segunda-feira, 27 de julho de 2020
Roda Viva do Espiritismo - Entrevista com Severino Celestino
sábado, 20 de junho de 2020
Maratona Virtual da Comunicação - ÍNTEGRA
segunda-feira, 11 de maio de 2020
Denis, No Invisível
O Espiritismo representa uma fase nova da evolução humana. A lei que, através dos séculos, tem conduzido as diferentes frações da Humanidade, longo tempo separadas, a gradualmente aproximar-se, começa a fazer sentir no Além os seus efeitos. Os modos de correspondência que entretêm na Terra os homens vão-se estendendo pouco a pouco aos habitantes do mundo invisível, enquanto não atingem, mediante novos processos, as famílias humanas que povoam os mundos do espaço.
Contudo, nas sucessivas ampliações do seu campo de ação, a Humanidade tropeça em inúmeras dificuldades. As relações, multiplicando-se, nem sempre trazem favoráveis resultados; também oferecem perigos, sobretudo no que se refere ao mundo oculto, mais difícil que o nosso de penetrar e analisar. Lá, como aqui, o saber e a ignorância, a verdade e o erro, a virtude e o vício existem, com esta agravante: ao passo que fazem sentir sua influência, permanecem encobertos aos nossos olhos; donde a necessidade de abordar o terreno da experimentação com extrema prudência, de longos e pacientes estudos preliminares.
E necessário aliar os conhecimentos teóricos ao espírito de investigação e à elevação moral, para estar verdadeiramente apto a discernir no Espiritismo o bem do mal, o verdadeiro do falso, a realidade da ilusão. É preciso compenetrar-se do verdadeiro caráter da mediunidade, das responsabilidades que acarreta, dos fins para os quais nos é concedida.
O Espiritismo não é somente a demonstração, pelos fatos, da sobrevivência; é também o veículo pelo qual descem sobre a Humanidade as inspirações do mundo superior. A esse título é mais que uma ciência, é o ensino que o Céu transmite à Terra, reconstituição engrandecida e vulgarizada das tradições secretas do passado, o renascimento dessa escola profética que foi a mais célebre escola de médiuns do Oriente. Com o Espiritismo, as faculdades, que foram outrora o privilégio de alguns, se difundem por um grande número. A mediunidade se propaga; mas de par com as vantagens que proporciona, é necessário estar advertido a respeito de seus escolhos e perigos.
Espiritismo
Trecho do discurso pronunciado por Léon Denis na sessão de 11 de setembro de 1888, no Congresso Espírita de Paris, respondendo ao Sr. Fauvety:
“Não vos viemos dizer que devamos ficar confinados ao círculo, por mais vasto que seja, do Espiritismo kardequiano. Não; o próprio mestre vos convida a avançar nas vias novas, a alargar a sua obra.
Estendemos as mãos a todos os inovadores, a todos os de boa vontade, a todos os que têm no coração o amor da Humanidade.”
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
O vale dos suicídas
Camilo Cândido Botelho
Precisamente no mês de janeiro do ano da graça de 1891, fora eu surpreendido com meu aprisionamento em região do Mundo Invisível cujo desolador panorama era composto por vales profundos, a que as sombras presidiam: gargantas sinuosas e cavernas sinistras, no interior das quais uivavam, quais maltas de demônios enfurecidos, Espíritos que foram homens, dementados pela intensidade e estranheza,
verdadeiramente inconcebíveis, dos sofrimentos que os martirizavam.
Nessa paisagem aflitiva da contemplação, com a vista torturada do grilheta, não distinguiria sequer o doce vulto de um arvoredo que testemunhasse suas horas de desesperação, tampouco paisagens
confortativas que pudessem distraí-lo da
contemplação cansativa dessas gargantas
onde não penetrava outra forma de Vida
que não a traduzida pelo supremo horror!
[...]
Não havia então ali, como não haverá
jamais, nem paz, nem consolo, nem esperança: tudo em seu âmbito marcado pela
desgraça era miséria, assombro, desespero
e horror.
[...]
Aqui, era a dor que nada consola, a desgraça que nenhum favor ameniza, a tragédia que ideia alguma tranquilizadora vem
orvalhar de esperança! Não há céu, não
há luz, não há sol, não há perfume, não há
tréguas!
