quinta-feira, 2 de junho de 2016

Não há morte, não há fim; há passagem de um estado de inferioridade para um estado de superioridade, gradativa, sem hiatos, sem abismos, sem saltos bruscos, porque, na Natureza, seres e coisas obedecem a uma mesma lei de Relatividade, lei justa e eqüitativa promulgada nos Conselhos de Deus! Toda a criação goza dessa graça, todos os seres dela vivem e se alimentam, nela crescem, progridem, tornam-se adultos no entendimento, e, emergindo do instinto, flutuam no oceano luminoso da Inteligência, onde cantam a sua gloriosa epifania. Permita o Supremo Senhor que esta despretensiosa obra leve aos lares em que entrar, a Paz, a Esperança e a Fé; que seja ela, para os que a compulsarem um fardo leve, um jugo suave, onde possam encontrar arrimo, orientação para uma vida nova, um consolo a mitigar dores ocultas uma porta aberta para a Verdade, para o Amor, para a Felicidade! Jesus Cristo nos auxilie para que alcancemos com facilidade a graça prometida!

Parábolas dos Evangelhos

Na acepção geral do termo, parábola é uma narrativa que tem por fim transmitir verdades indispensáveis de serem compreendidas. As Parábolas dos Evangelhos são alegorias que contêm preceitos de moral. O emprego contínuo, que durante o seu ministério Jesus fez das parábolas, tinha por fim esclarecer melhor seus ensinos, mediante comparações do que pretendia dizer com o que ocorre na vida comum e com os interesses terrenos. Sugeria, assim, o Mestre, figuras e quadros das ocorrências cotidianas, para facilitar mais aos seus discípulos, por esse método comparativo, a compreensão das coisas espirituais. Aos que o ouviam ansiosamente, procurando compreender seus discursos, a parábola tornava-se-lhes excelente meio elucidativo dos temas e das dissertações do Grande Pregador. Mas os que não buscavam na parábola a figura que compara, a alegoria que representa a idéia espiritual, e se prendiam à forma, desprezando o fundo, para estes a Doutrina nem sequer aparecia, mas conservava-se oculta, como a noz dentro da casca. Daí a resposta de Jesus aos discípulos que lhe inquiriram a razão de Ele falar por parábolas: “Porque a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos Céus, mas a eles não lhes é isso dado. Pois ao que tem, dar-se-lhe-á e terá em abundância; mas ao que não tem; até aquilo que tem ser-lhe-á tirado.” “Por isso lhes falo por parábolas, porque vendo não vêem; e ouvindo não ouvem, nem entendem. E neles se está cumprindo a profecia de Isaías, que diz: Certamente ouvireis, e de nenhum modo entendereis. Porque o coração deste povo se fez pesado, e os seus ouvidos se fizeram tardos, e eles fecharam os olhos; para não suceder que vendo com os olhos e ouvindo com os ouvidos, entendam no coração e se convertam e eu os cure.” Pelo trecho se observa claramente que os fariseus e a maioria dos judeus, em ouvindo a exposição da parábola, só viam a figura alegórica que lhes era mostrada, assim como, quem não quebra a noz, só lhe vê a casca. Ao passo que com seus discípulos não acontecia à mesma coisa; eles viam e ouviam o ensino, o sentido espiritual que permanece para sempre; não se prendiam à figura ou a palavra sonora, que se extingue desvanece. _____________________Cairbar Schutel - do Livro Parábolas e ensinamentos

A luta entre o espírito e a matéria

A luta entre o espírito e a matéria, parece vir de tempos imemoriais. Basta passar um relance de vistas na História para que nos convençamos das transformações sucessivas por que vem passando o nosso mundo, acionado sempre pelas Potestades Superiores, às quais está afeta a direção do nosso planeta. E é justamente quando o jugo se torna mais pesado, quando o caráter se deprime, quando a materialidade invade e domina a família e a sociedade, que os seres invisíveis acentuam a sua ação, para ganharmos, na senda do progresso, o tempo perdido em vãos holocaustos, que só serviram para assinalar nosso atraso espiritual! Foi numa época semelhante à nossa, em que a Humanidade havia descambado para o terreno acidentado do fanatismo, da superstição e do materialismo, que o Céu se fez ouvir pelo seu maior Expoente, pelo seu mais lídimo Representante. Foi nessa época que se encarnou entre nós o grande Espírito que conhecemos por Jesus Cristo. Enviado com determinada missão, Divino Messias, desde o seu nascimento, manifestou poderes superiores, que o exaltaram, — nos momentos de dúvidas e vacilações quanto à sua real grandeza, — aos olhos dos que o cercavam. Todos esses fatos, tidos como miraculosos pela ignorância, popular e pelo autoritarismo clerical, não eram mais do que provas objetivas dos atributos do Espírito, magnificamente sintetizadas no Filho do Homem. As vozes dos augúrios, os cânticos, as revelações, as manifestações em sonhos, as materializações, as maravilhas diversas, os fatos de ordem psíquica e extra-sensorial narrados nos Evangelhos, constituem o caráter positivo da Religião de Jesus Cristo. _____________________________Cairbar Schutel - do Livro Parábolas e ensinamentos

domingo, 29 de maio de 2016

Libertando-se do medo da morte

4. Para libertar-se do temor da morte é mister poder encará-la sob o seu verdadeiro ponto de vista, isto é, ter penetrado pelo pensamento no mundo espiritual, fazendo dele uma idéia tão exata quanto possível, o que denota da parte do Espírito encarnado um tal ou qual desenvolvimento e aptidão para desprender-se da matéria. No Espírito atrasado a vida material prevalece sobre a espiritual. Apegando-se às aparências, o homem não distingue a vida além do corpo, esteja embora na alma a vida real; aniquilado aquele, tudo se lhe afigura perdido, desesperador. Se, ao contrário, concentrarmos o pensamento, não no corpo, mas na alma, fonte da vida, ser real a tudo sobrevivente, lastimaremos menos a perda do corpo, antes fonte de misérias e dores. Para isso, porém, necessita o Espírito de uma força só adquirível na madureza. O temor da morte decorre, portanto, da noção insuficiente da vida futura, embora denote também a necessidade de viver e o receio da destruição total; igualmente o estimula secreto anseio pela sobrevivência da alma, velado ainda pela incerteza. Esse temor decresce, à proporção que a certeza aumenta, e desaparece quando esta é completa. Eis aí o lado providencial da questão. Ao homem não suficientemente esclarecido, cuja razão mal pudesse suportar a perspectiva muito positiva e sedutora de um futuro melhor, prudente seria não o deslumbrar com tal idéia, desde que por ela pudesse negligenciar o presente, necessário ao seu adiantamento material e intelectual.________________Livro O Céu e o Inferno

Medo da morte

1. O homem, seja qual for a escala de sua posição social, desde selvagem tem o sentimento inato do futuro; diz-lhe a intuição que a morte não é a última fase da existência e que aqueles cuja perda lamentamos não estão irremissivelmente perdidos. A crença da imortalidade é intuitiva e muito mais generalizada do que a do nada. Entretanto, a maior parte dos que nela crêem apresentam-se-nos possuídos de grande amor às coisas terrenas e temerosos da morte! Por quê? 2. Este temor é um efeito da sabedoria da Providência e uma conseqüência do instinto de conservação comum a todos os viventes. Ele é necessário enquanto não se está suficientemente esclarecido sobre as condições da vida futura, como contrapeso à tendência que, sem esse freio, nos levaria a deixar prematuramente a vida e a negligenciar o trabalho terreno que deve servir ao nosso próprio adiantamento. Assim é que, nos povos primitivos, o futuro é uma vaga intuição, mais tarde tornada simples esperança e, finalmente, uma certeza apenas atenuada por secreto apego à vida corporal. 3. À proporção que o homem compreende melhor a vida futura, o temor da morte diminui; uma vez esclarecida a sua missão terrena, aguarda-lhe o fim calma, resignada e serenamente. A certeza da vida futura dá-lhe outro curso às idéias, outro fito ao trabalho; antes dela nada que se não prenda ao presente; depois dela tudo pelo futuro sem desprezo do presente, porque sabe que aquele depende da boa ou da má direção deste. A certeza de reencontrar seus amigos depois da morte, de reatar as relações que tivera na Terra, de não perder um só fruto do seu trabalho, de engrandecer-se incessantemente em inteligência, perfeição, dá-lhe paciência para esperar e coragem para suportar as fadigas transitórias da vida terrestre. A solidariedade entre vivos e mortos faz-lhe compreender a que deve existir na Terra, onde a fraternidade e a caridade têm desde então um fim e uma razão de ser, no presente como no futuro.____________________Livro O Céu E o Inferno

