domingo, 14 de abril de 2019

Vida no Espaço

32. Se a ciência humana se servir de seus recursos, pondo em risco a estabilidade do Planeta, é de se esperar esteja a Humanidade da Terra sujeita a uma intervenção direta da parte de outros planetas? “Nossa confiança na Sabedoria da Providência Divina deve ser completa. Ainda mesmo que a Terra se desintegrasse numa catástrofe de natureza cósmica. Deus e a Vida não deixariam de existir. Uma cidade arrasada num cataclismo não significa a destruição de um povo inteiro. Justo que, em nos considerando coletivamente, temos feito por merecer longas aflições e duras provas na Terra, entretanto, diante da Infinita Bondade, devemos afastar quaisquer ideias sinistras da cabeça popular, carecedora de harmonia e esperança para evoluir e servir. Amemo-nos uns aos outros. Realizemos o melhor ao nosso alcance. Convençamo-nos de que o bem vive para o mal como a luz para a sombra. Edifiquemos o mundo melhor, começando em nós mesmos, e confiemos na palavra fiel do Cristo que prometeu amparar-nos e auxiliar-nos “até o fim dos séculos”. E assim nos exprimindo, não nos propomos afirmar que, a pretexto de contar com Jesus, podemos andar irresponsáveis ou desatentos. Não. Forçoso trabalhar e cumprir as obrigações que a vida nos trace, a fim de sermos amparados e auxiliados por ele, sejam quais forem as circunstâncias.” _______________ .André Luiz

quarta-feira, 6 de março de 2019

Médium pintor cego

Um de nossos correspondentes de Maine-et-Loire, o Dr. C..., transmite-nos este fato: “Eis um curioso exemplo da faculdade mediúnica aplicada ao desenho, que se manifestou vários anos antes que fosse conhecido o Espiritismo e mesmo antes das mesas girantes. “Há três semanas, estando em Bressuire, eu explicava o Espiritismo e as relações dos homens com o mundo invisível a um advogado de meus amigos, que lhe ignorava o á-bê-cê. Ora, eis o que ele me contou como tendo grande relação com o que lhe dizia: “Em 1849, disse ele, fui com um amigo visitar a aldeia de Saint-Laurent-surSèvres e seus dois conventos, um de homens, outro de mulheres. Fomos recebidos da mais cordial maneira pelo Padre Dallain, superior do primeiro, e que tinha autoridade também sobre o segundo. “Depois de ter percorrido os dois conventos, disse-nos ele: “─ Agora, senhores, quero mostrar-vos uma das coisas mais curiosas do convento das senhoras. “Mandou trazer um álbum, onde admiramos, com efeito, aquarelas de grande perfeição. Eram flores, paisagens e marinhas. Então ele nos disse: “─ Estes desenhos tão bem reunidos foram feitos por uma de nossas jovens religiosas que é cega. “E eis o que ele nos contou de um lindo ramo de rosas, com um botão azul: “─ Há algum tempo, em presença do Sr. Marquês de La Rochejaquelein e de vários outros visitantes, chamei a religiosa cega e pedi que ela se pusesse a uma mesa para desenhar alguma coisa. Trouxeram as tintas, deram-lhe papel, lápis, pincéis, e ela imediatamente começou o ramo que vedes. Durante o trabalho várias vezes colocaram um corpo opaco, ora um papelão, ora uma prancheta entre os seus olhos e o papel, mas o pincel continuou a trabalhar com a mesma calma e a mesma regularidade. À observação de que o ramo estava um pouco fino, ela disse: ‘Está bem! Vou fazer sair um botão do vazio deste ramo.’ Enquanto ela trabalhava nessa correção, substituíram o carmim de que se servia pelo azul. Ela não percebeu a mudança, e é por isso que vedes um botão azul. “O Padre Dallain era tão notável por seus conhecimentos e sua grande inteligência quanto por sua elevada piedade. Não encontrei ninguém que me tivesse inspirado mais simpatia e veneração.” Em nossa opinião, o fato não prova, de modo evidente, uma ação mediúnica. Pela linguagem da jovem cega, é certo que ela via, do contrário não teria dito: “Vou fazer sair um botão do vazio deste ramo.” Mas o que não é menos certo é que ela não via pelos olhos, desde que continuava o trabalho a despeito do obstáculo que punham à sua frente. Ela agia com conhecimento de causa, e não maquinalmente, como um médium. Assim, parece evidente que ela era dirigida pela segunda vista. Ela via pelos olhos da alma, abstração feita dos olhos do corpo. Talvez ela mesma estivesse, de forma permanente, num estado de sonambulismo desperto. Fenômenos análogos foram observados muitas vezes, mas contentavam-se em achá-los surpreendentes. A causa não podia ser descoberta, tendo em vista que, ligando-se essencialmente à alma, era preciso, em primeiro lugar, reconhecer a existência da alma. Entretanto, mesmo que fosse admitido, esse ponto ainda não bastava, pois faltava o conhecimento das propriedades da alma e das leis que regem suas relações com a matéria. Revelando-nos a existência do perispírito, o Espiritismo nos deu a conhecer, se assim se pode dizer, a fisiologia dos Espíritos. Dessa forma, ele nos deu a chave de uma porção de fenômenos incompreendidos e, em falta de melhores razões, qualificados por uns de sobrenaturais e por outros de bizarrias da Natureza. Pode a natureza ter bizarrias? Não, porque bizarrias são caprichos. Ora, sendo a Natureza obra de Deus, Deus não pode ter caprichos, sem o que nada seria estável no Universo. Se há uma regra sem exceção, deve ser, certamente, a que rege as obras do Criador; as exceções seriam a destruição da harmonia universal. Todos os fenômenos se ligam a uma lei geral, e uma coisa só nos parece bizarra porque observamos um único ponto, ao passo que, se considerarmos o conjunto, reconheceremos que a irregularidade daquele ponto é apenas aparente e depende de nosso limitado ponto de vista. Isto posto, diremos que o fenômeno de que se trata nem é maravilhoso, nem excepcional. É o que trataremos de explicar. No estado atual dos nossos conhecimentos, não podemos conceber a alma sem seu envoltório fluídico, perispiritual. O princípio inteligente escapa completamente à nossa análise. Só o conhecemos por suas manifestações, que se dão com o auxílio do perispírito. É pelo perispírito que a alma age, percebe e transmite. Desprendida do envoltório corporal, a alma ou Espírito ainda é um ser complexo. De acordo com a experiência, ensina-nos a teoria que a visão da alma, assim como todas as outras percepções, é um atributo do ser inteiro. No corpo, ela é circunscrita ao órgão da visão, por isso é-lhe preciso o concurso da luz, e tudo o que se acha no trajeto do raio luminoso o intercepta. Não é assim com o Espírito, para o qual não há obscuridade nem corpos opacos. A seguinte comparação pode ajudar a compreender esta diferença. A céu aberto, o homem recebe a luz por todos os lados; mergulhado no fluido luminoso, o horizonte visual se estende por toda a volta. Se ele estiver encerrado numa caixa na qual foi feita uma pequena abertura, em sua volta tudo estará na obscuridade, salvo o ponto por onde lhe chega o raio luminoso. A visão do Espírito encarnado está neste último caso. A do Espírito desencarnado está no primeiro. Esta comparação é justa quanto ao efeito, mas não o é quanto à causa, porque a fonte da luz não é a mesma para o homem e para o Espírito ou, melhor dito, não é a mesma luz que lhes dá a faculdade de ver. Assim, a cega de que se trata via pela alma e não pelos olhos. Eis por que o anteparo colocado diante do desenho não a perturbava mais do que aos olhos de um vidente ante os quais tivessem posto um cristal transparente. É também por isto que ela tanto podia desenhar de noite quanto de dia. Radiando em torno dela e tudo penetrando, o fluído perispiritual trazia a imagem, não sobre a retina, mas à sua alma. Nesse estado, a visão abarca tudo? Não. Ela pode ser geral ou especial, conforme a vontade do Espírito; pode ser limitada ao ponto onde ele concentra a sua atenção. Mas então, irão perguntar, por que não se apercebeu ela da substituição da cor? Primeiramente, pode ser que a atenção voltada para o lugar onde ela queria pôr a flor a tenha desviado da cor. Além disto, é preciso considerar que a visão da alma não se opera pelo mesmo mecanismo que a visão corporal, e que assim há efeitos de que não nos poderíamos dar conta. Depois, ainda é preciso notar que nossas cores são produzidas pela refração da nossa luz. Ora, sendo as propriedades do perispírito diferentes das dos nossos fluidos ambientes, é provável que a refração aí não produza os mesmos efeitos; que para o Espírito as cores não tenham as mesmas causas que para o encarnado. Assim, ela podia, pelo pensamento, ver róseo o que nos parecia azul. Sabe-se que o fenômeno da substituição das cores é muito frequente na visão ordinária. O fato principal é o da visão bem constatada sem o concurso dos órgãos da visão. Como se vê, esse fato não implica a ação mediúnica, mas, também, não exclui, em certos casos, a assistência de um Espírito estranho. Essa jovem podia, pois, ser ou não ser médium, o que um estudo mais atento poderia ter revelado. Uma pessoa cega gozando dessa faculdade era precioso objeto de observação. Mas para tanto teria sido necessário conhecer a fundo a teoria da alma, a do perispírito e, por consequência, o sonambulismo e o Espiritismo. Naquela época não se conheciam essas coisas, e mesmo hoje não seria nos meios onde as consideram como diabólicas que poderiam entregar-se a esses estudos. Também não é naqueles onde se nega a existência da alma que o mesmo pode ser feito. Dia virá, certamente, em que reconhecerão que há uma física espiritual, como começam a reconhecer a existência da medicina espiritual! ----------------------------- https://kardecpedia.com/roteiro-de-estudos/898/revista-espirita-jornal-de-estudos-psicologicos-1864/5580/marco/medium-pintor-cego