O que há é o choro convulso e inconsolável dos condenados que nunca se
harmonizam! O assombroso “ranger dos
dentes” da advertência prudente e sábia
do sábio Mestre de Nazaré! A blasfêmia
acintosa do réprobo a se acusar a cada
novo rebate da mente flagelada pelas recordações penosas! A loucura inalterável de consciências contundidas pelo vergastar infame dos remorsos! O que há é a
raiva envenenada daquele que já não pode
chorar, porque ficou exausto sob o excesso das lágrimas! O que há é o desaponto, a surpresa aterradora daquele que se
sente vivo a despeito de se haver arrojado
na morte! É a revolta, a praga, o insulto, o
ulular de corações que o percutir monstruoso da expiação transformou em feras!
O que há é a consciência conflagrada, a
alma ofendida pela imprudência das ações
cometidas, a mente revolucionada, as faculdades espirituais envolvidas nas trevas
oriundas de si mesma! [...].
domingo, 14 de abril de 2019
Vida no Espaço
32. Se a ciência humana se servir de seus recursos, pondo em risco a estabilidade do Planeta, é de se esperar esteja a Humanidade da Terra sujeita a uma intervenção direta da parte de outros planetas?
“Nossa confiança na Sabedoria da Providência Divina deve ser completa. Ainda mesmo que a Terra se desintegrasse numa catástrofe de natureza cósmica. Deus e a Vida não deixariam de existir. Uma cidade arrasada num cataclismo não significa a destruição de um povo inteiro. Justo que, em nos considerando coletivamente, temos feito por merecer longas aflições e duras provas na Terra, entretanto, diante da Infinita Bondade, devemos afastar quaisquer ideias sinistras da cabeça popular, carecedora de harmonia e esperança para evoluir e servir. Amemo-nos uns aos outros. Realizemos o melhor ao nosso alcance. Convençamo-nos de que o bem vive para o mal como a luz para a sombra. Edifiquemos o mundo melhor, começando em nós mesmos, e confiemos na palavra fiel do Cristo que prometeu amparar-nos e auxiliar-nos “até o fim dos séculos”. E assim nos exprimindo, não nos propomos afirmar que, a pretexto de contar com Jesus, podemos andar irresponsáveis ou desatentos. Não. Forçoso trabalhar e cumprir as obrigações que a vida nos trace, a fim de sermos amparados e auxiliados por ele, sejam quais forem as circunstâncias.” _______________
.André Luiz
quarta-feira, 6 de março de 2019
Médium pintor cego
Um de nossos correspondentes de Maine-et-Loire, o Dr. C..., transmite-nos este fato:
“Eis um curioso exemplo da faculdade mediúnica aplicada ao desenho, que se manifestou vários anos antes que fosse conhecido o Espiritismo e mesmo antes das mesas girantes.
“Há três semanas, estando em Bressuire, eu explicava o Espiritismo e as relações dos homens com o mundo invisível a um advogado de meus amigos, que lhe ignorava o á-bê-cê. Ora, eis o que ele me contou como tendo grande relação com o que lhe dizia:
“Em 1849, disse ele, fui com um amigo visitar a aldeia de Saint-Laurent-surSèvres e seus dois conventos, um de homens, outro de mulheres. Fomos recebidos da mais cordial maneira pelo Padre Dallain, superior do primeiro, e que tinha autoridade também sobre o segundo.
“Depois de ter percorrido os dois conventos, disse-nos ele:
“─ Agora, senhores, quero mostrar-vos uma das coisas mais curiosas do convento das senhoras.
“Mandou trazer um álbum, onde admiramos, com efeito, aquarelas de grande perfeição. Eram flores, paisagens e marinhas. Então ele nos disse:
“─ Estes desenhos tão bem reunidos foram feitos por uma de nossas jovens religiosas que é cega.
“E eis o que ele nos contou de um lindo ramo de rosas, com um botão azul:
“─ Há algum tempo, em presença do Sr. Marquês de La Rochejaquelein e de vários outros visitantes, chamei a religiosa cega e pedi que ela se pusesse a uma mesa para desenhar alguma coisa. Trouxeram as tintas, deram-lhe papel, lápis, pincéis, e ela imediatamente começou o ramo que vedes. Durante o trabalho várias vezes colocaram um corpo opaco, ora um papelão, ora uma prancheta entre os seus olhos e o papel, mas o pincel continuou a trabalhar com a mesma calma e a mesma regularidade. À observação de que o ramo estava um pouco fino, ela disse: ‘Está bem! Vou fazer sair um botão do vazio deste ramo.’ Enquanto ela trabalhava nessa correção, substituíram o carmim de que se servia pelo azul. Ela não percebeu a mudança, e é por isso que vedes um botão azul.