sábado, 28 de maio de 2016

No Reino em Construção

Entretanto, nem todos os Espíritos que encarnam na Terra vão para ai em expia- ção- Escutaste o pessimismo que se esmera em procurar as deficiências da Humanidade, como quem se demora deliberadamente nas arestas agressivas do mármore de obra-prima Inacabada e costumas dizer que a Terra está perdida. Observa, porém, as multidões que se esforçam silenciosamente pela santificação do porvir. Compulsaste as folhas da imprensa, lendo a história do autor de homicídio lamentá- vel e sob a extrema revolta, trouxeste ao labirinto das opiniões contraditórias a tua própria versão do acontecimento, asseverando que estamos todos no teatro do crime. Recorda, contudo, os milhões de pais e mães, tocados de abnegação e heroísmo, que abraçam todos os sacrifícios no lar para que a delinqüência desapareça. Conheceis jovens que se transviaram. na leviandade, desvairando-se em golpes de selvageria e loucura e, examinando acremente determinados sucessos que devem estar catalogados na patologia da mente, admites que a juventude moderna se encontra em adiantado processo de desagregação do caráter. Relaciona, todavia, os milhões de rapazes e meninas, debruçados sobre livros e máquinas, através do labor e do estudo, em muitas circunstâncias imolando o pró- prio corpo à fadiga precoce, para integrarem dignamente a legião do progresso. Sabes que há companheiros habituados aos prazeres noturnos e, ao vê-los comprando o próprio desgaste a prego de ouro, acreditas que toda a comunidade humana jaz entregue à demência e ao desperdício. Reflete, entretanto, nos milhões de cérebros e braços que atravessam a noite, no recinto das fábricas e junto dos linotipos, em hospitais e escritórios, nas atividades da limpeza e da vigilância, de modo a que a produção e a cultura, a saúde e a tranqüilidade do povo sejam asseguradas. Marcaste o homem afortunado que enrijeceu mãos e bolsos, na sovinice, e esposas a convicção de que todas as pessoas abastadas são modelos completos; de avareza e crueldade. Considera, no entanto, os milhões de tarefeiros do serviço e da beneficência, que diariamente colocam o dinheiro em circulação, a fim de que os homens conheçam a honra de trabalhar e a alegria de viver. Não condenes a Terra pelo desequilíbrio de a1guns. Medita, em todos os que se encontram suando e sofrendo, lutando e amando, no levantamento do futuro melhor, e reconhecerás que o Divino Construtor do Reino de Deus no mundo está esperando também por ti._____________________________________________Livro da Esperança de Euripedes Barsanulfo

Perante o Mundo

“A casa do Pai é o Universo. As diferentes moradas São os Mundos que circulam no espaço infinito e oferecem aos Espíritos que neles encarnam, moradas correspondentes ao adiantamento dos mesmos Espíritos.” Clamas que não encontraste a felicidade no mundo, quando o mundo, - bendita universidade do espírito,dilapidada, por inúmeras gerações,te inclui entre aqueles de quem espera cooperação para construir a própria felicidade. Quando atingiste o diminuto porto do berço, com a fadiga da ave que tomba inerme, depois de haver planado longo tempo, sobre mares enormes, conquanto chorasses, argamassavas com teus vagidos, a alegria. e a esperança dos pais que te acolhiam, entusiasmados e jubilosos, para seres em casa o esteio da segurança. Alcançaste o verde refúgio da meninice embora mostrasses a inconsciência afável da. infância, foste para os mestres que te afagaram na escola a promessa viva de luz e realização que lhes emblemava o porvir.Chegaste ao róseo distrito da juventude e apesar da inexperiência em que se te esfloravam todos os sonhos, os dirigentes de serviço, na pro fissão que abraçaste, contavam contigo para dignificar o trabalho e clarear os caminhos. Constituíste o lar próprio e, não obstante tateasses os domínios da responsabilidade, em meio de flores e aspirações, espíritos, afeiçoados e amigos te aguardavam generoso concurso para se corporificarem, na condição de teus filhos, através da reencarna- ção. Penetraste os círculos da fé renovadora que te honra os anseios de perfeição espiritual e se bem que externasses imediata necessidade de esclarecimento e socorro, companheiros de ideal saudaram-te a presença, na certeza de teu apoio ao levantamento das iniciativas mais nobres. Casa que habitas, campo que lavras, plano que arquitetas e obras que edificas solicitam-te paz e trabalho. Amigos que te ouvem rogam-te bom amimo. Doentes que te buscam suspiram por melhoras. Criaturas que te rodeiam pedem-te amparo e compreensão para que lhes acrescentes a coragem. Cousas que te cercam requisitam-te proteção e entendimento para que se lhes aprimore o dom de servir. Tudo é ansiosa expectativa, ao redor de teus passos. Não maldigais a Terra que te abençoa. Afirmas que esperas, em vão, pelo auxílio do mundo... Entretanto é o mundo que espera confiantemente por ti._______________________________________Livro da Esperança - Eurípedes Barsanulfo

sábado, 21 de maio de 2016

Pensamento e reforma íntima

Tudo o que existe no universo tem a sua origem no pensamento. A criação, princípio de tudo podemos dizer que teve a ação de uma força inteligente (o pensamento), senão como conceber tanta perfeição em a natureza?. Deus, o criador, é o pensamento universal. Assim também somos nós, com as nossas criações. Todas as coisas que inventamos tiveram início em nossa mente e foi se realizando passo a passo; somos enfim, coadjuvantes da obra de Deus. As nossas realizações a serviço do bem são os nossos pensamentos positivos materializados em harmonia com a obra divinal, e tudo que se faz contrário a essa ação, são os nossos pensamentos negativos desestruturando o nosso meio e todo o universo. Por tudo isso, é certo afirmar que “somos o que pensamos”, temos a capacidade de construirmos a nossa felicidade ou a nossa desdita e o agora se faz o momento oportuno de buscarmos mudanças em nosso padrão vibracional. Não se trata aqui, de enganar os nossos pensamentos e sim sentarmos diante deles, livrando-se dos julgamentos e rótulos que normalmente damos para cada um: (inveja, ódio, ciúme, avareza...) e dialogarmos amorosamente numa firme resolução de vencê-los. Chamamos a esse permanente esforço de “o bom combate” ou “reforma íntima”, quando mergulhamos sem culpas em nosso interior a procura do auto-conhecimento. Encaramos tête-à-tête todas as nossas mazelas, começamos a lidar com elas no perseverante exercício da renovação e a sentir que a cada dia, vamos galgando um passo a mais na caminhada, lembrando-se que toda virtude adquirida constitui-se patrimônio espiritual conquistado.___________________________________________________________________________Arquivo do autor:ceacgallo

sábado, 14 de maio de 2016

Os Mensageiros

- Segundo livro da série, retrata a renovação de André Luiz, o tédio com o passado e o desejo sincero de trabalhar em benefício do próximo. Narra o próprio André: "Desligando-me dos laços inferiores que me prendiam às atividades terrestres, elevado entendimento felicitou-me o espírito. Semelhante libertação, contudo, não se fizera espontânea. Sabia, no fundo, quanto me custara abandonar a paisagem doméstica, suportar a incompreensão da esposa e a divergência dos filhos amados. Guardava a certeza de que amigos espirituais, abnegados e poderosos, me haviam a auxiliado a alma pobre e imperfeita, na grande transição. Antes, a inquietude relativa à companheira torturava-me incessantemente o coração; mas agora, vendo-a profundamente identificada com o segundo marido, não via recurso outro que procurar diferentes motivos de interesse. Foi assim que, eminentemente surpreendido, observei minha própria transformação, no curso dos acontecimentos." Pensando desta forma, feliz e renovada, é levado por Tobias, seu companheiro de trabalho nas Câmeras de Retificação, até Aniceto, nobre Instrutor no Ministério da Comunicação. Aprovado para ingressar no quadro de aprendizes, André Luiz tem a oportunidade de conhecer o fascinante serviço de formação de médiuns para fins de tarefas específicas na Crosta. Em companhia de Tobias, já no Ministério, André espanta-se: - "Mas esta organização imensa restringe-se ao movimento de transmissão de mensagens?" - perguntei curioso. O companheiro sorriu significativamente e esclareceu: - "Não suponha se encontre aqui localizado o serviço de correio, simplesmente. O Centro prepara entidades a fim de que se transformem em cartas vivas de socorro e auxílio aos que sofrem no Umbral, na Crosta e nas Trevas. Acreditaria, porventura, que tanto trabalho se destinasse apenas a mera movimentação de noticiário? Amplie suas vistas. Este serviço é a cópia de quantos se vêm fazendo nas mais diversas cidades espirituais dos planos superiores. Preparam-se aqui numerosos companheiros para a difusão de esperanças e consolos, instruções e avisos, nos diversos setores da evolução planetária. Não me refiro tão só a emissários invisíveis. Organizamos turmas compactas de aprendizes para a reencarnação. Médiuns e doutrinadores saem daqui às centenas, anualmente. Tarefeiros do conforto espiritual encaminham-se para os círculos carnais, em quantidade considerável, habilitados pelo nosso Centro de Mensageiros." Mais tarde, em companhia de Aniceto e Vicente, outro médico, André Luiz tem a oportunidade de realizar aprendizado na Terra, junto aos encarnados, fornecendo bastas e enriquecedoras notícias do desdobramento das tarefas que, segundo Emmanuel, no prefácio do livro, constituíram o relatório incompleto de uma semana de trabalho espiritual dos mensageiros do Bem, junto aos homens.

