivado como um campo. Toda a riqueza futura depende do trabalho atual. E mais que os bens terrenos, ele vos conduzirá à gloriosa elevação. Será então que, compreendendo a lei do amor, que une a todos os seres, nela buscareis os suaves prazeres da alma, que são o prelúdio das alegrias celestes
*________________________FÉNELON______________________________Bordeaux, 1861
domingo, 14 de junho de 2015
Os espíritos e os astros
Nas sessões mediúnicas da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, dirigidas pelo próprio Kardec, não se manifestavam apenas Espíritos terrenos. Entidades pertencentes a outros mundos comunicavam-se dando curiosas informações sobre a vida no Cosmos. A coleção da Revista Espírita, correspondente ao período em que Kardec a redigiu, durante quase doze anos, oferece-nos várias dessas comunicações. E mesmo antes desse período, como vemos em O Livro dos Espíritos, o Codificador foi seguramente informado por Espíritos de evidente elevação sobre os diferentes graus de evolução dos mundos, as inumeráveis moradas da Casa do Pai, segundo a conhecida expressão de Jesus registrada nos Evangelhos.
Episódio altamente significativo, menosprezado e ridicularizado pelos adversários da Doutrina, foi o da comunicação de Mozart e Bernard Pallissy, que se diziam reencarnados em Jú-piter. Vários desenhos de aspectos da vida em Júpiter foram transmitidos por esses dois Espíritos, servindo de médium desenhista o famoso teatrólogo Victorien Sardou que por sinal nunca se havia entregado a essa arte, para a qual não dispunha, em seu estado normal, de nenhuma habilidade.
Segundo disseram esses Espíritos, Marte seria o planeta mais inferior do nosso sistema solar e Júpiter o mais elevado. As descrições mediúnicas de Marte nos oferecem uma visão do que podemos chamar o Averno espírita, enquanto Júpiter se define como o Olimpo espírita. As pesquisas astronômicas posteriores e as da Astronáutica em nossos dias não desmentem essas informações, no tocante ao que foi possível constatar até agora. É verdade que também ainda não as confirmaram, mas sugerem a confirmação.
No caso de Marte, os Espíritos revelaram tratar-se de um planeta de precárias condições de vida, habitado por criaturas subumanas e com vastas regiões de completa aridez. Essas con-dições estão hoje positivadas pelas sondas espaciais, mas a existência de vida humana ainda não foi verificada. Continua, entretanto, como possibilidade, pois Marte possui atmosfera e água.
No tocante a Júpiter, os astrônomos constataram que se trata do maior planeta do sistema, apesar disso extremamente leve. Chegou-se mesmo a formular a teoria de que Júpiter seria um pequeno planeta de constituição sólida, mas envolvido por enorme camada de gás congelado. Essa hipótese corresponde à informação espiritual de que Júpiter é de constituição diferente da Terra, formado por matéria rarefeita. Daí a sua extrema leveza, apesar de seu grande volume. A população de Júpiter, segundo os Espíritos, seria constituída de corpos materiais bastante leves, equivalendo ao nosso corpo espiritual.
Kardec registrou essas informações e considerou-as lógicas, mas lembrou que a sua aceitação como reais dependeria de investigações futuras, naturalmente a cargo dos astrônomos, pois o assunto não pertence especificamente à Ciência Espírita, cujo objeto é o espírito humano e suas relações com os homens. O critério científico de Kardec na pesquisa espírita ficou mais uma vez bem patente com esse curioso episódio.
Hoje, com o desenvolvimento acelerado das pesquisas cósmicas, a Astronáutica é a Ciência incumbida desse problema. E a teoria espírita da pluralidade dos mundos habitados, que o astrônomo Camille Flammarion, também médium de Kardec, aprovou corajosamente, já se tornou opinião pacífica nos meios científicos. Pouco a pouco vão se fazendo as provas da existência de vida semelhante à da Terra em outros mundos e outras galáxias.