“O Padre Dallain era tão notável por seus conhecimentos e sua grande inteligência quanto por sua elevada piedade. Não encontrei ninguém que me tivesse inspirado mais simpatia e veneração.”
Em nossa opinião, o fato não prova, de modo evidente, uma ação mediúnica. Pela linguagem da jovem cega, é certo que ela via, do contrário não teria dito: “Vou fazer sair um botão do vazio deste ramo.” Mas o que não é menos certo é que ela não via pelos olhos, desde que continuava o trabalho a despeito do obstáculo que punham à sua frente. Ela agia com conhecimento de causa, e não maquinalmente, como um médium. Assim, parece evidente que ela era dirigida pela segunda vista. Ela via pelos olhos da alma, abstração feita dos olhos do corpo. Talvez ela mesma estivesse, de forma permanente, num estado de sonambulismo desperto.
Fenômenos análogos foram observados muitas vezes, mas contentavam-se em achá-los surpreendentes. A causa não podia ser descoberta, tendo em vista que, ligando-se essencialmente à alma, era preciso, em primeiro lugar, reconhecer a existência da alma. Entretanto, mesmo que fosse admitido, esse ponto ainda não bastava, pois faltava o conhecimento das propriedades da alma e das leis que regem suas relações com a matéria.
Revelando-nos a existência do perispírito, o Espiritismo nos deu a conhecer, se assim se pode dizer, a fisiologia dos Espíritos. Dessa forma, ele nos deu a chave de uma porção de fenômenos incompreendidos e, em falta de melhores razões, qualificados por uns de sobrenaturais e por outros de bizarrias da Natureza.
Pode a natureza ter bizarrias? Não, porque bizarrias são caprichos. Ora, sendo a Natureza obra de Deus, Deus não pode ter caprichos, sem o que nada seria estável no Universo. Se há uma regra sem exceção, deve ser, certamente, a que rege as obras do Criador; as exceções seriam a destruição da harmonia universal. Todos os fenômenos se ligam a uma lei geral, e uma coisa só nos parece bizarra porque observamos um único ponto, ao passo que, se considerarmos o conjunto, reconheceremos que a irregularidade daquele ponto é apenas aparente e depende de nosso limitado ponto de vista.
Isto posto, diremos que o fenômeno de que se trata nem é maravilhoso, nem excepcional. É o que trataremos de explicar.
No estado atual dos nossos conhecimentos, não podemos conceber a alma sem seu envoltório fluídico, perispiritual. O princípio inteligente escapa completamente à nossa análise. Só o conhecemos por suas manifestações, que se dão com o auxílio do perispírito. É pelo perispírito que a alma age, percebe e transmite. Desprendida do envoltório corporal, a alma ou Espírito ainda é um ser complexo.
De acordo com a experiência, ensina-nos a teoria que a visão da alma, assim como todas as outras percepções, é um atributo do ser inteiro. No corpo, ela é circunscrita ao órgão da visão, por isso é-lhe preciso o concurso da luz, e tudo o que se acha no trajeto do raio luminoso o intercepta. Não é assim com o Espírito, para o qual não há obscuridade nem corpos opacos.
A seguinte comparação pode ajudar a compreender esta diferença. A céu aberto, o homem recebe a luz por todos os lados; mergulhado no fluido luminoso, o horizonte visual se estende por toda a volta. Se ele estiver encerrado numa caixa na qual foi feita uma pequena abertura, em sua volta tudo estará na obscuridade, salvo o ponto por onde lhe chega o raio luminoso. A visão do Espírito encarnado está neste último caso. A do Espírito desencarnado está no primeiro. Esta comparação é justa quanto ao efeito, mas não o é quanto à causa, porque a fonte da luz não é a mesma para o homem e para o Espírito ou, melhor dito, não é a mesma luz que lhes dá a faculdade de ver.
Assim, a cega de que se trata via pela alma e não pelos olhos. Eis por que o anteparo colocado diante do desenho não a perturbava mais do que aos olhos de um vidente ante os quais tivessem posto um cristal transparente. É também por isto que ela tanto podia desenhar de noite quanto de dia. Radiando em torno dela e tudo penetrando, o fluído perispiritual trazia a imagem, não sobre a retina, mas à sua alma. Nesse estado, a visão abarca tudo? Não. Ela pode ser geral ou especial, conforme a vontade do Espírito; pode ser limitada ao ponto onde ele concentra a sua atenção.