De que estrela me vem

"- Amigos, por quem sois, explicai-me em que novo mundo me encontro... De que estrela me vem, agora, esta luz confortadora e brilhante? Um deles afagou-me a fronte, como se fora conhecido pessoal de longo tempo e acentuou: - Estamos nas esferas espirituais vizinhas da Terra, e o Sol que nos ilumina, neste momento, é o mesmo que nos vivificava o corpo físico. Aqui, entretanto, nossa percepção visual é muito mais rica. A estrela que o Senhor acendeu para os nossos trabalhos terrestres é mais preciosa e bela do que a supomos quando no círculo carnal. Nosso Sol é a divina matriz da vida, e a claridade que irradia provém do Autor da Criação. Meu ego, como que absorvido em onda de infinito respeito, fixou a luz branda que invadia o quarto, através das janelas, e perdi-me no curso de profundas cogitações. Recordei, então, que nunca fixara o Sol, nos dias terrestres, meditando na imensurável bondade dAquele que no-lo concede para o caminho eterno da vida. Semelhava-me assim ao cego venturoso, que abre os olhos para a Natureza sublime, depois de longos séculos de escuridão." -_______________________________________________________________ André Luiz - Clarêncio, cap.2 - Nosso Lar

sexta-feira, 25 de março de 2016

Assim o fizemos

Os familiares desagradáveis são hoje o que deles fizemos ontem. Nada acontece por acaso, sem razão, em nossas vidas. Por isso diz Emmanuel: “Talvez o contato deles agora nos desagrade pela tisna de sombra que já deixamos de ter ou de ser”. Nesta própria existência terrena isso acontece com frequência. Ao nos tornarmos adultos não suportamos as peraltices das crianças, sem nos lembrarmos das que também já fizemos quando crianças. Ao nos enriquecermos não toleramos os peditórios ou a incapacidade dos parentes pobres, esquecidos do que fazíamos quando necessitados. Ao nos ilustrarmos não suportamos nos outros a ignorância em que ontem vivíamos. Educamos mal os nossos filhos e muitas vezes os deseducamos a gritos e pancadas. Mas quando eles crescem não suportamos o seu comportamento desrespeitoso, pelo qual somos responsáveis. Não os corrigimos em criança nem os ajudamos na adolescência, mas os fizemos desorientados e depois não os toleramos. Nas vidas sucessivas, através das reencarnações, procedemos também dessa maneira. E quando eles voltam ao nosso convívio não queremos aceitar e muito menos corrigir os seus defeitos. Na verdade, se não os aceitarmos hoje como são, teremos de aceitá-los amanhã, pois as leis da vida exigem, segundo ensinou Jesus, que nos entendamos com os companheiros “enquanto estivermos a caminho com eles”. A fuga aos deveres atuais será paga mais tarde com os juros devidos. Usando o livre arbítrio podemos rejeitá-los hoje, mas a contabilidade divina anotará o nosso débito para depois, com os acréscimos legais. ____________________José Herculano Pires

Familiares problemas

Desposaste alguém que não mais te parece a criatura ideal que conheceste. A convivência te arrancou aos olhos as cores diferentes com que o noivado te resguardava o futuro que hoje se fez presente. Em torno, provações, encargos renascentes, familiares que te pedem apoio, obstáculos por vencer. E sofres. Entretanto, recorda que antes da união falavas de amor e te mostravas na firme disposição em que assumiste os deveres que te assinalam agora os dias, e não recues da frente de trabalho a que o mundo te conduziu. Se a criatura que te compartilha transitoriamente o destino não é aquela que imaginaste e sim alguém que te impõe difícil tarefa a realizar, observa que a união de ambos não se efetuaria sem fins justos e dá de ti quanto possível para que essa mesma criatura venha a ser como desejas. * * * Diante de filhos ou parentes outros que se valem de títulos domésticos para menosprezar-te ou ferir-te, nem por isso deixes de amá-los. São eles, presentemente na Terra, quais os fizemos em outras épocas, e os defeitos que mostrem não passam de resultados das lesões espirituais causadas por nós mesmos, em tempos outros, quando lhes orientávamos a existência nas trilhas da evolução. É provável tenhamos dado um passo à frente. Talvez o contato deles agora nos desagrade pela tisna de sombra que já deixamos de ter ou de ser. Isso, porém, é motivação para auxílio, não para fuga. * * * Atentos ao princípio de livre arbítrio que nos rege a vida espiritual, é claro que ninguém te impede de cortar laços, sustar realizações, agravar dívidas ou delongar compromissos. O divórcio é medida perfeitamente compreensível e humana, toda vez que os cônjuges se confessam à beira da delinquência, conquanto se erija em moratória de débito para resgate em novo nível. E o afastamento de certas ligações é recurso necessário em determinadas circunstâncias, a fim de que possamos voltar a elas, algum dia, com o proveito preciso. Reflete, porém, que a existência na Terra é um estágio educativo ou reeducativo e tão só pelo amor com que amamos, mas não pelo amor com que esperamos ser amados, ser-nos-á possível trabalhar para redimir e, por vezes, saber perder para realmente vencer._______________________________________________Emmanuel/Chico Xavier

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Bom ânimo

– Irmãos, continuemos hoje em nosso comentário acerca do bom ânimo. Não me creiam separado de vocês por virtudes que não possuo. A palavra fácil e bem posta é, muita vez, dever espinhoso em nossa boca, constrangendo-nos à reflexão e à disciplina. Também sou aqui um companheiro à espera da volta. A prisão redentora da carne acena-nos ao regresso. É que o propósito da vida trabalha em nós e conosco, através de todos os meios, para guiar-nos à perfeição. Cerceando-lhe os impulsos, agimos em sentido contrário à Lei, criando aflição e sofrimento em nós mesmos. No plano físico, muitos de nós supúnhamos que a morte seria ponto final aos nossos problemas, enquanto outros muitos se acreditavam privilegiados da Infinita Bondade, por haverem abraçado atitudes de superfície, nos templos religiosos. A viagem do sepulcro, no entanto, ensinou-nos uma lição grande e nova – a de que nos achamos indissoluvelmente ligados às nossas próprias obras. Nossos atos tecem asas de libertação ou algemas de cativeiro, para a nossa vitória ou nossa perda. A ninguém devemos o destino senão a nós próprios. Entretanto, se é verdade que nos vemos hoje sob as ruínas de nossas realizações deploráveis, não estamos sem esperança. Se a sabedoria de nosso Pai Celeste não prescinde da justiça para evidenciar-se, essa mesma justiça não se revela sem amor. Se somos vítimas de nós mesmos, somos igualmente beneficiários da Tolerância Divina, que nos descerra os santuários da vida para que saibamos expiar e solver, restaurar e ressarcir. Na retaguarda, aniquilávamos o tempo, instilando nos outros sentimentos e pensamentos que não desejávamos para nós, quando não estabelecíamos pela crueldade e pelo orgulho vasta sementeira de ódio e perseguição. Com semelhantes atitudes, porém, levantamos em nosso prejuízo a desarmonia e o sofrimento, que nos sitiam a existência, quais inexoráveis fantasmas. O pretérito fala em nós com gritos de credor exigente, amontoando sobre as nossas cabeças os frutos amargos da plantação que fizemos... Daí, os desajustes e enfermidades que nos assaltam a mente, desarticulando-nos os veículos de manifestação. Admitíamos que a transição do sepulcro fosse lavagem miraculosa, liberando-nos o Espírito, mas ressuscitamos no corpo sutil de agora com os males que alimentamos em nosso ser. Nossas ligações com a retaguarda, por essa razão, continuam vivas. Laços de afetividade mal dirigida e cadeias de aversão aprisionam-nos, ainda, a companheiros encarnados e desencarnados, muitos deles em desequilíbrios mais graves e constringentes que os nossos. Nutrindo propósitos de regeneração e melhoria, somos hoje criaturas despertando entre o Inferno e a Terra, que se afinam tão entranhadamente um com o outro, como nós e nossos feitos. Achamo-nos imbuídos do sonho de renovação e paz, aspirando à imersão na Vida Superior, entretanto, quem poderia adquirir respeitabilidade sem quitar-se com a Lei? Ninguém avança para a frente sem pagar as dívidas que contraiu. ________________________________________________Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz

domingo, 24 de janeiro de 2016

Anjo em formação

Nossa mente fragmentária dificilmente compreende o ensino espírita segundo o qual “tudo se encadeia no Universo”. O eu nos separa dos outros, das coisas e dos seres. Sentimo-nos, apesar de todas as raízes que nos prendem à terra e de todos os liames que nos amarram aos outros, como seres independentes. Isolamo-nos na trincheira ilusória do nosso eu para enfrentar o mundo e os homens. Não raro nos dispomos a enfrentar Deus e os anjos, duvidando de tudo, como se a medida precária, a fita métrica da nossa razão constituísse o fio de prumo da realidade universal. Preferimos a afirmação de Protágoras de que o homem é a medida de todas as coisas (e o homem nesse caso somos nós e não os outros) à lição platônica de que é Deus a medida única do todo. Essa atitude de isolamento arrogante, que gera o orgulho e a vaidade, fecha-nos no pequenino universo do nosso eu particular. Daí a conhecida afirmação de Sartre, característica do nosso tempo: “os outros são o inferno”. E como vivemos com os outros, deles dependendo, a eles amarrados pela estrutura social e pela dinâmica espiritual, sentimo-nos no inferno. A mensagem de André Luiz, renovando a lição essencial do Cristo, vem lembrar-nos que não somos apenas homens, mas anjos em formação. Como homens sofremos porque nos situamos na zona intermediária da evolução, entre os animais e os anjos. Nossas angústias, nosso tédio, nosso desespero decorrem do conflito corpo-espírito. Mas nossas esperanças se alimentam das claridades celestes que se acendem progressivamente em nossa alma. Nosso corpo nos isola no mundo, mas nosso Espírito nos liga a todas as coisas e a todos os seres. Esse corpo se fecha nas sensações materiais, reduzidas à percepção sensorial. Mas nosso Espírito se abre nas emoções espirituais que nos dão a percepção extra-sensorial. A solução dos nossos problemas está assim em nós mesmos. A fase de transição que hoje vivemos na Terra exige de nós a compreensão global da vida. E o caminho para essa compreensão é o serviço ao próximo – que nos liga aos outros –, o desenvolvimento das nossas experiências através do trabalho, a busca de uma visão nova da vida como processo evolutivo – em que os fins imediatos são apenas meios para atingirmos a finalidade real da existência._________________J. Herculano Pires

O auto-castigo

Deus não castiga o suicida, pois é o próprio suicida quem se castiga. A noção do castigo divino é profundamente modificada pelo ensino espírita. Considerando-se que o Universo é uma estrutura de leis, uma dinâmica de ações e reações em cadeia, não podemos pensar em punições de tipo mitológico após a morte. Mergulhado nessa rede de causas e efeitos, mas dotado do livre arbítrio que a razão lhe confere, o homem é semelhante ao nadador que enfrenta o fatalismo das correntes de água, dispondo de meios para dominá-las. Ninguém é levado na corrente da vida pela força exclusiva das circunstâncias. A consciência humana é soberana e dispõe da razão e da vontade para controlar-se e dirigir-se. Além disso, o homem está sempre amparado pelas forças espirituais que governam o fluxo das coisas. Daí a recomendação de Jesus: “Orai e vigiai”. A oração é o pensamento elevado aos planos superiores – a ligação do escafandrista da carne com os seus companheiros da superfície – e a vigilância é o controle das circunstâncias que ele deve exercer no mergulho material da existência. O suicida é o nadador apavorado que se atira contra o rochedo ou se abandona à voragem das águas, renunciando ao seu dever de vencê-las pela força dos seus braços e o poder da sua coragem, sob a proteção espiritual de que todos dispomos. A vida material é um exercício para o desenvolvimento dos poderes do Espírito. Quem abandona o exercício por vontade própria está renunciando ao seu desenvolvimento e sofre as consequências naturais dessa opção negativa. Nova oportunidade lhe será concedida, mas já então ao peso do fracasso anterior. Cornélio Pires, o poeta caipira de Tietê, responde à pergunta do amigo através de exemplos concretos que falam mais do que os argumentos. Cada uma de nossas ações provoca uma reação da vida. A arte de viver consiste no controle das nossas ações (mentais, emocionais ou físicas) de maneira que nós mesmos nos castigamos ou nos premiamos. Mas mesmo no auto-castigo não somos abandonados por Deus, que vela por nós em nossa consciência._________________________J. Herculano Pires

Legendas do Obreiro da Verdade

Compreender que as necessidades e as esperanças dos outros são fundamentalmente iguais às nossas. Auxiliar sem exigir que o beneficiado nos tome as ideias. Reconhecer que a Divina Providência possui estradas inúmeras para socorrer as criaturas e iluminá-las. Aprender a tolerar com paciência as pequenas humilhações, a fim de prestar os grandes testemunhos de sacrifício pessoal que a Causa da Verdade lhe reclamará possivelmente algum dia. Esquecer-se pela obra que realiza. Guiar-se pela misericórdia e não pela crítica. Abençoar sem reprovar.• Construir ou reconstruir, sem ofender ou condenar. Trabalhar sempre sem o propósito de ser ou parecer o maior ou o melhor ante os demais. Cultivar ilimitadamente a cooperação e a caridade. Coibir-se de irritação e de azedume. Agir sem criar problemas. Observar que sem a disciplina individual no campo do bem, a prática do bem se faz impossível. Respeitar a personalidade dos companheiros. Encontrar ocasião para atender à bênção da prece. Deter-se nas qualidades nobres e olvidar as prováveis deficiências do próximo. Valorizar o esforço alheio. Nunca perder tempo. Apagar inimizades ou discórdias através da desculpa fraterna e do serviço constante que devemos uns aos outros. Criar oportunidades de trabalho para si, ajudando aos outros no sentido de descobrirem as oportunidades de trabalho que lhes digam respeito à capacidade e às possibilidades de realização, conservando em tudo a certeza inalterável de que toda pessoa é importante na edificação do Reino de Deus. __________________________________Emmanuel