domingo, 30 de dezembro de 2018

A comunicação entre os dois planos da vida

Sabemos que os Espíritos exercem contínua ação no plano físico, manifestada de forma fugaz ou duradoura, boa ou má, sutil ou bem caracterizada, que se traduz por efeitos patentes, de certa intensidade como afirma Allan Kardec. A comunicação entre os dois planos da vida é viabilizada por meio de duas faculdades inerentes ao psiquismo humano: a mediúnica e a anímica. Ambas decorrem da natural capacidade pensante do ser humano e dos processos de sintonia mental, assim assinalados por Emmanuel: “O homem permanece envolto em largo oceano de pensamentos, nutrindo-se de substância mental, em grande proporção. Toda criatura absorve, sem perceber, a influência alheia nos recursos imponderáveis que lhe equilibram a existência”. Completando as suas ideias, o benfeitor espiritual acrescenta: A mente, em qualquer plano, emite e recebe, dá e recolhe, renovando-se constantemente para o alto destino que lhe compete atingir. Estamos assimilando correntes mentais, de maneira permanente. De modo imperceptível, “ingerimos pensamentos”, a cada instante, projetando, em torno de nossa individualidade, as forças que acalentamos em nós mesmos. Somos afetados pelas vibrações de paisagens, pessoas e coisas que cercam. Se nos confiamos às impressões alheias de enfermidade e amargura, apressadamente se nos altera o “tônus mental”, inclinando-nos à franca receptividade de moléstias indefiníveis . Se nos devotamos ao convívio com pessoas operosas e dinâmicas, encontramos valioso sustentáculo aos nossos propósitos de trabalho e realização. _________________________Mediunidade - Estudo e prática - FEB

domingo, 9 de dezembro de 2018

DIFICULDADE NO INTERCÂMBIO

Irmão Jacob _ Livro Voltei___________________________________ Mas, o serviço não é tão fácil quanto parece à primeira vista. Podemos certamente visitar amigos e influenciá-los; todavia, para isso, copiamos o esforço dos profissionais da telepatia. Emitimos o pensamento, gastando a potência mental em dose alta e, se a pessoa visada se mostra sensível, então é possível transmitir-lhe idéias; com relativa facilidade. Por vezes, a deficiência do receptor, aliada às múltiplas ondas que o cercam, impede a consumação de nossos propósitos. Se o instrumento de intercâmbio permanece absorto nas preocupações da luta comum, é difícil estabelecer a preponderância de nossos desejos. A mente humana; atraí ondas de força, que variam de acordo com as emissões que lhe caracterizam as atividades. No aparelho mediúnico, esse fenômeno é mais vivo. Pela sensibilidade que lhe marca as faculdades registradoras, o médium projeta energias em busca do nosso campo de ação e recebe-as de nossa esfera com intensidade indescritível. Calculam, pois, os obstáculos naturais que nos cerceiam as intenções. Se não há combinação fluídico-magnética entre o Espírito comunicante e o recipiente humano, realizar-se-á nosso intento apenas em sentido parcial. É quase impossível impormos nossa individualidade completa. Ainda mesmo em se tratando da materialização, o visitante do “outro mundo” depende das organizações que o acolhem. Se o médium relaxa a obrigação de manter o equilíbrio fisiopsíquico e se os companheiros que lhe integram o grupo de trabalho vivem estonteados, sem o entendimento preciso dos deveres que lhes competem, torna-se impraticável o aproveitamento dos recursos que se nos oferecem para o bem. Venho recebendo agora preciosas lições, quanto a isto, porque cheguei à leviandade de prometer a mim mesmo que prosseguiria, depois do sepulcro, a corresponder-me regularmente com os leitores de minhas páginas doutrinárias. Considerava a escrita e a incorporação mediúnicas ocorrências triviais do nosso aprendizado; no entanto, vim de reconhecer, neste plano em que hoje me encontro, a desatenção com que assinalamos semelhantes dádivas. Esses fatos amplamente multiplicados, em nossos agrupamentos, traduzem imenso trabalho dos Espíritos protetores, com reduzida compreensão por parte dos que a eles assistem. Passei a observar o porquê de muitas promessas de amigos, que se não realizaram. Companheiros diversos haviam partido, antes de mim; convencidos de que poderiam voltar, quando quisessem, trazendo informações da nova esfera e, embora lhes aguardassem a palavra esclarecedora, através de reuniões respeitáveis, a solução parecia adiada, indefinidamente. O homem encarnado é tido em nossos círculos por arrendatário das possibilidades terrestres e, de modo algum, podemos absorve-lhe a autoridade e a direção da experiência física, tanto quanto não lhe será possível determinar na zona de trabalho que nos é própria. Em vista disso, por mais que desejemos, somos obrigados a depender de vocês em nossas comunicações e interferências. Os amigos da vida superior necessitam da cooperação elevada, para se manifestarem nas obras de amor e fé, na mesma proporção em que as entidades votadas ao mal reclamam concurso de baixa espécie das criaturas perversas ou ignorantes, no cenário carnal. Verifica-se a mesma disposição em nossa zona de serviço. Vocês conseguirão isto ou aquilo, em nosso ambiente, dependendo, porém, das entidades que puderem mobilizar.