Mas então, irão perguntar, por que não se apercebeu ela da substituição da cor? Primeiramente, pode ser que a atenção voltada para o lugar onde ela queria pôr a flor a tenha desviado da cor. Além disto, é preciso considerar que a visão da alma não se opera pelo mesmo mecanismo que a visão corporal, e que assim há efeitos de que não nos poderíamos dar conta. Depois, ainda é preciso notar que nossas cores são produzidas pela refração da nossa luz. Ora, sendo as propriedades do perispírito diferentes das dos nossos fluidos ambientes, é provável que a refração aí não produza os mesmos efeitos; que para o Espírito as cores não tenham as mesmas causas que para o encarnado. Assim, ela podia, pelo pensamento, ver róseo o que nos parecia azul. Sabe-se que o fenômeno da substituição das cores é muito frequente na visão ordinária. O fato principal é o da visão bem constatada sem o concurso dos órgãos da visão.
Como se vê, esse fato não implica a ação mediúnica, mas, também, não exclui, em certos casos, a assistência de um Espírito estranho. Essa jovem podia, pois, ser ou não ser médium, o que um estudo mais atento poderia ter revelado.
Uma pessoa cega gozando dessa faculdade era precioso objeto de observação. Mas para tanto teria sido necessário conhecer a fundo a teoria da alma, a do perispírito e, por consequência, o sonambulismo e o Espiritismo. Naquela época não se conheciam essas coisas, e mesmo hoje não seria nos meios onde as consideram como diabólicas que poderiam entregar-se a esses estudos. Também não é naqueles onde se nega a existência da alma que o mesmo pode ser feito.
Dia virá, certamente, em que reconhecerão que há uma física espiritual, como começam a reconhecer a existência da medicina espiritual! -----------------------------
https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/898/revista-espirita-jornal-de-estudos-psicologicos-1864/5580/marco/medium-pintor-cego
domingo, 30 de dezembro de 2018
A comunicação entre os dois planos da vida
Sabemos que os Espíritos exercem contínua ação no plano físico, manifestada de forma fugaz ou duradoura, boa ou má, sutil ou bem caracterizada,
que se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade como afirma Allan Kardec.
A comunicação entre os dois planos da vida é viabilizada por meio de duas faculdades inerentes ao psiquismo humano: a mediúnica e a anímica. Ambas
decorrem da natural capacidade pensante do ser humano e dos processos de sintonia mental, assim assinalados por Emmanuel: “O homem permanece
envolto em largo oceano de pensamentos, nutrindo-se de substância mental, em grande proporção. Toda criatura absorve, sem perceber, a influência alheia nos recursos imponderáveis que lhe equilibram a existência”.
Completando as suas ideias, o benfeitor espiritual acrescenta:
A mente, em qualquer plano, emite e recebe, dá e recolhe, renovando-se constantemente para o alto destino que lhe compete atingir. Estamos assimilando correntes mentais, de maneira permanente. De modo imperceptível, “ingerimos pensamentos”, a cada instante, projetando, em torno de nossa individualidade, as forças que acalentamos em nós mesmos. Somos afetados pelas vibrações de paisagens, pessoas e coisas que cercam. Se nos confiamos às impressões alheias de enfermidade e amargura, apressadamente se nos altera o “tônus mental”, inclinando-nos à franca receptividade de moléstias indefiníveis . Se nos devotamos ao convívio com pessoas operosas e dinâmicas, encontramos valioso sustentáculo aos nossos propósitos de trabalho e realização. _________________________Mediunidade - Estudo e prática - FEB
domingo, 9 de dezembro de 2018
DIFICULDADE NO INTERCÂMBIO
Irmão Jacob _ Livro Voltei___________________________________
Mas, o serviço não é tão fácil quanto parece à primeira vista. Podemos
certamente visitar amigos e influenciá-los; todavia, para isso, copiamos o esforço dos
profissionais da telepatia. Emitimos o pensamento, gastando a potência mental em dose
alta e, se a pessoa visada se mostra sensível, então é possível transmitir-lhe idéias; com
relativa facilidade. Por vezes, a deficiência do receptor, aliada às múltiplas ondas que o
cercam, impede a consumação de nossos propósitos. Se o instrumento de intercâmbio
permanece absorto nas preocupações da luta comum, é difícil estabelecer a
preponderância de nossos desejos.
A mente humana; atraí ondas de força, que variam de acordo com as
emissões que lhe caracterizam as atividades. No aparelho mediúnico, esse fenômeno é
mais vivo. Pela sensibilidade que lhe marca as faculdades registradoras, o médium
projeta energias em busca do nosso campo de ação e recebe-as de nossa esfera com
intensidade indescritível.