O Espiritismo considera o homem como um herdeiro do Cosmos. Seu destino não é apenas a Terra, durante a vida orgânica, e o mundo espiritual depois da morte. As Moradas da Casa do Pai o aguardam no Infinito. Por isso a expansão marítima do século XVI começa agora a ser ampliada com a expansão celeste. Novas Sagres se instalaram na Terra e as proas de suas naves não apontam para a imensidade oceânica, mas para a infinitude dos céus. Vamos descobrir as terras estelares, como os navegantes portugueses e espanhóis descobriram no seu tempo as terras oceânicas.
Ao lado da Astronáutica material, porém, existe a Astronáutica espiritual. Os homens não avançam no espaço cósmico tão somente em naves construídas de metal. Avançam em seus escafandros espirituais, em astronaves etéreas. São as almas viajoras de que falava Plotino, o sucessor de Platão na era helenística. Emigram de um mundo para outro no Cosmos, da mes-ma forma que emigram entre os continentes na Terra.
Por duas maneiras, portanto, o Espiritismo nos abre as sendas do Infinito. A evolução terrena equipa o homem para a conquista material dos mundos de constituição semelhante à da Terra. A evolução espiritual equipa o espírito para a conquista dos mundos de constituição fluídica ou etérea. O homem, espírito encarnado, pode ser um astronauta do Cosmos físico, num raio de ação limitado pelas possibilidades materiais. O Espírito, homem desencarnado, é naturalmente um astronauta do Além, dispondo de possibilidades infinitas em suas incursões pelo Cosmos etéreo. A alma viajora de Plotino, que errava nas hipóstases do universo terreno, elevando-se aos planos espirituais com a morte e voltando ao plano terreno com a reencarnação, adquire no Espiritismo um alcance infinito em suas migrações.
Bastaria esse aspecto da Doutrina para nos mostrar a sua plena integração na Era Cósmica. Neste livro não há comunicações sobre outros mundos. Estamos ainda muito empenhados em nossos problemas planetários que precisamos solucionar no âmbito doméstico da Terra, para cuidar de questões mais amplas. Mas nem por isso os Espíritos comunicantes deixam de ser astronautas do Além, pois descem das hipóstases do universo terreno, ou seja, dos mundos espirituais que circundam o nosso planeta, para nos traze-rem as mensagens de fraternidade de outros mundos.
Essa a razão do título escolhido para este volume. Somos todos, na verdade, Astronautas do Além. Se estamos hoje no Aquém, imantados ao solo do planeta, é porque ainda nos encontramos na Escola de Sagres do infinito, sujeitando-nos aos cursos de preparação necessários ao controle futuro das viagens espaciais. E essa preparação abrange as técnicas diferenciadas, mas não obstante conjugadas, da Astronáutica física e da Astronáutica celeste. O desenvolvimento das faculdades psíquicas do homem se acelera em nossos dias porque a Era Cósmica já se iniciou. Os fenômenos paranormais de que trata a Parapsicologia constituem o equipamento etéreo dos astronautas físicos, pois sem a telepatia, a precognição, a retrocognição e a clarividência, nossos astronautas estarão sempre ameaçados pelas surpresas do meio cósmico.
Os fenômenos paranormais nada mais são do que os fenômenos mediúnicos. Não existe um campo específico de fenômenos parapsicológicos. Os verdadeiros parapsicólogos não criam problemas com referência ao Espiritismo, pois sabem muito bem que estão trabalhando em campo espírita. Só os falsos parapsicó-logos, em geral incapazes de compreender a ciência que dizem cultivar e pretendem ensinar, estabelecem um conflito imaginário entre Parapsicologia e Espiritismo. Sofrem da cegueira mental do sectarismo ou de incompetência intelectual. São os beneficiários do preconceito cultural e religioso que impede até agora as nossas Universidades de acertarem o passo dos seus currículos estreitos com as dimensões maiores dos currículos mundiais. Vivem parasitando a ignorância acadêmica e sugando impunemente a ignorância popular, desarmada diante do assalto vampiresco à sua ingenuidade._Este livro prova, em seus vários capítulos, que refletem a vivência real da mediunidade em nossa terra, que os fatos mediúnicos são a matéria prima da pesquisa parapsicológica. Dispomos de uma tradição de mais de um século nesse terreno, mas os nossos meios universitários preferem marcar passo na retaguarda da cultura mundial, franqueando aos incompetentes e aos espertalhões os poderosos filões mediúnicos das nossas camadas populares.