domingo, 14 de outubro de 2018

fluídos

São Luís fala sobre os fluidos e explica como é que os Espíritos fazem os objetos materiais mover-se, dando-lhes uma vida factícia: quando a mesa se ergue não é o Espírito que a levanta; é a mesa animada que obedece ao Espírito inteligente. Kardec percebe seu equívoco anterior e conclui: quando um objeto é posto em movimento,arrebatado ou lançado no ar, não será o Espírito que o pega, empurra ou levanta: ele o satura com o seu fluido,pela combinação com o do médium, e, assim momentaneamente vivificado, o objeto age como se fosse um ser vivo.

existência

Antes de encarnar-se, o Espírito tem conhecimento de todas as fases de sua existência; quando estas têm um caráter saliente, conserva uma espécie de impressão em seu foro íntimo e tal impressão,despertando ao aproximar-se o instante, torna-se pressentimento._Revista Espírita

sentimentos

Uma coisa notável é que, mesmo entre os Espíritos mais comuns, de um modo geral os sentimentos são mais puros como Espíritos do que como homens. A vida espírita os esclarece quanto aos seus defeitos e,salvo poucas exceções, lamentam eles amargamente o mal que fizeram. ________Revista Espirita

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Sobre as reuniões espíritas

Uma reunião é um ser coletivo cujas qualidades e propriedades são as dos seus membros, formando uma espécie de feixe. Ora, esse feixe será tanto mais forte quanto mais homogêneo. Se o Espírito for de qualquer maneira atingido pelo pensamento, como nós somos pela voz, vinte pessoas unidas numa mesma intenção terão necessariamente mais força que uma só. Mas para que todos os pensamentos concorram para o mesmo fim é necessário que vibrem em uníssono, que se confundam por assim dizer em um só, o que não pode se dar sem concentração. A concentração e a comunhão de pensamentos sendo as condições necessárias de toda reunião séria, compreende-se que o grande número de assistentes é uma das causas mais contrárias à homogeneidade. Não há, é certo, nenhum limite absoluto para esse número. Compreende-se que cem pessoas, suficientemente concentradas a atentas, estarão em melhores condições do que dez pessoas distraídas e barulhentas. Mas é também evidente que quanto maior o número, mais dificilmente se preenchem essas condições. Toda reunião espírita deve, pois, procurar a maior homogeneidade possível. _____________________ Fonte: O Livro dos Médiuns (Cap. 29 – Reuniões e Sociedades)

Parábola do Semeador

A Parábola do Semeador é a parábola das parábolas: sintetiza os caracteres predominantes em todas as almas, ao mesmo tempo que nos ensina a distingui-las pela boa ou má vontade com que recebem as novas espirituais. Pelo enredo do discurso vemos aqueles que, em face a Palavra de Deus, são “beiras de caminho” onde passam todas as idéias grandiosas como gentes nas estradas, sem gravarem nenhuma delas; são “pedras” impenetráveis às novas idéias, aos conhecimentos liberais; são “espinhos” que sufocam o crescimento de todas as verdades, como essas plantas espinhosas que estiolam e matam os vegetais que tentam crescer, nas suas proximidades. Mas se assim acontece para o comum dos homens, como para a grande parte de terra improdutiva, que faz arte do nosso mundo, também se distingue, dentre todos, uma plêiade de espíritos de boa vontade, que ouvem a Palavra de Deus, põem-na por obra, e, dessa semente bendita resulta tão grande produção que se pode contar a cento por uma”. De maneira que a “semente” é a palavra de Deus, Lei do Amor que abrange a Religião e a Ciência, a Filosofia e a Moral, inclusive os “Profetas” e se resume no ditame cristão: “Adora a Deus e faze o bem até aos teus próprios inimigos.” A Palavra de Deus, a “semente”, é uma só, quer dizer, é sempre a mesma que tem sido apregoada em toda arte, desde que o homem se achou em condições de recebê-la. E se ela não atua com a mesma eficácia em todos, deriva esse fato da variedade e da desigualdade de espíritos que existem na Terra; uns mais adiantados, outros mais atrasados; uns propensos ao bem, à caridade, à liberalidade, à fraternidade; outros propensos ao mal, ao egoísmo, ao orgulho, apegados aos bens terrenos, às diversões passageiras. A terra que recebe as sementes, representa o estado intelectual e moral de cada um: “beira do caminho, pedregal, espinhal e terra boa”. Acresce ainda que nem todos os pregoeiros da Palavra a apregoam tal como ela é, em sua simplicidade e despida de formas enganosas. Uns revestem-na de tantos mistérios, de tantos dogmas, de tanta retórica; ornam-na com tantas flores que, embora a “palavra permaneça”, fica obscurecida, enclausurada na forma, sem que se lhe possa ver o fundo, o âmago, a essência! Muitos a pregam por interesse, como o “mercenário que semeia”; outros por vangloria, e, grande parte, por egoísmo. Nestes casos não dissipam as trevas, mas aumentam-nas; não abrandam corações, mas endurece-os; não anunciam a Palavra, mas dela fazem um instrumento para receber ouro ou glórias. Para pregar e ouvir a Palavra, é preciso que não a rebaixemos, mas a coloquemos acima de nós mesmos; porque aquele que despreza a Palavra, anunciando-a ou ouvindo-a, despreza o seu Instituidor, e, como disse Ele: “Quem me despreza e não recebe as minhas palavras, tem quem o julgue; a Palavra que falei, esta o julgará no último dia: Sermo, quem locutus sum, ille judicabit eum in novíssimo dia.” (João, XII, 48.) Que belíssimo quadro apresenta-se às nossas vistas, quando, animados pelo sentimento do bem e da nossa própria instrução espiritual, lemos, com atenção, a Parábola do Semeador! A nossa frente desdobra-se vasto campo, onde aparece a extraordinária Figura do Excelso Semeador, o maior exemplificador do amor de todas as idades, e aquele monumental Sermão ressoa aos nossos ouvidos, convidando-nos à prática das virtudes ativas, para o gozo das bem-aventuranças eternas! O Espiritismo, filosofia, ciência, religião, independente de todo e qualquer sectarismo, é a doutrina que melhor nos põe a par de todos esses ditames, porque, ao lado dos salutares ensinos, faz realçar a sobrevivência humana, base inamovível da crença real que aperfeiçoa, corrige e felicita! Que os seus adeptos, compenetrados dos deveres que assumiram, semelhantes ao Semeador, levem, a todos os lares, e plantem em todos os corações, a Semente da fé que salva, erguendo bem alto essa Luz do Evangelho, escondida sob o alqueire dos dogmas e dos falsos ensinos que tanto têm prejudicado a Humanidade! _______________________________________Parábolas e ensinos de Jesus - Cairbar Schutel