Calculam, pois, os obstáculos naturais que nos cerceiam as intenções. Se
não há combinação fluídico-magnética entre o Espírito comunicante e o recipiente
humano, realizar-se-á nosso intento apenas em sentido parcial.
É quase impossível impormos nossa individualidade completa.
Ainda mesmo em se tratando da materialização, o visitante do “outro
mundo” depende das organizações que o acolhem.
Se o médium relaxa a obrigação de manter o equilíbrio fisiopsíquico e se
os companheiros que lhe integram o grupo de trabalho vivem estonteados, sem o
entendimento preciso dos deveres que lhes competem, torna-se impraticável o
aproveitamento dos recursos que se nos oferecem para o bem.
Venho recebendo agora preciosas lições, quanto a isto, porque cheguei à
leviandade de prometer a mim mesmo que prosseguiria, depois do sepulcro, a
corresponder-me regularmente com os leitores de minhas páginas doutrinárias.
Considerava a escrita e a incorporação mediúnicas ocorrências triviais do
nosso aprendizado; no entanto, vim de reconhecer, neste plano em que hoje me
encontro, a desatenção com que assinalamos semelhantes dádivas. Esses fatos
amplamente multiplicados, em nossos agrupamentos, traduzem imenso trabalho dos
Espíritos protetores, com reduzida compreensão por parte dos que a eles assistem.
Passei a observar o porquê de muitas promessas de amigos, que se não
realizaram.
Companheiros diversos haviam partido, antes de mim; convencidos de
que poderiam voltar, quando quisessem, trazendo informações da nova esfera e, embora
lhes aguardassem a palavra esclarecedora, através de reuniões respeitáveis, a solução
parecia adiada, indefinidamente.
O homem encarnado é tido em nossos círculos por arrendatário das
possibilidades terrestres e, de modo algum, podemos absorve-lhe a autoridade e a
direção da experiência física, tanto quanto não lhe será possível determinar na zona de
trabalho que nos é própria.
Em vista disso, por mais que desejemos, somos obrigados a depender de
vocês em nossas comunicações e interferências.
Os amigos da vida superior necessitam da cooperação elevada, para se
manifestarem nas obras de amor e fé, na mesma proporção em que as entidades
votadas ao mal reclamam concurso de baixa espécie das criaturas perversas ou
ignorantes, no cenário carnal. Verifica-se a mesma disposição em nossa zona de serviço.
Vocês conseguirão isto ou aquilo, em nosso ambiente, dependendo, porém, das
entidades que puderem mobilizar.
domingo, 14 de outubro de 2018
fluídos
São Luís fala sobre os fluidos e explica como é que os Espíritos fazem os objetos materiais mover-se, dando-lhes uma vida factícia: quando a mesa se ergue não é o Espírito que a levanta; é a mesa animada que obedece ao Espírito inteligente. Kardec percebe seu equívoco anterior e conclui: quando um objeto é posto em movimento,arrebatado ou lançado no ar, não será o Espírito que o pega, empurra ou levanta: ele o satura com o seu fluido,pela combinação com o do médium, e, assim momentaneamente vivificado, o objeto age como se fosse um ser vivo.
existência
Antes de encarnar-se, o Espírito tem conhecimento de todas as fases de sua existência; quando estas têm um caráter saliente, conserva uma espécie de impressão em seu foro íntimo e tal impressão,despertando ao aproximar-se o instante, torna-se pressentimento._Revista Espírita
sentimentos
Uma coisa notável é que, mesmo entre os Espíritos mais comuns, de um modo geral os sentimentos são mais puros como Espíritos do que como homens. A vida espírita os esclarece quanto aos seus defeitos e,salvo poucas exceções, lamentam eles amargamente o mal que fizeram. ________Revista Espirita
terça-feira, 21 de agosto de 2018
Sobre as reuniões espíritas
Uma reunião é um ser coletivo cujas qualidades e propriedades são as dos seus membros, formando uma espécie de feixe. Ora, esse feixe será tanto mais forte quanto mais homogêneo.
Se o Espírito for de qualquer maneira atingido pelo pensamento, como nós somos pela voz, vinte pessoas unidas numa mesma intenção terão necessariamente mais força que uma só. Mas para que todos os pensamentos concorram para o mesmo fim é necessário que vibrem em uníssono, que se confundam por assim dizer em um só, o que não pode se dar sem concentração.