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

O martírio dos suicidas

Entrevista de Yvonne Pereira Há 80 anos, 1926, um livro começava a ser escrito. Sem precedentes na literatura mediúnica, ele trazia as descrições de um homem e suas vidas, existências que culminaram com uma das piores tragédias que um espírito pode se imputar: o suicídio. Era a trajetória, o martírio, a esperança de recuperação, e a certeza de que para evoluir bastava tentar... O autor era um mundialmente famoso escritor português, Camilo Castelo Branco, que havia se suicidado em 1890, aos 65 anos, por não suportar a cegueira que o acometia e que impedia de dedicar-se às letras, atividade que tanto amava. Como Espírito, escolheu a médium Yvonne Pereira para ditar seu infortúnio e essa opção não foi aleatória, Yvonne era única não só pelas impressionantes faculdades mediúnicas que possuía, mas também por ter sido contemporânea de Camilo em sua existência anterior, em Portugal, e por ter também se suicidado naquela vida. Essa condição foi fundamental para que Yvonne conseguisse repassar aos leitores exatamente o que Camilo desejava. O livro ganhou o nome de Memórias de um Suicida e é considerado o mais importante sobre o assunto, tanto pelas informações que contém quanto pela contribuição em ter livrado muitas pessoas desse ato desesperado. Memórias também foi responsável por trazer ao Brasil o trabalho executado pelo Centro de Valorização da Vida – CVV. Foi a partir da leitura do livro que, em 1962, criaram a instituição que tem finalidade única de prevenir o suicídio. Comemorando então a importância de Memórias de um Suicida, a Maiêutica deste mês é uma compilação de duas entrevistas inéditas que Yvonne concedeu em 1979 a Mauro e Elisabeth Operti e a Altivo Carismi Pamphiro e que serão publicadas na íntegra no livro Pelos Caminhos da Mediunidade Serena, lançamento das Publicações Lachartre. O livro, organizado pelo biógrafo de Yvonne, Pedro Camilo, vai trazer uma coletânea de entrevistas nas quais a médium discorre sobre suas impressionantes faculdades, seus livros, os Espíritos com os quais conviveu, entre outras curiosidades. Pude lê-lo em primeira mão; uma preciosidade! E garante que as perguntas escolhidas para compor esta matéria são parcelas minúsculas das entrevistas inéditas; de certa forma isso muito me entristece, pois conferi a maravilha do todo. Consola-me, porém, o fato de que muitos irão procurar os livros de Yvonne justamente por vislumbrar seus conhecimentos nestas páginas... Como conheceu o Espírito Camilo Castelo Branco, autor do livro? Quando tinha 12 anos vi o Espírito Camilo numa festa de aniversário de uma coleguinha, na cidade de Brasópolis, sul de Minas. Convidada para aquela festinha, fui e vi o Camilo muito triste, encostado numa mesa, com a mão no rosto; mas eu não sabia quem ele era. Mais tarde, observando um romance que uma tia lia, vi o retrato do Camilo e o reconheci. Havia afinidade entre nós. Camilo viveu em Portugal na época de meu suicídio em Lisboa (numa vida anterior a esta). Daí eu supor que o meu pai daquela vida e o Camilo foram contemporâneos, e naturalmente eu também. E como meu pai da vida passada era um intelectual calculo que eles se conheciam. Além disso, ainda havia com o Camilo a afinidade pelo suicídio. Como se deu o início da produção de Memórias de um Suicida? Em 1926 assisti a uma sessão na fazenda do presidente do Centro Espírita de Lavras e vi o Camilo, que me deu sua primeira mensagem convidando-me para fazer um livro com ele – os bons Espíritos não impõem, eles convidam o médium. O Camilo começou, então, a me dar as primeiras mensagens no Centro Espírita de lavras. Mais tarde, reconheci que Memórias de um Suicida ficou muito incompleto; eram só as narrativas do Camilo. Tanto que a crítica hoje diz que, nesse livro, há 30% de Camilo e 70% de Leon Denis. De fato é isso mesmo. O livro estava incompleto; não havia explicações doutrinárias, conclusões filosóficas... O Camilo não conhecia a Doutrina Espírita para dizer tudo isso. Ele narrou o que se passou com ele. Esse livro ficou guardado por muito tempo... Comigo, como manuscrito, foram 25 anos, e só o entreguei no fim de 1954. Por quê? Bem, eu não o aceitei. Achava que era mistificação – eu não conhecia bem a Doutrina quando comecei a recebê-lo. Nem mesmo O Livro dos Médiuns eu havia estudado – e ele é a base dessa instrução toda sobre a vida no além-túmulo, inclusive da existência de casas, de hospitais etc. Acontece que esse noticiário todo não é novo, porque aquele grande médico sueco, Swedenborg, foi o primeiro que andou falando essas coisas, e com muito detalhe e beleza. Depois disso, as mensagens examinadas pelo Ernesto Bozzano falam também de relatos da vida de além-túmulo que foram recebidos antes da Codificação. Então, só depois que conheci tudo isso é que fiquei descansada. Acredito, porém, que muita coisa na obra é analogia, porque nós não temos palavras para descrever o que há no além-túmulo. Seria preciso que criássemos muitos termos, apreendêssemos mais alguma coisa para poder repetir, traduzir, tudo, tudo quanto os Espíritos querem falar. Então como fez para escrever o que não pretendia? O que me valeu, não só nesse livro como nos outros, é que vejo tudo quanto os Espíritos dizem. Vejo coisas que não conheço, muitos aparelhos que eu não acreditava que existissem! Via muitos aparelhos, inclusive para regressão de memória – parece uma cinta de ferro na cabeça! Eu não ficava muito em mim, porque do alto eu via meu corpo lá em baixo, escrevendo o livro. Quando acordava, estava com a cabeça toda dolorida, mas, com uma prece, aquilo tudo desaparecia e eu me sentia bem. Seria como se você visse antes de escrever, para poder escrever melhor? Por exemplo: quando escrevi sobre aquele poço, onde ficavam muitos suicidas, eu mesma não sabia o que era aquilo, se era criação mental dos Espíritos-guias ou daquelas mentes alucinadas. No mundo não há expressão para traduzir o sofrimento de um suicida. Olha que eu sofro isso desde pequena... Eu passava as noites inteiras com aquela aflição remanescente do suicídio. Era uma angústia indescritível! Eu senti essa angústia durante grande parte da minha vida e ela só começou a desaparecer depois da publicação do livro. Mas eu sofria muito quando eles me mostravam aquelas cenas todas. Posso descrever até o cheiro do enxofre e daquelas matérias do vulcão. Eu via aquilo escorrer... Via as paredes duras e delas descendo aqueles metais fétidos... Conversando com Chico, ele me disse que aquilo era um vulcão extinto. Você via isso no momento em que estava escrevendo? Não, eu vi antes. Desde pequena eu via essas cenas. Também fui suicida e sofri muitíssimo no além. Então foi uma espécie de recordação? Sim. Creio que aquela cinta que puseram na minha cabeça era para regressão de memória. Meu espírito foi salvo pelo Charles, mas ele não podia ir lá me retirar daquele antro. Ele serviu-se da linha da umbanda. É por isso que eu respeito a umbanda. Eu vi. Puseram uma corda por onde desciam os Espíritos de umbanda. Quando escrevi o romance, eles me puseram a tal cinta que creio, foi para provocar a regressão de memória. Aquilo doía muito. Então, havia uma cratera da qual fui retirada pelos Espíritos de umbanda através de uma corda. Eu respeito a umbanda por causa disso. Há muita coisa que não está certa na umbanda, não resta a menor dúvida; há muitas mistificações... Mas os Espíritos adiantados se servem desses Espíritos para fazer o bem. Quantas vezes eu fui com o Dr. Bezerra fazer esses trabalhos, na Terra mesmo, ou no astral inferior... Você sentia tudo? Minha mediunidade toda é desse tipo positivo, que sofre tudo. Se era afogado ou enforcado, eu chegava a ficar com o pescoço roxo, a carótida crescia, a língua vinha para fora, os olhos arregalavam... Era uma coisa horrorosa! Eu não via como ficava; os companheiros de trabalho me contavam depois. A conseqüência do suicídio por queda de altura é, também, horrorosa, porque ele nunca chega embaixo. Já escrevi isso num livro meu. Ele fica se despenhando toda vida, sentindo que vai morrer e a queda não termina nunca, Léon Denis, que é um dos mais importantes continuadores da obra de Kardec, fala que essa tortura costuma vir com a reencarnação, pois o perispírito traz essas impressões, podendo dar origem a doenças nervosas que a medicina não cura. A única coisa que suaviza, que começa a curar é o Evangelho. Tenho uma sobrinha que todo mundo pensava que estava com indícios de mediunidade, mas ela tinha era obsessão e até convulsões, porque há casos de suicidas reencarnados, que trazem esses desequilíbrios nervosos que parecem epilepsia, mas não são. Para essa minha sobrinha, o Dr. Bezerra de Menezes escreveu