domingo, 18 de março de 2018

O Centro Espírita

O Espiritismo se liga a todos os campos das atividades humanas, não para entranhar-se neles, mas para iluminá-los com as luzes do Espírito. Servir o mundo através de Deus é a sua função e não servir a Deus através do mundo. Por tudo isso, devemos entender que são fundamentais o Espiritismo e a Política para a construção de Uma Nova Sociedade. __________________Herculano Pires. Trecho do livro O Centro Espirita.

O Cristianismo não é apático

Para os espíritas, finalmente, o Cristianismo não é apático. Se, na realidade, o cristão ficasse apenas na fé, rezando e contemplando o mundo à grande distância, sem participar do trabalho de transformação do homem e da sociedade, jamais a palavra do Cristo teria a influência ponderável. O verdadeiro cristão, o que tem o Evangelho dentro de si, e não apenas o que repete versículos e sentenças, não pode cruzar os braços dentro de um mundo arruinado e poluído pelos vícios, pela imoralidade e pelo egoísmo. Alterar essa estrutura social que fomenta o egoísmo em todos os grupos sociais é providência urgente. ______________________ Deolindo Amorim. Trecho do livro O Espiritismo e os Problemas Humanos.

Madureza da humanidade

O Espiritismo não cria a renovação social; a madureza da humanidade é que fará dessa renovação uma necessidade. Pelo seu poder moralizador, por suas tendências progressistas, pela amplitude de suas vistas, pelas generalidades das questões que abrange, o Espiritismo é mais apto do que qualquer outra doutrina a secundar o movimento de regeneração; por isso, é ele contemporâneo desse movimento. Surgiu na hora em que podia ser de utilidade, visto que também para ele os tempos são chegados. (A Gênese). O Espiritismo trabalha com a educação. Esta é a base da própria Doutrina, pois, para praticá-la, temos de nos educar. E a educação tem um conteúdo extremamente político, pois muda nossa forma de ver o mundo e de agir nele. Assim, é cada vez mais importante que os centros espíritas percebam a importância de discutir os assuntos da realidade concreta. Não estaremos fazendo política no aspecto partidário, mas sim auxiliando na conscientização dos espíritas sobre como entender a sociedade e agir nela de uma forma crítica e consciente. Com uma visão crítica baseada nos princípios espíritas. Qual o posicionamento do espírita frente a questões como violência, menores abandonados, educação, desemprego, racismo, discriminação social. O que podemos fazer em nosso âmbito para combater esses problemas? Não adianta querer ser espírita no plano espiritual. Podemos e devemos estudar a moral espírita em sua teoria. Mas não há como fugir: a sua aplicação prática será, quer queiramos ou não, na realidade concreta, enfrentando esses problemas do cotidiano. A polêmica ideia de que o Brasil está destinado a cumprir o papel de Coração do Mundo e Pátria do Evangelho sempre foi acompanhada de reflexões muito entusiastas. Se ele realmente tem uma missão histórica a realizar, então é preciso começar a pensar o Brasil de um ponto de vista mais realista. Só assim poderemos cumpri-la. O Evangelho apresenta a mais elevada fórmula de vida político-administrativa aos povos da terra. Os ideais democráticos do mundo não derivam senão do próprio ensinamento de Jesus, nesse particular, acima da compreensão vulgar das criaturas. A magna questão é encontrar o elemento humano disposto à execução do sublime princípio. Quase todos os homens se atiram à conquista dos postos de autoridade e evidência, mas geralmente se encontram excessivamente interessados com as suas próprias vantagens no imediatismo do mundo. A força das coisas possibilita a mudança, mas não construirá uma sociedade mais justa, mais livre, mais feliz, sem que cada família, cada grupo, cada cidade, cada nação elabore seu projeto, organize sua ação para chegar a essa sociedade melhor. __________________________ Livro dos Espíritos – Questões 860 e 1019

Transformação íntima

A transformação íntima só se torna efetiva e verdadeira quando ela é irradiada para a coletividade em que estamos inseridos. O Espiritismo nos fala da realidade do espírito e do seu processo evolutivo, ensinando-nos que a felicidade é uma construção individual e coletiva. Ninguém conseguirá ser feliz com o seu derredor emitindo gritos de carências e lágrimas de dores. Ninguém será feliz sozinho ou rodeado de poucos Algumas pessoas, no meio espírita, reagem de maneira negativa e, às vezes, até assustadas quando se fala em política, demonstrando desinformação e preconceito. Existe até um tabu de que Política entra em confronto com o zelo doutrinário. Na realidade a Política é bem mais abrangente e está presente em tudo que o homem realiza. Todos nós somos políticos. Há mais de 2000 anos o filósofo grego Aristóteles escreveu que o homem é um “animal político” e não estava brincando.____________________-fonte https://www.robsonpinheiro.com.br/espiritismo-e-politica-podem-andar-juntos/

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Teoria da vida futura

“(…) Toda religião repousa necessariamente na vida futura e todos os dogmas convergem forçosamente para esse fim único. É visando atingir esse fim que eles são praticados; e a fé nos dogmas está na razão direta da eficácia que se lhes atribui para o alcançar. A teoria da vida futura é, pois, a pedra angular de toda doutrina religiosa. Se essa teoria pecar pela base; se abrir o campo a objeções sérias; se se contradisser; se se puder demonstrar a impossibilidade de certas partes, tudo vai abaixo. Antes de mais vem a dúvida, à qual sucede a negação absoluta, e os dogmas são arrastados no naufrágio da fé. Pensaram em escapar ao perigo proscrevendo o exame e fazendo da fé cega uma virtude. Mas pretender impor a fé cega neste século (XIX) é desconhecer o tempo em que vivemos; refletimos, mau grado nosso; examinamos pela força das coisas; queremos saber como e porque. O desenvolvimento da indústria e das ciências exatas nos ensina a olhar o terreno sobre o qual pisamos, razão porque se sondamos aquele onde, conforme dizem, marcharemos depois da morte; se não o encontramos sólido, isto é, lógico, racional, não nos preocuparemos com ele. Por mais que façam, não conseguirão neutralizar essa tendência, porque inerente ao desenvolvimento intelectual e moral da humanidade. Segundo uns, é um bem; segundo outros, um mal. Seja qual for a maneira pela qual a encaramos, temos de nos acomodar, queiramos ou não, porquanto não pode ser de outra maneira. A necessidade de se dar conta e de compreender diz respeito às coisas materiais e às coisas morais. Indubitavelmente, a vida futura não é uma coisa palpável, como uma estrada de ferro e uma máquina a vapor; mas pode ser compreendida pelo raciocínio. Se o raciocínio, em virtude do qual buscamos demonstrá-la não satisfizer à razão, abandonamos as premissas e as conclusões. Interrogai aqueles que negam a vida futura e todos dirão que foram conduzidos à incredulidade pelo próprio quadro que lhes faziam, com seus cortejos de demônios, labaredas e sofrimentos sem-fim. Todas as questões morais, psicológicas e metafisicas, se ligam de maneira mais ou menos direta à questão do futuro. Disso resulta que dessa última questão depende, de alguma sorte, a racionalidade de todas as doutrinas filosóficas e religiosas. O Espiritismo vem, por sua vez, não como uma religião, mas como doutrina filosófica, trazer a sua teoria, apoiada no fato das manifestações. Ele não se impõe; não exige confiança cega; entra no número dos concorrentes e diz: Examinai, comparai e julgai; se achardes algo melhor do que isto que vos dou, tomai-o. Ele não diz: Venho destruir os fundamentos da religião e substituí-la por um culto novo. Diz: Não me dirijo aos que creem e se acham satisfeitos com suas crenças, mas aos que abandonam as vossas fileiras pela incredulidade e que não os soubestes ou pudestes reter. Venho dar-lhes, sobre as verdades que repelem, uma interpretação capaz de satisfazer sua razão e que os leva a aceita-la. E a prova de que o consigo é o número dos que tiro do atoleiro da incredulidade. Todos vos dirão: Se me tivessem ensinado essas coisas assim desde a infância, jamais teria duvidado; agora creio, porque compreendo. Deveis repeli-los, porque aceitam o espírito e não a letra? o princípio, e não a forma? Sois livres; se vossa consciência faz disto um dever, ninguém pensará em violenta-la; mas não digo apenas que isto seria um erro; digo mais: seria uma imprudência. (…)”______________________________________________________ (ALLAN KARDEC – REVISTA ESPÍRITA – ABRIL/1862)

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Estudando o Orgulho

“Uma das insensatezes da Humanidade consiste em vermos o mal de outrem, antes de vermos o mal que está em nós. Para julgar-se a si mesmo, fora preciso que o homem pudesse ver seu interior num espelho, pudesse, de certo modo, transportar-se para fora de si próprio, considerar-se como outra pessoa e perguntar: Que pensaria eu, se visse alguém fazer o que faço? Incontestavelmente, é o orgulho que induz o homem a dissimular, para si mesmo,os seus defeitos, tanto morais, quanto físicos. Semelhante insensatez é essencialmente contrária à caridade, porquanto a verdadeira caridade é modesta, simples e indulgente.Caridade orgulhosa é um contra-senso, visto que esses dois sentimentos se neutralizam um ao outro. Com efeito, como poderá um homem, bastante presunçoso para acreditar na importância da sua personalidade e na supremacia das suas qualidades, possuir ao mesmo tempo abnegação bastante para fazer ressaltar em outrem o bem que o eclipsaria, em vez do mal que o exalçaria? Por isso mesmo, porque é o pai de muitos vícios, o orgulho é também a negação de muitas virtudes. Ele se encontra na base e como móvel de quase todas as ações humanas. Essa a razão por que Jesus se empenhou tanto em combatê-lo, como principal obstáculo ao progresso.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo – cap.X – item 10)_________________________________O projeto de melhoria individual de todos nós esbarrará ainda por longo tempo com essa mazela moral que constitui a raiz de larga soma de atitudes humanas.O estudo atento do orgulho será um caminho de infinitas descobertas para todo aquele que anseia pelas conquistas interiores. Orgulho é o sentimento de superioridade pessoal resultante do processo natural de crescimento do espírito; um “subproduto” do instinto de conservação, um princípio que foi colocado no homem para o bem<1>, porque sem o “sentimento de valor pessoal” e a "necessidade de estima” não encontraríamos motivação para existir e não formaríamos um autoconceito pessoal.O problema não é o sentimento de orgulho, mas o descontrole de seus efeitos. No atual estágio de aprendizado, ainda não temos plena capacidade de controlá-la. Ele está presente em quase tudo o que fazemos. Isso o torna uma paixão ou, como dizem os bondosos Guias da Verdade, “o excesso de que se acresceu a vontade."> Conceituemo-la, portanto, como uma paixão crônica por si mesmo, impropriamente denominado como “amor” próprio. A esserespeito afirma Allan Kardec: “Todas as paixões têm seu princípio num sentimento, ou numa necessidade natural. O princípio das paixões não é,assim, um mal, pois que assenta numa das condições providenciais da nossaexistência. A paixão propriamente dita é a exageração de uma necessidadeou de um sentimento. Está no excesso e não na causa e este excesso se tornaum mal, quando tem como conseqúência um mal qualquer.”<3> Seu principal reflexo na vida interior dá-se no departamento mental da imaginação, no qual está armazenada a “matriz superdimensionada” da imagem que fazemos de nós. A partir dessa matriz, que tem “vida própria”como uma “segunda personalidade”, processa-se e dinamiza-se todo um complexo de valores morais e afetivos que regulam a rotina de boa parte das operações psíquicas e emocionais do ser, determinando atitudes, palavras, escolhas, aspirações e gostos.______________________Mereça Ser Feliz - Ermance-Dufaux

O oposto da felicidade não é a tristeza, é a insatisfação.

A insatisfação humana ocorre porque as criaturas estão vivendo, mas não sabem existir. A tristeza é emoção, pode ser passageira; todavia a insatisfação é estado, resultado de uma enorme sequência de insucessos, más escolhas que levam o homem a sucumbir e vagar nos caminhos da “porta larga” sob os convites das futilidades mundanas.O importante é ser, existir, plenificar-se para passarmos pela vida sem deixar que ela passe por nós, ser “proprietários do destino”, merecer a liberdade. Entretanto, para nós, os calcetas das reencarnações, essa alforria tem um preço: a educação nos roteiros do amor.À luz da sabedoria espiritual, satisfação individual decorre da plena identificação com as linhas mestras do projeto reencarnatório que antecede o retorno do Espírito ao corpo físico, cujo objetivo prioritário é colocá-la em melhores condições ante o infalível tribunal da consciência. Portanto, ser feliz é uma questão de afinar as atitudes e sentimentos com esse “plano de espiritualização”, somente possível pelo “reencontro” com a Verdade sobre nós mesmos. Esse reencontro com o “Eu Divino” é o resgate da consciência lúcida, é a conscientização, é o preço que se paga para ser feliz.___________Mereça Ser Feliz - Ermance-Dufaux

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Questões físicas e orgânicas das mortes.

Os estudos dos pesquisadores confirmam o que os Espíritos revelaram em “O Livro dos Espíritos” no que se refere às questões físicas, orgânicas das mortes. Os Espíritos acrescentam informações importantes, esclarecendo-nos que o retorno ao corpo na Terra não é um processo fácil, considerando que nosso mundo é por demais material e grosseiro, ficando sujeito, portanto, às vicissitudes e instabilidade das coisas. É isso que os Espíritos Superiores nos ensinaram com essas palavras: “Dão-lhes causa (a morte), as mais das vezes, às imperfeições da matéria.”(2) Além disso, acrescentam que a morte prematura pode ser o complemento de uma existência anterior que foi interrompida antes da hora determinada. Exemplo: se uma pessoa tinha que viver 70 anos numa existência anterior, mas morreu com 65 anos, poderá renascer para completar os anos que faltavam. Situação comum nos casos de suicídios. Também constitui provação para os pais, porque é notório o sofrimento deles.(1) O Espírito reencarnante se assemelha a um viajor que nunca tem a certeza que passará pelas vias do nascimento sem que nada aconteça ao seu corpo em formação. A médium Yvonne Pereira, no livro Cânticos do Coração, afirma que a desencarnação na infância verifica-se, na maioria dos casos, por fatores NÃO previstos espiritualmente. Isto quer dizer que a desencarnação prematura muitas vezes não era um acontecimento previsto anteriormente. Quando morre um bebê em gestação ou recém-nascido, desligando os laços e voltando o Espírito para a pátria espiritual, isso, certamente, é uma prova muito forte para os pais, de modo a abalar os corações mais sensíveis. A vida continua e, não raro, esses Espíritos que não conseguiram reencarnar, retornarão mais tarde, seja através da mesma mãe ou outra, preferencialmente da mesma família. Fernando Rossit Bibliografia: O Livro dos Espíritos, questões 199 (1), 346(2) e 347(3)/Cânticos do Coração, Vol II –Yvonne Pereira/Mensagem do Pequeno Morto– Psicografia de Chico Xavier/Escola no Além – Psicografia de Chico Xavier/Crianças no Além – Psicografia de Chico Xavier/Resgate e Amor – Psicografia de Chico Xavier.

sábado, 22 de julho de 2017

Segundo tipo de líderes espíritas

2.ª — Líderes Mediúnicos — A liderança mediúnica exerce-se em três áreas distintas: na popular, indo geralmente além dos limites espíritas, com repercussão sobre a população em geral: na institucional, influindo na atividade e na orientação das instituições; na de divulgação, através de mensagens psicográficas distribuídas à imprensa e aos centros e grupos doutrinários, oferecendo-lhes novos recursos para o esclarecimento de problemas de comportamento individual e coletivo, bem como através de livros mediúnicos que enriquecem a bibliografia espírita e incentivam os estudos doutrinários e marcam a presença ativa dos Espíritos no campo cultural-evangélico. Os médiuns que se destacam nessa liderança influem sobre os outros médiuns e dão-lhes orientação e incentivo à produtividade. Esses líderes mediúnicos exercem ainda uma função de grande importância na orientação moral do povo, alargando a influência e a expansão do Espiritismo, influindo na aceitação da mediunidade como fato natural. Funcionam como os oráculos da Antiguidade, procurados por consulentes espíritas e não espíritas, consolando criaturas desalentadas por casos dolorosos ocorridos na família, justificando o título de Consolador conferido à Doutrina pela tradição evangélica. O Espiritismo se apresenta, através, deles, como o cumprimento da Promessa do Consolador, feita por Jesus. A liderança mediúnica tem assim um papel Fundamental no meio espírita. É dela que brota a orientação espiritual do movimento espírita, é nela que as outras lideranças se apoiam para o desenvolvimento de suas atividades. Por isso, a responsabilidade dos médiuns, que sempre se colocam, queiram ou não, na posição de líderes, é a de um termômetro que deve marcar a temperatura do movimento doutrinário e regulá-la na revelação dos dados necessários. É no exame atento desses dados — ensinos, orientações, advertências, estímulo — que os demais líderes podem acompanhar as curvas de ascensão e declínio da temperatura. Cabe particularmente aos líderes doutrinários e aos líderes intelectuais vigiar o funcionamento desse termômetro coletivo e corrigir os seus desvios e os seus momentos de inibição. Segundo o método kardeciano de aplicação do bom-senso e da razão esclarecida na rigorosa análise da produção mediúnica, sem se deixarem influenciar pelo antigo e perigoso prestígio do sobrenatural. Os médiuns são instrumentos humanos, sujeitos a todos os condicionamentos da espécie, podendo incidir em sintonias perturbadoras ou cair em apatia diante de situações conflitivas e difíceis do processo espírita. O guia seguro da liderança mediúnica é o Livro dos Médiuns, de Allan Kardec. É na leitura e estudo constante desse livro que os médiuns encontram o esclarecimento dos seus mais complexos problemas. Todos os demais livros sobre mediunidade, alguns alarmantemente afastados da realidade espírita, devem ser rigorosamente conferidos com O Livro dos Médiuns de Kardec. Sem esse critério todos os líderes e seus auxiliares correm o risco de enganos fatais. 3.ª — Líderes Intelectuais — Os líderes intelectuais do movimento espírita são os intelectuais-espíritas que se dedicam à doutrina, que a estudam com afinco e perseverança, mantendo-se em atividade constante no plano doutrinário. Um intelectual pode ser espírita sem que seja precisamente um intelectual-espírita ou um líder intelectual. A expressão intelectual-espírita corresponde a uma categoria doutrinária bem definida. É um intelectual que se dedica ao Espiritismo, que assimilou a doutrina e integrou-se na mundividência espírita. Vivendo a doutrina no plano da inteligência e da cultura ele se torna naturalmente um líder intetectual espírita. Sem essa vivência e essa dedicação ao estudo e à pesquisa doutrinária ele será simplesmente um espírita dotado de intelectualidade, mas sem as condições necessárias à liderança intelectual espírita. É o mesmo que acontece com os cientistas ou os pesquisadores universitários que são espíritas, mas não se integram no campo doutrinário. O cientista espírita é aquele que se dedica à Ciência Espírita e contribui para o seu desenvolvimento com trabalhos e obras válidas, reconhecidas como tal pelo consenso geral e pelo consenso espírita. Os líderes espíritas intelectuais pertencem a todas as categorias do mundo intelectual: cientistas, filósofos, ensaístas, especialistas em comunicação, professores, médicos e assim por diante. Mas a legitimidade da sua condição de líder depende da sua atividade permanente no campo espírita, reconhecida pelas lideranças espíritas. Esse reconhecimento não depende de formalidades de nenhuma espécie. É o reconhecimento espontâneo do meio intelectual espírita. Este meio intelectual se define como a conjugação de pessoas habilitadas e experientes do meio intelectual comum para o trabalho intelectual espírita. Não podemos incluir nesse meio pessoas sem habilitação intelectual, por mais dedicadas que sejam à causa doutrinária. Só podemos obter um consenso intelectual espírita de um agrupamento de intelectuais. Como podem opinar, por exemplo, sobre questões de Ciência e Filosofia, de Religião e História ou Psicologia das Religiões, pessoas que não tenham conhecimento e experiência dessas matérias? É o mesmo que se pedir a um pedreiro que opine sobre questões de Botânica. A falta de compreensão desse problema tem provocado lamentáveis equívocos e situações desastrosas, como no caso da adulteração. Não se trata de preferência ou exclusivismo, mas do velho adágio: cada macaco no seu galho. Sem esse critério metodológico os macacos acabam invadindo as lojas de louças.