O material reunido neste volume corresponde ao período que vai de 14 de janeiro de 1973 a 21 de julho de 1973 na divulgação das mensagens psicográficas recebidas pelo médium Francisco Cândido Xavier, seguidas dos comentários de Irmão Saulo, pseudônimo de que nos servimos para a publicação de crônicas espíritas na imprensa, há mais de um quarto de século. Com este são três os volumes já publicados, sendo os dois anteriores os seguintes: Chico Xavier Pede Licença e Na Era do Espírito.
Esses volumes documentam de maneira viva a atividade mediúnica de Francisco Cândido Xavier e seu relacionamento direto com a vida do nosso povo. As explicações do próprio médium sobre as condições e as motivações da recepção dessas mensagens constituem valioso material de estudo para todos os que realmente se interessam pelos problemas espirituais.
São Paulo, 3 de outubro de 1973.________________J. Herculano Pires_______________________________________________Do livro Astronautas do além _ Francisco Cândido Xavier e Herculano Pires
terça-feira, 12 de maio de 2015
Legendas do Obreiro da Verdade
• Compreender que as necessidades e as esperanças dos outros são fundamentalmente iguais às nossas.
• Auxiliar sem exigir que o beneficiado nos tome as ideias.
• Reconhecer que a Divina Providência possui estradas inúmeras para socorrer as criaturas e iluminá-las.
• Aprender a tolerar com paciência as pequenas humilhações, a fim de prestar os grandes testemunhos de sacrifício pessoal que a Causa da Verdade lhe reclamará possivelmente algum dia.
• Esquecer-se pela obra que realiza.
• Guiar-se pela misericórdia e não pela crítica.
• Abençoar sem reprovar.
• Construir ou reconstruir, sem ofender ou condenar.
• Trabalhar sempre sem o propósito de ser ou parecer o maior ou o melhor ante os demais.
• Cultivar ilimitadamente a cooperação e a caridade.
• Coibir-se de irritação e de azedume.
• Agir sem criar problemas.
• Observar que sem a disciplina individual no campo do bem, a prática do bem se faz impossível.
• Respeitar a personalidade dos companheiros.
• Encontrar ocasião para atender à bênção da prece.
• Deter-se nas qualidades nobres e olvidar as prováveis deficiências do próximo.
• Valorizar o esforço alheio.
• Nunca perder tempo.
• Apagar inimizades ou discórdias através da desculpa fraterna e do serviço constante que devemos uns aos outros.
Criar oportunidades de trabalho para si, ajudando aos outros no sentido de descobrirem as oportunidades de trabalho que lhes digam respeito à capacidade e às possibilidades de realização, conservando em tudo a certeza inalterável de que toda pessoa é importante na edificação do Reino de Deus.___________________________Emmanuel
sábado, 2 de maio de 2015
Reencarnação
A lei das reencarnações, esse retorno das almas sobre a Terra, suscita objeções às quais é necessário responder, temores que é preciso dissipar. Entre aqueles que interrogam, uns temem não mais reencontrar, no além, os seres que eles amaram aqui na Terra. Pergunta-se se, em virtude dessa lei, nós seremos separados dos membros atuais de nossas famílias e obrigados a prosseguir isoladamente, nossa lenta e penosa evolução. Outros estão apavorados pela perspectiva de retomar a tarefa terrestre, após uma vida laboriosa semeada de provas e de males. Apressemo-nos em tranqüilizá-los.
A reencarnação é rápida, a estada do espírito no espaço é de curta duração somente no caso de crianças mortas com pouca idade. Tendo malogrado a sua tentativa para reaparecer no cenário terrestre, quase sempre por causas fisiológicas devidas à mãe, essa tentativa será renovada desde que condições favoráveis sejam apresentadas no mesmo meio. Caso contrário, o espírito se reencarnará nas proximidades desse meio, isto é, entre parentes ou amigos, de maneira a permanecer em relação com aqueles que ele tinha escolhido, em virtude de uma atração resultante de ligações anteriores, de forças afetivas que constituem uma certa afinidade fluídica.
Os espíritos formam famílias numerosas cujos membros continuam através de suas múltiplas reencarnações. Enquanto que uns prosseguem sobre o plano material sua educação e sua evolução, outros ficam no Espaço para os proteger, na medida de seus meios, sustentá-los, inspirá-los, esperá-los a fim de os receber no término da vida terrestre. Mais tarde, esses aqui renascerão para a vida humana e, por sua vez, de protetores se tornarão protegidos. A duração da estada no Espaço é muito variável e, conforme o grau de evolução, pode durar muitos séculos ou somente algumas dezenas de anos, para os espíritos ambiciosos de progresso.
Há sempre correlação entre a vida terrestre e a do Espaço. A família visível está sempre ligada à família invisível, mesmo sem seu conhecimento. Os afetos, os sentimentos provenientes dos laços estabelecidos no curso das vidas sucessivas, transmitem-se de um plano ao outro com maior intensidade quanto mais sutil for o estado vibratório dos seres que compõem essas famílias.
A união perfeita que reina em certas famílias se explica pelas numerosas vidas comuns. Seus membros foram reaproximados por uma atração espiritual, uma adaptação do pensamento idêntico, de gostos e de aspirações da mesma ordem, e isso em graus diversos.
É fácil reconhecer em uma família aquele que nela se encarna excepcionalmente e pela primeira vez, seja para ali se aperfeiçoar intelectual e moralmente, em contato com seres mais evoluídos, seja, ao contrário, para servir de exemplo, de modelo, de treinador de espíritos atrasados e, ao mesmo tempo, para ajudá-los a suportar as provas que o destino lhes reserva, o que torna uma missão uma tarefa meritória. Em certos casos o contraste é tão notável entre os caracteres, a maneira de pensar e de agir é tão surpreendente que as pessoas não iniciadas chegam a proferir este julgamento: “Aquele não é da família, poder-se-ia crer que ele foi trocado pela ama-de-leite!”
Desde a vida no espaço, entre certos espíritos são assumidos os compromissos de reencarnarem nos mesmos ambientes e aí prosseguir uma evolução comum. Outras almas evoluídas aceitam a função penosa de descer a lares materiais para neles dissipar, por suas irradiações, os elementos grosseiros que dominam tais ambientes, e este ato de abnegação será para elas um novo motivo de progresso.
Algumas pessoas nos interrogam sobre as diferenças de raças e suas relações com a evolução. Os espíritos dizem, sobre esse assunto, que cada região do globo atrai do Espaço os fluidos em harmonia com os eflúvios que se desprendem do solo. Daí resulta que os espíritos que renascem nessas regiões terão gostos e aspirações diferentes. Por exemplo, os africanos receberão os fluidos próprios para desenvolver a sua vitalidade física, porque seu espírito tem necessidade de se sentir em um envoltório sólido.
Entre os orientais, os japoneses, por exemplo, a evolução terrestre é mais completa, os corpos são pequenos, a sensibilidade desenvolvida, a percepção do além mais nítida. O misticismo está presente. O perispírito do japonês, de uma grande sutileza, vibrará mais fortemente do que o do senegalês.
Entre os ocidentais, em geral, a evolução não tem sido uniforme. Ela variou conforme os países. Os montanheses e os marítimos, sob formas mais rudes, guardaram um certo fundo de idealismo ou um espírito religioso. Aí estão dois tipos humanos cujas aspirações se relacionam mais diretamente com o mundo superior, porque eles se comungam com a Natureza.
Não é de espantar se um espírito, na sua curta evolução, experimenta, às vezes, a necessidade de mudar de meio para adquirir qualidades ou conhecimentos que ainda lhe faltam. Mas esses mesmos seres, voltando ao espaço, ali logo encontram os elementos espirituais de que se haviam afastado por certo tempo e dos quais tinham guardado lembranças. Já, no sono, o ser encarnado se aproxima de seus amigos do Espaço e revê, em alguns instantes, sua vida passada, mas, ao despertar, essa impressão se apaga, porque ela poderia perturbar e diminuir o seu livre-arbítrio.
Se ele se afasta, por um certo tempo, de sua família terrestre, não abandona nunca sua família espiritual e, quando a família humana evoluiu e atinge um plano fluídico superior, a ação inversa se produzirá, e será ela que, por sua vez, atrairá no espaço o espírito menos avançado. A lei de evolução do ser através de suas vidas renascentes é admirável, mas a inteligência humana não pode entrever senão seu pálido reflexo.
Os ensinos contidos nestas páginas não são uma obra de imaginação. Eles emanam de mensagens espirituais obtidas por todos os processos mediúnicos e recolhidos em todos os países. Até aqui, não tínhamos, sobre as condições de vida no Além, a não ser hipóteses humanas, sejam filosóficas ou religiosas. Hoje, os que vivem essa vida a descrevem para nós e falam sobre as leis da reencarnação. Com efeito, o que são certas exceções assinaladas entre os anglo-saxões, e cujo número diminui cada dia em presença da enorme quantidade de documentos, de testemunhos concordantes recolhidos desde a América do sul até as Índias e o Japão?
Não é mais, como no passado, um pensador isolado, ou mesmo um grupo de pensadores, que vem mostrar à humanidade a rota que ele julga verdadeira; é um mundo invisível, inteiro, que se abala, e se esforça para tirar o pensamento humano de suas rotinas, de seus erros, e lhe revela, como no tempo dos druidas, a lei divina da evolução. São os próprios parentes e amigos mortos que nos expõem sua situação, boa ou má, e a conseqüência de seus atos no decorrer de palestras ricas de provas de identidade.
Possuo sete grandes volumes de comunicações, recebidas no grupo que por longo tempo dirigi, que respondem a todas as questões que a inquietude humana apresenta à sabedoria dos invisíveis.
Os espíritos guias nos instruíam por meio de diversos médiuns que, geralmente, não se conheciam entre si, e sobretudo por mulheres pouco letradas, cheias de preconceitos católicos e pouco inclinadas à doutrina das encarnações. Ora, todos aqueles que consultaram esses arquivos ficaram surpreendidos pela beleza do estilo, como também pela profundeza das idéias emitidas.
Talvez essas mensagens sejam um dia publicadas. Então, ver-se-á que, nas minhas obras, não sou inspirado somente por mim, mas sobretudo por aqueles do outro lado da vida. Reconhecer-se-á, pela variedade das formas, uma grande unidade de princípios e uma perfeita analogia com os ensinos obtidos dos espíritos guias, em todos os meios, e onde Allan Kardec se inspirou para delinear as grandes regras de sua doutrina.
Após a guerra (1ª Guerra Mundial, 1914-1918), nossos instrutores continuaram a se manifestar por diferentes médiuns. Por meio de entidades diversas, a personalidade de cada um deles se afirmou por seu caráter próprio, por uma originalidade talhada, em uma palavra, de maneira a evitar toda possibilidade de simulação. Pode-se seguir, anualmente, na Revue Spirite, a quintessência dos ensinos que nos foram dados sobre assuntos sempre substanciais e elevados.
Depois, próximo ao congresso (Espírita) de 1925, foi o grande iniciador (Allan Kardec) que veio nos certificar de seu concurso e nos esclarecer com seus conselhos. Hoje ainda é ele, Allan Kardec, que nos anima a publicar este estudo sobre a reencarnação.________________________________________________Do Livro O Gênio Céltico e o Invisível de Leon Denis
domingo, 19 de abril de 2015
Aborto Espontâneo
Na questão 166 de “O Livro dos Espíritos”, que uma alma que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, se depura pela prova de nova existência. A Doutrina Espírita ensina que o corpo físico é modelado por uma estrutura semimaterial, denominada perispírito. Diversas passagens da Codificação Espírita no-lo indicam, como, por exemplo, em “O Livro dos Espíritos”, à questão 135 e no item 257 (“Ensaio teórico da sensação nos Espíritos”). O que nossa consciência carrega de ações mais ou menos felizes impacta essa estrutura semimaterial, por isso há impacto, também, no corpo físico. Danos ao perispírito, muitas vezes, demandam diversas etapas de interação com a matéria densa, para serem sanados. Pode-se comparar o processo a um enxerto de pele ou osso em uma lesão, no qual sejam necessárias diversas operações, cada uma efetuando um passo adiante na reconstituição do dano. A duração nessas internações na matéria varia com a necessidade, podendo ser de vários anos após o nascimento a poucas horas de gestação, visando a um melhoramento no modelador biológico do Espírito em tratamento. Relevante é perceber que mesmo uma curta gestação, aparentemente fracassada em um aborto espontâneo, pode trazer enormes benefícios a um Espírito em processo de reconstituição de seu perispírito.
André Luiz orienta [1], a esse respeito: “Na Espiritualidade, os servidores da Medicina penetram, com mais segurança, na história do enfermo para estudar, com o êxito possível, os mecanismos da doença que lhe são particulares. Aí, os exames nos tecidos psicossomáticos com aparelhos de precisão, correspondendo às inspeções instrumentais e laboratoriais em voga na Terra, podem ser enriquecidos com a ficha cármica do paciente, a qual determina quanto à reversibilidade ou irreversibilidade da moléstia, antes de nova reencarnação, motivo por que numerosos doentes são tratáveis, mas somente curáveis mediante longas ou curtas internações no campo físico, a fim de que as causas profundas do mal sejam extirpadas da mente pelo contato direto com as lutas em que se configuraram.”
O mesmo autor espiritual apresenta outro exemplo [2] em que um Espírito requer mais de uma reencarnação para retificar seu perispírito, nas orientações recebidas do Espírito Clarêncio acerca de paciente denominado Júlio: “Desentendendo-se com alguns laços afetivos do caminho, no século passado, confiou-se a extrema revolta, aniquilando o veículo físico que lhe fora emprestado por valiosa bênção. Rendendo-se à paixão, sorveu grande quantidade de corrosivo. Salvo, a tempo, sobreviveu à intoxicação, mas perdeu a voz, em razão das úlceras que se lhe abriram na fenda glótica. Ainda aí, não se conformando com o auxílio dos colegas que o puseram fora de perigo, alimentou a ideia de suicídio, sem recuar. Foi assim que, não obstante enfermo, burlou a vigilância dos companheiros que o guardavam e arrojou-se a funda corrente de um rio, nela encontrando o afogamento que o separou do envoltório carnal. Na vida espiritual, sofreu muito, carregando consigo as moléstias que ele mesmo infligira à própria garganta e os pesadelos da asfixia, até que reencarnou, junto das almas com as quais se mantém associado para a regeneração do pretérito. Infelizmente, porém, encontra dificuldades naturais para recuperar-se. Lutará muito, antes de incorporar-se a novo patrimônio físico. (...) Júlio renascerá num equipamento fisiológico deficitário que, de algum modo, lhe retratará a região lesada a que nos reportamos. Sofrerá intensamente do órgão vocal que, sem dúvida, se caracterizará por fraca resistência aos assaltos microbianos, e, em virtude de o nosso amigo haver menosprezado a bênção do corpo físico, será defrontado por lutas terríveis, nas quais aprenderá a valorizá-lo.”