uma das melhores mensagens que recebi na vida. Ela foi suicida! Agora se sabe que não há que se desenvolver a mediunidade. Ela não tem a menor condição para isso, pois tem o sistema nervoso completamente enfermo. O cérebro, também, não pode estar bom. Eu, por exemplo, depois que me dediquei muito à Doutrina, tenho que dar graças a Deus, porque me reequilibrei, mas a única coisa que reequilibra é, justamente, o trabalho do Evangelho, o trabalho doutrinário. Como é o sofrimento de um suicida? É o sofrimento superlativo e quem não foi suicida não pode saber, não pode fazer uma idéia do que é. Imagine uma aglomeração desses suicidas, que ficam numa confusão horrorosa e não compreendem o que está se passando, porque há vários tipos de suicidas juntos, no mesmo local, cada um com as suas reminiscências e as suas vibrações. Eles ficam desesperados porque se sentem “mortos-vivos”, e são verdadeiros “mortos-vivos” porque se sabe que o fluido vital ainda está neles, demora para se dissipar – podemos ler isso em Gabriel Delanne. Uns ainda se sentem afogando – a gente vê o trecho do mar em que estão se afogando! - ; outros se vêem horrorizados com um trem de ferro; alguns se vêem desesperados com os venenos e outros com tiros no ouvido – e tudo isso na mesma região e ao mesmo tempo. Essas vibrações se chocam; é um verdadeiro inferno, não tenho outra expressão! São impressões que um ser humano que não foi suicida não pode avaliar. Eu compreendi muito bem porque também fui suicida, também estive lá. Como médium de incorporação, recebi tudo quanto foi Espírito suicida, e eu sentia as impressões e o sofrimento deles. Afogamento é a coisa mais horrorosa que se pode sentir. Agora, a morte por trem de ferro é a pior de todas; a pessoa fica numa confusão horrorosa, porque se vê vivo e catando os pedaços do corpo; e cada pedaço que cata ele sente que é seu, que está com ela e ao mesmo tempos não está. É algo que ninguém pode avaliar nem quase compreender. Como são os hospitais que amparam os suicidas? São uma beleza mesmo! E note-se que essa esfera onde está o hospital é inferior, não é muito boa não. É outra dimensão, mas por aqui mesmo. Ali há muito sofrimento, mas é tudo muito bonito. Somente não há coloração. É quase tudo branco. Eles têm tudo lá: escadarias, móveis, aventais, flores... Tudo muito bonito. Até hoje eu vou lá. Entro por um corredor, subo uma escada à direita, torno a virar à esquerda. Uma vez eu fui durante o dia e me perguntaram: “Você aqui a esta hora?” Tenho certeza de que, quando eu desencarnar, vou para lá, porque esta minha existência é terapêutica de lá. Ainda sou paciente, estou internada lá. Então não tenho que ir para outra parte; até hoje eu vejo aqueles médicos, toda aquela gente e os reconheço. Reconheço até alguns daqueles personagens já reencarnados. Você também fala sobre veículos usados para transportar os Espíritos suicidas. Poderia adicionar algum comentário sobre isso, inclusive falar também sobre os animais que você viu lá? Antes de tudo, é preciso lembrar que quem escreveu o livro não fui eu, foram os Espíritos. Com relação aos meios de transporte, eu os vi de duas espécies. O primeiro era para retirar os Espíritos daquele vale, que é quase a Terra – estou desconfiada de que aquele Vale dos Suicidas não é no espaço coisa nenhuma, é aqui no perímetro da Terra... Quem retirava aqueles Espíritos eram os servidores da colônia, que utilizavam um veículo redondo, cheio de janelinhas ao redor. Era todo acolchoado no interior, muito bonito e cômodo. Os Espíritos sentavam-se e ficavam muito bem acomodados – acredito que esse conforto era, antes de tudo, um primeiro ato de caridade para aqueles Espíritos se consolarem; em cada detalhe percebíamos a ação da misericórdia divina. Não sei de que material aquilo era feito. Pelos conhecimentos que tenho sobre o mundo espiritual, sei que era alguma matéria, porque coisa imaterial não pode existir, senão seria o nada – a eletricidade, por exemplo, é um formidável elemento, mas não a vemos, vemos só os seus efeitos. Aqueles veículos subiam no ar e rodavam, como dizem que fazem os discos voadores. Quando eles chegavam na entrada da colônia, os passageiros desciam e entravam por um portão. Todos preenchiam uma espécie de ficha, onde se anotava tudo: nome, local em que viveram, gênero do suicídio que tiveram, grau de instrução, orientação religiosa, etc. Dali é que eles seguiam finalmente, para a colônia propriamente dita. Ali era só entrada. Nesse momento é que mudava o meio de transporte, surgiam, então, as carruagens, muito bonitas, muito artísticas. Havia até trenó com cachorros e carruagens puxadas por cavalos muito lindos, todos brancos. Na colônia tudo era branco, até os cavalos. As crinas iam revoltas, agitadas pelo vento. Eram perispíritos de animais? Acredito que sim pelos conhecimentos que tenho sobre esse assunto nas obras clássicas da Doutrina. Não nas de Kardec, mas de Gabriel Delanne. Podemos concluir que poderia ser, porque se até as plantas têm perispírito, como muito bem nos indica André Luiz, que dirá um animal, um mamífero. Acredito que fossem os perispíritos dos cavalos. Mas poderia ser, também, uma construção mental dos Espíritos, porque no além-túmulo podemos construir tudo, justamente com esse elemento do mundo espiritual que vem a ser fluido cósmico universal, cujas modificações são quase infinitas, como dizem as obras clássicas. Vi também aves enfeitando os jardins do hospital. Seriam os perispíritos de aves? Isto eu não posso garantir. Não sei. Poderia ser também criação dos Espíritos para enfeitar o ambiente, porque aqueles fundadores da colônia eram verdadeiros artistas; enfeitavam o mais possível. Eu me lembro de ter visto lá, numa enfermaria onde ficou o Camilo Castelo Branco e aqueles seus companheiros, um quadro da Virgem, de Murilo, muito bonito, verdadeira arte. Aquele quadro não era estático, ele se movimentava. E isso o que é? Não tenho como explicar tudo... Pode ser uma analogia. Nós não temos palavras para explicar essas coisas do mundo espiritual. Ainda estamos muito bisonhos nesse sentido. O livro tem produzido frutos, tanto no sentido de salvar criaturas do suicídio como na criação de obras do movimento espírita... Sim. E uma dessas obras é o Centro de Valorização da Vida, CVV. Esse movimento é mundial, mas ainda não havia no Brasil. Jacques Conchon, espírita de São Paulo, criou essa instituição influenciado pelo Memórias de um Suicida, por causa do apelo que o livro faz para que os homens criem algo para evitar o suicídio... Eles fazem plantão noite e dia... São verdadeiros abnegados... Jacques Conchon disse que a situação mais difícil de recuperar um candidato a suicídio é o caso de amor, porque aí eles não podem fazer nada. Se o problema é doença, eles tratam, põem em hospital; se é financeiro, alugam casa, compram mobília, arranjam emprego. Tudo isso é causa de suicídio. Já os casos de amor são mais difíceis. Em 15 anos eles perderam dez casos. Eu creio que a proporção é grande. Eram todos casos de amor... Isso talvez se dê porque não se pode controlar o coração de uma pessoa. Se alguém é abandonado pelo outro a quem ama, o que fazer? O remédio para uma pessoa apaixonada que é desprezada é a conformidade com a situação, é voltar-se para Deus ou, então, seguir o conselho do Léon Tolstoi: arranjar um outro amor. Léon Tolstoi dá esse conselho. No livro Sublimação ele fala: “Não vale a pena se matar nem se desesperar; arranja outro amor. Porque o nosso coração não pode viver sem amar e ser amado”. É da natureza humana... Não, meu filho, é da natureza divina! Porque Deus é amor e somos descendentes de Deus. É o melhor conselho, o de Tolstoi. Como enxerga o seu trabalho como médium? É engano pensar que eu esteja em missão. Não recebi uma missão. Todo meu trabalho foi de reparação dos meus erros. A misericórdia de Deus dá, para grandes criminosos do passado, a mediunidade, para que ele, numa única existência, possa resgatar muita coisa, pois a mediunidade beneficia muita gente! O médium normalmente nem sabe o quanto beneficia. Aliás, o meu dever inadiável, inapelável, era só receber Memórias de um Suicida. Se eu o escrevesse estaria bem, não precisava escrever outro. Mas a misericórdia divina me deu mais, pois até agora tenho mais de dez publicados. Mas o que eu devia fazer era esse, só. Pude fazer mais alguns e, quem sabe, ainda posso publicar outros? Minha atividade mediúnica é um resgate. À proporção que iam saindo os meus livros, a angústia ia amenizando. Hoje eu sou uma criatura completamente equilibrada, não tenho mais essa angústia. Haja o que houver na minha vida, essa angústia não existe mais em mim. Fonte: Extraído da Revista Universo Espírita – ano de 2006