Tipos de Liderança espírita

Há dois tipos básicos de liderança espírita, decorrentes das necessidades naturais do movimento doutrinário. Podemos considerá-los nas seguintes categorias, segundo suas posições sociais, grau de cultura e funções que exercem nas instituições doutrinárias: 1.ª — Líderes Doutrinários — Fundadores, presidentes e diretores de instituições. Constituem uma categoria de liderança austera, de tipo paternalista, semelhante à dos anciãos judeus e à dos apóstolos e dirigentes de comunidades na Era Apostólica. São homens e mulheres respeitáveis dedicados à doutrina, dotados de mediunidade ou de grande experiência na prática mediúnica, na direção do culto e na orientação administrativa. Tornam-se conselheiros naturais da comunidade e exemplos de moralidade. Sabem expor com facilidade os princípios doutrinários, orientar os neófitos, refutar as críticas e agressões dos adversários. Caracteriza-os o respeito pela Doutrina, com repulsa às inovações de práticas doutrinárias e à mistura de elementos estranhos, provenientes de outras correntes espiritualistas. Até o final da década de 1920 a figura patriarcal desses líderes natos era comum em todo o Brasil. Cercados de respeito, admiração e até mesmo de veneração, fisicamente caracterizados por suas barbas longas e brancas, bigodes espessos, ou por cavanhaques brancos e pontudos, bigodes penteados, eles representavam o patriarcado espírita e os sólidos baluartes da doutrina inviolável. Estudavam as obras de Kardec e Léon Denis, de Ernesto Bozzano e Gabriel Delane. Firmavam-se nas pesquisas científicas de William Crookes, Alexandre Aksakof, W Charles Richet e outros luminares da época e rejeitavam sistematicamente a mistificação de Roustaing, que apenas o grupo da Federação Espírita Brasileira, no Rio, sustentava e divulgava, como ainda hoje [1978] o faz, com apoio de alguns grupos do Norte e Nordeste e uma minoria do extremo-sul. O bom senso os guiava na interpretação prática dos ensinos de Kardec, o Codificador. As transformações políticas dos Anos 1930, com a queda da I República e quebra do Café, o período Getulista e suas reformas, depois a I Guerra Mundial e o desenvolvimento forçado da industrialização, o panorama nacional modificou-se profundamente e o panorama espírita foi afetado. A geração dos patriarcas desapareceu rapidamente. O Mundo entrava na fase acelerada de transição que os Espíritos haviam anunciado a Kardec (como se vê em Obras Póstumas) e os horrores da II Guerra Mundial faziam brotar as gerações do desespero. Lembro-me da figura patriarcal de João Leão Pita (o Velho Pita, companheiro de Cairbar Schutel) em seus últimos dias de vida terrena, no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Suas longas barbas brancas e seus olhos azuis lembravam o velho Batuira, já então no Além. Pita, intransigente e lúcido, corajoso e temido encerrava a Era Patriarcal do Espiritismo Brasileiro. As novas gerações assumiam a liderança de um movimento órfão, aturdidas e inseguras. Deviam, segundo a lei das sucessões, reelaborar as experiências das gerações anteriores, mas não dispunham das condições necessárias. Novos líderes surgiram ansiosos por impor-se no panorama espírita, excitados por novidades e desprovidos de bases sólidas no tocante ao conhecimento doutrinário. Teorias antigas, como folhas secas sopradas pelos ventos do mundo desvairado, vinham das catacumbas de múmias do Egito, das vastidões da Índia e da Mesopotâmia, renovar a mentalidade espírita mal formada e pior informada. As instituições doutrinárias, mal dirigidas por líderes vaidosos e convencidos de sua sabedoria eclética, assistidos por sub-líderes subservientes, não dispunham mais, em suas raízes secas, da seiva necessária para uma reação defensiva. Caminhamos assim, de deturpação em deturpação, através de disparatadas acusações de erros de Kardec, para os mistifórios mais absurdos. A tentativa de criação de um Espiritismo corpuscular para substituir toda a obra kardeciana fracassou por falta de lógica. Os manuais, cursos e até mesmo um tratado de mediunidade em que os minerais, os vegetais e os animais figuravam como médiuns, resultaram numa seita de fanatismo. A tentativa delirante de dividir em duas partes a obra de Kardec e converter o Mestre em figura de lenda simplória afogou-se no seu próprio ridículo. Mas a vaidade e a ignorância de mãos dadas tinham ainda um último golpe a tentar. Os novos líderes espíritas, embriagados pelo prestígio popular conseguiriam traçar um plano geral de aviltamento da Doutrina e efetivar o primeiro passo: a adulteração da obra mais popular de Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Essa profanação de gentio, como a classificou o poeta Rudmar Augusto, provocou a indignação das pessoas de bom-senso e dos adeptos fiéis da Doutrina, selada historicamente pela condenação maciça do Congresso Estadual da União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo. Apesar dessa vitória da dignidade doutrinária, trinta mil volumes adulterados já haviam sido trocados pelas moedas de Judas e infestado o movimento espírita brasileiro. A insensibilidade dos novos líderes não lhes permitiu renunciar aos seus postos de liderança rejeitada. Continuaram em seus lugares e tentaram ainda mais um golpe: a destruição da USE [União das Sociedades Espíritas do Estado] pela sua absorção nos quadros profanados da Federação. Perderam mais essa cartada mas não se deram por achados. O excesso de tolerância e a inconsciência da maioria responsável pela instituição, a incompreensão da gravidade do caso de adulteração oficial dos textos doutrinárias permitiram passivamente a continuidade das lideranças falidas. Tudo isso nos mostra a distância que se estendeu, o vácuo aberto entre duas épocas: a dos líderes natos e respeitáveis do passado e a dos líderes levianos e inconsequentes do presente. Nesta fase de aviltamento da espécie humana em todo o mundo, não houve condições para o restabelecimento da austeridade espírita em termos de respeito pela Doutrina e moralização dos quadros doutrinários. Onde os líderes não revelam capacidade de liderança a massa perde o rumo e a convicção doutrinária é substituída pelo aviltamento das consciências. Foi assim que o Cristianismo entrou no eclipse medieval e restabeleceu a mitologia e a idolatria que o Cristo condenara em termos candentes, com expressões vigorosas que os adulteradores modernos procuraram substituir por frases ambíguas e ridículas nos textos evangélicos e na obra de Kardec. Assim traçado esse panorama sombrio, com as cores quentes da realidade ainda palpitante — demonstrado em fatos clamorosos e inegáveis as consequências da falta de convicção e austeridade no trato dos problemas doutrinários, podemos voltar à análise do problema das lideranças.

Psicologia da liderança espírita

A liderança espírita é ainda um campo de ensaio. A maioria dos chamadas líderes espíritas não têm conhecimento suficiente da Doutrina. São, em geral, médiuns que se impuseram por suas faculdades ao respeito e à admiração de um grupo de adeptos. Às condições necessárias à liderança nas atividades comuns, acrescentam aos fatores mediúnicos: vidência, intuição, capacidade de doutrinação-espírita e abnegação ao próximo, seguindo o lema doutrinário de fora da caridade não há salvação. A esses acréscimos positivos juntam elementos negativos de suas condições individuais: autossuficiência, vaidade, autoritarismo, misticismo de tipa igrejeiro, pretensões culturais sem conteúdo, humildade aparente, hipocrisia farisaica que se excede em demonstrações de pureza e amabilidade festiva. Contrabalançadas pelas qualidades positivas já referidas, essas antiqualidades puramente sociais completam o equipamento do paternalismo que comove os adeptos desprevenidos. A liderança espírita é um papel que o líder desempenha no meio doutrinário, apoiado no status social comum. Este problema do status é curioso, mas compreensível. Não sendo o Espiritismo uma religião organizada em forma igrejeira — mas uma doutrina livre que abrange todos os ramos do Conhecimento e tem a sua parte religiosa como consequência da científica e da filosófica — não há no Espiritismo cargos nem funções que possam definir um status específico, como o de sacerdote. O líder espírita é lavrador, operário, banqueiro, médico, empresário e assim por diante. Há uma relação natural entre o status social do líder e seu papel doutrinário, mesmo porque o movimento espírita é difuso, não forma uma ilha social, difunde-se por todo o organismo da sociedade. A importância do status social influi naturalmente na importância do papel doutrinário. Esta breve caracterização da liderança-espírita já nos fornece indicações suficientes para um esboço da Psicologia da Liderança Espírita, que se mostra bastante complexa, Não pretendemos aprofundar o problema, mas apenas colocá-lo em função do assunto deste livro. O Espiritismo, como fato social e cultural, é um fenômeno ainda recente no panorama sociológico e exige tempo a fim de se definir em suas coordenadas evolutivas, em sua estática e sua dinâmica social e particularmente em seus vetores, ou seja, em seus elementos condutores de energias e determinadores de situações específicas. A própria especificidade das situações não é fácil de se definir e caracterizar, pois a condição de espírita não implica distinções raciais ou sociais e nem mesmo uma posição sectária explícita. A universalidade potencial do Cristianismo encontra-se em fase de atualização no Espiritismo, mas essa passagem da potência a ato depende de um lento e profundo processo de aculturação que, na verdade, consiste na elaboração de uma nova cultura. Tudo parece feito, e, no entanto, tudo está por fazer. Um mundo novo não surge do nada, como na alegoria do fiat, mas das raízes e da seiva de um mundo que o antecedeu. O velho e o novo se misturam gerando uma situação ambígua em que os indivíduos e os grupos espíritas mostram-se profundamente diferenciados entre si. Não existe a homogeneidade necessária às classificações habituais. A massa espírita não se destaca do quadro geral da população e esta a encara numa perspectiva plurivalente: os espíritas lhe parecem ao mesmo tempo benéficos e maléficos, ingênuos e espertos. cultos e ignorantes, bondosos e perigosos, a serviço de Deus ou do Diabo, criaturas de fé e de má-fé, racionais e fanáticos, e assim por diante. É a mesma situação dos cristãos primitivos no mundo antigo, embora pareça, atualmente, uma situação inteiramente nova. Nessa heterogeneidade sociocultural a liderança espírita exige extrema versatilidade, o que por sua vez, aumenta as suas dificuldades por gerar desconfianças. Combatidos, caluniados, perseguidos e ridicularizados pelo clero das religiões tradicionais, pelas diversas ordens espiritualistas, pelas instituições científicas (particularmente pelas instituições médicas) pela imprensa, o rádio e a tv, explorados em sua generosidade por espertalhões de todos os tipos, os espíritas desenvolveram naturalmente o seu instinto de defesa e preservam-se na desconfiança. Não obstante, a sua obstinação na boa-fé — decorrente dos princípios doutrinários de fraternidade, tolerância e amor ao próximo — os tornam vítimas frequentes de engodos e mistificações. Essa ingenuidade espírita é o que ameniza, não raro demasiadamente, as dificuldades da liderança espírita. O receio de fazer mau juízo do próximo, de critica-lo injustamente, faltando com a tolerância e a caridade, leva indivíduos e instituições a situações difíceis e embaraçosas.______________________ J. Herculano Pires _ *retirado do site http://bibliadocaminho.com/ocaminho/TXavieriano/Livros/Nht/NhtAnexo2.htm