Na esclarecedora obra “Memórias de um Suicida” [3], Camilo Cândido Botelho, pela mediunidade de Yvonne do Amaral Pereira, orienta, a respeito da reconstituição da energia vital de suicidas: “A Excelsa Misericórdia encaminha, geralmente, tais casos, tidos como os mais graves, a reencarnações imediatas onde o delinquente completará o tempo que lhe faltava para o término da existência que cortou. Conquanto muito dolorosas, mesmo anormais, tais reencarnações serão preferíveis às desesperações de além-túmulo, evitando, ao demais, grande perda de tempo ao paciente. (...) O perispírito não teve forças vibratórias para modelar a nova forma corpórea, a despeito do auxilio recebido dos técnicos do mundo Invisível. Assim, concluirão o tempo que lhes faltava para o compromisso da existência prematuramente cortada, corrigirão os distúrbios vibratórios e, logicamente, sentir-se-ão aliviados. Trata-se de uma terapêutica, nada mais, recursos extremos exigidos pela calamidade da situação.”
Não associemos todo evento de aborto espontâneo a um suicídio em vida pregressa. Generalizar ou buscar “tabular” causas e consequências induz a conclusões errôneas e, não raro, injustas. Este é apenas um exemplo de causa de dano ao perispírito. Lembremos que toda atitude desarmônica pode danificar nossa energia vital, e desencarnações prematuras por mau uso de nossa vitalidade ao longo dos anos são vistas como formas lentas de extinção voluntária da vida. Temos todos de reparar nossos próprios erros, como orientam os Espíritos à questão 1013 de “O Livro dos Espíritos”, sobre o que se deve entender por purgatório: “Dores físicas e morais: o tempo da expiação. Quase sempre, na Terra é que fazeis o vosso purgatório e que Deus vos obriga a expiar as vossas faltas.”
Doença congênita não é, portanto, “falta de sorte genética”, pois Deus não nos abandona à sorte; esses eventos devem ser encarados como parte de um projeto de evolução moral. Moléstias não são castigos, mas sim provas ou expiações para o reencarnante e/ou família, visando sempre à melhora de todos no campo moral. Não se espera uma “alegria” com a constatação da doença, mas sim a resignação com a certeza de superação do desafio, ainda que a cura se concretize após aquela vida física.
A desistência da prova
Havendo danos no perispírito do reencarnante, os quais venham a inviabilizar seu nascimento saudável, pode ocorrer de o Espírito que sofre este processo desistir de passar pelo mesmo, apesar de essa ocorrência ser útil à sua reconstituição. Assim orientam os Espíritos superiores, à questão 348 de “O Livro dos Espíritos”, sobre se o Espírito reencarnante pode saber, previamente, que seu futuro corpo é inviável: “Sabe-o algumas vezes; mas, se nessa circunstância reside o motivo da escolha, isso significa que está fugindo à prova.” Ser bem sucedido não corresponde apenas a nascer saudável, mas a se melhorar, evoluir. Se, para tal melhora, se fazem necessários breves estágios de contato perispiritual com a matéria densa, desistir dessas etapas é fugir ao tratamento, evadir-se à prova, atrasar sua marcha evolutiva.
Lemos, à questão 345 da obra supracitada, que, “(...) como os laços que ao corpo o prendem são ainda muito fracos, facilmente se rompem e podem romper-se por vontade do Espírito, se este recua diante da prova que escolheu. Em tal caso, porém, a criança não vinga.” Todavia, não há como outro Espírito passar a ocupar o corpo destinado ao Espírito que desistiu de reencarnar.