domingo, 15 de novembro de 2015

Mensagem psicografada por Maria Modesto Cravo sobre os atentados em Paris

Os atentados terroristas em Paris são como uma febre no organismo social. Dói, incomoda e leva a procurar um remédio. E a febre é apenas o sintoma de um drama de natureza moral e espiritual que nunca esteve tão elevado em toda a história da humanidade terrena. O terrorismo nada mais é que a velha necessidade do homem de anular a diferença para preponderar. No caso, usando a lamentável atitude de violência. O nome desse sentimento é poder. Poder é a coroa de ouro das organizações mais sombrias de todos os tempos. É a mais antiga doença do ser espiritual que faz seu aprendizado nessa escola de provas e expiações onde o egoísmo ainda é soberano. Uma espessa camada miasmática se forma na chamada psicosfera, a parte astral do planeta mais próxima da matéria física. Esse cinturão de sombras é o resultado dos dejetos mentais da mente encarnada e desencarnada. Culpa, medo, ódio e poder se aglutinam junto a outras matérias mentais formando essa nuvem cinzenta e com vida própria. A Terra não colhe o fruto indigesto proveniente apenas das cabeças terroristas orientadas pela ganância extremista de grupos de poder. Cada vez que alguém tenta anular a diferença, é uma bomba lançada no fortalecimento desse cinturão de trevas em torno do planeta. Anular a diferença significa todo ato no qual não se consegue respeitar e reconhecer que o que pertence ao outro é de responsabilidade dele. Existe uma compulsiva e desastrosa necessidade no coração humano de convencer, controlar, mudar, transformar e moldar o outro aos seus modelos de viver. Isso é poder. Isso é terrorismo nos relacionamentos por meio de micro-violências. O terrorismo que explode no Bataclan é o efeito dessa onda miasmática milenar que assola nossa casa planetária. Quando você respeita o outro, quando você reconhece o direito do outro de viver a experiência que lhe convém, quando você percebe que só tem poder real é sobre você mesmo, as relações vão mudar, o mundo começará também a mudar. Tenham esperança. A febre social em Paris leva todos os continentes a procurarem ajuda na erradicação de suas doenças. Em meio às dolorosas convulsões nasce uma nova ordem que não tardará. Quer colaborar com esse novo tempo? Comece a desarmar-se. Retire esses explosivos de pretensões e endurecimento na conduta. Liberte-se dessa ânsia de preponderar seja onde for. Melhor que dominar é ser feliz. Contribua com a diminuição do terrorismo no nosso planeta abençoado. Deixe de querer ter razão sempre.___________________________________________ Eu, Maria Modesto Cravo, amante do Cristo e servidora do bem, lhes abençoo com paz. 14/11/15 _______________________fonte https://www.facebook.com/wanderleyoliveiraperfil?pnref=story

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A severidade pertencerá ao que instrui, mas o amor é o companheiro daquele que serve