A concentração e a comunhão de pensamentos sendo as condições necessárias de toda reunião séria, compreende-se que o grande número de assistentes é uma das causas mais contrárias à homogeneidade. Não há, é certo, nenhum limite absoluto para esse número. Compreende-se que cem pessoas, suficientemente concentradas a atentas, estarão em melhores condições do que dez pessoas distraídas e barulhentas. Mas é também evidente que quanto maior o número, mais dificilmente se preenchem essas condições.
Toda reunião espírita deve, pois, procurar a maior homogeneidade possível.
_____________________
Fonte: O Livro dos Médiuns (Cap. 29 – Reuniões e Sociedades)
Parábola do Semeador
A Parábola do Semeador é a parábola das parábolas: sintetiza os caracteres predominantes em todas as almas, ao mesmo tempo que nos ensina a distingui-las pela boa ou má vontade com que recebem as novas espirituais.
Pelo enredo do discurso vemos aqueles que, em face a Palavra de Deus, são “beiras de caminho” onde passam todas as idéias grandiosas como gentes nas estradas, sem gravarem nenhuma delas; são “pedras” impenetráveis às novas idéias, aos conhecimentos liberais; são “espinhos” que sufocam o crescimento de todas as verdades, como essas plantas espinhosas que estiolam e matam os vegetais que tentam crescer, nas suas proximidades.
Mas se assim acontece para o comum dos homens, como para a grande parte de terra improdutiva, que faz arte do nosso mundo, também se distingue, dentre todos, uma plêiade de espíritos de boa vontade, que ouvem a Palavra de Deus, põem-na por obra, e, dessa semente bendita resulta tão grande produção que se pode contar a cento por uma”.
De maneira que a “semente” é a palavra de Deus, Lei do Amor que abrange a Religião e a Ciência, a Filosofia e a Moral, inclusive os “Profetas” e se resume no ditame cristão: “Adora a Deus e faze o bem até aos teus próprios inimigos.”
A Palavra de Deus, a “semente”, é uma só, quer dizer, é sempre a mesma que tem sido apregoada em toda arte, desde que o homem se achou em condições de recebê-la. E se ela não atua com a mesma eficácia em todos, deriva esse fato da variedade e da desigualdade de espíritos que existem na Terra; uns mais adiantados, outros mais atrasados; uns propensos ao bem, à caridade, à liberalidade, à fraternidade; outros propensos ao mal, ao egoísmo, ao orgulho, apegados aos bens terrenos, às diversões passageiras.
A terra que recebe as sementes, representa o estado intelectual e moral de cada um: “beira do caminho, pedregal, espinhal e terra boa”.
Acresce ainda que nem todos os pregoeiros da Palavra a apregoam tal como ela é, em sua simplicidade e despida de formas enganosas. Uns revestem-na de tantos mistérios, de tantos dogmas, de tanta retórica; ornam-na com tantas flores que, embora a “palavra permaneça”, fica obscurecida, enclausurada na forma, sem que se lhe possa ver o fundo, o âmago, a essência!
Muitos a pregam por interesse, como o “mercenário que semeia”; outros por vangloria, e, grande parte, por egoísmo.
Nestes casos não dissipam as trevas, mas aumentam-nas; não abrandam corações, mas endurece-os; não anunciam a Palavra, mas dela fazem um instrumento para receber ouro ou glórias.
Para pregar e ouvir a Palavra, é preciso que não a rebaixemos, mas a coloquemos acima de nós mesmos; porque aquele que despreza a Palavra, anunciando-a ou ouvindo-a, despreza o seu Instituidor, e, como disse Ele: “Quem me despreza e não recebe as minhas palavras, tem quem o julgue; a Palavra que falei, esta o julgará no último dia: Sermo, quem locutus sum, ille judicabit eum in novíssimo dia.” (João, XII, 48.)
Que belíssimo quadro apresenta-se às nossas vistas, quando, animados pelo sentimento do bem e da nossa própria instrução espiritual, lemos, com atenção, a Parábola do Semeador! A nossa frente desdobra-se vasto campo, onde aparece a extraordinária Figura do Excelso Semeador, o maior exemplificador do amor de todas as idades, e aquele monumental Sermão ressoa aos nossos ouvidos, convidando-nos à prática das virtudes ativas, para o gozo das bem-aventuranças eternas!
O Espiritismo, filosofia, ciência, religião, independente de todo e qualquer sectarismo, é a doutrina que melhor nos põe a par de todos esses ditames, porque, ao lado dos salutares ensinos, faz realçar a sobrevivência humana, base inamovível da crença real que aperfeiçoa, corrige e felicita!
Que os seus adeptos, compenetrados dos deveres que assumiram, semelhantes ao Semeador, levem, a todos os lares, e plantem em todos os corações, a Semente da fé que salva, erguendo bem alto essa Luz do Evangelho, escondida sob o alqueire dos dogmas e dos falsos ensinos que tanto têm prejudicado a Humanidade! _______________________________________Parábolas e ensinos de Jesus - Cairbar Schutel
domingo, 18 de março de 2018
O Centro Espírita
O Espiritismo se liga a todos os campos das atividades humanas, não para entranhar-se neles, mas para iluminá-los com as luzes do Espírito. Servir o mundo através de Deus é a sua função e não servir a Deus através do mundo. Por tudo isso, devemos entender que são fundamentais o Espiritismo e a Política para a construção de Uma Nova Sociedade.
__________________Herculano Pires. Trecho do livro O Centro Espirita.
O Cristianismo não é apático
Para os espíritas, finalmente, o Cristianismo não é apático. Se, na realidade, o cristão ficasse apenas na fé, rezando e contemplando o mundo à grande distância, sem participar do trabalho de transformação do homem e da sociedade, jamais a palavra do Cristo teria a influência ponderável. O verdadeiro cristão, o que tem o Evangelho dentro de si, e não apenas o que repete versículos e sentenças, não pode cruzar os braços dentro de um mundo arruinado e poluído pelos vícios, pela imoralidade e pelo egoísmo. Alterar essa estrutura social que fomenta o egoísmo em todos os grupos sociais é providência urgente.
______________________ Deolindo Amorim. Trecho do livro O Espiritismo e os Problemas Humanos.
Madureza da humanidade
O Espiritismo não cria a renovação social; a madureza da humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pelas generalidades das questões que abrange, o Espiritismo é mais apto do que qualquer outra doutrina a secundar o movimento de regeneração; por isso, é ele contemporâneo desse movimento. Surgiu na hora em que podia ser de utilidade, visto que também para ele os tempos são chegados. (A Gênese). O Espiritismo trabalha com a educação. Esta é a base da própria Doutrina, pois, para praticá-la, temos de nos educar. E a educação tem um conteúdo extremamente político, pois muda nossa forma de ver o mundo e de agir nele. Assim, é cada vez mais importante que os centros espíritas percebam a importância de discutir os assuntos da realidade concreta. Não estaremos fazendo política no aspecto partidário, mas sim auxiliando na conscientização dos espíritas sobre como entender a sociedade e agir nela de uma forma crítica e consciente. Com uma visão crítica baseada nos princípios espíritas. Qual o posicionamento do espírita frente a questões como violência, menores abandonados, educação, desemprego, racismo, discriminação social. O que podemos fazer em nosso âmbito para combater esses problemas? Não adianta querer ser espírita no plano espiritual. Podemos e devemos estudar a moral espírita em sua teoria. Mas não há como fugir: a sua aplicação prática será, quer queiramos ou não, na realidade concreta, enfrentando esses problemas do cotidiano. A polêmica ideia de que o Brasil está destinado a cumprir o papel de Coração do Mundo e Pátria do Evangelho sempre foi acompanhada de reflexões muito entusiastas. Se ele realmente tem uma missão histórica a realizar, então é preciso começar a pensar o Brasil de um ponto de vista mais realista. Só assim poderemos cumpri-la. O Evangelho apresenta a mais elevada fórmula de vida político-administrativa aos povos da terra. Os ideais democráticos do mundo não derivam senão do próprio ensinamento de Jesus, nesse particular, acima da compreensão vulgar das criaturas. A magna questão é encontrar o elemento humano disposto à execução do sublime princípio. Quase todos os homens se atiram à conquista dos postos de autoridade e evidência, mas geralmente se encontram excessivamente interessados com as suas próprias vantagens no imediatismo do mundo.
A força das coisas possibilita a mudança, mas não construirá uma sociedade mais justa, mais livre, mais feliz, sem que cada família, cada grupo, cada cidade, cada nação elabore seu projeto, organize sua ação para chegar a essa sociedade melhor. __________________________ Livro dos Espíritos – Questões 860 e 1019
Transformação íntima
A transformação íntima só se torna efetiva e verdadeira quando ela é irradiada para a coletividade em que estamos inseridos. O Espiritismo nos fala da realidade do espírito e do seu processo evolutivo, ensinando-nos que a felicidade é uma construção individual e coletiva. Ninguém conseguirá ser feliz com o seu derredor emitindo gritos de carências e lágrimas de dores. Ninguém será feliz sozinho ou rodeado de poucos Algumas pessoas, no meio espírita, reagem de maneira negativa e, às vezes, até assustadas quando se fala em política, demonstrando desinformação e preconceito. Existe até um tabu de que Política entra em confronto com o zelo doutrinário. Na realidade a Política é bem mais abrangente e está presente em tudo que o homem realiza. Todos nós somos políticos. Há mais de 2000 anos o filósofo grego Aristóteles escreveu que o homem é um “animal político” e não estava brincando.____________________-fonte https://www.robsonpinheiro.com.br/espiritismo-e-politica-podem-andar-juntos/
quinta-feira, 11 de janeiro de 2018
Teoria da vida futura
“(…) Toda religião repousa necessariamente na vida futura e todos os dogmas convergem forçosamente para esse fim único. É visando atingir esse fim que eles são praticados; e a fé nos dogmas está na razão direta da eficácia que se lhes atribui para o alcançar. A teoria da vida futura é, pois, a pedra angular de toda doutrina religiosa. Se essa teoria pecar pela base; se abrir o campo a objeções sérias; se se contradisser; se se puder demonstrar a impossibilidade de certas partes, tudo vai abaixo. Antes de mais vem a dúvida, à qual sucede a negação absoluta, e os dogmas são arrastados no naufrágio da fé. Pensaram em escapar ao perigo proscrevendo o exame e fazendo da fé cega uma virtude. Mas pretender impor a fé cega neste século (XIX) é desconhecer o tempo em que vivemos; refletimos, mau grado nosso; examinamos pela força das coisas; queremos saber como e porque. O desenvolvimento da indústria e das ciências exatas nos ensina a olhar o terreno sobre o qual pisamos, razão porque se sondamos aquele onde, conforme dizem, marcharemos depois da morte; se não o encontramos sólido, isto é, lógico, racional, não nos preocuparemos com ele. Por mais que façam, não conseguirão neutralizar essa tendência, porque inerente ao desenvolvimento intelectual e moral da humanidade. Segundo uns, é um bem; segundo outros, um mal. Seja qual for a maneira pela qual a encaramos, temos de nos acomodar, queiramos ou não, porquanto não pode ser de outra maneira.
A necessidade de se dar conta e de compreender diz respeito às coisas materiais e às coisas morais. Indubitavelmente, a vida futura não é uma coisa palpável, como uma estrada de ferro e uma máquina a vapor; mas pode ser compreendida pelo raciocínio. Se o raciocínio, em virtude do qual buscamos demonstrá-la não satisfizer à razão, abandonamos as premissas e as conclusões. Interrogai aqueles que negam a vida futura e todos dirão que foram conduzidos à incredulidade pelo próprio quadro que lhes faziam, com seus cortejos de demônios, labaredas e sofrimentos sem-fim.
Todas as questões morais, psicológicas e metafisicas, se ligam de maneira mais ou menos direta à questão do futuro. Disso resulta que dessa última questão depende, de alguma sorte, a racionalidade de todas as doutrinas filosóficas e religiosas. O Espiritismo vem, por sua vez, não como uma religião, mas como doutrina filosófica, trazer a sua teoria, apoiada no fato das manifestações. Ele não se impõe; não exige confiança cega; entra no número dos concorrentes e diz: Examinai, comparai e julgai; se achardes algo melhor do que isto que vos dou, tomai-o. Ele não diz: Venho destruir os fundamentos da religião e substituí-la por um culto novo. Diz: Não me dirijo aos que creem e se acham satisfeitos com suas crenças, mas aos que abandonam as vossas fileiras pela incredulidade e que não os soubestes ou pudestes reter. Venho dar-lhes, sobre as verdades que repelem, uma interpretação capaz de satisfazer sua razão e que os leva a aceita-la. E a prova de que o consigo é o número dos que tiro do atoleiro da incredulidade. Todos vos dirão: Se me tivessem ensinado essas coisas assim desde a infância, jamais teria duvidado; agora creio, porque compreendo. Deveis repeli-los, porque aceitam o espírito e não a letra? o princípio, e não a forma? Sois livres; se vossa consciência faz disto um dever, ninguém pensará em violenta-la; mas não digo apenas que isto seria um erro; digo mais: seria uma imprudência. (…)”______________________________________________________
(ALLAN KARDEC – REVISTA ESPÍRITA – ABRIL/1862)
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