As orientações constantes da questão 355 do mesmo livro indicam haver, de fato, crianças que, já no ventre materno, não são viáveis biologicamente: “(...) Deus o permite como prova, quer para os pais do nascituro, quer para o Espírito designado a tomar lugar entre os vivos.” A pergunta de número 356 indica, também, haver natimortos não destinados à encarnação de Espíritos, ocorrência a qual, não obstante, também traz utilidade evolutiva: “Alguns há, efetivamente, a cujos corpos nunca nenhum Espírito esteve destinado. Nada tinha que se efetuar para eles. Tais crianças então só vêm por seus pais.” Mesmo nestas condições, este corpo não é inútil. Os Espíritos esclarecem, à questão 360: “Por que não respeitar as obras da criação, algumas vezes incompletas por vontade do Criador? Tudo ocorre segundo os seus desígnios e ninguém é chamado para ser seu juiz.”
Planejamento reencarnatório
Allan Kardec questiona, à pergunta 353 de “O Livro dos Espíritos”: “Não sendo completa a união do Espírito ao corpo, não estando definitivamente consumada, senão depois do nascimento, poder-se-á considerar o feto como dotado de alma?”, ao que os Espíritos instruem: “O Espírito que o vai animar existe, de certo modo, fora dele. O feto não tem pois, propriamente falando, uma alma, visto que a encarnação está apenas em via de operar-se. Acha-se, entretanto, ligado à alma que virá a possuir.” Verificamos, aí, a existência de um planejamento, muito anterior à fecundação propriamente dita. Um edifício começou por um projeto, o que não significa que ele não era nada, ou que nada havia sido ainda investido de tempo, energia e recursos quando esse prédio não estava no início de sua existência material e era “apenas” uma série de cálculos e desenhos.
André Luiz nos traz dois ilustrativos exemplos disso:
Em “Missionários da Luz” [4], verifica-se um planejamento reencarnatório e ligação psíquica que antecedem, em muito, a efetiva ligação do perispírito à célula-ovo fecundada materialmente: “Desde muito, e, particularmente, desde a semana passada, está em processo de ligação fluídica direta com os futuros pais.”;
Na obra “E a Vida Continua...” [5], observamos um planejamento reencarnatório com trinta anos de antecedência, visando a resgatar determinados procedimentos inadequados de alguns dos Espíritos da história narrada: “Ribas apanhou pequeno mapa, dentre os papéis que compulsava, e elucidou, indicando figurações aqui e ali: – A desencarnação de Elisa está prevista para breves dias, mas o renascimento dela, depois de reequilíbrio seguro em nossa estância, poderá ocorrer, conforme nosso esquema, dentro de cinco a seis anos. Com a permissão de nossos Maiores, será ela filha de Serpa e Vera, se vocês trabalharem no socorro a ambos, com muito amor... Renascerá depois de Mancini, que lhes será o primogênito... Como é fácil de perceber, daqui a trinta anos, mais ou menos, ocasião considerada provável para o retorno de Caio à Vida Espiritual, devolverá ele à sogra espoliada – então sua filha – tanto quanto a Vera Celina, na condição de viúva, todos os patrimônios de que hoje se apropria.”
Verifica-se, então, que uma célula-ovo, esteja ou não conectada efetivamente com um Espírito — o que nunca sabemos, por não haver ainda instrumentação para tal — pode ser parte integrante de um planejamento de décadas, e, por isso, merece todo respeito, como qualquer criação de Deus.
Concluindo...
Tudo é supervisionado por Deus através de seus filhos já evoluídos, como o é Jesus, Governador da Terra.
O que vimos como sucesso e fracasso, se pautado sob uma estreita perspectiva de uma só vida, mostra-se totalmente diferente ao entendermos haver a sabedoria de Deus em tudo, em um planejamento de longuíssimo prazo, de muitos milênios, visando à nossa evolução moral e intelectual. Demonstra-se, de forma clara, o quanto nossos Espíritos protetores trabalham por nós, com tanto tempo de antecedência, e o quanto temos a agradecer a Deus por seu concurso. Cabe a nós procurar agir da melhor maneira, buscando, pela prece, a inspiração desses bons Espíritos, de forma a não prejudicar esse planejamento.__________________________________________________________________
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