— Os superiores que se disponham a trabalhar em benefício dos inferiores, em ação persistente e substancial, não lhes podem utilizar as armas, sob pena de se precipitarem no baixo nível deles. A severidade pertencerá ao que instrui, mas o amor é o companheiro daquele que serve. Sabemos que a educação, na maioria das vezes, parte da periferia para o centro; contudo, a renovação, traduzindo aperfeiçoamento real, movimenta-se em sentido inverso. Ambos os impulsos, todavia, são alimentados e controlados pelos poderes quase desconhecidos da mente. O espírito humano lida com a força mental, tanto quanto maneja a eletricidade, com a diferença, porém, de que se já aprende a gastar a segunda, no transformismo incessante da Terra, mal conhece a existência da primeira, que nos preside a todos os atos da vida. A rigor, portanto, não temos círculos infernais, de acordo com os figurinos da antiga teologia, onde se mostram indefinidamente gênios satânicos de todas as épocas e, sim, esferas obscuras em que se agregam consciências embotadas na ignorância, cristalizadas no ócio reprovável ou confundidas no eclipse temporário da razão. Desesperadas e in¬submissas, criam zonas de tormentos reparadores. Semelhantes criaturas, no entanto, não se regeneram à força de palavras. Necessitam de amparo eficiente que lhes modifique o tom vibratório, ele-vando-lhes o modo de sentir e pensar. Eminentes pensadores do mundo traçam diretrizes à salvação das almas; mas somos de parecer que possuímos suficiente número de roteiros nesse sentido, em todos os setores do conhecimento terrestre. Reclamamos, na atualidade, quem ajude o pensamento do homem na direção do Alto. Em-preender o tentame, incentivando-se tão somente os valores culturais, seria consagrar a tecnocracia, que procura a simples mecanização da vida, destruindo-lhe as sementes gloriosas de improvisação, de infinito e de eternidade. Grandes políticos e veneráveis condutores nunca se ausentaram do mundo. Passam pela multidão, sacudindo-a ou arregimentando-a. É forçoso reconhecer, porém, que a organização humana, por si só, não atende às exi-gências do ser imperecível. Péricles, o estadista que legou seu nome a um século, realiza edificante trabalho educativo, junto dos gregos; entretanto, não lhes atenua a belicosidade e os pruridos de hegemonia, sucumbindo ao assédio de aflitivo desgosto. Alexandre, o conquistador, organiza vastíssimo império, estabelecendo uma civilização respeitável; no entanto, não impede que os seus generais prossigam em conflitos sanguinolentos, difundindo o saque e a morte. Augusto, o Divino, unifica o Império Romano em sólidos alicerces, concretizando avançado pro¬grama político em benefício de todos os povos, mas não consegue banir de Roma o desvario pela dominação a qualquer preço. Constantino, o Grande, advogado dos cristãos indefesos, oferece novo padrão de vida ao Planeta; contudo, não modifica as disposições detestáveis de quantos guerreavam em nome de Deus. Napoleão, o ditador, impõe novos métodos de progresso material, em toda a Terra; mas não se furta, ele próprio, às garras da tirania, pela simples ganância da posse. Pasteur, o cientista, defende a saúde do corpo humano, devotando-se, abnegado, ao combate silencioso contra a selva microbiana; todavia, não pode evitar que seus contemporâneos se destruam reciprocamente em disputas incompreensíveis e cruéis. Permanecemos diante de um mundo civilizado na superfície, que reclama não só a presença daqueles que ensinam o bem, mas principalmente da-queles que o praticam. Sobre os mananciais da cultura, nos vales da Terra, é imprescindível que desçam as torrentes da compaixão do Céu, através dos montes do amor e da renúncia. Cristo não brilha apenas pelo ensino sublimado. Resplandece na demonstração. Em companhia d’Ele, é indispensável mantenhamos a coragem de amparar e salvar, descendo aos recessos do abismo. Não longe de nossa paz relativa, em círculos escuros de desencanto e desesperação, misturam-se milhões de seres, conclamando comiseração... Por¬que não acender piedosa luz, dentro da noite em que se mergulham, desorientados? porque não se¬mear esperança entre corações que abdicaram da fé em si mesmos? A frente, pois, de imensas coletividades em dolorosa petição de reajustamento, faz-se inadiável o auxílio restaurador. Somos entidades ainda infinitamente humildes e imperfeitas para nos candidatarmos, de pronto, à condição dos anjos. Comparada à grandeza, inabordável para nós, de milhões de sóis que obedecem a leis soberanas e divinas, em pleno Universo, a nossa Terra, com todas as esferas de substância ultra-física que a circundam, pode ser considerada qual laranja minúscula, perante o Himalaia, e nós outros, confrontados com a excelsitude dos Espíritos Superiores, que dominam na sabedoria e na santidade, não passamos, por enquanto, de bactérias, controladas pelo impulso da fome e pelo magnetismo do amor. Entretanto, guindados a singelas culminâncias da inteligência, somos micróbios que sonham com o crescimento próprio para a eternidade. Enquanto o homem, nosso irmão, desintegra assombrado as formações atômicas, nós outros, distanciados do corpo denso, estudamos essa mesma energia através de aspectos que a ciência terrestre, por agora, mal conseguiria imaginar. Caminheiros, porém, que somos do progresso infinito, principiamos apenas, ele e nós, a sondar a força mental, que nos condiciona as manifestações nos mais variados planos da natureza. Encarcerados ainda na lei de retorno, temos efetuado multisseculares recapitulações, por milênios consecutivos. Expressando-nos coletivamente, sabemos hoje que o espírito humano lida com a razão há, precisamente, quarenta mil anos... Todavia, com o mesmo furioso ímpeto com que o homem de Neandertal aniquilava o companheiro, a golpes de sílex, o homem da atualidade, classificada de gloriosa era das grandes potências, extermina o próprio irmão a tiros de fuzil. Os investigadores do raciocínio, ligeiramente tisnados de princípios religiosos, identificam tão somente, nessa anomalia sinistra, a renitência da imperfeição e da fragilidade da carne, como se a carne fosse permanente individuação diabólica, esquecidos de que a matéria mais densa não é senão o conjunto das vidas inferiores incontáveis, em processo de aprimoramento, crescimento e libertação. Nos campos da Crosta Planetária, queda-se a inteligência, qual se fora anestesiada por perigo-soa narcóticos da ilusão; no entanto, auxiliá-la-emos a sentir e reconhecer que o espírito permanece vi¬brando em todos os ângulos da existência. Cada espécie de seres, do cristal até o homem, e do homem até o anjo, abrange inumeráveis famílias de criaturas, operando em determinada fre-quência do Universo. E o amor divino alcança-nos a todos, à maneira do Sol que abraça os sábios e os vermes. Todavia, quem avança demora-se em ligação com quem se localiza na esfera próxima. O domínio vegetal vale-se do império mineral para sustentar-se e evoluir. Os animais aproveitam os vegetais na obra de aprimoramento. Os homens se socorrem de uns e outros para crescerem mentalmente e prosseguir adiante... Atritam os reinos da vida, conhecidos na Terra, entre si. Torturam-se e entredevoram-Se, através de rudes experiências, a fim de que os valores espirituais se desenvolvam e resplandeçam, refletindo a divina luz... Nesse ponto, o esclarecido Ministro fêz longa pausa, fitou-nos, bondoso, e continuou: — Mas... além do principado humano, para lá das fronteiras sensoriais que guardam ciosamente a alma encarnada, amparando-a com limitada visão e benéfico esquecimento, começa vasto império espiritual, vizinho dos homens. Ai se agitam milhões de Espíritos imperfeitos que partilham, com as criaturas terrenas, as condições de habitabilidade da Crosta do Mundo. Seres humanos, situados noutra faixa vibratória, apoiam-se na mente encarnada, através de falanges incontáveis, tão semiconscientes na responsabilidade e tão incompletas na virtude, quanto os próprios homens. A matéria, congregando milhões de vidas embrionárias, é também a condensação da energia, atendendo aos imperativos do “eu” que lhe preside à destinação. Do hidrogênio às mais complexas unidades atômicas, é o poder do espírito eterno a alavanca diretora de prótons, nêutrons e eléctrons, na es¬trada infinita da vida. Demora-se a inteligência corporificada no círculo humano em transitória região, adaptada às suas exigências de progresso e aperfeiçoamento, dentro da qual o protoplasma lhe faculta instrumentos de trabalho, crescimento e expansão. Entretanto, nesse mesmo espaço, alon¬ga-se a matéria noutros estados, e, nesses outros estados, a mente desencarnada, em viagem para o conhecimento e para a virtude, radica-se na esfera física, buscando dominá-la e absorvê-la, estabele¬cendo gigantesca luta de pensamento que ao homem comum não é dado calcular. Frustrados em suas aspirações de vaidoso do¬mínio no domicílio celestial, homens e mulheres de todos os climas e de todas as civilizações, depois da morte, esbarram nessa região em que se prolongam as atividades terrenas e elegem o instinto de soberania sobre a Terra por única felicidade digna do impulso de conquistar. Rebelados filhos da Providência, tentam desacreditar a grandeza divina, estimulando o poder autocrático da inteligência in¬submissa e orgulhosa e buscam preservar os círculos terrestres para a dilatação indefinida do ódio e da revolta, da vaidade e da criminalidade, como se o Planeta, em sua expressão inferior, lhes fôsse paraíso único, ainda não integralmente submetido a seus caprichos, em vista da permanente discórdia reinante entre eles mesmos. É que, confinados ao berço escabroso da ignorância em que o medo e a maldade, com inquietudes e perseguições recíprocas, lhes consomem as forças e lhes inutilizam o tempo, não se apercebem da situação dolorosa em que se acham. Fora do amor verdadeiro, toda união é temporária e a guerra será sempre o estado natural daqueles que perseveram na posição de indisciplina. Um reino espiritual, dividido e atormentado, cerca a experiência humana, em todas as direções, intentando dilatar o domínio permanente da tirania e da força. Sabemos que o Sol opera por meio de radia¬ções, nutrindo, maternalmente, a vida a milhões de quilômetros. Sem nos referirmos às condições da matéria em que nos movimentamos, lembremo-nos de que, em nosso sistema, as existências mais rudimentares, desde os cumes iluminados aos recôncavos das trevas, estão sujeitas à sua influenciação. Como acontece aos corpos gigantescos do Cosmos, também nós outros, espiritualmente, caminhamos para o zênite evolutivo, experimentando as radiações uns dos outros. Nesse processo multiforme de intercâmbio, atração, imantação e repulsão, aperfeiçoam-se mundos e almas, na comunidade universal. Dentro de semelhante realidade, toda a nossa atividade terrestre se desdobra num campo de influências que nem mesmo nós, os aprendizes huma¬nos em círculos mais altos, poderíamos, por en¬quanto, determinar. Incapacitados de prosseguir além do túmulo, a caminho do Céu que não souberam conquistar, os filhos do desespero organizam-se em vastas colônias de ódio e miséria moral, disputando, entre si, a do¬minação da Terra. Conservam, igualmente, quanto ocorre a nós mesmos, largos e valiosos patrimônios intelectuais e, anjos decaídos da Ciência, buscam, acima de tudo, a perversão dos processos divinos que orientam a evolução planetária. Mentes cristalizadas na rebeldia, tentam sola-par, em vão, a Sabedoria Eterna, criando quistos de vida inferior, na organização terrestre, entrincheiradas nas paixões escuras que lhes vergastam as consciências. Conhecem inumeráveis recursos de perturbar e ferir, obscurecer e aniquilar. Escravizam o serviço benéfico da reencarnação em grandes setores expiatórios e dispõem de agentes da discórdia contra todas as manifestações dos sublimes propósitos que o Senhor nos traçou às ações. Os homens terrenos que, semi-libertos do cor¬po, lhes conseguiram identificar, de algum modo, a existência, recuaram, tímidos e espavoridos, espalhando entre os contemporâneos as noções de um inferno punitivo e infindável, encravado em tenebrosas regiões além da morte. A mente infantil da Terra, embalada pela ternura paternal da providência, através da teologia comum, nunca pôde apreender, mais intensivamente, a realidade espiritual que nos governa os destinos. Raros compreendem na morte simples modificação de envoltório, e escasso número de pessoas, ainda mesmo em se tratando dos religiosos mais avançados, guardaram a prudência de viver, no vaso físico, de conformidade com os princípios superiores que esposaram. Somos defrontados, agora, pela necessidade da proclamação de verdades velhas para os velhos ouvidos e novas para os ouvidos novos da inteligência juvenil situada no mundo.______________________________________________Extraído do livro Libertação

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A surpresa sublime

Aprender será sempre valioso trabalho para o coração. Logo após minha vinda, observando que o combate pela extensão do bem se desdobra em todas as direções, acreditei na possibilidade de prosseguir no mesmo diapasão de atividade intensiva a que me consagra na Terra. A luz interior revelada por vários amigos, sem que a mínima réstea de claridade me assinalasse a presença, constituía a primeira evidência a sugerir a modificação de minha atitude mental. De que me valeria o demasiado movimento, sem probabilidades de realização benéfica? Ali, o serviço pautava-se em linhas diferentes. Dentro do novo plano, a garantia do êxito permanece exclusivamente no indivíduo. Tal como o veículo precisa de combustível para se locomover, necessitava eu do fator qualidade para a nova luta em que ingressara. Semelhante impressão jazia mal esboçada em mim, quando o encontro com o infeliz perseguidor ma impôs violentamente. Dele ouvira referências amargas que me dilaceraram o ser; entretanto, reconheci tamanho proveito nas reprimendas recebidas, que julguei precioso serviço continuar registrando as impressões das almas perturbadas, a meu respeito. Não seria esse o recurso de realizações vindouras? Depois da morte, o julgamento, por mais desagradável, é uma bênção. Pouco a pouco entendi que era necessário ouvir com humildade, a fim de agir com proveito. O contacto direto com um obsessor vulgar aclarara-me a consciência. Salientara ele as sombras que ainda me envolviam e que os abnegados amigos da primeira hora velavam, movidos de piedade evangélica. É imprescindível evitar a precipitação, e meditar antes de atacar novas obras.____________ _______________-Irmão Jacob (espírito) Da Obra “Voltei“ – Médium: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER